Arquivos Diários: 22 dezembro, 2010

“NÃO CHORES POR MIM ARGENTINA” nós também temos um “SUPREMO”

Ex-ditador argentino Jorge Videla é condenado à prisão perpétua

Um dia antes do veredicto, ex-ditador havia assumido culpa por seus atos.
Ex-general foi julgado com colegas pela execução de 31 presos políticos.

Da France Presse

O ex-ditador argentino Jorge Videla (1976-81) foi condenado nesta quarta-feira (22) à prisão perpétua, considerado culpado pelo homicídio de opositores e outros crimes contra a humanidade, em um julgamento contra 30 líderes do regime civil-militar.

O ex-general, de 85 anos, já havia sido condenado à prisão perpétua em 1985 durante um processo histórico da junta militar por crimes cometidos durante a ditadura (1976-1983), que fez 30.000 desaparecidos, segundo as organizações de defesa dos direitos do homem.

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, durante julgamento pela morte de 31 prisioneiros políticos em Córdoba, na Argentina, nesta terça (21) Argentina
O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, durante julgamento pela morte de 31 prisioneiros políticos em Córdoba, na Argentina, na terça (21) Argentina (Foto: Diego Lima / AFP)

Mas a pena foi anulada em 1990 por decreto do ex-presidente Carlos Menem, que, por sua vez foi declarada inconstitucional em 2007 – decisão esta confirmada pela Corte Suprema em abril. O tribunal também suprimiu, em 2005, a lei de anistia para os crimes da ditadura.

A partir daí, vários processos foram abertos contra Jorge Videla, católico fervoroso que fazia-se de moderado, até liderar o golpe de 24 de março de 1976 e de dirigir o país até 1981. Estes anos foram os mais duros do regime militar.

Em Córdoba (centro), o ex-general estava sendo julgado desde o início de julho junto com outros 29 repressores pela execução de 31 presos políticos.

Entre os julgados está o ex-general Luciano Menendez, já condenado à prisão perpétua por três vezes, em processos por violação aos direitos do homem.

Segundo o magistrado Maximiliano Hairabedian, há provas suficientes reunidas “para afirmar que (Jorge Videla) era o mais alto responsável pela elaboração de um plano de eliminação dos oponentes, aplicado pela ditadura militar”.

Roubo de bebês
Processado por roubos de bebês de presos políticos, um crime não acobertado pelo perdão de 1990, Videla foi colocado em prisão domiciliar de 1998 a 2008, até ser transferido para uma unidade prisional em detenção preventiva, enquanto aguardava os múltimos julgamentos.

A partir de 2001, foi também processado por sua participação no Plano Condor, coordenado pelas ditaduras de Argentina, Chile, Paraguai, Brasil, Bolívia e Uruguai para eliminar opositores.

“Assumo plenamente minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens”, destacou Videla no tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredicto.

No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá “sob protesto a injusta condenação que possam me dar”.

“Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos”, disse Videla.

Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas “não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de (Antonio) Gramsci” (téorico marxista italiano).

Videla, como comandante da ditadura (1976-81), e Luciano Menéndez, 83 anos, como ex-chefe militar com jurisdição em 11 províncias, são os dois militares de mais alta patente acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba.

Até o momento, 131 repressores foram sentenciados por crimes de lesa-Humanidade durante a ditadura argentina (1976/83).

 

PROF. SERGIO NOGUEIRA: “Temas Polêmicos”

1. O alcoólatra e o alcoólico

A palavra álcool é de origem árabe e “latra” vem do grego. A raiz grega “latria” significa “adoração” (idolatria = adoração de ídolos; egolatria = adoração de si mesmo, do próprio “eu”). Assim sendo, alcoólatra é “quem adora álcool”, é o “viciado em bebidas alcoólicas”.
A Associação dos Alcoólicos Anônimos (AAA) deveria ser chamada de “Associação dos Alcoólatras Anônimos”. A troca de alcoólatra por alcoólico se deve, provavelmente, à carga negativa que a palavra alcoólatra apresenta: é como se fosse sinônimo de “doente irrecuperável, viciado sem salvação”. O uso de alcoólico por alcoólatra é praticamente um eufemismo, ou seja, uma forma mais suave de dizer a mesma coisa.
De eufemismos a nossa linguagem está cheia: “faltar com a verdade ou dizer inverdades” por mentir; “enriquecer por meios ilícitos” por roubar; “descansar, entregar a alma ao Criador e bater as botas” por morrer; “tumor maligno” por câncer; “portador do vírus da Aids” por aidético…
É interessante observar que o uso de eufemismos se dá por vários motivos: ironia, medo de ser grosseiro, atenuar o fato, ridicularizar o caso… O aspecto psicológico está sempre presente.
Alcoólico, na sua origem, é um adjetivo e significa “relativo ao álcool ou o que contém álcool”. Daí as bebidas alcoólicas, ou seja, bebidas que contêm álcool. Entretanto é importante observar que os dicionários Aurélio e Houaiss consideram alcoólico como sinônimo de alcoólatra também.
Portanto, no caso dos “Alcoólicos Anônimos”, a opção por alcoólico não está errada. É uma questão eufêmica, ou seja, a preferência por uma palavra de carga mais leve, mais suave.
Outra curiosidade é a palavra alcoolista, também registrada em nossos dicionários como uma forma menos usada. Seria uma alternativa para alcoólico, pois me parece que alcoolista não tem a carga negativa de alcoólatra.
Por fim, a ortografia. Em álcool, o acento agudo se deve ao fato de a palavra ser proparoxítona. Alcoólico e alcoólatra também são palavras proparoxítonas. O detalhe é o acento agudo no segundo “ó”.
Certa vez, ao entrar numa pequena cidade do interior de São Paulo, encontrei uma placa: “Aqui tem Alcóolicos Anônimos”. O acento agudo no primeiro “ó” indica a possibilidade de que o autor da placa estivesse de porre.

2. Elipse ou eclipse

O eclipse é aquele fenômeno em que há o ocultamento do Sol ou da Lua. Nós sabemos que eles estão lá, mas não os vemos.
A elipse é uma figura de estilo semelhante. Ocorre quando um termo fica oculto, mas nós sabemos qual é. A elipse mais conhecida é a do sujeito. É o famoso sujeito oculto. Não é necessário dizermos que “nós solicitamos aos senhores que…” Basta “solicitamos”. Pela desinência do verbo (-mos), já sabemos que o sujeito da oração só pode ser “nós”.
Outra elipse interessante é aquela em que usamos uma pausa (=vírgula) para marcar a supressão do verbo, para evitar a repetição: “Ele não nos entende nem nós, a ele”. Nesse caso, também chamada de zeugma, a vírgula substitui a forma verbal: “nem nós entendemos a ele”.
A elipse também ocorre em várias expressões do dia a dia, como: “querem cassar o senador”; “ele só nadou a prova dos 100 metros livre”.
No primeiro caso, subentende-se “cassar o mandato do senador”; e no último, “100 metros nado (ou estilo) livre”.
É importante observar que a boa elipse é aquela que não prejudica a clareza da frase.
Leitor reclama e quer saber a minha opinião a respeito do que ele julga ser um péssimo hábito: o de agradecer dizendo “obrigado eu”.
É como eu costumo afirmar: não devemos reduzir tudo à simplista discussão de certo ou errado.
Num agradecimento, o uso da palavra “obrigado” já caracteriza uma abreviação, pois se origina da frase “estou obrigado a retribuir-lhe o favor”. Em razão disso, a mulher deve dizer “obrigada”.
Assim sendo, a expressão “obrigado eu” não está errada. É apenas uma forma popular, abreviada e até certo ponto carinhosa, de dizer que “quem está obrigado a agradecer sou eu”.

3. Ele corre risco de vida ou de morte?

Temos agora uma seleção de casos incoerentes ou absurdos. São situações semelhantes ao do famoso “correr atrás do prejuízo”. Só louco corre atrás do prejuízo. Do prejuízo eu fujo. Eu corro “atrás do lucro”.
Outro caso curioso é o “correr risco de vida”. Rigorosamente, nós corremos “risco de morte”. Nós não corremos “o risco de viver”, e sim “o risco de morrer”. Nós sempre corremos o risco de alguma coisa ruim. Ninguém “corre o risco de ser promovido”, mas corre o risco de ser demitido. Ninguém “corre o risco de ganhar na loteria”, mas corre o risco de perder todo o dinheiro no jogo, de ser roubado, de ir à falência…
Não é uma questão de certo ou errado. É apenas curioso. Trata-se de mais uma elipse. Eu sei que está subentendido: “correr o risco de perder a vida”. Portanto, as duas formas são corretas.
Parecidíssimo com o caso anterior é a tal da “crise do desemprego”. Ora, na verdade, quem está em crise é o EMPREGO. Infelizmente, o desemprego vai bem. Creio que hoje nós vivemos uma “crise de emprego”.
Também merece destaque a tal mania de “tirar a pressão”. Se eu “tirar a pressão”, morro. É melhor medir ou verificar a pressão.
O assunto é muito interessante e ainda haveria muitos outros casos para analisar. Vou deixar mais alguns para você “quebrar sua cabeça”:
“Dividiu o bolo em três metades”;
“O anexo segue em separado”;
“Eram dois homossexuais e uma lésbica”;
“Estou preso do lado de fora”;
“Por favor, me inclua fora disso”…