SÓ de vera lucia kalaari / portugal

Só, com este olhar de descrente,

De noites mansas sem estrelas,

Com este andar sem destino

Como rio deslizante

Fugindo em desvario.

Só, nestas asas desdobradas,

Em sonhos, em cavalgadas,

Cabelos ao vento atirados,

Batida pelo vento suão

No meu negro alazão.

Só, nesta brisa que chega

Cheirando a feno e a campo,

Na ribeira escondida

Perdida no mundo distante

Duma vida já vivida.

Só, no tempo que passa

Que é tempo perdido somente,

Tempo sem nada, só tempo.

Uma resposta

  1. Que imagens, querida! “…andar sem destino/como rio deslizante”, andar que vira voo, e cavalgada, até o final, de mestre: “Tempo sem nada, só tempo.” Que belo,minha querida irmã.
    Beijo da
    Zuleika.

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