Arquivos Diários: 26 setembro, 2010

UM SHOW DE MÚSICA PELO PLANETA – editoria

Um show imperdível!

Basta clicar e assistir a uma coisa absolutamente impressionante, técnica e musicalmente.Trata-se de um grupo de pessoas, que não se conhecem entre si . É aqui que entram os técnicos de som e imagem voluntários e sem remuneração, que se ocuparam de captar o som de cada um dos “cantores”, individual e mundialmente (são atuações ao ar livre e isso é extremamente difícil de fazer sem “ruídos exteriores”). Posto isto e remixado, atingindo um nível de pureza musical notável, chegamos a esta maravilha musical conseguida através de alta tecnologia, e que num instante, junta as pessoas de todo o mundo, fazendo-as sentir e falar ao mesmo tempo a mesma linguagem universal… a música. Momentos como este, de grande dedicação e generosidade, fazem-nos ainda ter alguma esperança na “raça humana”.

CLIQUE : SHOW

ROTAS DESCULPAS por sérgio da costa ramos / ilha de santa catarina

  • Alastrou-se, pelo Brasil e pelo mundo, uma epidemia universal de desculpas esfarrapadas. É a CNBB pedindo desculpas aos índios do Brasil pela catequese que não respeitou a cultura autóctone. É o Vaticano pedindo desculpas a Israel e aos judeus pela inércia do papa Pio XII diante do terrorismo nazista e do Holocausto.

    É a Europa rogando desculpas aos países africanos que colonizou, drenando riquezas, alimentando apartheids e fermentando dívidas. São os sacerdotes pedófilos da diocese de Boston, EUA, pedindo desculpas às famílias das crianças que um dia molestaram. Mais um pouco e assistiremos ao arrependimento do próprio Torquemada, o inquisidor-mor, pelos cristãos que mandou para a fogueira mediante a mera suspeita de “bruxaria”.

    Desculpas só pareceriam válidas se acompanhadas de arrependimentos. O verdadeiro pesar pelo mal cometido. Arrependimentos são atos de contrição devotados à verdade.

    Arrepender-se é sentir genuína mágoa pelos malfeitos cometidos, aceitando-os como “errados” e “lamentáveis”. É, geralmente, um sentimento nobre e inócuo, resultando em desculpas sinceras ou apenas “oportunistas”.

    Ora, se insistem em pedir desculpas aos primeiros habitantes do Brasil, os bispos precisariam renegar a própria igreja, a cruz que velejou com Cabral e a Primeira Missa de frei Henrique Coimbra, sem a qual não haveria cristianismo no Brasil. Se a “catequese” respeitasse integralmente a cultura do índio, não haveria CNBB. E, ao invés de festejarmos o Natal, em dezembro estaríamos nos pintando para o Quarup, dançando com os pajés do Alto Xingu.

    O arrependimento precisa ser eficaz, ensina o Direito Penal. Mas, na vida real, o que é arrependimento “eficaz”?

    Desculpas servem apenas aos que cortejam indulgências capazes de tornar menos pesado o fardo dos pecadores. Interessa, portanto, mais aos delinquentes do que às suas vítimas.

    No Brasil, não é incomum o sujeito espancar a mulher e depois… pedir desculpas, antes de voltar a bater.

    O Vaticano, através de Bento XVI, pediu desculpas aos judeus pela omissão da Igreja no Holocausto, mas mantém em estágio adiantado o processo de canonização de Eugênio Pacelli, o papa Pio XII, que, podendo, nada fez para denunciar ao mundo o apocalipse nazista.

    Pior: Pacelli, núncio apostólico na Berlim de 1933, tornou-se parceiro de Hitler ao acertar com ele uma “concordata”. O acordo concedia à Igreja Católica alemã a tolerância do novo regime em troca de um afastamento da sua ação social e política. Durante a “solução final”, de 1940 a 1944, a voz do Papa jamais se fez ecoar com toda a sua autoridade moral. John Cornwell, jornalista do britânico The Independent e professor de Cambridge, reconstitui com tintas dramáticas essa “omissão de socorro” no seu instigante livro O Papa de Hitler – A História Secreta de Pio XII.

    Haverá pedido de desculpas mais inócuo do que esse, lavando com lágrimas tardias o Muro das Lamentações? O pedido de desculpas de Neymar a Dorival Júnior resultou inócuo, pois o técnico acabou demitido… Mas teriam sido sinceros os pedidos de desculpas? E o técnico, que pretendeu eternizar a culpa de Neymar, punindo o futebol, também não tem lá a sua culpa? Um pedido de desculpas dos cristãos aos tupiniquins que receberam Cabral na manhã do dia 22 de abril, há 510 anos, somente seria verdadeiro se, agora de manhãzinha, saíssemos todos de tanga, arco e flecha para caçar e pescar…

    Se preferimos nos “abastecer” no sortido armazém da esquina, pronto: o arrependimento soa tão “postiço” quanto um índio bororó.

  • Dupla âncora

    Enquanto, na maior nação costeira do mundo, os hotéis e resorts querem afundar os navios de turismo marítimo, a Royal Caribbean e o trade hoteleiro de Miami e Orlando celebram um pacote complementar, a que deram o nome de “Mais do que um Cruzeiro”. Combina o melhor da terra e do mar para oferecer aos turistas. Junta o cruzeiro pelo Caribe com a hospedagem nos melhores hotéis dos parques temáticos de Orlando ou do waterfront de Miami.

  • Calendário

    A prefeitura vai esperar a alta temporada para dar início ao recapeamento da Avenida Beira-Mar. Se não acontecer novo e previsível adiamento, as obras devem começar em novembro.

    Se não, só depois do Carnaval, como tudo no Brasil. Até lá, talvez a outra Beira-Mar, a Continental, freeway de fantásticos dois quilômetros, talvez já tenha sido inaugurada. Mas nunca se sabe. O calendário da prefeitura não é o mesmo de São Gregório.

  • Dilma & controles

    Em meio a um surto de apedrejamento da imprensa, como se houvesse baixado sobre o país inspiração regida pelo doidinho Mahmud Ahmadinejad, a candidata Dilma Rousseff produziu frase em que reluz uma boa esperança: “Por mim, podem falar tudo o que quiserem. O único controle social que eu aceito é o do controle remoto na mão do telespectador”.

Em lugar do lobo do homem, o irmão do homem – por alceu sperança / cascavel.pr


Sempre que a crise bate no pescoço dos EUA e da Europa, alegres manifestantes financiados por interesses já bem conhecidos saem às ruas para “protestar” contra a China e pedir a “libertação” do Tibete.

Como a crise de hoje parece ser a mãe de todas as crises, as manifestações são ainda mais ruidosas e “humanitárias”.

O desejo de criar mais nações, para que com elas os EUA possam fazer “acordos bilaterais”, como os feitos com a infeliz Colômbia, é parte da estratégia do dividir para reinar.

Enquanto a tendência mundial é unir para fortalecer – União Europeia, Mercosul, reunificação dos Vietnãs, das Alemanhas e agora, se os EUA novamente não embaçarem, das Coreias −, os saudosistas da Guerra Fria, com sua enorme sede de sangue, apostam na “libertação” de povos indígenas e outros segmentos étnicos.

Aproveitando que a Europa cai na noite escura do racismo, nas mãos de gente como Sarkozy (França) e Berlusconi (Itália), a ultradireita avança nos países da derrotada social-democracia: Suíça, Suécia…

Por isso, fora, moreninhos brasileiros e latino-americanos! Voltem para casa e se dividam em territórios divididos e fáceis de dominar.

Como a solução capitalista para as grandes crises sempre foi a guerra, quanto mais povos forem instigados a se “libertar” (de quem, se os banqueiros mandam no mundo inteiro?), mais armas podem ser vendidas numa conta que será cobrada depois em matérias-primas e juros altos.

O Tibete é muito cobiçado. A Índia quer um pedaço, Taiwan quer o Tibete inteiro. Os religiosos (lamas) querem governar. Eles nem questionam o Tibete ser uma região autônoma da China: só querem poder.

O “poder espiritual” quer lidar com o cofre público. Mas os tibetanos têm o direito de não ter religião ou seguir a religião que desejarem, sem ficar submetidos aos ditames dos “lamas”, que se julgam encarnações de seres divinos.

E assim, desde 1965, quando o Tibete se tornou uma região autônoma, sempre que há uma crise no Ocidente, requentam-se as agressões armadas ao Tibete na ânsia de criar “fatos novos”.

Mas é coisa velha, bem velha. Em nome da “independência do Tibete”, na Guerra do Ópio, os ingleses dominaram a região (década de 40 do século XIX), voltando em 1888, 1903 e 1904.

Um discurso de independência e uma prática de escravidão. Será difícil os tibetanos esquecerem que na segunda ocupação inglesa ocorreu o massacre de tibetanos pelos “humanitários” ingleses, que interromperam a marcha da tocha olímpica em 2008 mas não parecem capazes de interromper a marcha da própria crise, iniciada naquele setembro nos EUA.

Cada qual acredita nas ilusões que bem entender. Mas foi uma canalhice descomunal tentar levar as Olimpíadas da China ao fracasso. Elas pertencem à juventude mundial: são raros momentos em que o homem supera seus limites, cria novos recordes e desafios.

Sejam no Canadá, Coreia, Japão ou China, as Olimpíadas pertencem ao mundo esportivo, não a interesses egoístas, políticos ou religiosos. Felizmente quebraram a cara, pois a China espantou o mundo com sua competência coletiva.

O ódio racista disseminado à larga hoje na Europa, que aproveita o medo americano, a pretexto de prevenção ao terrorismo, facilita a onda pseudo-nacionalista.

Essa onda, na verdade racista, barra as fronteiras aos nossos pobres da mesma forma que tenta invadir outras fronteiras pela força das armas, como se fez recentemente no Equador e sempre se tenta fazer no Tibete, criando novos Iraque e Afeganistão.

Para vencer a escuridão do racismo e essa malandra campanha para dividir países (volta e meia se fala em rachar o Brasil em três ou quatro e a Bolívia em dois) só a democracia verdadeira, em que o homem seja irmão do homem e tenha na comunhão de interesses a busca da felicidade.

Sem essa de dividi-los em exércitos para que se trucidem uns aos outros.