NATAL – de philomena gebran / rio de janeiro

Tudo é normal nesta época.

Grandes euforias falsas alegrias

Salas iluminadas mesas arrumadas

Camas abandonadas

Árvores de papel.

Sorrisos de papai Noel

Tudo planejado em mágica imaginação.

Tudo sem fantasia. Tudo sem criação

Todos perfumados

Postados conformados.

Hoje ontem amanhã

Sem a menor emoção

Roupa nova inaugurada

Risos estrangulados

Tudo sempre igual no fatal natal.

 

Uma resposta

  1. Philó, minha querida, saudades e gratas lermbranças…

    Você sempre poetizando a vida com essa verve poética que nunca assumiu abertamente. Apenas os teus grandes amigos conhecem essa tua lírica qualidade. Parabéns pelo poema.Uma crítica delicada desse mundo de aparências em que vivemos. No fundo o Natal é sempre essa mesmice: “grandes euforias e falsas alegrias”. Quanto a mim o Natal é sempre o momento de renovar nossas reflexões.
    Vejo que o Natal como um acontecimento muito além da sua historicidade e a mais importante data do calendário. Creio que todos deveríamos nos perguntar se realmente Jesus já “nasceu”. Quantas e quantas vezes ele tem batido à nossa porta, mas, como há 2.000 anos nas hospedarias de Belém, nos lhe barramos a entrada. Toda a vez que negamos o perdão ao ofensor, que não damos a outra face e que não temos caridade às pessoas difíceis, é porque Jesus ainda não nasceu dentro de nós. Mas para isso é preciso fazer do coração uma mangedoura humilde e só então possamos ter, intimamente, um verdadeiro Natal para comemorar. Creio que a humanidade ainda não entendeu o significado do Cristianismo. Muito mais que uma realidade histórica, o Cristo é um símbolo poderoso. Jesus significa o amor, a verdade e a justiça, independente de qualquer religião e muitas rezas e é nessa dimensão que ele está no mundo dos homens, seja ou não invocado o seu nome. Onde predominar a hipocrisia, o egoismo e o orgulho ele jamais será encontrado, ainda que o invoquem com palavras e cerimônias religiosas.
    Tudo isso precisa ser revisto porque a tão decantada “salvação” pela qual nasceu Jesus, não está nesta mágica chegada num céu ou num paraíso de descanso eterno, um perpétuo domingo, uma inanição que atrofia e violenta a racionalidade, mas sim em outras atividades e na renovação do espírito pela educação como um processo permanente. Creio que Jesus só nos “salva” quando consegue nos educar com essa sábia cartilha chamada evangelho, toda resumida no Sermão da Montanha. Aliás já dizia Gandhi que se se perdessem todos os evangelhos mas se sobrasse apenas o Sermão da Montanha, o Cristianismo estaria salvo.

    Eu ainda não comemoro o Natal como quisera. Porque Jesus ainda não nasceu plenamente em mim. Jesus nasce em nós quando nos transformamos, como transformou a tantos sob o impacto da sua presença. Alguém já disse que para Paulo de Tarso (São Paulo), Jesus nasceu na Porta de Damasco, quando o orgulhoso representante do Sinédrio e responsável pelo apedrejamento de Estevão, foi envolvido pela sua luz e suas palavras. Se pudéssemos perguntar a Maria Madalena onde nasceu Jesus, ela certamente diria que para ela Jesus nasceu na cidade de Betânia quando sua voz transformaram-lhe para uma nova vida. Certamente São Pedro, que por medo o havia negado, diria que Jesus realmente nasceu para ele no pátio do Pretório de Pilatos quanto o galo cantou pela terceira vez despertando sua consciência para nunca mais vacilar ao defender a justiça e proclamar a verdade. Para Dimas, o bom ladrão, Jesus nasceu no alto do Calvário quando seu olhar carregado de amor e compaixão pousaram-se sobre ele, convidando-o para a renovação íntima como a dizer que abominava o pecado mas que amava o pecador. E os exemplos seguem com Zaqueu, Tomé e outros.

    Mas num mundo tão materializado, globalisado, consumizante e alienante, vamos comemorar o Natal o melhor que pudermos, esquecendo deste pobre e singelo Papai Noel tão marquetizado e violentado em sua verdadeira história e lembrarmo-nos com louvor e gratidão do verdadeiro aniversariante.

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