MESTIÇA de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

MESTIÇA

Mestiça afronta ao estabelecido.

Mestiço, abro clareiras na mata.

Mestiço, mastigo folhas

amargas.

Mestiço, arremedo macacos no topo

das altas árvores.

Mestiço, um peso

o peso das eras

me puxa pra trás

puxa relança

ao infinito.

Assim

é que também faço

e persisto.

No espaço duma vertigem e outra

embatem forças ocultas. Teu espíritho, meu espíritho, de sóis e luas repartidos, sofrem as vis agressões. É de tempera boa essa ferradura. É de tempera boa essa espada. São de tempera especial, esses golpes milenares em defesa pessoal.

As ogivas da morte, não estouram no meu chão. Não estouram na minha sede, não estouram na minha fome, não estouram na minha persistência de criador.

Acrescente

uma moeda de cobre

um metal qualquer

um adereço

no teu sonho

teu fazer

espectre a lua de frente

e subverta todos os sóis

dos dias seguintes

só pra ver como é

que fica.

Vem pelos séculos

nosso olhar

transternecido

nosso ver

crer, transfigurar

os transfinitos

almas perpassando

objetos.

Descalabro

do pensar

beligerante, eclético

trúnfico e imperial

a palavra vindo

e destruindo os sóis

arremessados de lado

e a voz fosforeando

céu acima na escuridão.

O fósforo

de tuas palavras

acende

iracriadora

no meu

coração.

A iracriadora

repercute no sempre

de todas as épocas

porque é voz lançada

ao infinito

transdiz o indizível

e revela os espaços

ocultos do orbe

em transe

de altosonhar.

Existe

o baixo sonhar

e sempre andei ali

escaravelhando

pós ardidos

de contigo, reergui

o gesto, a voz

o ímpeto e agora laboro

magmas alternados

de beleza e furor

explícitos zêlos

atônitas investidas

nos fatos.

Espírithos invictos no labor dos livros me desafiam

:golpes baixos no dizer:

agridem por mero deleite

a voz que poéticocircunda o entrelivros e delibera e torce as coisas de razão desrazão.

Comigo é assim despachado o despacho do dizer nos pacotes endereçados pra alguém no futuro que pouco ou nada me diz.

Na luta de facas, tu vinhas e eu me defendia com golpes marciais

as facas lampiavam na escuridão dos muquiviras e eu me defendia defendia. As lâminas finas, cromadas lampiavam na escuridão dos muquiviras e eu me defendia

defendia.

Em poeta e anjo e semioticista eu lançava mão de signos espérios ágeis no gatilho e mesmo assim tu te chegavas ostensivo, lampiando as facas afiadas no meu brilho.

Acrescente um punhado de feijão no prato, um punhado de arroz e um ovo frito fenomenal. Sacias a tua fome. Um poema como esse prato cheio, interfere em outras espheras. Interfere

educa o trauseunte peregrino. Um signo vive dum prato feito. Um signo, um homem, um centauro, um ente libertino. Dum prato feito a nossa fome. Dum prato feito, a nossa ira santa. Dum prato feito, o nosso amor. Dum prato feito, a imagem da musa crescida de sóis insuspeitos. Em poeta e centauro e ente reciclínio não me deixo abater pela cantilena negra do baixo espíritho. Uma proeza, a voz que poéticocircunda nossas ações de inventor

criador, filósofo pré promaduro, no caminho de todos os caminhos.

Luas e luas, sóis e sóis espelhos nos espelhos

linhas de pensar o impensado, tresandos de verbos novos fazendo pecado. Em poeta, me tentam imagens lindas. Me tentam, conceitos complexos, construções do alto espíritho. Mitigo

a dor maior, mitigo a ilusão esplêndida que dói

frente ao objetário vida.

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