DEPOIS DO TERREMOTO E DA CONTRA-ODE À CANALHA – de tonicato miranda / curitiba


para Roberto Prado

Ah minha juventude estacionada

retardando todos meus legumes em flor

O que pode a couve flor contra a buganvília?

A bilha movendo meu carrinho de rolimã já vai longe

A trilha, o cavalo e a cilha transportam hoje um monge

Mãos e rosto ainda não de todo crestados

viajam de lado desviando do capim navalha da palavra

este que a juventude lavra sem perdão

desbastando com rudeza a montanha da emoção

Jovens passarinhos atenção ao meu canto de ferro

Acreditem: ele não será um solitário berro

está vestido de acordes é voz que segue a partitura

mas sua voz é livre, sua juventude tem a carne dura

mas minha pele se cresta, meu cantar já se arrasta

mas não me raspa com a borracha sobre o papel

minha linguagem é menos o sal, muito mais o mel

Convido-o companheiro para eu lhe ouvir poemas

traga aos meus ouvidos suas tralhas

vou também lhe mostrar minhas produções canalhas

vá que alguma encontre em você um abrigo?

Vá que ela seja o ferrolho da porta se abrindo

você um amigo?

4 Respostas

  1. gosto disso, gosto desse rio que flui em risos… o Tao…

    abraços.
    Rosana Barroso

  2. Que loucura!
    O escuro revela
    imagens belas.

    As vezes é preciso um trovão para calar os barulhinhos e poder ouvir o som de uma chuva mansa.

  3. Vidal e demais leitores: o meu comentário acima saiu com um monte de erros de digitação. Tenham dó. E a palavra ideias não tem mais acento, agora os poetas podem rimá-la com “teias”, rererererer.

  4. Tonicato, assim você mata o Prado Velho de emoção! Lembrei agora que o Erza Pound disse uma vez que poesia é uma conversa entre pessoas inteligentes, uma conversa que não respeitava limites de tempo, espaço, idioma, ideologia.
    Então, para continuar a conversa que você começo, me veio a imagem da água, de um rio que passa e deixa passar. De um fluir contínuo que, ao mesmo tempo que lava e leva aquilo que precisa ser lavado e levadoe lava, faz permanecer em nós aquele menino cristalino.

    Veja aí:

    panorama da ponte que partiu
    .
    eu tinha lá minhas dúvidas
    naquele tempo nada mais normal
    passaram toneladas cúbicas
    debaixo da ponte sobre o rio tao
    guardo ainda uma ponta de súbitas
    o tempo teima em não me fazer mal
    idéias dóem, algumas ainda úmidas
    vai, água suja, ardo mas digo tchau

    (Roberto Prado)

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