Arquivos Diários: 13 junho, 2010

Rumorejando (Com a preocupação de que com a nossa seleção estaremos penando). – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos reciprocamente inverossímeis).

Disse um velhinho pro outro:

“Você já viu as imagens eróticas que têm na Internet ?”

“Não. E nem quero ver. Como é que você ficou sabendo de tudo isso ? Você já viu ?”

“Ainda não. Me contaram”…

“E como é que faz pra ver ?”

“Não sei. E nem quero saber”.

Constatação II

A corrupção e os altos salários dos políticos são concentradores de renda, consequentemente do aumento filhadapu…mente da pobreza.

Constatação III (De diálogos anti-desperdícios).

-“É da casa do Fulano ?”

-“É”.

-“É o senhor que ia ter uma consulta hoje às 16 horas com o Dr. Beltrano ?”

-“É”.

-“O Dr. pede mil desculpas, mas teve um chamado urgente em outra cidade e não sabe se conseguirá voltar em tempo para lhe atender. Ele pediu para marcar uma nova consulta para amanhã, no mesmo horário. De acordo ?

-“É. Tá bem. O que é que a gente vai fazer ? Pena que eu já tomei banho”…

Constatação IV

Tá certo que no par de meias estava escrito que ele continha 94% de algodão e os restantes 6% de fibra sintética. Mas, os 6% de fibra sintética provocaram uma alergia tal que ficou a dúvida crucial se não haviam trocado os percentuais…

Constatação V (Lamentavelmente).

A persistente agressão

Na camada de ozônio

Sem cessar

Fará uma transformação,

Um pandemônio,

Na água, na terra e no ar.

Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo).

Deixou curtindo o mate chimarrão para melhor curti-lo.

Constatação VII

E como dizia aquele extenuado marido para a sua obcecada e insaciável esposa: “Assim como existe, em alguns lugares, o cartaz: “Por favor, respeite o meu direito de não fumar”, eu te peço: “Por favor, respeite o meu direito de não me esfalfar”.

Constatação VIII (Via pseudo-haicai).

A petulância

É irmã gêmea

Da arrogância.

Constatação IX

Disse um velhinho, nada a ver com um dos velhinhos da Constatação I: “Viagra é um santo remédio”. Disse outro velhinho, nada a ver com nenhum dos velhinhos da Constatação já mencionada: “Viagra é um remédio santo”. Disse um terceiro velhinho, etc., etc.,: “Viagra é um santo remédio santo”. Mentiu um quarto velhinho, metendo panca: “Coitados de todos esses velhinhos”.

Constatação X

Bertold Brecht é o autor da frase: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. “Parodiando” o grande teatrólogo, depois das chuvas em Curitiba e adjacências: A enxurrada que tudo destrói se diz que é malsã, mas o lixo na calçada se acumula desde a manhã…

Constatação XI (De diálogos esclarecedores).

-“Ele reprovou nos exames”.

-“Por falta de estudo ?”

-“Não. Por excesso de coceira”…

Constatação XII (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela foi provar

O chá do samovar

E se queimou.

E se queimou

Porque ninguém avisou.

Constatação XIII

Ela teve um sonho

Que tava declamando

Muralha, o Sidônio

E a turma, só vaiando.

Constatação XIV

Não parece normal

Que, em casa, eu não apite.

Mas, não faz mal

Ando mesmo sem palpite…

Constatação XV

Disse o crupiê

Pra mulher,

Com dureza,

Sentada no bidê

Como quem nada quer:

“Cartas na mesa”!

Constatação XVI

A guisa

De informação:

Certo tipo de aposentado,

Fizeram dele

Um palhaço

Nessa anômala contribuição,

Pois, foi ele,

De novo, tungado.

E o seu quinhão

Que já era escasso

Passou a ser uma brisa…

Constatação XVII

As desavenças entre um casal também se verificam quando ambos, já com uma certa idade, a provecta, ou  “a terceira idade”, ou “a idade de ouro” retornam a fase do “não”. E o “não” deles não são para as mesmas coisas, são “nãos” totalmente díspares.

Constatação XVIII (De conselhos úteis).

E nunca esqueça, prezado leitor, que você, para subir na vida, não precisa pisar nos outros. É bem mais fácil você pisar em degraus… Inclusive, você se equilibra bem melhor e não corre o risco de um escorregão. De nada !

Constatação XIX

Não se deve confundir Extremadura, que é o nome de um time de futebol da Espanha, com ferradura, muito embora, a semelhança de tantos atletas que atuam por outros times, há muito jogador do Extremadura que deveria jogar com ferradura

Constatação XX

Em certos países, devendo ou não, o camarada paga “para não se incomodar”. E viva “nóis” !

Constatação XXI

Quisera

Eu

Que

Aquela

Doce

Sensação

Que

Ela

Prometeu

Não

Fosse

Quimera…

Constatação XXII

A fofoca provem principalmente da falta de assunto.

Constatação XXIII

Dentre os livros mais vendidos nas livrarias na área de “Não ficção”: 203 maneiras de enlouquecer um homem na cama, de Olivia St. Claire; 177 maneiras de enlouquecer uma mulher na cama, de Margot Saint Loup. Para quem se interessa em estatística, isso tudo dá um total, entre “segredos” e “maneiras”, de 380. É só conferir. Me refiro a estatística. Quem quiser, pode, também, ler esses dois livros. É decisão pessoal da necessidade de cada um…

Constatação XXIV

Quando o ambientalista leu o cartaz da loja “Estamos liquidando o verão” pensou imediatamente: “Também o inverno, a primavera, o outono…”

Constatação XXV

O jiu-jitsu está entrando na moda. Com toda a certeza, o caratê vai entrar também. Provavelmente, seguir-se-ão (perdão, leitores, saiu assim. Não tem nada a ver com o “fi-lo porque qui-lo”) outros esportes assemelhados. Em certos países, andar armado faz horas que entrou na moda e até hoje não saiu…

Constatação XXVI (De conselhos úteis. De nada!).

Vê se manera

Na tua despesa.

Seja austera.

Nessa vertente

De mulher burra

Dificilmente,

Você chegará,

Você se tornará

Uma formosura,

Uma globeleza.

Constatação XXVII

Tem gente que te visita para fazer terapia, despejando em cima de você todas as suas desditas e saindo, em seguida, leve como sombra de asa de libélula. Depois disso, é você que tem que fazer terapia. Aí, com um especialista, pagando uma baita consulta.

Constatação XXVIII

Quando a vizinha e amiga falou: “Eu vou convidar vocês para aparecerem lá em casa para ver o filme da nossa viagem com as crianças para a Disneylandia”, a amiga e vizinha pensou: Puxa! Eu nunca fiz nada de mal pra essa gente. Ao contrário, sempre os tratei bem. Só fiz gentilezas nesses quinze anos que vizinhamos”…

Constatação XXIX (De temas de transcendental importância).

Quando a gente era mais novo – e por mais incrível que isso possa parecer, a gente já foi mais novo –, quando criança, a gente costumava dizer, caso chovesse e saísse sol simultaneamente: “Chuva e sol, casamento de espanhol”, ou “sol e chuva, casamento de viúva”. Hoje em dia, em Curitiba, não daria mais, não só pelas condições climáticas, já que só chove e o sol não é visto, mas porque o casamento está, gradativamente, sendo abolido… Agora, nos poucos casos que eles ocorrem, os noivos costumam se despedir na igreja, não oferecendo um almoço, um jantar ou, sequer, um simples coquetel, o que, convenhamos, parece meio usurário, meio sovina. Para esses casos esdrúxulos sugerimos que, em Curitiba, as crianças, digam: Chuva e chuva, queremos a manjuva*. Fica consignada a imprescindível sugestão.

*Manjuva = comida, refeição.

Constatação XXX (Ah, esse nosso vernáculo).

O Cunha, contou uma história, sem cunho histórico, sobre o seu cunhado que fez uma cunha toda torta por haver tomado uma “caña” paraguaia.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Se o Presidente Dutra, que governou o Brasil em 1946, depois da ditadura de Getúlio Vargas, também tivesse sido ditador, teríamos tido uma ditadutra ? (Perdão, leitores).

Dúvida II

E já que falamos no assunto, quem poderia supor, pela cabeça de quem iria passar que, um dia, o mundo ficaria mais pequeno para os “grandes”  ditadores, como por exemplo o falecido Pinochet ?

Dúvida III

Progenitura,

Atualmente,

Somente

Quem

Não

Tem

Fartura ?

Perdão,

Sinecura ?

Dúvida IV

Você também é daqueles que fica pê da vida, possesso, fulo de raiva quando a caneta esferográfica, recém adquirida, não solta tinta ou solta em demasia ? Ou você acha que apenas levou azar na compra ?

Dúvida V

Dependendo da resposta para a Dúvida IV, você acha que irá para o céu ou para o inferno, eventualmente, com baldeação, ou conexão, no purgatório ? (Baldeação, nos casos de utilizar trem: conexão, avião).

Dúvida VI

O seu bocejar

Incessante,

A sua sonolência

Irritante

Começou a estragar

Sua boa aparência ?

Dúvida VII

O flerte

De sua filha

Tão solerte ?

Dúvida VIII

O namoro

Do seu filho

Só decoro ?

Dúvida IX

A cartomância,

Como ciência,

É ignorância,

Ou sapiência ?

Dúvida X

Quando o vendedor, ao te apresentar um orçamento, diz: “Dependendo da oferta do concorrente, ainda dá para negociar o meu preço”, ele está te dando um diploma de burro, já que estará pensando: “se meu preço passar, passou”; ou ele está se dando um diploma de burro, pois você sempre poderá dizer que o preço do seu concorrente é menor, ou, ainda, ambas as coisas ? (Comentários no blog. Obrigado).

Dúvida XI (Via pseudo-haicai).

Sem parcimônia

Ele mandou a sogra

Tocar zampônia* ?

*Zampônia = Instrumento de sopro muito utilizado no Peru e Bolivia.

Dúvida XII (De alguns países africanos).

Dolarizar ou não dolarizar, esta é a questão, digo, that is the question ?

Dúvida XIII

Potência estrangeira

Só quer nossa infelicidade!

Tudo isso não é besteira

Ou, da oposição, maldade ?

Dúvida XI

A novela

Foi a responsável

Pela queima da panela ?

Dúvida XII

Ora veja,

Naquele momento,

Tão solene,

O falatório

Da proclama

De casamento

Da Irene:

“Foi no cartório,

Na igreja

Ou na cama ?”

Dúvida XIII

Foi o xexelento*

Que propôs à ricaça beldade

Casamento?

*Xexelento = “Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

1. desprovido de qualidade; de pouco valor

2. de aparência desagradável; falto de beleza

3. usualmente desejoso de amolar, incomodar; implicante” (Houaiss).

Dúvida XIV

A mulher que se permite ser objeto de um homem é uma mulher abjeta?

O TEÓLOGO (II) por hamilton alves / ilha de santa catarina

Contei outro dia o encontro casual que tive numa lanchonete com um teólogo.

Quando se revelou tal, disse-lhe (como certamente os leitores que leram essa crônica se lembram) que era uma ciência que despertava meu interesse.

Foi então que se mostrou curioso, considerando que nas universidades, nestes tempos, não gozava de muito prestígio.

– Tenho poucosss alunosss no curso. – dizia-me.

Agora voltava a encontrá-lo, não mais na lanchonete, mas no correio, onde despacharia um volume de tamanho considerável, enquanto de minha parte postaria uma carta a um amigo. Mas como tinha a preferência na fila, que se formou diante do balcão, tinha que esperar minha vez.

Ele me reconheceu:

– Conversamosss outro dia sobre teologia. O senhor tem alguma formação em teologia?

– Não, só de leitura.

– Quais os autores que tem lido?
– Unamuno…

– Ah, Unamuno, sim, muito bom filósofo, tem muitasss  ideiassss interessantesss.

– Li Chesterton, Teillard de Chardin, Kierkegaard, Wittgenstein (embora este não seja especificamente um teólogo), Dostoievski, que vivia, a todo momento, como relata Leonid Tsípkin, em um livro (Verão em Baden Baden), fazendo o sinal da cruz nas ocasiões mais imprevistas, por algum motivo ou sem motivo nenhum.

– Bonsss autoresss todosss. Dostoievski, com sua fé incrível, fé pura, poisss creio que nunca lera um livro de teologia, especialmente.

Pigarreou. Perguntou-me.

– Que leu de Dossstoievssski?
– Seus livros principais, “Crime e Castigo”, “O idiota”, “Os demônios”, parte dos “Irmãos Karamazov”, uma pequena novela , “O sósia”, e algumas outras histórias curtas.

– Leu então o fundamental.

A essa altura, notei que fora despachado seu imenso pacote, recebera um documento da entrega da funcionária, quando chegava a minha vez.

Muito sem formalidade, referindo rapidamente cada autor que mencionara, detendo-se em Dostoievski, que o assombrara, como dissera, por sua fé ,

estendeu-me sua mãozorra, despedindo-se.

E acrescentara, ao fim:

– Volto amanhã à Suíça, onde leciono na Universidade de Lausssanne.

Saiu a passos aquela figura impressionante de homem. Logo entrara num carro de placa oficial. Não ficara  sabendo nada mais dele, em duas entrevistas, a não ser que era  teólogo.

Obediência ao patrão. Que patrão? – por alceu sperança / cascavel.pr



É ilusão acreditar que as eleições gerais deste ano vão trazer qualquer mudança. O presidente, o governador, os senadores e os deputados serão executores dos mesmos métodos e práticas, que podem ser traduzidos numa palavra: capitalismo.

Espera-se dos eleitos que sejam honestos, mas a honestidade, por si só, não quer dizer competência para inovar outranscender as maldades capitalistas.

Há gente honesta, porém retrógrada. Pode ser bom administrador privado, onde manda, mas administração pública requer habilidades adicionais – obedecer, por exemplo, o clamor dos tempos, que exigem pôr abaixo as estruturas desumanas que mantêm a miséria, a ignorância, as exclusões e as injustiças.

Ainda que mudem os nomes, o sistema eleitoral é o mesmo: campanha financiada pelos ricos e sérias suspeitas de caixa 2. Se um empresário sair, entrará outro empresário, tomara que progressista. Se um médico sair, entrará outro profissional liberal, quiçá crítico e fiscalizador. Se um dos burocratas sair, entrará outro burocrata. Quem sabe uma mulher, mas nem por ser mulher, mesmo caso do honesto retrógrado, estará garantido que será uma revolucionária.

Aqui cabe um parêntese gordinho. Quem já posou de rebelde, ontem, hoje pode ser exatamente o contrário, como ensinou Fausto Wolff, o Faustão que vale a pena, em sua obra-prima, À Mão esquerda (1996). Isto se nota muito bem por Dilma, Serra e Marina, rebeldes ontem e capitalistas de carteirinha hoje:

− Existe uma boa diferença entre espírito rebelde e revolucionário. Enquanto o revolucionário mantém uma permanente posição crítica em relação ao poder, o rebelde só é contra o poder até ser convidado a participar da sua mesa, ocasião em que não só muda de posição, mas escreve verdadeiros tratados filosóficos para explicar a mudança.

Fecha.

Em suma, nas eleições de 2010 continuará o poder da mesma classe, uma repartição de salas e mesas entre ricos e pequeno-burgueses. Nenhum operário fora do “sindicalismo oportunista, costureira, mecânico, catador de papel, diarista. É a “democracia” brasileira americanizando-se a olhos vistos.

Não importa, assim, quem será o presidente ou os parlamentares. Nossa tarefa, na condição de cidadãos, é cuidar para que essa gente que pagamos, mas raramente vemos trabalhando, dance conforme a música que o povo tocará para eles.

Atrás da recessão americana e suas guerras, da farsa luliberal, do desencanto com a política dos ditadores, demófobos e liberais, há que aposentar o toque de recolher e se ouvir um novo clarim: a mobilização do povo-protagonista.

Acabamos de ver isso na rejeição mundial às atrocidades cometidas por Israel, que é a face mais revelada do poliedro capitalista: uma ideologia repulsiva na cabeça e uma arma na mão.

É necessário à sobrevivência humana que essa rejeição se encaminhe para a montagem planetária de uma Frente Anticapitalista, pois o sistema crítico que aí está só promete corporações mais fortes e um poder mundial escravizante.

Sejam quem forem os gerentes da empresa Brasil S/A, eles precisarão saber quem é o patrão. Um tal de povo, já ouviu falar?

Pois bem dizia o Barão do Rio Branco em correspondência a Joaquim Nabuco:

“O nosso povo é muito melhor do que os homens das classes dirigentes”.