Arquivos Diários: 21 maio, 2010

DEGREDADO – de joão batista do lago / são luis


Meus passos levam-me às esquinas da Ilha

Em todas elas há um cheiro parado no ar

Um gosto de sal e mel soçobra-me nos lábios

Um abraço apertado unge meu corpo

Com o suor que exala dos teus poros

Sinto-te como se minh’alma fora

Dentro de mim desde o início do nada

Sinto-te como o caos que se organiza

Na mundidade da minha prima casa

Organizando todos meus amores silenciados

Sou teu ilhéu…

Ilhado nas esquinas do teu corpo

Túnica sagrada que me reveste

Vou caminhando tuas esquinas (e)

Descobrindo teus segredos

Teus amores…

Sou, pois, teu eterno degredado

Teu criminoso desterrado d’outras terras

Que implora o castigo de te ver em mim amada

DEPOIS DO TERREMOTO E DA CONTRA-ODE À CANALHA – de tonicato miranda / curitiba


para Roberto Prado

Ah minha juventude estacionada

retardando todos meus legumes em flor

O que pode a couve flor contra a buganvília?

A bilha movendo meu carrinho de rolimã já vai longe

A trilha, o cavalo e a cilha transportam hoje um monge

Mãos e rosto ainda não de todo crestados

viajam de lado desviando do capim navalha da palavra

este que a juventude lavra sem perdão

desbastando com rudeza a montanha da emoção

Jovens passarinhos atenção ao meu canto de ferro

Acreditem: ele não será um solitário berro

está vestido de acordes é voz que segue a partitura

mas sua voz é livre, sua juventude tem a carne dura

mas minha pele se cresta, meu cantar já se arrasta

mas não me raspa com a borracha sobre o papel

minha linguagem é menos o sal, muito mais o mel

Convido-o companheiro para eu lhe ouvir poemas

traga aos meus ouvidos suas tralhas

vou também lhe mostrar minhas produções canalhas

vá que alguma encontre em você um abrigo?

Vá que ela seja o ferrolho da porta se abrindo

você um amigo?