Arquivos Diários: 18 junho, 2010

TRANSMIGRAÇÃO de joão batista do lago / são luis

TRANSMIGRAÇÃO


(Dedicado ao escritor português José Saramago)

Deixai que a terra mansa e calma se acostume

No consumo eterno da carne que me restara

Nas noites, nas manhãs e em todas as madrugadas.

Minhas mãos não mais apertam a terra

Agora, então, e de fato, toda a verdade suportável

Numa alma prenhe de ossos que se desliga de todas as carnes.

Há-me, doravante, a plural palavra solta ao vento,

Migrante como todas as almas necessitadas de renascimentos

Faminta de todas as carnes, de todas as verdades… De todos os lamentos.

JOSÉ SARAMAGO, entrega as moedas ao barqueiro nas Ilhas Canárias.

O escritor português e prêmio Nobel de Literatura José Saramago morreu nesta sexta-feira aos 87 anos em sua residência em Lanzarota, nas Ilhas Canárias. Ele sofria de problemas respiratórios.

José Saramago nasceu na província de Ribatejo no dia 16 de novembro de 1922, embora seu registro oficial aponte o dia 18.

Ateu, Saramago era membro do Partido Comunista Português. Em 1947, publicou o seu primeiro livro, o romance “Terra do Pecado”. Trabalhou durante doze anos numa editora, e colaborou como crítico literário na Revista “Seara Nova”.

Entre 1972 e 1973, participou da redação do jornal “Diário de Lisboa”, onde comentou política e, anos depois, o suplemento cultural. Fez parte também da primeira Associação Portuguesa de Escritores. Em 1975, foi diretor-adjunto do “Diário de Notícias”. E desde 1976 viveu exclusivamente da literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa.

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos logos usando a pontuação de uma maneira não-convencional (aparentemente errada aos olhos da maioria). Em suas obras, os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, a ponto de o leitor confundir se o diálogo foi real ou apenas um pensamento.

josé saramago, em 2008, quando esteve no Brasil. (foto AFP)

Obras publicadas de Saramago

» Poesia

Os Poemas Possíveis (1966)
Provavelmente Alegria (1970)
O Ano de 1993 (1975)

» Crônica

Deste Mundo e do Outro (1971)
A Bagagem do Viajante (1973)
As Opiniões que o DL Teve (1974)
Os Apontamentos (1976)

» Viagens

Viagem a Portugal (1981)

» Teatro

A Noite (1979)
Que Farei com este Livro? (1980)
A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987)
In Nomine Dei (1993)
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido (2005)

» Contos

Objecto Quase (1978)
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido (1979)
O Conto da Ilha Desconhecida (1997)

» Romance

Terra do Pecado (1947)
Manual de Pintura e Caligrafia (1977)
Levantado do Chão (1980)
Memorial do Convento (1982)
O Ano da morte de Ricardo Reis (1984)
A Jangada de Pedra (1986)
História do Cerco de Lisboa (1989)
O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)
Ensaio Sobre a Cegueira (1995 – Prémio Nobel da literatura 1998)
A Bagagem do vVajante (1996)
Cadernos de Lanzarote (1997)
Todos os Nomes (1997)
A Caverna (2001)
O Homem Duplicado (2002)
Ensaio Sobre a Lucidez (2004)
As Intermitências da Morte (2005)
As Pequenas Memórias (2006)
A Viagem do Elefante (2008)
O Caderno (2009)
Caim (2009)

gp.

VEM, POESIA… VOLTA! de zuleika dos reis / são paulo



Espero há tanto

a palavra poética

faísca

chama

chaga

sublevação deste mundo sem dor

há tanto agonizando…

a palavra poética

a revoltar

os dias de marasmos

de limbos

de rosto sempre

o mesmo

DEUS INÚTIL

a palavra poética

espada

a tingir de sangue vivo

o silêncio confortável

de morto

SOL QUE CEGA REVELANDO

a palavra poética

de novo vida

nas veias

nas artérias

amor-vivo

movendo o ser

movendo

ESTE IMÓVEL.

Espero há tanto…