Arquivos Diários: 19 setembro, 2010

AS TRES PENEIRAS (enviado por rô stavis). ilha de santa catarina

Olavo foi transferido de projeto.
Logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:

– Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele…..

Nem chegou a terminar a frase, e o chefe, aparteou:

-Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já passou pelo crivo das Três Peneiras?

– Peneiras, que peneiras, chefe?

– A primeira, Olavo, é a da VERDADE.
Você tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro?

– Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram. Mas eu acho que…

E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe:

– Então sua história já vazou a primeira peneira.
Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE.

O que voce vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

– Claro que não! Deus me livre, Chefe! diz Olavo, assustado.

– Então, – continua o chefe – sua história vazou a segunda peneira.
Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE.

Voce acha mesmo necessário me contar esse fato ou mesmo passá-lo adiante?

– Não chefe. Pensando desta forma, vi que não sobrou nada do que eu iria contar – fala Olavo, surpreendido.

-Pois é Olavo! Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras? – diz o chefe sorrindo e continua:

– Da próxima vez em que surgir um boato por ai, submeta-o ao crivo das Três Peneiras:

VERDADE – BONDADE – NECESSIDADE….

– Antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante, porque:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS

PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS

PESSOAS MESQUINHAS FALAM SOBRE PESSOAS!!!

REVÓLVER de sylvia beirute / Faro.pt


{ao josé ferreira}

por fim: entre desejos lindos, estrita-
-mente prováveis, e contra-impulsos no
dorso, dia sim dia não, como que

numa mistura clássica e fascinante,

substituo o corpo na competência

de parir o tempo que resta

no rebentar das águas de um

instante principal em forma de

edema e américas;

e entre desejar e não desejar, o vazio

de cordas deseja e consegue: a certeza
de não cabermos numa
única possibilidade, o saber que há
um inverno de grande razão

na carne fria do nosso cesariny,
o ter o coração em riste no diadema
solitário sob os olhos dos mi-
-nutos emperrados em direcção a meca,
o supor que a morte já
não admite exemplos

e um excesso de memória

adivinha o futuro.

SAUDADES DO SANGUE DERRAMADO por alceu sperança / cascavel.pr


Coisa esquisita, mas como tem cabeça pra tudo, de vez em quando aparece alguém com saudade das ditaduras. Atribuem todas as trapalhadas que elas fizeram – corrupção, desperdício de dinheiro, dívida excessiva etc – só ao Inácio, como diria frei Cappio, quando foram elas as mães parideiras dos filhotes neoliberais.

Sentem saudades de um mundo bipolar, em que tudo lhes era fácil: pró EUA enriquecia e anti-EUA apanhava. Mentes estreitas, adoram escolher entre o sim e o não do maniqueísmo. Mas só gastam tempo, saliva e energia com o saudosismo de uma coisa pútrida que não tem mais como voltar.

A Guerra Fria, que manchou de sangue o solo nacional, jogando criminosamente brasileiros contra brasileiros, enlutando famílias como a do estudante Edson Luís, já era. Mesmo se Serra também já era e se Dilma já erra…

Os EUA já não dominam como dominavam: sua grave crise está à vista de todos. A farsa estalinista foi plenamente desmascarada. A China mostra como é bom ter um governo que funciona.

O Brasil conquistou a liberdade de imprensa e expressão: no entrechoque entre idéias e opiniões encontraremos o caminho da democracia que ainda não temos, mas um dia teremos. Bem-vindos ao terceiro milênio.

Há um presente, no entanto, que também gostaríamos de transformar rapidamente em passado. É a tal da financeirização, que, na atual etapa neoliberal do capitalismo, é a sua face mais gritantemente desumana.

As crises das “bolhas” das bolsas asiáticas e da Rússia, na década de 90, foram um evidente fruto de movimentos especulativos dos banqueiros e seus operadores. Agora vem essa enorme desgraça para o bravo povo americano.

Está claro: a dependência nacional ao capital financeiro é um entrave à industrialização. Contribui para a manutenção de taxas de juros elevadas e para a escravidão aos grandes bancos.

O neoliberalismo é tão espetacularmente agressivo que hoje não tenta mais liquidar o “comunismo”, embora alguns acreditem que nessa ilusão do Tibete vão tirar alguma casquinha.

Ninguém é mais ingênuo: está na cara que pretendem esconder as mazelas debaixo do tapete, sem admitir que a crise é fruto de suas más práticas.

Como sua solução para tudo é a guerra, instigam a ânsia de oprimir, liquidar, ferir, ofender. Mas o que se mostra evidente é o desejo claro e aberto de liquidar de vez a social-democracia, com suas tentativas de “welfare state” (Escandinávia, por exemplo), pugnando, em paralelo, para liquidar tudo o que venha do povo, como o MST e as FARC.

É o que se vê no recrudescimento de um falso nacionalismo, que fecha as fronteiras aos jovens pobres dos países explorados, a pretexto de que sejam “terroristas”, quando tudo o que eles querem é trabalhar e provar o sabor da “democracia” do Primeiro Mundo.

Vendo que seus países são oprimidos e dominados por essa financeirização, tentam buscar uma vida melhor em outros lugares, onde descobrem, tardiamente, que serão humilhados, prostituídos, superexplorados.

Certamente no futuro também haverá mentes poluídas com saudades do tempo atual, que é o da maior farsa ideológica de todos os tempos: a idéia evidentemente enganosa de que o “pensamento” da financeirização é único, vitorioso e eterno.

Valha-nos outro poderoso pensamento – o de Gandhi: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história mas fazer uma história nova”.