Arquivos Diários: 21 janeiro, 2011

ARIJO – de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

ARIJO

 

Nasci Arijo Jairo Oriaj

filho de Dinarte e Lucilla

na tela em amarelo de março

três da tarde de 56

Um anjo anêmico me tocou a face

A casa velha, dourada de periferia

Signos ludindo no porão

O pai operário, a mãe do lar

Operária de pães enormes

Um forno pra sete filhos

Tudo em amarelo

Todas as telas, as vias

as abóboras, as significâncias

Rua Goytacás esquina com

Carijós, Vila Fátima de um

Passo Fundo perdido no tempo.

Feitiços na esquina. Linhas, laços

vermelhos, trançagens.

Minha identidade firmada

nas folhas da mata sobrevivida

que sobrevivi.

Em Arijo, li, reli o livro enterrado

no eucaliptal da infância

li, reli a fábula do poeta

Lagartixas e borboletas

no bosque da caça permitida

do futuro

E havia uma floresta permitida do

futuro

onde um ser de luz (o anjo

anêmico) da primeira visita

mostrava o caminho.

 

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