O ouro do lixo e a milionária casca do ovo – por alceu sperança / cascavel.pr

Mensagens escritas para crianças e transmitidas pela Rádio Cidade, atual Rádio Globo Cascavel

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A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção.

Quem vê passar um humilde catador de papel recolhendo aquilo que atiramos fora pode imaginar que ele não tem a menor possibilidade de, um dia, prosperar ou enriquecer.

Reconhecemos que ele faz uma das mais importantes atividades humanas – a reciclagem –, na qual todos nós devemos fazer a nossa parte, mas mantemos a idéia de que o catador é e sempre será pobre.

Pensando bem, já é uma pessoa rica espiritualmente aquela que participa da reciclagem, pois torna melhor o nosso mundo.

Mas não é verdade que os catadores tenham que ficar eternamente na humilde condição da pobreza material.

A revista americana Foreign Policy (Política Externa) acaba de publicar que há mais ouro em uma tonelada de computadores velhos jogados fora do que em 17 toneladas do minério bruto.

Certamente as minas de ouro com reservas de 17 toneladas não estão acessíveis às nossas mãos, mas a cada minuto mais computadores ultrapassados são jogados fora.

E eles, ao montar uma pilha de uma tonelada, têm mais ouro fácil de tirar que as minas com quase 20 toneladas de minério difícil de extrair.

Nas periferias das grandes cidades, já se pode ver catadores dirigindo seus automóveis e comprando casas em bairros de classe média.

Eles garimpam ouro no lixo.

A indústria está vendendo computadores no Brasil aos milhões – quinze, vinte milhões ao ano.

Muitos milhões mais foram montados e “importados” informalmente.

A cada três ou quatro anos, eles são trocados por novos e o que sobra vira lixo tecnológico.

Um lixo que se multiplica a cada ano.

Desse lixo, os novos catadores já estão tirando não mais apenas a sobrevivência.

Eles já começam a formar patrimônio.

O ser humano tem jeito? Tem jeito, sim!

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Se alguém comeu uma omelete no almoço de hoje, fez o quê com as cascas dos ovos?

Se as jogou fora, também jogou dinheiro fora.

As cascas de ovos sempre foram consideradas plenamente descartáveis depois de compor bolos, doces diversos, farofas e omeletes.

O Brasil produz 20 bilhões de cascas de ovos por ano.

Sempre se soube que as cascas de ovos tinham qualidades importantes.

Trituradas, por exemplo, fornecem cálcio para combater a osteoporose.

O artesanato as utiliza em diversas aplicações.

Até cimento é possível fazer com elas, em combinação com outros produtos.

Fora disso, as cascas continuavam a ser implacavelmente destinadas ao lixo.

Mas nessas desprezíveis embalagens naturais se escondia uma atraente mina de ouro à espera de alguém capaz de extrair seu segredo.

Esse alguém foi o jovem cientista chinês Liang-Shih.

Ele descobriu que a casca é recoberta por dentro com uma membrana rica em colágeno, um material que, quando purificado, chega a custar mil dólares o grama.

Cerca de 10% da membrana é constituída de colágeno, que pode ser utilizado tanto pela própria indústria de alimentos quanto para tratamentos médicos, para recuperação de pessoas que sofreram queimaduras graves ou em cirurgias cosméticas.

O incrível da genialidade humana e da juventude estudiosa que temos em todo o mundo é sua capacidade de tirar daquilo que todos julgávamos inútil mais uma fonte de riquezas.

O destino da humanidade, portanto, só pode ser a riqueza e a felicidade.

….

O ser humano tem jeito? Tem jeito, sim!

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