A presidente ou a presidenta? – por prof. pasquale cipro neto / são paulo

O professor PASQUALE CIPRO NETO tira a dúvida.
Que têm em comum palavras como “pedinte”, “agente”, “fluente”, “gerente”, “caminhante”, “dirigente” etc.? Não é difícil, é? O ponto em comum é a terminação “-nte”, de origem latina. Essa terminação ocorre no particípio presente de verbos portugueses, italianos, espanhóis…
Termos como “presidente”, “dirigente”, “gerente”, entre inúmeros outros, são iguaizinhos nas três línguas, que, é sempre bom lembrar, nasceram do mesmo ventre. E que noção indica a terminação “-nte”? A de “agente”: gerente é quem gere, presidente é quem preside, dirigente é quem dirige e assim por diante.
Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte). Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?

 

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321 Respostas

  1. Acho um pouco ilógico tal exceção, seguindo tal linha de raciocínio , se temos ” PRESIDENTA’ , teríamos também “PRESIDENTO” !!?????
    Então o errado passa a ser a forma “PRESIDENTE !!!????
    Mudam até a gramática na marra pra não dizer que a picareta mor está errada??!!!???

  2. Boa, professor. Percebe-se, diante dos comentários que sinalizam a ignorância dos que não sabem divisar política de educação que o ditado “faça o que eu digo e não o que faço” está a cada dia mais vivo entre nós! Obrigado pelo esclarecimento, professor!

  3. Lamentável essa explicação deste professor forjado na mídia. Aquele jargão idiota onde ele se refere a tal “presidentA” como que: “seja feita a sua vontade, por-que não?” Acho que ele o tal “professor” a estaria comparando a “Deus”, porque se fossemos sucumbir a todas as vontades dessa “presidentA” já seriamos hoje uma grande Venezuela ou quem sabe uma enorme Cuba.

    1. Machado de Assis tbém é petralha?

  4. Ricardo Gonçalves Heinzen | Resposta

    O pessoalzinho ai de cima já ouviu falar no pai dos burros (dicionário)?Presidenta tem, estudanta, gerento etc NÃO!

  5. A militância é tão forte que mudam até a gramática na marra pra não dizer que a picareta mor está errada

  6. “Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?”
    Puxou o SACO da Dilma agora hein!!! Será que é pra evitar qualquer desagrado aos petistas que procuram pelas aulas dele? kkkk

  7. Em caso de concurso público posso considerar presidenta correto ?

  8. Débora Correia de Mello Peres | Resposta

    Vou me candidatar agenta de policia. Se pode presidenta, pode também agenta.

  9. O que me causa estranheza é que só os petistas falam presidentA, os demais falam presidentE. Por quê?
    Tenho 66 anos, estudei com os melhores professores que sempre me disseram: o feminino de o presidente é a presidente.

  10. Sorria!
    Você nunca mais vai escutar alguém falar “presidenta”.
    Faltam poucos dias. Rsrs

    1. Ja é alguma coisa, rsrs…

  11. Mas como seria então o Sr Michel temer? Vice presidento??? Da mesma forma q não tem como mudar o gênero com final “ente” para o “a”… já pensou?? Doenta, dirigenta, gerenta, pacienta…. não dá…o certo então é a presidente mesmo (substantivo comum de dois generos)

  12. Curioso , que , nenhum ex Presidente obrigou seus ” súditos” a usarem PRESIDENTO !!!
    Acho que a presidente Dilma quiz “causar” e sentir-se especial , feminista( de araque depois dos ” grampos” reveladores ) , e pioneira . Mas poderia ter exercido estas prerrogativas de outra maneira , mas se apequenou , e passará para a História de forma lamentável e pouco lisonjeira ( usando um termo educado … )

    1. É que ela quis seguir a Kirchner, que é chamada de presidenta… Talvez termo mais “bolivariano” , né não?

    2. Depois de “presidenta” ela criou “mosquita”, “mulher sapiens”, e outras “feminilidades”, rsrs….

    3. Dona Leonice, provavelmente a senhora “quiz” dizer QUIS. Volta pra escola com suas parentas! Presidenta, sim!

  13. Prefiro chamar de vaca

  14. Homens dizem obrigado e Mulheres devem dizer obrigada..

    1. Assim como homens são maridos, mulheres, esposas; mas amante, é amante seja homens ou mulheres, né não?

  15. “Presidenta” pode até estar correto, mas é lamentável ver o bando de puxa-sacos referir-se a ela como “presidenta”, numa clara demonstração de servilismo. É só verificar como as personalidades que não dependem dos favores presidenciais se referem a ela. Mesmo assim, não me conformo, deveria por similaridade, falar-se estudanta, agenta, gerenta, etc… ( nossa, dói no ouvido, não? )

    1. Eu sempre presto atenção em como alguém se refere a ela em uma entrevista, por exemplo. Se fala presidente, ~´essa pessoa é, no mínimo, independente; se fala presidenta, aí fico com a pulga atrás da orelha, e penso: Aí tem coisa!

  16. Explicou mas não convenceu, se designa ação de um agente (falante, escrevente, caminhante, infringente, debutante), onde estará a “escolha” ou a causa da exceção?

  17. O mais cabível é presidAnta

  18. Parente é a ação de qual verbo? Parir?
    Parente é quem pari?

    Não há ação de um verbo neste caso… Me diga um caso de uma ação de um verbo que termine com -enta e não -ente?

  19. Em gramática, o comum de dois gêneros é a classificação que recebem os substantivos cujas formas masculina e feminina são idênticas mas são diferenciáveis pela presença de um modificador, tal como um artigo ou adjetivo. Portanto não adianta modificarem nos dicionários pois a regra de substantivos comum de dois gêneros é bem clara, ou então imaginem se assassinassem os restantes como por exemplo : masc. viajante/fem. viajanta ou masc. inteligente/fem inteligenta kkkkkk. poxa é simples basta usar o artigo correto o inteligente/ a inteligente, o viajante/ a viajante, O PRESIDENTE/ A PRESIDENTE, ENTENDERAM!!!!!! É FÁCIL NÃO EXISTE A NECESSIDADE DE INVENTAREM NOVAS PALAVRAS PARA O QUE JÁ ESTÁ DEFINIDO!

    1. A “nova palavra” tem registro desde 1875… As línguas modificam, evoluem, se transformam. A gramatica registra o que é norma num momento, num outro momento , se por condições políticas, ideológicas ,culturais ou linguísticas mesmo, os usos mudam, a norma pode e deve mudar.
      Não fosse assim, e estaríamos todos – países neolatinos – falando e escrevendo em latim.

  20. O certo mesmo é ” presidanta” kkkkk presidAnta

  21. Pelos cometários tendenciosos e mal intencionados posso afirmar que muitas jumentas e jumentos ofenderam a dirigente da nação, que é uma autoridade, que não está cometendo nenhuma ilegalidade no isso da palavra tão refutada.

    1. Cometeu ilegalidade sim. A ilegalidade foi extorquir os trabalhadores de todas as formas,roubar,mentir e o pior, ser dirigente do pais às custas de fraude nas eleições.Essa mulher não tem moral para nada a queremos fora já!

      1. Amigo. Para satisfazer os petistas, fala em “dirigenta”. Hehehe

    2. Então é dirigentA e não dirigente. KKK

  22. Sugiro que passemos a chamá-la de governanta do Brasil, que seria mais condizente com sua o que ela realmente é, sem infringir à sua peculiar gramática…

  23. O Pasquale foi infeliz. O ente de parente não parece ser o mesmo sufixo que quer dizer”aquele que”. Por isso tem a forma feminina.

  24. A solução para isso é muito simples: já que insistem em negar que o termo “presidente” serve tanto para homem quanto para mulher, já que insistem em utilizar uma forma “feminilizada” do termo, proponho a criação de “presidento”, que será exclusivo para homens. Usa quem quiser. Quem não quiser, que se contente com as outras opções.

  25. Basta observar que as palavras palavras que indicam condições derivadas de palavras que terminam em “ência” sempre terminam em “ente” mesmo quando a pessoa a quem se refere é uma mulher. Exemplos:

    Gerência: gerente (homem); gerente (mulher).
    Superintendência: superintendente (homem ou mulher).
    Inteligência: inteligente (homem ou mulher).
    Abstinência: abstinente (masculino ou feminino)
    Aparência: aparente (masculino ou feminino)
    Prudência: prudente (homem ou mulher).
    Portanto, “presidência:” …

    Não é possível que professores tão renomados não observem o óbvio.

    1. Eu diria pouquíssimas vezes os grandes mestres erram, e neste caso o ilustre professor Pasquale acertou em cheio. Presidente, para aplicação de feminino é igual a parente (a palavra PARENTA existe).
      A palavra presidente indica sim, uma condição temporária. Claro.
      Regra de palavras que indicam uma situação temporária ou periódica que terminam em “ente” não não tem apoio da ABL. Exemplos:
      – Presente. É substantivo masculino e adjetivo de dois gêneros, independentemente de ser condição temporária.
      – Ele está AUSENTE. Mesma coisa.
      Porém… repare que ao percebermos alguma irregularidade no hotel em que estamos hospedados, curiosamente chamamos a GOVERNANTA, né? (situação também temporária) Ora! GOVERNANTE, por ser adjetivo ou substantivo de dois gêneros,
      pode muito bem ser aplicado ao masculino ou ao feminino, certo?
      Porém, GOVERNANTA só se aplica ao feminino.
      A lei federal 2.749, de 1956, do senador Mozart Lago (1889-1974), determina o uso oficial da forma feminina para designar cargos públicos ocupados por mulheres.
      Era letra morta, até o país escolher sua primeira mulher à Presidência da República.
      Não foi Lago quem criou o vocábulo, apenas determinou o uso. Fato que nos leva a crer que a palavra já existia em nosso léxico – pelo menos desde 1899 no dicionário de Cândido de Figueiredo. Não estou a defender Dilma, até porque não suporto o PT. Mas ela ou qualquer cidadã, neste país, pode fazer uso do vocábulo, pois este está oficialmente consagrado pela Academia Brasileira de Letras.
      Não gostar do uso dos termos PRESIDENTA, GENERALA, PARENTA, SARGENTA… é direito de qualquer pessoa. Daí a dizer que Pasquale, que, por ser professor, deve seguir as normas vigentes de nossa língua, está errado, é desejar que este e outros profissionais de educação desrespeitem o órgão regulador de nosso idioma.
      Pelo menos, por enquanto ele está certíssimo.
      Abraços

      1. O feminino de elefante, por exemplo, é elefanta… Acho que as pessoas estão obtendo tais conclusões por meio de indução, pegam como resultado particular uma, duas, três ou palavras ou mais, que não possui dois gêneros, e assim conclui-se que será paras as demais. Lembro-me de uma falácia lógica que explicava-se com o seguinte exemplo: Pedrinho descobriu que os átomos eram invisíveis, pedrinho era feito de átomos, logo concluiu que ele era invisível, nunca ganhou uma brincadeira de esconde-esconde. Não tenham preguiça, o google acadêmico, por exemplo, têm diversos artigos sobre o uso da palavra PRESIDENTA, garanto-lhes que é melhor supedâneo que facebook…

        1. Aqui neste país, Facebook ou Google, ainda não fontes fidedignas, embora podemos encontrar algumas explicações convincentes. Mas, a autoridade com força de lei, está na Academia Brasileira de Letras. Ou acatamos ou joguemos essa instituição no lixo. Acredito que Pasquale tenha optado pelas regras desta instituição.
          não adianta se amofinar com vocábulos que nos parecem esquisitos.
          Se existem, podem ser aplicados dentro dos respectivos contextos.
          Duvido que os lusitanos entrariam numa discussão sabendo que na qual perderiam
          para os oponentes. Lá, o respeito às regras é quase religião. A Academia das Ciências de Lisboa manda e os fiéis obedecem, mesmo que não concordem.
          Numa prova, se houver questão do tipo “marque com um X a palavra errada” e nela contiver PRESIDENTA e alguém marcar PRESIDENTA, vai errar a questão.
          O que eu quero dizer com isso é: goste ou não, o PALAVRÃO (presidenta) EXISTE e está correto. Não adianta se aporrinhar. É feio pra caraca, eu concordo. Mas…

          1. Sergio, eu concordo.

          2. Que bom que você deu religião como exemplo. Vamos fazer um paralelo: sua religião diz para você matar uma pessoa em nome de um deus (qualquer um dos 2800 que existem). Você mata ou não ? Há que se perguntar até que ponto seguir a opinião de alguém ou de algum órgão é sensato e a partir de que ponto passa a ser pura teimosia. Eu, como ser pensante, não concordo com “presidenta”, pois não concordo com nenhum ENTE virando ENTA. A regra é clara: ENTE vale para homem e para mulher, não havendo necessidade alguma para ENTA. Acredito que ser consistente em minhas opiniões seja o mais sensato. A ABL não. Se ela gosta de se contradizer, impondo uma regra e depois fazendo exceções, como o ridículo “presidenta”, o problema é dela (e, nesse caso, dos pró-Dilma também, os únicos que usam “presidenta” com gosto).

            1. Eu sei que é dificílimo aceitar os palavrões PRESIDENTA, GENERALA, SARGENTA…
              mas, infelizmente eles são oficiais em nosso idioma. Fazer o quê?
              Sugiro uma outra academia então. Eu não acho que nossa Academia tenha sido leviana a ponto de criar regras e depois exceções. Graças a Deus temos outro vocábulos que se encaixam perfeitamente no lugar de PRESIDENTA.
              Usa presidenta quem quer, usa presidente quem quer. Dilma, embora eu não a engula como governante, é cidadã brasileira com os mesmos direitos que os outros pobres mortais. Se os palavrões citados não devem fazer parte do nosso vocabulário, é briga com a Academia, na certa. Entenda; eu também não gosto, mas admito que é oficial. O que a gente pode fazer é uma boa manifestação à porta da Academia. Quem sabe?
              Perde-se tempo com incômodos do idioma português, como por exemplo essa polêmica, para saber se o correto é chamar Dilma de Presidente ou Presidenta.
              No VOLP, em Michaelis, A. Houaiss, Caldas, Aurélio dizem que ambos os termos são corretos. Até Machado de Assis e Érico Veríssimo usaram o termo presidenta.
              Ao percebermos a atitude de algumas pessoas, chegamos a conclusão que o problema não é ortográfico é sim político.
              A respeito dos lusitanos, eu disse: “Lá, o respeito às regras é quase religião”
              (QUASE) usei este termo (religião) apenas para enfatizar o respeito pelo vernáculo.
              Sei também que não aceitar determinadas palavras não incorremos no desrespeito. Mas o que me gerou desejo de expressão foi um texto que dizia que o professor Pasquale estava errado. Ora! Se a palavra existe, o professor não pode estar errado.
              Ele explica claramente – “Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
              Não vi erro nenhum! E nem acho que Pasquale, nessa altura do campeonato, inventaria vocábulos para justificar suas elucidações.
              Abraços.

              1. Eu não deixo de concordar com você, Sérgio. Realmente, a palavra está na maioria dos dicionários, é aceita pela maioria das organizações/órgãos lingüísticos portugueses e brasileiros e pode ser usada por qualquer cidadão que deseje fazer isso. Nem Pasquale nem nenhum outro gramático, lingüista ou estudioso da língua está errado por simplesmente expressar esse fato. Contudo, o que eu advogo não que é Pasquale, Dilma ou Machado de Assis (que usou o termo em 1880) estejam errados, tampouco que o uso da palavra esteja. É mais simples que isso: advogo que o termo em si é errado. Ele nasceu de um desvio às normas de formação de palavras da língua portuguesa. Como o uso do povo acaba consagrando ou não um termo, “presidenta” acabou sendo aceito, mesmo que na marra, depois de várias figuras proeminentes terem-no usado. Algo parecido aconteceu com algumas outras palavras. Exemplo: “assobiar” era a palavra original. Com o insistente e duradouro erro de alguns falantes, a forma “assoviar” acabou se popularizando e sendo aceita. É indiscutível que “assobiar” era a forma original e “correta” e que “assoviar” é uma corruptela que, por pressão do uso popular, foi acatada pelos órgãos lingüísticos e dicionários. Nada nunca mudará o fato de que “assoviar” é apenas uma forma errônea de se escrever “assobiar”, assim como nada há de mudar o fato de que “presidente” é o termo mais correto, já que as terminações ENTE, INTE e ANTE em português são naturalmente unissex, comuns de dois gêneros, não sendo flexionadas em gênero para ENTA, INTA ou ANTA.

                1. Nossa! Eu sempre assobio e acho que não sairia nenhum som se assovisse….

        2. Gustavo, “elefante” não é um substantivo advindo de particípio presente (não existe o verbo “elefar”), então ele não segue a mesma regra, de forma que realmente tem o feminino “elefanta”. A analogia que você fez é bacana, mas não se encaixa aqui porque existe uma infinidade de termos terminados em ENTE, INTE ou ANTE em português que não têm, de forma alguma, feminino ENTA, INTA ou ANTA, não são só “uma, duas, três ou palavras”. Outra coisa: você diz “que não possui dois gêneros”. Pelo contrário ! Todas essas palavras de que estamos falando, os nomes vindos do resquício de Particípio Presente do latim, são comuns de dois gêneros, ou seja, são termos UNISSEX. Se “presidente” é unissex, ou seja, serve tanto para homem quanto para mulher, qual é o sentido de se usar “presidenta” ? Dar a ilusória impressão de que as mulheres estão dominando o mundo com esse feminismo distorcido que anda em voga ? Só se for !

          1. Quanto ao gênero, falo sobre gênero gramatical, por exemplo, menino e menina… trouxeram uma regra absoluta e se justificam por ela, por isso falei sobre indução, quanto o presidente, elefante, parente, governante, possuirem gênero feminino, elefanta, parenta, governanta… e eu nao limitei a uma, duas, ou três, disse que podem haver mais, mas isso não anula o fato de também existirem as outras… Deixei um artigo abaixo, de varios autores que defendem o uso… Não vejo ideia de dar nenhuma falsa ilusão, e não conheco nenhuma regra que não tenha exceção. Vamos para de falar você e usar vosmecê.

            1. Eu também estou falando de gênero gramatical. Como disse, palavras terminadas em “ente”, “inte” e “ante” são comuns de dois gêneros, inclusive “presidente”, de forma que “presidenta” não faz sentido. As pessoas colocaram na cabeça que “presidente” é um substantivo masculino porque sempre tivemos homens na presidência. Com a eleição de uma mulher, sentiram-se pressionadas a “feminilizar” o termo, o que não se justifica por já ser naturalmente unissex. E repito: elefante não conta porque não tem a mesma formação das palavras sobre as quais estamos discutindo. Li o artigo postado e não me surpreendeu: é natural que gramáticos e lingüistas defendam o termo “presidenta”; afinal, está no dicionário. O caso de “você” é totalmente diferente, e você sabe disso… Não misturemos as coisas.

              1. Embora utilizada na literatura e dicionarizada há mais de um século, a lenta e gradual assunção de mulheres a certos cargos profissionais ou políticos tornou a palavra presidenta muito pouco conhecida. A pouca produtividade do sufixo -nta no português, variante do sufixo -nte, pode sim proporcionar estranheza nas formações de feminino com essa terminação. Não importa: a palavra tem uso comprovado em documentos oficiais e artigos jornalísticos de épocas diversas até hoje e, por mais resistência que exista à sua aceitação, encontra amplo amparo na gramática tradicional. Por que diabos, então, há quem diga que presidenta é errado?

                Etimologia

                A terminação -nte é um sufixo originário do latim –ns, -ntis, desinência do particípio presente que, na língua portuguesa, resultou em adjetivos ou substantivos.
                Por si só, esse particípio presente não vingou na língua portuguesa.

                Por isso, no português contemporâneo, esse particípio latino ainda é reclamado como fator remoto da (relativa) uniformidade dos adjetivos (e substantivos)
                terminados em –nte em português. Isso mesmo: relativa. Como veremos a seguir, essa tal uniformidade é ilusória.

                A variação de -nte para -nta na história do português

                Os estudos da linguista Rosa Virgínia Mattos e Silva (2006) constataram que “no Cancioneiro Medieval Português aparecem sergente: sergenta e o sinônimo servente: serventa (‘servo’); […] no Orto do Esposo, dos fins do século XIV, aparecem servente, sergente, mas também sergenta” (p. 103-104).
                Para exemplificar as variações da terminação -nte com outras palavras do português arcaico em uso até hoje, podemos citar infanta[1] e parenta, substantivos surgidos no século XIII conforme o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (2010); giganta, publicado num romance de cavalaria em 1522, conforme Barros (1743); posteriormente, num período mais moderno da língua, teremos elefanta, registrado no século XVIII no Diccionario da Lingua Portugueza (SILVA, 1789); presidenta, introduzido no idioma por meio de Antônio Feliciano de Castilho em 1872, conforme a primeira edição do Dicionário Caldas Aulete (1881); e governanta, originado em 1881 por influência do feminino do francês gouvernante (HOUAISS, 2001). Entre os casos que não se consolidaram na língua, Said Ali (1964) cita, em Gramática Histórica da Língua Portuguesa, as palavras comedianta e farsanta, utilizadas na literatura do período quinhentista e seiscentista (p. 62).

                O uso

                Apesar do registro histórico desses vocábulos, a variante feminina do sufixo -nte sempre teve baixa produtividade morfológica em nossa língua. De fato, trata-se de um uso irregular, esporádico e imprevisível na formação de palavras.
                A baixa frequência da terminação -nta na formação de substantivos femininos é certamente a causa do estranhamento de parte dos usuários da língua ao ler e ouvir essas formas. No caso de presidenta, o contexto histórico e político de tempos passados, que só lenta e gradualmente permitiu a ascensão de mulheres a cargos de direção ou eletivos, não proporcionou muitas oportunidades para o uso do termo.
                Eis o motivo pelo qual o gramático Celso Cunha constatou, em sua Gramática Moderna (edição de 1970, obra fora de catálogo e anterior à Nova Gramática do Português Contemporâneo, em parceria com Lindley Cintra), que presidenta “se trata de feminino ainda com curso restrito no idioma, pelo menos no Brasil” (p. 96).
                De qualquer forma, isso nunca demonstrou que a palavra presidenta já não tivesse sido utilizada há muito, fosse na literatura ou em alguns gêneros textuais, para se referir a mulher que presidisse uma empresa ou um chefiasse um tribunal jurídico.

                Machado de Assis utilizaria o vocábulo em Memórias Póstumas de Brás Cubas (publicada pela primeira vez em 1881): “Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário, era resolver as cousas de um modo administrativo”.
                No âmbito jornalístico, constam incontáveis registros do uso do termo, conforme pode ser constatado por meio das ferramentas de buscas dos sites de jornais.
                No que se refere ao uso, portanto, comprova-se, em vários meios e épocas, o hábito de se escrever esse feminino, cujas ocorrências tornaram-se mais frequentes na medida em que as mulheres passaram a assumir cargos de presidência.

                Normalização gramatical

                Em seu Dicionário de Masculinos e Femininos, Aldo Canazio (1960) registra presidenta como feminino de presidente (ao lado de [a] presidente como substantivo de dois gêneros).
                Desde sua 1ª edição (1963), a Moderna Gramática Portuguesa de Evanildo Bechara já registrava e abonava essa forma feminina:

                Podemos distinguir, na manifestação do feminino, os seguintes processos […] com a mudança ou acréscimo ao radical, suprimindo a vogal temática […] Os [terminados] em –e uns há que ficam invariáveis, outros acrescentam –a depois de suprir a vogal temática: alfaiate à alfaiat(e) + a à alfaiata.

                alfaiate – alfaiata
                infante – infanta
                governante – governanta
                presidente – presidenta
                parente – parenta
                monge – monja
                Sargento – Sergenta
                servente – serventa
                iInfante – infanta
                comediante – comedianta
                farsante – farsanta

                Celso Pedro Luft, em seu Dicionário Gramatical da Língua Portuguesa (1966),
                ensina que “os substantivos terminados em e são geralmente uniformes.
                Há, porém, alguns que trocam o e por a: elefante – elefanta; governante – governanta; infante – infanta… Em ABC da Língua Culta, o autor reafirma:
                “… substantivo que se pode tomar como comum de dois gêneros para ‘pessoa que preside’: o presidente, a presidente; mas também comporta feminização flexional: a presidenta”.
                Rocha Lima (2007), em sua Gramática Normativa da Língua Portuguesa, reconhece: “a força do uso já consagrou as formas flexionadas infanta, parenta e presidenta” (p. 73).
                Cegalla (2008) diz o seguinte em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa: “É forma dicionarizada e correta, ao lado de presidente.
                A presidenta da Nicarágua fez um pronunciamento à Nação. / A presidente das Filipinas pediu o apoio o apoio do povo para o seu governo (p. 336).
                Finalmente, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (2009), que registra todas as palavras em uso oficial na língua portuguesa, legitima a palavra (p. 674).
                Napoleão Mendes de Almeida parece ser o único gramático de relevância a recusar a forma presidenta. Em seu Dicionário de Questões Vernáculas, sentencia:

                São em português uniformes os adjetivos terminados em nte, como já no latim havia uma só terminação – ns – para o masculino e feminino dos adjetivos da segunda classe, por cujo paradigma se declinavam os particípios presentes:
                prudente, amante, vidente, lente, ouvinte. …Alguns dos adjetivos de tal terminação andam a ser flexionados em nta no feminino quando substantivados: parenta, infanta, governanta. Presidenta, porém, ainda está, ao que parece, no âmbito familiar e chega a trazer certo quê de pejorativo (p. 244).

                De onde vem essa obsessão napoleônica de quase sempre fazer analogias de questões da língua portuguesa com o seu caso correspondente em latim?
                Conforme Marcos Bagno (1999) bem observou, “as explicações de Napoleão se baseiam exclusivamente em comparações com o latim e o grego, …desconsiderando sistematicamente todas as contribuições da ciência linguística moderna” (p 80).
                De fato, a única justificativa dada por Napoleão para condenar a variação do vocábulo presidente é vinculá-la obrigatoriamente à sua uniformidade latina original. Ora, o fato de os adjetivos terminados em -nte serem, “como já no latim”, uniformes em nada justifica ou obriga, necessariamente (como já constatamos), a preservação de tal uniformidade numa língua neolatina.
                Vale observar o que diz a Gramática comparativa Houaiss: quatro línguas românicas (2010), ao mostrar quanto as línguas derivadas do latim comportaram-se de modo peculiar/intrínseco e divergiram em suas formações de gênero:

                Há nomes e adjetivos em -a e em -e que podem ser uniformes quanto ao gênero
                …há palavras terminadas em -e que em português, espanhol e italiano são uniformes para o masculino e o feminino, mas que em francês apresentam uma diferença entre a forma masculina e a forma feminina. …no que diz respeito aos adjetivos, o italiano permaneceu fiel à terminação e- do latim; o português e o espanhol conservaram-na em palavras como grande ou abandonaram-na em casos como cruel, fácil, cortês e jovem. Estas duas línguas adotaram a desinência (a) para formar o feminino de alguns adjetivos que etimologicamente pertenciam ao grupo dos uniformes”

                Como se vê, no que diz respeito à formação de gênero no feminino,
                cada língua neolatina desenvolveu flexões (ou derivações) distintamente,
                de acordo com suas respectivas peculiaridades, não seguindo necessariamente a lógica da estrutura vigente no latim. Não há, portanto, por que condenar no português a realização de uma determinada flexão (nesse caso, eu diria derivação) tendo como justificativa uma lógica determinista (nesse caso, a uniformidade dos adjetivos latinos terminados em -nte) que vigorava incondicionalmente FORA do português, numa língua hoje morta.

                Voltando a Napoleão, ao afirmar que “…presidenta, porém, ainda está, ao que parece, no âmbito familiar e chega a trazer certo quê de pejorativo”,
                o autor já não tenta mais se justificar com alguma lógica vinculada à origem latina; apenas emite um mero juízo de valor: “ao que parece”, “está no âmbito familiar”
                e tem “quê de pejorativo”, afirmações facilmente contestadas ao se observar o uso e o registro do vocábulo em documentos de tribunais de Justiça e artigos de jornais.
                O mais estranho é ver o mesmo autor que condena essa variação feminina declarar o seguinte em sua Gramática Metódica da Língua Portuguesa:
                A questão do gênero dos substantivos não para nas normas vistas nos parágrafos anteriores; outros fatos há, particulares, que necessitam ser estudados isoladamente. O uso, fator soberano da consolidação do fator de uma língua e das leis que a regem, consagra certas formas que, embora esquisitas, tornam-se comuns e de emprego cotidiano na boca do povo. É o que se passa, em português, com o gênero de certos substantivos. São fatos que, adstritos a pequeno número de palavras, denominam-se particularidades genéricas (1999, p. 101-102, grifo nosso).

                Ora, é no mínimo contraditório que este excelente gramático reconheça tais “particularidades” e, ao mesmo tempo, condene uma dessas mesmas particularidades: Napoleão normaliza, em sua gramática, as formas de feminino parenta, giganta, infanta e elefanta (exceções à regra da “uniformidade” sufixal de -nte da mesmíssima forma que presidenta). Por quê? Até que tentou explicar isso, como vimos acima: “alguns dos adjetivos de tal terminação andam a ser flexionados em nta no feminino quando substantivados”. Ou seja, ele admite exceções à tal uniformidade, mas não aceita o (também substantivado) presidenta como exceção, por pura arbitrariedade: “Presidenta, porém, ainda está, ao que parece, no âmbito familiar e chega a trazer certo quê de pejorativo”. Notem a hesitação: “… ainda está, ao que parece…”; reparem a tentativa de explicação vaga, indefinida, imprecisa: “chega a trazer certo quê de pejorativo”. Aqui, fica evidente a total falta de objetividade do gramático.

                Não se condena um sufixo apenas por ser pouco frequente na língua,

                Pesa o fato de a variante sufixal -nta ter baixa produtividade na língua portuguesa,
                o que pode provocar indisposição entre os que se apegam à aparente regularidade do sufixo -nte. No caso de presidenta, nada se pode fazer contra o uso de uma forma já dicionarizada, oficializada (VOLP) e normalizada gramaticalmente, enterrando de vez o argumento dos que tomam a palavra como errada alegando “não soar bem aos ouvidos”, ter sentido “pejorativo” ou que seja “feia, deselegante” ou a ausência total de necessidade (já que “…ente” é comum aos dois gêneros,
                além de outros pretextos puristas.
                Podemos compreender essa indisposição? Claro que sim. Pura falta de costume:
                a primeira ocorrência da palavra data de mais de um século, mas seu uso esteve, como vimos acima, restrito durante muito tempo ao discurso de algumas áreas profissionais e de determinados gêneros textuais (documentos do Poder Judiciário, textos jornalísticos, obras literárias etc), não tendo alcançado utilização tão ampla quanto agora, momento em que o país tem, pela primeira vez, uma mulher eleita para a presidência da República. E se, conforme bem observou Luft no ABC da Língua Culta, “já houve época em que puristas não toleravam o substantivo feminino parenta” (p. 333), estou certo, meu amigo, de que no futuro algum autor comentará a mesmíssima coisa sobre presidenta.
                Klaus, concordo com você; NÃO TEM NECESSIDADE NENHUMA!!! É lixo gramatical.
                Mas, se não a tivéssemos no nosso vocabulário, certamente empobreceria, um pouquinho, as obras dos poetas brasileiros.
                Discordo apenas sobre a existência da regra a que você se referiu.
                No restante, estou contigo.
                Abraços.

                1. Gente, antes de mais nada, língua, seja ela qual for, É VIVA! Ela muda com o tempo, coisas que eram regra no passado não é mais hoje, palavras que eram usadas corriqueiramente a 20, 30, 50 ou 100 anos atrás hoje é arcaica! Não fiquem presos ao que era antes. É normal, comum e bom (mesmo que uns puristas torcem o nariz), palavras que antes só existiam na linguagem coloquial, que foram inventadas por escritores foram oficializadas e colocadas nos dicionários. A língua nada mais é do que um código em constante mutação e a gramática , uma série de convenções que podem muito bem mudar com o tempo, haja vista as gírias. Parem de ser puristas e acharem que o termo presidenta está errado mesmo que hoje é considerado correto, só porque soa estranho e é uma das exceções à regra. Para toda regra tem suas exceções! O Português é cheia delas! Isso eu vi com Meus professores de português e minha irmã que faz Letras! Affff para vocês!
                  Ah falando em vocês, antigamente era vossa mercê, depois vos mice, agora você, e mais recente ainda cê, este último ainda só no coloquial. Isso é a mudança de um termo aos longo do tempo. Viram?! A língua é VIVA!

      2. Por José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas.

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        1) De um modo geral, seguindo a própria estruturação existente no latim, os adjetivos terminados emnte, mesmo quando apresentam aparência substantivada, têm uma mesma forma para o masculino e para o feminino, modificando-se tão-somente o artigo que os antecede: a amante, o amante, a constituinte, o constituinte, a doente, o doente, a estudante, o estudante, a ouvinte, o ouvinte.2) É tecnicamente o que se denomina comum-de-dois ou comum-de-dois gêneros.3) Quanto a presidenta, leciona Celso Cunha que se trata de feminino ainda com curso restrito no idioma, pelo menos no Brasil.14) Essa última também é a lição de João Ribeiro, para quem “o uso de formar femininos em enta dos nomes em ente, como presidenta, almiranta, infanta, tem-se pouco generalizado”.25) Evanildo Bechara admite a normal variação desse substantivo para o feminino.36) Antenor Nascentes anota que o uso já admitiu o feminino presidenta.47) Luiz Antônio Sacconi, sem outros comentários, confere ao vocábulo dois femininos: presidente epresidenta.58) Mário Barreto admite-lhe a forma específica feminina (presidenta) – não sem antes observar que a forma antiga era a mesma para ambos os gêneros – e esclarece tratar-se de “toda mulher que preside”, recusando, todavia, o intento de alguns de conferir tal nome à mulher do presidente.9) Ainda de acordo com tal gramático, a ojeriza de alguns para com o emprego de forma feminina em tais casos talvez se explique pela circunstância lembrada pelo citado gramático de que, “na língua jocosa, é que dos nomes de cargos sói derivar-se um feminino para designar a mulher do que o desempenha, como almiranta, generala, coronela, delegada…”.610) Édison de Oliveira insere tal palavra entre aqueles diversos vocábulos femininos terminados por a, que o povo evita usar, “quer em virtude de preconceito de que se trata de funções ou características próprias do homem, quer por considerá-los mal sonoros ou exóticos”, acrescentando, ademais, tal autor que se hão de empregar tais femininos, “que a gramática já ratificou definitivamente”.711) Observa Domingos Paschoal Cegalla que presidenta “é a forma dicionarizada e correta, ao lado depresidente”. Exs.:a) “A presidenta da Nicarágua fez um pronunciamento à nação”;b) “A presidente das Filipinas pediu o apoio do povo para o seu governo”.812) Para Arnaldo Niskier, “o feminino de presidente é presidenta, mas pode-se também usar a presidenta, que é a forma utilizada em diversos jornais”.913) Sousa e Silva não vê desdouro algum nem incorreção lingüística em se dizer presidenta para o feminino.14) E transcreve tal gramático o posicionamento de Sá Nunes, para quem, ao se deixar de flexionar tal vocábulo, “não pode haver contra-senso maior: contra a Gramática e contra o gênio da Língua Portuguesa”, uma vez que “o substantivo que designa o cargo deve concordar em gênero com a pessoa que exerce a função. Sempre foi assim, e assim tem de ser”.15) Continuando na exposição de seu próprio entendimento, complementa Sousa e Silva que, na esteira dos nomes terminados em ente – e que são comuns aos dois gêneros – tanto se pode dizer a presidente como a presidenta.1016) Cândido de Oliveira, após lecionar que “os nomes terminados em ente são comuns de dois gêneros”, acrescenta textualmente que “é de lei, assim para o funcionalismo federal como estadual, e de acordo com o bom senso gramatical, que nomes designativos de cargos e funções tenham flexão: uma forma para o masculino, outra para o feminin”; e, em seu exemplário, ao masculino presidentecontrapõe ele o feminino presidenta.1117) Ao lado de presidente – que dá como substantivo comum-de-dois gêneros – registra a palavrapresidenta como um substantivo feminino o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que é o veículo oficial para dirimir dúvidas acerca da existência ou não de vocábulos em nosso idioma,12 o que implica dizer que seu uso está plena e oficialmente autorizado entre nós. Pode-se dizer, portanto, a presidente ou a presidenta._

        ________1Cf. CUNHA, Celso. Gramática Moderna. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S/A, 1970. p. 96.2Cf.RIBIERO, João. Gramática Portuguesa. 20. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1923. p. 158.3Cf.BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 19. ed., segunda reimpressão. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974. p. 84.4Cf.NASCENTES, Antenor. O Idioma Nacional. 3. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942. vol. II., p. 60.5Cf.SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática. São Paulo: Editora Moderna, 1979. p. 32.6Cf.BARRETO, Mário. Fatos da Língua Portuguesa.2. ed. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1954. p. 188.7Cf. OLIVEIRA, Édison de. Todo o Mundo Tem Dúvida, Inclusive Você. Edição sem data. Porto Alegre: Gráfica e Editora do Professor Gaúcho Ltda. P. 158.8Cf. CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 330.9Cf.NISKIER, Arnaldo. Questões Práticas da Língua Portuguesa: 700 Respostas. Rio de Janeiro: Consultor, Assessoria de Planejamento Ltda., 1992. p. 58.10Cf. SILVA, A. M. de Sousa e. Dificuldades Sintáticas e Flexionais. Rio de Janeiro: Organização Simões Editora, 1958. p. 307.11Cf.OLIVEIRA, Cândido de. Revisão Gramatical. 10. ed. São Paulo: Editora Luzir, 1961. p. 133-134.12Cf. Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 4. ed., 2004. Rio de Janeiro: Imprinta. p. 

      3. Mas no caso de governanta, não seria uma profissão?

  26. Muitas vezes mesmo os grandes mestres erram, e neste caso o ilustre professor Pasquale errou. O caso da palavra “presidente” é diferente do caso de “parente”. A palavra “presidente” indica uma condição temporária. De acordo com as regras de línguas de origem latina como o português e o espanhol, palavras que indicam uma situação temporária ou periódica que terminam em “ente” não sofrem variação no sufixo. Exemplos:
    – Ele está presente./ Ela está presente (e não “presenta”). “Presente” é uma condição temporária, de alguém que está num local e a qualquer momento poderá sair desse local.
    – Ele está ausente./Ela está ausente (e não “ausenta”). É a condição de uma pessoa que não está num local mas pode chegar a qualquer momento (ou não).

    Quando uma pessoa é presidente (do país, de uma empresa, etc.), ocupa um cargo por um determinado período. Portanto, trata-se de uma situação periódica. Sendo assim, a única forma correta mesmo quando o cargo é ocupado por uma mulher é “presidente”.

  27. Talvez no próximo discurco ela diga “meu povo e minha pova”.

  28. A Língua Portuguesa, infelizmente, é repleta de exceções. A Gramática deveria se impor, com regras únicas e fechadas. A Língua Portuguesa é viva, mutável, mas a Academia Brasileira de Letras deveria vetar mudanças na Gramática ao máximo. O plural de “anão”, por exemplo, pode ser “anões”, “anãos” ou “anães”. Duas formas a mais foram criadas por transgressores da Língua Portuguesa, que, incompetentes para afirmar o certo, “anões”, criaram mais duas possibilidades para evitar o erro. A palavra “quatorze” deveria ser empregada somente desta forma, a despeito de “catorze”, que também é aceitável. A duplicidade sempre confundirá. Se, desde criança, a pessoa fosse condiciona a falar ” a presidente”, não teríamos que discorrer sobre outras formas para tal expressão. O que lasca são as possibilidades. Assim, já que Pasquale disse que é possível, resta-nos acatar: a presidente ou a presidenta. Ponto final! Não tentem arranjar chifres em cabeça de cavalo! Exerçam o “jus sperniandi”, direito de espernear, com moderação…

  29. E SE EU DISSER QUE ELA É INCOMPETENTE? TERIA QUE ESCREVER: A PRESIDENTA, QUE É A GERENTA DO BRASIL É INCOMPETENTA? FAÇA-ME O FAVOR!

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