NELSON NO VERÃO por amilcar neves / ilha de santa catarina

Esse é o discurso que os políticos adoram, especialmente aqueles que, deputados ou vereadores, veem-se deslocados para o Executivo (estadual ou municipal) e não têm a menor ideia do que fazer com aquilo. Quer dizer, sabem muito bem o que precisam tirar daquilo mas ignoram as funções mais básicas do cargo que passam a ocupar: não há especialização nem vocação para o ofício, apenas partilha e ocupação dos “espaços” públicos em decorrência de cotas partidárias mais ou menos proporcionais ao peso das alianças forjadas durante a campanha eleitoral e mais ou menos condizentes com os compromissos econômicos assumidos para que a “luta” se tornasse vitoriosa. Findas as apurações, restam as contas a pagar.

 

Mas não é isso, e sim o discurso, o motivo desta crônica. O discurso é confortável e conveniente, estabelece com clareza especialmente o que não é preciso fazer, com o que não precisa a autoridade preocupar-se por uns tempos. Diz o seguinte: numa ilha, e por extensão em todo o litoral, os meses de verão são destinados ao ócio total e as pessoas de fora (e mesmo as de dentro) que procuram tais lugares querem apenas sol e praia, durante o dia, e festas e baladas, à noite. É beber, comer e cair no mar. Coisas complicadas e trabalhosas, como visitar um museu ou ler um livro, estão fora de qualquer cogitação, não encontram oportunidade nem espaço nos verões litorâneos – não condizem com as exigências e imposições da estação.

 

Então aparecem uns malucos dizendo que o discurso é falso, que isso é conversa de rei que anda nu, montam A Vida como Ela É… a partir de cinco contos do inesgotável Nelson Rodrigues e lançam temporada – de verão! – no venerável Teatro Álvaro de Carvalho, lá no Centro da cidade, suficientemente longe de qualquer praia frequentável.

 

As pessoas ainda não estão se estapeando na calçada do TAC para conseguir ingresso, mas o que se vê é gente de todo o País acorrendo a uma montagem que, para além do texto, mostra o trabalho de alto nível profissional do grupo local Teatro Sim… Por Que Não?!!!

 

Imagine-se agora se houvesse uma divulgação intensa do espetáculo – e de outros que poderiam simultaneamente subir aos palcos -, com venda de ingressos nos hotéis e sistema de vans para levar e buscar os espectadores. Como fazem Cuzco, Buenos Aires e a Cidade do México, por exemplo, que sabem promover turismo diferenciado.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: