O VENTO de vera lucia kalaari / portugal


Quando em meu frio leito

Recordo com deleite

Os passos da minha vida,

O vento que bate

Nas paredes corroídas

Pede também guarida

No meu louco coração.

Num triste lamento

Que sai da imensidão

Do negro firmamento

De manso vem surgindo…

Depois, negado o refúgio pedido,

Segue rugindo, increspando o mar

Em vagas alterosas,

Rompendo o ar

Em brisas furiosas.

E a noite serena,

Acorda perene…

Esconde-se a lua,

Fogem as estrelas,

O céu se turva

Ao vento que passa,

Que mata o tempo

Que apaga a vida

E tenta, em vão,

Parar o meu coração.

4 Respostas

  1. Tonicato,

    Meu imprevisível amigo,

    Obrigado pelo comentário. Concordo consigo. Quando estamos em maré de ”poemar” tudo pode acontecer. Depende da nossa sanidade/insanidade do momento. Já cheguei a essa conclusão.
    Ainda bem que me sossegou quanto à cozinha da nossa querida Marilda. Mas eu devia ter previsto
    que ela não é pessoa para trabalhar em clausura numa cozinha que não fosse decorada à sua imagem.
    Na realidade, para que precisaria ela de janelas? A sua maneira de estar na vida abre-as em qualquer sítio que esteja, porque é uma força da natureza.
    Um abraço grande da
    Vera Lucia

  2. E a noite serena,
    Olá Vera Lúcia.
    Gostei deste teu poema. Gostei dos versos abaixo:

    “Esconde-se a lua/ Fogem as estrelas/ O céu se turva
    Ao vento que passa/ Que mata o tempo/ Que apaga a vida…”

    Como se o vento tivesse a capacidade de matar o invencível tempo.
    Acredito você tenha querido dizer ser ele capaz de levar para longe a lembrança.
    Não importa, em cada cabeça uma interpretação ou sentença (não a jurídica, mas a gramatical).
    Às vezes o autor já não mais se reconhece como o criador da sua própria obra, tem alzeimer com ela.
    E ao fugir dela, nega-a. Também não se reconhece nela. Por isto seu poema cresce para mim.
    É uma fuga de você mesmo, mas também poderia ser minha própria fuga.

    Quanto à cozinha da amiga Marilda. Tenho de rir também.
    Não, ela não é assim tão lúgubre. Ela soube dar a sua cozinha sem janelas azulejos claros, e alegria
    que somente existe nela, Marilda. Não sei se me lembro bem, porque na cozinha estive menos de 5 minutos, mas era uma cozinha gentil, de quem poetiza tudo na vida. E a sala da Marilda é o que há de melhor. Sabe por que? Porque nela a amiga pendurou quadros de recordar e onde tem uma janela para o ar. Se não a tem para o mar é porque o mar assim não quis, não quis vir. Não veio com ela sorrir.

    Grande Abraço.
    Tonicato

  3. Marilda,

    Só tu para me fazeres rir… Isto é só poesia… Era preciso um grande vendaval para fazer parar o meu
    coração. Penso eu. Era mais fácil parar com uma paixão, daquelas assolapadas, que nos deixam tão atordoadas que parecemos meias atrasadas mentais.
    Mas essa tua cozinha deve ser muito pouco convidativa. É o que eu chamo uma verdadeira cela de sacrifícios culinários. Não tens outro remédio senão distrair-te com os tachos e fritadeiras. Deve ser uma coisa…
    Obrigado pelo comentário.
    Abração
    Vera Lucia

  4. Que esse vento tente eternamente, em vão, parar seu coração, menina.
    Invejo os poemas que falam das forças da natureza… são sempre majestosos.
    Beijos, daqui da cozinha do apartamento, de onde não se vê mar, céu e nem se sabe se está ventando ou não,

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