a dissecação do poema – de julio saraiva / são paulo


O poema em seu todo

pode às vezes vir da flor

como pode vir do lodo

pode vir do olho do cu

mas também vem do sacrário

vem do vôo do urubu

vem do canto do canário

o poema é brinquedo

é recreio da palavra

o poema vem dos olhos

encovados de quem lavra

o chão  a terra que não tem

está no meio dos escolhos

ou na noite do meu bem

o poema em qualquer parte

pouco importa de onde vem

pode ser de Deus a arte/praga

e a do Diabo também

2 Respostas

  1. roberto,

    houve um erro de digitação neste poema. tentei reparar, mas não deu. nos dois últimos versos: “pode ser de deus a arte/praga do demo também” – sem a palavra praga o poema perde o ritmo. mas ainda bem que você gostou. obrigado.

    j.

  2. Maravilha, Júlio. Uma bela visão de vida e poesia!

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