Obediência ao patrão. Que patrão? – por alceu sperança / cascavel.pr



É ilusão acreditar que as eleições gerais deste ano vão trazer qualquer mudança. O presidente, o governador, os senadores e os deputados serão executores dos mesmos métodos e práticas, que podem ser traduzidos numa palavra: capitalismo.

Espera-se dos eleitos que sejam honestos, mas a honestidade, por si só, não quer dizer competência para inovar outranscender as maldades capitalistas.

Há gente honesta, porém retrógrada. Pode ser bom administrador privado, onde manda, mas administração pública requer habilidades adicionais – obedecer, por exemplo, o clamor dos tempos, que exigem pôr abaixo as estruturas desumanas que mantêm a miséria, a ignorância, as exclusões e as injustiças.

Ainda que mudem os nomes, o sistema eleitoral é o mesmo: campanha financiada pelos ricos e sérias suspeitas de caixa 2. Se um empresário sair, entrará outro empresário, tomara que progressista. Se um médico sair, entrará outro profissional liberal, quiçá crítico e fiscalizador. Se um dos burocratas sair, entrará outro burocrata. Quem sabe uma mulher, mas nem por ser mulher, mesmo caso do honesto retrógrado, estará garantido que será uma revolucionária.

Aqui cabe um parêntese gordinho. Quem já posou de rebelde, ontem, hoje pode ser exatamente o contrário, como ensinou Fausto Wolff, o Faustão que vale a pena, em sua obra-prima, À Mão esquerda (1996). Isto se nota muito bem por Dilma, Serra e Marina, rebeldes ontem e capitalistas de carteirinha hoje:

− Existe uma boa diferença entre espírito rebelde e revolucionário. Enquanto o revolucionário mantém uma permanente posição crítica em relação ao poder, o rebelde só é contra o poder até ser convidado a participar da sua mesa, ocasião em que não só muda de posição, mas escreve verdadeiros tratados filosóficos para explicar a mudança.

Fecha.

Em suma, nas eleições de 2010 continuará o poder da mesma classe, uma repartição de salas e mesas entre ricos e pequeno-burgueses. Nenhum operário fora do “sindicalismo oportunista, costureira, mecânico, catador de papel, diarista. É a “democracia” brasileira americanizando-se a olhos vistos.

Não importa, assim, quem será o presidente ou os parlamentares. Nossa tarefa, na condição de cidadãos, é cuidar para que essa gente que pagamos, mas raramente vemos trabalhando, dance conforme a música que o povo tocará para eles.

Atrás da recessão americana e suas guerras, da farsa luliberal, do desencanto com a política dos ditadores, demófobos e liberais, há que aposentar o toque de recolher e se ouvir um novo clarim: a mobilização do povo-protagonista.

Acabamos de ver isso na rejeição mundial às atrocidades cometidas por Israel, que é a face mais revelada do poliedro capitalista: uma ideologia repulsiva na cabeça e uma arma na mão.

É necessário à sobrevivência humana que essa rejeição se encaminhe para a montagem planetária de uma Frente Anticapitalista, pois o sistema crítico que aí está só promete corporações mais fortes e um poder mundial escravizante.

Sejam quem forem os gerentes da empresa Brasil S/A, eles precisarão saber quem é o patrão. Um tal de povo, já ouviu falar?

Pois bem dizia o Barão do Rio Branco em correspondência a Joaquim Nabuco:

“O nosso povo é muito melhor do que os homens das classes dirigentes”.

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Uma resposta

  1. Na minha opinião, análise profundamente lúcida do “panorama” com que sempre nos deparamos. Por isso mesmo eu, “cidadã” brasileira, quedo-me perplexa, sem saber pelo quê e por quem “optar”.
    Zuleika dos Reis

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