Arquivos Diários: 6 janeiro, 2011

general José Elito Carvalho, chefe do Gabinete de Segurança Institucional: ” A mais indecente declaração em 40 anos”

Vergonha é não ter vergonha

Começa muito mal a gestão Dilma Rousseff: deveria ter demitido no ato o general José Elito Carvalho, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, para quem não há motivo para vergonha no fato de o país ter desaparecidos políticos.

Familiares exibem fotos de desaparecidos durante a ditadura

No mínimo, no mínimo, a presidente deveria ter exigido de seu subordinado que emitisse nota oficial explicando as declarações que deu e que, segundo ele, foram mal interpretadas. Não cabia interpretação nenhuma. O general produziu a mais indecente declaração que ouvi até hoje em 40 anos de acompanhamento de questões vinculadas aos direitos humanos nas muitas ditaduras sul-americanas.

Achar que se trata de “fato histórico” é zombar do público. Quer dizer então que os desaparecidos foram tragados por um tsunami, por um terremoto, um vendaval, “fatos” naturais contra os quais não há mesmo remédios nem culpados?
Não, meu Deus do céu, não. Foram produzidos por mãos humanas, se é que são de fato humanas pessoas capazes de tal barbaridade. Mãos que, até agora, não tiveram as digitais colhidas nem as responsabilidades devidamente apuradas, é bom lembrar.
Por extensão, há, sim, todas as razões do mundo para ter vergonha do que aconteceu. Como é possível a um ser humano O novo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General José Elito                     Carvalho Siqueira. Foto: Marcos Ommati/Diálogo
não sentir vergonha de o Estado brasileiro, em uma determinada etapa, ter feito desaparecer adversários políticos? É indecente, é obsceno.
Um funcionário público, graduado ou não, fardado ou não, que não sinta vergonha não é digno de continuar a serviço da sociedade, muito menos ainda na posição de responsável pela segurança institucional da República. É, visivelmente, um promotor da insegurança, jurídica e pessoal, ao tomar como “fato histórico” o que é crime.
Ou o general explica, limpidamente, o que pensa sobre o assunto ou se demite.
Conversa Afiada. pha.

VERA LUCIA KALAHARI e sua poesia / portugal

NOITES DE INSÓNIA

Oh…Estas noites de insónia

Terríveis, infinitas

Onde o próprio vento    `

Parece escorraçar-nos.

Onde cada pulsação é um tiro

Quebrando a escuridão

E cada sombra um mistério,

Cada ramo erguido

Uma garra que nos quebranta

Cada minuto, uma agonia…

Estas noites que me atemorizam

Em que cada  sombra é um fantasma,

E cada homem, cada amigo, um inimigo…

Lá longe, muito ao longe,

Ouve-se o cantar do mar.

…Depois, mais nada.

Só o pulsar cadenciado do meu coração

Muito alto…Muito alto…

É a hora em que as flores tombam em morte lenta

Tentando numa ânsia  agónica

Prenderem-se à terra.

Em que se ouvem, perdidos,

Os gritos lancinantes das crianças…

É a hora em que a morte surge, à espreita…

A hora em que os famintos curvados no lixo

Buscam, como se colhessem flores,

-Estranhas flores-

Pedaços de pão…

É a hora das coisas, dos silêncios, dos homens…

Em qualquer parte, em qualquer terra,

É a hora amarga dos pesadelos

Em que nos sentimos sós

Como se nos rodeasse já

A solidão torturante damorte.

Oh… Estas terríveis noites…

Este terrível chamamento, este horroroso apelo

Dum mundo em pranto.

O MEU CREDO

Creio

No cristal límpido

Em que se hão de transformar

Os pensamentos lodosos.

No sorriso iluminando rostos

Nos trajes luminosos que hão-de cobrir os homens:

Os trajes da liberdade.

No vinho doce que há-de embriagar

Mentes enlouquecidas…

No tropel de gente esperançada

Que há-de correr, chorando,

Para o Bom Deus, temendo chegar atrasada.

E vós

Que olhais sem verdes nada

Que fechais a alma à esperança,

Que tiritais ao frio da nortada

Esperai, por favor, pelo sol ardente

Que vos virá aquecer…

Porque, crede: O tempo sem violência de que vos falo,

Virá…Terá que vir…Acreditai.