Arquivos Diários: 17 junho, 2010

OS LABIRINTOS DE UBIRATAN TEIXEIRA por joão batista do lago / são luis


“Todos cantam sua terra

Eu também vou cantar a minha

A minha terra, seu moço

É uma belezinha”…

(João do Vale)

Em “LABIRINTOS”, de Ubiratan Teixeira, lançado na última quinta-feira, damos de cara com uma declaração (Mexericos Antes da Prosa) de amor a São Luis, feita pelo autor de forma deblaterativamente pungente. De pronto fui remetido aos versos compostos por João do Vale, aqui epigrafados. Ambos os textos fazem conexões internas entre si, muito embora os gêneros sejam díspares. Contudo, se tivermos a atenção devida vamos perceber que há, em ambos, o mesmo labirinto de paixões e emoções.

Penso que toda literatura – toda mesmo! – parte sempre de um ponto zero. E quando saímos desse possível ou provável ponto zero não sabemos até onde nem quando vamos chegar a um porto qualquer, onde ali possamos descansar nosso corpo. Não me refiro aqui de um corpo físico, mas de um corpo meta-físico ou mesmo metafísico, como um livro, por exemplo… Ou como os labirintos da alma dum sujeito existencial.

Ao ler “LABIRINTOS”, fincou-me mais clarividente essa impressão pessoal, posto que, o autor, escorreitamente, desde a primeiríssima página da novela vai-nos imbricando num novelo de tramas magistralmente construídas. Todas elas [as tramas] são sujeitos ilhéus com discursos próprios e mui bem administrados pelo autor.

“LABIRINTOS” tem um móvel que transcende ou perpassa por todos os viéses. Aos meus olhos é esse móvel que serve de combustível para veículos como a comunicação de massa (rádio, jornal e jornalista), a religião (arcebisbo e pai-de-santo) e a política (beatas, capangas, delegados, soldados… etc., etc). E é exatamente a partir e por meio desse móvel que vamos sendo conduzidos – magistralmente conduzidos! – e introduzidos nas tramas que se vão sendo geradas a cada página e a cada nova palavra, frase ou período da dissertação maravilhosa de Ubiratan Teixeira.

Dono de uma narrativa ágil, perspicaz, inteligente, o autor consegue segurar o leitor desde a primeira à última página. E quando se acaba de ler o livro tem-se a nítida sensação de se querer mais… Mas, aí, já não existem mais os “LABIRINTOS” de Ubiratan Teixeira. Em verdade, soçobram os labirintos do leitor inebriado pelo canto-chão duma Ilha encantante e encantada que nos foi apresentada pelas mãos mágicas de um autor que, quanto mais velho, mais sábio… Um autor da mesma estatura e peso como Dias Gomes, Josué Montello, Jorge Amado, Ariano Suassuna, por exemplo…

Enfim, e para retomar o campo viés literário (meu caso propriamente dito), fica-se, após a leitura, fazendo exercícios academicistas, i.é., procurando enquadrar o autor num determinado “ismo” de quaisquer dos gêneros literários. Chego assim à seguinte inferição: Ubiratan Teixeira é tão genial que consegue ultrapassar a marca ou o selo de um gênero literário. Ao lermos “LABIRINTOS” sob o manto da literatura, sobretudo da análise crítica, chegamos à conclusão que, Ubiratan Teixeira, é sim, um dos melhores escritortes que este Brasil já produziu.

Este seu “LABIRINTOS”, para quem assim o quiser experienciar, pode ser ofertado como uma obra literária sob o signo do Modernismo, do Surrealismo, do Realismo, do Romantismo… Enfim, a espaço de sobra para todos que quiserem, sob o manto literário, classificar esta obra. Aos meus olhos é, pura e simplesmente – e tão-somente – a melhor novela que li nos meus últimos 25 anos.

Por final, deixo aqui uma palavra de parabéns aos promotores do lançamento, sobretudo àqueles que, direta ou indiretamente, não cultivam o “boismo”, mas sim, buscam resgatar a principal arte dessa ilha e dessa gente marânhica: a Literatura – em toda a sua dimensão.

MAGIA & DEGREDO de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

graphar na pele dos peixes

meus poemas longos como o mar revolto

graphar poemas lindos pelo lado de dentro

da pele ou no baixo das escamas

refletidas as palavras pro lado de fora

não entendo essa magia q. só aos bruxos

é dada a conhecer

um mar uns peixes uns corais umas algas

uns pedriscos calcificados na minha

alma oceânica

não há mais como sair daqui

estou preso à esta ilha de meu deus

e de nossa esperança

um sol imenso cobre minha sina de poeta

um sol como um destino de ariano

denso e resolvido

reflete minha vida nas águas deste mar

reflete thurva com pós vermelhos

cavalos de metro e setenta na cernelha

& poemas do rio Iguaçu

thurvos de lambaris policrômicos.