O PERIGO VEM DE LÁ, NÃO DAQUI – por anna malm / estocolmo

A atitude bélica do govêrno dos Estados Unidos, não as tentativas diplomáticas e racionais do Brasil e da Turquia deixam o mundo mais perigoso.

Quanto aos comentários de Hillary Clinton transmitidos pela televisão brasileira à respeito do acima dito, acrescenta-se que no seu próprio país, os EUA, pode-se constatar que as avaliações apresentadas por outras fontes americanas, no caso mais condígnas, diferem bastante das por ela apresentadas. [1]

A atitude do govêrno dos Estados Unidos em anunciar publicamente que se tinha conseguido apôio para sanções ao mesmo tempo que se noticiava  pelo mundo que o acôrdo com o Irã tinha sido assinado, tem que ser visto como um surpreendente e espantoso insulto em frente a uma tão notável realização diplomática, conferem outros analistas desafiando a posição oficial.

Constata-se que se pode ficar certo que no resto do mundo a reação malevolente da administração de Obama não passou despercebida e de que se tomaram notas cuidadosas para serem relembradas no futuro, se bem que uma reação dessas não seria esquecida nem perdoada facilmente. Como certo concluiu-se que  se confirmaria uma vêz mais que o jôgo sujo dos americanos continuava como sempre, da forma depressivamente conhecida e isso dito e sustentado  por americanos.

Um ponto que Hillary Clinton não entendeu ou não quer divulgar, mostra-se na avaliação apresentada por outros analistas americanos [1] de que o que o Irã mais deseja nêsse mundo é que a grosseira dominância dos EUA- mostrada claramente quando os EUA partem ditando e dando ordens pelo mundo afora e isso muito especialmente pelo Oriente Médio- se dissipe ou pelo menos reverta-se a um nível mais aceitável. [1] .

E por falar em estados “vagabundos-sem eira nem beira” (rogue states) que é uma das expressões favoritas dos EUA para alguns países, nota-se que os Estados Unidos como Estado, êle mesmo, está a bom caminho para poder ser considerado como um tal, falido e sem eira nem beira. Que impérios possam falir da noite para o dia mostrou-se nos tempos modernos no caso da União Soviética. É a gota d´água que transborda o copo e diga-se de passagem que o copo americano já está bem cheio só esperando pelas últimas gotas para transbordar de vêz.

Respeito e admiração pela vitória diplomática deu-se internacionalmente.  A vitória diplomática registrou-se  em diversas publicações de pêso no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos.  Como um dos exemplos, além dos noticiários amplamente divulgados internacionalmente,  veja [2] e [3].

Uma publicação americana faz as seguintes análises à respeito com o que se pode contar em caso contrário:- [4]

Militarmente se se comparar a capacidade iraniana com a da americana pode-se concluir que a capacidade americana é massiva e que o Irã não teria como se salvaguardar convenientemente frente a um ataque americano. Isso tendo sido dito conclui-se que de modo algum  é para se entender como se fôsse uma vitória americana certa, com muitos louros a colocar na corôa da vitória. Muito pelo contrário. O que se é de esperar é miséria e morte e isso não só para o Irã.

Para os Estados Unidos o Iraque deveria ser considerado como um “pic-nic” se comparado com o que esperar do Irã seguindo se a um ataque americano. Conclui-se também que o Irã tem possibilidades de pôr uma pressão efetiva nas posições americanas tanto no Iraque como no Afeganistão e que isso é de se esperar no caso dêsse pesadelo se materializar. [4]

Mesmo que o Irã não seja um país árabe, sendo como é um país de cultura persa, é no entanto um país islâmico. Sunitas (por ex do Egito e da Arábia Saudita)  e Shiitas (Irã) islâmicos podem ter diferente opiniões à respeito de muitas questões ideológicas, mas atacando o Irã os EUA estariam atacando em primeira mão um país islâmico e isso não seria calmamente aceito pelos 1.500.000.000 islamitas do mundo inteiro, independentemente das divergências ideológicas internas. Imagine-se o que isso representaria para o Egito, a Jordânia o Líbano e a Arábia Saudita para se nominar apenas alguns paíse com grande população islâmica. Pode-se também imaginar o que isso representaria para diversos países da Europa e mesmo para o próprio USA, e aqui não se falando de terroristas, mas de gente simples e correta como você e eu, e os nossos vizinhos. No mínimo é de se esperar demonstrações e reações sadias de revolta e repugnância pelas ruas das maiores cidades do mundo, assim como uma movimentação social da qual é difícil de se prever as consequências. Uma coisa é no entanto certa. Não fortalecerá a posição dos Estados Unidos no mundo.

E depois do Irã, se o govêrno dos EUA quisesse deslanchar novas guerras no Oriente Médio, teria que fazer isso com dinheiro emprestado. Dinheiro êsse que, pode-se concluir, deveria emprestar dos seus credores, a quem já está devendo a camisa, credores êsses como a China e a Arábia Saudita. Credores êsses que já também não deveriam estar muito contentes em ver os Estados Unidos tomando iniciativas militares desfavoráveis aos legítimos e importantes interêsses financeiros deles.

Começar uma guerra com o Irã para os Estados Unidos significaria o fio de cabelo na carga que quebraria as costas do camelo. O que os EUA teriam a esperar do destino seria o mesmo que a Inglaterra quando essa   por mal dos pecados decidiu-se por invadir o Egito e isso  para obter o contrôle do Canal de Suez em 1956, o que fêz com o auxílio da França e de Israel. Fêz, mas não lhe serviu de nada,  porque com isso perdeu o pouco que ainda tinha, pondo ponto final nas suas aspirações como um império mundial potente.

Os analistas terminam especificando que, como Americanos que são, esperam que seu govêrno vá poder fazer melhor que isso.

Portanto, voltando a Hillary Clinton pode-se afirmar que nem todos nos Estados Unidos pensam como ela gostaria. Muitos pensam e acertam publicamente que o  perigo não vem dos feitos diplomáticos do Brasil e da Turquia mas das ilegítimas agressões  bélicas dos próprios americanos, da mesma maneira que o perigo da proliferação nuclear na região do Oriente Médio não vem do Irã, mas dos Estados Unidos e de Israel.

O primeiro passo diplomático já foi dado pelo Brasil e pela Turquia. Agora é hora do Conselho de Seguradas das Nacões Unidas fazer sua parte, assegurando-se que os tratados de não proliferação de armas nucleares se cumpra e isso começando por Israel. Que a Agência Internacional de Energia Atômica possa constatar, para que todo o mundo poder respirar aliviado, que pelo menos Israel não tem armas nucleares, uma vê que os paises europeus que não as deveriam ter – o que infringindo os tratados internacionais lhes foi concedido pelos EUA -as tem. Armas que, infringindo os tratados internacionais aos quais deveriam obedecer e não obedecem, estão voltadas para o Irã.

Que se acabe com a hipocrisia deslavada e a matança generalizada. Isso é o que é necessário para se ter uma America Latina assim como um mundo mais seguro e confidente. Isso e  não a sabotagem de esforços diplomáticos e racionais como os do Brasil e da Turquia na arena mundial, arena essa onde os EUA já perderam a vêz,  assim como o lugar de honra, restando-lhes agora o caminho ensanguentado para impôr seus objetivos.  Se Obama estivesse agindo honestamente nêsse,  como em muitos outros casos, o caminho agora estaria aberto para negociações frutíferas com o Irã.
Referências:

[1] Graham Fuller publicado em 26 de maio de 2010 como op-ed no “Christian Science Monitor”

[2] Rami G. Khouri – [Negociando com o Irã] – “Dealing with Iran” em http://www.patrickseale.com

[3] Abdel Bari Atwan – [Um Goal Iraniano nos Últimos Segundos] –“An Iranian Goal in the Final Seconds” em  www.bariatwan.com

[4] Leverett, Flynt and Leverett, Hillary Mann em http://www.raceforiran.com

2010-05-26

[5] Prof. Michel Chossudovsky [Europa – Os cinco não declarados Estados Nucleares] – Europe´s Five “Undeclared Nuclear Weapons States.” emwww.globalresearch.ca

*Anna Malm é correspondente do Pátria Latina em Estocolmo na Suecia

Uma resposta

  1. o que faz falta é uma grande força internacional e que seja independente…e possa impor aos estados medidas.

    veja-se o caso de israel…

    um abraço desde Portugal.

    S.

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