Arquivos Diários: 1 junho, 2010

UMA NÊNIA A WILSON BUENO de ivan justen santana / curitiba

Nossa Santa já não pode mais ser Cândida

Nossa vida assassinada e cada vez mais bandida

Facada que vem sem nem falar pra que vinha

.

Mas as frases não acabam no final da linha

Um sangue de poeta grava toda a escrivaninha

CHUVA: de luiz gustavo pires

chuva:

uvaia púr
pura

vaia
ou
fica

a deus dará

( chuvarada )
charada do tempo:

o que é que cai que nem pluma
mas não é algodão ?

não molha e não é seco ?

mais parece um soco no saco ?

só dor sua dor ?

escarcéunário

O BOM BUENO por hamilton alves / ilha de santa catarina

Conheci Wilson Bueno, escritor, poeta, jornalista (com colaboração em vários jornais, sempre escrevendo sobre cultura, literatura em especial) num lançamento de seu livro “Mar Paraguayo”. Estava passando uma curta temporada nas praias de São Francisco do Sul (SC) e veio à Ilha só para lançar esse livro e voltaria para lá em seguida, segundo me revelou nessa noite. O lançamento se deu num espaço cultural que havia (e sumiu pouco depois) num prédio da Avenida Rio Branco (área central da cidade). Um grande número de amigos e interessados na obra de Bueno ali compareceu.

Me recebeu como se já fôssemos velhos amigos, com o detalhe que me revelou que acompanhava as crônicas que publicava, à época, num jornal local, que me dissera apreciar muito, no que fiquei muito lisonjeado.

Lia Wilson em suas boas resenhas publicadas no Estadão, aparecidas de vez em quando, em que revelava sempre um conhecimento profundo e bem atualizado de literatura.

Sei que colaborava em outros jornais. Fora fundador do famoso jornal paranaense de cultura, “Nicolau”. Amigo de Paulo Leminsky, com quem privou na intimidade, que o lançou praticamente no fogo cultural que ardia à época em Curitiba, inclusive com o aparecimento do “Nicolau”, por onde passou também outro nome de grande projeção da literatura paranaense, Dalton Trevisan.

– Leio suas crônicas, Hamilton. – disse-me – levantando os olhos do livro que lançava, assinando-me um exemplar com dedicatória.

Agora, abro o computador, no “blog” do Vidal (João Bosco) e o que deparo? A notícia do brutal assassinato de Bueno. Como e por que? Fica a pergunta no ar. Quem teria suficiente coragem de matar uma pessoa humaníssima como Bueno?

Nada se sabe ainda com clareza  sobre os fatos.

Apenas dou-me conta, nessa hora inicial do dia, ao abrir o blog do Vidal – Palavras Todas Palavras – dessa notícia trágica e ao mesmo tempo brutal, que de certo modo atinge com uma dor imensa todas as pessoas que conheciam Bueno, eram seus amigos, seus admiradores, sua família.

A todos minhas condolências por essa perda sem nome que ora sofremos.

De Bueno lembraremos de sua figura humana pouco igualada e da contribuição que deu à cultura de seu Estado e do país.

VIA CRUCIS – de alceu wamosy / uruguaiana.rs

Ó calvário do Verso! Ó Gólgota da Rima!
Como eu já trago as mãos e os tristes pés sangrentos,
De te escalar, assim, nesta ânsia que me anima,
Neste ardor que me impele aos grandes sofrimentos…

Esta mágoa, esta dor, nada existe que exprima!
Sinto curvar-me o joelho a todos os momentos!
E quanto falta, Deus, para chegar lá em cima,
Onde o pranto termina e cessam os tormentos…

Mas é preciso! Sim! É preciso que eu carpa,
Que eu soluce, que eu gema e que ensangüente a escarpa,
Para esse fim chegar, onde meus olhos ponho!

Hei de ascender, subir, levando sobre os ombros,
Entre pragas, blasfêmeas, gemidos e assombros,
A eterna Cruz pesada e negra do meu Sonho!