Arquivos Diários: 19 dezembro, 2010

WORKSONG II – de jorge barbosa filho / curitiba

 

 

bala perdida que acaba com a vida

vazia da classe média de todos santos

quantos? nunca lutaram por nada

e se dizem no direito da praça

vestindo-se num luto branco, prantos.

choram seus anjos e defuntos

infundos, e não sabem que a dita

é muito maldita, por puro engano.

 

posam bonitos nas fotografias,

dizem-se comunistas e socialistas

mas capitalistas, por enquanto!

suas olheiras são púrpuros encantos

e como ratos vão entrando pelos canos.

entupindo as veias fatais da vida,

na Tv com diversas entrevistas

clamando paz e porradas por todos os cantos.

 

você não gosta que eu chore,

mas quer que eu melhore, por tanto.

trabalho-me, malho-me, ralo-me e valho-me

da força que coloquei neste amor,

nem de longe sabes o quanto.

ainda pedes-me que implore

para escaparmos deste bando, banzo.

porém, esculhambo tudo tocando

meu banjo cotidiano, tanjo?

 

me arranja mulheres que nunca vi

e colheres para cheirar o meu ranço.

vinhos, vaginas e vícios, até quando?

incrimina-me de coisas que nunca fiz!

mesmo assim sou feliz e sambo, no tranco.

não te sei, mesmo assim, deveras!

só me levas porque sempre te amo.

te adianto: se insistires nestas teclas

com certeza, abandonarei o piano.

 

inferno os céus com poesias.

e as estrelas, são puros acalantos

viro-me  e brilho-me de preto e banto,

num eterno balanço no branco

que planto, e índio, desde o avesso.

digam-me sinceramente que sou negro.!

olhos verdes, azuis, vesgos e degradês.

posso te dizer que não te agradei,

 

pois é a ultima vez que te canto!