A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE NÃO SER de zuleika dos reis / são paulo



Este momento é meu só

ninguém mais dele sabe

nem eu.

Estrangeira aqui em toda parte

tal Pessoa

e não tal Pessoa

nunca estou onde estou

nem estou onde não estou.

A tarde escoa morre

inteira fora

não depende de nada

nem de ninguém

como eu não dependo de mim.

Parece que estou a árvore na praça em frente

mas não estou a árvore na praça em frente

nem me pareço com alguém que olha pela janela

a árvore na praça em frente.

Para  ser uma com a árvore

na praça em frente

precisaria ser

uma com o Tudo

como dizem iniciados

e simpatizantes …

Na janela se projeta uma sombra

da árvore?

de mim?

Cegueira sem transcendência.

A noite caiu

e não quebrou

esta insustentável leveza

de não ser.

2 Respostas

  1. Amigo Tonicato, muito obrigada. Sabe que eu também gostei deste meu poema? Principalmente da ironia, reconheço mordaz, em “uma com o Tudo/
    como dizem iniciados /e simpatizantes…” Mais uma releitura do Fernando Pessoa, como se já não houvesse tantas. Enfim…
    Abraço grande
    Zuleika.

  2. É amiga, deve ser pesado mesmo carregar sua própria sombra.Mas a imagem da árvore a lhe olhar é estarrecedora. Poderia dizer ser ela uma imagem nobre, quando saindo de si, deixa-se estar vegetal a se olhar, a olhar janelas e as pessoas atrás dela, mesmo sendo você. Gostei.

    Grande abraço.
    TM

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