O CASO DA CÉLULA SINTÉTICA por hamilton alves / ilha de santa catarina

Ouvi o disparo dos fogos de artifício atirados por ateus conhecidos quando souberam da notícia de que o biólogo americano Craig Venter teria criado a célula sintética, com  o que pretendiam consolidar sua tese da inexistência de Deus. A célula é uma forma de produzir vida – e na opinião de Venter isso prova que a vida não provém de uma potência especial.

Ao mesmo tempo que anunciava o novo engenho no campo da biogenética ou da engenharia genética, reconhecia que tal célula teria que se submeter a certos controles de segurança, sob pena de desencadear doenças e os cientistas (isso ele não disse) perderem o controle de seu mecanismo, como uma nova espécie de dr. Mabuse ou outro monstro semelhante do saber humano, que acha que tem poder para tudo na manipulação do conhecimento.

Mas o dr. David Baltimore, prêmio Nobel de medicina, repôs as coisas em seus devidos lugares, quando declarou que “Venter está superestimando o seu feito. A descoberta tem valor de uma nova técnica científica, mas não tem poder de mudar nada no campo conceitual”.

Ora, diante disso, nota-se que os ateus estão se antecipando no desfrute de seu triunfo de que a vida agora não depende mais de uma força ou de um poder sobrenatural ou de outra qualquer origem, mas o próprio homem poderá, doravante, criá-la com o advento da tal célula sintética.

Diz o comentário de um jornal que “há fronteiras objetivas para aquilo que o homem pode por e dispor num genoma. E isso num ser simplório como Mycoplasma, que nem núcleo celular tem (a bactéria é classificada como organismo procarioto)”. E mais: ”O genoma humano é milhares de vezes maior que a bactéria inventada por Venter”. E ainda: “Está longe o tempo  – se é que algum dia virá – em que a biologia será capaz de sintetizar células para remendar órgãos humanos”.

Em suma, os ateus ouviram cantar o galo mas não sabem onde, como de rotina.

Ainda que a técnica científica avance, como tem avançado admiravelmente, nos últimos tempos, na questão que diz respeito estritamente à produção de vida, ainda creio que seja impossível consegui-la em laboratórios ou seja lá de que  modo for.

A natureza ainda é senhora toda poderosa nesse campo.

Quando o homem tentar mexer nos poderes da natureza, suponho, a reação não tardará.

Não foi sem certo receio que a notícia da descoberta da célula sintética foi anunciada. Um outro  mecanismo seria necessário criar para controlar os seus eventuais efeitos devastadores sobre a vida.

Ainda é muito cedo para os ateus cantarem vitória. Se é que o conseguirão algum dia.

4 Respostas

  1. Gostaria de responder a todas essas pessoas que a ciência é a ciência e a fé é a fé. Uma, a última, é o reino do absoluto; a outra, o reino do relativo. Não precisa ser mais claro. Grato pela opinião de todos sobre o tema. Hamilton

  2. Muito menos um problema religioso esse,na minha opinião, se tornará um problema comercial, biológico, ambiental e de saúde. Pois assim como os trangênicos essa tecnologia será vendida, revendida, manipulada e, como sempre, utilizada indiscriminadamente sem se preocupar com os danos ao ambiente e ao ser humano. Como os Transgênicos foram.

    1. Haverão problemas em outros âmbitos sim, mas nem por isso devemos ignorar as implicações filosóficas de tal feito. Desde a transição da concepção mitológica para uma visão mais racional do mundo efetuada pelos filósofos pré-socráticos, passando pela descoberta de que a Terra não é o centro do universo, a teoria da evolução, entre outras coisas, essas crenças tolas em entidades sobrenaturais só vem levando golpe após golpe sem revidar uma vez sequer, que descoberta ou feito tem realizado qualquer religião, que nos faça achar que, talvez, possa existir um deus? Enquanto isso a ciência vem derrubando mito após mito.

      1. é a ciência vai continuar derrubando todos os mitos, só que a religião não é baseada apenas em mitos. Eu sou ateu, e vejo todos os malefícios que a religião traz, porém eu considero perdida qualquer luta que vise simplesmente retirar a possibilidade de se crer em um Deus em todos os seres humanos. Ser crítico em relação à religião para mim é pensar sobre como ela afeta a vida e como melhorar essa convivência entre o sujeito e a crença (evitar assujeitamentos). As morais religiosas muitas vezes não são mais adequadas a nossa realidade, e é isso que temos que discutir.

        O ser humano é religioso não porque acredita em mitos, pois os mitos mudam de tempo em tempo, alguns seres humanos não conseguem vislumbrar o mundo sem uma entidade maior, e tem fé nisso. A fé vai sobreviver mesmo que todos os mitos caiam. Pois as perguntas iniciais que motivam toda fé nunca poderão se respondidas pelo ser humano em definitivo: o que é o ser humano, de onde viemos e como iremos terminar…

        E mesmo que a ciência dê explicações para tais perguntas, no fim não importa para a pessoa que tem fé, se Jesus teve um filho, não muda ele ser filho de Deus, se a bíblia foi criada, não significa que não existe um Deus, se a ciência não prova Deus, também não quer dizer que ele não exista, o que existe são inúmeros fenômenos que a ciência falha em explicar e sempre aparecerão mais. A fé vai continuar, então, pulando de mito em mito, a cada descoberta haverá o desconhecido além dela, esse desconhecido é o suficiente para os que tem fé acreditarem.

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