Arquivos Mensais: outubro \31\UTC 2010

DILMA ROUSSEFF é a PRIMEIRA MULHER a se eleger PRESIDENTE DO BRASIL

TSE anunciou resultado às 20h13.

A primeira mulher eleita presidente do Brasil, Dilma Vana Rousseff, é uma mineira radicada no Rio Grande do Sul, filha de uma professora e de um imigrante búlgaro. Neste domingo (31), a economista – e avó – de 62 anos conquistou o direito de exercer seu primeiro cargo eletivo. À trajetória dela se misturam alguns dos episódios marcantes da história recente do Brasil, como a resistência à ditadura, a redemocratização do país e a consolidação de uma ordem política equilibrada entre dois blocos pelo PT e pelo PSDB.

Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Entrou na política ainda no antigo colegial, na oposição ao regime de exceção instaurado em 1964. Começou na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), movimento que, na sua origem, era uma espécie de coalizão de dissidentes, com quadros do PCB, do PSB e do trabalhismo, além de trotskistas e outros marxistas. Na Polop, ela conheceu o primeiro marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Ao lado dele, mais tarde, optou pela luta armada e se juntou ao Comando de Libertação Nacional (Colina).

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel conheceu Dilma nessa época e é amigo pessoal da nova presidente até hoje. “A Dilma é, e sempre foi, uma pessoa muito inteligente, acima da média. Ela tem uma bagagem cultural muito grande, lia muito desde menina, talvez por influência do pai”, conta. O pai, Pedro Rousseff (Pétar Russev, na língua materna), era um imigrante búlgaro que criou os três filhos com rigidez europeia em Minas Gerais. A mãe, Dilma Jane Silva, era professora.

Em 1970, quando já fazia parte da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Dilma Rousseff foi presa pela Operação Bandeirante e detida no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi torturada. Condenada pela ditadura, foi levada ao Presídio Tiradentes. Foi libertada no fim de 1972 e se mudou para Porto Alegre, terra de seu segundo marido Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua filha, Paula.

“Dilma teve uma experiência muito dura na prisão”, conta Pimentel. “Por isso, é uma pessoa que conhece muito bem onde estão os seus limites. Isso faz dela uma mulher muito forte”, diz o ex-prefeito.

Na capital gaúcha, ela cursou ciências contábeis na Universidade Federal do Rio Grande do Sul de 1974 a 1977. Com a volta de Leonel Brizola ao país após a Anistia, Dilma se filiou em 1980 ao recém-fundado Partido Democrático Trabalhista (PDT). Até 1985, ela trabalhou como assessora de deputados do partido na Assembleia Legislativa do estado.

O ex-governador do RS Alceu Collares conta sobre a atuação de Dilma nos primórdios do PDT. “Dilma estava junto com a gente desde o começo das conversas sobre o que a gente queria que fosse o movimento dos trabalhistas”, conta. “Fizemos reuniões para montar nosso plano de governo para Porto Alegre. Grande parte desses programas foi feita na casa dela”, diz ele.

Em 1987, Dilma foi secretária das Finanças da prefeitura da capital gaúcha, sob a gestão de Collares. Em 1989, virou diretora-geral da Câmara dos Vereadores. Quando Collares foi eleito governador do estado, Dilma passou ao cargo de presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do RS, onde ficou de 1991 a 1993, quando virou secretária de Energia, Minas e Comunicações.

“Escolhi a Dilma para as duas secretarias porque ela sempre demonstrou muita experiência. Ela é uma mulher determinada”, afirma Collares. “Dizem que ela é brava. Não é. É determinada”, afirma.

Com o fim do mandato de Collares, a nova presidente do Brasil voltou para a FEE, até 1997. Em 1998, Olívio Dutra, do PT, foi eleito governador com o apoio do PDT de Dilma e ela voltou à Secretaria de Energia, Minas e Comunicações. Mas quando Brizola e o PDT romperam com os petistas, Dilma e outras lideranças do partido no Rio Grande do Sul optaram por deixar o PDT e se unir ao PT de Dutra.

“Ela vinha de uma linha brizolista, mas sempre teve uma ligação muito forte com o PT, então não foi uma grande surpresa”, diz Coutinho.

Dilma ficou no cargo até o fim do governo Dutra, em 2003, e participou das negociações do governo do Rio Grande do Sul com o governo federal para gestão da crise energética de 2001.

Governo Federal

Quando Lula assumiu o governo, Dilma foi chamada para assumir o Ministério das Minas e Energia e evitar um novo apagão. “É aí que ela passa a ter um papel de fato importante”, avalia o professor da UFRJ. “Dilma teve ampla liberdade para montar sua equipe e fez um trabalho positivo”, afirma Coutinho. “No mais, é uma passagem que se destaca por uma forte lealdade ao presidente Lula, que garante que ela abra espaço no governo”.

Dilma Rousseff em campanha em Belo Horizonte, ao lado de Fernando Pimentel
Dilma Rousseff em campanha em Belo Horizonte,
ao lado de Fernando Pimentel
(Foto: Roberto Stuckert Filho)

No ministério, Dilma apresentou um modelo para mudar a regulamentação do setor elétrico, mantendo a presença privada, mas aumentando as funções de regulamentação e controle do Estado. E lançou o projeto “Luz para Todos”, para levar energia elétrica às áreas rurais ainda não atendidas pelas redes principais do país.

Após o escândalo do mensalão, que derrubou o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Dilma foi convidada por Lula para a função, em 2005. “Na Casa Civil, Dilma coordenou todas as ações do governo, as bem e as mal sucedidas”, diz Marcelo Coutinho.

Ali, ela trabalhou na formulação do principal projeto do segundo mandato de Lula, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de iniciativas de infraestrutura, habitação, transportes e geração de energia. Repetidas vezes, durante o lançamento do projeto e a campanha presidencial de 2010, Lula a chamou de “mãe do PAC”.

Para Alceu Collares, a popularidade de Lula na presidência se deve diretamente ao trabalho de Dilma. “Quando o Dirceu estava lá, a Casa Civil fazia encaminhamentos de projetos. Com a Dilma, passou a cuidar da execução de projetos”, diz ele. “A minha observação é que a Casa Civil passou a ter alguém que estava fazendo um bom trabalho, começou o aumento na popularidade do presidente”, avalia.

Em abril de 2009, Dilma convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que estava se submetendo a um tratamento contra um câncer em seu sistema linfático. Após sessões regulares de quimioterapia em São Paulo, seus médicos anunciaram que ela estava curada em setembro do mesmo ano.

Em março de 2010, Dilma deixou o cargo no governo para se lançar à Presidência da República, apoiada por Lula. Para seu lugar, ela indicou Erenice Guerra, que, em setembro, se demitiu após ter seu nome envolvido em suspeitas de tráfico de influência na pasta.

Dilma Rousseff com o presidente Lula durante comício em Brasília
Dilma Rousseff com o presidente Lula durante comício em Brasília (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Para Coutinho, a indicação de Dilma Rousseff à Presidência era um movimento esperado desde 2008. “Em 2008, Lula já tinha claro quem ele queria lançar para sua sucessão e essa pessoa era a Dilma”, afirma. “Apesar da pouca tradição e de um perfil mais burocrata, ela foi aprendendo nos últimos meses a ser política”, avalia.

Conhecida pela personalidade forte, Dilma é “afável no trato pessoal”, segundo Fernando Pimentel. “É uma pessoa muito divertida entre amigos e familiares. No trabalho ela é muito exigente, consigo mesma e, logo, com os outros”, afirma.

“Dilma caminha na vida política brasileira com consciência”, diz Alceu Collares. “Ela não se deixa levar por oba-oba e toma decisões de acordo com sua consciência”, afirma.

Para Marcelo Coutinho, o brasileiro pode esperar “um governo de relativa continuidade”, mas “uma líder menos carismática”. “É normal historicamente que líderes extremamente carismáticos, como foi Lula, sejam seguidos por pessoas mais low profile”, afirma.

g1.


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O DIA DECISIVO e A PAZ DO DEVER CUMPRIDO – por brizola neto / rio de janeiro

Chegamos ao dia decisivo.
Foram meses que ensinaram muito a todos nós.
Creio que o primeiro ensinamento foi algo que todos partilhamos: do mais humilde dos brasileiros ao próprio presidente Lula.
O de que não existe caminho para justiça social no Brasil que não passe pelo desenvolvimento econômico e pela afirmação de nossa soberania como nação.
Acho que todos entendemos que, reescrevendo a frase que ficou famosa nos tempos do “milagre econômico” da ditadura, o bolo só cresce se for mais bem dividido e só é mais bem dividido quando cresce.
Progresso econômico e progresso social são duas faces inseparáveis de um Brasil que quer e precisa crescer.
De fato, basta examinar todos os indicadores econômicos e sociais para que se veja que o governo Lula disparou em realizações e em popularidade no seu segundo mandato, ao assumir claramente sua natureza nacional e popular, deixando à beira do caminho aqueles que defendiam, embora com menos ferocidade, as mesmas regras neoliberais que marcaram o governo FHC.
Numa palavra, foi finalmente o governo Lula quem retomou a linha de afirmação nacional, econômica e social que marcou a vida brasileira nas décadas de 30, 40, 50 e até mesmo na década de 60, pois o progresso desse país tinha uma força inercial que nem mesmo a ditadura militar, embora com seus componentes entreguistas, conseguiu romper de imediato.
A década final do regime autoritário, marcada pela estagnação,  foi sucedida primeiro pela nulidade de Sarney, o energúmeno, e depois, pelo neoliberalismo privatista se afirmou com a nova ditadura: a do pensamento único.
Em 1995, com Fernando Henrique Cardoso, o viés subalterno que passou a comandar a vida brasileiro sentiu-se seguro ao ponto de rasgar o véu da hipocrisia e declarar que sua missão era sepultar definitivamente o que chamaram de Era Vargas, significando com isso o seu desejo de alienar todas as riquezas desta nação e conformar o Brasil a uma condição colonial.
Mas manter o Brasil como colônia, embora o venham conseguindo há cinco séculos, é algo que não se consegue se há liberdade.
Um grande e maravilhoso país, com um grande e generosa população só pode ser pequeno se nos aceitarmos assim, se nos desprezarmos como povo e como nação. Se vivermos na tristeza e no silêncio.
Foi por isso que suprimiram a liberdade em 64. Foi por isso que a deformaram, com o poder midiático, na eleição de Collor e, depois, com a ideia de que a história dos conflitos pela afirmação das nações era passado e a globalização e o mercado eram fenômenos divinos e invencíveis.
Daí nos vem o segundo ensinamento: se a liberdade de imprensa sempre foi uma ferramenta da rebeldia generosa e da decência humana, o direito à comunicação, que a engloba, é ainda maior: é o fundamento da liberdade e da democracia.
Controlá-lo, desde os tempos em que os livros dependiam do imprimatur dos senhores dos feudos terrestres e celestiais, sempre foi a chave do poder.
É verdade que os meios tecnológicos, pouco a pouco, foram eliminando estes “privilégios de impressão”, culminando nesta maravilhosa ferramenta que é a internet.
Mas um a um, o poder sempre procurou se apoderar deles e desvirtuar o seu sentido libertário, fazendo dele não apenas o que deve também ser, diversão e entretenimento, mas diversionismo e entorpecimento.
E, sejamos realistas, os espaços que abrimos aqui, na internet, ainda são pequenos e pouco significativos perto das estruturas de manipulação e mentira que dominam e que, também aqui, conseguem montar.
Um governo popular, no Brasil, tem de encarar a democratização da comunicação como a espinha dorsal de sua sobrevivência política.
Porque os inimigos de um Brasil popular contam com quase toda a comunicação, com suas máquinas de produzir mentiras, de distorcer verdades e de deformar consciências.
Outro dia, num evento na Carta Capital exortou os políticos a não terem medo da grande imprensa.
Concordo com ele, mas é preciso que o Governo também não a tema, como vem sendo tristemente verdadeiro há décadas.
Procurei praticar aqui, tanto quanto pude, este conselho.
Este pequeno espaço, que começamos a abrir há menos de um ano e meio, modestamente, procurou não ter este medo, nem viver em função de vantagens, poder ou sucesso eleitoral.Nunca, apesar dos conselhos para que o fizesse, deixei de lado as grandes lutas para cair no terreno estéril e falso da promessa, da cooptação, da formação de grupos de interesse.
Hoje, no dia em que se encerra uma etapa importante da luta histórica de nosso povo, o corpo está extenuado, mas a consciência serena.
Este mês, 1,2 milhão de acessos ao Tijolaço e , sobretudo, os mais de 15 mil comentários postados desde 1º de outubro mostram que este se tornou um lugar de encontro, para dividir ideias, angústias, revoltas e paixões.
Para dividirmos o que somos de verdade, pois é o que somos de verdade o melhor que podemos dar uns aos outros.
A minha gratidão a todos os que colaboraram neste processo, lendo, criticando, sugerindo, me dando até uns “foras” de vez em quando.
Carregar este sobrenome e escrever sob um título que identifica a luta de um grande homem é um enorme peso para alguém tão pequeno.
Mas se cada um de nós, nas nossas pequenas forças, pudermos, cada um, conduzir um grão de areia, é certo que juntos podemos fazer uma montanha.
A minha gratidão e reconhecimento a todos, e que o destino sorria a este povo tão sofrido.
Viva o povo brasileiro, razão de ser do Brasil!

J B VIDAL e sua DECLARAÇÃO DE VOTO

POR QUE DILMA?

28/10/2010

O povo brasileiro, ao término dos governos do Presidente Lula, descobriu-se orgulhoso de sua existência. É comentado e discutido fora das fronteiras geográficas e filosóficas.

É, hoje, respeitado como nação que produz riquezas e lidera a movimentação para a paz no planeta.

O Brasil, hoje, caminha ao lado das grandes economias, discutindo o futuro com o peso da sua moral ambientalista e do esforço para a erradicação da pobreza.

Todo esse presente, entretanto, custou muito caro aos brasileiros ao longo das décadas.

O caminho de mão dupla entre a Casa Grande e a Senzala foi construído com muito sacrifício, dor e sangue, mas que, os brasileiros souberam suportar e superar em razão da fé inabalável em Deus e no trabalho produtivo.

Tal momento grandioso é desprezado e odiado, aqui dentro, pelas organizações e pessoas que se locupletam do estado brasileiro,  pelas “heranças” decorrentes das capitanias hereditárias e mais modernamente pela grilagem truculenta e as reservas de mercado – e arrastam atrás de si uma parcela do povo inocente e crédulo – gerando atrasos e sacrifícios.

Até antes da  Era Lula, o povo brasileiro era tido como “gente de terceira classe”, e não somente os trabalhadores, as classes médias também, repudiadas algumas pela ameaça de ocupar espaços reservados àqueles – hereditários e truculentos.

Enfim, o Brasil É.

Como dar prosseguimento a esta caminhada de crescimento econômico, social, intelectual, tecnológico, de elevação moral e auto-estima? Como enfrentar as adversidades externas e internas? Os interesses espúrios que nos rondam permanentemente montados na “grande mídia familiar” sócia de todas as desordens?

Dilma, a intuição de Lula: “… quando a encontrei pela primeira vez, em uma reunião de trabalho eu pensei: – esta é a mulher para comandar o Brasil, consolidar as conquistas e avançar para um crescimento sem sobressaltos e sacrifícios –“

Dilma, a mulher, avó, mãe, amiga, inteligente, culta, ouvinte, forte, leal, competente, decidida, corajosa, tranqüila e, comprovadamente, com grande amor por seu país e seu povo.

Dilma, com uma história e um futuro que somente o sonho de um povo sofrido pode formular um misto de Anita e Indira.

Por estas razões eu voto, convido meus filhos a votar pelos seus, meus netos, pelo povo brasileiro, pelo Brasil – enfim uma Nação.

J B VIDAL


“…com Lula a esperança venceu o medo, com Dilma a verdade vencerá a mentira!”

ZULEIKA dos REIS comenta em MÁRCIA DENSER / são paulo

COMENTÁRIO:

Por razões graves, de foro íntimo eu, que faço parte dos palavreiros da hora e tenho aqui, neste belíssimo site, muita participação com textos próprios e como leitora, preciso sair do mutismo que me tenho imposto e de uma “neutralidade” que não existe, em política nem no quer que seja, para afirmar que concordo com as lúcidas argumentações expostas por tanta gente de consciência política apurada, aqui no palavras, entre as quais se alinha a presente argumentação de Márcia Denser.
Se a questão das múltiplas corrupções tomou o vulto que lhe foi dado pelas mídias, não se pode dizer, claro, que se falava e se fala de inverdades. Por outro lado, nunca se expôs tão claramente as mazelas e as misérias morais demasiado evidentes; nunca se expuseram também tão claramente as contradições todas ocorridas nos vários setores do governo federal e dos outros setores a ele ligados e isto é mérito da vigência da democracia, uma democracia, evidente, com vícios que a marcam desde sempre, no Brasil, democracia marcada também pelo amordaçamento que sofreu ao longo dos governos militares. O personalismo, até exacerbado de Lula é outra das marcas do seu governo, fato inegável.
Tanta evidência as mídias deram a isso tudo que, por um lado, muitas vezes, deixaram na sombra, e não por acaso, os múltiplos avanços do governo Lula no campo social e também nas ações econômicas que nos mostram hoje, um país diferente.
Há muito a sanear, é claro: no setor da segurança, na Justiça ( a questão das impunidades, por exemplo, em seus vários territórios); avanços maiores no setor da Educação pública,  não apenas na universalização plena do seu direito, mas na melhoria efetiva de sua qualidade; o que continua a ocorrer no país é um descalabro no que se refere às práticas efetivas na educação, não só pública mas em grande parte do setor privado. E mais haveria a dizer, mas isto pareceria um discurso, o que,deveras, não é minha pretensão.
Penso que não seja com Serra que iremos marchar em direção a estes aperfeiçoamentos, vitais para o país, para a democracia, para o nosso futuro. Certamente, não creio que seja com Serra na presidência que caminharemos com passos seguros. Muito pelo contrário.

leia aqui o artigo comentado.

O Serra de ontem, o Serra de hoje – notas sobre o revisionismo de sua própria vida- por demétrio toledo / são paulo

O desapego de Serra por sua própria biografia, eu diria até mesmo o ódio por sua vida pregressa, não pode ser compreendido apenas como oportunismo político de uma das figuras mais baixas da história política do Brasil. Que alguém lance mão de argumentos baseados na intolerância religiosa, no machismo mais escabroso e no ódio regional e racial já é grotesco 25 anos depois da queda da ditadura.

Valer-se de uma retórica reacionária que, pasmem, está referida freudianamente – e um Freud de tira de quadrinhos, diga-se de passagem, por sinal o único que presta – à própria história do detrator, causa verdadeira perplexidade. É o caso de José Serra.

Por mentir sistematicamente, Serra coleciona até o momento uma quantidade assombrosa de trololós, sendo portanto impossível arrolá-los exaustivamente. Vou restringir o comentário, portanto, a dois dos trololós mais desavergonhados, mais abjetos, mais repulsivos e mais reveladores da personalidade de José Serra.

Em primeiro lugar, o caso do aborto realizado pelo casal Mônica e José Serra, que nas últimas semanas foi objeto do revisionismo de suas próprias histórias, tendo, por força das circunstâncias eleitorais, deixado de existir – como se a vida fosse simples assim, fechando os olhos e tudo se apaga, tudo se resolve. Depois de Mônica acusar Dilma – combinando, como não poderia deixar de ser nesse caso, obtusidade e reacionarismo reles – de ser “assassina de criancinhas”, pois Dilma, como mulher e como mulher pública, defende corretissimamente (desculpem pelo josédiaismo) a descriminalização do aborto como uma questão de saúde pública e não um problema policial ou religioso, eis que surge a revelação, mas , na insuspeitíssima Folha de São Paulo, de que Mônica havia realizado ela mesma um aborto em momentos mais apertados de sua vida.

Que alguém banalize a própria história desse modo e nesse nível, que um casal revolva e exponha sua vida de modo tão abjeto e contrário ao bem público e ao direito da mulher sobre seu próprio corpo é inaceitável e revoltante, sendo seguramente um dos momentos mais baixos da vida política brasileira. Um pouco mais, ou melhor, um pouco menos, e teríamos pena dos dois.

Espanta também (será?) que Mônica e José Serra usem do mesmo expediente que Collor usou contra Lula em 1989, quando aquele revelou uma passagem da vida de Lula em que ele e sua companheira haviam recorrido, por motivos e razões que dizem respeito apenas ao casal – e na verdade apenas à mulher, sujeita única e exclusiva do direito a seu próprio corpo – à interrupção da gravidez. O que se esperaria de pessoas decentes é que, a vivência de uma experiência que é qualquer coisa menos banal e que deixou marcas profundas em Mônica, como ela mesma contou a suas alunas na Unicamp, a passagem por um evento tão forte, sensível e tocante pudesse levá-los a ter uma opinião menos desumana e retrógrada sobre o aborto.

Os progressistas somos todos solidários ao sofrimento que o evento impôs ao casal, experiência aliás tão comum em nosso país, ainda que profunda e lamentavelmente marcada pelas desigualdades de classe que separam a prática do aborto em, de um lado, procedimento cirúrgico para umas poucas e, de outro, autoflagelação com risco de morte para a imensa maioria. Nossa solidariedade estende-se a todas essas mulheres, ricas e pobres, vivas e mortas, cada uma marcada profundamente pela dificílima (e dá-lhe José Dias!) experiência de interromper uma gravidez. Repudiamos por isso o retorno à barbárie prepagado por Mônica e José Serra nesse particular. E lamentamos que a oportunidade para uma aula de civismo e humanismo – de amor, que tanta falta faz e que por sinal nunca é demais – tenha sido desperdiçada de forma tão abjeta por Mônica e José Serra.

Em segundo lugar entre os mais desaforados trololós de José Serra está sua insistência, e de certos jornais, como a Folha de São Paulo, em retratar Dilma como terrorista. A causa da repulsa é diferente em cada caso, por isso deixo à leitora decidir qual é pior. O interesse da Folha de São Paulo pela história de Dilma na resistência à ditadura é macabro e asqueroso porque, como se sabe, a empresa dos Frias foi aparelho da famigerada Operação Bandeirantes, vulga OBan, tendo auxiliado a repressão a sequestrar, torturar e matar pessoas que resistiam à ditadura. É uma posição repulsiva porque indica atavismo, um apego genético à tortura e ao assassinato como expedientes políticos, atavismo do qual a família Frias e muitos, mas não todos, de seus funcionários não conseguem se livrar. Mas até aí, pode-se dizer que a Folha de São Paulo continua do mesmo lado em que estava na ditadura – é coerente, por assim dizer; fascinorosa, celerada, mas coerente (aliás, grande merda ser coerente com posições equivocadas, antes a mais desvairada incoerência do que o apego ao erro e ao crime).

A posição de Serra, no entanto, é mais desconcertante, uma vez que ele próprio, durante a ditadura, mobilizou-se contra ela – pelo que sinceramente parabenizo aquele rapaz idealista, aquela boa alma que se apagou completamente, mais que isso, que se virou do avesso na versão atual de José Serra. Que ele e seus aliados, usem a mesma retórica, os mesmos termos e palavras que a ditadura usou para perseguir o próprio Serra, beira o incompreensível. (Se bem que, me dirá a leitora atenta a nossa história política recente, os tucanos superaram sua “questão” com a ditatura há muito tempo: desde que se tornaram unha e carne com o PFL/DEM; Índio da Costa e o PFL/DEM, por razões óbvias – porque eram a ditadura! -, jamais tiveram qualquer questão com ela, a ditadura).

Os tucanos dirão que isso tudo não passa de “cálculos de finório”, oportunismo de uma figura que está para ser derrotada definitivamente e que, por isso, usa de todos os expedientes disponíveis, da exposição acafajestada da vida privada de sua esposa ao beija-mão de seus antigos algozes, para tentar vencer, custe o que custar. Concordo, e acho que a leitora também. Mas acho que o Brasil perde demais, demais mesmo, com uma figura tão abjeta como Serra. E não sou só eu: amigos e parentes tucanos ou deixaram de votar no Serra por causa de suas imundícies ou simplesmente passaram a fazer campanha pela Dilma.

O Brasil não só pode mais, o Brasil merece muito mais. Merece, entre outras coisas, uma oposição moderna, progressista e comprometida com a verdade – bem o contrário do circo de horrores que Serra vem nos oferecendo. Ainda bem que domingo acaba.

PROF. ALFREDO BOSI faz Declaração de Voto (eleições 2010)

Declaração de voto de Alfredo Bosi

 

 

 

Colegas, Alunos, Amigos, Companheiros de opção política,

Sinto-me muito honrado em participar desta manifestação em prol da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Minha intervenção não se fará em nome de uma militância partidária particular , mas em nome de causas públicas suprapartidárias que seguramente todos os presentes partilham, causas públicas nacionais e internacionais que estão animando esta campanha eleitoral.

Convém lembrar, em tempos de desmemoria, que estas causas vêm de longe e felizmente nunca arrefeceram em nossa consciência de cidadãos. Vêm do extraordinário mutirão progressista que foi a luta pelas reformas de base, no começo
dos anos 60, projeto coletivo sufocado pelo golpe de 64. Vêm da resistência à opressão e à repressão dos anos de chumbo, resistência à qual a hoje candidata Dilma ofereceu o idealismo temerário de seus anos juvenis, pagando por isso duas vezes o seu preço. Duas vezes, pagou: na primeira vez os seus cobradores foram esbirros da ditadura militar, a segunda agora, são os marqueteiros venais (com perdão do pleonasmo) e a imprensa marrom, a soldo das forças mais reacionárias deste país, que querem punir, de novo, aqueles que ousaram dizer não à tirania. Estranhos paladinos da democracia!

Esta causa democrática é fundamental, mas não é a única. A campanha em prol de Dilma está penetrada de um sentido social forte e dinâmico. Ela encarna uma tendência distributivista e popular que começou a ganhar consistência visível nos últimos anos do governo Lula. Emprego maciço e entrada maciça para a classe média são resultados de um programa bem sucedido de inclusão econômica e social. Taxas promissoras de diminuição da mortalidade infantil, de redução do desemprego e de aumento da escolaridade básica elevaram o nosso Índice de Desenvolvimento Humano para um patamar próximo da média das nações desenvolvidas. O famigerado e eterno “atraso estrutural” e a batidíssiima tecla da divisão das nações em centrais e periféricas começam a exigir um sério trabalho de revisão conceitual. E mais ainda, aquela deprimente teoria do “país dependente associado”, fruto de uma sociologia demissionária, está sendo desmentida por uma política internacional de paz, aberta, lúcida e independente, que é um maiores méritos deste governo e continuará sendo um dos pontos de honra do governo de Dilma, se…. (Já ia me escapado um “se Deus Quiser”, quando me dei conta dessa indignidade que a direita está cometendo ao abusar das crenças religiosas do nosso povo, convertendo-as em moeda de troca eleitoral, o que é uma tática ignóbil para quem respeita o sentimento do sagrado além de envolver um desprezo das práticas republicanas, que devem manter-se leigas e eqüidistantes das profissões de fé. Algum ouvinte preocupado com distinções nominais poderá argüir-me de inexato, e dirá: Mas o que está sendo chamado de direita não é direita,é apenas o puro Centrão Liberal. Respondo a este incauto analista: o liberal mantém-se no centro apenas enquanto não se sente em risco de perder posições ou não obtê-las; mas, chegando a hora do confronto, desliza para posições reacionárias. Desliza, disse eu? O verbo é muito diplomático. O certo será dizer que ele derrapa para a direita. Mas, pensando bem, derrapa ainda é ameno. O liberal precipita-se estrepitosamente/ pelos abismos da reação. É o que está acontecendo a olhos vistos nesta campanha eleitoral. )

Por isso, entendo este ato público como um não! ao retrocesso. Não! a uma política econômica toda centrada no capital, ciosa exclusivamente do equilíbrio monetário, mas negligente quando não avarenta em face dos terríveis desequilíbrios econômicos e regionais que infelicitavam o povo brasileiro nos anos 90 e que foram sendo lenta, parcialmente, mas honestamente encarados neste último decênio. Estamos apenas no começo do caminho, que é cheio de pedras, buracos e armadilhas. Alguns dentre nós não renunciamos a entrever no horizonte a imagem indelével de uma revolução, e talvez tenha sido este o sentido de nosso voto no primeiro turno. Na conjuntura atual, porém, que é a de um jogo de forças inovadoras versus mais um surto de modernização conservadora, escolhemos a consolidação de um projeto aberto que abrace desenvolvimento e respeito ao trabalho e à natureza. E aspiramos principalmente ao mais difícil de todos os alvos: a diminuição da iniqüidade que significa a distribuição de renda no Brasil.

Este ato público, promovido por estudantes de uma Universidade pública, exprime confiança e esperança, sem que estes sentimentos altamente positivos nos isentem de continuar lutando para que o processo iniciado nos últimos anos se aprofunde em uma linha democrática e verdadeiramente solidária. O nosso voto não é cego: é crítico,e por isso mesmo, é firme e é responsável.

Alfredo Bosi

São Paulo, 25/10/2010

Alfredo Bosi é professor na USP.

 

 

MAESTRO WAGNER TISO faz arranjo para clip de DILMA PRESIDENTE

UM clique no centro do vídeo:

ELOGIO DO MILHO de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr


A primeira vez que te vi:

milho

ouro vegetal em espiga em grão

moído cangicado

moído farinhado

milho ouro vegetal

no prato nosso de cada dia

quirera

teus microgrãos triturados

de mão em mão

brilham na louça

ouro em pó

vegetal na palma de minha mão

um comedor de quirera

vivo na contramão

do tempo e da história

os bolsos cheios do pó dourado

de minhas roças

milho: triturados grãos

falso ouro dos que pedem

consolo dos desolados

na louça branca

na mesa improvisada

na cumbuca do bóia-fria

sob a lona do sem-terra

amo a nathura

onde vivo e trabalho

um comedor de quirera

nasce a cada minuto

:também nasci assim:

um comedor de quirera

minha voz entalou no muro

esse grão que se habilita

a matar todas as fomes

não tem pai nem sobrenome

é milho só em espiga em grão

moído cangicado

moído farinhado

crescido sempre na luta

das mãos que o semeam e colhem

:quirera: teus microgrãos

triturados de mão em mão

brilham na louça branca

ouro em pó

vegetal

na palma de minha mão.

 

DEMOCRACIA por MARILENA CHAUÍ, é imperdível / são paulo

DÊ UM CLIQUE NO CENTRO DOS VÍDEOS:

PARTE  1

PARTE  2

PARTE  3

PARTE 4

ELEIÇÕES 2010: “MISTIFICAÇÕES” por amilcar neves / ilha de santa catarina


Era para ser apenas uma eleição presidencial. Muitos querem que seja uma guerra civil.

Uma eleição simples, tranquila, num segundo turno que contrasta dois candidatos com posições bem claras, pelo passado dos seus partidos e coligações, e fundamentalmente distintas. No entanto, quando se tiram as campanhas eleitorais das mãos de políticos hábeis (que ainda os há) e as entregam aos malabarismos criativos de publicitários, a tendência é que elas se assemelhem a embalagens de iogurte: vistosas, coloridas, parecidíssimas entre si – embora de marcas concorrentes – e com informações decisivas impressas em letras miúdas. E, todavia, as informações nutricionais são o que verdadeiramente importam para uma decisão ponderada e consciente.

Tem-se então o despropósito de vir alguém se declarar mais católico do que o outro, e de carregar a santa na procissão há muito mais tempo do que o outro, como se isso tivesse alguma importância para a escolha do(a) próximo(a) governante; como se um budista, no Brasil, estivesse eliminado a priori da disputa pela presidência exatamente por ser budista, como se um ateu, um judeu, um espírita ou um muçulmano não pudesse ser presidente.

Ou então traz-se à baila uma falsa discussão do aborto, como se a possibilidade de aborto, já prevista em lei, fosse uma imposição a todas as grávidas para abortar, algo como se a aprovação do casamento homossexual me obrigasse a separar-me da minha mulher para casar com o meu motorista e a ela, separada, juntar os panos com sua manicure.

O que se tem em disputa, mais do que Dilma contra Serra ou as sombras de Lula contra as de FHC, são concepções distintas e antagônicas de Estado: ou um governo presente, de cunho humanista, que apoie preferencialmente os seus cidadãos, dando-lhes condições de vida mais dignas (dito de esquerda), ou um governo mínimo (dito de direita) que entregue especialmente às grandes empresas a decisão sobre o que fazer – e como fazer – com as pessoas, acreditando que o mercado, como juiz eficaz, premiará os capazes e, aos outros… bem, os outros que se virem, certamente estão aí assim porque não aproveitaram as oportunidades que tiveram. Fora isso, o resto é perfumaria em embalagem cara, sofisticada e vazia.

Com o espírito maniqueísta que impera, não é de estranhar que uns se digam serem do bem – o que implica em dizer que os outros são do mal.

O RECORTE NA JANELA por omar de la roca /são paulo

 

 

Fui acordando devagar.Me parecia que ainda estava no bosque de cerejeiras, com as minúsculas pétalas caindo sobre a relva, os beija-flores voando ariscos.E o sol pingando mel pelas folhas acesas.Pisquei mais uma vez e acordei vendo as paredes brancas. Vi teu corpo recortado contra a meia luz da janela naquela manhã perfumada de azul.Respirei mais fundo e você se virou.Estiquei as mãos num convite e você veio para mim.Devagar. Peguei a tua mão e te puxei com cuidado. Primeiro você resistiu  , de pois foi cedendo lentamente.Me provocando. Primeiro foi o teu pé, depois o joelho,  perna . E tua pele encontrou a minha onde você se acomodou fácil como se eu fosse uma almofada confortável onde você relaxava. Respirei fundo e fechei os olhos, para que não visses o teu brilho neles. E, devagar,para não te assustar e perder o momento mágico, com meu dedo anular fui descendo pelas tuas costas, a curva da nádega,a coxa.Devagar,fui massageando de leve o caminho de volta.Passei o dedo de leve atrás de sua orelha,para brincar,que sei que não gostas.Tentei  levantar teu queixo para te beijar,mas você sacudiu os cabelos no meu rosto parecendo querer me sufocar com eles. Fingi que estava nervoso e te virei sobre meu braço esquerdo. Sorrindo ajeitei teu cabelo e, feito um peixinho mergulhei no aquário de teus olhos de algas verdes.Querendo me esconder nelas,querendo te encontrar detrás de alguma delas.Como se fosse suficiente estar la para que você compreendesse todos os meus outros  eus e o porque deles.Como se pudesses nos conter e cuidar de cada uma das necessidades deles. “ Te quero.” Falei  baixinho ao pé do teu ouvido. Sem falar você me disse que também queria. Mas eu sabia que para você , por mais que eu fizesse, não seria suficiente.Você queria sempre mais. Te possui, como se quisesse ser mais do que sou. Querendo ser suficiente. E fiz tudo que sabia que você gostava. Gritei de prazer ao teu lado, enfiando a cabeça no teu travesseiro. Você me agarrava dizendo que tinha medo do meu prazer. E eu te tranqüilizava. Deitei ao teu lado e, enquanto o sol deslizava devagar pelo quarto, fui falando de mim,num monologo interminável,traçando riscos no ar. Achei que deveria parar e me calei. Mas você pediu mais. Falei mais um pouco e percebi que você adormecera. Acho que meu mais foi demais… Te fiz mais um carinho no rosto com as costas da mão. Você se remexeu de leve como se se perguntasse quem ousava perturbar os seus sonhos. Estava quente agora.Me levantei com cuidado para não te acordar.Era minha vez de ficar na janela.

 

 

SEMEAR ÓDIO NÃO AJUDA – por ladislau dowbor / são paulo


O professor Ladislaw Dowbor fala de sua opção política nestas eleições e que há limites para tudo, em referência à cobertura da mídia.

Foto: Agência Brasil


Há momentos de posições declaradas. E há limites para tudo. Segundo o vídeo de Arnaldo Jabor, está sendo preparada uma ditadura, e os culpados seremos nós, se votarmos na Dilma. Isto com dramático acompanhamento musical, o Jabor parecendo aqueles antigos personagens do Tradição, Família e Propriedade dos anos 1960 anunciando a apocalipse política.

Caso mais sério, segundo a CBN, o futuro governo Dilma seria dirigido pelo José Dirceu, isto dito em tom pausado de reportagem séria. Nos e-mails religiosos aprendo que o futuro governo vai matar criancinhas. Quanto à Veja, não preciso ser informado, pois já a capa mostra um monstruoso polvo que vai nos engolir. E naturalmente, temos o aborto, último reduto da direita, instrumento político de profunda covardia, para quem sabe o que é a indústria do aborto clandestino. Aborto aliás já utilizado na campanha do Collor contra o Lula, anos atrás.

Argumentos patéticos desta mídia podem ser rejeitados como fruto de uma fase histérica de quem quer recuperar o poder a qualquer custo. Mas há uma dimensão que assusta. Muitos dos textos e vídeos exalam e estimulam um ódio doentio. E são produzidos e reproduzidos aos milhões, coisa que as tecnologias modernas permitem. Os grandes grupos da mídia, e em particular as quatro grandes famílias que os controlam, não só aderiram de maneira irresponsável à fogueira ideológica, como jogam com gosto lenha e gasolina, ainda que sabendo que se trata de comportamentos vergonhosos em termos éticos, e perigosos em termos sociais. O poder a qualquer custo, vale a pena?
Semear e estimular o ódio é perigoso. Porque com o atual domínio de tecnologias de comunicação, o ódio pode ser espalhado aos grandes ventos, e os órgãos que controlam a mídia não se privam. Espalhar o ódio pode ser mais fácil do que controlá-lo. O tom da grande mídia se assemelha de forma impressionante aos discursos às vésperas da ditadura. Que aliás foi instalada em nome da proteção da democracia. Fernando Henrique Cardoso, que não teve grandes realizações a apresentar, entregou o governo dizendo que tinha consolidado a democracia. Herança importante. Vale a pena colocá-la em risco?

O governo Lula tem méritos indiscutíveis. Abriu espaço não só para os pobres, mas para todos. À dimensão política da democracia acrescentou a dimensão econômica e social. Tornou evidente para o país que a massa de pobres deste país desigual, é pobre não por falta de iniciativa, mas por falta de oportunidade. E que ao melhorar o seu nível, pelo aumento do salário mínimo, pelo maior acesso à universidade, pelo maior financiamento da agricultura familiar, pelo suporte aos municípios mais pobres, e até por iniciativas tão elementares como o Bolsa Família ou o Luz para Todos, mostrou que esta gente passa a consumir, a estudar, a produzir mais. E com isto gera mercado não só no andar de baixo, mas para todos.

Esta imprensa que tantas manchetes publicou sobre o “aerolula”, hoje sabe que a diversificação do nosso comércio internacional, a redução da dependência relativamente aos Estados Unidos, e a prudente acumulação de reservas internacionais, que passaram de ridículos 30 bilhões em 2002 para 260 bilhões atualmente, nos protegeram da crise financeira internacional. Adquirimos uma soberania de verdade.
E no plano ambiental, só em termos da Amazônia o desmatamento foi reduzido de 28 para 7 mil quilómetros quadrados ao ano. Continua a ser uma tragédia, mas foi um imenso avanço. Realização onde o trabalho de Marina Silva foi importante, sem dúvida, como foi o de Carlos Minc. Mas foi trabalho deste governo, que nomeou na área ambiental realizadores e não ministros decorativos. E a sustentabilidade ambiental não é apenas verde. Os investimentos do PAC nas ferrovias e nos estaleiros são vitais para mudar a nossa matriz de transporte, hoje dependente de caminhões. A construção de casas dignas é política ambiental, que não pode ser dissociada do social. Os investimentos em saneamento do programa Territórios da Cidadania, em cerca de 2 mil municípios, articulam igualmente soluções ambientais e sociais, como o faz o programa Luz para Todos. Tentar dissociar o meio ambiente e o progresso social é um feito real que a direita conseguiu, divide pessoas que batalhavam juntas por um futuro mais decente. Mas é ruim para todos.

O bom senso indica claramente o caminho da continuidade, equilíbrando as dimensões econômica, social e ambiental. Absorver a dimensão crescente dos desafios ambientais, e expandir as dinâmicas do governo atual articulando os três eixos. Mas discutir isto envolveria uma campanha política em torno de argumentos e programas, onde a direita só tem a oferecer o argumento de que seria mais “competente”. O importante, é saber a serviço de quem seria esta competência.
A continuidade das políticas é vital para o Brasil. O que tem a direita a oferecer? Mais privatizações? Mais concentração de renda? Mais pedágios de diversos tipos? Leiloar o Pre-Sal? A última iniciativa do Serra foi tentar privatizar a Nossa Caixa, felizmente salva pelo governo federal. Como teria sido o Brasil frente à crise sem os bancos públicos? Os jornalistas sabem, mas quando falam, como Maria Rita Kehl, e escrevem o que sabem, são sumariamente demitidos. Que recado isto manda para o jornalismo?

A opção adotada foi bagunçar os argumentos políticos, buscar a desestabilização, assustar as pessoas, semear ódio. Qualquer coisa que tire da eleição a dimensão da racionalidade, da opção cidadã. Porque pela racionalidade, o próprio povo já sabe onde estão os seus interesses, e os resultados são evidentes. O caminho adotado é baixar o nível, sair da cabeça, ir para as tripas. Não o próprio candidato, porque este precisa parecer digno. Mas os esperançosos herdeiros de poder em torno dele, ou a própria família. O ódio que esta gente espalha está aí, palpável. E funciona. A maior vítima desta campanha eleitoral ainda pode ser o resto de credibilidade deste tipo de mídia, e os restos de ilusão sobre este tipo de política.

Eu voto na Dilma com a consciência tranquila. Fiz inúmeras avaliações de governos, profissionalmente, no quadro das Nações Unidas. E fiz a avaliação de políticas sociais do governo de FHC, a pedido de Ruth Cardoso, nas reuniões que tínhamos com pessoas de peso como Gilberto Gil e Zilda Arns. Sem remuneração, e com isenção, como o faço hoje. Eram políticas que nunca se tornaram políticas de governo, porque a base política não permitia que ultrapassassem a dimensão da boa vontade real da primeira dama. A base política do candidato Serra, desde a bancada ruralista até os negociantes das privatizações, é a mesma. E se assumir o vice, como tantas vezes já aconteceu, não será apenas um atraso generalizado para o país, será uma vergonha mundial.

 

 

Dilma tem 57% dos votos válidos, e Serra, 43%, diz pesquisa Vox Populi

Margem de erro é 1,8 ponto para mais ou para menos, informa instituto.
Em votos totais, petista aparece com 49%, e tucano, com 38%.

Do G1, com informações da Agência Estado

Pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda (25) indica a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com 57% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos). O adversário da petista no segundo turno, José Serra (PSDB), tem 43%, segundo o instituto.

A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto porcentual para mais ou para menos, segundo o Vox Populi.

Pelo critério de votos totais (que incluem brancos, nulos e indecisos), Dilma aparece com 49% e Serra, com 38%. Brancos e nulos somam 6% e indecisos são 7%. De acordo com a pesquisa, 88% dos entrevistados disseram estar decididos sobre em quem votar.

O levantamento, encomendado pelo portal iG, foi realizado de 23 a 24 de outubro e ouviu 3 mil eleitores em 214 municípios.  Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo número 37.059/2010.

 

é o bem vencendo o mal através da vontade do povo brasileiro. o país quer se livrar e esquecer que teve filhos que o mantiveram no atraso, de joelhos ao FMI, no obscurantismo. VOLTAR A TRÁS, NUNCA MAIS !

SERRA e a direção do CONVENTO nomeada pelo reacionaríssimo bispo de Guarulhos Dom Luiz Gonzaga Bergonzini (dizem que ele…) outros dizem que é a reencarnação de TORQUEMADA. tudo indica. / são paulo

alvaro dias, sérgio guerra e zé serra, convertidos durante a campanha eleitoral. dizem que não convenceram as esposas, os que tem…

A ERA DA TELEVISÃO por rose portoalegre / porto alegre

Moonlight Serenade

Primeiro chegou o aparelho, meio escondido dentro de um móvel com portas, que – como enfatizou bem o Padrinho, enxugando o suor da testa, ao depositá-lo no chão com o seu ajudante – deveriam permanecer fechadas, sempre que não houvesse alguém o assistindo. Talvez preferisse mesmo ficar escondido por ser tímido e jovem, e um tanto constrangido por figurar entre os já bem acomodados móveis da sala dos meus avós. De início, ficamos olhando aquilo com a estranheza dos primeiros primatas que presenciaram o surgimento do fogo, ou daquele obelisco no 2001 do Kulbrick. Por via das dúvidas, os velhos deixaram-no ali, quieto, fingindo nem vê-lo. Afinal, ainda não sabiam bem com o quê estavam lidando.
Nós, as crianças, porém, e principalmente a irrequieta Bete, com a curiosidade natural dos que não têm compromisso com coisa nenhuma, começamos a sondar o estranho artefato.

Lembro que, numa tarde chuvosa, em que estávamos todos por ali, alguém, não recordo direito quem, falou: – Olha ali, a gente bem pequenininha, parece que estamos dentro da tv. E, dali em diante, começamos a nos divertir com o reflexo de nossas vidas no vidro, narrando o que estava acontecendo de fato, misturado com algumas invencionices para dar mais graça.
Meu avô – um grande flautista, escritor, dono de cinema e passador de filmes pelas cidades do interior gaúcho –, que havia ficado semiparalítico depois de um derrame, mas que mantinha uma imaginação sempre acesa, já havia decidido que, além da completa fidelidade ao rádio, a sua televisão continuaria a ser a enorme janela, onde se postava diariamente observando o quê acontecia e quem passava pela Silveiro.
O que não era pouca coisa, considerando que por ali subia e descia quase todo o povo do morro, com seu jeito e colorido peculiar, o pessoal do entorno, claro, jogadores de futebol, já que à frente ficava a antiga sede do Colorado, os Eucaliptos, e, pouco tempo depois, até grandes artistas nacionais e o próprio Presidente da República (esses últimos de carro, evidentemente) em direção à primeira emissora – a TV Piratini – lá no alto da rua.
Voltemos, porém, à simpática salinha. Quando víamos a vida, a simples vida, no vidro do aparelho, era como se a víssemos através de uma bola de cristal, só que no tempo presente, mas tão mágico quanto. Parecia história. Quando estávamos em plena brincadeira e chegava alguém, era uma gritaria. A pessoa passava a fazer parte do “filme”.

Quando os adultos não estavam por perto e nós ficávamos ali, frente a frente com ela, partíamos, em expedição, tentando decifrar o mistério da caixa de válvulas. Afinal, mesmo ainda muda daquele jeito, dava pra sentir que prometia, que algo estava para acontecer, um mundo de maravilhas, como o espelho de Alice. Os adultos, distraídos por bobagens, como sempre – menos o meu avô, que sempre foi ligado no que interessa –, não se davam conta. A nós, cabia fuçar. Ouvíamos, cheirávamos, apagávamos e ligávamos mil vezes o aparelho, observando atentamente o seu interior, o esqueleto exposto, e nada…

Não sei se a coisa demorou tanto, que se chegou a perder as esperanças. Mas sei que quando as primeiras transmissões finalmente entraram mais ou menos regularmente no ar, percebemos que havíamos sido logrados: o aparelho era uma porcaria. E como os adultos ainda suspeitavam que afinal a tal da televisão pudesse não ser aquilo tudo, a possibilidade de um novo aparelho sequer foi levantada. Acho que meu padrinho dessa vez iria se assegurar das chances daquilo funcionar antes de se jogar numa nova aventura de consumo. Então, com o defunto ali e sem solução – afinal, quem é que se interessaria por aquele trambolho? – a Bete teve mais uma de suas brilhantes idéias: que tal tirar aquela parte inútil das válvulas e fazermos dele um teatro? Como costumávamos fazer nosso teatro de sombras, com lençóis e lanternas…
E assim foi feito. Arrebanhamos todos os “atores” que pudemos pela casa: as marionetes feitas de papel machê, bonecas, bichos de pelúcia, coisas da casa, como caixas de fósforos, a lanterna do antigo teatro, etc. O público, como sempre, era composto pelos pais, avós, tios e visitas.
Ficamos de donas da telinha até a chegada do novo aparelho. Então, a Televisão começou mesmo a acontecer.
Meu avô, no entanto, nunca traiu o rádio; e, depois de algumas tentativas, voltou-se com fé renovada, e definitivamente, àquele.

CULTURA ou BARBÁRIE? por márcia denser / são paulo

 

Eleições 2010: cultura ou barbárie?


A adesão massiva da intelectualidade brasileira à candidata Dilma e ao governo Lula, aliás, do melhor ao mais popular da inteligência, arte e cultura produzidas no país nos últimos 50 anos – Niemeyer, Chico Buarque, Leonardo Boff, Ziraldo, Emir Sader, Fernando Morais, Chico Cesar, Wagner Tiso, Frei Beto, Alceu Valença, Alcione, Zé Celso Martinez Correia e tantos outros – sem contar as manifestações de apoio dos setores esclarecidos, além dos movimentos sociais e religiosos, nos deram uma idéia de quanto a sociedade repudia e se envergonha com a ofensiva obscurantista promovida por Serra & asseclas neste segundo turno.

 

Mas essa estratégia de despolitização radical adotada pelos tucanos, há tempos eu mesma considerava muito semelhante àquela vigente nos EUA – a da chamada “direita louca” (sobre esse ponto, vide as colunas Contra Lula & Obama, a mídia delira, outubro/2009, Bush & Sherazade, março/2008, Feras do Mar, fevereiro/2008. Em artigo, Antonio Martins, do blog Outras Palavras, divulgador do Le Monde Diplomatique Brasil (tanto o site como a revista desativados, insidiosa e silenciosamente, desde março de 2008 pela Folha), confirma minha suspeita ao identificar a campanha Serra como inspirada noTea-Party, a violenta ultra-direita norte-americana que ressurgiu após a eleição de Barack Obama, tendo Sarah Palin como figura emblemática.

 

Ela não se parece com a direita clássica norte-americana – que defende convictamente idéias conservadoras – algo impraticável e indefensável aqui, se pensarmos em nossas elites retro-coloniais, representadas pelo DEM e a bancada ruralista; nem se alinha com a direita neoliberal, cujo valor máximo é (ainda é) a supremacia dos mercados, mas reflete o atual impasse do capitalismo ocidental.

 

Depois de ter seu projeto de sociedade questionado e de tê-lo reciclado parcialmente nas décadas anteriores, as velhas elites em todo o mundo restam impotentes e esgotadas. Recapitulando: após 1968, sua associação com o conservadorismo foi abandonada, contudo a fé na mão invisível do mercado (que substituiu e revestiu o velho conservadorismo com a embalagem da “modernidade” contra a qual “não havia alternativa”) arruinou-se na crise pós-2008: as populações reagem negativamente (a exemplo da mobilização agora na França de 3,5 milhões de pessoas contra a reforma previdenciária de Sarkozy), tanto as globais, quanto as locais. Como resistir a tudo isso? Na impossibilidade de articulação de qualquer projeto positivo, convoca-se o ódio e o medo, ou seja, o irracional.

 

Martins observa que a idéia não é má, porque as tendências de ampliação da democracia e transformação social rearticularam-se há pouco, na virada do século, sobretudo na América Latina, sem tempo de enraizar-se no imaginário popular, sem o peso da experiência e da influência geopolítica que no passado tiveram a social-democracia e o socialismo real. Lula, Obama, Evo Morales, o Fórum Social Mundial, a sociedade civil global, as novas classes médias, a blogosfera, são fenômenos demasiado recentes.

 

Sem projeto para confrontar essas tendências voltadas para o futuro, a direita tea-party apela aos preconceitos passados.O objetivo é evitar o debate político e o choque entre projetos. Seu método é substituir o debate racional pela mobilização dos rancores. Seu poder não pode ser desprezado – especialmente em sociedades nas quais o acesso médio dos cidadãos à informação ainda é reduzido. Nos EUA, pesquisa recente mostrou que apenas um terço da população sabe que Barack Obama é cristão; 20% pensam que ele é muçulmano (!).

 

A candidatura Serra replica este padrão: jamais apresentou programa — nem à Justiça Eleitoral, nem aos eleitores; limita-se a desfiar uma série de promessas incoerentes e incompatíveis entre si. Ele já foi contra e a favor da renda cidadã e do programa habitacional do governo; diz que o Estado brasileiro tem uma dívida crescente (o que é falso) e ainda assim propõe cortar impostos dos ricos e, ao mesmo tempo, ampliar os benefícios pagos à maioria (contrariando toda a sua prática anterior). Ele tenta sepultar debates incômodos com repentes absurdos, contrários ao seu arco de alianças: em 12/10, dois dias depois de Dilma introduzir na campanha a questão das privatizações, prometeu reestatizar empresas…

 

Ainda segundo Martins, “a velha mídia jamais questiona estas incongruências. Mergulhada ela própria em crise, talvez deposite suas últimas esperanças numa contra-utopia orwelliana, num descolamento radical entre o discurso político e a realidade, em que a mediação jornalística assumiria por completo caráter de ficção e seria recompensada por isso… Como lhe falta um programa coerente, a direita tea-party apela para a desconstrução das candidaturas inimigas. Nos EUA, contra todas as evidências, Barack Obama é apontado como marxista e traidor da pátria – de nada lhe servindo, aliás, manter um orçamento militar superior ao de George W. Bush. No Brasil, o alvo é Dilma. A “nova” direita não ousa atacar nem a figura de Lula, nem o lulismo. Além de temer a popularidade do presidente, não tem projeto a contrapor. Por isso, sua preocupação central não é, sequer, destacar as possíveis qualidades de Serra – mas transformá-lo, por meio da eliminação política de sua adversária, numa espécie de candidato único.”

 

“A campanha de Serra articulou o lançamento incessante de boatos anônimos. Mobilizou a classe média conservadora e ressentida numa rede informal muito capilarizada. Imitando uma vez mais o exemplo norte-americano, apoiou-se (sob as vistas grossas da CNBB) no poder crescente que o fundamentalismo está conquistando no catolicismo institucional e em algumas seitas evangélicas.

 

Disparadas às dezenas de milhões, alegações inteiramente inconsistentes acabam adquirindo força, atingindo um público que se sensibiliza pelo tema em questão e acredita no argumento. A montagem dessa rede de boatos foi a função a que se dedicou o norte-americano de origem indiana Ravi Singh, sócio da transnacional de marketing político ElectionMall – que prestou consultoria por meses à campanha de Serra.”

 

No entanto, começou a acontecer uma espécie de milagre: a reação irresistível e em cadeia da sociedade que, exposta a uma insuportável avalanche de mentiras e preconceitos medievais, de características exclusivamente negativas, sem nada positivo como garantia além de promessas vazias, parece ter finalmente acordado, fazendo o feitiço se voltar contra o feiticeiro. Uma reação que já se reflete nas pesquisas: Dilma 51%, Serra 39%, abrindo entre ambos 12 pontos percentuais esta semana, quando na anterior já ocorria um empate técnico.

 

Este é o elemento de altíssimo risco na estratégia tea-party: a mesma violência cega com que irrompe, num movimento reflexo, agora se volta contra ela. E abruptamente se extingue, deixando atrás de si – além da constatação de que sempre será tênue a linha que nos separa da barbárie – um obsceno fosso de silêncio.

 

*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), A Ponte das Estrelas (1990), Toda Prosa (2002 – Esgotado), Diana Caçadora/Tango Fantasma (2003,Ateliê Editorial, reedição), Caim (Record, 2006), Toda Prosa II – Obra Escolhida (Record, 2008). É traduzida na Holanda, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Suiça, Argentina e Espanha (catalão e galaico-português). Dois de seus contos – O Vampiro da Alameda Casabranca e Hell’s Angel – foram incluídos nos 100 Melhores Contos Brasileiros do Século, sendo que Hell’s Angel está também entre os 100 Melhores Contos Eróticos Universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUCSP, é pesquisadora de literatura, jornalista e curadora de Literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

 

RECADOS para crianças e jovens – por alceu sperança / cascavel.pr

Nos tempos em que a Rádio Cidade de Cascavel, hoje Rádio Globo, tinha coragem de divulgar minhas provocações, escrevi muitas mensagens para crianças e jovens. Eis mais duas delas:

 

A mulher que inventou o celular

 

Toda vez que usamos um serviço ou um produto, raramente paramos para pensar em quem foi o grande sujeito que inventou essa forma de melhorar nossa vida.

O que aconteceu com os inventores?

No passado, eles em geral tinham sua invenções roubadas e morriam pobres e tristes por ver aquilo que eles criaram dando riqueza a outros.

Santos-Dumont se suicidou por ver o avião sendo usado em guerras.

É interessante a história do telefone celular.

A idéia foi de uma atriz chamada Hedy Lamarr, nascida na Áustria.

Ela desempenhou o papel de Dalila no cinema.

Seu rosto foi o modelo para Walt Disney desenhar a Branca de Neve.

Era casada com um nazista fabricante de armas e usou os segredos que descobriu, depois, para ajudar os Aliados a vencer os alemães.

Ela inventou sinais eletrônicos à distância para sinalizar a presença de submarinos.

Depois, pensou que esses sinais poderiam facilitar a comunicação à distância, recebidos por aparelhos móveis com numeração de canais.

E assim surgiram os celulares, que facilitam a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Hedy Lamarr, mesmo no meio de uma guerra, conseguiu perceber que ali havia algo de útil e assim teve a idéia de criar o telefone celular.

Isso há meio século passado.

 

Pobres borboletas!

 

Costuma-se dizer que pimenta, nos olhos dos outros, é refresco.

Mas a chuva, que nos refresca, é pimenta para as borboletas inglesas.

Se continuar chovendo forte no verão inglês, como tem acontecido, várias espécies de borboletas inglesas tendem a desaparecer.

Para elas, o refresco – aliás, a sobrevivência − será um verão com bastante sol.

O problema é que os ingleses, acompanhando a tendência dos países desenvolvidos em geral, não cuidaram do meio ambiente.

Por isso, choveu tanto que oito espécies de borboletas quase desapareceram.

E como a chuvarada tende a continuar verão após verão, pobres borboletas inglesas!

Como se sabe, é pela felicidade das borboletas voejando que se calcula a saúde da terra e das plantas sobre ela.

Borboletas felizes a voar pelos ares não fazem apenas um belo espetáculo a ser visto.

É um festival de vida e sobrevivência.

O que será de nós quando as borboletas, inglesas ou russas, americanas ou chinesas, argentinas ou brasileiras, desaparecerem por causa do aquecimento global e do descuido com a natureza?

Será, no mínimo, um aviso para a ameaça de nossa própria extinção.

Pobres borboletas, pobres de nós!

 

ZÉ SERRA, o olho das MULTIS no PRÉ-SAL, na PETROBRÁS e no MERCADO BRASILEIRO (190.000.000|) !!

“ELEITO eu controlo toda essa riqueza e me locupleto dela! uma pena que tenha que dividir com os DEMoníacos !!”

SERRA e a sua ambição, enganar o povo, mentir, mentir, mentir, armação para o programa de TV, equipe incompetente deixa furo. Ajuda da GLOBO (golpista) não conseguiu esconder a farsa !

FUMAÇA BRANCA NO BAR DE RICK – por delfino silva neto

Do lado de fora, como que flutua, o letreiro. O nome iluminado numa  bolha de néon, como se o lugar pudesse falar; como se fosse um personagem, o personagem principal de um filme.

Recebo a saudação do porteiro que usa um fez na cabeça. Meu olhar, em passos  longos e mudos, me ultrapassa. O bar fervilha de gente. À noite, é como um bordel onde as pessoas são a principal mercadoria. No centro um piano: músicas processando memórias.

Por um momento,  minha visão é bloqueada pelo braço de um garçom que passa e se afasta. Vejo de relance um homem, de perfil, sentado à mesa pondo  um cigarro entre os lábios, que o tragam em seguida. Meu andar  passa pelo porteiro à porta, pelo salão do bar comprido, até o santuário interno das roletas; até a mesa onde, diante de um tabuleiro de xadrez, um cinzeiro e um calendário, está o patrão. Que também fuma e pensa, enquanto o tempo passa. Aliás, todos fumam e bebem . Afinal, cigarros são sublimes. E o tempo passa. Alguns esperam, outros caçam. Enfim, a cidade é o lugar para esperar, esperar e esperar. Me sento à mesa e, lógico, também acendo um cigarro. À direita da porta, entram dois casais bem vestidos. Acompanho o progresso deles a uma mesa. Meu pensamento corre ligeiramente ao letreiro do bar e imediatamente volta. Dois oficiais americanos acompanhando uma mulher entram no bar seguidos por dois árabes desacompanhados.

O resto é preenchido  com imagens de taças de champanhe  sobre as quais pairam nuvens de fumaça cinza.Vistas de um ângulo ligeiramente mais baixo, as taças enfumaçadas captam toda luz do café. Quando sem ninguém esperar, de repente, ela chega. Vejo as suas costas nuas atravessando a porta. O  pianista, guardião do segredo e da inversão do tempo, quando ela entra ele ataca e toca “Love for Sale”.

– “Nunca pensei que a veria de novo, Srta Ilsa”. Muita água passou sob a ponte”, ele começa. Ela pede que ele toque  uma das “velhas músicas”. Ele tenta contentá-la com “Avalon”. Não é o que ela quer escutar. Toque “As Time Goes By ” diz, o que desperta no olhar de Rick ao longe, a busca do tempo perdido; desde a hora, cinco para as cinco no relógio da Gare de Lyon, em que ela de Paris não partiu com ele. Até agora.

Foi assim que começou. Naquela noite fiquei sabendo, que anos após viverem  intenso romance em momento inoportuno (apaixonaram-se no dia em que os alemães marcharam sobre Paris) um casal se reencontrou  em um bar de Casablanca. Foi assim que vi, ao vivo como se assim fosse, os detalhes da estória. Até o  final,  quando o dono do bar afasta-se na névoa do aeroporto de braços dados  com um outro, ao som dum crescendo da Marselhesa, falando do fálico  início de “uma nova amizade (?) ”.

Não interessa quem fica com quem ou se alguém fica só, sem ninguém. Qualquer final seria aceitável. A felicidade é uma isca na altura dos olhos. Tentar alcançá-la é o que conta.

Num  pouco de romance, em sonhos desfeitos, pitadas de frustrações, num rosto, num belo par de pernas a serviço do nosso erotismo; em promessas caídas do céu, em atitudes ambíguas nos perdemos, às vezes. Rosa púrpura do Cairo em Marrocos, naquela noite entrei na tela. E me perdi.  Nem me dei conta que era um filme.

Enfim, não é mais ou menos assim que a maioria gostaria de se ter, de se ver, de se projetar na tela de um cinema?

 

 

RUDI BODANESE e sua arte fotopoética / ilha de santa catarina

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ELEIÇÕES 2010 – FOLHA de SÃO PAULO – 20/10/2010 – 19h58 Ibope mostra Dilma com 56% dos votos válidos e Serra com 44% – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem 56% das intenções de votos válidos, enquanto José Serra (PSDB) está com 44%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira. Pelos votos totais, a petista tem 51% das intenções de votos totais contra 40% de José Serra (PSDB).

Alice no país das maravilhas do cinema – por josé delfino / natal


A leitura do livro de Lewis Carroll e as várias versões cinematográficas são, a um tempo, tão subjetivas e surreais que, cada leitor ou espectador, deveria atribuir o seu sentido próprio e pessoal.

Se deixar levar por Alice é a proposta.  E o modo  mais fácil seria  inferi-la  a partir de perceptibilidade  e emoção.  Pois elas, todas as Alices, à exaustão e em de diferentes modos,  não são  fiéis ao texto original. Ao todo, inacreditáveis  54 versões.

Cala, à primeira vista, vê-la aumentada de tamanho, em efeito especial primitivo. Movimentos labiais, numa tela muda. Um curta de Cecil M. Hepworth, produzido na Inglaterra de 1903, hoje disponível na Internet em cópia  mutilada. Dos doze minutos originais, quatro foram destruídos pelo tempo, restando apenas oito minutos, em mau estado de conservação.

Como numa vinheta, sem muita coerência narrativa, nele estão expostas em imagens toscas, as mais conhecidas passagens do livro: o jardim, o gato de Cheshire, o chapeleiro louco,  o coelho branco (muito parecido com James Duval, o Frank de “Donnie Darko”), sem levar em conta o único e inusitado visual da personagem principal já modelado, até hoje: uma Alice velha e feia, se comparada às que lhe sucederam.

Na última releitura, lançada no país em 2010, um longa de Tim Burton, o enredo continua no contra-fluxo e os paradoxos com a obra original se sucedem: no dia do noivado, ao perseguir um coelho, visto acidentalmente a correr no jardim, Alice entra mais uma vez no país das maravilhas, mas algo está diferente. As criaturas não são mais belas e mágicas.  São macabras, assassinas, melancólicas.

A adaptação animada de Hanna-Barbera, a “Alice no país das maravilhas ou o que uma menina legal como você está fazendo num lugar desses” do mesmo modo, não corresponde à idéia Carrolliana.

Uma adolescente chamada Alice, com a tarefa de escrever um livro sobre a sua homônima, acaba caindo no monitor de uma televisão, atrás do seu cachorro, e se descobre (imagine onde) envolvida com os mais conhecidos personagens da estória.

A verdade é que já se fez de tudo mas, para efeito de adaptação cinematográfica, a idéia de Lewis Carrol  é complexa. Afinal, é o maior poema surreal da literatura Inglesa.

Ele  próprio  reconhece no prefácio à edição do livro, em 1886: “Como Alice está prestes a ser encenada, e como os versos de “ É a voz da Lagosta” foram considerados demasiados desconexos para fins dramáticos, quatro versos foram acrescentados à primeira estrofe e seis à segunda, enquanto a ostra foi transformada numa pantera”.

No prefácio da edição de 1897, outra pista : “ Tendo recebido tantas perguntas sobre qual seria uma possível resposta para a “ Charada do Chapeleiro” (vide p. 89) acho melhor deixar aqui registrado o que me parece ser uma resposta bem apropriada. O corvo, como a escrivaninha, pode produzir algumas notas , embora sejam muito chatas, e nunca pode ser virado de trás para frente !. Mas isso é apenas uma idéia que me ocorreu mais tarde. A Charada, como foi originalmente inventada, não tinha resposta”.

Se referia ele, de maneira específica ( bem após Poe)  ao emprego da palavra “raven”, (corvo) que, invertida, soa comonever” (nunca). Há de se convir, uma  abordagem escrita quase impossível  de ser adequada à  linguagem visual do cinema.

A versão impressa começa com Alice seguindo um coelho branco de olhos cor-de-rosa até a sua toca, quando então ela se encolhe e se afogando numa poça de lágrimas se salva nadando com um camundongo. Conviverá,  a partir daí num clima de absoluta normalidade,em um mundo onde figuras antropomórficas  absurdas parecem normais: cartas de baralho, peças de xadrez, animais irracionais,discutem e falam.

O enredo, segundo alguns, uma sátira à sociedade  Vitoriana, como numa peça musical, vai num crescendo até o tutti orquestral, que antecede o final com requinte e esmero: o furto das tortas e o julgamento onde o réu parece ser o valete de copas, mas finda sendo a própria Alice que acorda no momento em que o sonho está se transformando em pesadelo.Atacada por um enxame de cartas de baralho ( na realidade, a irmã retirando algumas folhas caídas sobre o seu rosto); quando, então acorda, retorna do mundo do faz-de-conta  e,  supõe-se , guardará consigo as lembranças do país visitado em sonho.

A versão animada da Disney também não foge à regra. Desta feita, uma mistura temática de “Alice no país das maravilhas” e “ Alice no país dos espelhos”. Muitos detalhes escapam, mas me parece que é a melhor animação já feita.

Numa moldura surreal, as desventuras oníricas da anti-heroína lembram as de Gulliver e Dom Quixote, com uma diferença: Alice é uma criança e vive  suas aventuras em sonho e sempre só. A idéia que fica, em quem lê o texto original e vê as versões cinematográficas com atenção, pareceria sempre ser a de um  ensaio sobre a solidão. Pois  permeia em tudo  a sugestão do isolamento e da  incomunicabilidade. Até mesmo no relacionamento dela com a irmã ,que na vida real só se interessa em ler um livro “sem figuras e sem diálogo”.

Na verdade, o tema pareceria ser, de fato, a abordagem do “viver só” do ponto de vista surrealista. Uma inusual sátira pelo viés do ser e  não ser.

Duas curiosidades, apenas para chamar a atenção: na versão de 1933, é Gary Cooper quem faz o papel do cavaleiro esquisito. Na versão mais nova de Tim Burton, Johnny Depp é o chapeleiro louco, Michael Sheen, o coelho branco e Stephen Fry, o gato de Cheshire.

Algumas variações sobre tema e personagem conseguem transpor, de certo modo, a experiência verbal e intelectual do autor, como por exemplo, a sutil “Alice” de Woody Allen, a alegre, mas também desesperada, triste e solitária Alice (“Alice não vive mais aqui” )  de Scorsese até o descomedido “Dark Moon” de Louis Malle. Neste, a fábula em sua releitura pós-moderna e, talvez, definitiva.

No que  parece ser uma guerra de homens contra mulheres, uma adolescente, em traje masculino, foge  numa estrada, num carro em alta velocidade e encontra um bloqueio de homens com uniforme de guerra e máscara contra gás. Ela vê várias mulheres serem assassinadas. Fugindo depois, a pé, vai dar em um lugar singular. E, de novo, tudo se repete: a convivência entre seres humanos bizarros, animais que pensam e raciocinam e a figura mitológica do unicórnio.

Um  estrondoso fiasco de bilheteria.  Visto à época com desdém pela crítica, é um  filme de poderoso simbolismo.Um  exercício engenhoso na arte da racionalização e quase impossível para o expectador desarmado compreendê-lo. Desses filmes densos em que o enredo não remete ao sentido da lógica, quando o significado estético  é a intenção. Peça na qual o diretor consegue  imprimir, em imagem e som,  uma fascinante alucinação.

Um  sonho Carrolliano que descreve em metáfora  a relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado, num mundo para nós  diferente e familiar. Como o próprio Malle disse, como se fosse uma “Alice no país das maravilhas” moderno, não no papel, mas na tela de um cinema”.

CHICO BUARQUE na campanha da DILMA: “Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai.”

PEDRO BIAL na campanha de DILMA !

 

arte enviada por Marcelo Leite da VISION – publicidade.

JOGO DA VELHA – por jorge lescano / são paulo

 

Para Ana Salles

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Raimundo, complicado como o mundo, diz que isto não é solução. Ri, mas é o que basta. Um pouquinho mais para a direita, moço. Olhe onde está a marca de giz. No verão o sol bate bem em cima do risco. Depois eu dou um refresco pro senhor. Vamos ter todo o tempo do mundo pra discutir o assunto, Raimundo, primeiro o homem tem que fixar o móvel no lugar. Você sabe que eu espirro se o sol me bate no nariz. Deixe experimentar, sêo moço; que horas são? Bom, lá pelas tantas é que o sol chega até aqui. Se a gente encosta muito na parede a umidade mofa o estofado, se separa demais atrapalha a passagem da porta. O senhor acha que alguém pode carregá-la sem fazer barulho? Tem um guarda que ronda por aqui todas as noites, mas eu não pago ele. Não acha, não?  Deixe que me levante sozinha, o senhor não ficar aqui para sempre. Ótimo! Ficou no lugar certo. Muito obrigada. Ela é bonita, não é? De noite vai ficar encapada com o plástico da loja. Vai dormir só, mas não ao relento. O senhor que uma menta ou prefere algo mais forte? Calma, Raimundo, é só uma dosezinha! O moço fez um bom serviço e merece toda consideração de nossa parte. Não tá parecendo você, Raimundo, mesquinharia nunca foi seu esporte. Cadê seu jeito jeitoso em coisas de etiqueta? Tá bom, se ele convidar o santo dele você também ganha uma dose, certo? Assim que o homem sair a gente conversa

de pedra: o cachimbo na mão direita, a caixinha com areia para cuspir ao lado do pé esquerdo. Quando a cumprimento balança a cabeça. Duvido que lembre de mim. Pelo que sei, balança a cabeça para todos os que a cumprimentam, e aproveita o movimento para escarrar no quadrado da caixa. Tem gente assim? Parece um sonho antigo: meio esquecido. Se ao menos tricotasse, eu teria algo concreto com que preencher nossa vigília. Borda o tempo com fios de memória?

arriou como se a maré tivesse chegado de repente derretendo seus pés de areia. Ficou de bruços, com bunda de nenê dormindo. Olho a rua: ele deitado, convidando a qualquer um a lhe dar um chute, e até o cachorro sarnento da vizinha duvida se vale a pena cheirá-lo. Não abra a porta para ninguém!, a patroa saindo. O coitado nem teve tempo ou forças para tocar a campainha. Na sala, o retrato do violinista na moldura dourada e a rua solitária e fria. E as conseqüências, mulher?! Ora, se nosso senhor Jesus Cristo tivesse pensado nas conseqüências Maria Madalena não entrava na história! Abro a porta e desço a escada correndo para você mais uma vez

consciência de estar perdendo o tempo ao querer dizer o que não sei, e ainda que pudesse dizer algo, isto não acrescentaria nada a ninguém. Descarnar as coisas até ver o osso é a minha mania. Talvez fosse melhor deixar tudo com está: ela e eu, cada qual na sua casa. Agora é impossível recuar: cada movimento provoca um movimento de resposta, e isso é o que conto. O anel de pedra verde e ouro na mão direita poderia ser um ponto de partida. A mão, de pele transparente e labirintos azuis, os dedos finos de unhas longas e vermelhas poderiam ser outros tantos caminhos para chegar a ela. Porém

eu já te disse Laurinda: você não é boa de copo, mas você é teimosa como quê. Olha agora que papelão! Vai, abaixa a cabeça. Você e seus grã-finos! Não faz tanto barulho, diacho! Não tenha medo, vai firme que eu te seguro. Olha o que você fez no meu vestido! Isto vai dar encrenca, a madame vai perceber a falta dele. Vestido como este a gente não lava no tanque. Vai, porcalhona, vomita e caba logo com isso! Você só bebeu, ne? Não fez nenhuma bobagem lá no carro, fez? Não segura no meu vestido que amassa! Anda logo que o Raimundo tá me esperando. Diabo, ele vai pensar que estou grávida!

alarme falso! Por momentos cheguei a pensar que ela teria piedade de nós. Envolvê-la num triângulo amoroso poderia ser a minha vingança

eu não tenho mais marido, gemia e olhava com os olhos e as faces e o nariz vermelhos e molhados. Há, sim, um homem nesta casa. Um homem com o qual me avisto às vezes no corredor como navios em alto-mar. Ele volta da cozinha ou eu vou para o banheiro, e quem estiver com menos pressa cede a passagem ao outro. Sem falar, apenas se afastando. E quase sempre achamos algo interessante pára olhar no chão.De noite as portas se fecham e cada qual fica no seu mundo; outra vez Laurinda (Laurlinda!) olhou com cara de bode expiatório. Não, eu não! Entende? Eu fico tentando imaginar o que ele pode estar fazendo ou pensando: outra mulher, talvez. Você sabe que levou todos seus livros para o quarto? Fez lá seu universo de papel impresso. De dia fica com o rosto colado à janela olhando o outro lado da rua como se fosse um rio. Há algo morto em nossas vidas! Eu passo as noites me virando na cama, prestando atenção ao menor ruído que ele possa fazer; por trás do lenço o nariz soou com a primeira trompa da banda municipal. O ouço tossir, datilografar, mexer nos discos com seus irritantes concertos para violino, e como uma tonta espero que me chame ou ouvir seus passos na minha porta. Olha, praticamente comprei um enxoval novo! Fiz sinal para que fechasse a porta do guarda-roupa, o cheiro de naftalina me dá enjôo, você sabe. O que a senhora quer que eu faça?,eu disse para dizer qualquer coisa, Raimundo, você sabe que eu não tenho nada com a vida das madames. Aí ela me olhou do outro lado do horizonte, fez biquinho e ficou muda enquanto os olhos desaguavam nas bochechas

gostaria de saber o que pensa ao meu respeito, porque sei que ela também me observa, me interroga. Talvez tenhamos em comum muito mais do que admitimos. Uma coisa é certa: habitamos a mesma superfície plana de folhas cinza na tarde morta. Ela na sua casa, imóvel na varanda e eu encostado na vidraça

fotos até em velório.Essa é boa! Rico tem mania de história. O homem aponta para meu lado no momento em que me inclino sobre a testa do cadáver para o beijo de despedida, cuidando para não bater o nariz: pode ficar vermelho ou tirar o pó. Estico os lábios. Passa um século. A luz não acende, olho de relance: os olhos dos familiares dizem que estou de mais. Escancaro a boca: a luz do flash inunda minha goela, alaga meu umbigo

poderia batizá-la com o nome que eu quisesse, e este nome, falso no início, como todos os nomes, ganharia significado para nós a partir dela. Posso, também, recuperar alguma tristeza conhecida que te sensibilize ao ponto de que deixes cair sobre as palavras uma lágrima gorda e quente, enquanto pensas que soube encontrar o caminho do teu coração. E seu eu atravessasse a rua? Sim: violar as regras sentindo no peito a vertigem do abismo ao saltar contra o vento do alto do rochedo onde o violino trina uma velha canção de amor sobre a espuma esverdeada batendo nas pedras do fiorde a meus pés, sabendo que nada sei dessas carícias líquidas e aveludadas que alguma vez a percorreram, reclinada molemente, nua entre lençóis e rendas e perfumes dos pinheiros na floresta o uivo do lobo rompe o eco do silêncio e novamente sou um outro, distante e nada posso fazer para me aproximar: ela continua entrincheirada em sua mudez de estátua estática e atemporal esfinge no crepúsculo a sombra a recolhe na varanda.

para nós acabou-se mais um dia, Raimundo: mais um rascunho a ser guardado: outra charada para a noite branca e longa a ser preenchida

FHC ESTÁ ACERTANDO A VENDA DO BRASIL EM FOZ DO IGUAÇU. NESTE MOMENTO 17/10 as 21:20

Laerte Braga – enviado por email

Neste momento que escrevo, domingo, 17/10, 21h31m, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está falando, em inglês, para 150 investidores estrangeiros no Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. O evento é fechado, a fala de FHC está se dando em um jantar e o assunto é a privatização da PETROBRAS, de ITAIPU e do BANCO DO BRASIL, além de outras “oportunidades” de negócios no Brasil. FHC está assumindo com os empresários o compromisso de venda dessas empresas em nome de José FHC Serra. A idéia inicial dos organizadores de realizar o evento no Hotel Internacional foi afastada para evitar presença de jornalistas. Cada um dos investidores recebeu uma pasta com dados sobre o Brasil, artigos de jornais nacionais e internacionais e descrição detalhada do que José FHC Serra vai vender se for eleito. E além disso os investidores estão sendo concitados a contribuir para a campanha de José FHC Serra, além de instados a pressionar seus parceiros brasileiros e a mídia privada a aumentar o tom da campanha contra Dilma Roussef. Segundo FHC disse a esses empresários logo após ser apresentado pelo organizador do evento, “se deixarmos passar a oportunidade agora jamais conseguiremos vender essas empresas”. Para o ex-presidente é fundamental a participação desses grupos na reta final de campanha. A avaliação de FHC é que a campanha de Dilma sofreu um golpe com a introdução do tema religioso (o que foi deliberado pelos tucanos para desviar a atenção das pessoas dos reais objetivos do candidato José FHC Serra). É preciso, na concepção do ex-presidente arrematar o processo derrotando a candidata e impedindo-a de respirar nessa reta final. O acordo com empresários internacionais em Foz do Iguaçu envolve a instalação de uma base militar norte-americana na região, desejo antigo dos governos dos Estados Unidos. O corretor da venda do Brasil, FHC, com toda certeza, está acertando também a comissão (propina) a ser paga caso o negócio venha a se concretizar, ou seja, a eleição de José FHC Serra. Para o ex-presidente também não há grandes problemas com a mídia privada “sob nosso controle”, mas é preciso evitar a divulgação de notícias mesmo que sejam pequenas ou de pequenos fatos e que possam prejudicar o projeto de venda do Brasil. Esse tipo de evento, essa fala de FHC é característica da fala de agente estrangeiro e mostra a desfaçatez tucana em relação ao Brasil e aos brasileiros. No mesmo momento em que o corrupto e venal José FHC Serra debate com Dilma Roussef na REDE TEVÊ e fala sobre trololós petistas, FHC, seu mentor e principal corretor de vendas de empresas públicas brasileiras, negocia traiçoeiramente a entrega de patrimônio público a esses investidores. É a opção que os brasileiros temos diante de nós. Ou caímos de quatro e abrimos mão de nossa soberania ou resistimos e rejeitamos a quadrilha tucana. Desafio qualquer tucano, qualquer DEM, qualquer pilantra tipo Roberto Freire, quem quer que seja, a desmentir esse fato. O evento em FOZ DO IGUAÇU e sua natureza, a venda do BRASIL!

o agora “CORRETOR” de empresas brasileiras FERNANDO HENRIQUE “‘esqueçam o que escrevi” CARDOSO. enfim assumiu seu verdadeiro papel.

Mais nomes de participantes do evento. As notícias chegam a conta-gotas, pois os traidores montaram um esquema de segurança para evitar que a venda do Brasil possa ser testemunhada por cidadãos decentes.

Aí vão:

Raphael Ekmann

Alice Handy

Keith Johnson

Anjum Hussain, CFA, CAIA

O organizador do evento é Raphael Eckmann – Investor Relations at Tarpon Investment Group São Paulo e região, Brasil

Experiência de Raphael Eckmann

Investor Relations

Tarpon Investment Group

(Setor Serviços financeiros)

O agente estrangeiro que organizou o evento em Foz do Iguaçu, Hotel das Cataratas, onde FHC está acertando a venda da PETROBRAS, de ITAIPU e do BANCO DO BRASIL é RAFHAEL EKCMANN, que no momento ocupa o cargo de COMMERCIAL MANAGER da GLOBOSAT (serviços financeiros).

A GLOBO está no meio, é sócia do grupo MURDOCH na GLOBOSAT.

E, enquanto isso, José FHC Serra vai mentindo e distraindo o povo brasileiro. FHC comete a traição pelas costas e seu pupilo mente na REDE TEVÊ. O ex-presidente continua falando aos investidores no jantar no Hotel das Cataratas.
É um fato grave, um ato de traição.

A propósito, não custa lembrar que, em 2002, o então presidente FHC mandou o BNDES dar à GLOBO 250 milhões de dólares, numa assembléia de aumento de capital da GLOBOSAT, além de encaminhar ao Congresso a proposta de participação de capital estrangeiro em empresas de rádio e televisão, como parte do acordo para que a rede apoiasse José FHC Serra.

Estão de volta os bandidos. Tentando tomar o Brasil a qualquer custo.

A MATEMÁTICA DA BOLHA DE SABÃO – por omar de la doca / são paulo

 

 

Para suportar o fardo,

tive que me multiplicar em muitos.

E me perguntam como nos  suporto.

E rimos, eu e os outros.

Sou muitos, mas sou um só.

Somos crianças, estrangeiros , mar e vento.

Dividimos os pesares para que fiquem mais leves,  palatáveis.

Sem aquela da maior parte,

Que desta arte entendo.

E vamos somando as pequenas conquistas diárias,

As pequenas alegrias.

Os desafios vamos conquistando, sem os subtrair de mim.

Vamos calculando a vida com cuidado.

Sem calculadora científica.

As porcentagens não me favorecem mais.

Com cuidado, sigo. Braços abertos para o equilíbrio.

Seguindo sempre.

Soprando a bolha de sabão.

 

NOVAS MENSAGENS ÀS CRIANÇAS – por alceu sperança / cascavel.pr

Em programa da antiga Rádio Cidade de Cascavel, hoje Rádio Globo Cascavel, lá estava eu metido a me comunicar com crianças e adolescentes. Veja alguma coisa que despejei naqueles ouvidos inocentes, hoje adultos:

O adesivo milagroso

No impressionante filme 2035, uma pessoa ferida recebe sobre a machucadura um adesivo, que é aplicado e retirado imediatamente, um segundo depois.

Quando o adesivo sai, o machucado já desapareceu.

Coisa de cinema, não é mesmo?

É certo que os band-aids da atualidade no máximo protegem os ferimentos de mais danos.

São insatisfatórios como curativos e a humanidade está sempre em busca de algo melhor.

Mas a verdade é que a idéia de um adesivo que possa curar mais do que os atuais band-aids não é tanta fantasia assim.

A Universidade de Campinas patenteou recentemente um processo de aprimoramento do adesivo cirúrgico, muito utilizado em suturas cirúrgicas.

O novo processo acelera a cicatrização e contribui para  reduzir processos inflamatórios e infecciosos depois das cirurgias, principalmente em suturas que envolvam veias e artérias.

Também não é coisa de cinema informar que a inovação foi criada por uma aluna do Instituto de Química da universidade – Fernanda Ibañez Simplício.

Claro, imediatamente os professores apoiaram e ela recebeu uma bolsa do Instituto do Coração de São Paulo para continuar as pesquisas.

Também é claro que as indústrias já estão pensando em lançar comercialmente o adesivo de cinema criado pela jovem estudante brasileira.

A comida viajante

Sem qualquer dúvida, a humanidade tem evoluído com o tempo.

Mas há coisas que nos fazem duvidar disso.

O cientista americano David Orr fez um estudo mostrando que na antiguidade um camponês gastava uma caloria para produzir 50 calorias de alimentos.

Era como gastar um real e ganhar 50.

Hoje, gastamos 17 calorias para produzir uma caloria de comida.

Se a gente pensar bem é algo como você gastar 17 reais para ganhar um só real.

Muita burrice, não é mesmo?

Por que esse tamanho desperdício acontece?

Porque no passado a comida era produzida no mesmo local em que era consumida. Hoje, ela viaja em média dois mil e quinhentos quilômetros antes de ser consumida.

O engenheiro Miguel Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observa que o tomate que o gaúcho come é produzido em Santa Catarina, mas antes vai passear em São Paulo.

Volta a atravessar todo o Estado do Paraná e o de Santa Catarina para só então chegar à mesa dos gaúchos.

Claro que uns e outros vão ganhando dinheiro nesse passeio.

Mas a maior parte dessa grana não chega ao bolso do produtor, embora saia sempre do bolso do consumidor.

Com isso, para sair da terra e chegar ao consumidor, o produto vai acumular um enorme gasto de energia.

Não é inteligente, não é sábio, mas é assim que as regras do jogo do mercado capitalista funcionam: dando lucro, está valendo.

Há também um enorme gasto de energia aplicada na produção de soja, destinada a alimentar o gado europeu, lá do outro lado do oceano.

Estes são apenas dois casos de gastos errôneos de energia.

Mas enquanto alguém ganhar dinheiro com alguma coisa, mesmo sendo errada, a farra continua.

Por isso precisamos estar sempre refletindo sobre os nossos atos.

Eles são corretos, ou os cometemos porque é costume encalacrado, mesmo que nos custe a paz, a segurança e a saúde?

ELEIÇÕES 2010: “O SUICÍDIO DE GÊNERO” por marisa meliani / são paulo

Não basta desqualificar o voto do pobre, é preciso também  desmerecer a capacidade da mulher na política e no exercício do poder.

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do jornal O Estado de São Paulo por ter escrito um artigo no qual procura desmistificar essa onda na internet que prega a desqualificação do voto dos eleitores das camadas mais pobres do país, especialmente aqueles que dependem do Bolsa Família para se alimentar.

No fundo, o pensamento dessa onda, que reclama da falta de profissionais no mercado para exercer os cargos de porteiro de edifício ou de empregada doméstica, por culpa das políticas sociais do governo Lula, resume a visão tosca que se propaga e contamina até jovens que deveriam desenvolver uma postura mais idealista e tolerante, como seria a ordem natural das coisas. E o pior: essa aberração é apoiada por pseudointelectuais, artistas vaidosos e outras matracas movidas pela ânsia de manter uma imagem up to date diante dos amigos da turma.

Tudo bem. Trata-se de questão de classe, cuja disseminação é garantida pela repartição ilegítima do controle dos grandes meios de comunicação ou do acesso à internet – lembrando que é esta mesma visão classista que aponta o dedo ao presidente Lula e desconsidera o direito de um operário ter se tornado presidente da República.

Mas, ao lado dessa arrogância, que pretende manter os mais pobres na lotação e não dentro do seu próprio automóvel, uma outra onda, muito mais capciosa, toma conta dos discursos nas redes sociais nesta eleição. É a questão de gênero.

O que mais se vê nessas novas mídias são adjetivos do tipo: gorda, feia, velha, cara de fuinha, bruxa, bruaca, baranga, terrorista e por aí vai. Fico pensando no que sente Dilma Rousseff, enxergando-a como qualquer outra mulher diante de tantas ofensas. Contudo, esta mulher, em particular, é candidata ao mais alto cargo do país, acabou de sair de um tratamento contra o câncer, está com o pé emoldurado por uma tala e percorre o Brasil em busca da manutenção de um projeto que insere, em fatos e números, as camadas mais pobres da população no espaço que chamamos de cidadania.

Não quero discutir aqui as questões de corrupção, amplamente identificadas nos dois governos FHC e Lula, ou no governo estadual paulista capitaneado pelo Sr. José Serra. A ética é uma condição que se firma, essencialmente, na consciência humana individual, antes de obter ressonância nos espaços públicos. E embora ela não seja a virtude mais cultivada por nossos políticos, é da ética pessoal que quero tratar aqui, como um protesto contra o retrocesso e um chamamento contra a obscuridade do pensamento retrógrado, atrasado e machista por excelência.

Os jovens que não viveram a ditadura militar em nosso país não têm ideia de como a militância de Dilma Rousseff nos grupos de esquerda foi importante para que eles vivam hoje em plena democracia. Rotular a candidata de “terrorista” e dar anuência para que a imprensa use esse argumento para detratá-la é uma ofensa a todos que sofreram ou morreram nos porões da ditadura. Uma pessoa, qualquer delas, que arriscou a própria vida para livrar o país dos horrores da verdadeira falta de liberdade – principalmente a de imprensa, da qual tanto se fala – merece respeito. E deve orgulhar-se de sua coragem.

Parte da imprensa, cooptada e venal, na afobação de garantir a vitória de seu candidato também dá ampla repercussão a questões de foro íntimo, como o direito ao aborto, à união civil entre homossexuais, de crenças religiosas e outras que deveriam ser tratadas em plebiscitos ou no âmbito dos grupos diretamente interessados, na forma de pressão sobre o Legislativo. Jogo sujo, claro. E ganhar assim não é bom para ninguém, muito menos para a democracia.

Estamos a poucos dias do segundo turno. Confesso que, desiludida com a política, preguei o voto nulo no primeiro turno, mas, felizmente, mudei de posição assim que detectei essa onda de intolerância que toma corpo e invade a mente dos mais ingênuos. Desejo profundamente que o debate suba alguns degraus e aborde os temas que realmente interessam ao nosso país e à população. Que se compare realizações, com números e estatísticas, dos dois grupos postulantes ao poder. Que se apresente os projetos para a continuidade de um processo de desenvolvimento sustentável em plena ascensão. Que se insira a questão ambiental dentro do tripé em que ela deve estar, ou seja, de forma integrada ao progresso econômico e socialmente justo.

Independentemente dos resultados no segundo turno, Dilma Rousseff merece o respeito e a admiração de todos que lutam contra a opressão e a intolerância. A possível primeira mulher presidente do Brasil é dona da beleza que todas as mulheres e homens possuem, que é a da vida examinada, com tentativas, erros e acertos. Vamos dar um basta às ofensas que, endereçadas à candidata, atingem a própria essência da condição humana.

Dedico este texto a todas as mulheres, mães, arrimos de família, trabalhadoras, de todas as idades, dos grandes centros urbanos ou dos rincões mais miseráveis do país. Lembro que a verdadeira vitória que comemoraremos juntas será a derrubada dos estereótipos que tentam nos impingir para nos humilhar, diminuir a nossa força e nos convencer de que somos incapazes de exercer o poder. 

 

jornalista e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA-USP

CHARLES BAUDELAIRE (1821 – 1867) – por danilo corci

 

O homem que mudou a literatura moderna. Definir o francês Charles Baudelaire somente desta maneira não seria correto. Ficaria muito aquém de sua verdadeira importância. Tradutor, poeta, crítico de arte e literato, Baudelaire foi o ponto alto do século 19 nas letras.

Charles foi o único filho de Joseph-François Baudelaire e de sua jovem segunda esposa, Caroline Archimbaut Defayis. Seu pai havia sido ordenado como padre quando neófito, mas largou o ministério durante a revolução francesa. Trabalhou como tutor dos filhos do duque de Choiseul-Praslin, o que lhe proporcionou um certo status. Ganhou dinheiro e respeito e aos 68 anos se casou com Caroline, então com 26. Vivendo num orfanato e já passada da idade de se casar, ela acabou por não ter opção. Em 1819, se casaram. Charles-Pierre Baudelaire veio ao mundo um ano e meio depois, em 9 de Abril de 1821.

Seu pai era um admirador das artes. Pintava e escrevia poesias. E insistiu para que o filho seguisse o caminho. Baudelaire, anos mais tarde, se referiu à sofreguidão do pai como “o culto das imagens”. Mas a convivência entre ambos durou pouco. Em fevereiro de 1827, Joseph-François Baudelaire faleceu. O jovem Charles e sua mãe tiveram que se mudar para o subúrbio de Paris para não terem problemas financeiros. Em um de seus textos de 1861, Charles escreveu para a mãe: “Eu estive sempre vivo em você. Você foi totalmente minha”. Este tempo de convivência terminou quando Caroline se casou com o soldado Jacques Aupick, que conseguiu se tornar general e mais tarde serviu como embaixador francês para o Império Otomano e para Espanha, antes de se tornar senador do Segundo Império.

A vida acadêmica de Baudelaire começou no Collège Royal em Lyon, quando Aupick levou a família inteira ao assumir um cargo na cidade. Mais tarde, ele foi matriculado no Liceu Louis Le Grand, quando retornaram a Paris em 1836. Foi justamente ai que Baudelaire começou a se mostrar um pequeno gênio. Escrevia poemas, que eram execrados por seus professores, que acham que seus textos eram um exemplo de devassidão precoce, afeições que não eram normais em sua idade. A melancolia também dava sinais no jovem Charles. Aos poucos, ele se convenceu de ser um solitário por natureza. Em abril de 1839, acabou expulso da escola por seus atos de indisciplina constantes.

Mais tarde, ele se tornou aluno da Escola de Droit. Na verdade, Charles estava vivendo de maneira livre. Fez os seus primeiros contatos com o universo da literatura e contraiu uma doença venérea que o consumiu durante a vida inteira. Tentando salvar seu enteado do caminho libertino, Aupick o enviou para uma viagem à Índia, em 1841, uma forte inspiração para sua imaginação, e que trouxe imagens exóticas ao seu trabalho. Baudelaire retornou a França em 1842.

Neste mesmo ano, ele recebeu sua herança. Mas como dândi que era, consumiu rapidamente a pequena fortuna. Gastou em roupas, livros, quadros, comidas, vinhos, haxixe e ópio. Os dois últimos, um vício adquirido após consumir pela primeira vez entre 1843 e 1845, em seu apartamento no Hotel Pimodan. Pouco depois deste seu retorno, ele conheceu Jeanne Duval, a mulher que marcou definitivamente a sua vida. A mestiça primeiro se tornou sua amante e mais tarde, controlou sua vida financeira. Ela ira ser a inspiração para as poesias mais angustiadas e sensuais que o poeta escreveu. Seu perfume e o seus longos cabelos negros foram o mote da poesia erótica “La Chevelure”.

Charles Baudelaire continuou levando sua vida extravagante e em dois anos dilapidou todo o seu dinheiro. Também se tornou presa de agiotas e bandidos. Neste período, acumulou dívidas que o assombraram para o resto da vida. Em setembro de 1844, sua família entrou na justiça para impedi-lo de mexer no pouco dinheiro da herança que ainda sobrava. Baudelaire perdeu e acabou recebendo somas anuais, que mal dava para manter o seu estilo de vida e muito menos para pagar o que devia. Isto o levou a uma dependência brutal de sua mãe e ao ódio de seu padrasto. Seu temperamento isolacionista e desesperador, fruto de sua adolescência conturbada e que ele apelidou de “spleen” retornou e se tornou cada vez mais freqüente.

Após a sua volta a França, ele decidiu se tornar um poeta, a qualquer custo. De 1842 a 1846, ele compôs que mais tarde foram compilados na edição de “Flores do Mal” (1857). Baudelaire evitou publicar todos estes poemas separadamente, o que sugere que ele realmente tenha arquitetado em sua mente uma coleção coerente, governada por uma temática própria. Em outubro de 1845, compilou “As Lésbicas” e em 1848, “Limbo”, obras que representam a agitação e a melancolia da juventude moderna. Nenhuma das duas coleções de poemas foram lançadas em livros e Baudelaire só foi aceito no circuito cultural de Paris porque também era crítico de arte, trabalho que exerceu por um bom tempo.

Inspirado pelo exemplo do pintor Eugène Delacroix, ele elaborou uma teoria da pintura moderna, convocando os pintores a celebrarem e expressarem o “heroísmo da vida moderna”. O mês de janeiro de 1847 foi importante para Baudelaire. Ele escreveu a novela “La Fanfarlo”, cujo o herói, ou melhor, anti-herói, Samuel Cramer, um alter-ego do autor, oscila desesperado entre o desejo pela maternal e respeitável Madame de Cosmelly e o erótico pela atriz e dançarina Fanfarlo. Com este texto, Baudelaire começava a chamar a atenção, mesmo que timidamente.

Este anonimato acabou-se em fevereiro de 1848, quando participou de manifestações para a derrubada do Rei Luís Felipe e para a instalação da Segunda República. Consta que comandou um violento ataque contra o general Aupick, seu padrasto, então diretor da Escola Politécnica. Este acontecimento leva vários especialistas a minimizarem a participação do do poeta burguês nesta revolução, já que seus motivos não seriam sociais e políticos mas sim pessoais, que ainda não havia publicado nada. Porém, estudos recentes assumem uma veia política brutal em Baudelaire, em especial sua associação com o anarquista-socialista Pierre-Joseph Proudhon. Sua participação na revolta de proletários em junho de 1848 é comprovada e também na resistência contra os militares de Napoleão 3º, em dezembro de 1851. Logo após este episódio, o poeta declarou encerrado seu interesse em política e voltou toda a sua atenção para seus escritos.

Em 1847, ele descobriu um escritor norte-americano obscuro: Edgar Allan Poe. Impressionado pelo que leu e pelas similaridades entre os escritos de Poe com seu próprio pensamento e temperamento, Baudelaire decidiu levar a cabo a tradução completa das obras do norte-americano, trabalho este que lhe tomou boa parte do resto de sua vida. A tradução do conto “Mesmeric Revelation” foi publicado em julho de 1848 e depois, outras traduções apareceram em jornais e revistas antes de serem compiladas no livro “Histórias Extraordinárias” (1856) e “Novas Histórias Extraordinárias” (1857), todas precedidas por introduções críticas feitas por Charles Baudelaire. Depois se seguiu “As Aventuras de Arthur Gordon Pym” (1857), “Eureka” (1864) e Histórias Grotescas” (1865). Como tradução, estes trabalhos foram clássicos da prosa francesa, e o exemplo de Poe deu a Baudelaire uma confiança em sua própria teoria estética e ideais para a poesia. O poeta também começou a estudar o trabalho do teórico conservador Joseph de Maistre, que, junto com Poe, incentivaram seu pensamento a ir numa direção antinaturalista e anti-humanista.

Do meio de 1850, ele iria se pronunciar arrependido de ser um católico romano, apesar de manter sua obsessão pelo pecado original e pelo demônio. Tudo isto sem a fé no amor e perdão de Deus, e sua crença em Cristo se rebaixou tanto a ponto de praticamente não existir mais.

Entre 1852 e 1854, ele dedicou vários poemas à Apollonie Sabatier, sua musa e amante apesar da reputação de cortesã da alta-classe. Em 1854, Baudelaire manteve um caso com a atriz Marie Daubrun. Ao mesmo tempo, sua fama como o tradutor de Poe aumentava. O fato de ser crítico de arte permitiu que publicasse algum de seus poemas. Em junho de 1855, a Revue des Deux Mondes publicou uma sequência de 18 de seus poemas, com o título de “As Flores do Mal” (“Le Fleurs du Mal”). Os poemas, que ele escolheu pela originalidade e pelo tema, lhe trouxeram notoriedade. No ano seguinte, Baudelaire fechou um contrato com o editor Poulet-Malassis para uma coleção completa de poemas sob o título prévio.

Quando a primeira edição do livro foi publicado em junho de 1857, 13 dos 100 poemas foram imediatamente acusados de ofensas à religião e à moral pública. Um julgamento foi feito no dia 20 de agosto de 1857 e 6 poemas foram condenados a serem retirados da publicação sob a acusação de serem obscenos demais. Baudelaire foi multado em 300 francos (mais tarde, reduzido a 50 francos). Em 1866, na Bélgica, os seis poemas foram republicados sobre o título de “Les Èpaves”. A proibição dos poemas só foram retirados da França em 1949. Como toda polêmica sempre é benéfica, “As Flores do Mal” se tornou um marco por sua obscenidade, morbidez e devassidão. A lenda de Baudelaire como um poeta maldito, dissidente e pornográfico nasceu.

Porém, as vendagens não foram nada boas. Baudelaire nutria uma expectativa gigantesca pelo sucesso, o que não aconteceu e imediatamente se tornou amargo. Os anos que vieram transformaram Baudelaire numa personalidade soturna, assombrado pelo sentimento de fracasso, desilusão e desespero. Após a condenação de seu livro, ele se juntou com Apollonie Sabatier e a deixou em 1859 para retomar seu relacionamento com Marie Daubrun, novamente infeliz e fracassado. Apesar de ter escrito alguns de seus melhores trabalhos nestes anos, poucos foram publicados em livro. Após a publicação de experimentos de prosa em verso, ele se concentrou numa segunda edição de “As Flores do Mal”.

Em 1859, enquanto vivia novamente com sua mãe, perto do rio Sena, onde ela se mantinha reclusa após a morte de Aupick em 1857, Baudelaire produziu uma série de obras-primas da poesia, começando com “Le Voyage” em janeiro e culminando no que é considerado seu melhor poema, “Le Cygne”, em dezembro. Ao mesmo tempo, compôs dois de seus mais provocativos ensaios de crítica de arte: “Salon de 1859” e “Os Pintores da Vida Moderna”. Este último, inspirado por Constantin Guys, é visto como uma declaração profética dos elementos do Impressionismo, uma década antes do surgimento da escola.

Em 1860, publicou “Os Paraísos Artificiais”, uma tradução de partes do ensaio de “Confissões de um Inglês Comedor de Ópio”, de Thomas De Quincey, acompanhado por sua pesquisa e análise das drogas. Em fevereiro de 1861, uma segunda edição, maior e ampliada, de “As Flores do Mal” foi publicada por Poulet-Malassis. Ao mesmo tempo, publicou ensaios críticos sobre Theophile Gautier (1859), Richard Wagner (1861), Victor Hugo e outros poetas contemporâneos (1862), e Delacroix (1863). Estes textos seriam compilados em “A Arte Romântica”, em 1869. Os fragmentos de sua autobiografia entitulada “Fusèes”e “Mon Coeur Mis à Nu” também foram lançados entre 1850 e 1860. É também desta época seu ensaio onde afirma que a fotografia era um engodo, que aquela nova forma nunca seria arte. Mais tarde, o poeta se arrependeu e voltou atrás em suas declarações e chegou a ser retratado por Félix Nadar.

Em 1861, Baudelaire tentou se eleger à Academia Francesa mas foi fragorosamente derrotado Em 1862, Poulet-Malassis faliu e ele foi implicado na falência, o que piorou sua condição financeira. Seus limites mentais e físicos atingiram o topo. Ele definiu aquele momento como “o vento das asas da imbecilidade que passou por minha vida”. Abandonando a poesia, ele foi fundo na prosa em versos. Uma sequência de 20 de seus trabalhos foi publicada em 1862. Em abril de 1864, ele deixou Paris para se instalar em Bruxelas, onde tentaria persuadir um editor belga a publicar suas obras completas. Lá ficou, amargurado e empobrecido até 1866, quando após um ataque epilético na Igreja de Saint-Loup at Namur, sua vida mudou. Baudelaire teve uma lesão cerebral que lhe ocasionou afasia (perda da capacidade de compreensão e de expressão pela palavra escrita ou pela sinalização, assim como pela fala) e paralisia. O dândi nunca mais se recuperou. Retornou a Paris no dia 2 de julho, onde ficou em uma enfermaria até sua morte. Em 31 de agosto de 1867, aos 46 anos, Charles Baudelaire morreu nos braços de sua mãe.

Quando a morte o visitou, Baudelaire ainda mantinha vários de seus trabalhos não publicados e os que já haviam saído estavam fora de circulação. Mas isto rapidamente mudou. Os líderes do movimento Simbolista compareceram ao seu funeral e já se designavam como seus fiéis seguidores. Menos de 50 anos após a sua morte, Baudelaire ganhou a fama que nunca teve em vida: havia se tornado o maior nome da poesia francesa do século 19.

Conhecido por sua controvérsia e seus textos obscuros, Baudelaire foi o poeta da civilização moderna, onde suas obras parecem clamar pelo século 20 ao invés de seus contemporâneos. Em sua poesia introspectivaele se revelou como um lutador a procura de deus, sem crenças religiosas, procurando em cada manifestação da vida os elementos da verdade, de uma folha de uma árvore ou até mesmo no franzir das sobrancelhas de uma prostituta. Sua recusa em admitir restrições de escolha de temas em sua poesia o coloca num patamar de desbravador de novos caminhos para os rumos da literatura mundial.

Fontes: – Enciclopédia Britannica – Site da Universidade de Londres

 

 

“SE UMA MULHER CHEGAR NO HOSPITAL PÚBLICO APÓS O ABORTO O ESTADO CUIDA OU PRENDE?”

A PERGUNTA É ESTA, QUE RESPONDAM TODOS, CRISTÃOS OU NÃO.

MONICA SERRA.

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a ambição do casal é ENORME. veja o “santinho do serra” é o máximo da hipocrisia!

Monica Serra mata criancinha !!

BELEZA DE SALÃO por eduarda freitas / lisboa

Os trovões rasgam o céu. São quatro da tarde. Num movimentado salão de cabeleireiro de Havana, os secadores estão ligados. Pintam-se unhas, aplicam-se desenhos e flores numa complexidade de manicura muito pouco prática. Massajam-se pés enfiados em bacias de água. O que está na moda, neste salão de Havana, é esticar o cabelo. Transformar o doce volume de cabelos frisados em cabelos escorridos, lisos. Na sala ao lado, António faz depilações. Meia-perna e axilas, 10 CUCs. Com cera de mel. E conta a vida. Esquece-se das pernas da mulher que o ouve, entregues à cera quente, enquanto fala, enquanto engendra formas de sair, preso a um talvez. Talvez casar com uma turista, talvez ir para a Europa, talvez elas gostem de homens altos. Como ele. Na sala onde se fazem os penteados, as mulheres têm meias de vidro enfiadas na cabeça. Estão debaixo dos secadores. Parece que foram engolidas por chapéus gigantes, muito quentes. A água escorre pelo corpo. Os olhos embaciam-se de suor e impaciência. Algumas têm nas mãos umas quantas revistas Hola de datas muito para trás, de ditos e desditos escritos em páginas de um cor-de-rosa já velho, desbotado. Os raios sacodem os enormes secadores de cabelo, fixos ao chão. Da porta do velho cabeleireiro, vê-se a chuva a cair. Havana parece ter mergulhado no mar. Escorregue-se de água, de gente, de carros. O céu está muito bravo. Mais logo, sem pressa, a tempestade vai passar. Dentro do calor dos secadores, acredita-se. Espera-se. Já se sabe, é sempre assim. Pelo olhar das mulheres, não se diz, mas percebe-se, que os esticados cabelos não vão resistir à humidade do ar. Quase de certeza que vão assumir a rebelde ondulação de sempre. E talvez mesmo o verniz das unhas fique estalado. É normal…com tanta chuva! Mas a tempestade vai passar. Passa sempre. E no Aeroporto Internacional Jose Marti, a fila de turistas que cresce para o voo da noite, com destino à Europa, não precisa de se preocupar. Há sempre um cubano que o garante. Que sorri.

 

Eduarda Freitas

Eduarda Freitas é jornalista da RTP – Rádio e Televisão de Portugal – e colaboradora do jornal português EXPRESSO. Foi correspondente do jornal A BOLA e jornalista na SIC – Televisão. Trabalhou como jornalista no Semanário TRANSMONTANO e na Rádio INDEPENDENTE.

 

DILMA, MOSTRE QUE É DE BRIGA – por mino carta / são paulo

O Brasil merece a continuidade do governo Lula em lugar da ferocidade dos eleitores tucanos

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As reações de milhares de navegantes da internet envolvidos na celebração dos resultados do primeiro turno como se significassem a derrota de Dilma Rousseff exibem toda a ferocidade – dos súditos de José Serra. Sem contar que a pressa de suas conclusões rima sinistramente com ilusões.
Escrevi ferocidade, e não me arrependo. Trata-se de um festival imponente de preconceitos e recalques, de raiva e ódio, de calúnias e mentiras, indigno de um país civilizado e democrático. É o destampatório de vetustos lugares-comuns cultivados por quem se atribui uma primazia de marca sulista em relação a regiões- entendidas como fundões do Brasil. É o coro da arrogância, da prepotência, da ignorância, da vulgaridade.
É razoável supor que essa manifestação de intolerância goze da orquestração tucana, excitada pelo apoio maciço da mídia e pelos motes da campanha serrista. Entre eles, não custa acentuar, a fatídica intervenção da mulher do candidato do PSDB, Mônica, pronta a enxergar na opositora uma assassina de criancinhas. A onda violeta (cor do luto dos ritos católicos) contra a descriminalização do aborto contou com essa notável contribuição.
Ocorre recordar as pregações dos púlpitos italianos e espanhóis: verifica-se que a Igreja Católica não hesita em interferir na vida política de Estados laicos. Não são assassinos de criancinhas, no entanto, os parlamentares portugueses que aprovaram a descriminalização do aborto, em um país de larguíssima maioria católica. É uma lição para todos nós. Dilma Rousseff deixou claro ser contra o aborto “pessoalmente”. Não bastou. Os ricos têm todas as chances de praticar o crime sem correr risco algum. E os pobres? Que se moam.
A propaganda petista houve por bem retirar o assunto de sua pauta. É o que manda o figurino clássico, recuar em tempo hábil. Fernando Henrique Cardoso declarava-se ateu em 1986. Mudou de ideia depois de perder a Prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros e imagino que a esta altura não se abstenha aos domingos de uma única, escassa missa. Se não for o caso de comungar.
A política exige certos, teatrais fingimentos. Não creio, porém, que os marqueteiros nativos sejam os melhores mestres em matéria. Esta moda do marqueteiro herdamos dos Estados Unidos, onde os professores são de outro nível, às vezes entre eles surgem psiquiatras de fama mundial e atores consagrados. Em relação ao pleito presidencial, as pesquisas falharam e os marqueteiros do PT também.
Leio nesses dias que Dilma foi explicitamente convidada por autoridades do seu partido a descer do salto alto. Se subiu, de quem a responsabilidade? De todo modo, se salto alto corresponde a uma campanha bem mais séria e correta do que a tucana, reconhecemos nela o mérito da candidata.
Acaba de chegar o momento do confronto direto, dos debates olhos nos olhos. Ao reiterar nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff, acreditamos, isto sim, que ela deva partir firmemente para a briga, o que, aliás, não discreparia do temperamento que lhe atribuem. Não para aderir ao tom leviano e brutalmente difamatório dos adversários, mas para desnudar, sem meias palavras, as diferenças entre o governo Lula e o de FHC. Profundas e concretas, dizem respeito a visões de vida e de mundo, e aos genuínos interesses do País, e a eles somente. Em busca da distribuição da riqueza e da inclusão de porções cada vez maiores da nação, para aproveitar eficazmente o nosso crescimento de emergente vitorioso.
CartaCapital está com Dilma Rousseff porque é a chance da continuidade e do aprofundamento das políticas benéficas promovidas pelo presidente Lula. E também porque o adágio virulento das reações tucanas soletra o desastre que o Brasil viveria ao cair em mãos tão ferozes.
P.S. Bem a propósito: a demissão de Maria Rita Kehl por ter defendido na sua coluna do Estado de S. Paulo a ascensão social das classes mais pobres prova que quem constantemente declara ameaçada a liberdade de imprensa não a pratica no seu rincão.
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Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde.

FHC afirma que SERRA, seu ministro do planejamento, “EXIGIA PRIVATIZAÇÕES”

VEJA NO VÍDEO A “PRIVATARIA”:


UM clique no centro do vídeo:

ZÉ SERRA por CIRO GOMES: PONTO FINAL!

UM clique no centro do vídeo:


 

DE VOLTA AO JARDIM – por omar de la roca / são paulo


Tive que voltar ao jardim antes do que esperava.Havia esquecido o livro que lia em cima de um tronco cortado em forma de banco. Num canto quieto onde me sentava as vezes para ler ou descansar as pernas.Estava um pouco bambo,não sei se fora cortado torto ou se o chão cedera devido a chuva.Dei uma corrida e virei me a tempo,com o braço esticado pegando  o chapéu.Sabia que o vento não havia desistido de brincar com ele.O vento riu e eu ri com ele.Entrei no jardim, tirei o chapéu e fui ate o banco.Percebi que durante as poucas horas que me afastara, o vento havia soprado forte. Eu podia até vê-lo levantando a capa do livro, como alguém que procurasse uma informação na orelha dele, fechando em seguida.De novo levantou a capa e folheou as primeiras folhas a procura da editora e do tradutor. Depois,curioso,folheara o livro com violência soprando de lá pra cá e de novo.Ate se fartar dele e fecha-lo com estrondo. O jardim não estava mais como o deixei. Pelo menos naquele canto as coisas estavam confusas. Vi pequenas pedras brancas fora do lugar que as deixara.Mas o vento não poderia te-las movido.Peguei o livro.Paginas em branco.As letras e os personagens haviam fugido para todos os lados pela força do vento.Por isso a desordem.Encontrei uns rastros de letras acho que um M e um S,mas poderia ser um W ( ou um V)  e um Z  não dava para ter certeza,a impressão era imprecisa e poderia estar invertida.Um movimento rápido me chamou atenção para um canto escondido do jardim onde eu so ia de vez em quando.Ouvi choro e sussurros.Um vento mais forte trouxe restos de folhas escritas.Peguei uma delas e li:

“ sinto falta de ti minh’alma, quando o choro preso bate a porta e não escuto.Ou quando a manhã nasce mais cedo e estou cego.Quando tateio no escuro procurando a porta que não esta lá.Sinto falta de ti minh’alma.Quando a ferida aberta dói e nela coloco sal.Sinto fal “

Aqui o papel estava rasgado, sem nenhuma referência, nem autor.

Prestando mais atenção, um outro papelzinho estava preso ao primeiro,dizia assim:

“… e a água lavou-se em seu próprio pranto. Secou-se ao vento solar e se cobriu de folhas.Deitou-se no riacho a flutuar, deixando a brisa leva-la por correntes distantes que levavam ao…”

Mar pensei, ao mar.

Havia muitos pedaços voando ao meu redor agora.Acho que já estavam antes, mas eu não havia percebido.Eram gaivotas famintas e eu era o peixe na coberta do barco. Todas queriam cair em minhas mãos para serem lidas.Em voz alta de preferência.

Um pedaço conseguiu se agarrar aos meus óculos e eu tive que ler:

“…Somos do tamanho de nossos sonhos…Feliz…”

No olho do redemoinho sentei e fiquei observando o movimento ascendente em espiral.

Fiquei pensando nos personagens perdidos. Alguns se agarravam a sonhos antigos. Outros a pessoas perdidas. Outros simplesmente não sabiam. Outros…

Uns pedaços me entram pela boca e insistiram em gritar.

“ Teoria sobre a necessidade de se conscientizar…( borrado ) … e só nos poderemos fazer alguma coisa por nós mesmos.”

“ Homenagem atroz” dizia outro.

E eu ri…

Preso ao meu pé esquerdo uma folha amarelada. Dizia assim:

“ Também amei,mas foi amor de teimosia,de refúgio.

Amor solitário , posto de lado.

Amor calado.

( Hoje me refugio na poesia. )

Amor de presságio, de calmaria .

Amor de fuga de outra agonia.

Me confundindo me deixando assim sem rumo.

Meio pendente, meio sem prumo.

Amor de heresia, de verdade, de mentira

Como tudo,

“ segun el color del cristal com que se mira “.

Amor ora de simetria, ora de paralelas.

De congruências , de delicadas cores ,

De rimas perfeitas e prosas podres,

Por fim, amei esses amores ?

Era o fragmento mais extenso que eu havia encontrado. Não tinha certeza de que estava inteiro, me parecia estar , em sua solidão. E me dizia muito.

O vento parou de repente. Os pedacinhos assentaram sobre a relva e derreteram. Tentei segurar alguns, mas  viraram pó. Ainda ouvia os personagens e pensei em gritar a eles que a solução de seus problemas estavam dentro deles mesmos. Mas me lembrei do vento. Eu não tinha culpa se o vento soprara forte. Mas ainda queria abraçar todos os personagens,  refugia-los em meus braços e murmurar em seus ouvidos um acalanto, até que dormissem. Mas meus braços não seriam suficientes. Seria melhor escrever alguma coisa e esperar que um dia eles lessem. Que entendessem.” Somos muito parecidos todos. Todos queremos amar e ser amados. Somos mais parecidos do que diferentes. No fim todos queremos as mesmas coisas.Somos mais feitos de semelhanças do que de diferenças”. Seja por inteiro, seja uma metade. Ou duas metades inteiras. Ainda ouvia os personagens, me pareciam mais calmos, ou talvez eu é que estivesse.

Sacudi a poeira das roupas, do chapéu.Limpei os óculos na ponta da camisa azul. Agora o silêncio. O silêncio do bosque.

Sai do jardim com os olhos baixos, não tinha conseguido falar nada. Apenas deixara uns rabiscos no livro que deixei aberto com duas pedras segurando. Uma branca e outra preta. Como se isso servisse para mostrar meu equilíbrio inexistente. E, como uma alma penitente segui o caminho. De novo só. Eu e meu chapéu ( risos ). Com a cabeça cheia de porcelanas finas que quebravam e se tornavam apenas cacos . Preciso criar paciência de novo e voltar a remontar os vasos. Olhei para o horizonte sempre fugidio. Segui distraído sem ver os pássaros coloridos, as flores de cerejeira, as borboletas amarelas . Sem perceber que  na úmida e macia argila daquela trilha, meus pés não deixavam pegadas .

GERALDO VANDRÉ (a entrevista) recebe comentário do poeta MANOEL DE ANDRADE / curitiba

Manoel de Andrade : COMENTÁRIO

 

Cheguei ao Chile em fins de abril de 1969 e creio que um mês depois chegou Geraldo Vandré. Eu visitava quase diariamente o apartamento onde moravam os exilados brasileiros Salvador Romano Losacco e Edmur Fonseca, ambos cassados em 1964 pela ditadura. Com o mineiro Edmur, refinado intelectual e na época professor de Ciências Políticas na Universidade do Chile, aprendi muita literatura. Com o paulista Lossaco, grande figura, professor de História, ex-deputado federal, um dos fundadores e primeiro presidente do DIEESE, em 1955, eu discutia Lucién Fevre, Marc Bloch e Fernand Braudel. Eles moravam no centro de Santiago, na Victoria Subercarceaux, nº 6. Num fim de tarde, quando lá cheguei, encontrei o Vandré já instalado. Foi uma agradável surpresa. Naquela época, entre maio-junho de 1969, muitos no Brasil pensavam que ele fora morto pela ditadura e, pelo que ele então significava, na ampla luta cultural e ideológica contra a ditadura, foi uma alegria encontrá-lo vivo.
Partilhamos durante muitas tardes suas canções e meus poemas, e através de um estudante chileno, chegamos a programar um recital juntos num teatro universitário. Ele estava compondo uma nova canção chamada: “América”, e ambos treinávamos, muitas vezes, seu estribilho. Depois passei a ir muito raramente no apartamento do Losacco. Mudei de residência e viajei para o sul do Chile, para entrar em contato com os índios araucanos que, depois de 350 anos de massacre, sobreviviam invencíveis nas montanhas de Arauco. Quando voltei, soube que Vandré conheceu uma chilena chamada Bélgica Villa Lobos, e teriam se casado. Nos primeiros dias de julho nos encontramos pela última vez e ele me disse que tivera problemas com seu visto de permanência e teria que sair do país. Ele estava mudado e a posição aparentemente revolucionária que aparentara com suas canções, estava em desacordo com seu elegante vestuário e as preocupações com sua aparência, pensei eu. Mas depois constatei que essa era também a opinião de alguns exilados. Na despedida, me disse que estava indo para a Argélia participar de um festival de música e depois iria para a Europa. Depois desse último contato eu viajei, em seguida, para a Bolívia e nunca mais soube dele.
A ideia que me ficou de Vandré era de um homem sensível, um amante da beleza, mas tinha algo diferente embora não fosse nada negativo. Algo de excêntrico, intimamente solitário, um pouco indiferente a tudo. Ele se esquivava da conversa ideológica e em nenhum momento se mostrava comprometido politicamente. Contudo, se a ditadura o tivesse aprisionado naquela época, certamente o teriam torturado e quem sabe o tivessem morto, inocentemente. Vejo, agora, pela entrevista, que ele nunca se engajou. Ele era um poeta, com uma legítima preocupação com a arte e, particularmente, com a música, embora tivesse uma visão elitista do fenômeno cultural. Pelo que acabo de ler nesta entrevista parece que esta postura continua inalterável. E é ainda mais solitária a imagem que nos passa de sua vida atual. Tudo isso é um pouco triste quando nos lembramos que suas músicas traziam uma grande beleza histórica, retratando com encanto e lirismo as ansiedades da juventude daqueles anos e foram um estandarte de luta contra a ditadura. É claro que muita coisa mudou. Hoje os inimigos estão mascarados, os valores confundidos e as grandes ideologias desacreditadas. Contudo, não devemos nos conformar com o próprio sentido trágico da vida, com essa “cultura massificada” de que fala Vandré. Afinal não podemos fugir da dialética da história. Estamos realmente massificados pela globalização.. Somos tão somente consumidores. Nossos inimigos são muito mais fortes que há 40 anos. Naquele tempo lutávamos contra um inimigo definido: chamava-se Imperialismo. Hoje este mesmo inimigo tem outro nome e mimetiza-se mundialmente com o “inofensivo” nome de Globalização e contra o qual não temos atualmente como escavar nossas trincheiras. Naquele tempo lutávamos contra o “Capitalismo Feroz”, que hoje diluiu-se com o nome de “Economia de Mercado”. Contudo não podemos nunca arriar nossas bandeiras, abdicar dos nossos sonhos. São eles que nos mantêm vivos, apesar do mundo ter sepultado as nossas mais belas utopias.
Sobre suas relações musicais com a Aeronáutica, é uma opção indigesta. Quem já esqueceu do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, tristemente célebre como “o carrasco” da Força Aérea Brasileira? Quem, entre os daquela geração, já esqueceu o “CASO PARA-SAR” e o que se passava nas sinistras dependências do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA)? Contudo deixemos o Vandré com sua “Sinfonia Fabiana”, suas razões para viver e seu projeto de gravação de suas trinta canções em espanhol. Quem somos nós para julgá-lo? Como atirar pedras nos que criam a beleza. Também sou poeta e de louco todos temos um pouco. Haveremos de sempre honrar o seu passado. Quem deu ao Brasil uma contribuição tão bela como sua poesia e sua musicalidade, em 1967?

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leia a entrevista com Geraldo Vandré

DILMA: ” CHEGA DE AGUENTAR CALADA” / são paulo

DILMA em Aparecida: chega de aguentar calada

 

Dilma diz que Serra subestima as pessoas e afirma que manterá tom contundente do debate


 

APARECIDA (SP) – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta segunda-feira que seu adversário, José Serra (PSDB), tem a mania de subestimar as pessoas e de se achar superior aos outros. (Ênfase minha – PHA)

Após assistir a uma missa na Basílica de Aparecida, a petista comentou o debate da TV Bandeirantes , em que partiu para o ataque direto ao tucano, e deu a entender que o tom deve ser mantido nos próximos confrontos

– Esperavam o quê? Que eu não defendesse as minhas posições? Que eu não apresentasse as minhas propostas? Que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso – declarou.

Domingo, a candidata do PT surpreendeu ao partir para o ataque contra Serra no primeiro debate da campanha presidencial do segundo turno, insistindo na discussão das privatizações e no que chamou de campanha caluniosa patrocinada pelo tucano.

– Eu sempre me recusei a baixar o nível do debate… eu passei quase três meses sendo acusada da quebra de sigilo fiscal e hoje está claro que quem quebrou o sigilo fiscal foi um esquema mercantilista e corrupto dentro da Fazenda por razões não eleitorais e não políticas – disse.

– Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações, o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos… eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar. Eu não fui na internet e não disse na forma de boato. Estou dizendo de forma aberta – completou a petista, lembrando que a Justiça aceitou abrir processo de crime de difamação contra Serra pelos ataques supostamente feitos a ela.

Dilma negou, no entanto, que tenha sido agressiva no debate e disse que quando há apenas dois debatedores, “as opiniões ficam mais claras”.

– Não sei por que se supõe, quando dizem para mim, que o governo Lula cometeu ‘esse, esse e esse erro’, que se eu retrucar vira ofensa. São dois pesos e duas medidas e isso não é possível. O debate foi de alto nível. Ninguém elevou o tom de voz. Então que qualificação é essa de (que houve) agressividade? Quando a gente é assertivo a respeito das próprias posições, o debate fica mais claro.

Marcelle Ribeiro – og

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ZÉ SERRA e  seus aliados : ARRUDA o chefe do mensalão do DEMO.

na foto troca de idéias ($$$) Daniel fala com a mão na boca para os jornalistas presentes não fazerem leitura labial.

ZÉ SERRA e o ALI BABÁ dos banqueiros, DANIEL DANTAS irmão da  VERÔNICA DANTAS sócia da VERÔNICA SERRA ( filha do zé) que durante o governo de FHC e SERRA ministro do planejamento  “ABRIRAM” 60.000.000 de contas bancárias de brasileiros para negociatas. HÁ UM PROCESSO DESDE ENTÃO, mas o  PIG -PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA não “sabe disso”, abrir as contas do povo “não tem importância” o que não pode é abrir as contas dos LADRÕES do país, eles fazem parte da elite nacional ! DANIEL DANTAS é aquele que foi solto da prisão pelo ministro (ugh) GILMAR MENDES a quem SERRA telefonou às vésperas do primeiro turno para pedir vistas do processo e, assim, atrasar a decisão sobre os documentos para votar. LEMBRAM? o GILMAR MENDES foi colocado no STF pelo FHC! é de cansar!

fotos e textos do site.

A PALAVREIRA ZULEIKA DOS REIS completa mais um ano de existência ! / são paulo

por questões técnicas não foi possível postar ontem (dia do nascimento) esta homenagem, simples, do PALAVRAS, TODAS PALAVRAS à grande poeta, palavreira da hora e amiga ZULEIKA DOS REIS, a quem dirigimos nossos desejos de muita saúde e alegrias neste e nos demais dias de sua vida, que o tempo lhe seja leve e a caminhada para o sonho não tão longa.

com forte e fraternal abraço,

OS DEMAIS PALAVREIROS DA HORA

 

 

 

 

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POESIA                                                                                             .de Stéphane Mallarmé

Toda alma que a gente traça
lenta, no ar, em resumidos
vários anéis de fumaça
noutros anéis abolidos

atesta qualquer cigarro
por pouco que separado
fique da cinza e do sarro
seu claro beijo inflamado.

Assim o coro dos poemas
dos lábios voa sutil.
A realidade, não temas,
excluí-la, porque é vil.

A exatidão torna impura
tua vaga literatura.

 

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Fosse

Seria
pior
não
mais nem menos
indiferentemente mas tanto quanto

À MARGEM DOS IDEOGRAMAS – por tonicato miranda / curitiba

Extraímos da Revista TODAVIA, que não passou do nono número, editada pela Casa do Poeta do Paraná, em meados dos anos 80 do Século XX, o artigo/ensaio “À Margem dos Ideogramas”, aqui rebatizado com novo nome ou apenas complementado por nós. O interessante neste trabalho é ressaltar a grandeza do texto do Fenollosa e a genial qualidade da análise de Helena Kolody. Também o quanto algumas revistas alternativas podem conter expressivas virtudes somente percebidas anos depois. Virtudes estas trazidas à tona agora aqui neste formidável “blog”, voltando ao mar mais sereno do que ao mar agitado da política, no qual mergulhou nas últimas semanas.

E a ocasião é mais do que oportuna, quando se comemora no dia 12 mais um aniversário daquela reconhecida por todos como a mais expressiva poetisa do Paraná nos últimos 50 anos. Os Palavreiros então convidam para este retrô e para uma viagem sensacional aos fragmentos de Fenollosa, às observações de Helena Kolody, com insertos de Haroldo de Campos, de Ezra Pound e a tradução de Heloysa de Lima Dantas. Também as minhas palavras iniciais deste fabuloso texto da TODAVIA. Boa leitura, felizes “navegos” pela linguagem.

À MARGEM DOS IDEOGRAMAS ou  Eram os chineses concretistas ?

Muitos ultimamente tem-se arvorado em escrever haikais. Como uma febre, poetas bissextos, escritores de veraneio e outros escribas da terra do sol poente têm utilizado a caneta para expressar sentimentos através desta forma poética milenar do oriente.

Entretanto, são poucos os conhecedores da essência da forma original chinesa que, posteriormente, passou a ser adotada largamente pelos japoneses, sendo Bashô, até os dias de hoje, o poeta maior desta expressão poética singular, ao mesmo tempo tão pequena e tão rica.

Há pouco mais de dez anos, Haroldo de Campos, em seu livro “IDEOGRAMA – lógica, poesia, linguagem” reuniu uma série de ensaios que buscaram decodificar para o português – à maneira das etimologias grega, ariana e latina – todo o universo de significados dos ideogramas orientais.

Recentemente um dos ensaios pousou nas mãos da poetisa Helena Kolody que, surpreendida com a riqueza do texto e a extraordinária interação existente entre o desenho, a escrita e o sentido das ações expressas pelos ideogramas, afirmou “O estudo do Fenollosa é teoria literária pura, filosofia da linguagem, crítica, um mundo!”

Objetivando proporcionar ao leitor um pouco desses guardados e ampliar a circulação dessas verdadeiras pérolas do conhecimento da linguagem, a revista TODAVIA reproduz agora neste número alguns trechos do texto do Fenollosa e a íntegra das observações de Helena Kolody sobre o ensaio.

E Fenollosa nos diz:

“Vamos supor que estejamos olhando por uma janela, vendo um homem. De repente, ele vira a cabeça e fixa ativamente a atenção em alguma coisa. Olhamos também e vemos que o olhar dele está focalizando um cavalo. Vimos, a princípio, o homem antes de agir; em segundo lugar, o objeto para o qual dirigia sua ação. Ao falar, rompemos a rápida continuidade em suas três partes essenciais, ou membros na ordem correta, e dizemos:

Homem   vê   cavalo

Está claro  que esses três membros, ou palavras, são apenas três símbolos fonéticos, colocados no lugar dos três termos de um processo natural. Mas poderíamos indicar a mesma facilidade desses três estágios do nosso pensamento através de símbolos igualmente arbitrários, destituídos de base sonora, por exemplo, através de caracteres chineses:


homem                                  vê                               cavalo

Se todos soubessem a que divisão dessa representação mental do cavalo corresponde cada um dos signos acima, poderíamos comunicar uns aos outros um pensamento contínuo, com igual facilidade, desenhando-os ou pronunciando palavras. De maneira semelhante, recorremos habitualmente à linguagem visível dos gestos.

Mas a notação chinesa é muito mais do que a apresentação de símbolos arbitrários. Baseia-se numa pintura vívida e sucinta das operações da Natureza. Nas figuras algébricas e na palavra falada não existe nenhuma conexão natural entre a coisa e o signo: tudo de repente é simples convenção. Mas o método chinês obedece a sugestão natural. Temos primeiro o homem de pé sobre as duas pernas. Depois, o olho a mover-se pelo espaço: uma figura nítida representada por pernas a correr embaixo de um olho – o desenho estilizado de um olho e de pernas a correr –, figuras inesquecíveis uma vez que as tenhamos visto. Finalmente, o cavalo sobre suas quatro patas.

A representação do pensamento é provocada por esses signos, não apenas tanto quanto o é pelas palavras, mas de maneira ainda mais vívida e concreta. As pernas fazem parte dos três caracteres: eles têm vida. O grupo contém algo da qualidade de um quadro em movimento contínuo.” (1)

“Caso consideremos a transferência como ato consciente ou inconsciente de um agente, poderemos traduzir o diagrama, obtendo:

agente         ato           objeto

Neste caso, o ato constitui a própria substância do fato denotado. O agente e o objeto são apenas termos limites.

Parece-me que a sentença normal e típica, tanto em inglês como em chinês, exprime exatamente essa unidade do processo natural. Consiste de três palavras necessárias: a primeira, para denotar o agente ou sujeito do qual parte a ação; a segunda, para corporificar o próprio desferir da ação; a terceira, para indicar o objeto, o receptor do impacto. Assim:

Farmer          pounds          rice

(O fazendeiro)     (pila)          (o arroz)

A forma da sentença transitiva chinesa e a da inglesa (que omitem as partículas) correspondem exatamente a essa forma universal de ação da Natureza. Isto aproxima a linguagem das coisas e, por se fiar tão completamente nos verbos, institui todo discurso como uma espécie de poesia dramática.

Uma ordem diferente da sentença é habitual em línguas flexionadas como o latim, o alemão ou o japonês.É justamente por serem elas flexionadas, isto é, por disporem de pequenos finais e terminações de palavras, ou indicações, para mostrar qual é o agente, o objeto etc. Nas línguas não flexionadas, como o inglês e o chinês, somente a ordem das palavras pode determinar-lhes a função. E essa ordem não seria uma indicação suficiente se não correspondesse à ordem natural – isto é, a ordem de causa e efeito”. (2)

“A beleza dos verbos chineses está em todos poderem ser transitivos ou intransitivos, à vontade. Não existem verbos naturalmente intransitivos”. (3)

“Vem finalmente o infinitivo, que põe, em lugar de um verbo especificamente colorido, o copulativo universal ““is”” (é), seguido de um substantivo ou de um adjetivo”. (4)

Na realidade, não há nenhum verbo puramente copulativo, nenhum que responda a uma tal concepção original: até mesmo o nosso verbo existir quer dizer “colocar-se em evidência”, revelar-se mediante um ato definido ““is”” (é) vem da raiz ariana as, respirar. ““Be”” (ser), vem de bhu, crescer.

Em chinês, o verbo principal para ““is”” não somente significa de uma maneira ativa “to have” (ter), como também mostra, por sua derivação, que exprime algo ainda mais concreto, isto é, ““arrebatar da lua com a mão””. Aqui o símbolo mais despojado da análise prosaica é magicamente transformado em esplêndido lampejo de poesia concreta.” (5)

“…A poesia apenas faz conscientemente aquilo que raças primitivas faziam inconscientemente. O principal trabalho dos escritores, e dos poetas em particular, ao lidar com a linguagem, consiste em rastrear retrospectivamente as antigas linhas de avanço. É o que têm de fazer para que as palavras conservem a riqueza dos matizes sutis de todos os seus significados. As metáforas originais se dispõem como uma espécie de fundo luminoso, emprestando-lhes cor e vitalidade, forçando-as a se aproximarem da concretude dos processos naturais. Shakespeare regurgita de exemplos. (6)

“No chinês poético encontramos uma profusão de verbos transitivos. Ainda maior, de certa forma, que a do inglês de Shakespeare. Essa abundância vem da capacidade de combinar diversos elementos pictóricos num único caráter escrito. Não temos, em inglês, nenhum verbo para iniciar o que duas coisas, digamos o Sol e a Lua, fazem ao mesmo. Os prefixos e os sufixos servem apenas para dirigir e qualificar. No chinês, o verbo pode ser qualificado mais pormenorizadamente. Encontramos uma centena de variantes apinhadas em torno de uma única ideia. Assim ““viajar de navio com objetivos de prazer”” seria um verbo inteiramente diferente de ““viajar com intuitos comerciais””. (7)

“… A riqueza da composição em caracteres possibilita a escolha de palavras em que um único harmônico dominante empresta um colorido a cada um dos planos de significação. Talvez seja esta a qualidade mais notável da poesia chinesa. Examinemos o verbo:

 

 

Sol                (se ergue)             (a) leste

O sol, o brilho, de um lado; do outro lado o signo do ““leste””, formado por um sol entrelaçado aos galhos de uma árvore. E no signo do meio, o do verbo ““erguer””, temos uma nova homologia: o sol está acima do horizonte, mas, além disto, o único traço reto, no sentido vertical, assemelha-se à linha do tronco, a crescer, do signo da árvore. Isto é apenas um começo, mas indica um caminho para o método, que é também o método da leitura inteligente.” (8)

Nota final de Ezra Pound – 1935:

“A despeito do que alguns de nós aprendemos há vinte anos com Fenollosa, o Ocidente todo continua numa crassa ignorância sobre a arte chinesa da sonoridade verbal. Eu me pergunto hoje se ela era inferior à dos gregos. Sendo os nossos poetas preguiçosos, ignorantes de música e destituídos de ouvido, é inútil lançar sobre os professores a culpa pelo pauperismo.” (9)

E então, os comentários de Helena Kolody:

“À medida que ia lendo, fazia anotações, estas que transcrevo. É uma simples conversa comigo mesma. À medida que lia, anotava. Fui lendo a prestações, por falta de tempo e, principalmente, por falta de resistência para um assunto de tão alta voltagem.

Os ideogramas, desenhos simbólicos, símbolos fonéticos, expressam melhor que a nossa escrita alfabética, tão abstrata, a ação e o movimento, que são o cerne do pensamento. O desenho é mais vivo e de mais amplas ressonâncias sugestivas; expressa diretamente a ideia. No exemplo citado, as perninhas dos três ideogramas dão bem a ideia do movimento e da ação, concentrados no termo central que expressa o movimento dos olhos, na ação de ver.

Mesmo assim, os ideogramas aprisionam apenas um momento de ação, como a câmara fotográfica surpreende um momento de um gesto ou de um sorriso, que não acabam aí. Também, o pensamento é uma sucessão de momentos, ou de movimentos psíquicos, que o poeta procura aprisionar em palavras que tenha vida. Essa dinâmica difícil é o segredo da poesia, esse ir além das palavras.

Notável o requinte chinês no desenho dos ideogramas. Perfeição caligráfica indispensável para a transição da ideia; caligrafia, coisa secundária em nossa escrita alfabética. Há ideogramas de uma beleza pictórica admirável.

A leitura deles, também, deve ser mais difícil do que a nossa; exige uma participação inteligente do leitor na decodificação dos signos.

Outra coisa que noto é que a poesia é direta e viva: junta as coisas enquanto elas estão acontecendo; de certa forma, anula o que foi e o que será; é a vida acontecendo, numa duração infinitamente presente.

A leitura tem sido para mim uma aprendizagem. Aprendi neste instante, que o substantivo se origina do verbo. Pensando bem, o substantivo é, na verdade, uma abstração do real, um símbolo convencional. Se eu digo flor, em minha mente represento uma determinada flor, que tem cor, forma e cresce no jardim. Tem vida. O substantivo, que é o ser, unido ao verbo, que é ação.

Se a verdade é transferência de poder, se todos os processos naturais são redistribuição de força, o ato (ou ação), onde a linguagem é representada pelo verbo, é o próprio núcleo da mesma, ou seja, um transferidor de poder. Isso, na forma comum da sentença, aquela que usa o verbo transitivo, ou seja, o verbo que pede objeto.

Exemplo: Homem – vê – cavalo: ver = verbo transitivo. Sem o verbo não se articula a sentença.

Muito interessante a afirmação de que os substantivos, fora da função de sujeito e de objeto, são naturalmente verbos. Na verdade, escritor é o indivíduo que escreve; rosa, a flor que cresce na roseira.

Como o autor esclarece, nos ideogramas permanece essa origem verbal do substantivo, a significação de realizador da ação verbal. Isso tira da linguagem a frieza esquemática que a gramática impõe à nossa língua.

Que o adjetivo provém do verbo é fácil de verificar: risonho, aquele que ri; brilhante, o que brilha. Não entendi como as preposições e os pronomes se originam dos verbos.

Entendo bem a transformação do particípio dos verbos em adjetivos. Por exemplo, vendido, particípio passado do verbo vender, é frequentemente usado como adjetivo = homem vendido, terreno vendido.

Também quando ele fala que a qualidade (expressa pelo adjetivo) é de certa forma abstrata, ou seja, uma abstração, pois não existe isolada. Se digo verde, refiro-me a um objeto verde. Além do mais, o verde é percebido como tal apenas pelo nosso cérebro, pois é o resultado da vibração da luz numa determinada frequência, com um certo comprimento de onda. No escuro, o objeto não é verde. Os daltônicos trocam o verde pelo vermelho. Por incrível que pareça, os objetos não têm cor. Eles refletem certas ondas de vibração luminosa; essas ondas, captadas pela retina e transmitidas pelo nervo ótico, são percebidas como cor pelo cérebro.

Mas vamos aos ideogramas.

Interessante o estudo sobre a rica e variada representação do próprio nome Eu em chinês. São sugestivas representações metafóricas de todas as conotações que pode ter o pronome Eu.

Aprendi que o suporte da poesia chinesa são os verbos concretos, que falam diretamente à imaginação. Seus caracteres são pinturas vivas, linguagem figurativa, liberta das categorias gramaticais. Entretanto, essas pinturas transcendem os significados de ações e coisas concretas sugerindo, também, aquilo que não se vê.

Esse ir além das palavras constitui a verdadeira força da poesia, em qualquer língua. A metáfora nos leva do material para o espiritual, do concreto para o abstrato.

Muito bom o comentário sarcástico sobre a tirania da lógica a respeito dos processos do conhecimento e da linguagem, da tirania do silogismo. O silogismo (da lógica) apoia-se em substantivos e adjetivos. A ciência, em verbos. A poesia é muito mais irmã da ciência do que da lógica.

Existe, na poesia, a potencialização do pensamento num único verso, carregado de força vital.

Nos ideogramas chineses, tão sugestivos, tão ligados às raízes da vida, cada símbolo acumula um potencial de energia vital.

Na comparação com outros idiomas, é preciso não esquecer que Fenollosa se refere mais frequentemente, ou totalmente, à língua inglesa. O português, sobretudo o falado no Brasil, é dinamizado pelo uso de um riquíssimo cabedal de verbos, continuamente aumentado pelos silogismos. Por exemplo = os originários da gíria.

A nossa é uma língua nova, em processo de crescimento, ao passo que o inglês, de certa forma, estabilizou-se.

Finalmente, diria, nem de longe o nosso idioma escrito se compara com a riqueza expressiva dos pictogramas.” (10)

(1) – Os Caracteres da Escrita Chinesa como Instrumento para a Poesia, de Ernest Fenollosa, com preâmbulos e notas de Ezra Pound, traduzido por Heloysa de Lima Dantas para o livro IDEOGRAMA lógica, poesia, linguagem, organizado por Haroldo de Campos, Editora CULTRIX, São Paulo, 1977, p. 121, 122 e 123.

(2) – Op. cit., p. 127 e 128.

(3) – Op. cit., p. 129.

(4) – Op. cit., p. 130.

(5) – Op. cit., p. 130.

(6) – Op. cit., p. 139.

(7) – Op. cit., p. 146.

(8) – Op. cit., p. 149.

(9) – Ezra Pound – Op. cit.

(10) – Cartas de Helena Kolody para Tonicato Miranda, onde é analisada a obra citada acima.

BELMIRO FERNANDES PEREIRA e MARTA VÁRZEAS convidam / porto.pt

Lançamento do livro Retórica e Teatro

O livro “Retórica e Teatro – A Palavra em acção”, editado pela U.Porto editorial, vai ser lançado no próximo dia 19 de Outubro, pelas 18h00, na Fnac de Santa Catarina. A apresentação da obra será feita por Maria de Lurdes Correia Fernandes, Professora Catedrática do Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A obra foi organizada por Belmiro Fernandes Pereira e Marta Várzeas, professores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que reuniram neste volume um conjunto de colaborações de especialistas nacionais e estrangeiros que relacionam retórica e teatro, procurando evidenciar as afinidades que fizeram destas artes um poderoso instrumento de reflexão sobre a comunicação humana e a criação literária.

U.Porto editorial

Reitoria da Universidade do Porto

Praça Gomes Teixeira, 4099-002 PORTO

Tel.: 220 408 196  Fax: 220 408 359

URL: editorial.up.pt/

 

PEDRO BIAL sobre Serra e DILMA / são paulo

Carta de Pedro Bial sobre Serra e Dilma

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O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que um filho seu não foge à luta.

Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira.

Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, colocaram o rabinho entre as pernas e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante longo s 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários.

Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.

Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje, possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa.

Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora.

Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010.

Detesto fujões, detesto covardes!

Pedro Bial

jornalista.

enviado por M.C. Almeida.

ELES QUEREM O NOSSO PETRÓLEO – por brizola neto / rio de janeiro

Há dias estou alertando aqui – e o noticiário dos jornais o confirma – que o alvo e o centro do desejo tucano de voltar ao poder está a milhares de metros de profundidade, ao largo do litoral brasileiro.

Eles, que não tiveram força moral ou política para derrotar a retomada do controle brasileiro sobre as jazidas do pré-sal, vão pretender mostrar um “mar de lama” na grande empresa brasileira, embora esta se submeta às mais severas regras de governança corporativa e auditoria.

Como empresa com capital negociado em bolsa, aqui e no Exterior, a Petrobras está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores de São Paulo, no Brasil; da Securities and Exchange Commission e da New York Stock Exchange, nos Estados Unidos; do Latibex da Bolsa de Madri.

Este ano, pela 2ª vez, foi apontada como a empresa mais bem gerenciada da América Latina pela revista Euromoney, de Londres.

Captou US$ 45 bilhões no mercado privado, num aumento de capital de US$ 120 bilhões, para capacitar-se a explorar atenção – a maior jazida de petróleo em propecção hoje no mundo, que é o pré-sal e é, legalmente, a operadora exclusiva da sua extração.

Sobreviveu a Fernando Henrique, embora um retalho de sua propriedade tenha sido entregue e, só a muito custo – político e econômico – foi possível recuperá-lo, parcialmente.

A Petrobras é um sucesso econômico, tecnológico e gerencial. Pergunte a um fornecedor da Petrobras os níveis de exigência da empresa em seus contratos.
Hoje, o EstadãoO Globo iniciaram a ofensiva contra a Petrobras.

Jogam, criminosamente, contra o valor de mercado da mais valiosa empresa brasileira e usam a desvalorização deste patrimônio do povo brasileiro para seus objetivos políticos eleitorais.

Desde o início da semana, em vários blogs, circulam rumores de que a Veja seria a artilharia pesada desta campanha, como o foi na CPI da Petrobras, há mais de um ano, sem que tivessem arranjado mais que alguns grãos de poeira para usar como argumentos.

Eu tenho dito há três dias: aí está o furo da bala.

O que interessa a eles é ter o poder e as condições políticas para entregar o pré-sal, que nos torna uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a quinta ou sexta mais importante do mundo, por enquanto. E há possibilidade de novas descobertas, que já surgem, inclusive, como indícios mais palpáveis nas sondagens.

Todo o resto é cortina de fumaça. E nós não podemos dispersar nossas forças golpeando fumaça.

O discurso e a polêmica têm que se tornar claros para o povo brasileiro: é o petróleo que eles querem.

 

tijolaço.com

MARINA, morena MARINA, você se pintou – por maurício abdalla / são paulo

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo.
Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?
Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.
Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido.Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.
Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.
Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.
“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.
Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.
[1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.

As profecias de Igor – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

 

 

 

I

Sete nomes terá a ovelha com estômago de lobo que trará o

Tempo das algemas abençoadas com vinho, e o escriba da

Masmorra escreverá com cobras, poemas tristes. Um viajante

Irá decorar o livro, será assim contrabandeado e traduzido.

 

II

No cio das estrelas as aves do paraíso morrerão ao se

Alimentar com as unhas de Sithar, mas assim conseguirão

Levar oferendas para o lado negro da lua onde vive um cão

Dourado que guarda num átomo a história da humanidade.

 

III

Quando o primogênito reinar, a peste se abaterá sobre

O ouro que ficará coberto de terríveis chagas e as formigas

Desmembrarão os diamantes. Os ciclos parecerão mortos,

Mas uma colméia de lobos negros aprenderá a fazer mel.

 

IV

No cálice de prata cinzelado com a história dos heróis,

A sacerdotisa ordenhará o sangue simbólico do sacrifício

E entoará aos cardeais do concílio, nova mensagem: o sinal

Da cruz não deve tocar o ombro, mas nas palmas das mãos.

 

V

Peixes ornamentais nadarão nas chamas das bibliotecas

E a liberdade perderá seus braços como Vênus de Milos

E as esposas terão que beber água do mar para voltar a ter

Lágrimas e aguardar os rouxinóis comporem outra canção.

 

VI

Aos demônios reunidos, o que foi anjo magnífico anunciará

Acariciando seu gato que uma mãe pacífica em demasia criará

Os trigêmeos do anticristo, então as águias terão que combater

As pombas malévolas e o cordeiro será mais cruel que o lobo.

 

VII

Quando um coral de bicéfalos e irmãos siameses cantarem

Uma canção natalina para o eclipse, seu sinal.Ele assinará

Com uma pena de corvo um tratado de paz nefasto. Sacrifíca

Tua televisão, teu automóvel no altar de Deus enquanto há tempo.

 

VIII

O país justo terá suas leis em um pequeno livro de letras

Grandes, usarão apenas vinte carneiros para os pergaminhos.

O rubi valoroso, seu símbolo, ficará exposto na Ágora, sem

Soldados, maldições ou redomas e não será roubado.

 

IX

Quando a ciência substituir os Sacerdotes na descrição

Do apocalipse e crença na vida eterna for retirada das

Mãos divinas e entregues à medicina saberemos que

o asno apenas substitui uma tolice por outra maior.

 

X

O homem acreditará no sábio que dissecou o corpo e não

Encontrou alma alguma e assim provou que ela existe.

E no alquimista que escreverá na quinta linha que a matéria

Que se transforma com mais facilidade em ouro é o suor.

 

XI

Os que pensam emaranhar os desejos na verdade tecem crisálidas

Dirá o deificado que pacificará com luxúria e um novo versículo

Aparecerá na escritura: quanto mais casto, mais furioso é um povo.

E mostrará no sêmen, os pregadores em desterro no sétimo círculo.

 

XII

Aviões jogarão tigres sobre as cidades e as viúvas gemerão como cedros

Caindo e o povo abandonará suas casas como um filhote de cervo a mãe

Devorada. No êxodo, poucos sobrevirão bebendo o veneno das serpentes

E enriquecendo com sua passagem, os tecelões de mortalhas baratas.

 

XIII

Será o tempo da última fome no sol nascente, porém somente

Tenores poderão anunciar o suntuoso imperador vestido de jade

Mas para provar sua abnegação se alimentará com apenas um

Pequeno pedaço do baiacu, a maior parte será distribuída a multidão.

 

XIV

O que lê no passado, o futuro verá uma amarga verdade no seu cristal:

As nações que enriquecerão a custa da servidão se tornarão dignas

Com mais facilidade que as pobres que tentarem ser generosas em

Demasia antes do tempo, estas retornarão a mais triste barbárie.

 

XV

Quando nenhuma profecia se realizar e a concha não ter mais o

Marulho do mar, o silvo do guepardo, o rosnado do chacal

E o sibilar da serpente, será usado para adormecer as crianças.

A flora gemerá de preocupação porque o leão começará a pastar.

 

De Cristo a Marx, o que sai da boca e das mãos dos homens – por alceu sperança /cascavel.pr

Todos estão vendo o mundo de hoje. É um mundo em que os valores espirituais são esmagados por interesses egoístas. Imagine a dor que apertou o coração do papa Bento 16 ao lamentar o fato de a Igreja Católica ter sido infiltrada nos EUA por pedófilos que usaram a batina para suas mesquinharias.

É um mundo em que o remédio, o atendimento, a clínica e os procedimentos médicos são baseados no dinheiro, e não na caridade humanista. Um mundo em que a Europa está adubando uma crise descomunal, que já se observa em Portugal, Inglaterra, Grécia, Itália e Espanha, com racismo e exclusão.

É, também, um mundo em que pouquíssimas corporações transnacionais, bancos à frente, dominam tudo com seus cordéis invisíveis e tentáculos poderosos. A financeirização escraviza toda a humanidade que produz, do empresário ao trabalhador, passando por suas famílias.

O drama atual do povo americano não nos pode deixar indiferentes. Vítimas de uma falsa democracia, que os manteve domesticados por muitos anos, acreditavam estar no melhor dos mundos, mas viviam às custas da exploração dos povos da América Latina.

Nos tempos da estúpida Guerra Fria, quando foram montadas as sangrentas máquinas de opressão articuladas e apoiadas pela CIA − vide Operação Brother Sam −, o american way of life foi sustentado pelo trabalho mal remunerado de nossos pais, aos gritos de sofrimento dos torturados, gerando orfandade e famílias desfeitas.

Mas agora, quando é o povo americano que começa a sofrer os horrores dessa enganação, é preciso que a humanidade, ao contrário de dizer o “bem feito” das crianças birrentas, socorra-os com ajuda humanitária, como Cuba se prontificou na passagem do Katrina.

Essa ajuda pode começar zelando mais pelo meio ambiente. Para que o mundo saia da beira do abismo, que é onde a máquina de dominação colocou os EUA e todos nós, precisamos, aqui, na China, em todo o mundo, cuidar das águas, das crianças, das árvores, dos animais, dos tesouros artísticos e arquitetônicos da humanidade. E não se cuida fazendo guerras, jogando povo contra povo, exército contra exército. É a hora da paz.

Há um bocado de tempo, um camarada muito antigo, conhecido como Cristo, sempre citado mas de fato pouco seguido, disse que “o mal é o que sai da boca do homem”. Continua sendo, pois as grandes verdades são eternas.

Mas no mundo cruel e injusto de hoje, há algo mais que podemos fazer pelo pobre povo dos EUA, que perde suas casas e vê a riqueza escorrer por entre os dedos: precisamos ter cuidado também com o que sai de nossas mãos.

O mal pode sair delas: tudo o que eu tocar, antes de largar precisarei ver se vai para um destino correto, de modo que não vá ampliar o monturo de lixo que a civilização consumista produz a cada segundo, da pilha do rádio ao papel de bala.

Essas ligeiras observações sobre fatos que estão aí à vista de todos foram expostas, uma a uma, com base na análise ensinada por um jornalista chamado Karl Marx, cujo nascimento se deu há 192 anos. Uma análise atual, portanto.

Só com seu aprofundamento será possível mudar o mundo em algo melhor, que valha a pena e um dia possamos chamar de justo e cristão. Não permita que façam guerras, invadam países, joguem povo contra povo, criando falsos Tibetes também aqui na América Latina. Desta vez eles não podem se safar

Maria Rita Khel demitida do “ESTADÃO”, SERRA segue fazendo vitimas arrastando as trevas com ele

A JORNALISTA FOI DEMITIDA DO JORNAL “O ESTADO DE SÃO PAULO” – o paladino da democracia – EM RAZÃO DESTE ARTIGO:

 

DOIS PESOS

 

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

 

 

SERRA e a calhordice: jogou todas as fichas no aborto – paulo henrique amorim / são paulo


Serra no horário eleitoral (Imagem: Latuff)

O programa de estréia do Serra no horário eleitoral foi a vitória da treva: a exploração do aborto como arma eleitoral.

O resto é bláblárina.

Ele escondeu – de novo – o Fernando Henrique.

E explorou com fúria a “onda” que deu 20% dos votos à Marina – a calhordice do aborto, como diz o Ciro.

Ele é o que o Chalita descreveu.

Ele é o que o Ciro sempre soube: Serra não tem escrúpulos e, se preciso for, passa com um trator por cima da mãe.

Se continuar assim vai ser uma goleada.

A Dilma vai ter muito tempo para provar que o Serra é um manipulador de quinta categoria.

Um Golpista.

A Dilma pensa sobre o aborto o que diz a Constituição: só em caso de estupro ou com risco para a mulher.

O que, aliás, sem o engodo, é a posição do Serra e do Fernando Henrique.

Como sempre disse o Conversa Afiada: a baixaria é última arma do Serra.

Paulo Henrique Amorim
http://www.conversaafiada.com.br/

FRIDA (fragmento) – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

Que coragem tem uma mulher ao morrer!

Que coragem! Homens são covardes.

Diego sente o hálito da morte na boca de seu túmulo.

Por que morrer

Frida ferida?

Ai, teu útero de frutos verdes.

Dá-me seu cabelo cortado

quero fazer tranças e feitiços.

Põe velas para Karl Marx.

Faça promessas a Karl Marx.

E procissões a Karl Marx.

Dê Fé mexicana a Karl Marx.

Peça aquela mulher

para pôr o pênis em você.

Frida sobre uma coluna quebrada

sustentou Diego.

Ai, pensava em Diego.

Ai, como Diego pesava e como era leve.

E como Diego era lágrimas e como era sorriso.

Tequila para Frida.

Tequila que queima minha língua.

Tequila queima, é fogo do Espírito Santo.

Por que morrer Frida?

Por que, morrer estes teus olhos fortes de toureiro

em frente ao touro?

Por que morrer Frida, por quê?!

Ai, queria ter sido um filho teu

destes que não vingaram

três meses em teu útero

valeriam por noventa anos de vida, Frida.

Três meses vestido com teu corpo.

Três meses ouvindo tua voz carinhosa.

Às três horas

depois da siesta

fazia amor com Diego

na tarde quente.

Ele dizia coisas engraçadas e você ria

depois alimentava pavões no pátio.

Por que morrer, Frida, por quê?

 

 

OS NOVOS JUDAS – por brizola neto / rio de janeiro

A coisa mais maravilhosa na verdade é que ela tem uma capacidade inacreditável de brotar, a despeito do quanto busquem escondê-la sob a propaganda. Aliás, nem é preciso que a escavemos, busquemos nas entrelinhas. Não, ela surge, luminosa, nos momentos decisivos, quando uma coeltividade busca seus caminhos. O acessório, o ilusório, o modismo, tudo se dissolve e a realidade aparece.

Ontem, mesmo ainda meio baqueado, já havia dado para divisar a questão central contida na decisão que  Nação irá tomar: se vamos continuar no caminho da afirmação soberana do Brasil – a qual passa, indispensavelmente, pelo desenvovimento humano – ou se iremos retormar nossa mal-disfarçada sina de colônia ajoelhada ante as esquadras financeiras da ordem neoliberal, o nome atual do colonialismo e da dominnação pelos países centrais.

Nem precisávamos t~e-lo feito. Como uma força irresistível, neste momento em que divisaram, graças às explorações mais abjetas e ao papel confusionista da candidatura Marina Silva, a própria direita o evidencia.

A capa do Estadão de hoje, que reproduzo ao lado, mostra que a direita, agora, não quer enfrentar Dilma. Está se achando capaz de enfrentar o que representou o Governo Lula.

Discussões como esta do aborto já deram o que tinham que dar. São lateralidades que serviram apenas – repito, com a tosca colaboração de Marina Silva – para encobrir a questão central. A este tipo de história, ao contrário do que vêm dizendo muitos dirigentes que estão ainda com a cabeça no que aconteceu nos últimos dias do primeiro turno, tem de ser afastado de plano, com um único argumento: ” em oito anos de governo, aponte um ato de Lula ou Dilma neste sentido, ou qualquer coisa que se assemelhe a discriminação religiosa. Não tem, não é?

E vamos direto ao que está em jogo: um Brasil que não se ajoelha, que voltou a se desenvolver, a gerar empregos, a valorizar os salários, a defender da cobiça internacional as nossas riquezas sempre espoliadas e, agora, este imenso tesouro de petróleo encontrado no pré-sal.

Aliás, o genro de FHC e assessor de Serra, Davi Zylbernstein, já deixou claro que as novas leis do petróleo devem ser revistas. Revistas para que fim? Para abrir o petróleo do pré-sal às multinacionais, para negociar, em troca de migalhas, a riqueza que pode ser a redenção do povo brasileiro.

Os marqueteiros vão torcer o nariz, mas temos logo que colar na testa desta gente o estigma que devem ostentar como traidores da pátria: entreguistas. Sim, pois é entreguistas o que eles são.

São, como o foi Fernando Henrique, verdadeiros judas da nacionalidade. Aliás, quem diz é o próprio FHC, Serra é mais vendedor do que ele e foi quam mais pressionou pela venda da Vale e de suas imensas reservas de minério brasileitro.

Se querem discutir religião, tomem logo este nome como padrão: Judas, o que entregou seus irmãos e Cristo por trinta dinheiros. Os judas de hoje são cheios de argumentos sofisticados, mas da parafernália midiática de que dispõe emerge, quando eles estão inflados de pretensão, a verdade cristalina sobre o que são.

tijolaço.com

 

 

CNBB – COMISSÃO BRASILEIRA JUSTIÇA E PAZ divulga nota oficial

“Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz”

 

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O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão” (Salmo 85)

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.

Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.

Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.

Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.

Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.

Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoraramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Brasília, 06 de Outubro de 2010

Comissão Brasileira Justiça e Paz, Organismo da CNBB

 

 

E A CULTURA GOVERNADOR? por amilcar neves / ilha de santa catarina


Queiramos ou não, gostemos ou não, o senador Raimundo Colombo é o futuro governador de todos os catarinenses, legalmente escolhido em eleições livres e democráticas pelo povo de Santa Catarina.


O senhor Colombo, do DEM, ex-PFL, tem dois padrinhos contraditórios. Um deles é o ex-governador e ex-senador Jorge Konder Bornhausen, cacique nacional do seu partido, eminência parda de uma das agremiações políticas que brotou da ARENA, o suporte civil da ditadura militar brasileira da segunda metade do século XX. Esse é um partido que vive mudando de nome para esconder o que ele sempre foi.


O outro padrinho é o ex-governador e senador eleito Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, um predador do próprio partido em nome de uma aliança que atendesse ao seu projeto político pessoal. Sua agremiação, da qual já foi presidente nacional, sucedeu ao velho MDB, a única oposição política consentida e possível à mesma ditadura. Esse é um partido que mantém o nome para esconder o que ele hoje é.


Se JKB fosse um leitor de Maquiavel (“Engana-se quem acreditar que, nas grandes personagens, os novos benefícios fazem esquecer as antigas injúrias.”), LHS já deveria pôr as barbas de molho. O difícil, porém, é imaginar JKB, LHS e os políticos em geral lendo um livro – por ocupadíssimos que são. Da briga, sobraria um formidável dilema para Colombo.


Mas há outras contradições entre os padrinhos do novo governador. Enquanto Jorge entregou o Centro Integrado de Cultura construído, Luiz o entrega revolvido e desativado por uma reforma que dura mais do que a construção; enquanto Jorge criou o Prêmio Literário Anual Cruz e Sousa, Luiz, assim como os governos anteriores, lança-o uma vez a cada quatro anos, se tanto.


Descobrir o que Colombo pensa sobre Cultura é tarefa ingrata. A matéria é árdua para políticos, seu Programa de Governo não é facilmente encontrável na Internet. Mas isso talvez não faça grande diferença, pois o item pode ter sido sabiamente deixado de lado para evitar confrontos entre os padrinhos. Como se sabe, por pouco LHS não dissolveu a sesquicentenária Biblioteca Pública do Estado.


Porém, como lembra acertadamente o escritor Fábio Brüggemann, é melhor não haver planos do que havê-los megalomaníacos e desastrosos como no atual governo, pois um vazio assim abre a possibilidade de a categoria propor a política pública para a Cultura.

Amilcar Neves é escritor com sete livros de ficção publicados, diversos outros ainda inéditos, participação em 32 coletâneas e 44 premiações em concursos literários no Brasil e no exterior.

DC/06/10/10

ALEXANDRE FRANÇA convida para o dia 09 de outubro / curitiba

ESTADO DE NECESSIDADE por sérgio da costa ramos / ilha de santa catarina


O conceito de dinheiro público no Brasil é de interpretação privada: se é público, não pertence a ninguém. Acaba sendo de quem puder alcançá-lo.

O momento é perigoso. Os políticos estão festejando eleições e reeleições. O problema é a “conta” que está para chegar. O Brasil não é só o campeão mundial dos juros altos. É, também, o campeão olímpico das campanhas caras.

Ao lado dos anões, bicheiros, bingueiros, lobistas, gafanhotos, sanguessugas, vampiros, mensaleiros, “donos” de ONGs e outros exemplares da fauna, estão chegando agora, cansados e aflitos, os “tesoureiros” de campanha…

“Sobras de campanha”, infelizmente, é uma “rubrica” do passado. O que sobra, hoje, é dívida.

Começa o terceiro turno: o momento de coçar a cabeça com as notas fiscais que vão chegando. As faturas das “prestações de serviço”, a conta salgada dos “cabos eleitorais”. Haja Bolsa-campanha!

Não param de crescer as espécies que habitam o serpentário de finórios salteadores do patrimônio público. Elas consolidam uma nova biodiversidade: a do germe que adora morder o erário, em ligações perigosas com os inquilinos do poder.

Prospera aqui nos trópicos uma singular licença para roubar: por ser o dinheiro “público”, todo mundo se acha no direito de tirar sua casquinha do “baleiro”. Vigora, em Brasília, uma florescente “cleptocracia”, que começa com a propina paga ao ecônomo do restaurante da Câmara (remember caso Severino) e acaba no gabinete do ministro.

E as emendas ao orçamento? Valorosa farmacopeia dos cleptocratas: “tome” duas boas emendas por ano e – pronto! – o parlamentar e a próxima campanha estão salvos.

Sabe-se que o Código Penal prevê uma razão especial como “excludente” de crime. É o dito “estado de necessidade”, pelo qual, em certas dramáticas circunstâncias, não há crime nem punibilidade. Considera-se em tal “estado” quem pratica ato ilícito para preservar direito seu ou de terceiro – “desde que o mal causado seja inferior ao mal evitado”. Exemplo clássico: alguém rouba comida para evitar que sua criancinha morra de fome.

A “necessitas” – acento tônico no “cé” – tem raízes latinas e humanitárias. Quer dizer “indigência, “extrema pobreza”. O perigo da morte por inanição, a própria ou a de um parente, dá ao autor do ato ilícito legitimidade para “evitar o sacrifício de um direito maior” – o direito à vida.

Parece que essa tese, digamos, “caridosa”, socorre também os lobistas, os sanguessugas, os Dráculas das nossas Transilvânias.

Estaria associada ao “estado de necessidade” a compulsão a que se entregam com prazer certos burocratas e seus chefes na missão de afanar o que é público para o patrimônio pessoal ou para a tesouraria dos partidos?

E ainda há, hoje, entre os parlamentares, aqueles que tanto propugnam pela instituição de “fundos públicos de campanha”, como fórmula mágica para moralizar esse tipo de “arrecadação”. Seria apenas mais uma “rubrica”, à mercê dos tesoureiros, que manteriam, alegremente, as duas fontes de receita: o financiamento público e o caixa dois.

Falar em financiamento público de campanha chega a ser um completo disparate. E quem paga as emissoras de rádio e televisão no “horário gratuito”?

A continuar essa interpretação elástica e maliciosa do “estado de necessidade”, acabo invocando aquela máxima do Barão de Itararé, que pregava “vantagem para todos ou para ninguém”:

– Instaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos juntos!

Vou saquear as “delicatessens” dos supermercados, forrar-me do bom caviar, expropriar uma “parelha” de “Johnnies” (aquela líquida cevada cultivada na Escócia), juntar meia dúzia de amigos e me declarar em “interessante estado de necessidade”.

  • Tem razão, mas…

Os institutos de pesquisa estão na berlinda, depois de erros metodológicos que produziram equívocos insanáveis, como, por exemplo, as posições de Dilma e Ideli, no plano nacional e local – sem falar no escandaloso caso da exclusão do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), dado como carta fora do baralho. Tem toda razão a senadora Ideli quando reclama dos institutos, no caso catarinense – aliás, um erro “que vem de longe”, como diria Brizola. Faltou reclamar dos erros em benefício de Dilma, apontada como vencedora no primeiro turno, com 51% contra magros 28% de Serra. O placar, sabemos, foi 46 a 32. Cinco a mais, lá, e quatro a menos, aqui _ um erro de nove pontos percentuais…

  • Fora do gesso

As emissoras de tevê que organizam debates – entre elas a Band, dia 10, e a Globo, dia 28 – têm uma boa oportunidade de turbinar o formato e devolver um pouco de vida ao anódino esquema de ficar sorteando papeizinhos e “regrando” todas as intervenções. É só montar o programa na forma de “entrevista”, com perguntas de jornalistas, com bom espaço de tempo para as respostas, comentários de um candidato à resposta do outro, com direito a réplicas e tréplicas. Seria uma boa forma de “desengessar” os debates e devolver ao público um mínimo de interesse.

  • Ministra

Num possível governo Dilma, Santa Catarina terá representante garantido no ministério da “presidenta”: a senadora Ideli Salvatti, cotada para o Ministério das Cidades – que tem “bala” e abrangência nacional. Um dos ministros catarinenses, Márcio Zimmermann, deixaria a Minas e Energia para a cota do PMDB, levando a presidência da Eletrobrás como prêmio de consolação.

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS é sucesso absoluto na rede mundial

Em 2 anos e 9 meses de existência este PALAVRAS,TODAS PALAVRAS alcançou, no dia de hoje, a cifra de 1.000.000 de acessos/leitura. Consideramos ser um feito raro na internet tratando-se de um site de ARTE E CULTURA. Queremos, pois, agradecer aos PALVREIROS DA HORA a companhia e a qualidade de seus trabalhos que conquistaram tantos leitores diariamente. Agradecer, também, aos colaboradores e leitores que nos prestigiaram até aqui.

LIBERTÉ/LIBERDADE – de paul èluard / paris

Nos meus cadernos de escola

Nesta carteira nas árvores

Nas areias e na neve

Escrevo teu nome


Em toda página lida

Em toda página branca

Pedra sangue papel cinza

Escrevo teu nome


Nas imagens redouradas

Na armadura dos guerreiros

E na coroa dos reis

Escrevo teu nome


Nas jungles e no deserto

Nos ninhos e nas giestas

No céu da minha infância

Escrevo teu nome


Nas maravilhas das noites

No pão branco da alvorada

Nas estações enlaçadas

Escrevo teu nome


Nos meus farrapos de azul

No tanque sol que mofou

No lago lua vivendo

Escrevo teu nome


Nas campinas do horizonte

Nas asas dos passarinhos

E no moinho das sombras

Escrevo teu nome


Em cada sopro de aurora

Na água do mar nos navios

Na serrania demente

Escrevo teu nome


Até na espuma das nuvens

No suor das tempestades

Na chuva insípida e espessa

Escrevo teu nome


Nas formas resplandecentes

Nos sinos das sete cores

E na física verdade

Escrevo teu nome


Nas veredas acordadas

E nos caminhos abertos

Nas praças que regurgitam

Escrevo teu nome


Na lâmpada que se acende

Na lâmpada que se apaga

Em minhas casas reunidas

Escrevo teu nome


No fruto partido em dois

de meu espelho e meu quarto

Na cama concha vazia

Escrevo teu nome


Em meu cão guloso e meigo

Em suas orelhas fitas

Em sua pata canhestra

Escrevo teu nome


No trampolim desta porta

Nos objetos familiares

Na língua do fogo puro

Escrevo teu nome


Em toda carne possuída

Na fronte de meus amigos

Em cada mão que se estende

Escrevo teu nome


Na vidraça das surpresas

Nos lábios que estão atentos

Bem acima do silêncio

Escrevo teu nome


Em meus refúgios destruídos

Em meus faróis desabados

Nas paredes do meu tédio

Escrevo teu nome


Na ausência sem mais desejos

Na solidão despojada

E nas escadas da morte

Escrevo teu nome


Na saúde recobrada

No perigo dissipado

Na esperança sem memórias

Escrevo teu nome


E ao poder de uma palavra

Recomeço minha vida

Nasci pra te conhecer

E te chamar


Liberdade

tradução de Drummond de Andrade e Manuel Bandeira

A BRUMA DO LAGO de omar de la roca / são paulo

A beira do lago enevoado

Peguei o livro há muito esquecido

E caiu de minha mão distraído

Enquanto mirava  o céu congelado

E a paisagem estava cinza e eu cinza estava

e o chão cinza recebeu o livro cinzento

Peguei  o livro pela capa e uma pagina voava

dobrada,manchada  e solta,para meu contentamento

que mensagem a velha folha traria?

me daria de volta o colorido?

Com cuidado peguei-a e abri-a

Para logo me sentir traído.

Uma folha em branco por certo guardada

Para uma carta,mensagem quem sabe?

Poesia de amor apaixonada?

Aviso de partida que aqui não cabe?

Guardei a folha ,folheei o livro cinzento

De certo grifado algum pensamento

Encontrei secas flores de cerejeiras

Que voaram  livres e impunes tão faceiras

E elas molharam o chão seco ,minúsculas gotas

De rosa pálido de branco rendadas nas beiras

Iluminaram o cinza,e também as  pedras rotas

Tal qual fossem frescas flores de paineira

Levanta a névoa cinza feito magia

A água azul de leve ao vento dança

Para agora a chuva cinza que caia

Tudo azul e verde e rosa,doce bonança.

Passa o cinza momento

Acaba o cinza dia

O sol brilha em pensamento

Que a escolha me fugia

Escolhi o sol, o céu transparente

Arvore verde florida,borboleta, passarinho

A emoção pede e cedo contente

E caminhando descalço sigo o caminho.

Caminho que não, nunca termina

Passa pelo mar,montanha ,pelo sol

Pela pedra,flor lilás que me fascina

trilha e ponte que vai ao farol.

O vento trás a bruma novamente

Prendo ao meu lado o colorido

Penduro o sol no galho pendente

Sento na arvore,duende foragido

O circulo de sol me ilumina

Me cerca da cor pura que reluz

A névoa triste aqui termina

o cinza é fora, aqui tudo é luz.

MENINICES – de luis garcia / Tomar. pt


Era um costume ridículo.
Um arrojado exercício de amor-próprio
aquele que me perdia; e pensar
qual o tempo que  teria de existir
para o haver que obtemos na idade.

Dívidas que se transmutam
e respiram pontuações
interrogativas, ou interrogatórios
que asfixiam o pouco de fé
em sistemas que nos desgovernem.
Banalidades assumidas
e sorrisos hipócritas.
Um legado de fantasia, que só bebemos
na meninice.

Sentidos por desobedecer,
inócuos do amor que se perdeu
no conhecimento que não é nosso.
Uma pergunta que nos faz cócegas
numa parte inominável do nosso corpo.
Educação, ou falta dela
e muitas mais dúvidas por desvendar!

Um amealhar de ingenuidade,
um desenho com um mapa,
autores como velhos
que ainda moram no Restelo
e parvoíces que pagam juros.
A quota da inocência é um desdito
um fingir de lágrimas sem doer.
Afinal a verdade pesa tanto
como o dia em que juraste fidelidade.
Os amantes que te fizeram senhor
que procurem outras ruelas
e qualquer parecença com crédito
apenas soa a vómitos de refeições roubadas.

Olhares de crianças não fazem manchetes,
só o escarlate inibirá os governantes
e aqueles que falam.
E mais não haverá,
apenas aquilo que levará à perdição
dos poucos sonhos que se combinou,
poderíamos inventar sem carecer
de mãos no ar!

“Revista VEJA, agora, esgoto a céu aberto !

os sentimentos e as fezes dos larápios de 450 anos e seus herdeiros acantonados no DEM, PSDB, PTB e outros menos cotados, saem para circular no seio da sociedade brasileira através da Revista VEJA, aquela, conhecidíssima de todos por sua função de esgoto da informação. sai derrotadíssima, para todo o sempre, deste embate entre os interesses do povo brasileiro e os interesses expúrios da pequena elite negocista que até 8 anos atrás “determinava o futuro do nosso país”. agora a DEMOCRACIA e as liberdades plenas começam a se instalar na estrutura social de nossa nação.

A MÃE DE TODAS AS CONTAS por alceu sperança / cascavel.pr

(Dedicado ao povo do Equador)

Quando o rei João mandou o filho Pedro fajutar a independência, em 1822, deu-se o caso em que nós compramos o que já era nosso – o território nacional. Da Argentina à Venezuela, seus povos pagaram um tributo de luta e sangue, mas não compraram territórios que já eram seus.

Quanto pagamos pelo Brasil? Tudo. Os reis portugueses, desde d. Maria I, a Louca, mãe do tal rei João, eram bons para torrar dinheiro, principalmente porque não era deles. Mas eram péssimos em arrumar as finanças caseiras.

Daí que ficaram devendo até os corpetes de d. Carlota Joaquina aos ingleses, que generosamente emprestaram dinheiro farto a Portugal e adivinhe quem pagou a conta.

Pois foi esse o preço que pagamos pelo Brasil: fizemos empréstimos para pagar a dívida de Portugal com os ingleses. Assim, Portugal ficou livre da dívida e começou a escravidão do Brasil aos banqueiros ingleses.

Essa conta, depois da Revolução de 1930, passou a ser paga aos EUA, que financiaram o desenvolvimento do Brasil à custa do suor dos operários e camponeses, sempre enganados por presidentes “trabalhistas”, “trabalhadores”, “democráticos”, pais dos pobres e mães dos ricos.

Crise após crise, sempre veio uma conta a pagar, e ela era apresentada aos trabalhadores da cidade e do campo. Pagaram para a polícia da Primeira República bater nos líderes anarquistas. Para os gorilas de Vargas prender, torturar e matar sindicalistas. Para os brucutus de 1º de abril fazer seu terrorismo de Estado.

Pagaram o fracasso dos planos Cruzado, Collor, Real e agora PAC, já caindo pelas tabelas. E depois dessas contas todas, vem aí uma conta brutal, ofensiva, criminosa: a conta pelo fracasso final do capitalismo, na esteira da recessão nos EUA.

O mundo deles desaba em meio a bombas, sangue, discursos e falsa democracia. Tudo isso terá um custo fenomenal, a maior conta já calculada, uma montanha de zeros. Quem vai pagar essa mãe de todas as contas? Os pobres do mundo, os trabalhadores, os operários das cidades e dos campos.

Os empregos serão reduzidos, os salários ainda mais arrochados, os preços serão insuportáveis para muitos milhões de trabalhadores que em todo o mundo não terão como fazer frente a suas necessidades básicas.

É por isso que a Europa começou a fechar as portas aos imigrantes do Sul do mundo: essa massa de massacrados e deserdados está tentando entrar de qualquer jeito nos paraísos capitalistas, onde enfrentam os mastins desse mundo corrupto e desumano, que se arruína por suas próprias contradições.

A direita no poder não admite que essa ruína se deve ao capitalismo. A culpa, como a conta, é empurrada aos moreninhos do Terceiro Mundo.

É preciso, como sempre, dar a razão a Graciliano Ramos: “Se o capitalista fosse um bruto, eu o toleraria. Aflige-me é perceber nele uma inteligência safada que aluga outras inteligências canalhas”.

O povo do Equador que o diga!

Gilmar Mendes será denunciado na ONU por telefonema de Serra – rodrigo martins /são paulo

O suposto telefonema do presidenciável José Serra (PSDB) ao ministro Gilmar Mendes, durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), levou a ONG Justiça Global e uma série de outras organizações de direitos humanos a encaminhar uma denúncia para as Nações Unidas, devido às suspeitas de falta de independência do magistrado. A ligação telefônica, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, teria ocorrido na quarta-feira 29, durante o julgamento de recurso do PT contra a obrigatoriedade de o eleitor portar dois documentos no dia da votação.

O recurso já havia sido acolhido por sete dos atuais dez ministros da Corte (Eros Grau se aposentou e ainda não foi substituído) quando Mendes decidiu pedir vistas do processo. No dia seguinte, votou contra a requisição petista. De toda maneira, a votação terminou em oito votos favoráveis e dois contra. E, agora, o eleitor pode se apresentar no pleito com qualquer documento de identificação oficial com foto. Vitória do PT, que temia que os eleitores de baixa renda e escolaridade deixassem de votar em função da exigência de dois documentos.

Para as entidades que subscrevem a denúncia, o caso apresenta indícios claros de interferência política nas decisões do Supremo. “Um juiz da mais alta Corte do País não pode receber telefonemas de uma das partes interessadas no meio do julgamento. Pediremos que as Nações Unidas avaliem o caso e cobrem providências do governo brasileiro, para que se faça uma investigação criteriosa dos fatos, inclusive com a quebra judicial do sigilo telefônico se for o caso”, afirma a advogada Andressa Caldas, diretora da Justiça Global.

De acordo com ela, o documento deverá ser encaminhado na tarde desta sexta-feira à brasileira Gabriela Carina de Albuquerque da Silva, relatora especial da ONU sobre a independência de juízes e advogados, e ao Alto Comissariado das Nações Unidas. “Normalmente, encaminhamos esse tipo de denúncia apenas à relatoria da ONU, mas como a titular do cargo é brasileira talvez ela se sinta impedida de avaliar o caso”. Razões para isso não faltam, afinal Gabriela foi assessora de Mendes na época em que ele era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Andressa ressalta ainda que o ministro Gilmar Mendes, ex-advogado geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, foi acusado outras vezes de atuar de forma parcial no Supremo. “Em diversos casos, o magistrado se pronunciou antes de avaliar os autos do processo e emitiu opiniões contestáveis, por exemplo, ao criminalizar a atuação de movimentos sociais, como o MST”, afirma a advogada. “É por isso que está tomando corpo um movimento pelo impeachment de Mendes. Não temos posição firmada a esse respeito, mas consideramos que esse caso do suposto telefonema de Serra ao ministro, durante o julgamento de um recurso apresentado pelo partido de sua principal oponente nas eleições, deve ser criteriosamente investigado. E, caso se comprove a falta de autonomia, o magistrado precisa ser punido”.

Entre as entidades que subscrevem a denúncia, estão a Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), o instituto Ibase e a ONG Terra de Direitos. Além de reportar o caso do telefonema de Serra, o documento enumera outros deslizes do ministro e expõe sua estreita relação com políticos ligados ao PSDB.

TIRIRICA e os outros – por josé paulo cavalcanti filho / recife

Deputado Tiririca. O Congresso Nacional, com ele, “pior do que está não fica” – segundo o próprio; ou “fica” – segundo Alfredo Ribeiro de Barros, que se assina por seu heterônimo Tutty Vasquez. Talvez fique mesmo. Talvez não. Mas esta é uma questão para o futuro. E “é difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado”, segundo Fernando Pessoa – o mesmo que vivia fazendo críticas à “maravilhosa beleza das corrupções políticas”.

Valha o presente, pois. Tiririca quer ser Deputado, aceitemos isso. Direito seu. Qualquer um pode querer. Nem todos serão, paciência. Problema, para quem tiver um desejo assim, é só um – o de precisar ser eleito. E no Brasil de hoje, para ele, há só três formas de conseguir isso.

Primeiro caminho, aparecer na televisão com terno e gravata, cara de nordestino morto à fome, e prometendo defender os pobres, os aposentados, as grávidas, as crianças do meu Brasil, GTLS, guardas de trânsito, o mundo inteiro e mais as estrelas do céu. Previsão, algo como 300 votos – o pessoal de família, alguns amigos, quem lhe deva dinheiro ou favor, por aí.

Segundo caminho, se fantasia dele mesmo, como seu personagem aparece nos programas de televisão. Diz o que se espera seja dito por um homem que faz rir – afinal, essa é sua profissão –, como “vou cuidar de minha família” e outros bordões. E vai ter uma eleição quase a custo zero. Que peruca, chapéu e fantasia, usa os que tem no armário. E nem precisa pagar a produção do programa, ou jingle, que isso o partido garante. Previsão, mais de um milhão de votos.

Terceiro caminho, faz o que muitos fazem. Compra o mandato. Em Pernambuco, um voto está saindo a mais de 100 reais. Qualquer candidato, longe da imprensa, confirmará isso. Aqui, precisaria de pelo menos 6 milhões (em São Paulo será mais). Podendo ainda se dar ao luxo de fazer, na televisão, os mesmos discursos politicamente corretos que todos fazem. Sem maior importância, o que disser, dado virem seus votos mais dos cifrões que das palavras. Previsão, eleição na certa.

Tiririca é só mais um liso, nesse mundão de meu deus. Deve ser, lá sei eu. Um liso que sonha. Ou um sonhador liso, dá (quase) no mesmo. Porque, seguramente, não tem esse dinheiro todo. Nem quem lhe financie. Por absoluta ausência de alternativa, ou comodidade, ou esperteza (não tem importância), escolheu a única maneira de se eleger. Do mesmo jeito que, profissionalmente, ganha a vida. Não se levando a sério. E está sendo crucificado por isso, coitado dele.

Engraçado é ver que seus críticos não se preocupam com as centenas (chegará quem sabe a isso) de mandatos comprados. Nem com evangélicos, cuja maior contribuição democrática é cantar hinos em louvor ao Senhor que é meu pastor, Deus os tenha. Ou protegidos por sindicatos, patronais ou de trabalhadores, alimentados por recursos públicos. Comprar votos, pode. Usar religiões e corporações, também. Já se fantasiar de palhaço, não. É pecado. Mas, aqui para nós, o que é pior para a democracia?

A diferença, entre ele e tantos compradores de votos, é posta só no presente. Ninguém parece preocupado com o que vai acontecer nos próximos quatro anos. Tiririca até poderá ser um parlamentar digno, é sempre possível. Votando com sua consciência. Sem receber mensalão. Sem indicar parentes para cargos no Governo, em troca da promessa de votar como lhe mandarem. Nem controlar repartição onde possa fazer caixa. E são tantos esses engravatados. Tantos. Até Ministros.

Se proceder retamente, pode inclusive se reeleger em 2014. Já não como Tiririca, mas então como Francisco Everardo Oliveira Silva (Silva, como nosso Presidente), de Itapipoca, mais um brasileiro que já trabalhava desde criança, quando tinha só 8 anos. Num circo. Ou será mais um Juruna, sem perceber bem seu papel naquele picadeiro estranho – diferente dos que conhece –, em que ninguém ri dele, nem lhe bate palmas. Nesse caso, as crônicas registrarão sua passagem, por aquelas bandas, com um silêncio constrangedor. Seja como for, não devemos nos preocupar com essa quase comédia; que a democracia, cedo ou tarde, concerta esses erros. E define o destino de seus personagens. As vezes, de maneira cruel.

Por tudo, pois, sejamos tolerantes. Que a diferença fundamental entre nossos tiriricas e muitos desses engravatados, bem visto, é só que uns são do ninho e outros são estranhos. Que uns não tem futuro, e outros têm um passado e tanto. Que uns não sabem que são inocentes e os outros sabem, com certeza, que são culpados. Mas não estão preocupados com isso.

José Paulo Cavalcanti Filho, 62, advogado no Recife.

Dilma tem 55% dos votos válidos, mostra Vox Populi. EXCLUSIVO: LULA RESUME O BRASIL QUE VAI ÀS URNAS “Acabou o tempo em que a casa grande dizia o que a senzala tinha que fazer, acabou”

SUFICIENTE.

VERMES de joão batista do lago / são luis

Sinto o permanente asco da tua presença
Que, sem qualquer licença, perturba minha paz.
O volume que tua ossatura carrega
É castigo gerado pela insensatez da
Vermidade, que te faz sentido no
Palco dos teus pensamentos dissonantes.

Ó vermes que vomitam palavras com
Sabores e cores das açucenas – mas que
Logo se transformam em jazigos de ignomínias –,
Não se vos faltarão as eternas catacumbas
Que se vos servirão de abrigos comuns,
Enterrando os falsos sabores e as falsas cores de palavras vãs.

E nesse lugar recôndito vossos discursos são enxofres
Que exalam de gabinetes e púlpitos:
E falam de vossas pabulagens… E se vangloriam…
Esfalfam-se nos rapapés;
Trocam asnidades servis,
Herança duma gera podre de palavras vis.

A IMPRENSA, verdadeira oposição no Brasil – por eric nepomuceno / são paulo

Considerado o fundador do Estado moderno no Brasil, Getúlio Vargas foi alvo de uma contundente campanha encabeçada pelo jornal Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro. Terminou se suicidando com um tiro no coração em agosto de 1954. Criador de Brasília e um dos presidentes mais populares do Brasil, Juscelino Kubitschek enfrentou a resistência feroz do conservador O Estado de São Paulo. Acusado de corrupção irremediável, jamais se comprovou nada contra ele. Histórico dirigente da esquerda, o trabalhista Leonel Brizola foi governador do Rio de Janeiro em 1982, no início do processo da democratização, e passou seus dois governos sob uma campanha implacável (e freqüentemente mentirosa) do mais poderoso grupo de comunicações da América Latina, que controla a TV Globo e o jornal O Globo.


Nunca antes, porém, um presidente foi tão perseguido pelos meios de comunicação como ocorre com Luiz Inácio Lula da Silva. Com freqüência assombrosa foram abandonadas as regras básicas do mínimo respeito cidadão. Um bom exemplo disso é a revista Veja, semanário de maior circulação no país, que sem resquícios de pudor público denuncia escândalos em seqüência que acabam não sendo comprovados. Em sua página na internet abriga comentaristas que tratam o presidente da Nação de “essa pessoa”. O mesmo grupo que controla a TV Globo, cujo noticiário tem a maioria da audiência, o matutino O Globo, principal jornal do Rio e segundo em circulação no Brasil, e a principal cadeia de rádio, CBN, não perde a oportunidade de destroçar Lula e seu governo, sem preocupar-se nem um pouco com a veracidade de seus ataques. O jornal Folha de São Paulo, de maior circulação no país, divulga qualquer denúncia como se fosse verdadeira e não se priva de aceitar que um ex-condenado por receptação de mercadorias roubadas e circulação de dinheiro falso se transforme em “consultor de negócios” e lance acusações sem apresentar nenhuma prova. Até o conservador O Estado de São Paulo, que até agora era o mais equilibrado na oposição ao governo, optou por ingressar neste jogo sem regras nem norte.

Frente á inércia dos principais partidos de oposição, o PSDB e o DEM, os meios de comunicação ocupam organicamente esse espaço. Isso foi admitido, há alguns meses, pela própria presidente da Associação nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, da Folha de São Paulo. Mais grave, porém, é o que nenhum destes grupos admite: mesmo antes de iniciar a campanha sucessória de Lula, esse enorme partido informal (mas muito eficaz) de oposição optou por um candidato, José Serra, que não respondeu às suas expectativas. E frente à incapacidade de sua campanha eleitoral, os meios de comunicação brasileiros decidiram atacar a candidatura de Dilma Rousseff, ignorando os limites éticos.

Essa politização absoluta e essa tomada de posição pela imprensa terminaram por provocar a reação de Lula. Suas críticas, por sua vez, provocaram uma irada onda de novas denúncias, indicando que o presidente pretendia impedir a liberdade de expressão e de opinião. No entanto, em seus quase oito anos como presidente, Lula em nenhum momento representou uma ameaça à grande imprensa, por mais remota que fosse. Alguns movimentos para impor algumas regras e impedir a permanência de um esquema de quase monopólio foram neutralizados pelo próprio Lula que optou pelo não enfrentamento com as oito famílias que concentram o controle dos meios de comunicação no maior país latinoamericano.

A liberdade de imprensa é absoluta no Brasil, ao ponto de ter se transformado em liberdade de caluniar. Os grosseiros ataques, freqüentemente baseados em nada, contra Lula e seus governo aparecem todos os dias, sem que ninguém trate de impedi-los. E, ainda assim, os grandes meios não deixam de denunciar ameaças à liberdade de expressão. Talvez a razão de tudo isso repouse no que ocorreu quando o Brasil voltou á democracia, há 25 anos. Ao contrário do que ocorreu em outros países que reencontraram a democracia – penso especificamente nos casos da Espanha e da Argentina -, no Brasil a imprensa não se democratizou. Não surgiram alternativas que respondessem aos diferentes segmentos políticos e ideológicos. Prevaleceu o cenário em que cada meio apresenta o eco de uma mesma voz, a do sistema dominante.

Para esse sistema, Lula era um risco suportável. Já a sua sucessão é outra coisa. E se o candidato da oposição se mostra um incapaz, o verdadeiro partido oposicionista revela sua cara mais feroz. Ao exercer a liberdade do denuncismo barato, mostra seu inconformismo com a manifestação do desejo dessa massa de ignaros que é chamada de povo. Essa gente que não era nada e passou a se considerar cidadã. Isso sim é inadmissível.

(*) Jornalista, escritor e tradutor