O MISTÉRIO DOS APARECIDOS ETs AZUIS E DO CAVALO ENCANTADO – por jairo pereira / quedas do iguaçu.pr


Lembra algum mistério inserido em Lost a supersérie norteamericana. Mas não é. Ou de Os Invasores, da década de 70, também produção americana. Não me engano, no conhecimento que detenho sobre Ufos: é brasuca e nativo o miolo desta história. Aconteceu perto daqui, em horas mortas às margens do Rio Guarani, em Quedas do Iguaçu, lá onde doutro lado do rio é Reserva Indígena e do lado de cá áreas de criação de gado e lavoura. Algum lugar, nãolugar que não se pode dizer ao certo. Horas mortas, entende-se, por depois da meianoite, em final de outono. Cirilo Crissos o dono da fazendola, em seu cavalo pampa com laivos de sangue inglês, resolveu certa noitemadrugada descobrir o fenômeno que provocou a morte e desaparecimento de algumas ovelhas e gado de corte da propriedade. Além da comum ocorrência de uivos perto do chiqueiro dos porcos, chispas de fogo e esplendores no espaço, em certas noites. A lua caía sobre o rio, enluarando capões de mato margeantes. Cirilo troteou, em torno de dois, três quilômetros de campos, amarrou as rédeas do cavalo pampa, num monjolero jovem e prostrou-se, na escora de uma grande pedra, em vigília. O rio serpenteava, quase aos seus pés. E ali ficou por mais de duas horas. Tipo pescando jundiá, mas sem pescar. Só mirando os céus nebulosos. Agasalhado em couro, não sabe se dormiu pesado ou apenas cochilou por uns minutos. No céu, a baixa altitude um bólido discóide, raspando a copa das árvores, parece desceu próximo, onde ficou amarrado seu cavalo pampa. Cirilo Crissos tentou levantar, sair do encosto da pedra, mas parece seu corpo grudou ali. Uma câimbra brava, lhe tomou o corpo todo. E sofreu uma suave dor de cabeça, vertigem…Via sobre o topo das árvores, nas imediações de onde o objeto voador baixou, réstias de luzes das mais variadas cores. Mas não conseguia erguer-se do solo, pra poder andar e chegar perto do fenômeno. Ouviu relinchos de seu cavalo. Relinchos pavorosos, e som de pataços em pedras e madeiras. De repente seu corpo, livrou-se da cãibra forte, e ficou leve, levíssimo, como se levitasse. E a um simples comando, sentado como estava, podia se deslocar, por cima do rio e da mata. Comandou-se em várias direções, e foi ver de perto o que se passava. Em menos de cinqüenta metros, num carreiro sob o capão de mato, pode ver três figuras translúcidas, de altura de metro e meio, mais ou menos, esguias, azuis, mas dum azul suave, claríssimo, analisando seu cavalo pampa, que agora parecia entorpecido. Não só entorpecido, mas levíssimo, planava a poucos centímetros do chão. Arredou-se em pânico… não mais que trinta metros a esquerda, por entre árvores jovens, a meio mastro, e do jeito como estava sentado na pedra, flutuava em rigorosa análise. A nave transforescente, sobre o capim brizantan, emitia sons estranhos. Assovios profundos de tontear o indivíduo. Era discóide, com dois patamares. A parte de baixo, arredondada. A de cima, cônica, dum carbono quase vivo, o material. A vertigem, zonzeira passou, mas toda visão era turva, embaralhada. Lembrou que em horas de perigo deveria respirar fundo três vezes e o fez. Três respiros fundos e as imagens retornaram ao seu campo de visão, por incrível que pareça, as mesmas: a nave estacionada no capinzal a pouco mais de meio metro do solo, o cavalo pampa estático (congelado) de olhos azuis estalados e as três figuras alienígenas analisando o animal com longas pinças coloridas, das quais emanavam um gás vaporoso. Tais figuras ímpares, não eram nada discretas no colóquio que se travava. Lampiavam em som e linguagem nos interrogos e exclamos. A um comando, o pecuarista subiu na olhada, flutuando acima dum pedreirio encostado no mato e dali ficou pasmo, assistindo a avaliação medicocientífica do seu animal. As pinças raspavam os pelos do quadrúpede, cascos e crinas. O material era colocado em um caixote transparente e luminoso. Após, algo em torno de 15 minutos, os alienígenas a um estalo de longos dedos, retornaram vida ao cavalo pampa, adentraram a nave e partiram, silenciosamente em vertical, sumindo no espaço. Aquilo foi só uma réstialux de baixo acima do céu, o que se viu e depois… um silêncio exasperador. Sonho, pesadelo… ilusão ou realidade!!?? O pecuarista acordou, na pedra onde estava recostado. Mexeu os dedos das mãos primeiro. Depois os dos pés. Tocou o nariz, as orelhas, os olhos… Tava tudo certo, sentia o movimentar dos pés. Curvou-se na tez da água do rio e atirou mãoscheias de águas no rosto. Ouviu o relincho do cavalo pampa, duas, três vezes. Ao chegar no animal, percebeu os sinais da poda nos pelos, crinas e cascos. O animal, estava manso como sempre. Nem parecia ter acontecido aquilo. Só os olhos do bicho, estavam diferentes. Bem maiores do que o normal, atirados pra fora do corpo, coisa de meio centímetro, e dum azul mais raivoso. E no solo, na troca de patas, não fazia mais barulho o bichano de mais de 480 quilos. O bacheiro, a cela, a barrigueira, a chincha… tudo em ordem. Foi só apertar um pouco, montar e partir pra casa. No andar do bicho é que estava a diferença. De trote duro, passou a uma marcha batida, mas sem som de cascos nas pedras. Parece andava no ar o animal. (E andava mesmo. Até hoje anda, com os olhos saltados pra fora em meio centímetro). E assim Cirilo Crissos chegou em casa. Três e pouco da manhã. A mulher e o casal de filhos dormiam. Os cachorros em número de quatro, sequer latiram com a aproximação do cavalo, não havia mais o tilintar de cascos nus sobre as pedras. O tropel costumeiro dos cavalos. O equus levitava, expandia-se em marchas valiosas, macio como só, e num galope em qualquer terreno (por incrível que pareça) pode atingir a incrível velocidade superior a de cancha reta ou hipódromo, em torno de 5 segundos nos cem metros. A madrugada, continuava enluarada e nevoenta. Poucas estrelas visíveis no céu e da nave nem sinal. Ao desencilhar o cavalo, Cirilo Crissos percebeu ao lado do paiol de madeira, que alguns animais entreveravam-se. Feito o trabalho de soltar o pampa no pasto, foi ver o que era e viu: havia entre as ovelhas um animal misto de cabra e lobo, que soerguia a cabeça e os olhos graúdos e luminosos varavam o negror da hora… a bocarra, abria-se em lancinantes uivos. IAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAAAAAAAAA era de arrepiar e maçarocar os cabelos. Atropelou a coisa com algumas pedras… no salto da fera, pode ver um rastro de fogo matoadentro, até sumir no azeviche dos carreiros.

“Praquelas horas mortas”, daquela data, “chegava”.. pensou e foi dormir. Não antes de ver como estavam as crianças e a mulher. Ambas dormiam o mais tranquilo dos sonos. Um galo velho entoava cantos de ressonar. Ao clarear do dia, levantou-se, fez o chimarrão, como era de costume, ligou o rádio (que no programa do Mineiro Louco da Rádio Internacional de Quedas, estranho… com inexplicável interferência, só chiava) e foi ver o amigo pampa, no campinho pra cima de casa. O cavalo espojava-se, e do atrito ao chão, saltavam ínfimas fagulhas de luz. Observou-o por uns dois minutos, até que o bicho levantou-se, chacoalhou os detritos cósmicos e boqueou o capim da terra, como se nada tivesse acontecido. Cirilo Crissos, nunca mais buscou entender o não compreendido, e até hoje evita vigílias ao desconhecido, ao que foge dos sentidos humanos e que a razão, linguagem ou ciência são impotentes a decodificar. Em noites assombrantes, naquele cafundó onde vive só com a família, quase na divisa com os índios do Rio das Cobras, Cirilo Crissos ainda vê ocasionalmente sinais estranhos no céu, mas nunca retornou ao encontro dos seres esquisitos daquelas horas mortas, daquele determinado dia. O misto de cabra e lobo, de rastro de fogo também não apareceu mais, só o cavalo pampa, olhos saltados pra fora do corpo, em meio centímentro, ou transcavalo, que mudou o andar de trote duro pra marcha picada, sobre espuma e ar, ainda lança fagulhas de luz quando se espoja nos gramados, sendo bonito de ver aquilo, principalmente em noites de lua minguante.

De São Paulo e Brasília, alguns ufólogos me ligaram pra saber da veracidade dos fatos envolvendo o Cirilo Crissos. Disse, que a meu ver tem tudo pra serem reais os fatos. Alguns charlatões, em poucos dias acorreram in loco, fotografando tudo na área de ocorrência do fenômeno. Até hipnose regressiva aplicaram no contatado, mas concluíram por memória falsa, induzida. Quanto aos olhos saltados do cavalo, se referiram a alguma cabeçada num palanque de cerca ou tronco de árvore. O fato do bicho andar macio, ou no ar, mais precisamente, teria decorrido de herança genética, de pais ou avós exímios marchadores. Tipo o cavalo Passo Fino Colombiano. O lobo misto de cabra, provavelmente é fruto duma mutação genética e não é nenhum animal arquetípico espacial, alienígena, mas bichobicho mesmo, terreno, peludo, raivoso e sujo. A levitação corporal, comandada pelo contatado, sobre o rio e mata, não passou de sonho na pedra de recosto, ou mais precisamente na visão das “autoridades”, de viagem austral indominada pelo agente e objeto do transe.

Ficamos eu e o Cirilo, com o segredo do cavalo encantado e o sonho ou realidade que parece não termina por aí, ante as inúmeras ligações que nos chegam dos mais diversos lugares do Brasil, de leigos e especialistas em Ufologia. Até um Doutor Honoris Causa da Universidade de Harvard, prometeu vir em breve com uma equipe de oito homens, avaliar o caso pra compor uma matéria em revista especializada, tendo o aval de cientistas da Nasa. Agora, é esperar pra ver… já estão até dando preço em dólar ao cavalo voador e propostas de negócio não param de chegar: pessoal de circo, turfistas de Dubai dos Emirados Árabes e programas de televisão nacionais e estrangeiros. Cirilo Crissos não dá, não vende e não empresta o cavalo pintado. Teme que numa eventual transação o encanto acabe.

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