MARILDA CONFORTIN e sua poesia II / curitiba

Pro par oxítono

Inóspito,
responde ríspido
a minha presença abrupta
em sua tela pálida
e impávido desconecta
rápido como relâmpago.

Erótico,
passeia de helicóptero
entre minhas pernas trêmulas,
derrete minha máscara
de lantejoulas pretas,
me despeja incandescente
sobre o piso de mármore
de um hotel barato da zona norte.

Artístico,
rabisca em minhas costas
a capa do próximo livro,
capta meus pensamentos
com máquina fotográfica
e me deixa atônita
com seus desenhos mágicos.

Cândido,
acolhe-me lírico
em seu crisálido peito,
sussurra blandícias,
bucólicos hinos
e me nina angélico,
o diabólico menino.

***********************************************

Garoto tolo…

Se não fosse para tê-lo,
por que eu iria pô-lo
em meu colo
assim,
nuzinho em pêlo?

***********************************************************

Disse-me:

No e trago mucho, pero te traigo siempre.
Fiquei bem quieta.
Ele, um poeta.
Eu, aguardente.

*****************************************************

Sem papo

Não, amigo…
Hoje eu não quero conversa.
Estou no meu melhor mau humor
e  não quero ouvir suas histórias de amor.
Sou avessa a versos amenos.
A menos que em vez de papo,
queiras levar um sopapo…

*****************************************************************

Naturezas mortas

Sumo, somes,
secas, seco,
escoas, escôo.

Escorres, escorro.
só corres, só corro.
Socorro!

Somos somente ecos
do que fomos.
Ah, essa maré de dó,
marré de si…
Pobre de ti, pobre mim
pobre dessa poesia pobre.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: