SOLIDÃO de omar de la roca / são paulo

 

Sacrifiquei as lúdicas palavras,

querendo apurar meus sentidos.

Suprimi o duplo sentidos das palavras,

Mas sem ele as palavras  ficaram ocas.

Pobres palavras, meio mortas de cansaço

mas de um cansaço meu e não delas.

Serei eu o meio morto ?

Aguardando as palavras me acordarem?

Do sono agitado, de sonhos cansados,

que se repetem a cada dia mas não se realizam?

Sacrifiquei as poéticas palavras,

Achando que algum sentido faria,a falta delas, a sua ausência.

Mas ausências são raramente boas e sem sentido as vezes.

E cismei, para que ?

Que sentido posso eu fazer se não puder surpreender  as pessoas?

Criar mundos ambivalentes onde o sonho corre descalço numa estrada de pedras?

Continuar questionando se posso ou não, se quero ou não ?

Se irei ou não ? Ou como farei ?

Se posso continuar por ai, sem medo de ferir e ser ferido?

Tentei reviver as palavras mortas.

Consegui apenas reviver alguns segmentos. Não sei se os melhores.

Não sei se conseguirei reuni-los novamente na mesma folha,

E pior , não sei se ainda farão sentido.

Ou se seguirão assim , escondendo o rosto ,

mostrando apenas um olho exausto.

Se arrastando na meia escuridão.

 

 

3 Respostas

  1. Descansaço

    Faço do cansaço meu combustivel.Por isso estou sempre ativo.
    Faço das incertezas meu copo de agua.E vou bebendo aos grandes goles,para secar minha sede.
    Quanto as palavras,que não são nem minhas, mas que as possuo tão intensamente quando estamos juntos.Quanto a elas,as vezes peço descanso.Mas no tempo de uma batida do coração,peço aos sussurros e aos brados que não,não me deixem.Por favor, não me deem descanso.

  2. Caro Omar,

    A este magnífico poema, feito só de perguntas sem resposta, de dúvidas e de incertezas, apenas posso dizer: Não tenhas nunca certezas de nada. Tudo pode acontecer…
    Um abraço.

    1. Um outro amigo hoje escreveu o poema dele exatamente no mesmo tom deste seu aqui presente belo poema e, com as palavras dele,desse outro caríssimo amigo meu, fazendo-se a si mesmo as mesmas interrogações que te fazes.Eu me quedei muda,assim como neste momento, Omar, porque também eu, assim como ambos e creio que, como quase todos os seres que mais fundo me habitam, todos os dias sinto-me erma das palavras que um dia me habitaram com força e verdade, as palavras que pensei me pertencerem, mas, como diz a querida Vera Lúcia, não se deve nem se pode mesmo ter certezas de nada. Quanto a ti, Omar, que tens Pureza, a Pureza que eu perdi há muito, SEI que as tuas palavras poéticas apenas descansam, jamais te abandonarão, coisa que não ouso afirmar das minhas palavras poéticas, profundamente, infinitamente exaustas de mim.
      Abraço da amiga
      Zuleika.

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