Arquivos Diários: 27 junho, 2010

CONFISSÕES DE UM POETA – por hamilton alves / ilha de santa catarina

Num encontro recente que tive com um poeta (não vou lhe revelar o nome, caso contrário teria chiliques quando de novo me encontrasse, tal a forma anônima com que quer revestir a edição de um livro de poesia), disse-me ele que não fará lançamento, detesta fazê-lo, não suporta noites, tardes ou manhãs de autógrafos, aquelas dedicatórias imbecis, sem pé nem cabeça e, sobretudo, insinceras.

Melhor para ele será colocar o livro em livrarias, bancas de jornais ou lugares similares, ao alcance de qualquer interessado, ainda que comercialmente esse processo não seja o mais indicado em qualquer sentido, pois é certo que,  tratando-se do gênero poesia, estará fadado ao mais rotundo fracasso, sabedor de ante-mão que, em nosso tempo, poesia é uma velharia, que poucos ou raros ainda se interessam por isso.

Além de tudo, não tem a menor vocação para marqueteiro.

Quem quiser ter o livro (são só duzentos exemplares, de tal maneira que quem não o adquirir, se o livro for bom ou contiver bons poemas ou seja de boa qualidade, estará jogando fora uma chance de possuir uma coisa que poderá se transformar numa obra rara ou até mesmo numa relíquia, que, dentro de alguns anos, poderá ser dessas jóias bibliográficas pela qual os alfarrabistas andam à cata em toda o parte) – quem quiser tê-lo, muito que bem; quem não quiser, pouco se lhe dá. Outros poetas fracassaram de muito mais nome do que ele, que não tem nenhum, ilustre desconhecido que é.

– O que é então que o move a publicá-lo ou editá-lo? – perguntei-lhe sem entender muito bem suas nobres intenções.

– Para lhe ser franco, nem sei como explicá-lo.

– Quer dizer, no fundo, que procura de propósito o fracasso?

– Não, de forma alguma; simplesmente, não me esforçarei ou não darei um passo para promovê-lo. Pretendo  que meu livro (ou meus poemas) sejam lidos por pessoas que gostem (ou amem) a poesia. Não adianta nada pretender que um tal livro caia nas mãos de quem não aprecie de poesia. Ou, no menos, seja jejuno em poesia.

Quando pronunciou tais palavras, sairam-lhe perdigotos pelos cantos da boca, que a essa altura espumava com abundância.

– Quer dar então uma de Salinger?

– Ainda que admire muito a luta que Salinger travou contra os instrumentos de comunicação de massa para torná-lo uma vedete internacional (que acabou sendo mesmo sem o desejar), estou longe de pretender imitá-lo.

– O que pretende então? Não o entendo.

– Não procure me entender. Também não me entendo.

O poeta entrou num fusca mais encarquilhado do que ele, que beirava os oitenta anos, e abanou-me a mão sem mais palavras. Sem sequer me revelar o título de seu livro. Ou o editor que o lançará no mercado.

Lá vem Satã – por alceu sperança / cascavel.pr

A crise devora os EUA. Pessoas entregam as casas em que residem. Aumenta o desemprego. As cadeias lotam. Há trabalho escravo. A assistência de saúde vai se precarizando tanto que o povo implora por uma “CPMF” para custear a saúde pública. Na Europa, toda a velha arenga social-democrata deu no mais descarado neoliberalismo, com perda sistemática de direitos, discriminação e racismo.

É um mundo que desaba, pois não há como um só ser humano que respeite a própria humanidade se satisfazer com a chamada “crise imobiliária” dos EUA e seu evidente respingo no resto do mundo ou a reversão de expectativas na Europa.

Toda malandragem da “Guerra Fria” e o discurso sobre liberdade e welfare state esbarram agora na miséria e a falência a rondar empresas, que fogem apressadamente dos EUA, desmentindo o tal patriotismo, orgulho máximo de Tio Sam, que abomina a paz e anseia pela guerra.

Desabando, caindo pelas tabelas, mesmo assim empinam seus narizes arrogantes e partem para uma nova agressão aos povos da América Latina, impondo a criminalização, ou satanização, dos movimentos sociais.

Se não é a bendita Pastoral da Terra, há muito já teriam espalhado via rádio e TV que os pobres brasileiros que reclamam educação e saúde são todos endemoniados, candidatos ao exorcismo da eliminação física, com desqualificação moral e extração de direitos e possibilidades.

Onde houver uma organização popular que desmascare os discursos do tipo Requião com práticas do tipo Pinochet, ela será alvo de uma campanha mais ou menos parecida com aquela movida contra a pobre ilha de Cuba. Fidel Castro é “ditador”, dizem. E ocultam (ou distorcem) o fato de que as eleições cubanas são mais democráticas que nos EUA.

Onde houver pessoas pobres resistindo à máquina de opressão patrocinada por governos locais engabeladores, serão acusadas de “satânicas”. O objetivo, já que a Pátria deles cai aos pedaços, é acabar com a Pátria daqui, extraindo lucros depois de escravizar nosso povo, satanizando as organizações populares.

Com as habituais mentiras, a imprensa neoliberal a seu lado, vão bombardeando os governos populares, ainda que ingênuos e pequeno-burgueses, a irromper por toda a América Latina, abrindo uma nova perspectiva de unidade continental e respeito mútuo entre os países. Fingindo combater o narcotráfico e o terrorismo, tentam controlar a Amazônia, petróleo, águas e atacam tudo o que é do povo ou a seu favor.

É notável o caso da ofendida Foz do Iguaçu: trombetearam pelo mundo afora que estávamos escondendo terroristas debaixo da cama.

Foz deveria exigir em tribunais internacionais ressarcimento pelos prejuízos causados por essa mentira. Uma canalhice com a explícita intenção de formar bases visando papar nossa água guarani e o petróleo bolivariano.

Um mundo está ruindo lá no Norte. Não podemos permitir que, depois de séculos roubando nosso ouro e nos impondo dívidas cruéis, venham criminalizar e satanizar as coisas do povo latino-americano.

Rumorejando (Se a reunião do G20, do G8 ou de qualquer G não fosse inócuo o ponto G nas mulheres já teria sido achado?, perguntando} – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Hitler deve estar penando ainda mais no inferno ao constatar que o jogador brasileiro afro-descendente Claudemir Jerônimo Barreto, de apelido Cacau, também é jogador da Alemanha. Além de um dos irmãos Boateng.

Constatação II

Não se pode confundir uva com luva, até porque a raposa do mestre Esopo não falou que era a luva que estava verde.

Constatação III

Uma bebida espirituosa

Ele emborcou.

Daí redundou

Que até a sogra era bondosa.

Constatação IV

Rico vive a larga; pobre, largado.

Constatação V (Saudades também da estatal Telepar).

Se você tirar a prova dos nove das privatizações (pedágio, comunicação, energia elétrica, etc.), ocorridas em nosso país, você não prova nada e, com essas taxas que se está pagando, tampouco sobra nada.

Constatação VI (De conselhos úteis).

Se você pretende simular, ao chegar tarde a sua casa, que você estava trabalhando, fazendo um serão brabo, ensaie primeiro, esgotando todas as hipóteses de perguntas que porventura advirão, a fim de não cair em contradições. E claro, certifique-se de que você não vai deixar sinais, marcas, impressões digitais, labiais, imorais, etc. ou quaisquer outras pistas de denúncia ou delação. De nada!

Constatação VII

Rico pula carnaval; pobre, assiste o de Curitiba.

Constatação VIII

Data vênia como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que o jogador Luis Fabiano e o juiz francês que apitou o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim são amigos de há muito tempo…

Constatação IX

Depois que a partida terminou o vidente comentou: “Eu não falei pra vocês que íamos ganhar?” E como ninguém chegou a pelo menos menear afirmativamente a cabeça, ele pensou: “Não tem importância a falta de resposta. Falei pra mim mesmo”…

Constatação X (De conselhos úteis. De nada!)

Evite o colesterol,

Tomando vinho,

Mas com moderação;

Evite a hipertensão

Não assistindo o futebol,

Nem por um momento,

Quando teu time ta sozinho

Lá na zona do rebaixamento.

Constatação XI

Paulo Salim Maluf afirmou que a ficha dele é a mais limpa do Brasil. Nessa linha de raciocínio, Rumorejando acha – data vênia, é claro – que a Madre Tereza de Calcutá não merecia ter sido canonizada. Ela tirou o lugar de pessoas mais credenciadas e prioritárias…

Constatação XII

Quando o obcecado convencido se inteirou que no Peru as fãs de um candidato a prefeito estavam, nos comícios, atirando suas calcinhas pra ele, inferiu que se ele, o obcecado, morasse no Peru elas não só atirariam as calcinhas, mas também se atirariam suplicantes nos seus braços.

Constatação XIII

Quando, no motel, a francesa

Pôs-se a cantar a Marselhesa

Ele fez continência e ficou em pé.

Despido, parecia um chipanzé

E, ouvindo o hino pelado,

Sentiu-se despatriado.

Coitado!

Constatação XIV

Não seja jacu, jeca ou tatu.

Lembre-se que praga de urubu

Pode deixar a gente jururu

E cair no teu próprio… nariz.

Constatação XV

Tendo em vista que certas atitudes e fatos vêm se sucedendo cada vez mais de maneira acentuada, aguardem, prezados leitores, o Dia do Contraventor. E já que falamos no assunto, o Dia do Bibliotecário deverá ser extinto por falta de leitores nas bibliotecas…

Constatação XVI

Deu na mídia: “Lula inaugura terreno baldio no Pará”. Aguardem breve, prezados leitores, nessa época de eleições, até inauguração de eventual recapeamento dos buracos nas estradas rodoviárias…

Constatação XVII

Quando o obcecado convencido, nada a ver com o outro da Constatação XII, leu na mídia que “na África do Sul a ‘camisinha anti-estupro’ está sendo distribuída”, estufou o peito e de alto da sua sapiência proferiu a seguinte pérola: “Comigo elas precisariam usar um tapa-ouvido porque ninguém resiste as minhas indefectíveis cantadas”.

Constatação XVIII

O cubo,

Com desconfiança,

Pra pirâmide falou:

“Vê se desencostas

Das minhas costas

Que eu não sou tubo”.

E, adrede,

Por segurança,

Na parede

Se encostou.

Constatação XIX

Rumorejando não acha que Itália, França, Dinamarca e mais outros não se apresentaram mal. Apenas que alguns jogadores estavam com saudades da família e queriam voltar mais cedo para casa. Só isso.

Constatação XX

Rico tem altivez; pobre, não conhece o seu lugar.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Números complexos são aqueles que, em época inflacionaria, não valem nada ? E foram os números primos entre si que brigaram, como em toda família, por causa da herança ? E, também, foram os números romanos que meteram panca de nobres em cima dos números arábicos ? Idem, idem as letras góticas que esnobaram a escrita corrente, aquela utilizada por nós no dia a dia e, para quem estuda ou trabalha, também, na noite a noite ?

Dúvida II

A pelota

Traçando

Espirais

Difusas ?

Ou foi lorota

Dos jornais,

Deixando

Mentes confusas ?

Dúvida III

É muito simplista

Filar a bóia e depois

Fazer a pista ?

Dúvida IV

O simpático anda claudicando ? Me refiro ao prezado leitor, não ao nervo simpático que, diga-se de passagem, quando dói não é nada simpático.

Dúvida V

A garota que nasce em Limeira, estado de São Paulo, é limeirense, limoense, limaense, limenha, limeirana, lima, ou o quê ? Comentários no blog. Obrigado.

Dúvida VI

A cartilha, a tabuada, o caderno de caligrafia, os trabalho manuais, o recreio e a merenda e a professorinha por quem a gente se apaixonou. Apenas rememoração ou estamos entrando na terceira infância ?

Dúvida VII

O sujeito que fatura sozinho uma sena da vida passa a ser, no mesmo instante, inteligente, simpático e bonito ?

Dúvida VIII

Foi o louva-a-deus

Que disse,

Todo teatral,

Pra namorada:

“Não estou numa legal.

Chega de sandice.

Vou tomar a estrada.

Adeus” ?

Dúvida IX

Será que a jabulani é efetivamente esférica? Rumorejando desconfia que pela sua – dela – trajetória, quando quica, ela é oval, ou ova como a gente dizia quando jogava com bola de tentos. Fantasma ela não é, como andou sendo apregoado, embora muito jogador a deixe passar como se ela fosse invisível…

Dúvida X

Foi o obcecado que chamou, num ato aparentemente falho, a vuvuzela de vulvazela?

Dúvida XI

O nepotismo,

Sob alegação

Que não tem

Alguém

Nem

Ninguém

Tão

Bom,

Tão

Competente

Como o parente,

É cinismo,

Brasileirismo,

Mercantilismo

Ou filha da p….ismo ?

Dúvida XII

Foi o trabalho da formiga,

Dando exemplo pra cigarra,

Que quase a matou de fadiga ?

Dúvida XIII (Via pseudo-haicai).

A monja

Bebia cerveja

Qual esponja ?

Dúvida XIV (Via pseudo-haicai).

Tem que ser xereta

Para descobrir

Tanta mutreta ?

Dúvida XV

Será que os blecautes que volta e meia acontecem em nosso país são alguma traquinagem de algum disco voador, como se supôs, há alguns anos atrás, quando Nova Iorque também ficou às escuras ?

Dúvida XVI

Não é flor

Olorosa

O bebedor

De perigosa* ?

*Perigosa = um dos muitos sinônimos de cachaça.

COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS

-“Abolidor” automático a fim de abolir o capital especulativo da face do Planeta Terra, de outros planetas e, inclusive, de outras galáxias.

-“Abolidor” automático, nada a ver com o anterior, a fim de abolir legislador que legisle em causa própria da face do Planeta Terra, de outros planetas, etc.

-Sapato, ou bota, ou tênis, etc., novo, que já venha amaciado como o velho que, diga-se de passagem, nunca deixa de ser o do coração.

-Liquidificador para liquefazer nossas desditas.

-Sonar de longo alcance, ou melhor de longa distância para detectar visita inoportuna do tipo credores, sogra, mordedor, cara chato, etc. para você ter tempo hábil de se fechar e apagar automaticamente todas as luzes, dando a impressão que não tem ninguém em casa.

-Político sério.

-Político decente.

-“Desaproveitador” que anule as intenções de quem quer tirar proveito em tudo.

-Jogador de truco que me ganhe.

-Frutas com gosto de carne para que todos virem vegetarianos.

-Cervejas e vinhos com álcool, mas que não contrariem a Lei Seca, não dê porre, etc.

-Rádio em Curitiba que toque música clássica (A Educativa e a emissora da PUC tocam muito pouco e em horários ruins).

-Aparelho para a extinção da famigerada Lei do Mais Forte.

-Mudança ortográfica que também elimine a grosseria.

-Sistema econômico que façam todos terem tudo ou pelo menos que atendam as necessidades básicas.

-Cura para as doenças até agora consideradas incuráveis.

-Bactérias boazinhas que se alimentem de bactérias nem tanto.

-Absorvedor de poluentes (e do petróleo do Golfo do México).

-Aparelho que reduza os decibéis fora dos padrões (propaganda política, venda de sonhos e outros produtos comerciáveis, anúncios de liquidações, etc.).

-Detectômetro para detectar maus-caracteres.

-Comentaristas esportivos que falem menos, a fim de que se assista os jogos pela televisão sem precisar recorrer ao mute.

DILMA e SERRA por simon taylor