TUMBAS LUMINOSAS e MÚMIAS DANÇANTES – por alceu sperança / cascavel.pr

Diversas pessoas estão atarefadas com a elaboração de programas administrativos governamentais, tendo em vista as eleições de outubro. Devem ser pessoas com vocação para a ficção. Na atualidade, o governador e o presidente da República têm tanta margem de escolha quanto o coveiro: pode começar a cavar ao comprido do caixão, em diagonal, a partir do poente ou do Leste, mas o fruto do trabalho será sempre uma cova aberta e calos nas mãos.

Sobra muito pouco para a atuação de um governante, na democradura mundial de hoje. O verdadeiro poder se esconde nos conchavos com banqueiros, transnacionais, empreiteiras de obras, concessionários de serviços públicos e máfias financiadoras de campanhas.

Quem participa desse esforço de elaborar programas de administração, concluí que só há duas opções: ou mentir para a população, anunciando um plano fantasioso, ou ser honesto e dizer que a plataforma aprovada pelo eleitor nas urnas não é a verdadeira, aquela que o candidato acertou nos conchavos.

O que, enfim, um governante faz, na atualidade? Nomeia cupinchas do partido e dos partidos aliados para funções sobre as quais eles não têm a menor idéia de como desenvolver. E nem querem saber ou aprender como, em cursos técnicos estafantes, que, aliás, requerem inteligência. Afinal, trata-se de coisa provisória, até o próximo conchavo. O que interessa, mesmo, é a grana do salário, que será rachada com o partido.

Outra coisa que governante faz é nomear parente ou ajeitar esquemas para os parentes, especialmente os mais incapazes, pois os capazes já têm o que fazer e não dependem de tetas provisórias . Os parentes, como os cupinchas, também não têm a menor idéia do que seja serviço público, pois sua cultura é a da iniciativa privada, onde o jogo é outro.

E o que governante mais faz na atualidade, além de morrer de medo de que algum aspone seja apanhado em corruptos mesalões, é a famigerada “revitalização”. Palavra chupada do Inglês, ela não quer dizer nada. Poderia ter o significado de ressuscitação, que seria reanimar alguém. Mas, a rigor, “revitalização” quer dizer “reforma”.

Se fôssemos avaliar o que se reformou até hoje, no País, nos estados e nos municípios, veríamos que só se mexeu na aparência. O carro levou um banho de mangueira, mas o resto continua igual: a pintura descascada, o motor rateando, os pneus furados.

Alguns acham que não é muito publicitário dizer que reformou algo com uma pintura ou um reboco. Funciona mais pôr tudo abaixo e reconstruir, para que não pareça uma reforma e sim uma “revitalização”, um fazer de novo e supostamente melhor.

Imagine se o presidente de seu país fosse governar, digamos, o Egito, onde estão as Pirâmides. Que revitalização, meu! As tumbas recobertas de plástico luminoso e múmias holográficas dançando ao som de um pancadão high-tech.

Uma resposta

  1. SE PRESTAR A ESSE TIPO DE ANÁLISE EXALANDO CONSCIÊNCIA E SENSO CRITICO APURADO;
    tentar abrir os olhos da turba enlouquecida por marcas de carros e fast food; fazê-lo com humor
    tão refinado, merece um
    viva!
    Como paranaense, fico sinceramente comovida.

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