TERRA PROMETIDA por walmor marcellino + / curitiba



“Sempre fui palestino.
Era palestino
antes de saber meu destino,
e que existiram
Nabucodonosor, Ciro
seu pai Cambises
ou seu neto Artaxerxes
o que eles sentiram,
ou o que dizes do rito
agora dos reis a quem serves.

Sempre fui um palestino,
e tempos depois abissínio,
pele negra, sangue tinto
derramado em 1935.
Fui judeu estrelado em 40
e a cada seqüente ano;
depois, moreno cigano,
ditos indigitados estranhos
a qualquer núcleo humano.

Tornei-me vietnamita
numa povoação calcinada;
desde a porta de entrada
procurei defender nossa vida
com fraternidade ativa.
Bombas e napalm rasantes
à morte, traçantes
tentamos
a resistência massiva
ante o terror imperialista.

Hoje, é o mesmo inimigo,
pouco distinguimos ao vê-lo,
impondo ao povo castigo
quer arrasar a Palestina.
É um amargo pesadelo.

Novas tábuas do Sinai, a sina
vêm na luz “starfight” do céu, na
estrela de seis pontas no tanque,
vai retornando essa malsina
com todo o poderio ianque.”

(Curitiba, julho de 2002)

3 Respostas

  1. Pura beleza, a beleza da palavra verdadeira.

  2. Acompanho o Jairo na afirmativa de ser este um belíssimo poema do Walmor.
    Também parabenizo a você Vidal por lembrar dos corpos ausentes, estes
    que deixaram marcados em nós seus grandes espíritos, lutas e canduras.
    TM

  3. Belíssimo poema do Walmor Marcellino. Ele tinha muitas pérolas
    na sua grande produção. O q. é bom, não é esquecido. Parabéns Vidal
    por catar essa, não se sabe onde.

    jairo pereira

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