Arquivos Diários: 12 setembro, 2010

FALTAM TRES SEMANAS editorial.cm


Serra já tentou todas as máscaras; de neo-lulista a sucessor de Alvaro Uribe no comando da direita lationamericana. Fez-se passar por vítima e depois caluniou com sofreguidão. Não parou de cair nas pesquisas mas, sobretudo, algo que os isentos comentaristas fingem não ver, a forma arestosa como faz política, encharcada de falsidade quase colegial, inspira cada vez mais repulsa, mesmo entre seus pares. Serra tem 32% de rejeição, contra 27% de apoio nos levantamentos do complacente instituto de pesquisas da família Frias, cuja aderencia à campanha demotucana não é mais objeto de discussão. Serra vai receber a extrema unção política dia 3 de outubro ou em seguida, no 2º turno. O conservadorismo nativo sabe que ele é um fósforo queimado. Jamais será cogitado novamente como um líder aglutinador. A exemplo de certos colunistas e veículos, porta-vozes da direita e da extrema-direita nativa, Serra sabe que perdeu o bonde da história e quer vingança. Eles já teriam disparado a bala de prata se ela existisse. Não conseguiram uma. Resta-lhes o método da saturação. Expelir diariamente acusações, calúnias, falsas denúncias, insinuações, preconceitos, mentiras. Requentar velhos temas, criar uma nuvem de ilações descabidas. Recriar, enfim, o artifício udenista de um mar de lama em torno do governo, do PT, de Lula e Dilma na esperança de que, ao menos, sua derrota seja também uma derrota da democracia.Quem sabe capaz de reproduzir no país uma classe média de vocação golpista, a exemplo do que a direita conseguiu na Venezuela. Serra, os petizes da Veja, os aliados espalhados na mídia demotucana em geral, não tem o talento de um Carlos Lacerda. Nem a coragem dos golpistas que íam às ruas apregoar abertamente a derrubada de governos. O que eles possuem de mais perigoso no momento é a consciência de que não tem mais nada a perder. Derrotados, pior que isso, desmoralizados como incompetentes entre seus próprios pares, atingiram aquele ponto em que são capazes de qualquer coisa. Faltam tres semanas para as eleições. A barragem de fogo vai se intensificar. Contra o jogral da mídia pró-Serra, o Presidente Lula terá que usar todo o peso de sua liderança popular para consumar a vitória das forças democráticas contra uma direita disposta a se transformar em carniça para incomodar até depois de morta.


Você, eu, todos nós nas garras do Lobo Mau – por alceu sperança / cascavel.pr

Quem manda no mundo?

Evidentemente não é Lula nem foi FHC, menos ainda os antecessores deles e sem chance para seus sucessores imediatos, todos moleques de recado dos nababos estrangeiros.

Mas ninguém vai negar que um dos dez donos do mundo tem sido Alan Greenspan, ex-presidente do Fed (e como tem cheirado mal!), algo sempre comparado a um “banco central” usamericano.

Esse sujeito vivia nos dando medo, mesmo que não soubéssemos exatamente que foi ele o assustador. Antes, porque mandava subir o preço do que a gente comia, vestia, calçava, lia, estudava.

Em seguida, quando eles venceram e o sinal ficou fechado pra nós, ele escreveu um artigo no Financial Times dizendo que os modelos econômicos com os quais o sistema financeiro mundial trabalha são “insuficientes para determinar os rumos da economia”, além de admitir o óbvio: a crise financeira dos EUA é a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.

Se entendemos bem, tudo aquilo pelo que eles invadiram países, mataram pessoas, mandaram torturar, exilar, perseguiram, humilharam, desempregaram, atormentaram, era apenas uma coisa vazia, que eles mesmos não compreendem.

Sim, porque, para ele, a famosa “mão invisível do mercado” (premissa básica dos ideólogos da desregulamentação do sistema financeiro) tem um pequeno problema: não funciona. O mercado! O novo Deus do planeta…

Toda a sabedoria acumulada em séculos de capitalismo não permitiu aos donos do mundo traçar um rumo para a felicidade dos povos. O que se vê é cada vez mais crise e mais infelicidade.

A violência nas cidades, a dívida estúpida e estupenda de causar estupor, o caos urbano, essa corrupção toda, a politicalha no poder e os talentos desperdiçados – tudo isso é fruto da “vitória” dessa coisa insuficiente para desenvolver a economia visando à riqueza coletiva e não funciona, segundo admite um dos homens mais geniais e poderosos do mundo.

Longe de querer discutir com Greenspan, cabe concordar com ele: é simplesmente impossível saber quanto tempo vai durar a atual crise, que vai muito além da financeira e já se combina com a ambiental e a alimentar.

Pois tudo o que ele (e os políticos) aprenderam em séculos de capitalismo é insuficiente “para determinar os rumos da economia, diante do volume e da complexidade das variáveis existentes”.

Tome fôlego e suporte mais estas: “Nunca seremos capazes de prever as descontinuidades do mercado financeiro. Elas são necessariamente uma surpresa”.

Os donos do poder estão metidos apenas num jogo de azar, tipo as apostas no bicho. Nem Lobo Mau assustaria tanto a Chapeuzinho Vermelho com tanta insegurança e incerteza.

Aliás, está mais que na hora de meter o barrete vermelho na cabeça e mudar essa história!