Arquivos Diários: 10 novembro, 2010

JAIRO PEREIRA e sua POESIA / quedas do iguaçu.pr

O LOUCO BOM E AS MATRIZES

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um louco bom despacha sozinho em seu balcão

um louco bom sou eu a pé e a cavalo

poeta de vastas claridades olhos pro infinito

no azul transmundo do entendimento

epistemologias exegeses labores solitários

a língua geme no corpo dos verbos

recém-inaugurados

um louco bom chuta matrizes ao espaço

núcleos concêntricos dos transignificados

matrizes florísticas do transfinito no real

onde pétalas pêlos escamas compõem vidas novas

na vertigem da criação: o aproveito pleno das sobras

matrizes de um louco bom q. despacha sozinho

um louco bom atrás do pequeno balcão das idéias

versado em erros e acertos no miolo das odisséias.


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PERDAS E GANHOS

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uma revoada de pássaros em minhas palavras

asas na amplitude do dizer sem precedentes

nervosas inaugurações na língua

e tudo por um mínimo de brilho

longos os trilhos as idas retornos dos signos

estreitas as vias transversas das imagens

complexas as gnoises as hastes as revertigens

trípticas as telas no superespaço sidério

máxima virtude do criar o ser criado

um passo prum vendaval interior

lastimo a falta do espectador atento

nada fazer pra vencer e tudo ganhar na poesia

belos cavalos mulheres jogos caçadas inventos

pouco saber e muitíssimo arriscar na loteria dos signos.

 

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NO PRIMEIRO CONGRESSO INTERESPACIAL

DOS SEMIOLOGISTAS

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na via XPTZ 14 acelerei o trusbólido

na mesma mesa em q. Peirce transmitia

vi Leminski –um grosso baseado aceso-

olhar rísico insurreto ou de escárnio

no Congresso dos Semiologistas no árido

REXTYX 640 aquele asteróide da órbita savagé

é q. encontrei vc com seus óculos transmióticos

pura redenção sígnica a esphera atômica em minhas mãos

esphera de significados difusos prata com brilho lunar

esphera de concêntricos núcleos espelhos nos espelhos

esphera positrônica na mão direita exibida aos semiólogos

a esphera ardia em alta rotação sígnica

pedi a Leminski um basta de contradições nos ditos

e Peirce por bem ou mal suspendeu a sessão.

 

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DOS IMBECIS

COMO DONOS DO MUNDO

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os imbecis na midiosfera investidos de sóis

deuses da mediocridade os imbecis

os imbecis supremos

carnavalizam a vida como podem

enquanto trabalhamos sofremos pensamos

os imbecis resistem dionisíacos

a melhor porção da nathureza pra nós criada

aos imbecis se consagra como totem do supercapital

imbecis: os imbecis estão vencendo

já ganham nossos espaços bebem do melhor vinho

roubam nossas mulheres festejam

os imbecis do mundo inteiro estão vencendo

palavras cobertas de cal :augúrios de má-fé:

soberba nos atos perfídia no modus q. contemplam.

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AZPHYZ 888:

ONDE VIVI

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não só nesse asteróide mas noutro o AZPHYZ 888

o mago dos significados híbridos é q. vivi

ali foi decidido tudo sobre o signo

o q. deve dizer e diz sem precedentes

medo de ficar doente me meti na cápsula plúrima

alumínios de alta resistência e carbonos finos

a esphera ardia em minha mão direita

a esphera incircunscrita aos meus dedos

pedia a todos por meu destino

e ninguém respondia só o reflexo dos triumphantes

asas longas e prateadas transmitia bons sinais

o futuro chegando mais cedo em minha casa

o futuro sem seguro licença taxa ou prêmio

caído dos céus como chuva de ouro

no país do nunca mais.

 

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O HOMEM Q. QUERIA

SER ROBÔ

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sou o homem q. queria (e ainda quer) ser robô

um coração de metal cérebro superchipado

pulmão de espuma sintética braços de carbono leve

pernas com veias de mercuriocromo

erijo-me em robô e tenho a pele estampada em zinco

olhos refletores de gás néon dedos como garras em cobre

o homem robótico q. almejo e sou a partir de agora

não geme não chora deve mas não teme pondera

sou o homem-robô construído protonathuralmente

costurado com arames oxid’s nos fundos da casa

materiais desprestigiados em estruturas criativas

o ente robótico em q. me finalizo e sou

ansia pelo intelecto perfeito computar o indizível

deter muitas línguas numa só com verves associativas.