Arquivos Diários: 9 maio, 2010

CARTA A UM POETA – por hamilton alves / ilha de santa catarina

Prezado amigo,

Aí vai esse poema de Yves Bonnefoy, que um amigo teve a gentileza de me mandar de Recife, PE.

Trata-se de um poema que reflete o tema  sempre inquietante  da perfeição e/ou da imperfeição, de como ambas se situam dentro de um plano de relativismo. Ou de como, em certo sentido, a imperfeição suplanta a perfeição.

Ou que de algum modo a imperfeição se impõe para que se enseje a perfeição.

Ou de como uma surge ou tem origem na outra ou de como uma precisa da outra para subsistir.

Quem atacou muito bem essa questão foi Wallace Stevens em seu belíssimo poema “O homem do violão azul”, inspirado numa tela de Picasso, quando colocou magistralmente o verso “the imperfect is our paradise” (o imperfeito é nosso paraíso).

Isso soa de forma metafísica.

O que seria de nós se tudo fosse perfeito neste mundo? Não houvesse a imperfeição para que, por ela ou através dela, se buscasse (ou tentasse) a forma perfeita?

Ou o poema perfeito? Ou a obra de arte que assim fosse considerada? Sempre temos de combater, de certo modo, a perfeição ou recusá-la. Como diz bem Bonnefoy, em seu poema, “a imperfeição é o cimo”. Como querendo dizer que ela é a busca de alguma coisa que desconhecemos. Ou só descobrimos quando, através dela ou por via dela, conseguimos alguma coisa que possa ser a perfeição.

Esse poema, “A imperfeição é o cimo” (lê-lo abaixo) diz tudo ou expressa tudo isso melhor que estas poucas palavras.

“A IMPERFEIÇÃO É O CIMO

Ocorria que era preciso destruir, destruir e destruir

Ocorria que só há salvação a esse preço

Arruinar a face nua que se alça no mármore,

Martelar toda a forma, toda a beleza,

Amar a perfeição porque ela é o limiar,

Mas negá-la assim que conhecida, esquecê-la morta,

A imperfeição é o cimo”.

Um abraço.

O SER HUMANO TEM JEITO? – por alceu sperança / cascavel.pr

Desde que a moderna indústria química e farmacêutica floresceu no mundo, os brasileiros jamais puderam comprar em qualquer farmácia um remédio antiinflamatório nacional.

Todos os antiinflamatórios que eu, você, nós, compramos até hoje em farmácias eram baseados em tecnologia e produtos estrangeiros.

O pesquisador catarinense João Batista Calixto, chefe do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, está mudando essa história.

Ele criou o primeiro antiinflamatório produzido a partir de uma planta brasileira – a erva baleeira.

O remédio é indicado para o tratamento de tendinite crônica e dores musculares.

Foi também o primeiro medicamento a ser integralmente pesquisado e desenvolvido no País.

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Por que nós, aqui do Sul, precisamos nos preocupar tanto com a proteção da Amazônia?

A Amazônia não está lá, tão longe?

Que importância tem para nós o desmatamento louco de lá? As queimadas irresponsáveis? Os assassinatos de índios?

Além de a resposta ser evidente – da Amazônia e de sua gente depende o futuro do Brasil –, ainda há uma verdade que poucos de nós já perceberam.

A Amazônia também é aqui.

Mas como? De que jeito a Amazônia pode ser e estar aqui?

Pesquisas do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (USP), apontam que as nuvens vistas acima de nós estão constituídas por águas em grande parte evaporadas na Amazônia.

Isso quer dizer que sobre nós, em cada nuvem e em cada chuva, é um rio voador da Amazônia sobre nós, a água da Amazônia que nos refresca e dá vida às plantações.

Mais uma razão, portanto, para preservar a Amazônia, pois as águas amazônicas também são as nossas águas.

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O plástico, material que está presente em muitos objetos que usamos no dia a dia, vem do petróleo.

Mas o petróleo vai acabar.

O gênio humano, porém, não esperou que a era do petróleo terminasse e encontrou substitutos perfeitos para o plástico.

Por isso, pode-se dizer que o plástico já dá em árvores e com isso deixa de ser um recurso finito, condenado a acabar, tornando-se permanente.

Já existem plásticos feitos a partir do etanol de cana-de-açúcar, que podem ser reutilizados num processo de reciclagem.

Há também polímeros biodegradáveis produzidos por bactérias alimentadas por açúcares.

As grandes petroquímicas, fabricantes de plásticos feitos a partir do petróleo, estão investindo forte nessa novidade, que vai apressar o fim do ciclo petrolífero.

O curioso é que a tecnologia para esse plástico tirado de plantas já existe desde 1998, mas ninguém se interessava.

Por essa diferença de quase dez anos é possível calcular que neste momento estão sendo descobertas soluções que só dentro mais alguns anos as indústrias perceberão que valem a pena.

Às vezes, evoluímos até sem perceber.

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A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção.

O ser humano tem jeito, sim!