ESSE HOMEM de vera lúcia kalaari / portugal

Queria esse homem escondido em ti mesmo,

Esse homem  de que tu és apenas uma sombra…

Queria os teus silêncios e os teus sonhos

E essa melancolia que t’envolve como um véu…

Queria o gesto vago que fizeste

Como quem afugenta uma lembrança amarga…

Queria o afago indiferente dos teus dedos

Desfolhando um livro ou escrevendo um poema…

E os pensamentos que às vezes passam um instante

Nos teus olhos, fazendo-te, medroso, cerra-los um pouco

Para que não escape nada

Queria tudo de silencioso e íntimo, de impreciso e distante

Que ocultas, avaro, em tua grave solidão,

Essa solidão que mesmo nos instantes mais livres

E mais despreocupados, é a atmosfera que respiras,

A nuvem em que t’escondes,

Tua agreste e invisa solidão.

Queria as palavras que não dizes, que não vêm aos teus lábios,

Mais do que num leve e breve sorriso meio triste…

Queria um beijo da tua boca, em tua boca.

Um beijo em que estivesses fremente e palpitante,

Com os teus anseios e os teus mistérios revelados,

E teu corpo ardente estremecendo

De amor intenso, de entrega absoluta,

Na ânsia de revelar-se, de dar-se, de doar-se completamente…

Queria esse homem escondido em ti mesmo.

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7 Respostas

  1. Querida Zuleika
    Bendita sejas tudo por todo esse amor/amizade que conservas sempre, mesmo afogando-te em todas as tuas lágrimas, perante as mágoas que por vezes são a constante da tua vida.
    Que bom seria que este poema e a magnífica resposta deste Omar desconhecido, conseguem finalizar com esse encontro de dois amigos que se desencontraram um dia mas que talvez se voltem a encontrar através da poesia.
    Que forma linda de se confirmar que é a poesia que une todos os poetas, embora dispersos pelos quatro cantos do mundo.
    Quem sabe se esta magia é na verdade uma realidade? Nada é mais forte que os nossos sonhos e os que não acreditam nisso, é porque não sabem o que dizem.
    Beijos, querida amiga. Fico a aguardar as tuas ”Flores de Outono” que, tenho a certeza, mantêm o perfume da primavera.

  2. Vera, minha querida: pela linguagem,penso ser o Omar um amigo querido meu, um poeta de poemas muito especiais, poemas-natureza, como costumo chamá-los. Omar, se és tu, eu te saúdo e te peço que perdoes o meu longo afastamento, que se faz necessário, nas minhas tentativas de purgar um tempo por demasiado além da dor. Ainda volto para nossa amizade, amigo, tem paciência, se puderes.
    Querida amiga: só hoje, 1 de julho pus o Flores do Outono no correio. Disseram-me que leva uns 15 dias para chegar em Portugal. Será que voltamos ao tempo das carruagens e eu não fiquei sabendo.
    Beijo de carinho a ambos: a ti, Vera (de verdadeira); a ti Omar, que verdadeiramente amas o mar.
    Zuleika.

  3. Caro Omar,

    O seu poema, que teve a veleidade de chamar de comentário mas que, para mim, é muito melhor que à minha poesia que mereceu tão magnífica resposta poética, merece também uma
    réplica com um certo laivo poético.
    Não há solidão no amor… Na solidão do meu amor, todas as lembranças se transformam em tudo, porque assumem todas as formas daquilo que me rodeia: ´´É árvore e nuvem, é fonte que canta, é canto de pássaros, é esse murmúrio que anda no ar…Por isso, não há solidão. E até nas noites frias e silenciosas, longe, na noite, palpitam as estrelas, promessas distantes que vêm do infinito e pairam sobre o mundo das sombras que se estendem aos nossos pés.
    Querido e desconhecido amigo, Omar, poeta, poeta magnífico, um beijo grande e muito, muito obrigado pela terna inspiração.

    1. Prezada Vera

      é no amor maior que me sinto mais sozinho.sem saber se outros compartilham.sentindo fundo a sensação do amor agape que se dirige a todos.
      mas pensando melhor,a culpa é minha por não deixar que este amor siga seu curso sem esperar retorno.esse amor como um riacho que apenas corre para correntes distantes.acho que ainda não tenho o desprendimento de deixa-lo ir e quere-lo para me alimentar também.tenho que entender que ele tem vontade própria e tem que correr e eu tenho que me conformar em simplesmente amar e sofrer ao deixa-lo correr para fora de minhas veias.e ficar vazio do que sei.e me alimentar da falta dele e me nutrir da ausencia dele.respirando o que ele vai deixando para tras,um perfume doce/amargo ao qual ainda não me acostumei.nem com a intensidade nem com a personalidade unica dele.com o desconhecido que ha nele.como o negro do universo onde vislumbramos apenas alguns distantes pontinhos de luz. espero me acostumar algum dia.me sentir completo com a intensidade daquilo que não sei.
      se é o Omar ?

  4. Querida Zuleika,

    És sempre tão generosa nos teus comentários que só me resta agradecer-te.
    Mil beijos.

  5. seria doce,se assim fosse.
    mas se para mim tuas palavras fossem,
    te pediria que não me contivesses numa única
    poesia.
    mas sim numa palavra,que de teu coração viesse
    ou numa lágrima que o por de sol visse
    ou numa gota de agua que cai na cascata que flui
    sem saber para aonde vai ou de onde vem.
    mas sim numa rima
    que combine ou não com o vento que sopra,com a folha
    que voa
    com o pássaro que pousa no ramo florido
    como os relâmpagos que riscam o céu mas não o marcam,ficando apenas em nossas retinas
    ou como a flor que cresce mas não percebemos
    como a nuvem que chora suas lágrimas silenciosas
    encharcando a terra fria na qual deitaremos
    com nossas roupas de espuma do mar,violando as estrelas e acompanhando o movimento delas
    enquanto a onda vai e volta,cada vez mais rápido,cada vez mais fundo
    ate se cansar de nos cobrir e nos deixar expostos ao infinito
    que seja longa a espera,sim,mas não solitária
    como quem esta no cais e olha o mar e espera e imagina,
    aonde o outro esta,com quem esta, se esta bem,se volta logo.
    como a concha que pegamos na onda revolta e levamos ao ouvido para que tudo se revele.
    mas logo nos cansamos por não ouvir nada ou por ficarmos surdos.

    e então eu te daria um anel de sete folhas de grama,trançadas com esmero
    e uma coroa de sete finos dedos de salgueiro ainda verdes
    para que os sete selos permaneçam violados
    sete segredos bem sabidos.
    Intuidos e integros, despidos de toda vaidade.

  6. Belo… tão belo, amiga: ” Queria esse homem escondido em ti mesmo/ Esse homem de que tu és apenas uma sombra…” Identificação total minha, Vera Lúcia (de verdadeira).
    Beijo
    Zuleika.

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