Arquivos Mensais: abril \30\UTC 2011

O bullying do Senado – por ruth de aquino / são paulo

Época

RUTH DE AQUINO

Somos vítimas de bullying político, moral e cívico. E nada fazemos. O país parece anestesiado pela overdose real de William e Kate naquela ilha ao norte do Equador. Ao sul, em nossa república tropicalista, assistimos passivamente a uma das cerimônias mais vergonhosas do Senado. Renan Calheiros acaba de entrar para a Comissão de Ética. Roberto Requião arranca gravador de repórter para apagar sua própria entrevista. Tudo com o beneplácito do padrinho-mor José Sarney.

Tapa na cara, bofetada na nação, cinismo institucional. Assim cientistas políticos e especialistas em ética classificaram as últimas ações do Senado. Roberto Romano, da Unicamp, declarou: “Se o Senado fechar amanhã, ninguém vai sentir falta, salvo os lobistas e os políticos que querem atingir o Tesouro Nacional por meio da troca de favores”. Claudio Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, foi além: “O Senado não precisa existir, não tem função. Não há nada que ele faça que a Câmara não possa fazer. Pode desaparecer sem prejuízo e seria até mais barato”.

Essas reações podem parecer destemperadas numa democracia que atribui seu equilíbrio à existência de duas Casas: a Câmara e o Senado. Mas respeito e credibilidade não são automáticos. Oito senadores indicados para a Comissão de Ética respondem a inquéritos ou processos no Supremo Tribunal Federal. A missão desse grupo “seleto” é vigiar e garantir o decoro dos 81 senadores. No novo conselho, muitos são amigos íntimos, alguns conterrâneos, do maranhense Sarney. O próprio Sarney esteve envolvido em 11 processos no ano passado – mas foi entronizado como “homem não comum” pelo ex-presidente Lula.

O presidente da Comissão de Ética, João Alberto, do PMDB, governou o Maranhão em 1990. Nesse ano, uma lei estadual doou um prédio histórico à família Sarney. Quem é João Alberto para ser o guardião do decoro do Senado? Quais são suas credenciais para o país acreditar em seu slogan “Vamos cortar na nossa própria carne”? Nas três vezes em que ocupou o mesmo cargo, João Alberto engavetou todos os processos abertos na Comissão de Ética. No Brasil de hoje, “formação de quadrilha” deixou de ser acusação.

Mais escandaloso é o resgate do líder do PMDB, o alagoano Renan Calheiros. O conselho aprovou em 2007 sua cassação, rejeitada pelo plenário. Calheiros enfrentou denúncias de quebra de decoro, corrupção, desvio de dinheiro público, sonegação de bens, uso de laranjas. Renunciou à presidência do Senado e foi absolvido pelos pares.

Oito senadores indicados para a Comissão de Ética estão enrolados na Justiça. É um tapa na cara da nação

A denúncia mais ruidosa contra Calheiros foi a de usar o lobista de uma construtora para pagar uma pensão mensal a Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento. Ele alegou que alimentava a menina com a venda de bois nas suas fazendas. As notas fiscais estavam irregulares.

Mônica teve seus 15 minutos de fama, posou nua e hoje apresenta um programa de carros, Vrum, na televisão mineira.

Ela deixou imortalizada em seu livro uma descrição humana do amante. Segundo Mônica, Renan fingia que ia se separar. “No início do namoro, ele estava meio gordinho, mas fez dieta.” O casalzinho ia a festas, e Mônica era tratada “com deferência” no Senado. Para Renan, ela era “uma rosa única entre milhões de rosas”. O então presidente do Senado cantarolava “Eu sei que vou te amar” de noite ao telefone, e queria pular Carnaval de rua com ela na Bahia. Mônica chamava Renan de “docinho”, “de tão meigo que ele era”, mas ele entrou em pânico quando ela disse estar grávida.

Tudo o que Calheiros possa ter de “docinho”, seu colega de Senado Roberto Requião tem de truculento. Arrancou na segunda-feira um gravador das mãos de um repórter. Irritou-se com uma pergunta procedente: ele abriria mão da aposentadoria de R$ 24.117 que recebe como ex-governador do Paraná? Requião só devolveu o gravador após apagar a entrevista. Sarney o defendeu: “Requião é um cavalheiro”. Na tribuna, o senador disse ser vítima do “bullying de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável”.

Bullying é o que os senhores, senadores, resolveram praticar contra quem paga seus subsídios.

Anúncios

BESSINHA descobre o novo WALTER MERCADO:

PAULINHO DA VIOLA e Atelier Editorial convidam:

O escritor argentino ERNESTO SÁBATO, entregou as “moedas para o barqueiro” aos 99 anos / buenos aires

Romancista presidiu comissão que investigou desaparecidos políticos.

Vencedor do Prêmio Cervantes, morreu após bronquite, disse a mulher.

O escritor Ernesto Sabato, vencedor do Prêmio Cervantes de Literatura e um dos maiores autores argentinos do século XX, morreu aos 99 anos em sua residência de Santos Lugares, na província de Buenos Aires. A informação foi divulgada neste sábado (30) pela mulher de Sabato, Elvira González Fraga.

“Há 15 dias teve uma bronquite e na idade dele isto é terrível”, declarou Elvira à rádio Mitre, ao confirmar o falecimento do escritor.

sabato (Foto: Victor Rojas/AFP)Escritor argentino Ernesto Sabato morreu em sua residência em província de Buenos Aires (Foto: Victor Rojas/AFP)

Sábato seria homenageado no domingo (1) na Feira do Livro pelo Instituto Cultural da província de Buenos Aires.

Segundo o jornal argentino “Clarín”, Elvira disse que o escritor estava sofrendo havia algum tempo, “mas tinha momentos bons, principalmente quando escutava música”. Romancista, ensaísta e artista plástico, Sabato é autor de obras como “O Túnel” (1948) e “Sobre Heróis e Tumbas” (1961).

A pedido do então presidente argentino Raúl Alfonsín, dirigiu entre 1983 e 1984 a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), cuja investigação, publicada no relatório “Nunca Mais”, considerado o estopim para o julgamento de militares por crimes cometidos durante o regime militar argentino (1976-1983). O jornal “Clarín” o definiu como “um dos rostos emblemáticos do regresso democrático” no país e um dos “ícones mais populares” da literatura argentina.

Parentes informaram que o velório será realizado a partir das 17h deste sábado (30) no Clube dos Defensores de Santos Lugares, local onde o escritor passava as manhãs em partidas de dominó com amigos.

O escritor, que nasceu na cidade de Rojas em 24 de junho de 1911, obteve o título de doutor em Física em 1938 pela Universidade Nacional de La Plata, mas deixou a carreira científica nos anos 40 para se voltar à literatura com a publicação da compilação de ensaios “Alguém e o Universo”.

O reconhecimento internacional veio em 1961 com “Sobre Heróis e Tumbas”, e a consagração definitiva ocorreu em 1974 com “Abadon, o Exterminador”, que completam a trilogia iniciada com “O Túnel” (1948), adaptada ao cinema em 2006. Após ser agraciado com o Prêmio Cervantes em 1984, foi proposto como candidato ao Nobel de Literatura de 2007.

A última obra publicada por Sábato, que também recebeu os prêmios Gabriela Mistral (1983) e Menéndez Pelayo (1997), foi “Espanha nos Diários da Minha Velhice”, fruto de suas viagens ao país em 2002, enquanto a Argentina submergia na mais feroz crise econômica de sua história. Seus últimos livros, conforme o Clarín, incluem memórias e crônicas que se constituem como uma despedida da literatura. Ele completaria 100 anos em 2011 e vivia com sua colaboradora no trabalho, Elvira, que dirige uma fundação que leva o nome do escritor.

Segundo contou seu filho Mario Sábato, autor de um documentário sobre a vida de seu pai, o escritor já não saía de casa, estava sob cuidado de enfermeiras e quase não falava, embora ocasionalmente rompesse seu silêncio para ter algum breve diálogo com a família.

do G1.

TORTURA é um CRIME que não prescreve: “decisão inédita no rio grande do sul” / porto alegre

Tribunal de Justiça gaúcho condenou Estado do RS ao pagamento de R$ 200 mil a torturado durante a ditadura militar. Desembargador Jorge Luiz Lopes do Canto considerou que crime de tortura não prescreve. “A dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, e a tortura o mais expressivo atentado a esse pilar da República, de sorte que reconhecer imprescritibilidade dessa lesão é uma das formas de dar efetividade à missão de um Estado Democrático de Direito, reparando odiosas desumanidades praticadas na época em que o país convivia com um governo autoritário e a supressão de liberdades individuais consagradas”, disse ele em sua decisão.

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça gaúcho condenou o Estado do Rio Grande do Sul ao pagamento de R$ 200 mil, por danos morais, a torturado durante o regime militar. Então com 16 anos, Airton Joel Frigeri foi buscado em casa em 9/4/1970 e levado algemado à Delegacia Regional da Polícia Civil de Caxias do Sul, depois ao Palácio da Polícia em Porto Alegre e detido na Ilha do Presídio, situado no rio Guaíba em frente a capital. Foi posto em liberdade em agosto do mesmo ano.

O autor da ação narrou que, com o objetivo de conseguir informações sobre outros participantes da VAR-Palmares, foi interrogado várias vezes por meio de tortura por choques elétricos nas orelhas, mãos e pés, por meio de um telefone de campanha, chamado Maricota. Permaneceu longos períodos com algemas nos braços. Recebeu golpes com o Papaléguas, pedaço de madeira preso a uma tira de borracha de pneu com cerca de 40 cm de comprimento por 4 cm de largura. No Palácio da Polícia, escutava a tortura sendo aplicada a outras pessoas.

Na Ilha do Presídio, ´Pedras Brancas´, descreve o autor: (…) não havia chuveiro elétrico, os banhos eram tomados em uma lata de tinta furada, de onde escorria a água de um cano. Os banheiros eram abertos sem paredes e com uma abertura gradeada dando direto para as águas do rio. As celas não possuíam janelas e as grades davam para um corredor, sem porta ou vidro algum, onde o vento gelado do inverno gaúcho soprava diuturnamente. O chão era de puro concreto. 

Saindo da prisão, foi proibido de voltar a estudar tanto em escolas públicas como em particulares. Continuou sendo visitado por elementos do SNI, DOPS e Polícia Civil, que o procuravam no local de trabalho, em casa, ou até mesmo na rua. A última visita ocorreu no final de 1978, mais de um ano depois de ser absolvido pelo Superior Tribunal Militar. Afirmou também que passou os anos posteriores se tratando de uma gastrite de fundo emocional, com crises de depressão e insônia, utilizando tranquilizantes e outros remédios.

Na época da detenção, Airton estudava no Ginásio Noturno para Trabalhadores, no prédio do Colégio Presidente Vargas, e trabalhava de dia como auxiliar de escritório no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Caxias do Sul.

Em dezembro de 1974, o Conselho Permanente de Justiça do Exército absolveu Airton por falta de provas de acusações com base na Lei de Segurança Nacional, decisão confirmada em Brasília pelo Superior Tribunal Militar.

Em outubro de 1998, a Comissão Especial criada pelo Estado do RS acolheu o pedido de indenização realizado com base na Lei Estadual RS nº 11.042/97 e fixou o seu valor em R$ 30 mil, quantia entregue a Airton em dezembro do mesmo ano. A Lei prevê a concessão de indenizações a pessoas presas ou detidas, legal ou ilegalmente, por motivos políticos entre os dias 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, que tenham sofrido sevícias ou maus tratos que acarretaram danos físicos ou psicológicos, quando se encontravam sob guarda e responsabilidade ou sob poder de coação de órgãos ou agentes públicos estaduais.

Em 2008, considerando que a indenização já deferida foi insignificante frente aos danos causados, requereu na Justiça do valor, em cifra significativamente maior. Em setembro de 2009, o Juízo da 2ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Caxias do Sul julgou extinta a ação. Dessa sentença, o autor recorreu ao Tribunal de Justiça.

Decisão
Para o Desembargador Jorge Luiz Lopes do Canto, relator, não há dúvidas quanto à ilicitude dos atos praticados pelos agentes públicos, nem quanto ao nexo causal ou dever de reparar, insculpidos no art. 186 do Código Civil, nem ao menos da responsabilidade objetiva que cabe ao Estado em função da prática de tortura comprovada no feito e realizada por aqueles.

Ele avaliou que a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, e a tortura o mais expressivo atentado a esse pilar da República, de sorte que reconhecer imprescritibilidade dessa lesão é uma das formas de dar efetividade à missão de um Estado Democrático de Direito, reparando odiosas desumanidades praticadas na época em que o país convivia com um governo autoritário e a supressão de liberdades individuais consagradas.

O juiz considerou ainda que é inaplicável o prazo prescricional previsto no Decreto nº 20.910/32 e reconheceu a imprescritibilidade da ação de indenização referente a danos ocasionados pela tortura durante a ditadura militar. A respeito da indenização já deferida com base em Lei estadual, afirmou o julgador, o autor foi contemplado com o valor máximo estabelecido na Lei.

No entanto, entendeu que foi comprovado durante o processo que o martírio experimentado pelo autor foi em muito superior à ínfima reparação deferida. O desembargador afirmou que causa repugnância a forma covarde com que o autor foi tratado, um adolescente que pouca ou nenhuma ameaça poderia produzir ao regime antidemocrático instaurado, denotando-se que as agressões mais se prestaram a satisfazer o caráter vil dos agressores, do que assegurar a perpetuação do regime, atitudes que eram incentivadas – ou ao menos toleradas – pelas autoridades competentes.

Assim, votou no sentido de fixar a indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil, quantia que não se mostra nem tão baixa – assegurando o caráter repressivo-pedagógico próprio da indenização por danos morais – e nem tão elevada a ponto de caracterizar um enriquecimento sem causa. O valor deverá ser corrigido monetariamente pelo IGP-M, a partir da decisão, e aplicados juros moratórios a partir do pedido administrativo dirigido à Administração Pública.

O Estado do RS ainda foi condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários dos Advogados do autor, fixado em 20% do valor da condenação.

O Desembargador Romeu Marques Ribeiro Filho e a Desembargadora Isabel Dias de Almeida acompanharam as conclusões do voto do relator.

(*) As informações são do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.


Slow Food ? Slow Life ? – por omar de la roca / são paulo

In every colour there’s the light.

In every stone sleeps a crystal.

Remember the Shaman, when he used to say:

“Man is the dream of the dolphin” .

Existe luz em cada cor.

Em cada pedra existe um cristal adormecido.

Lembrem-se das palavras do Shaman que dizia :

“ O homem é o sonho do golfinho” .

Li a poesia acima ontem em um CD. Só a poesia já valeu. E ai pensei, pobre golfinho, só nos conhece de passagem ao brincar conosco nas praias distantes. Se pudesse nos conhecer melhor,certamente mudaria de idéia. Hoje em dia estamos tão acostumados com as facilidades, que passaram a fazer parte de nosso corpo . Alguém ainda se lembra de nossa vida sem o celular ? Tudo bem. É uma invenção recente. E do telefone fixo. Alguém ainda se dá conta da importância que foi o seu surgimento nos idos de … , bom deixa pra lá. Acho que estamos nos esquecendo de valorizar as pequenas coisas do dia a dia. Hoje é tudo cada vez mais rápido . São os Blue Rays,Androids, Facebooks, I-Pads e Pods , Terabites e Gingabites ( como diz a mãe de uma amiga). Nada contra tudo isso.É o caminho da evolução mesmo.Mas não podemos nos esquecer do básico. Hoje em dia cometemos gentilezas. Isso mesmo, num movimento reverso de valores distorcidos as gentilezas são cometidas. Não queria falar de novo sobre o metro de SP,mas lá vai. Já reparou que as pessoas que estão atrás da outras,querem sair ( ou entrar )no vagão antes de quem esta na frente? Cada um só quer saber de si. Poucos cedem o lugar.E alguns só porque viram a briga na televisão. É um tal de pisar nos pés, empurrar, passar a perna e por ai vai. Li que há ordem no caos. Então não podemos chamar isto que acontece de caos. Hoje vim me preparando no ônibus. Coloquei o Canon e vim, com o sol nos olhos, relaxando. Mas por mais preparados que estejamos, relaxados, as situações quase sempre nos tiram do sério.Nos fazem balançar e nos juntar a turba ( que palavrão! ).  Acabamos por ceder e entrar no remoinho. Fazendo o que todo o mundo faz.Mas tudo bem.É o caminho da evolução.Recebi um e mail sobre Slow Food.Acho que ainda não é para nós.O que queremos é a ultramegahiperblastersupersonicspeed food. And life too( e vida também ).Trabalho ao lado do “ponto” dos médicos sem fronteiras. E todos os dias me abordam,Tem um minuto ? E acabo parando e explicando que trabalho no edifício ao lado e que já ouvi a proposta deles semanas atrás  ( mentira,nunca parei). Ontem, após remar por entre eles, vi um rapaz que vinha com uma câmera fotográfica na mão.Uma Canon de 14 Megapixels. Num relance, ao chegar mais perto, apontou-a para mim, que ensaiei uma sida pela lateral esquerda, e só vi o flash me cegando. Olhei para ele sem entender, e ele já apontava de novo .O flash era de mão e demorou para carregar.Consegui passar sem que um segundo projétil de luz me atingisse.E só ouvi os comentário atrás de mim : O que é isso ? Alguém pensando que eu era uma celebridade.Tudo bem que eu parecia mais um mafioso italiano, com um terno azul noite, uma camisa listrada azul noite escura sem estrelas e uma gravata também listrada de azul meia luz.  ( Desculpe me Yeats mas não resisti a colocar aqui idéias de sua poesia  He wished for the cloths of heavens – algo como – Ele deseja os tecidos  dos céus  que incluo abaixo,com perdão pela tradução,que foge um pouco a idéia original ). Lembrei me do rapaz atingido pela lâmpada fluorescente,bem perto daqui.Deve ter sentido alguma coisa parecida.Segui até o metro sem olhar para trás. Não ia parar e discutir com ele e exigir que deletasse a foto. Agarrá-lo pelo colarinho ( perdão ele estava de camiseta ) e perguntar o por que ? Nem pensar. Dar maior atenção a ele ? Mais do que ele merece? Lembrei me do golfinho saltando .Não seria da natureza e ingenuidade dele  agradar aos homens ? E se chegar bem próximo,para que o acariciemos ? Quem ganha mais com aquele contato,nós ou eles? Só podemos mesmo ser  o sonho deles. O mais certo seria dizer, o pesadelo deles. Alguém que se aproxima querendo brincar, mas que com a outra mão é capaz de agredir, esfolar, matar. Apenas para servir ao seu propósito. Seja ele qual for. Acho que preciso fazer mais dias de abraço grátis aqui no escritório.Quem sabe a idéia de propaga e valorizemos mais o contato humano como forma de prazer não obrigatóriamente orgástico. Mas sim ainda bastante satisfatório nos breves segundos que dura.

He wishes for the cloths of heavens

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

Ele deseja os tecidos dos céus

Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
Entremeados com luz dourada e  prateada,
O azul dos tecidos suaves e escuros
Da noite, e da luz e da meia-luz,
Eu espalharia os tecidos aos teus pés:
Mas eu, sendo pobre, tenho somente os meus sonhos;
E espalhei os meus sonhos aos teus pés;
Pisa com cuidado,pois pisas em meus sonhos.

MARIE-FRANCE PISIER, atriz francesa entrega as “moedas ao barqueiro” aos 66 anos / frança

letelegramme.com / Reprodução
A atriz francesa Marie-France Pisier morreu na madrugada deste domingo (24/4/11) aos 66 anos na localidade de Saint-Cyr-sur-Mer, sudeste da França, informou a prefeitura da localidade.Essa atriz de grande envergadura iniciou sua carreira em 1961 graças a François Truffaut, que viu uma foto da família dela em uma rua de Nice (sul). Ela então atuava em um grupo de teatro amador.

O diretor da Nouvelle Vague buscava uma adolescente para fazer par com Jean-Pierre Léaud, em “Antoine e Colette”, um dos sketches do curta “Amor aos 20 Anos”.

Em 1979, interpretou o personagem de Colette em “Amor em Fuga”, a última aventura de Doisnel, coescrito pela atriz.

Depois de filmes do estilo de Robert Hossein, tornou-se a musa do cinema de autor, aparecendo no universo onírico de Robbe-Grillet, Luis Buñuel, Jacques Rivette e sobretudo, do jovem André Téchiné. Graças a esse último, obteve duas vezes o César – o Oscar francês – de melhor atriz coadjuvante, por “Memórias de uma Mulher de Sucesso” em 1976 e “Barocco”, de 1977.

AFP

KATE CLARK: ARTISTA ESCULPE ROSTOS HUMANOS EM ANIMAIS EMPALHADOS /eua


Kate Clark / BBC Brasil

A artista americana Kate Clark cria faces humanas de argila em animais empalhados. A obra, segundo ela, coloca em discussão temas como humanidade, emoção e expressão.
Clark diz que se interessou pelo tema da expressividade humana ainda na universidade, onde começou a desenvolver as esculturas. Usando animais empalhados, ela passou a manipular seus rostos, para que pudessem ter expressões semelhantes às humanas.

“Eu amo animais, então sou sensível ao fato de que uso pele animal”, disse ela à BBC Brasil. “Usar o couro do animal e transformá-lo, ao invés de usar elementos artificiais, é o conceito mais importante por trás do trabalho”, diz.

Kate Clark / BBC Brasil

Segundo Clark, sua obra fala sobre a necessidade de equilíbrio entre homens e animais ao tentar aproximar as expressões pelas quais se comunicam, e não sobre a supremacia do ser humano na natureza.

“Em nossa cultura atual, nós desprezamos a importância de nossas semelhanças e parentescos dentro do reino animal”, afirma a artista americana.

Pele, crânio e argila
Clark recebe, de um fornecedor especializado, a pele com cabeça do animal. A pele é separada e preenchida com espuma. Ela limpa o rosto do animal, retirando pele e restos de carne, e o modifica com uma base de argila, até que se pareça com o rosto de uma pessoa.

A escultora diz que o vendedor de peles com quem trabalha a procura quando tem animais inusitados que não foram vendidos. Ela diz que jamais solicitou a caça específico de um animal para seu trabalho.

A artista procura aproveitar pálpebras, cílios e outras partes originais das faces dos animais nas faces esculpidas.

Ela diz que prefere utilizar familiares e amigos como modelo para os rostos que esculpe aos invés de “faces idealizadas”. Para ela, a escultura final deve contar a história do animal, através de uma expressão facial com a qual os humanos possam se conectar.

“Meu objetivo é que os híbridos sejam honrados, belos e vívidos. Eu evito sorrisos estáticos ou caretas. As esculturas não são feitas para serem sátiras de uma pessoa específica, cuja personalidade é um estereótipo da ‘simplicidade’ dos animais”, diz.

Segundo a americana, as esculturas provocam reações fortes nos espectadores, que muitas vezes não conseguem se aproximar das obras.

“A reação nem sempre é positiva, mas muitas pessoas se interessam pelo trabalho. Já tive pessoas que se relacionaram com ele de várias maneiras, de seus interesses em mitologia a espiritualidade e questões ambientais.”

BBCNEWS

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA SEXUAL em MULHERES e CRIANÇAS na NICARÁGUA


Vitor Ramil é o grande vencedor do 20º Prêmio Açorianos de Música / porto alegre

Irmãos Kleiton e Kledir foram os homenageados da noite

Uma fusão de imagens, cores e sons marcou a entrega do 20º Prêmio Açorianos de Música, na noite de terça-feira, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Em clima de grande espetáculo, o público foi imerso nos tons da música do Rio Grande do Sul.

O grande vencedor da noite foi o cantor e compositor Vitor Ramil, que conquistou os títulos de Disco do Ano e DVD do Ano com o álbum délibab. Délibab é um álbum de milongas em que Vitor Ramil musicou poemas do argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho João da Cunha Vargas.

De certa forma, a premiação para o disco e para DVD com o documentário das gravações esteve em sintonia com o espírito do Açorianos, resumido no início da noite pelo colunista de Zero Hora Roger Lerina, um dos apresentadores do evento:

— A música é a única expressão que viaja no tempo sem a menor cerimônia. E o que veremos aqui, essa noite, será um desfile por esses 20 anos de boa música — disse.

Entre lembranças de outros prêmios, homenagens e entrega de troféus, passaram pelo palco do Açorianos alguns dos principais nomes da música no Estado — tanto no papel de homenageados como de premiados (veja relação completa abaixo), ou mesmo entregando troféus a outros artistas.

Grupos formados por músicos de diversas bandas fizeram homenagens a diferentes estilos musicais. Cantaram na festa nomes como os cantores e compositores Bebeto Alves e Elton Saldanha e os vocalistas Serginho Moah (do Papas da Língua), Carlinhos Carneiro (da Bidê ou Balde), Thedy Corrêa (do Nenhum de Nós) e Tati Portella (da Chimarruts, banda que arrebatou todos os prêmios do gênero Reggae).

Personalidades que ajudaram a construir o cenário musical gaúcho também foram agraciadas: o radialista Glênio Reis, o produtor cultural Carlos Branco e o produtor musical Ayrton dos Anjos, o Patinete — em um dos principais momentos da cerimônia, quando músicos como Neto Fagundes e Renato Borghetti se reuniram no palco.

Ayrton aproveitou a ocasião para dedicar o prêmio ao cantor Rui Biriva, que morreu na noite de segunda-feira e foi lembrado também em outros momentos da noite. Também houve menções especiais para a revista Noize e para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), pelos seus 60 anos. Os homenageados da noite, pelo conjunto da obra, foram os irmãos Kleiton e Kledir Ramil.

Luísa Medeiros  |  zerohora.com.br

DR. MIGUEL SROUGI, considerado o número 1 do Brasil em Cirurgias de câncer de próstata – entrevista / são paulo

O médico Miguel Srougi, 60 anos, considerado o número 1 do Brasil em Cirurgias de câncer de próstata, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, 35 anos de carreira, leciona na Faculdade de Medicina.
Srougi tem a simplicidade daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando. Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país afirma que “todo homem nasce programado para ter a doença” e que, se viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí-la. Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos tratamentos e seus sonhos pessoais. E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz depois de 30 anos. A seguir, os principais trechos.

ASSOMBROS MASCULINOS
Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade – isso faz parte da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade e passam a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos. O que mais os atemoriza hoje? Problemas com a próstata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade de agir, raciocinar. E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que fosse.

ENVELHECIMENTO
Há dois profundos temores hoje nos homens: O primeiro é o crescimento benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos eles: ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o canal da uretra fica ocluído. Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, tem de levantar à noite, prejudica o sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina. O crescimento benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor grau – felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais significativos que exigem apoio médico. Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse crescimento benigno. Essa é uma cirurgia, que se faz com segurança e sem os inconvenientes de uma cirurgia maior nos casos de câncer. Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e sem nenhuma sequela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem como prevenir. Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES
Eles são menos operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas vezes não vivem o suficiente para ser operados – morrem antes. É uma realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA
O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande prevalência: 18% dos homens – um em cada seis – manifestarão a doença. E também porque o tumor, que ocorre com muita frequência dentro da próstata, é eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para fora da próstata, as chances de cura caem para 30%. É um tumor muito comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente. Dos 18%, somente 3% morrem – a medicina consegue curar 15% dos homens, ou seja, a maioria. Mas vale dizer que todo homem nasce programado para ter câncer de próstata. Ou seja, nós temos, nas nossas células, genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa a se manifestar. Com isso vai aumentando a frequência da doença e todo homem que chegar aos 100 anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA
O exame de toque – um dos meios de se detectar a doença – gera na cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, eles têm muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói. Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se a doença for descoberta. O homem tem pavor disso porque, de acordo com todas as ideias evolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa ideia, e prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça debaixo da terra a enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais fraco. Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai morrer. Isso vai contra a ideia que temos de ser mais fortes para sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ
Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores da mão do cirurgião, permite incisões pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele são muito suaves. Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está adquirindo. Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele ainda perde do habilitado. Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito – só perco para dois americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos também ficavam. Hoje, se o homem tem menos de 55 anos, a incidência é de 20% – antes era 100%. Há também enxertos de nervos, porque a impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da próstata, e nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado. Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?
Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os comprimidos não atuarem, existem injeções. Há ainda próteses penianas que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem nenhuma diferença em relação à normal. Isso permite que o homem reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita satisfação. Os homens ficam extremamente felizes – são hastes colocadas dentro do pênis. Não fica marca, nem cicatriz. Nos Estados Unidos, entrevistaram as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram positivas. Ela funciona muito bem.

ENTRE A VIDA E A MORTE
Minha vida é complexa porque eu ando um caminho muito estreito que, de um lado tem a morte e, de outro, a vida. E as minhas ações podem, com uma certa frequência, resgatar alguém para a vida. Trilhar esse caminho é muito difícil porque, quando você se identifica com o paciente, compreende o sofrimento humano, isso cria um estado de impotência que lhe faz sofrer. Mas, por outro lado, traz momentos de alegria incontida, principalmente quando você resgata um ser para a vida, que não tem nada parecido.

ESCUTANDO MAIS, OUVINDO MENOS
Se eu listar uma série de qualidades, como, por exemplo, humildade, conhecimento técnico, dedicação ao doente,, presença, coerência, sentido humanístico, desprendimento material e comunicação e perguntar qual é melhor, só tem uma resposta: comunicação. Todas as outras são importantes. O médico precisa ser humano, ter desprendimento material. A relação médico-doente não é tipo supermercado, que você dá e recebe, é algo muito superior. Ele precisa ter conhecimento técnico, precisa estar presente, gerar esperança, mas ele tem de se comunicar. É comunicação superior, não apenas saber falar. É tão significativo que explica por que há médicos brilhantes aqui no Hospital das Clínicas que conhecem tudo, e não conseguem atender a um doente porque falam bobagem na hora de se expressar. São inibidos, tímidos, não sabem dar para o doente o substrato humanístico. Ele lista 450 tabelas de números e cálculos e não sabe o que se passa pelo seu coração. Isso explica também porque tem tanto charlatão por aí – médicos mal-intencionados e não-médicos – que conseguem atender a muitos pacientes. Eles têm a comunicação. Comunicação envolve inicialmente gerar empatia no doente. É errado cumprimentar um doente e falar “como vai?”. Você deve cumprimentar alguém que está com uma doença grave e falar “eu lamento que você esteja nessa situação, imagino o que está sentindo”. Saber ouvir, que é diferente de escutar. A hora que você passa a ouvir, entende quais as apreensões que ele tem, elimina um pouco do sentimento de culpa, entende por que está lhe procurando e conquista a confiança. É preciso ser coerente e falar com realismo. É ilusão achar que se engana as pessoas. Falar numa dimensão maior significa gerar esperança, estimular a espiritualidade, porque um dos maiores medos é morrer e não saber o que vai acontecer depois; explicar o que vai ser a evolução dele. Também assegurar presença – ele não será abandonado.

O PAPEL DAS MULHERES
Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas. “Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um outro significado da importância da mulher. Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido.” Mas, por que ela quer isso? “Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente e ofereço dois tratamentos: um que aumente a existência dele, mas vai, por exemplo, causar alguma deficiência na área sexual. E ofereço um outro tratamento, que cura menos, mas preserva melhor a parte sexual, o homem balança na decisão. A mulher nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo ocorrendo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que foi construída, que é rica. O ser humano precis a ter alguma esperança, nem que sejam vislumbres.

GERADO ESPERANÇAS
Os médicos americanos acham que são fantásticos e verdadeiros quando dizem que não tem jeito o seu caso, mas isso é não conhecer a natureza humana. É preciso mostrar que ele tem alguma chance, sim.

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS
Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse sofrimento eu acabo me entregando mais e mais aos doentes. Isso é ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos intervalos. Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins. É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em que me senti totalmente impotente. Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente. O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim do caminho – eu lido com o inicial e eu consigo salvar muita gente. É um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO
Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apoia o doente nas fases difíceis – é a família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

VIVENDO NOS LIMITES
Eu sou católico, não praticante, acredito em alguma coisa depois da vida e isso me dá muita paz. Eu continuo numa luta incessante. Vivo nos limites. Nos limites do sofrimento, porque estou do lado das pessoas que sofrem. Nos limites das minhas energias, porque começo a trabalhar às 7 da manhã e vou até as 10 da noite. Trabalho na faculdade de Medicina. Tenho várias razões existenciais, uma delas é a faculdade. Aqui é a única forma de deixar marcas e mostrar que a minha passagem pela Terra não foi em vão. Aqui você planta as coisas. Cada aluno que receber esses conhecimentos, vai multiplicar o feito. Em vez de ajudar 20 pessoas que ajudo num mês, para cada aluno que eu fizer isso, serão 40, 60, 80, 320… Se eu saísse da faculdade, não iria aguentar essa carga toda de emoções, sentimentos, morte e vida. Aqui a gente conhece o que é o ser humano. Lá fora as pessoas estão todas maquiadas.

REABASTECENDO ENERGIAS
Eu simplesmente acabei com a minha vida pessoal, os meus grandes amigos mal vejo. O meu melhor amigo médico, o oncologista Sergio Simon, não encontro há quase três anos. Sábado à noite vou para uma casa de campo que tenho e fico 24 horas ouvindo música, fazendo minhas leituras, pesquisas, um pouco no computador. E controlo muito bem a alimentação, o sono e a atividade física para poder aguentar. Faço ginástica de quatro a cinco vezes por semana, tenho uma alimentação equilibrada e durmo bem. Deixo de sair com os amigos para dormir. Não gosto de dormir, mas preciso me recompor.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS
Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais – não as igrejas. Nas igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer,que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de instrução causa doenças. Depois de 30 anos no Sirio-Libanês, eu mudei para o Oswaldo Cruz. Achar que eu vou ter novas salas, três enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensam ente, por isso tenho esses sentimentos.

NAS ASAS DA LIBERDADE
Você só é livre quando tem boa saúde. Ninguém fala isso. Dar saúde para uma pessoa é um pré-requisito para ela ser livre. Nesse templo, que é o hospital, nós tornamos as pessoas livres.

UM POUCO DE FILOSOFIA
A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência. Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia ser transmitida – se pelas palavras ou conquistada pela prática. ele não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos, respondeu: “A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio do exemplo”. Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS
Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo. Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à melancia e à goiaba vermelha. “Talvez diminua em 30% a chance, mas esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja, precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru.” A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se for ingerida em grandes quantidades, produz problemas cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é recomendável. O terceiro elemento é o Selenio, um mineral que existe na natureza e é importante para manter a estabilidade das células, impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará. “Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas castanhas por dia, recebe uma certa proteção”, diz o especialista. Uma quarta medida é comer peixe, três porções por semana – rico em ômega 3 e tem uma ação anticancerígena provável. E, uma quinta, tomar sol. “O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston”, afirma Srougi.

PACIENTES ILUSTRES
Trato todos os meus pacientes de forma igual. Se começo a tratar os mais importantes de um jeito diferente, eles dão mais trabalho. Se tratar igual, não. Até se sentem melhor com isso.

PODER vs TRANSFORMAÇÃO
O poder é a única forma de passar pela existência deixando marcas. Só com ele você consegue fazer isso. E nenhum de nós terá vivido de forma digna se não deixá-las. A minha definição de felicidade é estarmos alegres com o que somos, o que representa um continuum de bem-estar físico, mental e afetivo. É fantástica essa definição. E a gente só é feliz se estivermos circundados por pessoas felizes. E o poder nos dá um pouco dessa felicidade. Mas o grande problema é você dá-lo ao ser humano, que é altamente imperfeito – ele tem defeitos incompreensíveis para qualquer espécie – aí vira uma arma de destruição. Mas, quando se dá poder às pessoas de bem, ele se torna algo transformador.

A ANTROPÓLOGA de zeca nunes pires estréia nos cinemas de Florianópolis

Sobre o longa metragem catarinense ” A ANTROPÓLOGA” e seu diretor ZÉCA NUNES PIRES

O longa A Antropóloga,um filme dirigido pelo ilhéu Zéca Nunes Pires (seus antepassados vieram da Ilha do Faial), filho do ilustre professor Aníbal Nunes Pires,sobrinho-neto dos escritores Eduardo e Horácio Nunes Pires  e neto de Feliciano Nunes Pires,escritor,autor da letra do Hino de Santa Catarina,eminente homem público. Como seus ilustres familiares Zéca Pires é um homem de cultura.Preocupado em salvaguardar os valores culturais de sua terra, de ouvir a sua gente, de ser voz livre a favor da democracia da cultura. Seu filme A Antropóloga representa uma inovação na cinematografia catarinense. Com cerca de 90% das imagens captadas na Costa da Lagoa,comunidade remota de pescadores da Ilha de Santa Catarina,o filme retrata Florianópolis com um novo olhar.O olhar do imaginário insular e bruxólico,da ilha encantada com seus mistérios anímicos cantada em prosa e verso por tantos escritores e,sobretudo,por Franklin Cascaes. Fala da memória coletiva,dos usos e costumes,da vida de uma comunidade localizada junto a Lagoa da Conceição, no mesmo cenário onde há 260 anos chegaramos povoadores açorianos.
O Blog Comunidades cumpre a sua missão de noticiar a realização deste importante projeto cinematográfico de grande relevância para a produção cultural do nosso estado. Principalmente,difundir os andamentos do longa metragem “A Antropóloga”,em fase de finalização,dirigido de forma competente,criativa pelo jovem e talentoso cineasta (realizador) José Henrique Nunes Pires (Zéca Pires). No seu longo caminho,Zéca contou com uma série de apoios institucionais e, sem dúvida, poder contar com a parceria inconteste da RTP-Açores foi fundamental-

Apresenta-se um “release” sobre “A ANTROPÒLOGA”,na certeza de seu grandioso sucesso.

Lélia Pereira da S.Nunes
Fevereiro.2009

 A ANTROPÓLOGA –

1. O Filme

A protagonista Malu (Larissa Bracher), antropóloga açoriana da Ilha do Pico, resgata com grande suspense os mistérios da cultura popular e do folclore da Ilha. É por meio do olhar de Malu que a Costa da Lagoa se transforma em cenário de experiências emocionantes, que unem humanos e espíritos em ambientes de intensa magia. Muitos planos sugerem um olhar de “espreita”, muito comum na comunidade da Costa da Lagoa, seja pela característica da pequena localidade de pescadores ou pelo olhar de um ser estranho presente nas lendas locais e no filme. Esses enquadramentos, segundo Nunes Pires, não correspondem a planos do narrador e sim de alguém que observa esses momentos. 

2.O Enredo

O enredo de A Antropóloga é também uma homenagem às tradições populares de Florianópolis. A obra de Franklin Cascaes, renomado artista plástico e pesquisador da Ilha, inspiram o eixo central da trama que envolve Malu em surpreendentes descobertas.
Oferecendo entretenimento, suspense e conhecimento sobre este estranho aspecto da cultura catarinense, nosso público alvo pretendido é o freqüentador de cinema, acima de 12 anos, morador das grandes cidades

3.Sinopse
A Antropóloga é um longa-metragem de suspense que aborda a relação dos habitantes da Costa da Lagoa, um reduto açoriano em Florianópolis, com o mundo sobrenatural, no tempo presente. Por meio da protagonista Malu, uma antropóloga açoriana, nascida na Ilha do Pico,que vem ao sul Brasil desenvolver uma pesquisa sobre etnobotânica, são vivenciadas experiências que desafiam o limite do entendimento sobre a razão e a imaginação.
Aos 33 anos, Malu realiza na Costa da Lagoa sua primeira pesquisa de campo como antropóloga. Mais do que um marco em sua carreira, a viagem a Florianópolis também representa a chance de evoluir em sua vida pessoal, marcada por relacionamentos difíceis e perdas. É com Dona Ritinha, a benzedeira mais famosa da comunidade, que Malu começa o aprendizado sobre a cultura mística que os descendentes de açorianos preservam no local. Ao acompanhar seu trabalho com as ervas no tratamento de Carolina, filha do médico Adriano, Malu descobre que a menina está sendo empresada por uma bruxa maléfica. O Velho Delano é quem reforça para Malu a necessidade de acreditar no sobrenatural e, mais do que isso, acaba envolvendo-a na cura da menina.
Lila, a amiga e professora que vive nos Açores, encoraja Malu a vivenciar a pesquisa em toda a sua magnitude. Apresenta a ela o trabalho de Franklin Cascaes, famoso artista de Florianópolis que retratou o imaginário popular da Ilha em suas obras. As respostas que encontra no acervo de Cascaes, aliadas ao conhecimento de Dona Ritinha, levam Malu a um caminho inesperado.
Malu sofre conflitos emocionais e singra a verdadeira viagem rumo ao autoconhecimento. 


Foto Cláudio Silva

RUI BIRIVA compositor nativista gaúcho, entregou as “moedas para o barqueiro” / porto alegre

Corpo do músico Rui Biriva é velado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Compositor nativista morreu na noite de ontem devido a um tumor no intestino grosso

O corpo do cantor e compositor nativista Rui Biriva, que morreu na noite de segunda-feira, é velado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre desde as 8h de hoje. O músico morreu às 22h45min de ontem no Hospital de Clínicas, onde estava internado desde 14 de abril para o tratamento de um tumor no intestino grosso.

Após o velório na Capital, que se encerra às 13h, o corpo segue para Horizontina, terra natal do músico, onde será sepultado na quarta-feira em uma cerimônia aberta ao público.

A morto de músico comoveu a comoção em todo o Rio Grande do Sul. Na internet, adoradores da música gauchesca deixaram palavras de conforto e prestaram homenagens ao artista. Biriva lutava há um ano contra um tumor no intestino grosso.

A mulher do cantor, Priscila Dutra, agradeceu o apoio de colegas e amigos. Segundo ela, Rui Biriva foi um lutador:

— O Rui lutou um ano contra o câncer e sempre estimulou as pessoas a prevenirem a doença, realizar exames. Infelizmente, não deu. Mas ele deixa o exemplo de fé coragem, alegria. Espero que o povo gaúcho guarde essa mensagem deixada por ele — afirmou.

ZH

JAIRO PEREIRA: “DA GUSTO VIVER COMO UNO SELVAGEM POETA DESNUDO POR ESTA TERRA BRASILIS” / quedas do iguaçu.pr

Desfiar o cordão dos signos, reflexo de sua indignação, aliado a talento e força de investimento no estético, isso é o que faz Douglas Diegues. Arremeter, o poeta, sem piedade (esse sentimento pífio) contra os fantasmas de suas noites indormidas. A poesia como instrumento de aceleração do processo de discórdia com a época e a vida que a época impõe.

De todos os ímpetos, o mais sublime é o poético. Um estar no mundo das coisas :coisa: sujeito a tudo. Um objeto no objetário-vida. Uma coisa no coisário. Sujeito e objeto da mesma relação. Viver e apreender é mesmo com o agente poético. Senhor de si e de seu ofício. Claro que para haver resultado e boa poesia, é de se ter linguagem. Linguagens, em estado de ossos, esperma, suor, espinhos, esporos espalhados pelo chão. Desse quase-nada, soprado de ventos intrafluxos, é que a poesia se constrói. Viver e aprender, viver e ensinar. Explorar os sistemas de se conduzir, criar, amar, num mundo doido que se recusa ao pensamento/conhecimento, e mais ainda, se recusa à experiência da poesia. No hay de haver poesia sem imaginacion i ato. Explorar os símbolos brutos, repentinos, da verve do artista insurreto. O poeta Douglas Diegues sabe como ninguém o que é andar desnudo por essa imensa geografia da terra brasilis. São trinta sonetos pérfido-encantatórios, a começar com a ciudade morena Campo Grande, num Mato Grosso do Sul de divérsicas associações: inteligência e degredo, indiferença e paixão poética, beleza femilúnica e idiotia político-culturale.

falsa virgem ciudade morena

vas a aprender ahora com quanto esperma se faz um bom

poema

Aproveitar bem as falhas do sistema, um norte a seguir, como reza a sentença do bardo blasfemo em sua quixotesca e solitária luta, numa postura de quem não deve nada e cobra pouco. Cobra só um mínimo espaço pra poesia. Um mínimo espaço para o homem e sua liberdade. É de se cobrar e cobra o bardo alucinado, um lugar no antilugar (os poetas sempre quiseram isso) do aquáriovida. Pôr um pouco de esperma, bosta e algodão-doce no status quo do capital especulativo. Adicionar mais significante e significado nas sentenças que os sonetos transgridem. Dá gusto de ver os golpes pela língua fítria, a espada penetrante na carne da mediocridade oficialesca.

resiste, mano, em la región más desejada

confia en el fogo de la palabra

escribe com tu berga um bom poema

 

Antropológica, antropocênica e visceral a poesia de Dá gusto andar desnudo por estas selvas – Sonetos Salvajes. Construída em empírico terreno, a força das palavras transcende os domínios que o poeta possa ter da língua, seja o português do Brasil ou o Portunhol propriamente. É voz de autor, acelerada, reverberante, plena de intenções transgressoras.

donde mora lo perigo y la loucura

no basta llegar allá – entre los primeros

cuidado com los golpes rasteros

 

A poesia contemporânea, com raríssimas exceções, navega na releitura, conformação lingüística e desapego à vida. Este talvez, o seu maior erro. Douglas ousa, em ser originalíssimo. Bibidor e blasfemo. Sua lira de escárnio e tentações indominadas, aflora tensa e mal-humorada. O poeta não se trai, no que é, e expõe (como mercadoria na feira das intenções) sua indignação existencial. Esses ditos, tempestuosos sobre nossa imensa geografia de conformação i covardia, são fogos cuspidos do céu.

corro el risco de ser diferente

antecipo la invenção del futuro hoje

olvido tudo lo que ouvi sobre la palabra

 

O olhar do poeta filtra a realidade, mas filtra com outra qualidade. Filtra e suja, filtra e mistura. Filtra e desafina o coro dos contentes. Põe bruma no céu azul. Põe sal e esperma na paisagem, com os sujos da alma antropomística de selvagem inspirado. Uno raivoso cão errando pelos chacos das linguagens. Porque não escrever sonetos-sonetos, sonetos corretos, poesia de razão e fineza!? Por que não se faz a vida do poema com uma vida outra do poeta. Vida que nem ele mesmo conhece. Em Douglas Diegues a vida do poema e a vida do poeta são as mesmas, e o verbo vem furioso (selvagem) e nos assalta com as razões inexplicáveis de sua des-razão.

em las brumas de este film real como tu olho

bocê se cree gran cosa mas no passa de um piolho

A revolução da poesia se dá por ação e golpes baixos. O prazer da ofensa tem grande valor. A revolução da poesia ocorre na consciência do poeta. Anti-solipsista, quer se dar a conhecer a todos, ganha a rua, e conquista um leitor aqui outro lá.

Da leitura destes sonetos thurvos e mal-educados, rancorosos até, & de ira-santa, brota uma lição grandiosa, como flor no esterco dos vacuns: poesia é de dizer com sua própria boca, ancha de impurezas do pensar e sentir. De nada nos servem os belos discursos, isentos de vida. Uma flor na lapela da miséria espelha muito mais esses tempos bicudos. Uma flor-matriz pra muitos cantos desesperados, como são os deste livro.

Holístico o entendimento do poeta, concentra numa mônada, extensões de espaço e pensar, como demonstra excerto do soneto 16, pg. 23.:

em los jardins de la mudanza

aprende com la simplicidad del vento

sin que se le pueda notar el movimento

el universo danza

 

A lógica do sistema e a lógica transdeliriológica do poeta, em embate cósmico: dois sistemas contrários, dialéticos, de propulsão da arte e da poesia. Dois comportamentos diametralmente opostos. O poeta não compartilha dos delírios coletivos, mas sim do seu grande e autoideológico transdelírio, que não é só verbal, mas imagético, comportamental & de insurgência no social:

de nada me serve o conforto da lógica aristotélica – penso

lo que digo – corro el risco quando estou em paz comigo

duermo legal até em colchón de vidrio

 

 

Poesia, não é mais espelho da alma romântica. Em nosso tempo é catana, apta aos grandes embates. Política, resistente, imprecativa, transgressora, revolucinária de linguagem. Douglas Diegues sabe disso, e impõe o gesto bruto.

Como um chinês amigo que nos brinda com uma orquídea, Douglas Diegues na sua loucura de criação, nos joga estes Sonetos Salvajes, cuspidos de afetosa. Mostra que a poesia é suja, insubserviente, malvivida, atentatória aos costumes e às tradições do belo pelo belo. Ganha a lira contemporânea, em muitas medidas, ganham os leitores devotados da poesia, os mesmos quinhentos e poucos que erram por aí no inutiliartismo das relações. Para os poetas, fica outra lição mais que singela, selvagem até, como os graxains enfadados de Ponta Porã, non atirar antes de vier la caça.

com esa mescla de bosta e algodon doce este soneto ahora

finda para que estes dias banais no fiquem

mais banales ainda.

 

 

Cátedra José Carlos Mariátegui / perú

     

José Carlos Mariátegui es el primer pensador marxista de América Latina que fue al mismo tiempo un hombre de letras capaz de emocionarse con el surrealismo y la poesía, y un hombre de acción que en 1926 fundó Amauta, la revista histórica del Perú, y en 1928 el Partido Socialista y la Central General de Trabajadores. Inauguró en el Perú los estudios sociales y una reflexión profunda de la realidad nacional adhiriendo el socialismo como fin ético de justicia social, y como un proyecto político exento del dogma y la retórica. “No queremos ciertamente, – dice – que el socialismo en América sea calco y copia. Debe ser creación heroica. Tenemos que dar vida, con nuestra propia realidad, en nuestro propio lenguaje, al socialismo indo-americano. He aquí una misión digna de una nueva generación”.

Esta voluntad y anhelo por transformar la sociedad peruana, en la construcción de una estética de “ritmos y colores desconocidos”, que nos hablará con un “lenguaje insólito, en un mundo nuevo”, le permitió una interpretación del marxismo distinta al esquema del desarrollo histórico europeo basado en la ideología marxista de la que se declaró un seguidor convicto y confeso. La originalidad de su interpretación es que abarca la influencia de la vanguardia intelectual y artística de entonces: Gramsci, Croce, Sorel, Gobetti, Unamuno, Freud, Bergson, y de manera singular, Nietzsche. No en vano, los Siete Ensayos de Interpretación de la realidad peruana, su obra fundamental publicada en 1928, está precedida por un epígrafe del filósofo alemán: “Yo no deseo leer más a un autor del cual se advierte que ha querido hacer un libro. Leeré solamente aquellos cuyas ideas se convierte inesperadamente en un libro”.

Es precisamente en los 7 Ensayos, que el esfuerzo por conciliar el socialismo con la realidad nacional cobra notable particularidad. La evolución económica, el problema del indio y el régimen de propiedad de la tierra, son analizados en los tres primeros ensayos. Aquí, destaca la formidable máquina de producción de los Incas y los lazos de solidaridad de las comunidades indígenas, destruidos por la conquista española. Para Mariátegui, la cuestión indígena y su concreción histórica es un asunto relacionado con la economía, y sus realizadores deben ser los propios indios. “Laesperanza indígena es absolutamente revolucionaria”, afirma. Así, el combate revolucionario por el socialismo es religión y mística: “El hombre contemporáneo tiene necesidad de fe. Y la única fe, que puede ocupar su yo profundo, es una fe combativa”, concluye.

Es a partir de esa fe combativa que constituimos la Cátedra José Carlos Mariátegui organizada como un foro de reflexión y análisis del pensamiento de Mariátegui a través de un debate interdisciplinario y  plural. Desde la Cátedra JCM consideramos que la tarea de pensar y repensar a Mariátegui resulta imprescindible, tanto para avanzar en la conformación de una intelectualidad crítica como para delinear los cimientos de las nuevas corrientes emancipadoras en Nuestra América. José Carlos Mariátegui, precursor de la corriente cálida del marxismo de Nuestra América, el intelectual-militante que estableció los cimientos de Nuestro Socialismo (proyecto vital y no canon) es una figura insoslayable a la hora repensar las posibilidades emancipadoras en Nuestra América. Así mismo, es referencia imprescindible frente a la tarea de reestablecer la utopía, el mito, la comunidad y un conjunto amplio de elementos dinámicos del devenir histórico.

Este esfuerzo se inscribe en el contexto de dieciocho años de intenso y fructífero trabajo por difundir la obra de Mariátegui a través de los siguientes eventos: A finales de 1993 se conformó la Comisión Nacional del Centenario de José Carlos Mariátegui presidida por Alberto Tauro del Pino e integrada por: Sandro Mariátegui, José Carlos Mariátegui, Javier Mariátegui, Estuardo Núñez, César Miró, y Sara Beatriz Guardia en la Coordinación General, que concluyó con la realización del Simposio Internacional del Centenario en junio de 1994. El Simposio Internacional Amauta y su Época, del 3 al 6 de setiembre de 1997; el Segundo Simposio Internacional Amauta y su Época Conmemorando el 80 Aniversario de la fundación de la histórica Revista, 17 y 18 de agosto, 2006; y del 2 al 4 de octubre del 2008, elSimposio Internacional 7 Ensayos de interpretación de la realidad peruana Conmemorando el 80 Aniversario de su publicación.

Objetivos

En esa perspectiva, el objetivo de la Cátedra JCM es continuar con los estudios e investigaciones sobre el pensamiento de Mariátegui, en una línea anti dogmática y pluridisciplinaria, como lo hiciera en su obra de reflexión y creación. El conocimiento del pensamiento universalista de José Carlos Mariátegui, de su  novedad  y originalidad  tanto en el campo político, económico y social, como cultural y ético, constituye a nuestro entender el mejor métodode acercamiento  a la realidad caótica del mundo actual, y  repensar tras la quiebra de los modelos existentes, la construcción de sociedades libres y solidarias.

Priorizaremos el estudio sobre la evolución del pensamiento latinoamericano; desarrollo económico, social, político, cultural e histórico de nuestros países; estudios sobre las culturas originarias, la conquista, la colonia, la independencia y la formación de los Estados Nación; la identidad nacional; articulación entre el mundo académico, movimientos sociales y organizaciones populares; América Latina (Perú) y Europa en el pensamiento de Mariátegui; la visión de genero en su obra; medio ambiente.

Actividades

Iniciamos nuestras actividades con la preparación de un web que permita una mayor comunicación y difusión de artículos y trabajo sobre José Carlos Mariátegui, que estará en Internet a partir del mes de junio.

La primera tarea que nos hemos impuesto es la publicación de una antología de artículos inéditos con aportes sobre el pensamiento de José Carlos Mariátegui cuyo título es: José Carlos Mariátegui. La interpretación como creación heroica

 

Para tal fin solicitamos nos envíen trabajos con una extensión no mayor a las 20 carillas a un espacio antes de noviembre del presente año. Para la edición del libro conformaremos un Comité Editorial. El libro será publicado por la Editorial Minerva.

Dirección

Sara Beatriz Guardia (Perú)

Comité Consultivo

Presidente: Sandro Mariátegui Chiappe (Perú); Saúl Peña Kolenkautsky (Perú); Marco Martos (Perú); Roland Forgues (Francia); Edgar Montiel (Perú); Michael Löwy (Francia); Wolfgang Fritz Haug (Alemania); Adám Anderle (Hungría);Arturo Corcuera (Perú);Héctor Alimonda (Brasil); Humberto Mata (Venezuela); Luiz Bernardo Pericás (Brasil); Miguel Mazzeo (Argentina); Thomas Ward (Estados Unidos); Marlene Montes (Alemania); Mirla Alcibíades (Venezuela);Renata Bastos (Brasil); Héctor Béjar (Perú); Philomena Gebran (Brasil); Ricardo Marinho (Brasil); María Ramírez Delgado (Venezuela); Franklin Oliveira Jr. (Brasil); José Luis Ayala (Perú); Eduardo Paz Rada (Bolivia); Samuel Sosa (México); Gustavo Pastor (Perú); José Escobedo Rivera (Perú); Elvis Humberto Poletto (Brasil).

.

Presidente José Carlos Mariátegui       

José Carlos Mariátegui é o primeiro marxista pensador latino-americanos que foi tanto um homem de letras pode ser tocado com o surrealismo e poesia, e um homem de acção, que em 1926 fundou Amauta, a revisão histórica do Peru, e em 1928 o Partido Socialista e da Confederação Geral dos Trabalhadores. Peru abriu em estudos sociais e uma profunda reflexão sobre a situação nacional, a fim de aderir ao socialismo ea ética da justiça social e como umprojeto político livre de dogmas e retórica – “. Somos não tenho certeza, ele diz – que o socialismo na América é cópia carbono. Deve ser uma criação heróica. Devemos inspirar a nossa própria realidade, em nossa própria língua, o socialismo indo-americano. Aqui é uma missão digna de uma nova geração. ”

Esta vontade eo desejo de transformar a sociedade peruana na construção de uma estética de “ritmos desconhecidos e cores, falamos com uma” língua estranha, um novo mundo “permitiu uma interpretação diferente do marxismo para o regime de desenvolvimento história europeia, baseada na ideologia marxista, que declarou um seguidor convicto e confesso. A originalidade de sua interpretação é que ela abrange a influência da vanguarda intelectual e artística, então:, Croce, Sorel, Gobetti, Unamuno, Freud, Bergson, e uma única maneira de Nietzsche.Gramsci Afinal, Sete Ensaios Interpretativos realidade peruana, o seu trabalho seminal publicado em 1928, é precedida por uma epígrafe do filósofo alemão: “Eu não quero ler mais como um autor que observa que ele queria fazer um livro. Leia somente aquelas idéias que, inesperadamente, se torna um livro. ”

É precisamente nas 7 provas, O esforço para conciliar o socialismo com a realidade nacional torna-se particularidade notável. L à evolução económica, o problema do índio e do sistema de propriedade da terra, são discutidos nos três primeiros testes. Aqui, d estacar uma formidável máquina de fabricação dos Incas e dos laços de solidariedade das comunidades indígenas destruídas pela conquista espanhola. Para Mariátegui, l para as questões indígenas e sua especificidade histórica é um problema relacionado com a economia, e os responsáveis ​​devem ser os índios. “A esperança ndígena i é absolutamente revolucionário”, diz ele. Assim, a luta revolucionária para o socialismo é a religião e misticismo: “O homem moderno tem necessidade da fé. E a única fé que pode ocupar o seu eu interior, é uma fé militante “, conclui.

É a partir desta fé militante, que constituem o presidente José Carlos Mariátegui organizada como um fórum de reflexão e análise de p ensamiento Mariátegui através de um debate interdisciplinar   plural. A partir do JCM presidente considere a tarefa de pensar e repensar Mariátegui é essencial, tanto para promover a criação de uma intelectualidade crítica para delinear as bases da emancipação novas correntes em Nossa América. José Carlos Mariátegui, precursor da corrente quente do marxismo de Nossa América, o militante-intelectual que estabeleceram as fundações do nosso Socialismo (projeto vital e não canônica) é uma figura incontornável no momento de repensar as possibilidades de emancipação de nossa América. Também é referência essencial para a tarefa de restaurar a utopia, o mito, a comunidade e uma ampla gama de elementos dinâmicos da evolução histórica.

Este esforço se insere no contexto de dezoito anos de trabalho intenso e frutífero para divulgar o trabalho de Mariátegui através dos seguintes eventos: No final de 1993 ele formou a Comissão Nacional do Centenário de José Carlos Mariátegui, presidido por Alberto del Pino e Tauro composto por: Sandro Mariátegui, José Carlos Mariátegui, Javier Mariátegui, Estuardo Núñez, César Miró, e Sara Beatriz Guardia Coordenação Geral, que terminou com a realização do Simpósio do Centenário, em junho de 1994. O Simpósio Internacional Amauta e Época, de 3 a 06 de setembro de 1997, o Segundo Simpósio Internacional e Time Amauta Comemorativa do 80 º Aniversário da fundação da revisão histórica, 17 e 18 de agosto de 2006, e 2-4 Outubro de 2008, o Simpósio Internacional de ensaios de interpretação da realidade peruana sete Comemorativa do 80 º aniversário da sua publicação.

Objetivos

Nesta perspectiva, o objectivo do Presidente JCM é continuar os estudos e pesquisas sobre o pensamento de Mariátegui, em uma linha anti-dogmático e multidisciplinar, como fez em seu trabalho de reflexão e criação. Conhecimento de universalista pensamento de José Carlos Mariátegui, a sua   novidade   e originalidade, tanto na política, económica e social, e cultural e éticos é na nossa opinião o melhor método abordagem   para a realidade caótica do mundo de hoje e   repensar depois do fracasso dos modelos existentes construir sociedades livres e solidariedade.

Priorizar o estudo da evolução do pensamento latino-americano, o desenvolvimento econômico, político, cultural e histórica do património social de nossos países, os estudos sobre as culturas indígenas, a conquista colonial, a independência ea formação dos estados-nação, identidade nacional articulação entre a academia, movimentos sociais e organizações populares na América Latina (Peru) e na Europa a pensar Mariátegui, a perspectiva de gênero em seu ambiente de trabalho.

Atividades

Iniciamos nossas atividades com a preparação de um site que permite uma maior comunicação e divulgação de artigos e trabalhos em José Carlos Mariátegui, que estará online a partir de junho.

A primeira tarefa que temos pela frente é a publicação de uma antologia de artigos originais, com as contribuições sobre o pensamento de José Carlos Mariátegui, intitulada: José Carlos Mariátegui. O desempenho como uma criação heróica

 

Para este fim, pedir-lhe para apresentar o trabalho não superior a 20 páginas para o espaço até novembro deste ano. Para a edição do livro como um Comitê Editorial. O livro será publicado pela Minerva Publishing.

Endereço

Sara Beatriz Guardia (Peru)

Comitê Consultivo

Presidente: Sandro Mariátegui Chiappe (Peru), Kolenkautsky Saul Peña (Peru), Marco Martos (Peru), Forgues Roland (França), Edgar Montiel Peru) Michael Lowy ((França), Wolfgang Fritz Haug (Alemanha), Anderle Adam ( Hungria); A rturo Corcuera (Peru), Hector Alimonda (Brasil), Humberto Mata (Venezuela), Luiz Bernardo Pericás (Brasil), Miguel Mazzeo (Argentina), Thomas Ward (EUA), Montes Marlene (Alemanha); Mirla Alcibíades (Venezuela), Renata Bastos (Brasil), Hector Bejar (Peru); Philomena Gebran (Brasil), Ricardo Marinho (Brasil), M aria Ramírez Delgado (Venezuela), Franklin Oliveira Jr. (Brasil), José Luis Ayala (Peru) ; Rada Eduardo Paz (Bolívia), Samuel Sosa (México), Pastor Gustavo (Peru), José Escobedo Rivera (Peru); Elvis Humberto Poletto (Brasil).

A VOZ na CANÇÃO POPULAR BRASILERA – de regina machado / são paulo

OPOSIÇÃO no Brasil: “O DELÍRIO DELES É UM DESBUNDE” – por jussara seixas / são paulo

Eles estão malucos, doidos, alucinados. Estou falando da oposição, de abestalhados, de gente sem noção. O delírio deles é um desbunde. Eles estão revoltados desde que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016. Tinha abestalhado torcendo para o Brasil não ser escolhido, torcendo para qualquer outro país, EUA, Espanha, menos o Brasil. A ira deles tem fundo político: o prestigio ainda maior que a Copa e as Olimpíadas atribuirão ao ex-presidente Lula, à presidenta Dilma, ao governo do PT. Agora, além de torcer para que tudo dê errado, eles querem que o governo Dilma, o governo brasileiro, renuncie a sediar a Copa no Brasil e entregue a Copa para outro país – são palavras de um senador do PSDB. A que ponto chega o desespero, a loucura, a insanidade da oposição e de seus seguidores abestalhados. A importância da Copa e das Olimpíadas estendem-se muito além do eventual prestígio de nossos presidentes Lula e Dilma: atrairão a atenção do mundo para o Brasil e as coisas brasileiras, gerarão milhões de empregos diretos e indiretos. As reformas dos estádios, as melhoria nos aeroportos, a criação de infra-estruturas em todos os estados que terão jogos da Copa, isso tudo está arrasando com a oposição. Isso sem contar os milhares de turistas estrangeiros que vão lotar os hotéis do Brasil, os restaurantes, as praias, as lojas, e deixarão aqui bilhões de dólares. É para deixar os abestalhados da oposição malucos, a ponto de um senador falar tamanha besteira. A torcida deles é para que tudo dê errado, para que tudo atrase, para que seja um fiasco. Tem mais: eles vão torcer contra o Brasil nos jogos, para que a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula não tenham a chance de prestigiar e homenagear os nossos jogadores. Essa gente sem noção, abestalhada, tem a cara de pau de dizer que são brasileiros, que amam o Brasil. São traidores da nação. O que é motivo de orgulho para milhões de brasileiros, para essa gentinha sem noção é dinheiro jogado fora, é um desperdício inútil. Dizem isso justamente porque tudo vai dar certo e o prestígio da presidenta Dilma, de Lula e do Brasil serão imensos. E a Copa de 2014 ocorre em ano de eleição para presidente – será o sepultamento da oposição raivosa, virulenta e sem noção, de novo!

Mais Que Coisa !!! – autor desconhecido


                           O substantivo “coisa” assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas.

A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

Devido lugar

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB.

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré (“Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor”), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”.

Cheio das coisas

As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei” das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, “são tantas coisinhas miúdas”). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade (“ô coisinha tão bonitinha do pai”). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa… Já qualquer coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à toa

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: “amarás a Deus sobre todas as coisas”.   Entendeu o espírito da coisa?

.

enviado por JUCA (José Zokner)

“A CRIAÇÃO” de RETTAMOZO / curitiba

Jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM informa sobre o atentado do RIO CENTRO

    Publicado em 24/04/2011

Chico Otávio desvenda o atentado do Riocentro. Viva o STF ! Viva a PGR !

Em primeiro plano, o “agente Wagner”, anistiado, in memoriam, pelo STF e a PGR

Saiu no Globo, na pág. 3:

“Linha direta com o terror”

“Agenda do sargento do Riocentro revela, após 30 anos, rede de conspiradores do período”

Reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte mostra que “deixar que a bomba explodisse em seu colo não foi o único erro do sargento Guilherme Pereira do Rosário na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro.”

“O ‘agente Wagner’ do Destacamento de Operações de Informações do Io. Exército (DOI I), principal centro de tortura do regime militar do Rio, também levava no bolso uma pequena agenda telefônica, contendo nomes reais e, não codinome, e respectivos telefones de militares e civis envolvidos com tortura e espionagem.”

A brilhante investigação dos repórteres do Globo permite elucidar, também, o atentado contra Lyda Monteiro, secretária da OAB, no Rio: “não existem duvidas sobre a atuação do sargento”.

O primeiro inquérito do Riocentro – contam Chico Otávio e Alessandra – , realizado em 1981 pelo Exército, foi uma fraude: tentou provar que os dois militares que foram detonar um show de musica popular brasileira – http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_do_Riocentro -, com milhares de pessoas na platéia, eram “vítimas”.

O autor da patranha, convém lembrar, o “investigador”, foi o coronel Job Lorena de Sant’Anna.

(O Chico Otávio, breve, crê este ansioso blogueiro, falará da participação do Capitão Wilson, que estava ao lado do “agente Wagner” no Puma e escapou da explosão; e do General Otávio Medeiros, Czar do SNI do Governo Figueiredo.)

“O segundo, de 1999, comprovou a culpa dos dois membros do DOI que estavam no carro, além de um oficial (Freddie Perdigão) e um civil (Hilário Corrales), mas ninguém foi levado a julgamento: o Superior Tribunal Militar entendeu que os autores estavam cobertos pela anistia”.

O brilhante trabalho de Chico Otávio e Alessandra Duarte permitiu identificar 54 nomes que estão na caderneta do terrorista morto.

O Supremo Tribunal Federal – com a deplorável ajuda do Procurador Geral da República – anistiou a Lei da Anistia – e, por extensão, os terroristas do regime militar, como, in memoriam, o “agente Wagner”.

O notável jurisconsulto Sepúlveda Pertence bem que tentou na Corte de Diretos Humanos da OEA, na Costa Rica, defender o indefensável: a anistia da Lei da Anistia e, por extensão, a anistia aos terroristas – como os cúmplices e chefes do “agente Wagner”.

Pertence foi lamentavelmente derrotado.

E o Supremo e Pertence têm um encontro marcado com a decisão da OEA, que tarda, mas não falha, como previu o emérito professor Fábio Comparato.

É por essas e outras que os projetos dos deputados Fonteles – colocar o Supremo de volta ao seu devido lugar – e Dino – acabar com a vitaliciedade do cargo de Ministro Supremo – tendem a ganhar ímpeto.

Se o PiG (*) se inspirasse no Chico Otávio e deixasse a luz do Sol entrar nos arquivos sinistros do regime militar com mais frequência e igual tenacidade, ajudaria a desmontar a “lógica” do STF e do Procurador Geral da República.

E tornaria uma página negra da Historia da Magistratura brasileira a relatoria de Eros Grau, o ministro do Supremo passou a mão na cabeça da Lei da Anistia – e, por extensão, nos chefes dos terroristas do Riocentro.

Viva o Brasil !

Por falar em Chico Otávio.

O Grande Ético do PMDB, o deputado Eduardo Cunha, aquele que integraria o Panteão da Ética do PMDB, ao lado de Wellington Moreira Franco, Henrique Alves e Michel Temer, Cunha quer interromper a carreira de Chico Otávio com processos na Justiça.

Porque o Chico Otávio costeou o alambrado de Furnas.

Viva o Brasil II !


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Riocentro, 30 anos. A anistia cobre crime pós-anistia?

Um excelente trabalho de reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte, em O Globo de hoje, revela a rede de terror em que estava envolvido o sargento Guilherme do Rosário que, ao lado do capitão Wilson Machado, planejavam o atentado do Riocentro e acabaram sendo surpreendidos pela explosão acidental da bomba que iam instalar num show repleto de jovens no primeiro de maio de 1981.

Rosário, que morreu na hora, e Machado eram integrantes de um grupo de militares e policiais que não aceitavam nem mesmo a distensão política de João Figueiredo. Os indícios são de que Rosário participou também do atentado à OAB, que matou Lyda Monteiro, ao abrir uma carta bomba.

A memória do episódio e as revelações dos contatos de Guilherme do Rosário reacendem uma pergunta: de quem partiu a ordem para a colocação da bomba?

E outra, que os ministros do Supremo Tribunal Federal, que proclamaram ano passado que  a Lei da Anistia, assinada em 1979, vale também para crimes cometidos quase dois anos depois de ela ter sido editada? É anistia futura, também?

Aí está um bom começo para o trabalho da Comissão da Verdade. A teia de monstruosidade que pode se abrir com a investigação deste caso pode colocar em xeque, perante a opinião pública e o Judiciário, a impunidade de quem matou e pretendia matar para produzir terror político.

do Brizola Neto.

McDonalds, do que são feitas essas batatas?

UM clique no centro do vídeo.

Pastor RICARDO GONDIM concede entrevista a Gerson Freitas da Carta Capital

“Deus nos livre de um Brasil evangélico”. Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir:


CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?

Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.

CC: Como o senhor define esse perfil?

RG: extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhes assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.

CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?

RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o Presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.

CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?

RG: O movimento brasileiro é filho do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portos de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?

CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.

RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, estão a minha mensagem está fragilizada.

CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?

RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez mais dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.

CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?

RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou com a heterossexualidade.

CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?

RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.

CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.

RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.

“Deus nos livre de um Brasil evangélico” (das igrejas protestantes) – por pastor ricardo gondim / são paulo


Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.
Soli Deo Gloria

Meus arames farpados de molho em um amaciante – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

Vou recolocar o mesmo som.

Virar do avesso um rosnado
e por meus arames farpados de molho em um amaciante. 

Com esculturas diluíveis na boca
mudar seu nome para maça
e encaixar a eternidade dentro de um segundo, 
então contemplar minha obra, 
bela e frágil como o dedo mindinho de um bebê.

E pensar no maior volume que conseguir pensar
uma canção: 
Nas vendas negras coloquei algumas estrelas, 
Nas mordaças um sabor de mirtilos,
E dancei com os ouvidos acariciados por sinfonias
E dancei 
com ao meu corpo sensível como um falo
no cosmos tão feminino.

A burrice nossa de cada dia e a busca da cura instantânea – por alceu sperança / cascavel.pr

Não são os humanos, como se diz por aí, que destroem a natureza. Os que destroem, na verdade, são desumanos. A destruição é causada, sempre, por uma estrutura política e social cruel e injusta.

Sem qualquer dúvida, a humanidade tem evoluído com o tempo.

Mas há coisas que nos fazem duvidar disso.

O cientista americano David Orr fez um estudo mostrando que na antiguidade um camponês gastava uma caloria para produzir 50 calorias de alimentos.

Algo como gastar um real e ganhar 50 de compensação.

Hoje, gastamos 17 calorias para produzir uma caloria de comida.

Se a gente pensar bem é como você gastar 17 reais para ganhar um só real. Muita burrice, não é mesmo?

Por que esse tamanho desperdício acontece?

Porque no passado a comida era produzida no mesmo local em que era consumida. Hoje, ela viaja em média dois mil e quinhentos quilômetros antes de ser consumida.

O engenheiro Miguel Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observa que o tomate que o gaúcho come é produzido em Santa Catarina, mas antes vai passear em São Paulo.

Volta a atravessar todo o Estado do Paraná e o de Santa Catarina para só então chegar à mesa dos gaúchos.

Claro que uns e outros vão ganhando dinheiro nesse passeio.

Mas a maior parte dessa grana não chega ao bolso do produtor, embora saia sempre do bolso do consumidor.

Com isso, para sair da terra e chegar ao consumidor, o produto vai acumular um enorme gasto de energia.

Não é inteligente, não é sábio, mas é assim que as regras do jogo do mercado capitalista funcionam: dando lucro, está valendo.

Há também um enorme gasto de energia aplicada na produção de soja, destinada a alimentar o gado europeu, lá do outro lado do oceano.

Estes são apenas dois casos de gastos errôneos de energia.

Mas enquanto alguém ganhar dinheiro com alguma coisa, mesmo sendo errada, a farra continua.

Por isso precisamos estar sempre refletindo sobre os nossos atos.

Eles são corretos, ou os cometemos porque é costume encalacrado, mesmo que nos custe a paz, a segurança e a saúde?

**

No impressionante filme 2035, uma pessoa ferida recebe sobre a machucadura um adesivo, que é aplicado e retirado imediatamente, um segundo depois.

Quando o adesivo sai, o machucado já desapareceu.

Coisa de cinema, não é mesmo?

É certo que os band-aids da atualidade no máximo protegem os ferimentos de mais danos.

São insatisfatórios como curativos e a humanidade está sempre em busca de algo melhor.

Mas a verdade é que a ideia de um adesivo que possa curar mais do que os atuais band-aids não é tanta fantasia assim.

A Universidade de Campinas patenteou recentemente um processo de aprimoramento do adesivo cirúrgico, muito utilizado em suturas cirúrgicas.

O novo processo acelera a cicatrização e contribui para reduzir processos inflamatórios e infecciosos depois das cirurgias, principalmente em suturas que envolvam veias e artérias.

Também não é coisa de cinema informar que a inovação foi criada por uma aluna do Instituto de Química da universidade – Fernanda Ibañez Simplício.

Claro, imediatamente os professores apoiaram e ela recebeu uma bolsa do Instituto do Coração de São Paulo para continuar as pesquisas.

Também é claro que as indústrias já estão pensando em lançar comercialmente o adesivo de cinema criado pela jovem estudante brasileira.

**

A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção. O ser humano tem jeito, sim!

CANAL DA MÚSICA convida: / curitiba

O ATOR – de plínio marcos / são paulo


Por mais que as cruentas e inglórias
Batalhas do cotidiano
Tornem um homem duro ou cínico
O suficiente para fazê-lo indiferente
Às desgraças e alegrias coletivas,
Sempre haverá no seu coração,
Por minúsculo que seja,
Um recanto suave
Onde ele guarda ecos dos sons
De algum momento de amor já vivido.

Bendito seja
Quem souber dirigir-se
A esse homem
Que se deixou endurecer,
De forma a atingi-lo
No pequeno porém macio
Núcleo da sua sensibilidade.
E por aí despertá-lo,
Tirá-lo da apatia,
Essa grotesca
Forma de auto-destruição
A que por desencanto
Ou medo se sujeita.
E por aí inquietá-lo
E comovê-lo para
As lutas comuns da libertação.

O ator tem esse dom.

Ele tem o talento de atingir as pessoas

Nos pontos onde não existem defesas.

O ator, não o autor ou o diretor,

Tem esse dom.

Por isso o artista do teatro é o ator.

O público vai ao teatro por causa dele.

O autor e o diretor só são bons na medida

Em que dão margem a grandes interpretações.

Mas o ator deve se conscientizar
De que é um cristo da humanidade:
Seu talento é muito mais
Uma condenação do que uma dádiva.
Ele tem que saber que para ser
Um ator de verdade, vai ter que fazer
Mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios.
É preciso coragem,
Muita humildade e, sobretudo,
Um transbordamento de amor fraterno
Para abdicar da própria personalidade
Em favor de seus personagens,
Com a única intenção de fazer
A sociedade entender
Que o ser humano não tem
Instintos e sensibilidades padronizados,
Como pretendem os hipócritas
Com seus códigos de ética.

Amo o ator
Nas suas alucinantes variações de humor,
Nas suas crises de euforia ou depressão.
Amo o ator no desespero de sua insegurança,
Quando ele, como viajor solitário,
Sem a bússola da fé ou da ideologia,
É obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente
Procurando, no seu mais secreto íntimo,
Afinidades com as distorções de caráter
De seu personagem.

Amo o ator
Mais ainda quando,
Depois de tantos martírios,
Surge no palco com segurança,
Oferecendo seu corpo, sua voz,
Sua alma, sua sensibilidade
Para expor, sem nenhuma reserva,
Toda a fragilidade do ser humano
Reprimido, violentado.
Amo o ator por se emprestar inteiro
Para expor à platéia
Os aleijões da alma humana,
Com a única finalidade
De que o público
Se compreenda, se fortaleça
E caminhe no rumo
De um mundo melhor,
A ser construído
Pela harmonia e pelo amor.

Amo o ator
Consciente de que
A recompensa possível
Não é o dinheiro, nem o aplauso,
Mas a esperança de poder
Rir todos os risos
E chorar todos os prantos.
Amo o ator consciente de que,
No palco, cada palavra
E cada gesto são efêmeros,
Pois nada registra nem documenta
Sua grandeza.

Amo o ator e por ele amo o teatro.
Sei que é por ele que
O teatro é eterno
E jamais será superado
Por qualquer arte que
Se valha da técnica mecânica.

TRINDADE, letra, música e interpretação de ELIANE BASTOS / curitiba

Letra/Música/Voz: Eliane Bastos

Teclado: Nelson Serrato

Não estamos sozinhos no processo de criação….precisamos estar atentos, pois ela pode surgir na madrugada e acordar você e não permitir que durma até que se registre a mensagem a ser transmitida pela arte. Esta veio pronta, letra e música. Compartilhe com todos que puderem.

dê UM clique no centro do vídeo:

“VEJA” como a mídia “séria” trataria o episódio se no lugar do AÉCINHO fosse o ex-presidente LULA:

PÁSCOA – por emanuel medeiros vieira / salvador

Em memória dos meus pais.

Como observou Mauro Santayana, o Cristianismo é uma ideia que sai dos limites dos dogmas estabelecidos e ultrapassa o limite das igrejas que o adotam.

Ele está enraizado no coração dos homens.

Um dia, um repórter falou ao cineasta Federico Fellini (1920-1993), sobre o seu filme “Satiricon”:

“Sua obra é pré-cristã, pagã, mas nela percebe-se a presença do Cristianismo.”

E ele respondeu de bate-pronto:   “Tenho dois mil  anos  de Cristianismo.”

Quando digo que ele está “enraizado” no coração humano, não estou afirmando que todos os seres nele acreditam em suas crenças, mas que ele permanece no nosso inconsciente e no nosso imaginário, além de nossas convicções.

A Encarnação em Cristo, para muitos pensadores, é a assunção da grandeza do homem enquanto homem.

Ele sobrevive, porque é o sumo da consciência humana, o compromisso da vida consigo mesma.

O jovem Cristo, na interpretação de muitos humanistas, foi um dos muitos judeus daquele tempo que,  inquietos com a situação política de seu povo, procuraram uma saída para a liberdade.

A Palestina estava sob o domínio do Império Romano e era tempo de Tibério, representado ali por Pilatos.

Os homens têm necessidade de transcendência – somos pós e voltaremos ao pó –, e necessitam  de algo que ultrapasse as misérias do cotidiano.

Alienação? Não creio. Mas sim, a busca de inserção numa vida mais plena, generosa, menos individualista, que respeite o próximo, e que tenha sede de Justiça.

A Ele se atribui origem divina.

“Era necessária a reafirmação da antiga aliança, com a Encarnação, a renovação da promessa mediante um homem de carne e osso, enviado do Absoluto para pregar o amor – ou seja, a solidariedade essencial entre os homens como pressuposto de sua salvação.”

Cristo era um homem, como lembra Santayana, capaz de amar, de se irritar, como no episódio dos mercadores do templo.

Segundo o articulista, muitas igrejas tentam reduzir a condição humana de Cristo, ao exaltar a ideia de que Ele é o Unigênito de Deus.

Mas, na visão de alguns teólogos, Ele é tão maior e mais necessário quando se reconhece a sua condição humana.

Não, não se está reduzindo a sua condição de Absoluto, mas buscando que se aproxime ainda mais do coração humano.

Como alguém salientou, Ele é tanto mais o filho de Deus quanto é irmão e amigo de todos os homens.

“O irmão e amigo a que recorremos nos rincões de nossa alma, onde se recolhe o sofrimento,  porque n’Ele – que é parte de nós mesmos – podemos confessar as humilhações  sofridas, o nosso desespero, nossa desesperança do futuro, e contar com o seu consolo e perdão.”

Sim: consolo e perdão.

E em quantas situações da vida, não precisamos de consolo?

E em quantas, não pedimos para ser perdoados?

“Aquele que não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não vos dará também com Ele todas as coisas?” (Rm, 8/32).

Sim, a Igreja cometeu erros desde Constantino.

Mas, hoje, quando celebramos a Páscoa (Ressurreição), não preciso falar sobre isso.

E como salientou o jornalista citado, neste momento também não quero lembrar que dirigentes de outras confissões religiosas que se dizem  cristãs explorem impiedosamente a credulidade pública, arrecadando bilhões  e construindo vastos impérios econômicos.

É Páscoa.

Repito: é Páscoa.

Que o sentimento de Ressurreição permanecesse em nossos corações: era a minha aspiração que eu desejava.

(Um anseio que vai do menino ao homem sessentão. E que seguirá comigo.)

Não tenho ilusões: os tempos são ásperos, de exploração, de matança, do império do tráfico,  um mundo no qual o homem vale pelo número do seu cartão de crédito.

Quer dizer: vale pelo que tem e não pelo que é.

Tempo de desagregação de um valor maior (a família).

Mas poderemos ser maiores que isso.

Nós podemos contar com Cristo em qualquer capelinha de estrada, em todos os corações que sofrem.

(Dedico este texto – além de Alfredo e Nenê, meus pais – a todos os amigos, ex-amigos, aos que padecem de enfermidades físicas e mentais, aos que aqui permanecem e àqueles que já partiram: não estão mais onde estamos, mas estarão sempre onde estivermos).

(Salvador, Semana da Páscoa – abril de 2011)

MOTIVO – de cecilia meireles / rio de janeiro



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

DILMA é eleita pela revista ‘Time’ uma das 100 pessoas mais influentes

Perfil de Dilma foi escrito por Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

No texto, ela diz que presidente brasileira tem ‘sabedoria’ e ‘convicção’.

Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time" (Foto: Reprodução/Divulgação)
Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas
mais influentes do mundo pela revista “Time”
(Foto: Reprodução/Divulgação)

A presidente Dilma Rousseff foi escolhida pela revista norte-americana “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2011. A lista inclui artistas, políticos, ativistas, cientistas e empresários.

A próxima edição da revista vai às bancas nesta sexta-feira (22), com um perfil das 100 personalidades. A descrição de Dilma foi feita pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, atual diretora da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mulheres.

No texto, Bachelet destaca as dificuldades de ser a primeira mulher a governar um país. “Apesar da honra que isso representa, ainda há preconceitos e estereótipos para enfrentar. Não é fácil governar uma nação emergente”, diz a ex-presidente chilena.

Ela explica que um governante de um país desenvolvimento vivencia otimismo e entusiasmo por parte da sociedade, mas também enfrenta “desafios mais complexos e cidadãos mais exigentes”.
Segundo Bachelet, o Brasil vive um “momento único”, de grandes oportunidades e que exige um líder com “sólida experiência e ideais firmes”.


“Dilma oferece essa virtuosa combinação de sabedoria e convicção que o país dela precisa”, diz a chilena. De acordo com Bachelet, a presidente brasileira é uma “lutadora corajosa, que enfrentou a ditadura militar e dedicou a vida a construir uma alternativa democrática para o desenvolvimento, a igualdade social e o direito das mulheres.

A lista
A lista dos 100 mais influentes é publicada pela revista “Time” desde 2004. A deste ano inclui, além de Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a mulher dele, Michelle, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o príncipe William e a noiva, Kate Middleton, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, entre outras autoridades.

A lista conta ainda com empresários de sucesso, como o fundador da rede social Facebook, Mark Zukerberg. Entre os artistas escolhidos, está o ator britânico Colin Firth, ganhador do Oscar deste ano. O cantor de 17 anos Justin Bierber também foi eleito um dos mais influentes.
Do G1, em Brasília

FHC e as oposições – por joão batista do lago / curitiba

Não tenhamos quaisquer dúvidas: o “papel da oposição” é Oposição. Se isto não se der como fato idiossincrático o que se percebe ou o que se assiste é, tão-somente, uma tipologia de não-Oposição. Contudo, desde logo, vale destacar que isto não invalida quaisquer processos de “Diálogo” entre os atores ou agentes de uma determinada oposição. Neste sentido podemos afirmar que um dos atributos essenciais de uma oposição – de fato e de direito – é a “Dialética”, isto é, processo e arte de se buscar a verdade pelo diálogo e pela discussão.

Penso que o principal papel da oposição seja, de fato, a busca da Verdade como significante e significado absolutos e com conceitos cristalinamente bem definidos, no sentido de ocupar espaço (ou espaços) onde a “opinião” governante ou da maioria se imponham, arbitrariamente, como verdade absoluta, ou seja, como realidade última que abrange a totalidade do real e que fundamenta tanto sua constituição quanto sua explicação; como um axioma.

Penso que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu em seu artigo debater “O Papel da Oposição”, a partir do conceito de valor, tal qual sinalizei no parágrafo anterior. Após leitura crítica, o texto deu – para eu, e tão-somente para eu – a impressão de querer introjetar no inconsciente coletivo da política nacional, sobretudo daquela que se encontra no campo oposicionista, um processo de criticidade imanente, ou seja, constante e perdurável. Aos meus olhos, o artigo do ex-presidente é muito mais didático (do ponto de vista da sociologia política) que, propriamente, político-partidário.

Ouso inferir que, no Brasil, não temos Oposição. O que vejo é, quando muito, o exercício de correntes políticas com um determinado grau de antagonismo figurado, isto é, simplória rivalidade entre pessoas ou instituições. E isto vale (até mesmo) para o professor FHC, que muitas vezes utilizara-se dessa metástase. Porém, isto não invalida a sua retórica no que concerne ao papel da oposição segundo os preceitos da Ciência Política que, per se, reconhece a dificuldade em definir o “papel que os grupos ou indivíduos assumem e desempenham no contexto da sociedade (…) que objetivam fins contrastantes com fins identificados e visados pelo grupo ou grupos detentores do poder econômico ou político”[1].

Percebo, ainda que empiricamente, que esse papel não se dá nem no todo nem em parte da oposição brasileira. Percebo, também, que, no Brasil, e nas três partes da Federação (União, Estados e Municípios), isto é, nas instâncias de poder político, acontece a geração do “Sujeito Fisiológico”, ou seja, o País é useiro e vezeiro da prática que se caracteriza pela busca de vantagens pessoais em detrimento do interesse público. Percebo, mais uma vez, no campo da oposição brasileira e segundo Robert A. Dahl (Political opositions in western democracies; 1966), a ausência de elementos, ou de atributos, tais como: 1) coesão orgânica ou concentração dos opositores; 2) caráter competitivo da Oposição; 3) pontos-chaves de desenvolvimento da competitividade entre a oposição e a maioria; 4) caráter distintivo e identificável da oposição; 5) objetivos da Oposição; 6) sua estratégia.

Ora, nesse contexto, a Oposição não se percebe e não se entende e tampouco se compreende cheia do “espírito santo”, em outras palavras: transbordante em si-mesma do papel limitador e do controle crítico do poder da maioria que é exercido, no plano formal, mediante o exame da legitimidade da atividade legislativa desenvolvida pela maioria , e, no plano essencial, mediante a defesa dos direitos das minorias dissidentes e a alternativa política do poder.

Portanto, e de maneira constrangida, encerro este artigo-editorial salientando o caráter mesquinho, tolo e mesmo chulo, da oposição brasileira que, nem por um instante, sequer, ousou perquirir-se a respeito de-si como sujeito político capaz de responder aos anseios de toda uma população que explode em demandas sociais, econômicas, políticas, culturais… etc. Antes, preferiu a logorreia dissonante dos arautos ou pregoeiros patrocinadores ou, então, mecenas da cultura política de corpo, alma e espírito vagabunda.


[1] Dicionário de Política / Norberto Bobbio, Nicola Matteuci e Gianfranco Pasquino; p. 846.

CAIADO ataca BORNHAUSEN, irmãos gêmeos / brasilia

DEU NO TWITER:
Ronaldo Caiado
@deputadocaiado Ronaldo Caiado
Jorge Bornhausen e Saulo Queiroz mudaram o nome e os rumos do PFL, fracassaram, tentaram covardemente jogar a culpa em outros e saíram.
21 hours ago via Echofon
.
Ronaldo Caiado

@deputadocaiadoRonaldo Caiado
Agora, Jorge Bornhausen, que sempre foi de se acomodar à sombra do poder, trabalha para entrar no governo do PT.
21 hours ago via Echofon
.
O deputado dá de barato que Bornhausen seguirá o mesmo rumo de Saulo. Escreve que ambos já “saíram”:

“Jorge Bornhausen e Saulo Queiroz mudaram o nome e os rumos do PFL, fracassaram, tentaram covardemente jogar a culpa em outros e saíram”.

Realça no ex-correligionário a vocação governista: “Jorge Bornhausen, que sempre foi de se acomodar à sombra do poder, trabalha para entrar no governo do PT”.

Recorda uma passagem da eleição de 2010: o comício em que Lula atacou, na Santa Catarina de Bornhausem, o DEM:

Jorge Bornhausen ajuda Lula, que disse, em SC, tentar exterminar o DEM! A que ponto chegamos. Também faz a ponte entre governo-PSD”.

Trata Bornhausen como um silvério: “A atuação da quinta coluna no DEM foi lamentável e já entrou para a história”.

Devagarzinho, a conflagração que corrói as entranhas do DEM vai transbordando. Caiado lavou a roupa suja dos gabinetes fechados para a mais moderna das praças públicas: a internet.

JS.

“OUTRO LUGAR”, “CAÇADOR de MIM” e “AMIGO” (Canção da América) de milton nascimento / Brasil

UM clique no centro do vídeo.

.

.

Gustavo Rosa homenageia a presidenta Dilma Rousseff

Gustavo Rosa posa ao lado do quadro que fez em homenagem a Dilma Rousseff; a presidente virou personagem de uma releitura que ele fez do “Abaporu”, de Tarsila do Amaral; desde 1985, o pintor desenvolve série de trabalhos baseados na artista-símbolo do modernismo brasileiro, e que ele apelidou de “Abadogu”.

“A minha ideia foi homenagear as duas grandes damas do Brasil moderno, dois expoentes, dois ícones desse país, Dilma e Tarsila”, afirma Rosa. Ele também ficou entusiasmado com as notícias de que a presidente está incentivando um grupo de empresários a tentarem trazer de volta o “Abaporu” da Argentina para o Brasil.

mônica bergamo.

BIBLIOTECA “BARCA DOS LIVROS”, na Lagoa da Conceição, Ilha de Santa Catarina, é matéria da RHBN

Revista de História da Biblioteca Nacional sobre o projeto Barca dos Livros

Biblioteca flutuante
Um barco próprio é a meta para 2011 da Biblioteca Comunitária Barca dos Livros. Fundação atende a cerca de 1,3 mil pessoas por mês gratuitamente, à beira de lagoa de Florianópolis
Alice Melo
Um barco próprio. Esta é a meta da Biblioteca Comunitária Barca dos Livros para o ano de 2011. A biblioteca é uma associação sem fins lucrativos que atende a cerca de 1,3 mil pessoas por mês, à beira da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Seu acervo conta com 10 mil títulos catalogados. Com a compra da barca, a coordenadoria da instituição prevê aumento de 50% no número de pessoas beneficiadas.“Quando comprarmos e reformarmos o barco, vamos assistir todas as pessoas que moram no entorno da lagoa”, diz Tânia Piacentini, coordenadora da Barca dos Livros. “Passaremos a ter um braço itinerante da biblioteca”, explica.

Atualmente, a programação da instituição inclui passeios mensais com música, livros e narração de histórias em uma barca alugada de uma cooperativa vizinha. A intenção é que no futuro visitas diárias consigam atender a todos os 40 mil habitantes espalhados em vários núcleos à margem da maior lagoa da ilha. A assistência atingiria também as pessoas que moram na Costa da Lagoa, um povoado no qual a única via de acesso é aquática.

Segundo Tânia, a meta do ano está prestes a ser batida. Faltam apenas R$ 58 mil para que o veículo possa ser adquirido: “Isso é pouco para uma grande empresa que pode descontar o valor inteiro da doação de seu imposto de renda”. As forças da coordenação, assim, estão voltadas para a captação de recursos. A previsão é de que ano que vem o novo membro da fundação já esteja pronto e já possa navegar pelas águas calmas da lagoa.

O projeto
A biblioteca comunitária foi inaugurada em 2007, quando a casa de dois andares à beira da Lagoa da Conceição foi finalmente alugada. Neste ano, o projeto da ONG Sociedade Amantes da Leitura foi contemplado pela Lei Rouanet e recebeu verba de alguns patrocinadores. A ideia de se criar a Barca dos Livros, no entanto, surgiu bem antes, em 2001.

“Em Florianópolis só existiam duas grandes bibliotecas públicas: uma municipal e outra estadual”, lembra Tânia Piacentini. “Vimos aqui uma necessidade de oferecer à população uma outra fonte de leitura, principalmente às comunidades que cercavam a lagoa”, completa.

Tânia conta que, como membro do júri dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), recebia muitos livros de editoras dispostas a concorrer aos títulos. Assim, decidiu juntar as obras com alguns números de sua coleção pessoal e doar a uma instituição. Essa ideia aliou-se à proposta de criar uma biblioteca comunitária em Florianópolis. Daí para frente, começou a corrida pela captação de recursos para que ela surgisse.

Hoje, a Biblioteca Comunitária Barca dos Livros vem obtendo avanços. Recentemente a Prefeitura da ilha reconheceu o projeto e firmou um convênio para o pagamento do aluguel da casa. “Isso foi um grande avanço. O aluguel já representava quase a metade da nossa folha de pagamento. Foi um alívio”, diz Piacentini.

A Barca dos Livros funciona de terça a sábado, das 14h às 20h, na Rua Senador Ivo D’Aquino, 103 – Lagoa da Conceição, Florianópolis. Informações através do blog www.noticias-da-barca.wordpress.com.

JOSÉ MARÍA ARGUEDAS: a luta por uma cultura esquecida – por manoel de andrade /curitiba

1. O suicídio de Arguedas.

No entardecer do dia 28 de novembro de 1969, um sábado, eu aguardava um amigo costarriquense no Café Goyesca, na Praça San Martin, centro de Lima. Era Francisco Rojas, estudante de arquitetura da Universidad de San Marcos, que eu conhecera em março daquele ano,em Assunção. Elechegou com uma frase nos lábios:

— Arguedas se dió un balazo y agoniza.

Há cerca de um mês eu lera, em Cusco, o seu livro Os Rios Profundos e, por meu crescente interesse pelo indigenismo, o poeta Luís Nieto, em Cuzco, aconselhou-me a procurá-lo na Universidade Nacional Agrária deLa Molina, em Lima, onde Arguedas era professor. Eu chegara à capital peruana acerca de duas semanas, mas, envolvido numa intensa atividade cultural, aguardava alguns contatos feitos naqueles dias, a fim de encontrar os caminhos para entrevistá-lo.

A notícia me deixou perplexo, estupefato e olhando fixamente nos olhos de meu amigo eu, repentinamente, me lembrei da minha chegada aLa Paze da morte, alguns dias depois, do guerrilheiro Inti Peredo a quem eu também fizera os trâmites para encontrar. Arguedas já tentara o suicídio, em 1966, decepcionado culturalmente com a política indigenista do Peru, e agora, diante de um espelho, no banheiro da própria Universidade onde lecionava, dera um tiro na cabeça. Deixou para fazer isso num sábado, como confessou em carta, para evitar que os alunos fossem prejudicados. Sempre me perguntei o que leva um escritor ao suicídio, por tratar-se justamente de alguém com um profundo significado da vida, com um mágico compromisso consigo mesmo, com seu tempo e com a humanidade. Havia tantos casos, e alguns muitos tristes, na literatura. Casos que me tocavam mais de perto como o do nosso poeta Pedro Nava, também com um tiro na cabeça, em maio de 1984, no Rio de Janeiro. O “poético” suicídio da grande poetisa argentina, Afonsina Storne, que entrou caminhando pelo mar adentro e desapareceu nas ondas. Os casos mais célebres, de Maiakovski e Hemingway,  e o mais emocionalmente triste, da cantora Violeta Parra.  Quais os motivos de um desfecho tão lamentável para quem tem tanta beleza para dar ao mundo? O sociólogo francês Émile Durkhein fala de causas sociais, provenientes de sociedades carentes de integração, como sempre foi, etnicamente, a sociedade peruana onde viveu e sofreu, culturalmente, o escritor e etnólogo José María Arguedas, viceralmente identificado com a causa indígena.

2. O universo transcultural na obra de Arguedas.

 

Eu respirava ainda na atmosfera cultural d’Os Rios Profundos, em cujas páginas mergulhara nos conflitos de um universo heterogêneo de duas culturas assimiladas pelo jovem Ernesto, o personagem autobiográfico do romance. Foi a obra que me abriu a primeira janela para olhar a paisagem literária do indigenismo através da transculturação, pela qual a oralidade dos povos indígenas da América, aplastada pela colonização espanhola, é resgatada pela palavra escrita da literatura indigenista  — no exemplo pioneiro de Miguel Angel Astúrias, traduzindo do quiché, em 1926, o Popol Vuh, livro sagrado dos maias, seguido por Arguedas e posteriormente por Roa Bastos, com o guarani.   Em Os Rios Profundos esse processo transparece em cada página numa prosa traduzida com poesia e lirismo e onde o quéchua e o castelhano mesclam-se recriando trechos de canções de amor à vida e à natureza:

“Elas só conheciam huaynos do Apurímac e do Pachachaca, da terra morna onde crescem a cana-de-açúcar e as árvores frutíferas. Quando cantavam com suas vozes fraquinhas, pressentíamos outra paisagem; o ruído das folhas grandes, o brilho das cascatas que saltam entre arbustos e flores brancas de cactos, a chuva pesada e tranquila que cai sobre os campos de cana; as quebradas em que brilham flores de pisonay, cheias de formigas vermelhas e insetos vorazes:

 

Ay siwar k’enti!                                         Ai, beija-flor!

amaña wayta tok’okachaychu,                 não fures tanto a flor,

siwar kenti.                                               asas de esmeralda.

Ama jhina haychu                                    não sejas cruel

mayupataman urayamuspa                     desce a beira do rio,

k’ori raphra,                                            asas de esmeralda,

kay puka mayupi wak’ask’ayta               e olha-me chorando junto da água

                                                                vermelha

K’awaykamuway                                    olha-me chorando.

K’awaykamuway                                    Desce e olha-me,

siwar k’enti, k’ori raphra,                      beija-flor dourado,

llakisk’ ayta,                                           toda minha tristeza,

purun wayta kirish’aykita,                   flor do campo ferida,

mayupata wayta                                   flor dos rios

sak’esk’aykita.                                     que abandonaste”.

 

(ARGUEDAS, José María.Os Rios Profundos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p.48/49.).

 

       No dia seguinte, domingo, todos os jornais traziam, em manchete, o gesto trágico do grande narrador peruano do século XX. As legendas resumiam que “O escritor José María Arguedas, em frente a um espelho, no banheiro da Universidade Agrária, disparou um tiro nas têmporas, num sábado, para evitar que seus alunos perdessem o ditado das aulas”. O fato enlutou o país e deixou consternados os meios intelectuais, ideólogos e militantes de esquerda, muitas lideranças agrárias e indígenas, sobretudo, com as quais Arguedas tinha contato, defendendo e buscando sua identidade perdida, lutando pela pureza da sua cultura e pela redenção de suas degradantes condições econômicas e sociais. Este foi, na verdade, o dramático enredo biográfico do escritor, como Ernesto, no romance Os Rios Profundos. O crítico literário peruano Antonio Cornejo Polar, analisando Os Rios Profundos no seu contexto indigenista, refere-se ao comprometimento político de Arguedas, quando ele o relaciona à grande sublevação camponesa no Valle dela Convención, nas cercanias de Cuzco, em 1962, transformada em movimento guerrilheiro sob o comando de Hugo Blanco:

        “A exatidão desse enfoque; isto é, sua verdade sociológica, a provava Arguedas com a recente história do Peru, especialmente com o levante camponês de La Convención:

 

          Quatro anos depois (de publicada a novela) deu-se a revolta de La Convención. Eu estava seguro que essas pessoas se rebelariam antes que as comunidades livres, porque estavam muito mais castigadas e muito mais à beira da morte do que as comunidades livres que tinham alguma terra. Aos colonos se impunha essa alternativa: ou invadir as terras ou morrer de fome e nesse caso, o homem, por instinto defende sua vida.

       Estas mesmas idéias estão contidas na primeira parte da estremecedora carta de despedida de Arguedas à Hugo Blanco, líder da revolta de La Convención, na época encarcerado”

(CONEJO POLAR, António. La novela peruana. Lima: Latinoamericana Editores, 3ª ed., 2008, p. 175/175)

3. A carta de Arguedas a Hugo Blanco.

Na sequência Cornejo Polar cita a primeira parte da carta de Arguedas a Hugo Blanco. Contudo, creio ser imprescindível transcrevê-la aqui integralmente, neste ano em que se comemora, em todo o Peru, o centenário de seu nascimento em Andahuaylas, no dia 18 de janeiro de 1911.

No mês em que Arguedasse suicidou, novembro de 1969, o guerrilheiro Hugo Blanco, preso desde 1963, escreve-lhe duas cartas. A primeira no dia 14 e a segunda dia 25, quatro dias antes do tiro que o levou à morte. Foram originalmente escritas em quéchua e retratam a intimidade de ambos com a cosmogonia indígena, expressando, numa linguagem quase sempre poética, a singela grandeza e a cruciante miséria do mundo andino. Mesmo nas vésperas de sua morte, Arguedas não demonstra nenhuma amargura pessoal ao responder ao amigo. Assumindo seu invejável engajamento político como escritor, denuncia, exalta a luta social e política e respira com o ar puro da esperança. Quanto ao guerrilheiro, com sua “pena de morte” comutada para “25 anos de reclusão” não cede um milímetro nas suas convicções, contando a Arguedas as glórias e os calvários de sua “via sacra” revolucionária, do significado de sua luta inabalável pelo movimento indígena e de sua crença no advento de um mundo novo. As duas cartas de Hugo Blanco e a resposta de Arguedas estão entre os mais belos documentos indigenistas que tenho lido.[1] Contudo transcrevei aqui apenas a resposta de Arguedas:

Irmão Hugo, querido coração de pedra e de pomba

 

Talvez já tenhas lido o meu romance “Os Rios Profundos”. Lembra, irmão, o mais forte, lembra. Nesse livro não falo apenas de como chorei lágrimas ardentes; com mais lágrimas e com mais arrebatamento falo dos pongos, (arrendários indígenas) dos colonos de fazenda, de sua escondida e imensa força, da raiva que no âmago de seu coração arde, em fogo que não se apaga. Esses piolhentos, diariamente flagelados, obrigados a lamber a terra com suas línguas, seres desprezados pelas mesmas comunidades, esses, na novela, invadem a cidade de Abancay sem temer a metralha e as balas, vencendo-as. Assim obrigavam o grande pregador da cidade, o padre que os olhava como se fossem pulgas; vencendo as balas, os servos obrigam o padre a rezar missa, a que cante na igreja: impuseram-lhe pela força. Na novela imaginei esta invasão com um pressentimento: somente os homens que estudam os tempos vindouros,  os que entendem de lutas sociais e de política, compreendem o que significa  esta sublevação na tomada da cidade como imaginei. Como, com o sangue ainda mais quente se levantariam esses homens, não para perseguir apenas a morte da mãe da peste, do tifo, mas aos gamonales, (caciques mestiços que esploram os indígenas) no dia em que vençam o medo e o horror que têm deles! “ Quem há de superar esse terror formado e alimentado durante séculos, quem? Em algum lugar do mundo existe esse homem que os ilumine e salve? Existe ou não existe? Caralho, merda!”, digo isto porque tu choravas fogo, esperando sozinho. Os críticos da literatura, os mais ilustrados, não descobriram a princípio o objetivo final da novela, aquele que coloquei em seu miolo, no meio mesmo de sua corrente. Felizmente um, um somente, descobriu e o proclamou abertamente.

 

E depois, irmãos? Não foste tu, tu mesmo quem encabeçaste a esses “pulguentos” índios de fazenda, dos pisoteados o mais pisoteado homem do nosso povo; dos asnos e os cachorros o mais enxotado, o cuspido com o mais sujo escarro? Convertendo esses no mais valoroso dos valentes, não os fortaleceste? Não te aproximaste de sua alma? Ergueste a alma, a alma de pedra e de pomba que tinham, que estava esperando na mais pura semente do coração desses homens. Não tomaste Cusco como me dizes em tua carta, e da mesma porta da catedral, bradando e denunciando em quéchua, não espantaste os gamonales, não fizeste que se escondessem em seus buracos como se fossem periquitos muito doentes das tripas? Fizeste correr a esses filhos e protegidos do antigo Cristo, do Cristo de chumbo. Irmão, querido irmão, como eu, de rosto algo branco, do mais intenso coração índio, lágrima, canto, dança, ódio.  

 

Eu irmão, somente sei chorar lágrimas de fogo; mas com esse fogo tenho purificado a cabeça e o coração de Lima, a grande cidade que negava, que não conhecia bem seu pai e sua mãe; abri um pouco seus olhos, os próprios olhos dos homens do nosso povo, limpei-os um pouco para que vejam melhor. E nos povos que chamam estrangeiros, creio que levantei nossa verdadeira imagem, seu valor, seu valor verdadeiro, creio que a levantei bem alto e com luz suficiente para que nos estimem, para que saibam e possam esperar nossa parceria e nossa força; para que se apiedem de nós como do mais órfão dos órfãos; para que não sintam vergonha de nós, e de ninguém.

 

Essas coisas, irmão, esperadas pelos mais escarnecidos de nossas gentes, essas coisas nós fizemos; uma a fizeste tu e eu fiz a outra, irmão Hugo, homem de ferro que chora sem lágrimas; tu, tão semelhante, tão igual a um comunero, (habitantes indígenas das comunidades camponesas) lágrima e aço. Eu vi teu retrato numa livraria do bairro latino de Paris; enchi-me de alegria, vendo-te junto a Camilo Torres e a “Che” Guevara. Ouça, vou confessar-te algo em nome de nossa amizade recém-começada: ouça, irmão, somente ao ler tua carta senti, soube que teu coração era terno, é flor, tanto como o de um comunero de Puquio, meus mais semelhantes. Ontem recebi tua carta: passei a noite inteira, primeiro andando, e depois me inquietando com a força da alegria e da revelação.

 

Eu não estou bem, não estou bem; minhas forças anoitecem. Mas se agora morro, morrerei mais tranquilo. Esse formoso dia que virá e de que falas, aquele em que nossos povos voltarão a nascer, vem, sinto-o, sinto na menina dos meus olhos sua aurora, nessa luz está caindo gota por gota a tua dor ardente, gota por gota sem se acabar jamais. Temo que esse amanhecer custe sangue, muito sangue. Tu sabes e por isso denuncias, bradas da prisão, aconselhas, cresces. Como no coração dos runas (índios peruanos de fala quéchua) que me cuidaram quando era menino, que me criaram, existe ódio e fogo contra os gamonales de toda laia; e para os que sofrem, para os que não têm casa nem terra, os wakchas, (comunidade indígena na província de Cusco) tens peito de cotovia; e como a água  de alguns mananciais muito puros, amor que fortalece até regozijar os céus.  E todo o teu sangue soube chorar, irmão. Quem não sabe chorar, sobretudo em nossos tempos, não sabe do amor, não o conhece. Teu sangue já está no meu, como o sangue de Don Victo Pusa, de Don Felipe Maywa, Don Victo e Don Felipe me falam dia e noite, choram sem cessar dentro de minh’alma, me censuram em sua língua, com sua grande sabedoria, com seu pranto que alcança distâncias  que não podemos calcular, que chega mais longe que a luz do sol. Eles, ouça Hugo, me criaram, amando-me muito, porque sabendo que eu era filho de misti, (homem branco) viam que me tratavam com desprezo, como a índio. Em nome deles, recordando-os em minha própria carne, escrevi o que tenho escrito, aprendi tudo o que tenho aprendido e feito, vencendo barreiras que às vezes pareciam inacreditáveis. Conheci o mundo. E tu também, creio que em nome de runas semelhantes a eles dois, sabes ser irmão do que sabe ser irmão, semelhante a teu semelhante, ao que sabe amar. Até quando e até onde hei de te escrever? Já não poderás esquecer-me. Ainda que a morte me agarre, ouça, homem peruano, forte como nossas montanhas onde a neve não se derrete, a quem a prisão fortalece como a pedra e como a pomba. Eis aqui que te escrevo, feliz, em meio da grande sombra de meu mortal sofrimento. A nós não nos atingem a tristeza dos mistis, dos egoístas; chega-nos a tristeza forte do povo, do mundo, dos que conhecem e sentem o amanhecer. Assim a morte e a tristeza não são nem morrer nem sofrer. Não é verdade, irmão?

Recebe meu coração

José María 

 

Naquele fins de 1969 o nome de Arguedas e de Hugo Blanco eram lembrados nos encontros com gente de esquerda com quem eu conversavaem Lima. Traduzidasdo quéchua as três cartas foram publicadas e eram lidas e comentadas sobretudo por intelectuais comprometidos com o indigenismo. Não somente se lamentava a morte do escritor mas se rememorava a saga do famoso guerrilheiro peruano, então cumprindo a pena de 25 anos na ilha penal de “El Frontón”, onde chegou em 1966 transferido da prisão de Arequipa. Arguedas, como romancista, poeta, antropólogo e professor já era um escritor reconhecido nacionalmente, com muitos prêmios,altos cargos universitários e distinções acadêmicas.

Ele era a mais honrosa referência intelectual do indigenismo e neste sentido uma referência nas reuniões literárias daqueles dias que sucederam o suicídio do escritor. Toda a obra de Arguedas e sobretudo Todas las sangres – que motivou a primeira carta de Hugo ao autor, depois de receber o livro na prisão —  é um exemplo de compromisso com a história do povo indígena, seja como  receptor secular de inomináveis injustiças e de vítima encurralada pelos longos conflitos agrários entre o “feudalismo” colonial e o capitalismo, seja pela sua dimensão nacional discutindo o destacado papel do índio nas transformações da sociedade peruana, cuja causa Arguedas sempre defendeu, seja alimentando, como escritor, o sonho de uma comunidade indígena modernizada e integrada na sociedade peruana.

3. O centenário de Arguedas.

 

Congratulo-me com o escritor e amigo Enrique Rosas Paravicino pela excelência e precisão com que traçou, — no estrato de sua conferência sobre o primeiro centenário de nascimento de Arguedas, publicada neste site — o justo perfil do grande narrador peruano: “cuya estatura intelectual, moral y estética se halla al nivel de los más insignes exponentes de la cultura latinoamericana del siglo XX.”. A essa belíssima imagem literária eu acrescento a do abnegado militante pela causa indígena,  dedicando-lhe sua imensa alma de poeta, explícita no lirismo de sua carta a Hugo Blanco, bem como de seu incansável trabalho como antropólogo, numa luta obstinada para preservar a cultura dos seus antepassados incas e que, num gesto trágico, meteu uma bala na cabeça indignado pelo desprezo com que se tratava a cultura quéchua no Peru.

      Quantas homenagens está fazendo o Peru nesta oportunidade a um de seus filhos mais queridos e ilustres, mas também tão incompreendido nos últimos anos de sua vida! Por certo não foi o gatilho que ele acionou em novembro de 1969 que o matou. Arguedas “foi morto” lentamente pela indiferença ou pela inveja de alguns “grandes intelectuais” peruanos que não quiseram ver a sua genialidade. Sua mais importante novela Todas las sangres, de 1964, que tanto sensibilizou Hugo Blanco, é um vigoroso enredo indigenista que traça o perfil moral e cultural do homem andino ante os conflitantes interesses trazidos pelo progresso e pela voracidade e crueldade da ambição. Contudo foi tratada com desprezo pelos “sábios” do Instituto de Estúdios Peruanos e rejeitada como texto de estudos sociológicos, em 1965. O reconhecimento posterior da grandeza cultural dessa obra provou que eles estavam errados, contudo o justo ressentimento de Arguedas, explicitado em sua carta de despedida, foi por certo o primeiro tiro que atingiu seu coração:

Creio que hoje minha vida deixou, completamente, de ter razão de ser. Destroçado meu lar pela influência lenta e progressiva da incompatibilidade entre minha esposa e eu:  convencido da inutilidade ou impraticabilidade de formar um novo lar com uma jovem a quem peço perdão; quase demonstrado por dois sábios sociólogos  e um economista, também hoje, que o meu livro “Todas las sangres”  é negativo para o país, não tenho mais nada para fazer neste mundo.


Creio que minhas forças declinam irremediavelmente.

 

Peço perdão aos que me estimaram por tudo de incorreto que tenha feito contra alguém, ainda que não me lembre nada disso. Tentei viver para servir aos outros. Eu vou ou irei para a terra em que nasci e procurarei morrer ali de imediato. Que me cantem em quíchua de vez em quando, onde quer que seja enterrado em Andahuaylas, e ainda que os sociólogos encarem como piada esse apelo  — e com razão  — acredito que o canto me chegará não sei onde nem como.


Sinto algum terror ao mesmo tempo que uma grande esperança. Os poderes que dirigem aos países monstros, especialmente aos Estados Unidos, que, por sua vez, dispõem o destino dos países pequenos e de todas as pessoas, serão transformados. Talvez haja para o homem em algum tempo a felicidade. A dor existirá para que seja possível reconhecer a felicidade, vivida e transformada em fonte de infinito e triunfante alento.

 

Perdão e adeus. Que Célia e  Sybila  me perdoem. 

 

José María Arguedas.

 

(O quíchua será imortal, amigos desta noite. E isso não se mastiga, só se fala e se escuta.).


[1] Os textos traduzidos, em cursivas, —  exetuando-se o primeiro, já com a referência bibliográfica da edição brasileira,  — esta nota e as anotações em parêntesis, na carta de Arguedas, são do autor. Pelos limites deste artigo deixo de transcrever aqui as duas cartas de Hugo Blanco a Arguedas. Contudo os três documentos foram publicados em 2009 no site peruano “Lucha Indígena”, onde o leitor interessado poderá lê-las comentadas, no link:

http://www.luchaindigena.com/2009/05/cartas-entre-jose-maria-arguedas-y-hugo-blanco/comment-page-1/

Documentário “Inside Job” escancara os podres de Wall Street

Filme revela como agentes econômicos permitiram que nações quebrassem e gerassem um rombo de US$ 20 trilhões

Gravações foram feitas nos Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, França, Cingapura e China

São Paulo – Um documentário que custou 20 trilhões de dólares. Cifra exorbitante? Talvez não para os responsáveis pela quebradeira que ocasionou o tsunami da crise financeira de 2008, quando milhares de pessoas perderam seus empregos e suas moradias.

Indicado ao Oscar como melhor documentário e conduzido pelo diretor Charles Ferguson, “Inside Job” (Trabalho Interno) é mais um filme que retrata os lados obscuros de Wall Street. Narrado por Matt Damon, o documentário revela verdades incômodas da pior crise já vista desde 1929.

Baseado em uma extensa pesquisa e séries de entrevistas com políticos, economistas e jornalistas, o filme revela as corrosivas relações de governantes, agentes reguladores e a Academia. “Inside Job” expõe também uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente a vida de milhões de pessoas, principalmente por conta de cobiça, cinismo e mentiras.

“Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção”, diz uma das frases promocionais do documentário. A revolta é clara: a principal economia do mundo mergulhou em uma forte crise, levando consigo diversas nações.

Os causadores de tudo isso já voltaram a dar “conselhos” para governos e sociedades. Ou seja, permanecem dando as cartas na mesa. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo “convidados” a “aceitar a ajuda do FMI”. E quem será o próximo?

A estreia do documentário no Brasil aconteceu no dia 18 de fevereiro. Confira o trailer do filme a seguir:

http://www.youtube.com/watch?v=FzrBurlJUNk&feature=player_embedded#at=15

revista EXAME.

Aécio Neves com a carteira de motorista VENCIDA se recusa a fazer teste do bafômetro

Aécio Neves tem habilitação apreendida em blitz da Lei Seca no Rio

Assessoria diz que senador não sabia que documento estava vencido.
Tucano também se recusou a fazer teste do bafômetro, diz governo do Rio.

a grande e “séria” imprensa brasileira ( de 6 familias) deram ínfimas notinhas ao MAU EXEMPLO dado pelo senador ao rodar fora da lei e a recusar-se cumpri-la. um pequeno exercício de imaginação: fosse o ex-presidente LULA? como seria o “fantástico”? as manchetes das 6 familias? a edição “extraordinária” do Jornal Nacional? imaginem um pouco.

A arte das COBRAS PINTORAS / rio grande do sul

veja mais arte das COBRAS PINTORAS neste ambiente

O ESPELHO E AS TAÇAS – de zuleika dos reis / são paulo


A criatura no umbral de si mesma

que não ousa nem sabe o que protege

se o que está dentro, se ao outro fantasma

este que a olha e que a nada reage.

.

Medusa petrificada, o espelho

para sempre a olhá-la, em mudez mútua,

ambos suspensos no tempo, este velho

com a arca trancada, e nós na árdua

.

labuta inútil por achá-la, a chave

da arca, do Graal santo… As taças

de todo o prazer a mover o mundo.

.

Tu, meu amor, se o teu amor me enlaça,

sabes-me inteira, que a mim descongelas,

e em meu corpo conhece-te a ternura.

James Joyce sofreu bullying e frequentava bordéis – por edna O’brien

James Joyce era “um homem de gostos indecentes e incoerências gritantes, que tinha medo de cachorros e trovões, mas impunha medo e submissão àqueles que conhecia”. Essa é a primeira imagem, curiosa imagem, que o leitor tem do escritor irlandês ao se deparar com as facetas de sua biografia apresentada por Edna O’ Brien.

Obra narra influência da infância e histórias sexuais nos livros do autor
Obra narra influência da infância e histórias sexuais nos livros do autor

“James Joyce” é responsável por revolucionar a maneira de se fazer e pensar a literatura, e por apresentar ao mundo as ruas, bares e pessoas de Dublin, cenário de seu romance mais famoso, “Ulysses”.

Quando criança, frequentou o sombrio colégio do Castelo de Clongowes Wood, onde sofria bullying dos meninos mais velhos e até, ao que consta, pelo menos uma vez do padre. Também cedo na vida começou a frequentar bordéis, e percebeu que passaria toda sua existência próximo a essas casas proibidas.

Levou sete anos para escrever sua obra-prima, e durante o processo passou por três cidades, primeiro Zurique, depois Trieste e depois Paris. Orgulhava-se de ter recriado com suas letras as paisagens e costumes de se tempo. Dizia que, se a Dublin de sua época fosse destruída, poderia ser reconstruída a partir de suas obras.

Morreu em 1941 e sua literatura influenciou muitas gerações, além de ter sua obra apontada como uma das mais importantes do século 20.

Em sua homenagem, no dia 16 de junho é comemorado o Bloomsday e bares e pubs do mundo inteiro comemoram os prazeres da vida. A escolha da data diz respeito à “Ulysses”, que retrata a vida de Leopold Blomm neste dia.

*

“James Joyce”
Autora: Edna O’ Brien
Editora: Objetiva
Páginas: 192
Quanto: R$ 12,90 (preço promocional por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090

Desconfie sempre das ONGs / por richard jakubaszko / são paulo

Em janeiro último publiquei o post “GreenPeace: a desonestidade dessa ONG é flagrante“,  http://richardjakubaszko.blogspot.com/2011/01/greenpeace-desonestidade-dessa-ong-e.html

Pois eu já havia, há muito tempo, percebido os desvios de comportamento das ONGs, e agora saiu o livro “As grandes ONGs ambientalistas em questão”, organizado por Andréa Rabinovicci, que coloca essas dúvidas em debate.
Há necessidade urgente de se fiscalizar e colocar em questionamento as ações e interesses dessas ONGs, sob pena de se oficializar um neocolonialismo escravagista, que, aliás, já se verifica.
É imperioso que a imprensa abandone seu papel de avaliadora das ações dessas ONGs, pois legitimam interesses escusos, de natureza comercial, ou política, ou de manipulação institucional do país, como sempre foi no passado.

No momento em que um grupo de ONGs faz lobby diário no Ministério do Meio Ambiente e no Congresso Nacional, vale a transcrição da resenha desse estudo de Andréa Rabinovici em que são questionados os objetivos e a transparência das “BINGOS” (sigla para Big Non-Governamental Organizations, Grandes Organizações Não Governamentais). Elas recebem dinheiro de petroleiras, de madeireiras (no caso da SOS Mata Atlântica), de governos estrangeiros, e de origem desconhecida ou intencionalmente sonegada.
Então, a pergunta, é: que interesses, exatamente, representam?

SINOPSE
As grandes ONGs ambientalistas em questão
resenha por Andréa Rabinovici, professora da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, Campus Sorocaba, doutoranda NEPAM-UNICAMP, Diretora de Projetos da ONG Physis – Cultura & Ambiente.
Antonio Carlos Diegues, docente da USP e Diretor Científico do Núcleo de Apoio à Pesquisa Populações Humanas em Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB), lança o livro A Ecologia Política das Grandes ONGs Transnacionais Conservacionistas, no qual aborda tema mais do que oportuno, num momento em que as Organizações Não Governamentais (ONGs), transnacionais conservacionistas crescem em complexidade, apresentam contradições antes impensáveis, começando a ser questionadas por vários segmentos sociais. O livro contém introdução de Diegues e traduções dele de autores diversos tais como MacChapin, David B. Ottaway, Joe Stephens, Daniel Compagnon, Mariteuw Chimère-Diaw, Mark Dowie, Jim Igoe e Dan Brockington. Os alvos das críticas são as grandes ONGs conservacionistas, especialmente WWF, The Nature Conservancy (TNC) e Conservation Internacional.

As Big International Non Governamental Organizations (BINGOS) conservacionistas vêm instalando-se no Brasil desde 1970, investindo recursos financeiros, humanos e tecnológicos.

As causas às quais se dedicam e o investimento na sua imagem costumam imprimir uma aura de legitimidade, simpatia, respeito e poucas críticas. É raro serem questionadas pelos cidadãos, que, ao contrário, aplaudem suas iniciativas, apóiam-nas e as agradecem por cuidarem da sobrevivência e da segurança de todos os seres vivos.

O livro de Antonio Carlos Diegues vem em ótimo momento, na medida em que apresenta sérias críticas, no intuito de aprofundar o debate, de rever aspectos que precisam ser mais bem desenvolvidos, de modo a recuperar o significado da necessária mobilização para conduzir ações que visam garantir o futuro do planeta. O livro é corajoso, pois ao denunciar as ONGs, simultaneamente, desaponta os simpatizantes. A crítica é dura, e, mais do que avaliar as BINGOS em geral, são feitas críticas às grifes do ambientalismo, acima de qualquer suspeita, aquelas que divulgamos em nossos carros, camisetas, bonés…

As críticas feitas pelos autores destacam que as BINGOS conservacionistas são pouco transparentes, e que existem lacunas no tocante à avaliação e ao controle das suas ações pelos beneficiários e pela sociedade como um todo. Também não estão abertas à participação pró-ativa de seus militantes, muitas vezes distanciando-os das ações. Se não são democráticas internamente ou com o seu público, o que propõem?

Recebem grandes somas de dinheiro que, às vezes, perdem-se na própria estrutura da grande ONG transnacional, chegando em quantidades menores do que as esperadas pelos seus atendidos.

Outro aspecto apresentado pelo livro diz respeito à invenção e à aplicação de uma ciência conservacionista, criada e disseminada pelas BINGOS. Essa “ciência” em muitas situações é contrária ao que dita o conhecimento e as metodologias utilizadas por comunidades atendidas, impondo um conhecimento distinto, distante e que, para ser aplicado, depende da ONG. Assim, uma tutela imposta obriga a continuidade dos trabalhos, que passa a ser exigida pela ONG, pelo seu público alvo e pelos seus patrocinadores. Os autores do livro sustentam que essa “ciência da conservação” é criada por pesquisadores do Norte, cabendo aos do Sul apenas a transferência de informações.

Essa “ciência” trabalha com modelos que são continuamente ajustados em função de injunções e financiamentos que são mais políticos do que científicos ou sociais. Algumas das questões foram discutidas por Goldman (2001), que acusa BINGOS e especialistas de estudarem a conservação e as possíveis soluções para os problemas socioambientais dentro de uma ótica desenvolvimentista, buscando a reestruturação das capacidades e relações sociais-naturais dos países em desenvolvimento para acomodar a expansão do capital transnacional.

Assim, as BINGOS seriam uma forma de dominação e imperialismo (neocolonialismo ou colonialismo ambiental). Assunto em tela na imprensa brasileira, trazido pelos autores, é a aquisição por algumas BINGOS de porções de florestas ao redor do mundo, com o incentivo às modalidades privadas de proteção da natureza. Isso se vê nos incentivos que governo e ONGs têm dado para a criação e manutenção das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs). Outras questões levantadas pelos autores individualmente são:
MacChapin, no seu capítulo “Um desafio aos conservacionistas” (bastante polêmico quando publicado na imprensa norte-americana, e que tem algumas respostas a ele registradas no livro), afirma que é comum as grandes ONGs conservacionistas negociarem territórios e biomas a proteger entre elas. Assim também competem entre si, muitas vezes perdendo financiamentos, acarretando novos conflitos nas comunidades nas quais atuam.

O autor também observa o enriquecimento e o crescimento rápido das BINGOS; acusa o desaparecimento gradual das metodologias participativas, com o decorrente enfraquecimento da relação ONG/comunidade. Novos conflitos nas comunidades resultam, portanto, da não consideração das realidades locais, prevalecendo estratégias científicas na determinação da Agenda de trabalho preservacionista, muitas vezes oposta à comunitária.

David B. Ottaway & Joe Stephens, em seu texto “Por dentro da TNC – Nature Conservancy: arrebata milhões. Filantropia faz ativos em parceria com corporações”, falam da dificuldade em se caracterizar as ONGs conservacionistas na medida em que estas têm funcionado como grandes empresas transnacionais.

Daniel Compagnon, em “Administrar democraticamente a biodiversidade graça às ONGs?”, questiona a legitimidade e a representatividade das entidades, na medida em que elas se auto-denominam “guardiãs da natureza”. Líderes, elas se auto-avaliam, dificilmente prestam contas efetivamente, divulgam seus feitos e repassam à mídia. A imprensa, superficial e ingênua, não tem condições de avaliar criticamente o que publica. Os pesquisadores raramente o fazem, na medida em que é comum terem ligações diversas com as ONGs. Segundo esse autor, assim como no caso dos pesquisadores, a manutenção do domínio e da influência das grandes ONGs transnacionais passa, muitas vezes, pela cooptação de funcionários públicos e de cientistas.

Com apoio à pesquisa, a seminários e a treinamentos gratuitos a eles, as BINGOS veiculam conceitos e métodos próprios. Na medida em que trabalham junto aos governos e às empresas privadas, a crítica aos mesmos desfaz-se nas parcerias em projetos e programas.

Nesse sentido, a ONG minimiza críticas ao governo, populariza suas ações, dilui responsabilidades e oposições às políticas oficiais. Algo muito sutil observado por Compagnon é que algumas bandeiras, não diretamente ligadas à criação de Parques, são criadas para obter apoio social a projetos preservacionistas. Projetos e ações são lançados, desviando os comunitários de seus interesses sociais, transformados em ambientais. Mariteuw Chimère-Diaw, em seu artigo “Escalas nas teorias da conservação: um outro conflito de civilizações?”, faz uma reflexão sobre a necessidade de se reinventar a solidariedade e a governança global.

Recomenda repensar as escalas, a desterritorialização que o trabalho das BINGOS pode acarretar. O autor afirma que, quando é invertida a relação de ação local à global, ocorre o enfraquecimento dos potenciais da atuação comunitária. As BINGOS, muitas vezes, tornam-se porta-vozes dos problemas ambientais e com isso monopolizam a formação da opinião mundial. Bentes (2005) ressalta que o nível de interferência das grandes ONGs transnacionais, nos pensamentos e processos decisórios, parece natural devido à desigualdade política internacional que lhes confere o poder de influenciar.

Mark Dowie, em seu “Refugiados da Conservação”, trata de milhões de pessoas levadas à marginalidade, às periferias em nome de uma suposta preservação ambiental. Essa, muitas vezes sem eficácia alguma em termos de conservação dos recursos naturais. O autor comprova, ao contrário, que, em muitos casos, populações expulsas de suas moradias, recuperam o ambiente novo, degradado, que pode ficar mais bem conservado do que dentro das Unidades de Conservação.

Essa questão também já tinha sido exposta por Goldman (1998), ao problematizar teorias sobre os processos de gestão da natureza, que excluem as populações da condução dos destinos dos recursos naturais. Diegues (1998) dá exemplos de comunidades que reassumem, com sucesso, o controle dos bens comunitários com a possibilidade de grandes transformações de perspectivas, ideologia e cultura. Jim Igoe e Dan Brockington, em “Expulsão para a conservação da natureza: uma visão global”, também refletem sobre os “expulsos pela conservação”.

Assim como Dowie, alertam para as conseqüências não estudadas da exclusão de moradores de áreas naturais. As políticas que resultam na exclusão são amplamente influenciadas pelas BINGOS, em campanhas indiretas que defendem a natureza em sua integridade.

Obviamente, é difícil distinguir os padrões de influência nesses relacionamentos, as ações são policêntricas, as responsabilidades idem, porém, numa época em que se fala de refugiados ambientais, incluindo agora os refugiados e expulsos da ou pela conservação, há a necessidade urgente de se dar atenção às populações, caso sejam atingidas as metas traçadas para a conservação, pois se corre o risco de haver expulsões em números recordes, com danos ambientais e sociais gravíssimos.

Avolumam-se os problemas, mas não proporcionalmente à prática de se pesquisar os seus impactos, nem no tocante à conservação ambiental nem nos efeitos e riscos sociais. Os autores chamam essa prática da “ecologia da expulsão”, ao mesmo tempo em que observam e questionam o silêncio total de todos sobre essa grave questão.

Ainda que ocorram as expulsões, as áreas protegidas nunca serão suficientes. A estratégia de conservar a despeito das pessoas deve ser repensada. Sem uma ampla discussão social, as ações das ONGs não podem ser classificadas como demandas sociais, nem ambientais.

Todos os autores do livro convidam a uma crítica construtiva das ONGs. A maioria dos artigos já foi publicada internacionalmente e causou impacto, recebeu respostas das BINGOS, talvez as tenha feito repensar práticas e filosofias. Essa é a idéia: provocar.
O tom da provocação, no entanto, é diferente do que se observa recentemente na imprensa, dito por militares, empresários, visando desqualificar o trabalho das ONGs.
As acusações comuns às BINGOS no Brasil referem-se à ameaça à soberania, à sua situação fiscal, ao controle de suas receitas, aos supostos entraves à sua atuação empresarial, ou desenvolvimentista, a uma legislação pouco eficaz. Não chegam nem perto das discussões travadas no livro ora apresentado e por isso a sua leitura é fundamental. Servirá para ampliar e qualificar os debates sobre o tema de forma mais reflexiva, menos ideológica.

O alerta é para não se estereotipar as ONGs, colocando-as em oposição, simplificando temas sociais e políticos complexos, e deslegitimando demandas socioambientais. Caso contrário, o debate sobre direitos será transformado em uma disputa estéril de interesses, dará margem à construção de teorias conspiratórias, que impedem o avanço de consciência, fundamental para que ocorram mudanças.

Diegues recomenda que a questão torne-se objeto de pesquisas sérias, e já existem excelentes contribuições sobre ONGs e movimentos sociais.

O livro é um convite e um estímulo a um debate relevante sobre o papel das ONGs conservacionistas transnacionais, especialmente as que atuam no Brasil, e sobre os seus objetivos e ações, na expectativa de que, com o processo de debate, possa haver uma reconstituição dos atores mobilizados, institucionalizados ou não, em torno da questão ambiental.


Ex-ministro CAPUTO BASTOS, defende decisão sobre a Ficha Limpa e publica sua opinião em versos na revista CONSULTOR JURÍDICO – CONJUR que se negou a publicar a resposta de ADEMAR ADAMS, também em versos, agora publicados aqui.

Conjur – Texto publicado quarta, dia 30 de março de 2011

 

Em meio à incompreensão de grande parcela da sociedade em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições do ano passado, há espaço para enfrentar o tema com bom humor. Foi o que fez o advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Eduardo Caputo Bastos.

O ex-ministro enviou à revista Consultor Jurídico um texto em forma de versos no qual lembra que quando o assunto é segurança jurídica, a Justiça não pode tergiversar. Caputo Bastos ressalta que a aplicação da lei é apenas uma questão temporal e que é importante que todos respeitem a decisão do Supremo de forma incondicional.

Leia os versos

Cada um tem uma maneira de pensar
Por isso, meu caro amigo, eu digo
Para a segurança jurídica preservar
A norma da Constituição há de imperar

Mesmo sem aos meus filhos consultar
Mas com a outorga uxória a sustentar
Se achar oportuno e gostar
Pode, sem dúvida, publicar

Na questão da ficha limpa
É importante e necessário ressaltar
Trata-se de norma desejada e aplaudida
Porém, de compreensão e aceitação pendular

É difícil pra sociedade separar o direito da moral
Mesmo para os bacharéis, convenhamos, isso não se faz de maneira linear
A política e a moral, perdoe-me, devem ceder ao preceito constitucional
Pois, em face da segurança jurídica, é convir, não se pode tergiversar

Não deve de forma alguma haver frustração
Pode até não ser o caso de celebração
Mas não é pesadelo, nem motivo de tristeza fatal
Pois a aplicação da lei é apenas uma questão temporal

Juiz conservador, técnico, protagonista ou liberal
Expressar convicção no argumento é condição vital
Para ele o que importa definitivamente é o compromisso constitucional
Devemos todos, portanto, respeitar a decisão de maneira incondicional

RESPOSTA DE ADEMAR ADAMS

Senhores:

Para contrapor os versos do Dr. Caputo Bastos no CONJUR sobre os Fichas Sujas, mando abaixo e anexo o seguinte cordel.

Ademar Adams

65-8124-8150

ademar.adams@gmail.com

Fiat lux

Aqui está a resposta

Da trova que li outro dia,

E se verso é o que o povo gosta,

Faço o meu que é de porfia,

Respondendo a um advogado,

Que ficha suja defende,

Mesmo sabendo que depende,

Nem me faço de rogado,

Pois, permitir a eleição,

De tanto rato ladrão,

É papel de cabra safado.

Nem me fale de moral,

Dotô que já foi ministro,

Tire do olho este cisco,

Que está te fazendo mal.

A nossa Constituição,

Se não serve pro povão,

Pode rasgar que não presta,

Pois lei é que nem balaio,

Que para cada tipo lacaio,

Sempre se acha uma fresta.

A carta republicana,

Que guia esta nação,

É sagrada e é profana,

Depende a interpretação.

Por isso jurar por ela,

É cair numa esparrela,

Fazer papel de bufão.

Julgar limpo tanto canalha,

É transformar em mortalha,

Nosso santo pavilhão.

Se tem primados de pedra,

Que não podem fazer-se rotos,

Por que então certos escrotos,

Juram esse amor de Fedra?

Caolhos, só vêem o que querem,

Pra atender a impostura,

E na maior cara dura,

Segurança jurídica, sugerem.

Quando eu vi o resultado

Da dita corte suprema,

Por justo fiquei irado,

Igual quando li o poema.

Pra não blasfemar resoluto,

Não rimei c’o doutor Caputo,

Segurei a minha brida.

É irmão do Guilherme Augusto,

Jurista distinto e justo,

Digo, fiquei “p” da vida.

Mas a tal suprema corte,

Tem no elenco um mesquinho,

Um enjoado que vôte!

Lá posto por um priminho,

Político que foi cassado,

Do Planalto escorraçado,

Pegando o boné de fininho.

Te outro um coronel,

Do Amapá e do Maranhão,

Corrupto por profissão,

Foi quem lhe deu o laurel.

Um dia o intermediário,

Arrancou-lhe o escapulário,

E lhe chamou de juizinho.

Tem outro que lá foi posto,

Pelo Farol de Alexandria,

Que num ato de mau gosto,

Deu toga a tal porcaria.

Diz que tem muito capanga,

E que por qualquer pitanga,

Livra um rico da enxovia.

Mein Campf, o livro de cabeceira,

Deste bedel perdulário,

De manicômio judiciário,

Xingou a justiça inteira.

E o mecânico torneiro,

Que Deus deu o dom e o dever,

De mandatário primeiro,

Pra o bem ao povo fazer,

Lá colou uma figura,

Quem nem sobre sol fulgura,

Tal a insignificância.

Mas vota só com o casco,

Que me causa até asco,

Ser chamado de excelência.

O quinto roto do cortejo,

Dos fichas sujas padrinho,

Um bigode de ratinho,

Seu futuro eu antevejo.

Vai ser o pior capitão,

Do sodalício de oitão,

O bico de percevejo…

O sangue da gente que luta,

Por uma justiça impoluta,

Jorra a cada decisão.

Um dia o povo, hoje gado,

Vai romper o alambrado,

E mudar esta Nação.

Depois de longa embromação,

La chegou o doutor Flux.

Gritaram “fiat lux”!

Acabou-se a escuridão.

Quem pensou no céu agora,

Pegou o boné, foi embora,

Depois do voto pagão.

Todas aleluias e hosanas,

Foi entregue aos ratazanas,

Pelo filho de Abraão.

Foi embora a esperança,

De um Supremo de pé,

Por que tem uma lambança,

Que vem logo de tropel.

Diz que o doutor da Judéia,

Vai pisar na patuléia,

E em toda sociedade.

Trazendo tese bem canalha,

Que de uma vez emporcalha,

A tal lei de improbidade.

Cuiabá, abril de 2011.

‘O DIA QUE DUROU 21 ANOS’ na TV BRASIL

Série de 3 episódios revela imagens e depoimentos históricos sobre o Golpe de 64

Robert Bentley, assistente de embaixador Lincoln Gordon, dá depoimento exclusivo
Robert Bentley, assistente de embaixador Lincoln Gordon, dá depoimento exclusivo

Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período, a partir da nova série “O Dia que durou 21 anos”, que a TV Brasil exibiu nos dias 4, 5 e 6 de abril, às 22 h.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

O mundo vivia a Guerra Fria quando os Estados Unidos começaram a arquitetar o golpe  para derrubar o governo de João Goulart. As primeiras ações surgem em 1962, pelo então presidente John Kennedy. Os fatos vão se descortinando, através de relatos de políticos, militares, historiadores, diplomatas e estudiosos dos dois países. Depois do assassinato de Kennedy, em novembro de 1963, o texano Lyndon Johnson assume o governo e mantém a estratégia de remover Jango, apelido de Goulart. O temor de que o país se alinharia ao comunismo e influenciaria outros países da América Latina, contrariando assim os interesses dos Estados Unidos, reforçaram os movimentos pró-golpe.

Peter Korneluh - O Dia que durou 21 anos
Peter Korneluh

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. Envergando uma roupa civil, ele assume o poder em 15 de abril. Castelo era chefe do Estado Maior do Exército de Jango.

O governo norte-americano estava preparado para intervir militarmente, mas não foi necessário, como ressaltam historiadores e militares. O general Ivan Cavalcanti Proença, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”.

Do Brasil, duas autoridades americanas foram peças-chaves para bloquear as ações de Goulart e apoiar Castelo Branco: o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon; e  o general Vernon Walters, adido militar e que já conhecia Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

Foi uma das mais longas ditaduras da América Latina. O general Newton Cruz, que foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e ex-comandante militar do Planalto, conclui: “A revolução era para arrumar a casa. Ninguém passa 20 anos para arrumar uma Casa”.

Em 1967, quem assume o Planalto é o general Costa e Silva, então ministro da Guerra de Castelo. Da linha dura, seu governo consolida a repressão. As conseqüências deste período da ditadura, seus meandros políticos e ideológicos estarão na tela. Mortes, torturas, assassinatos,  violação de direitos democráticos e prisões arbitrárias fazem parte desse período dramático da história.

O jornalista Flávio Tavares, participou da luta armada, foi preso, torturado e exilado político. Através da série, dirigida por seu filho Camilo Tavares, ele explora suas vivências e lembranças. E mais: abre uma nova oportunidade de reflexão sobre o passado.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.

Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio

Primeiro Episódio:

As ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas neste primeiro capítulo. O discurso do presidente João Goulart pregando reformas sociais torna-se uma ameaça e é interpretado pelos militares como uma provocação. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

Segundo Episódio:

Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o ex-presidente americano chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson.

Imagens focam no discurso de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”.

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

James Green
James Green

Terceiro Episódio:

O cargo de presidente é declarado vago pelo presidente do Senado, Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado.

No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse.

Castelo tinha relações amistosas com Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

UM clique no centro do vídeo:

O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIOS 1, 2 e 3

O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIO 1

Três episódios revelam os bastidores da participação dos Estados Unidos no golpe militar de 64

O dia que durou 21 anos
O dia que durou 21 anos

Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy,  Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.

No primeiro episódio, as ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas. O discurso do presidente João Goulart, pregando reformas sociais, é interpretado como uma ameaça e provocação pelos militares. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

UM clique no centro do vídeo:

.

O dia que durou 21 anos – Epísódio 2

Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o sucessor de Kennedy chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson, numa referência ao ex-presidente João Goulart.

Imagens focam no discurso de Jango, apelido de Goulart, na estação Central do Brasil ( Rio de Janeiro) , em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar o marechal Humberto Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

dê UM clique no centro do vídeo:

.

O dia que durou 21 anos – Episódio 3

O cargo de presidente do Brasil é declarado vago pelo senador Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado.

No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse.

Castelo tinha relações amistosas com o general Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

dê UM clique no centro do vídeo:

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, queria vender para os amigos.E aí, tucanada? Petrobras é mais lucrativa que Microsoft / brasilia

A turma da mídia e do PSDB, que gosta de acusar a Petrobras de ser uma empresa “jurássica”, deve estar botando a viola no saco.

Pesquisa da consultoria Economática, feita a partir dos balanços de 2.107 companhias latino-americanas e dos EUA, mostrou que a brasileira é a segunda mais lucrativa das Américas, só perdendo para a americana Exxon Mobil , a estatal brasileira registrou lucro de US$ 21,12 bilhões no ano passado, contra US$ 30,46 bilhões da multi americana.

A nossa Petrobras ficou à frente da gigante Microsoft, a terceira empresa mais lucrativa, com lucro acumulado de US$ 20,56 bilhões em 2010.

Entre as 20 empresas mais lucrativas do continente americano, 18 são americanas e duas são empresas brasileiras: a Petrobras, e a Vale (sexta mais lucrativa), com um lucro de US$ 18,04 bilhões.

do Brizola Neto.

General argentino vai para prisão comum e perpétua

    Publicado em 14/04/2011

Se fosse brasileiro, estava no shopping com o netinho

Saiu no Globo:

Ex-ditador Bignone é condenado à prisão perpétua e cárcere comum na Argentina

BUENOS AIRES – O Tribunal Oral Federal 1 de San Martín condenou nesta quinta-feira o ex-ditador Reynaldo Bignone, de 83 anos, e o ex-prefeito de Escobar Luis Patti, de 57 anos, à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade cometidos durante a ditadura militar da Argentina. Segundo o jornal argentino “Clarín”, os dois cumprirão a pena em celas comuns.

Bignone, que presidiu a Argentina entre 1982 e 1983, já tem uma condenação por 25 anos de prisão também por crimes cometidos durante a ditadura. Ele foi acusado pelo sequestro e assassinato do deputado Diego Muñiz Barreto, entre outros crimes.Patti também foi culpado pelo assassinato do militante Gastón Gonçalvez, na sua primeira condenação.

Manuel Gonçalvez, filho de Gastón, afirmou que com a sentença “a impunidade que estava instaurada por muitos anos foi vencida”.

do PHA.

Estudo para um perfil possível – amilcar neves / ilha de samta catarina


Está dito no Primeiro Livro das Crônicas, que narra uma longa história de primogênitos:

A descendência de Rúben, o primogênito de Israel: Ele era na realidade o primogênito, mas porque profanou o leito de seu pai, o direito da primogenitura foi conferido aos filhos de José filho de Israel, e assim os rubenitas não foram registrados como primogênitos. (1Cr 5,1)

Ele já perdera o raro privilégio dessa primogenitura, perda que via como uma espécie de pecado original pessoal que vinha somar-se ao coletivo. A isso juntava-se a perturbadora questão da mulher: por inspirar nos homens pensamentos impuros, levando à profanação de leitos, não há dúvida de que ela é impura por natureza. E quanto mais virgem e pura for, mais tenazes e tentadoras serão as impurezas pensadas pelos homens. Um mundo sem mulheres permitiria aos homens o convívio pacífico e harmonioso – sem ciúmes nem desconfianças – indispensável ao bom andamento dos negócios públicos e privados e das guerras em geral, que são outra forma de fazer negócios.

Por outro lado, é devastadora a vingança do Senhor pela desobediência “à palavra do Senhor”. A punição faz-se de enorme crueldade e patético derramamento de sangue. A cena é narrada sem meias palavras:

Os filisteus atacaram Israel, e os israelitas fugiram diante deles, caindo muitos feridos mortalmente no monte Gelboé. Os filisteus foram no encalço de Saul e seus filhos e mataram Jônatas, Abinadab e Melquisua, filhos de Saul. Então a luta se tornou mais violenta em torno de Saul e finalmente os arqueiros o acertaram e o feriram. Saul disse ao escudeiro: “Tira a espada e traspassa-me com ela, para que não venham esses incircuncisos e zombem de mim”. Mas o escudeiro se recusou, pois tinha muito medo de fazer tal coisa. Então Saul agarrou a espada e se atirou sobre ela. Quando o escudeiro viu que Saul estava morrendo, também se atirou sobre a espada e morreu. Assim morreram Saul e seus três filhos; toda a família se acabou de uma só vez. (1Cr 10,1-6)

Há, portanto, uma necessidade imperiosa de fugir da zombaria e da humilhação, mesmo à custa da própria vida, mesmo depois de 10 anos porque à época não se tinha à mão a espada do escudeiro.

Aos 23 anos de idade e com diagnóstico de esquizofrenia profunda firmado ainda na tenra infância, a espada do escudeiro chama-se internet e ensina com riqueza de detalhes tudo o que se queira ardentemente saber, seja para o bem, seja para o mal. O esquizofrênico é aquele que cria para si um mundo próprio e nele passa a viver, acreditando na legitimidade da sua vivência. É evidente que esse seu mundo possui diversas áreas de contato com o mundo dito objetivo, ou real, pois o doente come, por vezes trabalha e encontra as pessoas na rua. A medicação prescrita opera algum controle sobre as relações entre ambos os mundos até que, por decisão voluntária, o sujeito deixa de tomar os remédios.

Os inocentes sacrificados em volta apenas estavam com a mesma idade e no mesmo lugar em que, aos 13 anos, ele via a garotada prepotente que o ridicularizava sem piedade, mostrando-lhe quanto ele era perdedor naquele mundo do qual ele se excluía, pois nem a mais feia e desengonçada menina da escola lhe dava atenção.

Realengos os temos quase todos os dias em nossas estradas e nas avenidas das nossas cidades, só que as vítimas inocentes sacrificadas em volta não têm nada a ver com o agressor, que sequer é esquizofrênico, apenas é irresponsável e criminoso por gosto e vontade.

Senado uruguaio invalida lei que perdoava crimes da ditadura / montevidéo

Após uma que sessão de intensos debates, que durou aproximadamente 12 horas, o Senado uruguaio aprovou na noite desta terça-feira (12/04) três artigos que tornam inválida a Lei de Caducidade da Pretensão Punitiva do Estado, como é chamada a medida de anistia no país. A medida abre o caminho para que militares e policiais acusados de crimes cometidos durante a ditadura militar (1973-1985) possam ser julgados sem exceção.

O texto aprovado “deixa sem efeito os artigos 1, 3 e 4” da lei, que determinam que crimes cometidos por funcionários do governo militar não poderão ser julgados por conta de um acordo feito entre as forças armadas e o poder civil durante o período de transição.

Foram 16 votos a favor, todos do partido governista Frente Ampla, e 15 contra, sendo um deles do senador Jorge Saravia, da bancada governista. Agora, o texto deve ser votado na Câmara de Deputados. Ele foi primeiramente aprovado pelos deputados em outubro de 2010, agora, precisa voltar à Casa para que sejam aprovadas ou rejeitadas as alterações feitas pelos senadores.

O deputado Felipe Michelini, coordenador da bancada da Frente Ampla na Câmara, disse ao jornal localEl País que a ideia é que o projeto tenha um “rápido tratamento”e que seja votado no plenário na sessão de 4 de maio. “Já comunicamos a todas as bancadas qual é nossa intenção. Ninguém não que não”, afirmou Michelini. A Casa possui 99 deputados, 50 deles do partido governista. De acordo com reportagem do El País, eles já sinalizaram voto favorável.

Se for aprovado na Câmara, o texto será encaminhado ao presidente José “Pepe” Muijica, ex-preso político, que passou 14 anos na prisão quando integrava o movimento de esquerda Tupamaros. Como a proposta de anulação foi formulada pelo próprio governo, em agosto de 2010, a expectativa é a de que ele ratifique o texto.

Polêmica

A lei de anistia foi promulgada em 1986, durante o governo de Julio María Sanguinetti, o primeiro do período de redemocratização. O argumento usado pelo governo para derrubá-la é o de que o Uruguai é signatário de acordos com órgãos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), que preveem a punição de crimes de violação de direitos humanos e, portanto, precisaria dar uma resposta à comunidade internacional.

O Uruguai está sendo processado na CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos), ligada à OEA, por um crime cometido durante a ditadura. Trata-se da denúncia feita por Macarena Gelman, cujos pais foram sequestrados em Buenos Aires, em agosto de 1976, e depois enviados a Montevidéu, onde foram assassinados.

Além disso, o país já foi condenado duas vezes pelo Comitê de Direitos Humanos do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos pelos casos de impunidade.

Por outro lado, os críticos — entre eles militares e parlamentares dos partidos Colorado e Nacional — argumentam que seria uma atitude anti-democrática anular a anistia, já que ela foi ratificada em dois plebiscitos, em 1989 e 2009, nos quais a população rejeitou a revogação da lei.

Em alguns casos específicos, a Suprema Corte do Uruguai considerou a aplicação da lei inconstitucional, fazendo com que ela não fosse um impedimento para a realização de julgamentos.

Desde 2005, quando o ex-presidente Tabaré Vazquez, da Frente Ampla, assumiu a presidência, 16 casos foram levados à Justiça, entre eles os ex-ditadores Gregorio Álvarez e Juan María Bordaberry, condenados à prisão por violação de direitos humanos.

De acordo com dados de entidades de defesa de direitos humanos do Uruguai, pelo menos 200 pessoas desapareceram durante a ditadura militar.

por Daniella Cambaúva

BESSINHA leu o artigo do F H C

F H C, em artigo, manda P S D B abandonar o “POVÃO” e “CAÇAR” a nova classe média. Leia o artigo / são paulo

Declaração de FHC incomoda partidos de oposição

 

Causou constrangimento no PSDB e no DEM a forma como o ex-presidente Fernando Henrique, no artigo “O papel da oposição”, na revista “Interesse Nacional”, expôs sua estratégia para a volta ao poder: deixar de lado o “povão” e priorizar as novas classes médias. Para parlamentares dos dois partidos, a repercussão dessa declaração anulou o impacto dos bons argumentos utilizados por FH.

“Ele está contando o que todo mundo já sabia: que tucanos não são a favor dos pobres, e sim da classe média”

A avaliação é que FH teria acertado se tivesse ficado na crítica ao aparelhamento dos movimentos sociais pelo PT e na impossibilidade de a oposição atrair esse público. Já petistas disseram que o artigo frisou o “perfil elitista” do PSDB.

o globo.

Publicada em 12/04/2011 às 23h17m

Cristiane Jungblut, Gerson Camarotti, Adriana Vasconcelos e Silvia Amorim

LEIA O ARTIGO:

O Papel da Oposição

Por: FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 

 

Há muitos anos, na década de 1970, escrevi um artigo com o título acima no jornal Opinião, que pertencia à chamada imprensa “nanica”, mas era influente. Referia-me ao papel do MDB e das oposições não institucionais. Na época, me parecia ser necessário reforçar a frente única antiautoritária e eu conclamava as esquerdas não armadas, sobretudo as universitárias, a se unirem com um objetivo claro: apoiar a luta do MDB no Congresso e mobilizar a sociedade pela democracia. Só dez anos depois a sociedade passou a atuar mais diretamente em favor dos objetivos pregados pela oposição, aos quais se somaram também palavras de ordem econômicas, como o fim do “arrocho” salarial. No entretempo, vivia-se no embalo do crescimento econômico e da aceitação popular dos generais presidentes, sendo que o mais criticado pelas oposições, em função do aumento de práticas repressivas, o general Médici, foi o mais popular: 75% de aprovação. 

Não obstante, não desanimávamos. Graças à persistência de algumas vozes, como a de Ulisses Guimarães, às inquietações sociais manifestadas pelas greves do final da década e ao aproveitamento pelos opositores de toda brecha que os atropelos do exercício do governo, ou as dificuldades da economia proporcionaram (como as crises do petróleo, o aumento da dívida externa e a inflação), as oposições não calavam. Em 1974, o MDB até alcançou expressiva vitória eleitoral em pleno regime autoritário. Por que escrevo isso novamente, 35 anos depois?

Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo. Mas para tal precisam afirmar posições, pois, se não falam em nome de alguma causa, alguma política e alguns valores, as vozes se perdem no burburinho das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo. Todas as vozes se confundem e não faltará quem diga – pois dizem mesmo sem ser certo – que todos, governo e oposição, são farinhas do mesmo saco, no fundo “políticos”. E o que se pode esperar dos políticos, pensa o povo, senão a busca de vantagens pessoais, quando não clientelismo e corrupção?

Diante do autoritarismo era mais fácil fincar estacas em um terreno político e alvejar o outro lado. Na situação presente, as dificuldades são maiores. Isso graças à convergência entre dois processos não totalmente independentes: o “triunfo do capitalismo” entre nós (sob sua forma global, diga-se) e a adesão progressiva – no começo envergonhada e por fim mais deslavada – do petismo lulista à nova ordem e a suas ideologias. Se a estes processos somarmos o efeito dissolvente que o carisma de Lula produziu nas instituições, as oposições têm de se situar politicamente em um quadro complexo. Complexidade crescente a partir dos primeiros passos do governo Dilma que, com estilo até agora contrastante com o do antecessor, pode envolver parte das classes médias. Estas, a despeito dos êxitos econômicos e da publicidade desbragada do governo anterior, mantiveram certa reserva diante de Lula. Esta reserva pode diminuir com relação ao governo atual se ele, seja por que razão for, comportar-se de maneira distinta do governo anterior. É cedo para avaliar a consistência de mudanças no estilo de governar da presidente Dilma. Estamos no início do mandato e os sinais de novos rumos dados até agora são insuficientes para avaliar o percurso futuro.

É preciso refazer caminhos

Antes de especificar estes argumentos, esclareço que a maior complexidade para as oposições se firmarem no quadro atual – comparando com o que ocorreu no regime autoritário, e mesmo com o petismo durante meu governo, pois o PT mantinha uma retórica semianticapitalista – não diminui a importância de fincar a oposição no terreno político e dos valores, para que não se perca no oportunismo nem perca eficácia e sentido, aumentando o desânimo que leva à inação. É preciso, portanto, refazer caminhos, a começar pelo reconhecimento da derrota: uma oposição que perde três disputas presidenciais não pode se acomodar com a falta de autocrítica e insistir em escusas que jogam a responsabilidade pelos fracassos no terreno “do outro”. Não estou, portanto, utilizando o que disse acima para justificar certa perplexidade das oposições, mas para situar melhor o campo no qual se devem mover.

Se as forças governistas foram capazes de mudar camaleonicamente a ponto de reivindicarem o terem construído a estabilidade financeira e a abertura da economia, formando os “cam¬peões nacionais” – as empresas que se globalizam – isso se deu porque as oposições minimizaram a capacidade de contorcionismo do PT, que começou com a Carta aos Brasileiros de junho de 1994 e se desnudou quando Lula foi simultaneamente ao Fórum Social de Porto Alegre e a Davos. Era o sinal de “adeus às armas”: socialismo só para enganar trouxas, nacional-desenvolvimentismo só como “etapa”. Uma tendência, contudo, não mudou, a do hegemonismo, ainda assim, aceitando aliados de cabresto.

Segmentos numerosos das oposições de hoje, mesmo no PSDB, aceitaram a modernização representada pelo governo FHC com dor de consciência, pois sentiam bater no coração as mensagens atrasadas do esquerdismo petista ou de sua leniência com o empreguismo estatal. Não reivindicaram com força, por isso mesmo, os feitos da modernização econômica e do fortalecimento das instituições, fato muito bem exemplificado pela displicência em defender os êxitos da privatização ou as políticas saneadoras, ou de recusar com vigor a mentira repetida de que houve compra de votos pelo governo para a aprovação da emenda da reeleição, ou de denunciar atrasos institucionais, como a perda de autonomia e importância das agências reguladoras. Da mesma maneira, só para dar mais alguns exemplos, o Proer e o Proes, graças aos quais o sistema financeiro se tornou mais sólido, foram solenemente ignorados, quando não estigmatizados. Os efeitos positivos da quebra dos monopólios, o do petróleo mais que qualquer outro, levando a Petrobras a competir e a atuar como empresa global e não como repartição pública, não foram reivindicados como êxitos do PSDB. O estupendo sucesso da Vale, da Embraer ou das teles e da Rede Ferroviária sucumbiu no murmúrio maledicente de “privatarias” que não existiram. A política de valorização do salário mínimo, que se iniciou no governo Itamar Franco e se firmou no do PSDB, virou glória do petismo. As políticas compensatórias iniciadas no governo do PSDB – as bolsas – que o próprio Lula acusava de serem esmolas e quase naufragaram no natimorto Fome Zero – voltaram a brilhar na boca de Lula, pai dos pobres, diante do silêncio da oposição e deslumbramento do país e… do mundo!

Não escrevo isso como lamúria, nem com a vã pretensão de imaginar que é hora de reivindicar feitos do governo peessedebista. Inês é morta, o passado… passou. Nem seria justo dizer que não houve nas oposições quem mencionasse com coragem muito do que fizemos e criticasse o lulismo. As vozes dos setores mais vigorosos da oposição se estiolaram, entretanto, nos muros do Congresso e este perdeu força política e capacidade de ressonância. Os partidos se transformaram em clubes congressuais, abandonando as ruas; muitos parlamentares trocaram o exercício do poder no Congresso por um prato de lentilhas: a cada nova negociação para assegurar a “governabilidade”, mais vantagens recebem os congressistas e menos força político-transformadora tem o Congresso. Na medida em que a maioria dos partidos e dos parlamentares foi entrando no jogo de fazer emendas ao orçamento (para beneficiar suas regiões, interesses – legítimos ou não – de entidades e, por fim, sua reeleição), o Congresso foi perdendo relevância e poder. Consequentemente, as vozes parlamentares, em especial as de oposição, que são as que mais precisam da instituição parlamentar para que seu brado seja escutado, perderam ressonância na sociedade. Com a aceitação sem protesto do “modo lulista de governar” por meio de medidas provisórias, para que serve o Congresso senão para chancelar decisões do Executivo e receber benesses? Principalmente, quando muitos congressistas estão dispostos a fazer o papel de maioria obediente a troco da liberação pelo Executivo das verbas de suas emendas, sem esquecer que alguns oposicionistas embarcam na mesma canoa.

Ironicamente, uma importante modificação institucional, a descentralização da ação executiva federal, estabelecida na Constituição de 1988 e consubstanciada desde os governos Itamar Franco e FHC, diluiu sua efetividade técnico-administrativa em uma pletora de recursos orçamentários “carimbados”, isto é, de orientação político-clientelista definida, acarretando sujeição ao Poder Central, ou, melhor, a quem o simboliza pessoalmente e ao partido hegemônico. Neste sentido, diminuiu o papel político dos governadores, bastião do oposicionismo em estados importantes, pois a relação entre prefeituras e governo federal saltou os governos estaduais e passou a se dar mais diretamente com a presidência da República, por meio de uma secretaria especial colada ao gabinete presidencial.

Como, por outra parte, existe – ou existiu até há pouco – certa folga fiscal e a sociedade passa por período de intensa mobilidade social movida pelo dinamismo da economia internacional e pelas políticas de expansão do mercado interno que geram emprego, o desfazimento institucional produzido pelo lulismo e a difusão de práticas clientelísticas e corruptoras foram sendo absorvidos, diante da indiferença da sociedade. Na época do mensalão, houve um início de desvendamento do novo Sistema (com S maiúsculo, como se escrevia para descrever o modelo político criado pelos governos militares). Então, ainda havia indignação diante das denúncias que a mídia fazia e os partidos ecoa¬vam no Parlamento. Pouco a pouco, embora a mídia continue a fazer denúncias, a própria opinião pública, isto é, os setores da opinião nacional que recebem informações, como que se anestesiou. Os cidadãos cansaram de ouvir tanto horror perante os céus sem que nada mude.

Diante deste quadro, o que podem fazer as oposições?

Definir o público a ser alcançado
Em primeiro lugar, não manter ilusões: é pouco o que os partidos podem fazer para que a voz de seus parlamentares alcance a sociedade. É preciso que as oposições se deem conta de que existe um público distinto do que se prende ao jogo político tradicional e ao que é mais atingido pelos mecanismos governamentais de difusão televisiva e midiática em geral. As oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas. A definição de qual é o outro público a ser alcançado pelas oposições e como fazer para chegar até ele e ampliar a audiência crítica é fundamental. Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.

Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à TI (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe C” ou de nova classe média. Digo imprecisamente porque a definição de classe social não se limita às categorias de renda (a elas se somam educação, redes sociais de conexão, prestígio social, etc.), mas não para negar a extensão e a importância do fenômeno. Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos. Se houver ousadia, os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas.

Mas não é só isso: as oposições precisam voltar às salas universitárias, às inúmeras redes de palestras e que se propagam pelo país afora e não devem, obviamente, desacreditar do papel da mídia tradicional: com toda a modernização tecnológica, sem a sanção derivada da confiabilidade, que só a tradição da grande mídia assegura, tampouco as mensagens, mesmo que difundidas, se transformam em marcas reconhecidas. Além da persistência e ampliação destas práticas, é preciso buscar novas formas de atuação para que a oposição esteja presente, ou pelo menos para que entenda e repercuta o que ocorre na sociedade. Há inúmeras organizações de bairro, um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, etc., organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, redes de consumidores, ativistas do meio ambiente, e por aí vai, que atuam por conta própria. Dado o anacronismo das instituições político-partidárias, seria talvez pedir muito aos partidos que mergulhem na vida cotidiana e tenham ligações orgânicas com grupos que expressam as dificuldades e anseios do homem comum. Mas que pelo menos ouçam suas vozes e atuem em consonância com elas.

Não deve existir uma separação radical entre o mundo da política e a vida cotidiana, nem muito menos entre valores e interesses práticos. No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatários irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”? Nestes momentos, o pragmatismo de quem luta para sobreviver no dia-a-dia lidando com questões “concretas” se empolga com crenças e valores. O discurso, noutros termos, não pode ser apenas o institucional, tem de ser o do cotidiano, mas não desligado de valores. Obviamente em nosso caso, o de uma democracia, não estou pensando em movimentos contra a ordem política global, mas em aspirações que a própria sociedade gera e que os partidos precisam estar preparados para que, se não os tiverem suscitado por sua desconexão, possam senti-los e encaminhá-los na direção política desejada.

Seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso “moralista” é coisa de elite à moda da antiga UDN. A corrupção continua a ter o repúdio não só das classes médias como de boa parte da população. Na última campanha eleitoral, o momento de maior crescimento da candidatura Serra e de aproximação aos resultados obtidos pela candidata governista foi quando veio à tona o “episódio Erenice”. Mas é preciso ter coragem de dar o nome aos bois e vincular a “falha moral” a seus resultados práticos, negativos para a população. Mais ainda: é preciso persistir, repetir a crítica, ao estilo do “beba Coca Cola” dos publicitários. Não se trata de dar-nos por satisfeitos, à moda de demonstrar um teorema e escrever “cqd”, como queríamos demonstrar. Seres humanos não atuam por motivos meramente racionais. Sem a teatralização que leve à emoção, a crítica – moralista ou outra qualquer – cai no vazio. Sem Roberto Jefferson não teria havido mensalão como fato político.

Qual é a mensagem?

Por certo, os oposicionistas para serem ouvidos precisam ter o que dizer. Não basta criar um público, uma audiência e um estilo, o conteúdo da mensagem é fundamental. Qual é a mensagem? O maior equívoco das oposições, especialmente do PSDB, foi o de haver posto à margem as mensagens de modernização, de aggiornamento do País, e de clara defesa de uma sociedade democrática comprometida com causas universais, como os direitos humanos e a luta contra a opressão, mesmo quando esta vem mascarada de progressismo, apoiada em políticas de distribuição de rendas e de identificação das massas com o Chefe. Nas modernas sociedades democráticas, por outro lado, o Estado tanto mantém funções na regulação da economia como em sua indução, podendo chegar a exercer papel como investidor direto. Mas o que caracteriza o Estado em uma sociedade de massas madura é sua ação democratizadora. Os governos devem tornar claros, transparentes, e o quanto possível imunes à corrupção, os mecanismos econômicos que cria para apoiar o desenvolvimento da economia. Um Estado moderno será julgado por sua eficiência para ampliar o acesso à educação, à saúde e à previdência social, bem como pela qualidade da segurança que oferece às pessoas. Cabe às oposições serem a vanguarda nas lutas por estes objetivos.

Defender o papel crescente do Estado nas sociedades democráticas, inclusive em áreas produtivas, não é contraditório com a defesa da economia de mercado. Pelo contrário, é preciso que a oposição diga alto e bom som que os mecanismos de mercado, a competição, as regras jurídicas e a transparência das decisões são fundamentais para o Brasil se modernizar, crescer economicamente e se desenvolver como sociedade democrática. Uma sociedade democrática amadurecida estará sempre comprometida com a defesa dos direitos humanos, com a ecologia e com o combate à miséria e às doenças, no país e em toda a parte. E compreende que a ação isolada do Estado, sem a participação da sociedade, inclusive dos setores produtivos privados, é insuficiente para gerar o bem-estar da população e oferecer bases sólidas para um desenvolvimento econômico sustentado.

Ao invés de se aferrarem a esses valores e políticas que lhes eram próprios como ideologia e como prática, as oposições abriram espaço para que o lulopetismo ocupasse a cena da modernização econômica e social. Só que eles têm os pés de barro: a cada instante proclamam que as privatizações “do PSDB” foram contra a economia do País, embora comecem a fazer descaradamente concessões de serviços públicos nas estradas e nos aeroportos, como se não estivessem fazendo na prática o mea-culpa. Cabe às oposições não apenas desmascarar o cinismo, mas, sobretudo, cobrar o atraso do País: onde está a infraestrutura que ficou bloqueada em seus avanços pelo temor de apelar à participação da iniciativa privada nos portos, nos aeroportos, na geração de energia e assim por diante? Quão caro já estamos pagando pela ineficiência de agências reguladoras entregues a sindicalistas “antiprivatizantes” ou a partidos clientelistas, como se tornou o PCdoB, que além de vender benesses no ministério dos Esportes, embota a capacidade controladora da ANP, que deveria evitar que o monopólio voltasse por vias transversas e prejudicasse o futuro do País.

Oposição precisa vender o peixe

Dirão novamente os céticos que nada disso interessa diretamente ao povo. Ora, depende de como a oposição venda o peixe. Se tomarmos como alvo, por exemplo, o atraso nas obras necessárias para a realização da Copa e especializarmos três ou quatro parlamentares ou técnicos para martelar no dia-a-dia, nos discursos e na internet, o quanto não se avança nestas áreas por causa do burocratismo, do clientelismo, da corrupção ou simplesmente da viseira ideológica que impede a competição construtiva entre os setores privados e destes com os monopólios, e se mostrarmos à população como ela está sendo diretamente prejudicada pelo estilo petista de política, criticamos este estilo de governar, suscitamos o interesse popular e ao mesmo tempo oferecemos alternativas.

Na vida política tudo depende da capacidade de politizar o apelo e de dirigi-lo a quem possa ouvi-lo. Se gritarmos por todos os meios disponíveis que a dívida interna de R$ 1,69 trilhão (mostrando com exemplos ao que isto corresponde) é assustadora, que estamos pagando R$ 50 bilhões por ano para manter reservas elevadas em dólares, que pagamos a dívida (pequena) ao FMI sobre a qual incidiam juros moderados, trocando-a por dívidas em reais com juros enormes, se mostrarmos o quanto custa a cada contribuinte cada vez que o Tesouro transfere ao BNDES dinheiro que o governo não tem e por isso toma emprestado ao mercado pagando juros de 12% ao ano, para serem emprestados pelo BNDES a juros de 6% aos grandes empresários nacionais e estrangeiros, temos discurso para certas camadas da população. Este discurso deve desvendar, ao mesmo tempo, o porquê do governo assim proceder: está criando um bloco de poder capitalista-burocrático que sufoca as empresas médias e pequenas e concentra renda.

Este tipo de política mostra descaso pelos interesses dos assalariados, dos pequenos produtores e profissionais liberais de tipo antigo e novo, setores que, em conjunto, custeiam as benesses concedidas ao grande capital com impostos que lhe são extraídos pelo governo. O lulopetismo não está fortalecendo o capitalismo em uma sociedade democrática, mas sim o capitalismo monopolista e burocrático que fortalece privilégios e corporativismos.

Com argumentos muito mais fracos o petismo acusou o governo do PSDB quando, em fase de indispensável ajuste econômico, aumentou a dívida interna (ou, melhor, reconheceu os “esqueletos” compostos por dívidas passadas) e usou recursos da privatização – todos contabilizados – para reduzir seu crescimento. A dívida pública consolidada do governo lulista foi muito maior do que a herdada por este do governo passado e, no entanto, a opinião pública não tomou conhecimento do fato. As oposições não foram capazes de politizar a questão. E o que está acontecendo agora quando o governo discute substituir o fator previdenciário, recurso de que o governo do PSDB lançou mão para mitigar os efeitos da derrota sofrida para estabelecer uma idade mínima de aposentadoria? Propondo a troca do fator previdenciário pela definição de… uma idade mínima de aposentadoria.

Petistas camaleões

Se os governistas são camaleões (ou, melhor, os petistas, pois boa parte dos governistas nem isso são: votavam com o governo no passado e continuam a votar hoje, como votarão amanhã), em vez de saudá-los porque se aproximam da racionalidade ou de votarmos contra esta mesma racionalidade, negando nossas crenças de ontem, devemos manter a coerência e denunciar as falsidades ideológicas e o estilo de política de mistificação dos fatos, tantas vezes sustentado pelo petismo.

São inumeráveis os exemplos sobre como manter princípios e atuar como uma oposição coerente. Mesmo na questão dos impostos, quando o PSDB e o DEM junto com o PPS ajudaram a derrubar a CPMF, mostraram que, coerentes, dispensaram aquele imposto porque ele já não era mais necessário, como ficou demonstrado pelo contínuo aumento da receita depois de sua supressão. É preciso continuar a fazer oposição à continuidade do aumento de impostos para custear a máquina público-partidária e o capitalismo burocrático dos novos dinossauros. É possível mostrar o quanto pesa no bolso do povo cada despesa feita para custear a máquina público-partidária e manter o capitalismo burocrático dos novos dinossauros. E para ser coerente, a oposição deve lutar desde já pela redução drástica do número de cargos em comissão, nomeados discricionariamente, bem como pelo estabelecimento de um número máximo de ministérios e secretarias especiais, para conter a fúria de apadrinhamento e de conchavos partidários à custa do povo.

Em suma: não há oposição sem “lado”. Mais do que ser de um partido, é preciso “tomar partido”. É isso que a sociedade civil faz nas mais distintas matérias. O que o PSDB pensa sobre liberdade e pluralidade religiosa? Como manter a independência do Estado laico e, ao mesmo tempo, prestigiar e respeitar as religiões que formam redes de coesão social, essenciais para a vida em sociedade? O que pensa o partido sobre o combate às drogas? É preciso ser claro e sincero: todas as drogas causam danos, embora de alcance diferente. Adianta botar na cadeia os drogados?

Sinceridade comove a população

Há casos nos quais a regulação vale mais que a proibição: veja-se o tabaco e o álcool, ambos extremadamente daninhos. São não apenas regulados em sua venda e uso (por exemplo, é proibido fumar em locais fechados ou beber depois de uma festa e guiar automóveis) como estigmatizados por campanhas publicitárias, pela ação de governos e das famílias. Não seria o caso de fazer a mesma coisa com a maconha, embora não com as demais drogas muito mais danosas, e concentrar o fogo policial no combate aos traficantes das drogas pesadas e de armas? Se disso ainda não estivermos convencidos, pelo menos não fujamos à discussão, que já corre solta na sociedade. Sejamos sinceros: é a sinceridade que comove a população e não a hipocrisia que pretende não ver o óbvio.

Se a regra é ser sincero, por que temer ir fundo e avaliar o que nós próprios fizemos no passado, acreditando estar certos, e que continua sendo feito, mas que requer uma revisão? Tome-se o exemplo da reforma agrária e dos programas de incentivo à economia familiar. Fomos nós do PSDB que recriamos o Ministério da Reforma Agrária e, pela primeira vez, criamos um mecanismo de financiamento da agricultura familiar, o Pronaf. Nenhum governo fez mais em matéria de acesso à terra do que o do PSDB quando a pasta da Reforma era dirigida por um membro do PPS. Não terá chegado a hora de avaliar os resultados? O Pronaf não estará se transformando em mecanismo de perpétua renovação de dívidas, como os grandes agricultores faziam no passado com suas dívidas no Banco do Brasil? Qual é o balanço dos resultados da reforma agrária? E as acusações de “aparelhamento” da burocracia pelo PT e pelo MST são de fato verdadeiras? Sem que a oposição afirme precipitadamente que tudo isso vai mal – o que pode não ser correto – não pode temer buscar a verdade dos fatos, avaliar, julgar e criticar para corrigir.

Existe matéria em abundância para manter os princípios e para ir fundo nas críticas sem temer a acusação injusta de que se está defendendo “a elite”. Mas política não é tese universitária. É preciso estabelecer uma agenda. Geralmente esta é dada pelo governo. Ainda assim, usemo-la para concentrar esforços e dar foco, repetição e persistência à ação oposicionista. Tomemos um exemplo, o da reforma política, tema que o governo afirma estar disposto a discutir. Pois bem, o PSDB tem posição firmada na matéria: é favorável ao voto distrital (misto ou puro, ainda é questão indefinida). Se é assim, por que não recusar de plano a proposta da “lista fechada”, que reforça a burocracia partidária, não diminui o personalismo (ou alguém duvida que se pedirão votos para a lista “do Lula”?) e separa mais ainda o eleitor dos representantes?

Compromisso com o voto digital

Não é preciso afincar uma posição de intransigência: mantenhamos o compromisso com o voto distrital, façamos a pregação. Se não dispusermos de forças para que nossa tese ganhe, aceitemos apenas os melhoramentos óbvios no sistema atual: cláusula de desempenho (ou de barreira), proibição de coligações nas eleições proporcionais e regras de fidelidade partidária, ainda que para algumas destas medidas seja necessário mudança constitucional. Deixemos para outra oportunidade a discussão sobre financiamento público das campanhas, pois sem a distritalização o custo para o contribuinte será enorme e não se impedirá o financiamento em “caixa preta” nem o abuso do poder econômico. Mas denunciemos o quanto de antidemocrático existe no voto em listas fechadas. Em suma: não será esta uma boa agenda para a oposição firmar identidade, contrapor-se à tendência petista de tudo burocratizar e, ao mesmo tempo, não se encerrar em um puro negativismo aceitando modificações sensatas?

Por fim, retomando o que disse acima sobre o “triunfo do capitalismo”. O governo do PT e o próprio partido embarcaram, sem dizer, na adoração do bezerro de ouro. Mas, marcados pelos cacoetes do passado, não perceberam que o novo na fase contemporânea do capitalismo não é apenas a acumulação e o crescimento da economia. Os grandes temas que se estão desenhando são outros e têm a ver com o interesse coletivo: como expandir a economia sem destroçar o meio ambiente, como assegurar direitos aos destituídos deles, não só pela pobreza, mas pelas injustiças (desigualdades de gênero, de raça, de acesso à cultura)? Persistem preocupações antigas: como preservar a Paz em um mundo no qual há quem disponha da bomba nuclear?

A luta pela desnuclearização tem a ver com o sentido de um capitalismo cuja forma “selvagem” a sociedade democrática não aceita mais. Esta nova postura é óbvia no caso da ecologia, pois o natural egoísmo dos Estados, na formulação clássica, se choca com a tese primeira, a da perpetuação da vida humana. O terror atômico e o aquecimento global põem por terra visões fincadas no terreno do nacional-estatismo arcaico. Há um nacionalismo de novo tipo, democrático, aberto aos desafios do mundo e integrado nele, mas alerta aos interesses nacionais e populares. Convém redefinir, portanto, a noção do interesse nacional, mantendo-o persistente e alerta no que é próprio aos interesses do País, mas compatibilizando-o com os interesses da humanidade.

Estas formulações podem parecer abstra¬tas, embora se traduzam no dia-a-dia: no Brasil, ninguém discute sobre qual o melhor modo de nossa presença no mundo: será pelo velho caminho armamentista, nuclearizando–nos, ou nossas imensas vantagens comparativas em outras áreas, entre elas as do chamado soft power, podem primar? Por exemplo, nossa “plasticidade cultural mestiça”, a aceitação das diferenças raciais – sem que se neguem e combatam as desigualdades e preconceitos ainda existentes – não são um ganho em um mundo multipolar e multicultural? E a disponibilidade de uma matriz energética limpa, sem exageros de muitas usinas atômicas (sempre perigosas), bem como os avanços na tecnologia do etanol, não nos dão vantagens? Por que não discutir, a partir daí, o ritmo em que exploraremos o pré-sal e as obscuras razões para a “estatização do risco e divisão do lucro” entre a Petrobras e as multinacionais por meio do sistema de partilha? São questões que não exploramos devidamente, ou cujas decisões estão longe de ser claramente compatíveis com o interesse nacional de longo prazo.

Falta de estratégia

Na verdade, falta-nos estratégia. Estratégia não é plano de ação: é o peso relativo que se dá às questões desafiadoras do futuro somado à definição de como as abordaremos. Que faremos neste novo mundo para competir com a China, com os Estados Unidos ou com quem mais seja? Como jogar com nossos recursos naturais (petróleo à frente) como fator de sucesso e poder sem sermos amanhã surpreendidos pelo predomínio de outras fontes de energia? E, acima de tudo, como transformar em políticas o anseio por uma “revolução educacional” que dê lugar à criatividade, à invenção e aos avanços das tecnologias do futuro?

A China, ao que parece, aprendeu as lições da última crise e está apostando na inovação, preparando-se para substituir as fontes tradicionais de energia, sobretudo o petróleo, de que não dispõe em quantidade suficiente para seu consumo crescente. E os próprios Estados Unidos, embora atônitos com os erros acumulados desde a gestão Bush, parecem capazes de continuar inovando, se conseguirem sair depressa da crise financeira que os engolfou.

De tudo isso o PT e seus governos falam, mas em ziguezague. As amarras a uma visão oposta, vinda de seu passado recente, os inibem para avançar mais. Não é hora das oposições serem mais afirmativas? E se por acaso, como insinuei no início deste artigo, houver divisões no próprio campo do petismo por causa da visão canhestra de muitos setores que apoiam o governo e de suas necessidades práticas o levarem a direções menos dogmáticas? Neste caso, embora seja cedo para especular, terá a oposição inteireza e capacidade política para aproveitar as circunstâncias e acelerar a desagregação do antigo e apostar no novo, no fortalecimento de uma sociedade mais madura e democrática?

Engana-se quem pensar que basta manter a economia crescendo e oferecer ao povo a imagem de uma sociedade com mobilidade social. Esta, ao ocorrer, aumenta as demandas tanto em termos práticos, de salários e condições de vida, como culturais. Em um mundo interconectado pelos modernos meios de comunicação o cidadão comum deseja saber mais, participar mais e avaliar por si se de fato as diferenças econômicas e sociais estão diminuindo. Sem, entretanto, uma oposição que se oponha ao triunfalismo lulista, que coroa a alienação capitalista, desmistificando tudo o que seja mera justificativa publicitária do poder e chamando a atenção para os valores fundamentais da vida em uma sociedade democrática, só ocorrerão mudanças nas piores condições: quando a fagulha de alguma insatisfação produzir um curto-circuito. Mesmo este adiantará pouco se não houver à disposição uma alternativa viável de poder, um caminho preparado por lideranças nas quais a população confie.

No mundo contemporâneo este caminho não se constrói apenas por partidos políticos, nem se limita ao jogo institucional. Ele brota também da sociedade, de seus blogs, twitters, redes sociais, da mídia, das organizações da sociedade civil, enfim, é um processo coletivo. Não existe apenas uma oposição, a da arena institucional; existem vários focos de oposição, nas várias dimensões da sociedade. Reitero: se as oposições institucionais não forem capazes de se ligar mais diretamente aos movimentos da vida, que pelo menos os ouçam e não tenham a pretensão de imaginar que pelo jogo congressual isolado alcançarão resultados significativos. Os vários focos de insatisfação social, por sua vez, também podem se perder em demandas específicas a serem atendidas fragmentariamente pelo governo se não encontrarem canais institucionais que expressem sua vontade maior de transformação. As oposições políticas, por fim, se nada ou pouco tiverem a ver com as múltiplas demandas do cotidiano, como acumularão forças para ganhar a sociedade? • FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, sociólogo, foi presidente da República (1995–2003) e é presidente de honra do PSDB.

R. INTERESSE NACIONAL.

VINICIUS ALVES, SILVEIRA de SOUZA, Fundação BADESC e BERNÚNCIA Editora convidam: ilha de santa catarina

clique para ampliar:

LUIZ CARLOS PRATES (o nazi-facista da RBS), agora no SBT, chama alunos de vagabundos e defende regime militar dentro das escolas após tragédia

Comentarista do SBT  de SANTA CATARINA continua pregando ódio e divisões na sociedade. Está na hora de o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL tomar atitude em defesa da população e questionar a concessão pública do canal local.

São Paulo – “O professor é ameaçado, o seu carro é depredado, o aluno maltrata o outro aluno no bullying, isso acontece todos os dias. Aí vem estes abobados da ‘pedagogia do amor’, estes pedagogos de meia pataca para pregar a tolerância, a leniência, a aceitação, os diferentes… os diferentes uma ‘pivica’, vagabundo é vagabundo, não tem que ser igualado aos bons alunos.”

Essa é parte da análise de Luiz Carlos Prates, comentaria do SBT, sobre os assassinatos cometidos nesta quinta-feira (7), na Escola Municipal Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio de Janeiro. Doze crianças foram mortas por Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que se suicidou após ser alvejado pela polícia, ainda no local.

A avaliação do comentarista ainda conclui que, para adotar o seu ponto de vista “isso tem que partir de uma ordem absolutamente incondicional por parte das escolas, um código regimentar – tem que ser obedecido. Regime militar dentro dos colégios.”

Prates é conhecido por suas posições destemperadas e questionáveis em análises econômicas e políticas da sociedade brasileira. Recentemente foi demitido da RBS, afiliada da rede Globo, em Santa Catarina, após reclamar do crescente acesso de pessoas de baixa renda a compra de automóveis – “qualquer miserável tem um carro”, disse na ocasião -, e defender que a ditadura ensinou ao Brasil a verdadeira democracia, outros comentários polêmicos. Agora faz suas explanações nos jornais do SBT.

Após a tragédia carioca, muitas reavalições tem sido citadas para a melhoria segurança nas escolas, mas Prates foi o primeiro a mencionar os alunos como parte do problema.

Confira o comentário de Luiz Carlos Prates:

dê UM clique no centro do vídeo

 

Por: Guilherme Amorim, Rede Brasil Atual

Aos Poetas Clássicos – de patativa do assaré / assaré.ce


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

 

“CONVERSAS AO PÉ DA PÁGINA”: programação para 2011 / são paulo

CLIQUE PARA AMPLIAR

Penélope e Ulisses – de zênite / portugal


muito cedo anoiteceu aquele dia.
era inverno em ítaca, e todavia
eram incêndios as suas bocas.
dir-se-ia que a febre os consumia
e no entanto
era um amor de mil sóis
que enfebrecia
por entre o azul da noite
e a alvura dos lençóis.

e de tal maneira a paixão
tal como dantes
tanto e tanto escandecia
que acendia de brilhos a escuridão
na silente geometria do seu manto.
entretanto, por decisão de eros e afrodite,
muito tarde raiou a manhã do novo dia.

[num tempo inteiro de espera e de silêncio
sob os pórticos de um palácio envelhecido,
jamais da longa ausência o desleal olvido.
mais do que um manto
era o fogo do amor que entretecias;
mais do que flecha
era a chama da paixão que arremetia.

 

 

ARROZ de CARRETEIRO – de iberê machado / porto alegre

Prato simples que sustenta,
O arroz de carreteiro
É rude manjar campeiro
Com sabor tradicional.
Esta iguaria bagual,
Dos tempos de antigamente,
Ganhou fama e, de repente,
É prato tradicional.

Arroz gaúcho, amarelo.
Charque gordinho, cebola
Daquela roxa, crioula
E o verde é salsa picada.
Panela preta areiada,
Água quente na cabona,
Colher de pau, mangerona,
Parece não faltar nada.

Charque picado a capricho
Tem que ser bem escaldado,
Escorrido e colocado
Na panela novamente.
Quando corar, simplesmente
Bote a cebola picada,
Quando esta ficar dourada
Ponha um pouco de água quente.

Baixe o fogo e bote a tampa
Enquanto o charque cozinha.
De vez em quando, uma agüinha
Pra que não fique queimado.
Aí, o arroz é lavado
E a mangerona tem vez.
Mais uma agüinha, talvez,
Garantindo o cozinhado.

Estando o charque macio,
Bote o arroz pra que se aquente.
Revive continuamente
Com calma e muita paciência.
Baixe o fogo, por prudência.
Bote água da cambona,
Prove o sal e a manjerona
Que são, do gosto, a essência.

Quando o arroz ficar cozido
E ainda estiver molhado,
Tire a panela de lado,
Ponha a salsa e deixe estar.
Chame a turma pra almoçar
E sirva até o bem do fundo
Pra contentar todo mundo
Com delicioso manjar.

 

 

BRDE e CORECON-PR lançam prêmios para economistas e estudantes / paraná

Com uma palestra do economista Magno Andrioli Bittencourt sobre “O Brasil no contexto mundial”, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE e o CORECON-PR lançaram nesta sexta-feira a noite (08) na Unioeste, em Francisco Beltrão, o 6º Prêmio BRDE de Desenvolvimento e o 21º Prêmio Paraná de Economia. O Prêmio Paraná de Economia tem como objetivo estimular e valorizar a produção científica, na categoria Monografia de Conclusão de Curso de Graduação em Ciências Econômicas.

O Diretor de Acompanhamento e Recuperação de Créditos do BRDE, Nivaldo Assis Pagliari comentou a escolha do tema desta edição do Prêmio BRDE de Desenvolvimento. ”O banco tem uma ligação histórica com as cooperativas e o tema ‘A Contribuição do Cooperativismo para o Desenvolvimento da Economia Paranaense’ é uma homenagem a esta parceria no ano em que o BRDE completa 50 anos”, comentou. Ao falar para o público formado por professores e estudantes da Unioeste, Nivaldo Assis Pagliari comentou a sua experiência como professor de contabilidade em Pato Branco e incentivou a participação dos estudantes. “Além de auxiliar o Banco no seu processo de análise e concessão de crédito e no planejamento de suas atividades, a pesquisa  traz um impacto muito positivo na carreira profissional dos estudantes”, comentou. Nivaldo Pagliari lembrou também da importância do lançamento e premiação ocorrerem a cada ano em uma cidade diferente como forma de incentivar a participação de profissionais e estudantes de todas as regiões do Paraná.

 

Os prêmios para a edição deste ano do Prêmio BRDE de Desenvolvimento somam R$ 10.000,00, conforme a classificação:

– 1º colocado ………………… R$ 5.000,00

– 2º colocado ………………… R$ 3.000,00

– 3º colocado ………………… R$ 2.000,00

 

Informações: (41) 3336-0701

 

O regulamento completo estará nos sites:

www.brde.com.br

www.corecon-pr.org.br

 

 

 

Suzan Fernanda Thome Speltz
Estagiária / Ascom_PR
Fone: 41 3219-8035
Fax:   41 3219-8020

www.brde.com.br

 

A DESTRUIÇÃO DA ESFERA PÚBLICA PELA METÁSTASE DA INTIMIDADE – por zygmunt bauman

‘na Coreia do Sul, por exemplo, onde a maior parte da vida social já é habitualmente mediada por aparelhos eletrônicos (ou, ao contrário, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou em cibervida, e onde a “vida social”, em boa parte, transcorre principalmente na companhia de um computador, de um iPod ou de um celular e só secundariamente na companhia de outros seres de carne e osso), é totalmente evidente aos jovens que eles não têm nem uma migalha de escolha: lá onde vivem, viver a vida social pela via eletrônica não é mais uma escolha, mas sim uma necessidade, um “pegar ou largar”. A “morte social” espera aqueles poucos que ainda não se conectaram (…) os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis nada mais são do que aprendizes em formação e formados na arte de viver em uma sociedade-confessionário, uma sociedade notória por ter apagado o limite que tempos atrás separava público e privado, por ter feito da exposição pública do privado uma virtude pública e um dever, e por ter retirado da comunicação pública qualquer coisa que resista a se deixar reduzir a confidências privadas, junto com aqueles que se recusam a fazer isso…” (Zygmunt Bauman, La República/IHU).

C.Maior.

ARTE FOTOGRÁFICA, diversos autores – editoria

 

foto-arte de A. BRITO.

veja mais ARTE FOTOGRÁFICA: neste ambiente

SEM TITULO – de omar de la roca /são paulo

Nesse mundo de desesperança
de desilusão,mágoa,tristeza
tudo fere,matrata e cansa
palavras tortas,mortas,frieza

tudo enjoa,cansa,maltrata
ate o mar,que joga, sacode
tempestade,calmaria retrata
escondendo,que furia não pode.

até o dia em que possa tudo
derrubar o que estiver a frente
espumar ate ficar fervente
afogar,o torpe atual conteudo.

até o dia em que possa
a luz do sol da tarde
mansamente espraiar a aguas
na praia que ainda não existe
podendo sorrir sem chiste
levando embora toda mágoa
que a todos encharque
com uma salobra poça.

e só então sorrindo
possa voltar ao leito
num murmurar infindo
no infinito peito.

 

Com ônibus itinerante, comunistas nos EUA buscam apoio da juventude / eua

Nos tempos da Guerra Fria, eles eram temidos, perseguidos e odiados. Hoje, quando os membros do Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA) aparecem em público, a reação é de surpresa. Vinte e dois anos depois da queda do Muro de Berlim, pouca gente sabe que ainda existem comunistas no país. Juntos, o CPUSA e sua irmã mais nova, a Liga Comunista Jovem dos Estados Unidos (YCLUSA, na sigla em inglês), têm cerca de 3 mil membros cadastrados. Para mudar este quadro, a YCLUSA inaugurou há duas semanas a Red School Bus Tour, que oferece aulas gratuitas sobre comunismo de costa a costa.


“Temos aulas e debates sobre marxismo e o movimento político; Construindo o movimento para mudar; A crise do capitalismo hoje; Classe Trabalhadora e o Movimento Operário (…). E também muitas atividades culturais, sociais e recreativas”, enumera a propaganda no site da liga.

Transmitida ao vivo pela internet, a Red School Bus Tour é uma das poucas novidades do site. A última edição da revista da liga saiu em 2008, o último post do blog é de 2009 e o último podcast, do ano passado. No entanto, a página da YCLUSA no Facebook respira bem, com mais de 900 fãs e posts sobre Che Guevara e Tania, a Guerrilheira.

“O futuro do partido é certo. Estamos envolvidos em todas as principais lutas dos trabalhadores do país”, garante o presidente do CPUSA, Sam Webb, de 65 anos. Durante os protestos contra a redução de direitos trabalhistas em Wisconsin, na semana passada, os membros do partido foram convocados para participar das manifestações em suas cidades.

Em Washington, uma pequena multidão vestida de vermelho e branco – em homenagem à Universidade de Wisconsin-Madison -, pedia melhores condições de trabalho e o fim das desigualdades sociais. “É inspirador ver esse povo vestindo vermelho e lutando por direitos trabalhistas. Queremos ver essa multidão crescer por todo o país”, comentou o manifestante russo Vlad Gurenko, que mora em Washington e usava uma camiseta vermelha da aviação russa Aeroflot. 

Mas a procura no ponto de partida do Red School Bus Tour, em Los Angeles, não chegou a ser revolucionária. “Apareceram entre 20 e 30 pessoas. Mas, se somarmos o público online, tivemos um total de cem alunos. E alguns deles viraram membros no mesmo dia”, garante o organizador nacional da liga, Jordan Farrar, de 27 anos.

Filho de republicanos, Farrar acredita que o Partido Comunista passa por um bom momento: “É encorajador ser um comunista nos Estados Unidos hoje. Diferentemente do que a mídia capitalista acredita, nós somos cada vez mais bem-vindos”. Ele tem certa razão. Uma pesquisa do Washington Post e da rede de TV ABC mostrou em janeiro que 36% do americanos simpatizam com o socialismo, enquanto 35% simpatizam com o ultra-conservador Tea Party. “O Tea Party é uma besta. Eu tenho grande familiaridade com eles. Minha mãe é um deles e Lloyd Marcus, um ativista notável do partido  e cantor horroroso, é um velho amigo da minha família. Minha mãe se casou no quintal dele”, conta Farrar.

Até abril, a Red School Bus Tour vai passar pelos Estados de Texas, Flórida, Michigan e Connecticut. Desde que a novidade foi anunciada, a liga vem recebendo ameaças anônimas. “Se eu vir comunistas perto de crianças, vou deixá-los com a cara vermelha!”, escreveu no site da YCLUSA um leitor, escondendo sua identidade sob um apelido impublicável.

Os ataques provocaram debates no site e na página da liga no Facebook. Mas os anônimos anti-comunistas não são nada perto do inimigo que eles tentam combater, como  explica um dos professores do Red School Bus Tour, o vice chairman do CPUSA, Jarvis Tyner: “Nossos inimigos são as corporações e os bancos. São eles que fecham fábricas, cortam salários e benefícios, e forçam as pessoas, especialmente os jovens, a trabalhar por salários baixos ou entrar para a carreira militar a fim de ter uma educação e uma renda”.

CPUSA/divulgação

Jovens comunistas norte-americanos durante manifestação

Exatamente o mesmo inimigo desde 18 de setembro de 1919, quando um dos fundadores do CPUSA, C. E. Ruthenberg, escreveu um documento anunciando a criação do partido: “O Partido Comunista é um fato”. Este e outros milhares de documentos acabaram sendo doados para a Biblioteca Tamiment, da Universidade de Nova York, há quatro anos. “Nem imaginava que eles (comunistas) ainda existiam”, disse o diretor da Tamiment, Michael Nash, ao jornal The New York Times na época.

Reforma ecologicamente correta

Na ocasião, o partido precisava abrir espaço em sua sede para novos inquilinos. Do prédio de oito andares no Chelsea, bairro nobre de Manhattan, os comunistas habitam hoje apenas um andar. Os outros foram alugados, inclusive a loja no térreo, onde ficava a livraria do partido. Uma corretora de imóveis e uma loja de produtos de arte, entre outros inquilinos, ajudam a reforçar o orçamento do partido, possibilitando, há três anos, uma reforma 100% ecologicamente correta na sede.

Ao custo de um milhão de dólares, a reforma fez o partido voltar à mídia – ainda que por poucos dias. Balançando a bandeira da ecologia com o slogan “Pessoas e Natureza antes dos Lucros”, o CPUSA optou por carpetes biodegradáveis, sensores de luz, tinta não-tóxica e janelas imensas para aproveitar a luz natural. Mas sempre com a cor vermelha prevalecendo na decoração.

Se agora eles vivem de doações dos membros e dos aluguéis, a história era outra até o fim dos anos 80. Numa época em que os líderes do partido ainda eram obrigados a usar codinomes para se protegerem, o Kremlin enviava dinheiro regularmente. Entre 1971 e 1990, o CPUSA recebeu, em segredo, 40 milhões de dólares.

operamundi.

JAIRO PEREIRA e sua poesia II / quedas do iguaçu.pr

DEMÔNIO DOS RITUAIS DO SONO

.

fujo de teus patrocínios Senhor dos Precipícios

fujo me perco nos signos louco de tanto procurar

verdades de minhas verdades livros ásperos

inscrições no tempo nas pedras da memória

onde escrevi os multi-nomes iletradas vias

do chegar sempre onde não me querem

desdesejo revê-lo como as almas puras

intenciono (alma culta) superconvicta ignorá-lo

milhes de anjos no meu canto por mim só

prosperam em trigais de fartura

milhes de anjos te reprimem Senhor dos Precipícios

intenciono (com meus anjos)

vencer o não-vencido

teus intentos de acabar com meu trabalho

teus cornos negros

demônio dos rituais do sono.

 

.

ARAUTO:

AUTO-RETRATO EM CARVÃO

.

vejo lesmas límias na tua boca escura

como toca

sinto açoites de ventos

leio mandamentos sacramentais

onde queres chegar com isso epi-anphúsios

não me espantam teus pensamentos sem resposta

mas juro não abrirei a porta

em hipótese alguma em minha mesa

os teus talheres

tua presença alcoviteira no espelho do banheiro

costumo vencer o desvencido apenas

com um olhar poético

transcender a história do pensamento

eis a minha sina

philósopho de fundo de quintal

atiro setas de caules de couve

acerto alvos miúdos nos céus do indizível

e trago verdades novas pro teu olhar

de cobra

acrescentos de sóis inéditos

no jardim me confirmo:

arauto das novíssimas criações

nos campos do sensível.

MILITARES CHILENOS CONDENADOS POR CRIMES NA DITADURA / santiago

Os militares foram condenados com 10 anos de cadeia pelo homicídio, em outubro de 1973, durante a ditadura de Augusto Pinochet, de um funcionário do FMI, dois turistas argentinos, um militante da direita chilena, um estudante universitário e outro cidadão chileno. Os condenados sequestraram as vítimas do lugar onde dormiam, levaram-nas para um centro de detenção e, em seguida, simularam uma tentativa de fuga para assassiná-las.

Página/12

Os três membros da Escola de Suboficiais do Exército foram declarados responsáveis pelos homicídios de Ricardo Montecinos Slaughter, funcionário do Fundo Monetário Internacional, e do casal Carlos Adler Zulueta e Beatriz Díaz Agüero, dois turistas argentinos. As outras vítimas foram Víctor Garretón Romero, militante do direitista Partido Nacional; Jorge Salas Pararadisi, estudante universitário, e Julio Saa Pizarro, cirurgião dentista.

Segundo a sentença, as vítimas foram detidas enquanto dormiam em seus apartamentos da Torre 12 de San Borja, um prédio localizado em pleno centro de Santiago, no dia 16 de outubro de 1973, por membros da Escola de Suboficiais do Exército, e levadas para o centro de detenção da Casa da Cultura de Barrancas, em Pudahuel. No dia seguinte, foram levadas para os arredores do túnel do Prado, onde se ordenou que saíssem correndo para simular uma fuga. Foram então assassinados.

A ONU solicitou informação sobre caso, ainda em 1976, pelo fato de um funcionário do FMI estar entre as vítimas. A pena imposta pelo juiz Jorge Zepeda, em primeira instância, é de 10 anos sem atenuantes para Gerardo Urrich, Juan Ramón Fernández e René Cardemil.

Tradução: Katarina Peixoto

DANIEL DANTAS, GRANDE E FELIZ CORRUPTOR – por mino carta / são paulo

Na festa de Carta-Capital do ano passado, realizada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial para celebrar o aniversário da revista e
entregar os troféus das Empresas Mais Admiradas no Brasil, na minha fala de boas-vindas aos convidados me atrevi a confrontar os governos Lula e FHC. E me coube constatar a verdade factual: o mensalão, como propina mensal a parlamentares variados, não foi provado. Um murmúrio estrondoso de desaprovação elevou-se da plateia e algumas pessoas deixaram precipitadamente o recinto.


Leitores, telespectadores e ouvintes da mídia nativa acreditam cegamente no mensalão na versão apresentada por editorialistas, colunistas e perdigueiros da informação. Não percebem que o crime cometido no episódio por larga porção do PT é tão grave quanto o seria o mensalão conforme a pretensa denúncia de Roberto Jefferson. Não é que este enredo chamusque apenas o partido, ustiona-o no grau mais elevado e deixa uma cicatriz irreversível.


Quem se entrega às fantasias do jornalismo pátrio não se dá conta de outro logro, sem falar de má-fé de muitos, inclusive alguns que se dizem de esquerda: o mensalão é um biombo desdobrado para encobrir a ação, continuada e infelizmente eficaz, do grande corruptor, o banqueiro Daniel Dantas.


Pergunto aos meus céticos botões por que a revista Época decidiu dissertar a respeito do relatório da Polícia Federal sobre o valerioduto e suas consequências. Gargalham sinistramente ao registrar o esforço insano da semanal da Globo para colocar na ribalta o chamado mensalão pretendido por seis anos a fio e para relegar a um brumoso bastidor a figura do banqueiro orelhudo do Opportunity.


Com quanta desfaçatez a mídia nativa manipule o noticiário é do conhecimento até do mundo mineral. A verdade factual é outra (e CartaCapital em vão a apresenta desde 2005) e soletra a seguinte situação: o dinheiro do Opportunity irriga a horta petista por intermédio do valerioduto sem que isto implique pagamentos mensais a parlamentares.


Dantas sempre soube quais as hortas a serem regadas, daí ter começado pela tucana à sombra de FHC, para ser premiado na hora das privatizações. Ao se concluir, o enredo encena um jantar com o presidente e príncipe dos sociólogos em 2002, destinado a traçar os caminhos do futuro. O banqueiro acabava de regressar de Cayman, onde guarda e põe a fermentar as contas secretas de inúmeros graúdos. No dia seguinte, FHC trocou as diretorias dos fundos de pensão, que até então eram entrave poderoso aos negócios dantescos.


O tucanato foi bom parceiro também no plano regional. O ensaio do caso nacional levantado pelas acusações de Jefferson deu-se, como se sabe, em Minas Gerais, quando do governo Azeredo. A bandalheira foi provinciana, contudo opulenta. De todo modo, há jantares e jantares. Significativo aquele de cardápio árabe servido na residência brasiliense do então senador do DEM Heráclito Fortes, em plena crise do mensalão. Confraternizaram no quibe e no charuto de uva Daniel Dantas, grande amigo do anfitrião, e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, acompanhado pelos organizadores da tertúlia, os deputados José Eduardo Cardozo e Sigmaringa Seixas.


Mas quem se incomoda com isso? Quem se aventura a ilações aparentemente obrigatórias? E quem abre os olhos diante de uma estranha operação que levou Marcos Valério e, em oportunidades distintas, outras figuras do PT e do PTB, inclusive Delúbio Soares, a Lisboa quando Dantas quis vender a Telemig à Portugal Telecom? E quem se indigna se Gilmar Mendes solta no espaço de 24 horas dois habeas corpus para pôr em liberdade o banqueiro preso por obra da Satiagraha, e logo secundado pelo ministro Nelson Jobim, exige do presidente Lula, “chamado às falas”, o afastamento imediato do delegado Paulo Lacerda- da direção da Abin? Réu por ter colaborado com o delegado Protógenes para suprir a falta de apoio da própria PF entregue ao seu sucessor, Luiz Fernando Corrêa. E quem se surpreendeu ao saber que o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi à Itália como advogado de Dantas ainda no seu tempo de parlamentar para contribuir à tentativa, fracassada, de provar que quem iniciou a guerra dos grampos foi a Telecom Italia?


Intermináveis perguntas se escancaram em busca de esclarecimentos a respeito de outras tantas situações suspeitas, para usar um adjetivo brando. Mas, se há jantares e jantares, há ministros e ministros. O da Justiça à época da Satiagraha, Tarso Genro, telefonou no dia da primeira prisão de Dantas, logo de manhã para me dizer eufórico: “Viu o que a gente fez, prendemos o Dantas”. Aquela ligação até hoje me deixa boquiaberto. Talvez Genro estivesse a navegar na névoa, como um barco escocês ao largo de Aberdeen, em uma madrugada invernal, e sem apito. Sobra a evidência clamorosa: Dantas conhece a fundo os podres da República, e isso o torna, por ora pelo menos, invulnerável.

C.CAPITAL


ENTÃO… – de woody allen / eua

“Em  minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente.

Começar morto para despachar logo esse assunto.

Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.

Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.

Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável,  até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo; e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades.

Aí, viro um bebê inocente até nascer.

Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e espaço maior dia a dia, e depois –  desapareço num orgasmo.”

BONO disse para a Presidenta DILMA que “todo presidente deveria priorizar o combate à pobreza” / brasilia

Dilma almoça com banda irlandesa U2 em Brasília

banda irlandesa U2 chegou no final da manhã ao Palácio da Alvorada, em Brasília, onde deve almoçar com a presidenta Dilma Rousseff. Em parte do encontro com a presidenta, aberto para registro de imagens, o vocalista e ativista social Bono Vox lamentou a tragédia na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, comentou sobre programas de combate à aids, que apoia, e falou até da lei brasileira da Ficha Limpa.

Bono disse para Dilma que todo presidente deveria priorizar o combate à pobreza. Ele afirmou que pretende conhecer as ações do governo do Brasil na área. Do lado de fora, na portaria do Palácio da Alvorada, um pequeno grupo de fãs gritava o nome do vocalista e da banda, quando o grupo chegou para o encontro com a presidenta.

GP.

SESC – CULTURA convida: itajaí.sc


CIRCUITO SESC DE MÚSICA – 2ª ETAPA


Grupo Cata-Vento liderado pelo violonista Felipe Coelho, traz um show apresentando a música “aberta”: a música do mundo, sem delineações estilísticas, priorizando somente a beleza do som. Ganhadores do Premio Funarte 2010 de âmbito nacional, do Premio Elizabete Anderle da Fundação Catarinense de Cultura 2009, e com a experiência de 3 turnês nacionais em seu currículo, o grupo também já foi convidado a grandes festivais como as Oficinas de Curitiba (programa oficial), o Joinville Jazz Festival, o Festival Internacional de Flamenco de São José dos Campos SP, entre outros. O quarteto de cordas do CataVento é formado por Ricardo Muller, Frederico Ivan Martins, Marcos Origuella e Tales Custódio, vindos de diferentes estados do Brasil, residentes em Florianópolis e atuantes nas orquestras Filarmônica, e Orquestra da UDESC. Vídeos, música e agenda podem ser vistos em www.myspace.com/felipefcoelho

Quando: dia(s) 12/04, Terça, às 20h

Onde: Teatro Municipal de Itajaí

Quanto: R$0,50 meia e R$ 1,00 inteira.

 

TUCANOS do Paraná censuram BLOG do ESMAEL

 

http://esmaelmorais.com.br

 

JOSÉ MARÍA ARGUEDAS: en el primer centenario de su nacimiento – por enrique rosas paravicino / peru

Hace cien años, un 18 de enero de 1911, nació en Andahuaylas (Perú), el renombrado novelista, poeta, antropólogo y maestro universitario José María Arguedas, cuya estatura intelectual, moral y estética se halla al nivel de los más insignes exponentes de la cultura latinoamericana del siglo XX. Bien sabemos que Arguedas es autor de numerosos libros de diferentes géneros, llámese novela, cuento, poesía o ensayo, aparte de escritos de carácter antropológico, artículos especializados, textos epistolares y traducciones etnológicas importantes. El público lector lo aprecia esencialmente por obras como “Agua”, “Yawar fiesta”, “Diamantes y pedernales”, “Los ríos profundos”, “El Sexto”, “Todas las sangres” y “El zorro de arriba y el zorro de abajo” entre otros. Y por cierto que ello es legítimo, porque la estética arguediana está registrada en esta copiosa prosa de ficción, lo que, sin embargo, no debe quitarle importancia a sus demás facetas. Hoy mismo está en proceso de edición los tomos correspondientes a su quehacer como científico social.

Arguedas nos presenta, esencialmente, el cuadro social y las complejas relaciones que se dan entre los estamentos de la sociedad andina, donde se evidencia la opresión del indígena por parte del terrateniente, en concertación con las autoridades de la comarca, cuadro en el que el Estado, aparte de tener una presencia débil, está allí sólo para convalidar las acciones de los poderosos contra los oprimidos. Es cierto que este punto ya lo habían tratado los indigenistas ortodoxos con intención de denuncia y solidaridad, pero Arguedas lo hace con un conocimiento directo del asunto, es decir, a partir de sus propias vivencias en las comunidades y haciendas. No olvidemos que él es hijo de un abogado cusqueño, perteneciente al estrato social blanco, pero que por haber sido dejado por su padre en el fundo de su madrastra, se ve confinado a vivir entre los siervos indígenas, al punto que muy pronto se arraiga gozoso entre ellos, por la bondad y el afecto que le brindan como si fuese otro maqt’illo más.

Esta experiencia temprana lo lleva a concluir más tarde, a través de sus libros más cimeros, que el campesino indígena es socialmente más creativo que el terrateniente, más sabio en su relación con la naturaleza, más sagaz ante las contingencias de la vida y más apto para resolver por sí solo los problemas seculares nacidos de la colonialidad y del régimen de servidumbre. No faltarán quienes digan que Arguedas idealiza mucho a sus personajes indígenas, pero el hecho de tomar partido por los más débiles afianza, más bien, su perfil de humanista moderno, y lo hace digno de constituirse en un paradigma de ética intelectual.

Es pertinente anotar que en toda la producción de José María Arguedas hay una continuidad creciente y enriquecedora, como si atravesase por etapas previamente planificadas, un hilo coherente que va de menos a más, de lo sencillo a lo complejo. Es un proceso constante que se expande de la esfera aldeana a la esfera provincial y de lo provincial a lo nacional (incluso hasta denotar la presencia del capital internacional). Tanto Yawar fiesta, Los ríos profundos como Todas las sangres cumplen ese rol de ensanchar más y más la perspectiva arguediana, sin que haya desbalance entre libro y libro, ni menos se estanque una maduración ideológica y estética cada vez más afianzada por la experiencia intelectual y por un sentido proteico en la invención de situaciones y personajes.

Esta identificación con los oprimidos, sean grupos humanos o países del tercer mundo, le viene (igual que en Vallejo) más que de una doctrina aprendida, de su sensibilidad profunda, de su dolorosa experiencia de niño, de su condición de humanista moderno y de las convicciones que le enseñaron sus sencillos protectores indígenas. No en vano Arguedas, en su poema titulado “A nuestro padre creador Túpac Amaru”, traza una dedicatoria sentida a aquellos seres humildes que le brindaron el afecto que no halló en su hogar biológico. La dedicatoria dice así: “A doña Cayetana, mi madre india, que me protegió con sus lágrimas y su ternura cuando yo era un niño huérfano, alojado en una casa hostil y ajena. A los comuneros de los cuatro ayllus de Puquio en quienes sentí por vez primera, la fuerza y la esperanza”. ¿Habrá otro autor capaz de transmitir con tanta carga de afectividad su reconocimiento a la madre adoptiva?

Ciertamente José María Arguedas es un escritor bilingüe. Se expresa con igual soltura tanto en español como en quechua. Toda su prosa narrativa, con excepción de “El sueño del pongo”, ha sido escrita en español; y en cambio toda su poesía ha sido cristalizada en quechua, apelando a la riqueza metafórica que posee esta lengua para el discurso lírico e intimista. Son poemas extensos los que concibe, con modulaciones de intensa emotividad, en los que predomina el “yo” colectivo del hablante, como en los poemas titulados: “A nuestro padre creador Túpac Amaru”, Oda al jet” “Al pueblo excelso de Vietnam”, “Llamado a algunos doctores”, y “Katatay”. Por algo la vez que recibió el Premio Inca Garcilaso de la Vega, en 1968 diría con entusiasmo: “Yo no soy un aculturado; yo soy un peruano que orgullosamente, como un demonio feliz habla en cristiano y en indio, en español y en quechua”.

Por eso, en este asunto del bilingüismo, merece también una singular referencia la traducción que Arguedas hace de Dioses y hombres de Huarochirí, traducción del quechua al español. En efecto, este documento de origen colonial, llamado también “el manuscrito de Huarochirí” es un legado de los extirpadores de idolatrías de fines del siglo XVI, quienes en su afán de evangelización de las poblaciones quechuas, habían registrado en forma escrita una serie de rituales, mitos y concepciones cosmogónicas del Perú prehispánico. En tal entramado mitológico halló Arguedas el leit motiv para acometer la escritura de El zorro de arriba y el zorro de abajo y, de esta manera, pudo renovar cualitativamente las estructuras formales y conceptuales de su narrativa. Esta es una opción ejemplar de retorno a las raíces históricas, a los abrevaderos del mito andino. Mientras otros desdeñan la herencia etnológica, histórica o cosmológica de los ancestros indígenas, Arguedas explotó con gran entusiasmo esta veta, porque tenía la plena convicción de que aquí estaba la principal materia prima para la elaboración de un arte nacional.

Mario Vargas Llosa, en su discurso de recepción del Premio Nobel de Literatura 2010, tuvo el gesto de recordarlo con cierta afección. Sus palabras constituyen su personal desagravio y su enmienda, por cuanto así queda atrás la calificación de “arcaica” que hizo de la poética de Arguedas en un afán de deslegitimar la opción cultural andina. He aquí un gesto que enaltece al autor de “La casa verde” y que bien podría ser emulado por otros que, sin entender la propuesta de todas las sangres, se pasaron muchos años denigrando un legado literario que igualmente nítido se oye “En la voz del charango y de la quena…” (Arguedas dixit).

En el largo proceso de la literatura peruana hay una sucesión constante de resistencia cultural y de afirmación de valores, memorias y saberes que hemos recibido de nuestros mayores, esto es, de aquellos peruanos que hace 10 mil años domesticaron animales y plantas en los Andes, los que en otro momento de la historia constituyeron culturas como Caral, Chavín, Tiahuanaco, Nazca, Paracas; los que más adelante fundaron civilizaciones originales como los wari y los incas, los que edificaron, Pikillaqta, Cusco, Machupicchu, P’isaq, y Choqekiraw. Las palpitaciones de esta herencia milenaria han sabido auscultar con apasionada entrega, peruanos como el Inca Garcilaso de la Vega, Guaman Poma de Ayala, César Vallejo, José Carlos Mariátegui, Jorge Basadre y también el amauta José María Arguedas Altamirano.

Son estos relevantes peruanos los que establecieron esa dimensión de continuidad histórica, de legados milenarios y valores éticos e ideológicos, en perspectiva a construir la Nación / Estado, un proyecto en el que la cultura andina tenga un papel equitativo al lado de las otras culturas del país, porque la historia del mundo nos demuestra que los proyectos político-sociales exitosos, son precisamente aquellos que se sustentan en las esencias de la nacionalidad. De allí entonces que José María Arguedas viene a ser el visionario de una patria nueva, de un país reinventado desde sus raíces ancestrales, una nación que conjugue tradición y modernidad en  un escenario internacional muy competitivo, en el que la revolución científica y tecnológica, llamada también revolución semiótica, sea realmente un factor de desarrollo y democracia, esto es, de liberación del hombre y no así un arma de opresión, dependencia y neocolonialismo.

 

Enrique Rosas Paravicino (Cusco, Peru) é  narrador, poeta, ensaísta e autor dos livros: Al filo del rayo (1988), El gran señor (1994), Ciudad apocalíptica (1998), La edad de leviatán (2005), Muchas lunas en Machu Picchu (2006), El patriarca de las aves (2006) y El ferrocarril invisible (2009),  além de inúmeros artigos publicados em revistas especializadas. Em conjunto com outros autores também publicou: Fuego del sur (1990), Alfredo Yépez Miranda y su tiempo (2001) y Nueva antología del Cusco (2005).
Seus textos integram estudos e varias antologias. É professor e pesquisador da Universidade Nacional de San Antonio Abad del Cusco e  reconhecido com vários prêmios e distinções nacionais. O presente artigo é a síntese de uma ampla conferência dada este ano, pelo autor, em várias cidades do Peru, em comemoração ao centenário de nascimento de José María Arguedas.

 

GINGA do MANÉ convida para RODA de CHORO: ilha de santa catarina

DOIDAS E SANTAS – por martha medeiros / porto alegre

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem o amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar “the big one”, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga ai uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.

Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e diga se ela não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.

Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira pra ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

 

PROTOPOEMA – de josé saramago / portugal

Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos
nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os
dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,
e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de
repente não sei se as águas nascem de mim, ou para
mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o
próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os
barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que
vagarosamente deslizam sobre a película luminosa
dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas
águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e
firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo
acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas
da memória e o vulto subitamente anunciado do
futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar
calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que
as aves digam nos ramos por que são altos os
choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,
sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas
verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra
viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se
juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

Golpe de 1964: os jornais e a “opinião pública” – de venício a. de lima / são paulo

Estudar e conhecer melhor os vínculos dos grupos de mídia com a articulação golpista do início da década de 60, além de ser nosso dever para com aqueles que tombaram pelo caminho, pode nos ajudar – e muito – a compreender o que ainda ocorre na democracia brasileira de nossos dias. quais justificativas eram utilizadas pela própria mídia para contornar a evidente contradição existente entre o seu discurso em “defesa da democracia” e, ao mesmo tempo, a articulação e a pregação abertas de um golpe de estado contra o presidente da República democraticamente eleito?

In memoriam de João Baptista Franco Drummond (1942-1976)

Apesar de quase cinco décadas já haverem se passado, ainda existem aspectos a ser esclarecidos sobre a participação da mídia no golpe de 1º de abril de 1964. Que os principais grupos empresarias do setor apoiaram e articularam a deposição do presidente João Goulart está suficientemente documentado. Que eles conclamaram os militares a intervir na ruptura do processo democrático, idem [cf. nesta Carta Maior, “A grande mídia e o golpe de 64”].

Uma questão intrigante, todavia, permanece: quais justificativas eram utilizadas pela própria mídia para contornar a evidente contradição existente entre o seu discurso em “defesa da democracia” e, ao mesmo tempo, a articulação e a pregação abertas de um golpe de estado contra o presidente da República democraticamente eleito?

Essa questão torna-se mais interessante quando, ao estudá-la, constatamos que o discurso justificador utilizado naquele período continua a ser utilizado ainda hoje e, em alguns casos, pelos mesmos grupos de mídia na defesa de seus velhos interesses.

“A Rede da Democracia”
Várias dissertações e teses acadêmicas têm estudado os vínculos da mídia com o golpe de 1964. Boa parte delas, no entanto, se mantém anônimas nas prateleiras das bibliotecas universitárias. Um desses trabalhos, uma pesquisa de pós-doutorado, foi transformada em livro lançado há cerca de um ano. Trata-se de “A Rede da Democracia – O Globo, O Jornal e Jornal do Brasil na queda do governo Goulart (1961-64)”, co-edição da NitPress e Editora da UFF, do historiador e cientista político Aluysio Castelo de Carvalho.

“A Rede da Democracia” foi uma cadeia de emissoras de radio idealizada pelo então deputado federal (à época, do extinto Partido Social Democrático) e vice-presidente dos Diários Associados, João Calmon (1916-1999), criada em outubro de 1963, comandada pelas rádios Tupi, Globo e Jornal do Brasil e retransmitida por centenas de emissoras em todo o país. Diariamente políticos, empresários, militares, jornalistas, intelectuais, sindicalistas, estudantes – articulados com partidos e entidades de oposição (IPES e IBAD) – faziam oposição aberta ao governo e se constituíam em espaço de articulação discursiva na conspiração que se formava para derrubada de Goulart, até as vésperas do 1º de abril. Os pronunciamentos veiculados na “rede” eram, em seguida, publicados nos respectivos jornais dos grupos empresariais de mídia.

A inspiração para a criação da “rede”, segundo Carvalho, parece ter vindo do livro de Suzanne Labin, “Em Cima da Hora – A conquista sem guerra”(original “II est moins cinq”), lançado no Brasil em 1963 (Distribuidora Record, Rio de Janeiro), com tradução, prefácio e notas do jornalista, então governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1914-1977).

A francesa Suzanne Labin (1913-2001), militante internacional do anticomunismo, escreveu dezenas de livros e folhetos, traduzidos em vários idiomas, que tiveram ampla distribuição como material da luta ideológica no tempo da guerra fria. No Brasil, além do “Em cima da hora”, foram também publicados títulos como “A Rússia de Stalin”, “O Duelo Rússia x EUA”, “A Condição Humana na China” e “A Guerra Política”.

No Prefácio do livro, Lacerda afirma tratar-se de “um guia no meio da confusão, um antídoto para o veneno da inércia, um roteiro contra o sofisma. Possam lê-lo os que ensinam os outros a ler” (p. 15). No texto, Labin sugere a fundação de uma “Liga da Liberdade” cuja primeira tarefa seria “recuperar a imprensa”. Para isso recomenda “a formação de uma rede de imprensa diária e periódica de tiragem suficientemente ampla, expressamente dedicada à desintoxicação dos espíritos” (p. 135). Além disso, diz ela, “a Liga não deve limitar-se à imprensa. Deve utilizar todos os outros meios de expressão, desde logo as revistas, panfletos e livros. (…) deverá também produzir filmes” (p. 136).

Na verdade, “A Rede da Democracia” brasileira, coordenada pelos principais grupos de mídia do Rio de Janeiro, servia a propósitos políticos específicos que se concretizariam em abril de 1964.

Concepção “publicista” da opinião pública
Carvalho parte de uma visão panorâmica do papel central atribuído à “opinião pública” por alguns dos pensadores clássicos da democracia representativa liberal – Hobbes, Locke, Montesquieu, Constant – dentre outros. No Brasil, Rui Barbosa e Oliveira Vianna atribuíram “às elites dirigentes responsáveis o papel de intérprete dos interesses da nação” e também colocaram “a imprensa em primeiro plano, enfatizando sua posição central como órgão da opinião pública” (p. 29).

A principal hipótese de Carvalho é a de que, para fugir da contradição acima apontada, os jornais cariocas estudados abandonaram a concepção institucional de representatividade da opinião pública – aquela que se materializa através dos partidos, de eleições regulares e de representantes políticos – e recorreram a outra concepção – a publicista – que “ressalta a existência da imprensa como condição para a publicização das diversas opiniões individuais que constituem o público”.

A adoção da concepção publicista faz com que não só a crítica aos partidos políticos e ao Congresso se justifique, como também sustenta a posição de que os jornais são os legítimos representantes da opinião publica.

A partir da análise de pronunciamentos feitos na Rede da Democracia e de editoriais dos jornais, Carvalho afirma:

“Ocorreu por parte (de O Globo, O Jornal e Jornal do Brasil) uma exaltação da própria imprensa como modelo de instituição representativa da opinião pública, porque se viram mais comprometidos com a preservação da ordem social liberal. Os jornais cariocas construíram uma imagem positiva da imprensa, em detrimento da divulgada sobre o Congresso. (…) Os jornais se consideravam o espaço público ideal para a argumentação, em contraposição à retórica dita populista e comunista que teria se expandido no governo Goulart e estaria comprometida com a desestruturação das instituições, sobretudo do Congresso. Os jornais se colocaram na posição de porta-vozes autorizados e representativos de todos os setores sociais comprometidos com uma opinião que preservasse os tradicionais valores da sociedade brasileira ancorados na defesa da liberdade e da propriedade privada” (p. 156).

Entre os inúmeros pronunciamentos e editoriais analisados, merece destaque o publicado em O Jornal [2 de março de 1962] que toma como referência a relação entre sociedade e sistema político existente nos Estados Unidos e evoca dois clássicos liberais, Tocqueville e Lord Bryce. Diz o editorial:

“Ninguém ignora quanto o governo americano é sensível à opinião pública e se deixa conduzir por suas reações. Congresso e Poder Executivo não ousam nunca contrariá-la, temendo republicanos e democratas os seus pronunciamentos nas urnas. Os grandes autores clássicos na apreciação do sistema político norte-americano – De Tocqueville e Lorde Bryce – mostraram como, apesar do regime presidencialista submeter-se à inflexibilidade dos mandatos e por isso parecer menos maleável aos efeitos das variações da opinião, como sucede nos parlamentarismos europeus, nos Estados Unidos os governos condicionam invariavelmente as suas decisões aos resultados da auscultação da vontade e do sentimento do povo, rigorosamente traduzidos pela imprensa” (citado em Carvalho, p. 159).

Mídia e a “opinião pública” hoje
A “concepção publicista”, apresentada por Carvalho, foi um fenômeno reduzido à articulação do golpe de 1964 pelos principais jornais cariocas ou corresponde a uma postura permanente da grande mídia brasileira?

Tenho tratado do tema reiteradas vezes e mostrado como, para certos jornais e jornalistas, a opinião da mídia teria que ser uma instância levada em conta não mais apenas por ser a mediadora ou “refletora” da opinião pública, mas por ser a própria opinião pública (cf., por exemplo, “A opinião privada tornada pública” ; e “Opinião da imprensa não é a opinião pública”).

Relembro, todavia, um episódio, no mínimo, curioso. No auge da crise que envolveu o Senado Federal em 2009 e em meio às pressões para sua renúncia, falando por ocasião do Dia Internacional da Democracia, o Senador José Sarney afirmou:

“A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui; estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute”(cf.Sarney vs. Imprensa: Quem mudou: o senador ou a grande mídia?).

Quarenta e cinco anos depois do golpe de 1964, em 2009, um de seus principais apoiadores e, ele próprio, proprietário de jornal e concessionário do serviço público de radiodifusão, questiona a mesma “concepção publicista” de que a mídia se valeu para justificar sua posição golpista.

Dois anos mais tarde, em 2011, é necessário que as devidas lições sejam aprendidas. Estudar e conhecer melhor os vínculos dos grupos de mídia com a articulação golpista do início da década de 60, além de ser nosso dever para com aqueles que tombaram pelo caminho, pode nos ajudar – e muito – a compreender o que ainda ocorre na democracia brasileira de nossos dias.

(*) Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.

C. MAIOR

Lojas PERNAMBUCANAS: é encontrado trabalho escravo com imigrantes

Trabalho escravo é encontrado na cadeia da Pernambucanas

Por Bianca Pyl

A casa branca, localizada em uma rua tranquila da Zona Norte da capital paulista, não levantava suspeita. Dentro dela, no entanto, 16 pessoas vindas da Bolívia viviam e eram explorados em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas.

O grupo costurava blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas, no momento em que auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegaram ao local.

Entre as vítimas, dois irmãos com 16 e 17 anos de idade e uma mulher com deficiência cognitiva. No local, a fiscalização constatou a degradação do ambiente, jornada exaustiva de trabalho e servidão por dívida, três traços que caracterizam o trabalho análogo ao de escravo -crime previsto no Art. 149 do Código Penal. As vítimas trabalham mais de 60 horas semanais para receber, em média, salário de R$ 400 mensais.

Descobriu-se que a encomenda das peças havia sido feita pela intermediária Dorbyn Fashion Ltda. – um entre os mais de 500 fornecedores da centenária rede de lojas. O flagrante, registrado em 14 de março, motivou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a cobrar cerca de R$ 2,3 milhões da Pernambucanas, soma dos valores referentes a autuações com a notificação para recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).

A Repórter Brasil acompanhou a operação comandada pela SRTE/SP. O cenário encontrado de condições degradantes apresentava diversos riscos à saúde e segurança das vítimas. Não há janelas ou qualquer tipo de ventilação no espaço apertado e quente. A insalubridade, a precariedade e o improviso marcavam tanto os ambientes de trabalho quanto os de descanso.

Alimentos eram armazenados de forma irregular: além da bandeja de iogurte dentro da gaveta, a inspeção se deparou com carnes estragadas. A sofrível estrutura não permitia nem banhos com água quente.

As jornadas de trabalho eram exaustivas, sem pagamento de horas extras. Os “salários” não alcançavam o salário mínimo e muito menos o piso da categoria. Também foram recolhidas anotações referentes a descontos irregulares, artifício comum dentro do esquema de servidão por dívida. As passagens de ônibus para o Brasil eram “pagas” com trabalho intenso de costura.

Na chegada da equipe de fiscalização, os trabalhadores deixaram transparecer a apreensão. “Medo de ter que ir embora sem nada”, disse um deles. Um costureiro interrompe o depoimento do outro e poucos falam abertamente sobre as condições em que vivem. Mesmo assim, Joana** relatou que “quanto mais rápido se trabalha, mais se pode ganhar”. Ela e seus companheiros de trabalho não tinham, contudo, acesso ao controle de sua produção e nem quanto receberia por peça. As jovens nunca viram as roupas que produzem na loja e nunca compraram nada nas lojas Pernambucanas.

A primeira pergunta que Joana** fez às autoridades presentes veio de chofre: “Eu posso estudar?”. A jovem sempre alimentou o sonho de cursar – em sentido inverso percorrido por muitos brasileiros que estudam na Bolívia para se tornar médicos – uma faculdade de Medicina no Brasil.

Ela contou já ter feito o curso preparatório em seu país. A jovem chegara em São Paulo (SP) apenas um mês antes do flagrante. Um táxi teria sido encarregado de trazê-la da rodoviária diretamente até a discreta oficina. Na cidade de El Alto, vizinha à capital La Paz, Joana** consertava telefones celulares.

A investigação que chegou até o local começou em agosto do ano passado, quando outra oficina que empregava imigrantes sem documentos e em condições degradantes foi flagrada costurando vestidos Vanguard, marca feminina adulta da Pernambucanas – a Repórter Brasil também acompanhou esta ação e publicará, em breve, outra reportagem com mais detalhes da operação passada.

A partir de então, auditores e auditoras da SRTE/SP decidiram aprofundar as investigações para verificar a eventual repetição das ocorrências constatadas na confecção das peças da Vanguard em outras oficinas irregulares e para coletar subsídios adicionais para embasar as conclusões oficiais.

A fiscalização teve acesso ao pedido de compra do lote (2.748 peças) do “casaco longo moletom – tema Romance Gótico”, da Argonaut, que os libertados costuravam no momento da ação. As Pernambucanas pagariam R$ 33,50 por cada peça à Dorbyn e venderia a mesma por R$ 79,90. O valor pago pela Dorbyn por cada blusa à oficina de costura era de R$ 4,30.

Riscos
Em dois cômodos pequenos, pelo menos oito máquinas estavam sendo utilizadas. Uma das paredes apresentava rachaduras. No teto, a cobertura de plástico estava cedendo. A única janela dava acesso a um dos quartos e estava fechada, com uma costureira trabalhando de costas. Esse ambiente era frequentado por três crianças.

Os auditores da área de Saúde e Segurança do Trabalho interditaram a oficina porque havia grave e iminente risco à vida dos trabalhadores. A lista de problemas começava com as instalações elétricas irregulares, com toda a fiação exposta.

“Nós verificamos o uso excessivo de benjamins – prática que não é permitida porque causa uma sobretensão muito grande. E o risco de curto e, consequentemente, de incêndios era alto”, explicou Rodrigo Vieira Vaz.

Não havia extintor de incêncio ou rota de fugas no local. Os tecidos, que são materiais inflamáveis, ficam espalhados pelo chão da oficina, dificultando até a circulação das pessoas.

A iluminação do ambiente era imprópria e, segundo avaliação dos técnicos, poderia acarretar em problemas na visão dos costureiros e costureiras. A Norma Regulamentadora 17 (NR-17) prevê iluminação especifica para este tipo de trabalho.

As cadeiras utilizadas não tinham nenhuma regulagem: eram bancos sem encostos. Até mesmo uma caixa de papelão servia para assento de um dos trabalhadores. O uso de cadeiras inadequadas pode acarretar problemas na coluna ou músculo-esquelético.

A exposição a lesões e acidentes era latente. As correias das máquinas não tinham proteção alguma. “A correia pega velocidade com o acionamento das máquinas e pode até decepar um dedo”, exemplifica Teresinha Aparecida Dias Ramos, médica e auditora fiscal que fez parte da equipe de operação. Para ela, a probabilidade de proliferação de doenças era muito grande por conta da falta de higiene e de ventilação.

A fiscalização encontrou alimentos vencidos na geladeira da oficina. A cozinha era suja e minúscula. Não havia mesas ou cadeiras para que os empregados pudessem fazer as refeições com um mínimo de conforto.

As instalações sanitárias também eram sujas e insuficientes para a quantidade de costureiros e costureiras. Os banheiros exalavam odor forte e asqueroso. O único chuveiro elétrico estava desligado por causa da sobrecarga de energia elétrica da oficina, com fiações cortadas, o que forçava os imigrantes a encarar o temido banho de água fria. O empregador não fornecia roupas de cama e toalhas de banho.

A limpeza dos dormitórios, das instalações sanitárias e demais dependências era feita pelos próprios trabalhadores, conforme escala fixada na porta de um dos banheiros. Os alojamentos eram dois dormitórios divididos por guarda-roupas de modo a criar quatro espaços diferentes, que eram divididos entre todos os trabalhadores, inclusive os casais com filhos. Eram três casais, sendo um com dois filhos e os outros com uma filha cada.

Intermediária
Durante a fiscalização, dois funcionários da Dorbyn – Rogério Luís Rodrigues de Freitas, gerente administrativo, e Maria Xavier dos Santos, encarregada de acabamento das peças produzidas – foram até a oficina para verificar como estava a produção dos bolivianos.

De acordo com levantamento da fiscalização, outras 16 oficinas informais produziram peças para a Dorbyn entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2011. Apenas a oficina da Zona Norte flagrada com trabalho escravo produziu 49,8 mil peças ao longo do período. Na prática, portanto, foi o ponto de costura que mais forneceu para a Dorbyn durante o intervalo pesquisado.

O boliviano que se apresentou como dono da oficina vistoriada disse ter conhecido a Dorbyn, no mercado desde 1979, por meio de folhetos distribuídos na Praça Kantuta – ponto de encontro de imigrantes bolivianos no centro da metrópole. Ele foi até o bairro do Brás, onde fica a sede da intermediária, e se acertou com o gerente Rogério. Passou, então, a abastecer a empresa em 2009. Segundo depoimentos, a pequena oficina costura com exclusividade para a Dorbyn pelo menos desde outubro de 2010.

À Repórter Brasil, Fábio Khouri, um dos sócios da Dorbyn, declarou que o número de oficinas subcontratadas varia de acordo com a época. O empresário não quis informar quantos funcionários a Dorbyn mantém registrados nem quantas encomendas que recebem se referem diretamente a Pernambucanas. Disse ainda que o fornecimento da oficina fiscalizada não era contínuo e que o mesmo dependia da disponibilidade do oficinista.

“Assim que ele [dono da oficina] regularizar a situação, abrir firma e registrar os funcionários, a Dorbyn continuará a ´mandar´ serviço, dependendo da necessidade”, completou. Segundo Fábio, a Dorbyn “de forma alguma” conhecia a situação dos trabalhadores. “Havia alguma semanas que não íamos lá”, colocou, sem antes reiterar que costuma auditar os parceiros que contrata para verificar em que condições as peças estão sendo produzidas.

Responsabilização
Na avaliação dos integrantes da SRTE/SP, a responsabilidade trabalhista é da Pernambucanas. Foram lavrados 41 autos contra a empresa – cada auto se refere a uma irregularidade constatada.

Segundo Luís Alexandre Faria, que coordenou a operação, a Pernambucanas não pode alegar que apenas vende – e não produz – peças de vestuário.”Os atos diretivos e empresariais são da Pernambucanas. É a empresa que determina a tendência, faz o controle de qualidade de cada peça, estipula o preço e o prazo que as peças devem ser entregues”, acrescentou. Por causa desse papel determinante na produção, foi possível identificar a subordinação reticular dos outros envolvidos frente a Pernambucanas.

A produção pulverizada das peças dos grandes magazines propicia agilidade na entrega e transfere os custos empresariais e trabalhistas para a ponta da cadeia produtiva. “Há uma demanda de consumo muito grande que deu espaço ao chamado fast fashion”, complementou Luís. O que ocorre é uma espécie de concorrência ao revés – se uma determinada oficina não aceita produzir peças a um determinado valor, outra certamente aceitará.

Após a inspeção na referida oficina de costura, a equipe da SRTE/SP também realizou auditoria contábil e in loco na sede da empresa Arthur Lundgren Tecidos S.A – Casas Pernambucanas. A partir desse trabalho, foi mapeada a cadeia produtiva das peças comercializadas pela rede – desde fornecedoras diretas , passando por confecções e chegando até as oficinas de costura quarteirizadas, inclusive com a discriminação de onde se localizam.

O resultado da primeira etapa de investigações demonstra, segundo a auditoria, que o processo de produção (costura) das roupas das Pernambucanas ocorre com total precarização das condições contratuais dos trabalhadores e dos ambientes de trabalho, resultando no desrespeito aos mais básicos e elementares direitos dos trabalhadores.

O flagrante na oficina da vez não deve ser entendido como caso isolado, como advertem os membros da SRTE/SP. Na visão apresentada por eles, as empresas interpostas, chamadas pela Pernambucanas de fornecedoras, funcionam, na realidade, como verdadeiras células de produção da empresa, todas interligadas em rede por contratos simulando prestação de serviço, mas que, na realidade, encobertam “nítida relação de emprego entre todos os obreiros das empresas interpostas e a empresa autuada”.

Em reunião com os auditores, Eduardo Tosta de Sá Humberg, gerente da Pernambucanas, afirmou não reconhecer a responsabilidade da empresa pelos trabalhadores encontrados em situação degradante, “tendo em vista que a empresa tão-somente faria a compra de peças de vestuário de seus fornecedores”. Antes de selecionar um fornecedor, a empresa alega que faz uma criteriosa análise da capacidade produtiva.

Entretanto, nenhum costureiro aparece admitido no livro de registros da Dorbyn, apreendido para averiguação. Há apenas um encarregado, um ajudante geral, um assistente financeiro, um auxiliar de limpeza, um auxiliar de manutenção, dois balconistas e um encarregado de expedição.

“A Dorbyn nada agrega ao processo produtivo das peças comercializadas e encomendadas pela Pernambucanas”, conforme o relatório da fiscalização. A empresa não possui nem trabalhadores da área de criação, nem costureiros, já que toda a produção é “quarteirizada” para oficinas de costura. Na avaliação da SRTE/SP, a Dorbyn não possui capacidade produtiva para a produção das peças encomendadas pela Pernambucanas.

Entre abril e junho de 2010, a Dorbyn vendeu 4,9 mil peças para diversos compradores, enquanto que para a Pernambucanas as vendas foram de quase 50 mil peças no total (gráfico acima). “Isso mostra a dependência da Dorbyn em relação a Pernambucanas”, explicou Luís Alexandre.

De acordo com a auditoria, a intermediária confeccionou 141,5 mil peças de vestuário, de janeiro de 2010 a fevereiro deste ano, que foram vendidas para as lojas Pernambucanas. O “fornecimento” não exigiu a contratação formal de nenhuma costureira ou costureiro em uma atividade econômica que, aliás, é conhecida pela intensiva utilização de mão de obra.

O relatório final problematiza a questão. “Esta forma de superexploração da força de trabalho, negando aos trabalhadores direitos laborais e previdenciários mínimos, dá-se com intuito de maximizar os lucros, atingindo uma redução do preço dos produtos, caracterizando uma vantagem indevida no mercado e levando à concorrência desleal”.

Após a fiscalização, os libertados receberam a guia para sacar três parcelas do Seguro Desemprego para o Trabalhador Resgatado e a Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) provisória, válida por 90 dias.

As vítimas receberam entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil de verbas rescisórias. Os valores foram pagos pela Dorbyn, totalizando R$ 44,8 mil. O total calculado pelos contadores da Pernambucanas e auditores da SRTE/SP, porém, era de R$ 173 mil. “A Dorbyn se recusou a pagar saldos de salários e outras remunerações anteriores”, explica a auditora Giuliana Cassiano.

O relatório será encaminhado à Secretária de Inspeção do Trabalho (SIT) do MTE para que seja aberto procedimento administrativo que poderá culminar com a inclusão da Pernambucanas na “lista suja” do trabalho escravo.

O magazine, que completou 100 anos em 2008, recebeu todos os autos de infração e uma notificação do MTE na última quinta-feira (31) para adotar imediatamente providências como: sanar todas as irregularidades relatadas nos autos; promover a imediata anotação dos contratos de Trabalho nas CTPS dos trabalhadores – para isso, o MTE deve tornar sem efeito as anotações já realizadas pela Dorbyn; realizar o pagamento de todas as verbas de natureza trabalhista não quitadas com os trabalhadores até o momento – inclusive salários, horas extras, entre outros; garantir alojamento decente em imóveis apropriados, com um trabalhador por quarto e uma família por imóvel; e garantir o retorno daqueles que desejarem voltar à Bolívia.

A Pernambucanas não respondeu às questões enviadas pela reportagem sobre o caso. A empresa se limitou a dizer que enviou nota em que se vale de ata da audiência realizada no último dia 15 de março, acompanhada pela Repórter Brasil, na qual afirmou – por meio de seu advogado – não estar “reconhecendo qualquer responsabilidade pelas ocorrências relatadas e que não mantém relação alguma com a oficina implicada”.

O magazine – que possui 16 mil funcionários próprios, alocados em 610 filiais espalhadas pelo país – ressaltou que segue “política de responsabilidade social que inclui o compromisso de todos os fornecedores com o respeito à legislação trabalhista e aos direitos do trabalhador”. Informou ainda que uma cláusula no contrato de compra de mercadorias em que determina que o fornecedor “não poderá se envolver com, ou apoiar, a utilização de trabalho infantil, trabalho forçado ou quaisquer outras formas de exploração ilícita de mão de obra ou, ainda, outras atividades que, de maneira direta ou indireta, atinjam os princípios básicos da dignidade humana”.

Tráfico
Foram apreendidos ainda sete cadernos com anotações de dívidas dos empregados com o dono da oficina. Há desde marcações referentes à compra de shampoo até o desconto do custo da passagem da Bolívia ao Brasil. Uma das vítimas chegou a receber R$ 238 por um mês inteiro de trabalho. Um dos cadernos também mostra outro tipo de redução no salário em virtude de peças com defeitos devolvidas pela empresa.

Muitos elementos indicam que os trabalhadores foram vítimas de tráfico de pessoas. Para Juliano Lobão, Núcleo de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de São Paulo – vinculado a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania – diversos fatores permitem tal apontamento. Entre eles, a recepção e a hospedagem dos trabalhadores pelo dono da oficina. “Isso por si só já caracteriza o crime de tráfico de pessoas, conforme definição do Protocolo de Palermo, ratificada pelo Decreto Nacional nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que institui a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”.

Além disso, foram encontrados documentos pessoais com descontos de valores ligados à hospedagem, à alimentação e a outros gastos. “Isso reforça ainda mais a exploração a qual os trabalhadores estavam submetidos. Não podemos ainda ignorar as péssimas condições encontradas no local de trabalho,e as condições de higiene igualmente ruins do local como um todo”, detalha Juliano, que acompanhou a ação. A SRTE/SP encaminhará os cadernos à Polícia Federal (PF) para apuração dos indícios.

Paralelamente, a Defensoria Pública da União (DPU) está encaminhando pedido de regularização migratória das vítimas com base na Resolução Normativa nº 93, de 21/12/2010, do Conselho Nacional de Imigração (CNIg). A resolução prevê permanência provisória no país, pelo prazo de um ano, de estrangeiros submetidos ao tráfico de pessoas.

“Quem decide sobre o pedido é o Ministério da Justiça. O Comitê Interinstitucional de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de São Paulo, que reúne várias instituições públicas com atuação no caso, também será acionado para os devidos encaminhamentos, a depender das demandas individuais de cada uma das vítimas”, relata a defensora Fabiana Galera Severo, que está cuidando do caso.

A equipe de fiscalização foi composta pelo Comitê Interestadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (ligado à Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo), pela Comissão Municipal de Direitos Humanos, MTE, PF e Ministério Público do Trabalho (MPT). Contudo, os dois últimos órgãos abandonaram a ação quando ela ainda estava em curso.

De acordo com a assessoria de imprensa da Superintendência Regional da PF em São Paulo, os três agentes que participaram da ação tinham a função “única e exclusiva” de dar apoio e fazer a proteção policial. Diante do questionamento da reportagem sobre a motivação para o abandono da ação em andamento, o assessor de imprensa do órgão se limitou a dizer que as investigações sobre o caso ainda estão internamente em andamento e a posição será apresentada assim que houver algo mais conclusivo.

O MPT também informou, por meio da assessoria de imprensa, que a investigação e procedimentos administrativos ainda estão em curso e somente após a conclusão é que o órgão se pronunciaria.

Repórter Brasil*5 de abril de 2011 às 16:49h

do Repórter Brasil

 

*A jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções

**Nomes fictícios para que a identidade dos trabalhadores seja protegida

Repórter Brasil*

 

OBAMA começou campanha para 2012 e fala do Brasil, do petróleo, de Lula e da Presidenta DILMA

Vejam o viral que o Obama lançou agorinha, na web, nos Estados

Unidos, por mais 4 anos na Casa Branca…o petróleo do Brasil é uma

das promessas dele, com direito a Dilma e Lula…

confira:

UM clique no centro do vídeo:

 

do JJ

ZIRALDO é condenado por má administração de dinheiro público / foz do iguaçu.pr

Improbidade administrativa ocorreu em festival de humor, em Foz do Iguaçu.
Artista e demais envolvidos na organização do evento podem recorrer.


Ziraldo (Foto: Ana Colla/Divulgação/Melhoramentos)
Ziraldo (Foto: Ana Colla/Divulgação/Melhoramentos)

O escritor Ziraldo Alves Pinto foi condenado pela 2ª Vara Cível Federal de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, por improbidade administrativa na realização, em 2003, do primeiro Festival Internacional do Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu (Festhumor) e no “Fantur – Iguassu dê uma volta por aqui”. O artista e os outros reús podem recorrer da decisão.

A sentença saiu em 31 de março deste ano e condenou 11 das 13 pessoas envolvidas na organização do festival. O irmão do artista Zélio Alves Pinto também foi condenado.

A ação foi movida, em 2006, pelo Ministério Público Federal e relata que o dinheiro público municipal e federal foi mal utilizado porque, segundo a sentença, para o primeiro Festhumor, houve contratações sem licitação e pagamentos em duplicidade, que corresponde a remuneração dupla pelo serviço prestado uma vez. O processo relata ainda desvio de verba no Fantur, que foi uma ação promovida pela Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu para levar jornalistas e cartunistas para cidade, com todas as despesas custeadas pela prefeitura.

A sentença proferida pelo juiz Roni Ferreira traz diferentes condenações, entre elas suspensão dos direitos políticos por até oito anos, pagamento de multa duas vezes maior do que o dano causado aos cofres públicos, a proibição de fechar contratos com órgãos públicos e ainda o impedimento dos réus receberem benefícios ou incentivos fiscais, por cinco anos.

G1 tentou entrar em contato com Ziraldo, mas o empresário do escritor, Mário Gasparotti, afirmou que ele estava fora do Brasil. Gerson Baluta, advogado de defesa de Ziraldo nesta ação, não quis se pronunciar.

Desde a criação do Festhumor, Ziraldo é o presidente de honra do festival. Em 2003, o irmão era o diretor geral do evento e a empresa dele, Zélio Arte Programação Visual, foi contratada sem licitação.

 

Bibiana DionísioDo G1 PR,TV Foz do Iguaçu

UNIVERSIDAD de SALAMANCA nomeia LULA Doctor Honoris Causa / espanha

Lula, doutor em Salamanca

La USAL nombrará doctor ‘honoris causa’ a Lula da Silva

Actualizado viernes 01/04/2011 08:12 horas

do site do jornal El Mundo, da Espanha

O Conselho de Governo da Universidade de Salamanca aprovou a nomeação de Doutor Honoris Causa a Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva, ex-presidente do Brasil, a ser submetida à ratificação do conselho de doutores. Dita distinção foi aprovada pelo departamento de Didática, Organização e Métodos de Investigação da Faculdade de Educação e pelo de Língua Espanhola da Faculdade de Filologia. Com o acordo de ambos, o diretor do Centro de Estudos Brasileiros, Gonzalo Gómez Dacal, exercerá o papel de padrinho de entrega. O professor Gómez Dacal foi o encarregado de pronunciar a defesa da candidatura Lula da Silva na sessão do Conselho de Governo.

Entre os méritos que avaliam a investidura se inclui o esforço realizado por da Silva para universalizar a educação de toda a população do Brasil, tanto no nível básico como em estudos superiores, para os quais criou um sistema de bolsas com importantes dotações orçamentárias. Igualmente, aumentou o orçamento e melhorou a situação do professorado com o objetivo de dotar o coletivo da dignidade necessária para conseguir que toda a população do Brasil, um país onde os índices de desenvolvimento e crescimento são elevados e que se já se apresenta como uma das grandes potenciais econômicas do futuro, tenha a seu alcance os melhores níveis de educação e cultura.

A proposta do Departamento de Língua Espanhola se juntou ao da Educação para assinalar como mérito o ensino obrigatório do espanhol no Brasil através da conhecida “Lei do Espanhol”. A Universidade de Salamanca será assim a primeira instituição acadêmica espanhola a realizar a proposta.

texto da universidade: http://www.usal.es/webusal/node/8227

.

FHC, zé serra, tucanos (psdb) e demos (dem) ficam desesperados com essas ocorrências. “nunca antes” alguém, presidente ou não, foi tão reconhecido internacionalmente pelas suas ações e posições como o ex-presidente-operário LULA. para eles, netos da corte monárquica, e filhos da elite escravagista e despudorada isto é inadmissível. então acusam-se, entre si, desertam, agridem e vivem de lembranças dos aureos tempos da roubalheira consentida.

EXÉRCITO MANDA QUE GENERAL SE CALE E CANCELA PALESTRA PRÓ-64

O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, com apologia ao Golpe de 1964. O tema da palestra seria “A Contrarrevolução que Salvou o Brasil”.

A apresentação do general estava confirmada até as 17 horas de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva.

Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior: “Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar”, afirmou Heleno.

O general se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente “31 de março de 1964″, mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda. Nas redes sociais, militares se preparavam para o “desabafo de Heleno”. Um oficial ouvido pelo jornal O Globo disse que o depoimento era aguardado com “grande expectativa”.

Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar. Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria.

Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período.

com informações do O Globo


APELO À MISÉRIA – de joão felinto neto / mossoró.rn

 

 

Quem me dera, miséria,

eu fosse parte

de um baluarte de sonho e de quimera.

Pela boca mantém-se assim o povo,

a lavagem é a comida que a si, dera.

Na vergonha de reconhecer-se porco,

ter o rosto metido na sujeira,

enlameado atrás de uma porteira

seu anseio é mantido na espera.

 

Quem me dera, miséria,

eu me calasse

e ocultasse o meu rosto na janela.

Meus princípios mantêm-me assim exposto.

Sou mau gosto travado na goela.

Quem engole as palavras que eu digo

traz de volta a vontade de lutar,

elas tocam a ferida no umbigo

que o conformismo já ia cicatrizar.

 

Quem me dera, miséria,

quem me dera,

que de ti eu pudesse me livrar.

 

 

GENERAL ARGENTINO É CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA POR CHEFIAR CENTRO DE TORTURAS

Ex-general Eduardo Cabanillas dirigiu centro de detenção e tortura durante ditadura

 

Leo La Valle/31.03.2011/Efe
Leo La Valle/31.03.2011/Efe

Ex-general argentino Eduardo Cabanillas (canto direito), ao lado de outros acusados, ouve sentença de prisão perpétua em tribunal de Buenos Aires

O ex-general argentino Eduardo Cabanillas foi sentenciado à prisão perpétua por dirigir um famoso centro de detenção e tortura durante a ditadura militar no país, entre 1976 e 1983. 

Três ex-integrantes do serviço secreto da Argentina também foram condenados por assassinato, tortura e prisões ilegais.

Honorio Martinez e Eduardo Ruffo foram sentenciados a 25 anos de prisão cada um e o ex-oficial de inteligência militar Raul Guglielminetti, a 20 anos.

Cerca de 200 ativistas de esquerda foram sequestrados e levados para a prisão secreta que tinha como fachada um oficina mecânica (Automotores Orletti), em Buenos Aires, durante a ditadura. A maioria das vítimas era de uruguaios, mas também havia chilenos, bolivianos, peruanos e cubanos.

Milhares de argentinos foram torturados e mortos em outros centros mantidos pelas Forças Armadas do país.

Os crimes foram parte da Operação Condor, uma campanha coordenada pelos governos de países da América do Sul para eliminar os movimentos de oposição nas décadas de 1970 e 1980.

Essa operação foi criada em 1975 por autoridades militares de Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo era silenciar a oposição enviando equipes para outros países para encontrar, monitorar e matar os dissidentes.

Cerca de 30 mil pessoas foram mortas ou desapareceram nas mãos das Forças Armadas durante o regime militar na Argentina no período conhecido como “Guerra Suja”.

Bebês roubados

Macarena Gelman, cujos pais ficaram presos na prisão secreta e no centro de tortura, aprovou as sentenças.

– É um pouco de justiça, quando precisamos tanto. 

O pai de Macarena, Marcelo Gelman, foi morto depois de ser levado para o centro de tortura e seu corpo foi jogado em um rio, em um tambor preenchido com cimento.

A mãe, Maria Claudia Garcia, que estava grávida quando foi sequestrada, foi levada depois para o Uruguai e desapareceu.

Macarena Gelman nasceu enquanto sua mãe estava presa. Ela foi criada por um policial uruguaio até descobrir sua verdadeira identidade, o que ocorreu apenas no ano 2000.

BBC Brasil

PAULO HENRIQUE AMORIM: porque o Brasil precisa da LEY de MEDIOS / são paulo

“Se não houver marco regulatório, o PIG vai tentar derrubar a Dilma”, afirma o jornalista.


Paulo Henrique Amorim é um dos mais respeitados jornalistas do país.

O jornalista Paulo Henrique Amorim é, indiscutivelmente, uma figura polêmica. Bastou ser anunciado como o palestrante do I Ciclo de Debates Nordeste VinteUm/2011, realizado em fevereiro, na capital cearense, para despertar o interesse de estudantes de comunicação, profissionais de mídia, políticos e curiosos, que disputaram espaço no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) para ouvi-lo falar sobre Mídia: Regulação e Democracia. O evento faz parte da estratégia do PH de disseminar, em suas andanças pelo país, ideais de liberdade de expressão e democratização da informação. Pode-se dizer que é uma autêntica cruzada nacional contra o Partido da Imprensa Golpista (PIG), expressão que ele confessa ter sido uma apropriação indébita de uma ideia do deputado Fernando Ferro (PT de Pernambuco), num desabafo contra os grandes veículos de mídia nacionais. Formado em Sociologia e Política, este carioca, filho de nordestino, é hoje uma das principais estrelas da Rede Record de Televisão e tem no currículo passagens pelo Jornal do Brasil, Rede Manchete, Editora Abril, Rede Globo, TV Bandeirantes, TV Cultura e os sites Zaz, Terra, UOL e iG. Mas é no blog Conversa Afiada que PH Amorim combate o que órgãos da imprensa, blogs políticos e ele próprio tacham de PIG. Segundo Paulo Henrique Amorim, fazem parte do PIG os conglomerados Globo, Folha e Estadão. “A Veja não está nesta categoria, pois é uma categoria à parte. Ela não é um órgão de comunicação, mas um detrito de maré baixa”, disse ele durante o Ciclo de Debates. Foi assim, afiado, que o jornalista concedeu entrevista exclusiva à Nordeste VinteUm, na qual comenta aspectos do governo Lula, expectativas para o governo Dilma, os 27 processos que responde por parte do banqueiro Daniel Dantas “e assemelhados”, além da urgência da chamada “Ley de Medios”, o marco regulatório, que pretende criar mecanismos para combater a concentração midiática do País.

Paulo Henrique Amorim, qual a principal influência que o PIG exerce no Brasil?

Formar a agenda (os assuntos discutidos no País), mas ele não tem mais o poder de determinar o curso dos acontecimentos. Seu poder se reduziu bastante. No entanto, ainda diz o que deve ser discutido. O que se comentava na Globo é que o Roberto Marinho costumava dizer que “o importante não é o que eu dou, o importante é o que eu não dou”. Ou seja, ao definir o que “dar”, o que noticiar e o que não noticiar, ele tomava uma atitude política. E é assim que a Globo formula a agenda do País. Não discute certos assuntos para discutir outros. Esse é um poder muito forte. Agora repito: é bom esclarecer que o PIG já foi mais forte. A capacidade de influenciar já foi bem maior. Hoje é uma capacidade decrescente.

Dê um exemplo.

Outra dia, enquanto eu navegava no Blog da Dilma, vi que o Daniel (jornalista Daniel Bezerra, criador do blog) teve uma solução muito inteligente: noticiar a festa dos 90 anos da Folha (jornal Folha de São Paulo) como o pré-velório da Folha. A Folha de São Paulo já foi muito mais importante e incisiva do que é hoje. No entanto, quando ela determina o que pode e o que não pode chegar ao conhecimento da opinião pública, ela tem o poder de abafar, ou seja, o PIG abafa, não deixa que o Brasil discuta o Brasil. Tem um navegante no meu blog Conversa Afiada que diz sempre: “O Brasil não sai na Globo”. O Brasil não vê o que está acontecendo no Nordeste, não vê o que está acontecendo em matéria de obras de infraestrutura, o que está acontecendo com a ascensão social. O Brasil não vê que em 8 anos, durante o governo Lula, foi feito em matéria de redução da pobreza o que teoricamente teria que ser feito em 25. O Brasil fez um esforço espetacular para reduzir a pobreza e conseguirá atingir o objetivo da presidenta Dilma Rousseff, que é acabar com a miséria. Esse debate não é um debate que se trava no PIG. Por isso que ele ainda tem esse poder discriminatório. O PIG pauta as rádios do interior, jornais do interior e outros portais. Mas com o aumento do consumo de computadores – no ano passado houve um aumento de 23% na venda de computadores no Brasil, o que é espantoso –, o poder do PIG diminui progressivamente. Contudo, não há como negar que esse poder ainda é considerável.

E como você assiste ao insistente preconceito de outras regiões contra o Nordeste?

Sou filho de um baiano e casado com uma baiana. Nasci no Rio de Janeiro, moro em São Paulo. Aqui sou testemunha do preconceito muitas vezes explícito contra o nordestino. A elite paulista é uma elite separatista, que gostaria que São Paulo se desligasse do resto do Brasil. Isso é produto do preconceito e nasce em boa parte do preconceito das próprias elites nordestinas contra os próprios nordestinos. Faz parte de uma estratégia econômica, que é tornar o nordestino a mão de obra escrava. Isso assusta muito. Assusta inclusive essa classe média ascendente, quando ela descobre que o mecânico da oficina em que ela vai consertar o carro pode ter um carro melhor do que o dela. Aí ela fica desesperada e, se aparece um cara dizendo que isso é por causa da Dilma, e que a Dilma é a favor do aborto, essa classe vai lá e vota na Marina Silva. Agora, quanto mais instituições, como a revista Nordeste VinteUm e o Ciclo de Debates do qual tive a honra de participar, sacudirem a poeira e mostrarem a contribuição do Nordeste para o Brasil, melhor. Eu estava conversando com minha mulher (jornalista Geórgia Pinheiro – diretora do blog Conversa Afiada) e disse: “Olha, existem três grandes brasileiros de curso internacional: Josué de Castro, Celso Furtado e Paulo Freire. Três nordestinos. O pensamento neoliberal, a direita brasileira do Sudeste e a direita paulista não produziram sequer um quadro brasileiro de trânsito internacional. Fernando Henrique Cardoso é um blefe. José Serra não escreveu um único livro. E o engraçado é que tem a fama de ser um economista competente. Nem diploma de economista ele tem. Eu costumo dizer que esses tucanos de São Paulo, se não fosse o PIG, não passariam de Resende, aquela cidade que divide o estado do Rio de Janeiro e o de São Paulo. Eles ficariam presos lá.

Durante o Ciclo de Debates Nordeste VinteUm, você afirmou que, apesar dos avanços em vários aspectos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enfrentou o PIG. Acredita que com a presidenta Dilma Rousseff será diferente?

Eu tenho mais fé do que esperança. Os americanos têm um ditado: “O que é, é o que você vê”. Perceba: a presidenta Dilma manteve o ministro da Defesa Nelson Jobim, que no Conversa Afiada chamo de ministro Nelson “John Bim”, pois ele é um informante da embaixada americana, como mostrou o site Wikileaks. Ela tem no Ministério da Justiça um advogado do Daniel Dantas, que é o ministro José Eduardo Cardozo, conhecido pela turma do Dantas como “Zé”. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, trata a questão da “Ley de Medios” quase como se fosse uma coisa pornográfica. Ele trata com muito pudor, muito recato, muita dificuldade. E finalmente a presidenta foi à tal festa dos 90 anos da Folha. O “pré-velório”. Se quiser, ela tem várias explicações plausíveis para isso. Por exemplo: que ela é chefe de Estado. Mas como chefe de Estado ela não pode esquecer que a Folha inventou uma ficha policial falsa dela. A Folha fraudou uma ficha policial da presidenta e isso é uma questão de Estado. Então eu acho que a ida dela à festa da Folha é um mau indício, que se soma aos outros que acabei de mencionar. Pode ser o perfil do Lula. Eu espero estar redondamente enganado e que ela a certa altura diga: “Olha, eu fui à festa da Folha, vou à festa da Globo, pois defendo a liberdade de expressão, a liberdade de expressão é intocável. E agora vou fazer a regulação da mídia”. Espero que eu esteja redondamente enganado e ela redondamente certa.

E caso não ocorra o marco regulatório, o que esperar?

Se não houver marco regulatório, o PIG vai tentar derrubar a Dilma com muita eficiência. O PIG e o Jornal Nacional vão operar a sucessão da presidenta Dilma Rousseff com uma fúria indescritível. Nós ainda não vimos nada. Essa campanha sórdida e calhorda, como disse o grande cearense Ciro Gomes, ao se referir à “campanha contra o aborto” desfechada pelo José Serra durante as eleições, será ultrapassada em “calhordice”. A Dilma vai sofrer se não houver o marco regulatório. O que também poderá ser uma consequência lamentável é que se não houver um sistema mais aberto, transparente, livre e democrático de comunicação será muito fácil manipular a classe C na sua rápida ascendência, levando-a a uma plataforma moralista e paranoica. A nossa sorte é que “quem nasceu para José Serra nunca será Carlos Lacerda (renomado jornalista e político brasileiro)”, frase boa e que não é minha, é do Brizola Neto (blogueiro). O Serra nunca será o Lacerda. Mas sempre será possível tentar explorar o lado paranoico moralista de toda a classe média. E o Lula oportunizou a criação de uma gigantesca classe média. Se o PIG continuar tendo a importância que tem através, inclusive, da manipulação que a Globo protagoniza, é possível que essa classe média do Lula se torne “Berlusconiana” (referência a Sílvio Berlusconi – empresário e primeiro-ministro da Itália), ou seja, ela caia no conto do vigário da “calhordice”.

Paulo Henrique, você se arrepende de ter trabalhado na Rede Globo e na revista Veja?

Não. Na Veja eu trabalhei com a equipe pioneira dirigida pelo Mino Carta, que é o maior jornalista brasileiro. Foi com quem aprendi o “bê-á-bá” dessa profissão. E me orgulho muito de ter feito parte daquela equipe. Aprendi ali e procuro até hoje me guiar por algumas instruções elementares que o Mino transmitia para aquela equipe de jovens que tinham a faca entre os dentes, tentando fazer o melhor jornalismo possível do Brasil. Eu fui trabalhar na Globo porque saí do jornalismo escrito, percebi que o jornalismo escrito era decadente, com salários cada vez menores. Eu saí da direção de redação do Jornal do Brasil, fui mandado embora, e fui trabalhar na TV Manchete, que também estava em crise. Ela comprou, através do chefe do escritório em Brasília, o Alexandre “Maluf” Garcia (jornalista Alexandre Garcia, hoje comentarista da Rede Globo), a candidatura do Paulo Maluf. Mas o Maluf perdeu e a Manchete ficou órfã, foi quando eu fui convidado para trabalhar na Globo. Fui para fazer uma coluna de economia, fiquei pouco tempo nessa função e fui então dirigir o escritório da Globo em Nova York, um dos períodos mais estimulantes da minha vida de repórter.

Qual sua avaliação sobre o efeito prático das Ações Diretas de Inconstitucionalidade por Omissão? (As ADOs são tentativas do professor Fábio Konder Comparato para que o Supremo Tribunal Federal julgue “por omissão” o Congresso Nacional por não legislar sobre três capítulos da Constituição de 1988 que tratam da Comunicação).

O efeito prático disso é nulo. Digamos que o Supremo acate a argumentação do emérito professor Comparato e diga que de fato o Congresso se omitiu. Isso talvez não provoque nem mesmo um piscar de olhos no presidente do Senado, José Sarney, por exemplo, que dividiu a presidência da República com o Roberto Marinho.

Bom, você é conhecido por dizer o que pensa. Como enfrenta os 27 processos que possui?

Pagando. Na verdade, sou processado por Daniel Dantas e seus assemelhados. Pessoas que são ligadas afetivamente, financeiramente e ideologicamente a ele. E tenho vários motivos para acreditar, assim como meus dois advogados, que Daniel Dantas articulou uma ofensiva de processos contra mim para me calar pelo bolso. Isso não vai acontecer porque não tem como me calar pelo bolso, inclusive porque, graças a Deus, que me beijou na testa, eu tenho fonte de renda que me assegura a possibilidade de, com dificuldade, comendo o pão que o diabo amassou, pagar os advogados.

O que poderia dizer sobre a suposta conexão do Daniel Dantas com o PIG?

O Daniel Dantas e o PIG têm uma relação carnal. O “Sistema Dantas de Comunicação” literalmente remunera órgãos de comunicação, colunistas e instituições jornalísticas que, na verdade, são lobistas e organizações de grupos de pressão. E tudo isso fica atrás do biombo da imprensa. Existe um sistema invisível subterrâneo que me permite supor que a relação do Dantas com órgãos de imprensa e jornalistas seja uma relação muito profunda. O Dantas inovou no Brasil, como disse o delegado Protógenes Queiroz ao longo das investigações da Satiagraha (operação da Polícia Federal Brasileira contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro, resultando na prisão de banqueiros, diretores de banco e investidores, em 2008). Ele inovou porque não comprou só o dono do órgão de imprensa; ele comprou também os jornalistas. Botou dinheiro em cima e embaixo, é o que diz a Satiagraha. Ele tem uma cobertura benévola, é tratado com tapete vermelho. Dão a ele o tratamento que Fernando Henrique Cardoso lhe dá. FHC chama ele de brilhante. É assim que o PIG trata o Dantas.

O delegado Protógenes Queiroz agora é deputado federal. Arrisca uma opinião?

Uma coisa é você fazer jornalismo escrito e fazer televisão. Nesse raciocínio, uma coisa é você ser delegado de polícia e ser deputado federal. Nem todo mundo que faz jornal escrito consegue fazer televisão. Nem todo delegado consegue ser deputado federal. Então, vamos ver se ele consegue se tornar um eficiente deputado federal. Eu faço votos. As primeiras manifestações dele são alvissareiras. Ele tem alguns projetos interessantes: reforma do código de processo penal, por exemplo. Alguns, ele já transformou em projeto de lei, como aumentar a punição para os criminosos de colarinho branco. Agora, daí a isso prosperar e progredir na tramitação da Câmara, há uma grande distância. Espero que ele reproduza o brilho e o empenho da qualidade do trabalho dele como delegado.

E qual a relação do Daniel Dantas com o PT (Partido dos Trabalhadores)?

O ministro José Eduardo Cardozo, que é do PT de São Paulo, trabalhou para Dantas. Ele advogou para o Dantas e chegou a ir à Itália a fim de defender os interesses do seu cliente junto à “turma”. Imagino que seja um pessoal de “padrões morais elevadíssimos” a turma do Sílvio Berlusconi, que o Dantas tinha lá uma divergência. No meu blog Conversa Afiada, eu falo sobre isso. (No blog, PH Amorim afirma que passou a receber informações de alguém que se identifica como “Stanley Burburinho II”, um “especialista” em “camas de gato”. Alguns documentos destacam que José Eduardo Cardozo tinha um canal direto com Humberto Braz (ex-presidente da Brasil Telecom), condenado à prisão por corrupção com Daniel Dantas na Operação Satiagraha. Mais recentemente, PH Amorim publicou texto no Conversa Afiada sobre o que considera a “tucanização” do PT. “Como diz o Mino Carta, o mensalão ainda está por provar-se. Tem cara de ‘caixa dois’ de campanha e não de mensalidade. Porém, está claro que o PT tucanizou-se, DEMOnizou-se e entrou no jogo do financiamento ilegal de campanhas. Como fez Eduardo Azeredo, em Minas, ex-presidente nacional dos tucanos. E se repetiu nos escândalos do Arruda, do DEMO, de Brasília, aquele que, segundo Alexandre Maluf Garcia, formaria com “Cerra” a chapa vitoriosa ‘vote num careca e leve dois’. O que se impõe ao PT é fazer a mea culpa. Errei, sim! E só readmitir o Delúbio depois de julgado. Delúbio e José Dirceu são o valerioduto pelo qual o dinheiro de Daniel Dantas engordou o PT. As empresas de Dantas em Minas faziam contratos milionários de publicidade no valerioduto e o dinheiro chegava ao PT. Como, no passado, chegava ao PSDB. O passador de bola apanhado no ato de passar bola contaminou todo o sistema político brasileiro. E o PT não terá autoridade moral para falar em honestidade, transparência ou reforma eleitoral enquanto não abrir as contas do Delúbio com aquele a quem chamava, na CPI dos Correios, de ‘dr. Carlinhos’. Carlinhos, como se sabe, foi cunhado de Daniel Dantas e até hoje é seu abre-alas. O Carlinhos é amigo íntimo do ex-senador Heráclito Fortes, que o povo do Piauí preferiu desempregar (…). Se o PT readmitir Delúbio na reunião do diretório nacional, em abril, aplicará a Lei da Anistia a Daniel Dantas e a seu fiel escudeiro, o dr. Carlinhos. E viva o Brasil!

Você se define um blogueiro ansioso. Como avalia o papel das novas mídias?

Eu sou um beneficiário delas. Criei uma nova natureza, um outro Paulo Henrique Amorim, fazendo o meu blog Conversa Afiada. Eu, que era um jornalista limitado no ambiente do jornalismo escrito e depois no jornalismo de televisão, com o tempo, graças a Deus, me tornei também um jornalista de internet. É uma nova natureza e um novo espaço no qual espero permanecer até me aposentar daqui a muitos e muitos anos.

Paulo Henrique, apesar de ressaltar a importância do papel das novas mídias, você destaca que sozinhas elas não fazem revolução. Poderia explicar melhor?

Temos que colocar a internet, as novas mídias e as redes sociais na devida perspectiva. Elas são muito importantes para transmitir informação, esclarecer, divulgar verdades, destampar panelas, dar espaço à indignação da crítica, para a irreverência, para o bom humor. Elas têm um papel muito grande de aglutinação. Para combinar encontros, reuniões, passeatas e assim por diante. Agora isso não faz revolução. O que faz a revolução é a articulação política. Não podemos transformar as mídias sociais nos novos protagonistas. Isso seria muito bom para a indústria de telecomunicação. Seria muito bom para o pessoal da telefonia móvel, para os donos do Google e Facebook, todo mundo acreditar que eles agora são mágicos, que são capazes de reinventar a história. Isso é uma balela. Só faz eles ficarem mais ricos. Também não é verdade que eles sejam o novo Lawrence da Arábia, que eles chegam lá no Oriente Médio e o redesenham como fez o coronel inglês no início do século passado. Não é verdade. O que faz revolução, o que faz a mudança, é a sociedade, é a articulação, é o germe do partido político.

E o futuro da banda larga?

Brilhante, que pode ser usado para a educação, para a distribuição da informação. Agora, de novo, não é a fórmula mágica.

 

Priscila Lobregatte
Fonte: Nordeste VinteUm

 

 

JAZZ SESSION – de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

 

 

 

 

Minha alma

tem um revólver carregado

com seis peixes de prata

e toureia um Minotauro

e apanha pássaros com uma  rede de pesca

e vê guardas ingleses treinando

para serem homens estátuas nas praças.

 

E imagina árvores que no lugar de folhas

tem lambaris

brilhando ao sol.

e o vento e o vento

minha alma gosta de viajar

agarrado nas crinas do vento

de hoje até ontemotem

e grita.

Um corte no indicador de um escritor e como corte na língua.

 

Minha alma vai indo fluindo

fluindoevindo

 

Visita à lua crescente,

abre a boca e se amamenta

de um raio solar.

e viu Deus

e ele espalitava os dentes.

viu

marcianos e eles comem apenas

folhas de eucalipto como coalas

e também quis

brincar de moldar

genes de leões.

Leões em miniatura,

leões negros,

leões camaleônicos,

leões bioluminescentes,

leões coloridos,

mega-leãos,

leões malhados,

leões poodle.

 

 

Minha alma é errante toca em tudo.

 

Entra nas cobras,

entoca-se no cerne das árvores,

nos rios,

em balaios kaikanges,

dentro

de uma andorinha em migração,

dentro de um abutre

e consegue comer como carniça com gosto.

Minha alma entra

numa orquídea e explode em flor.

 

Cavalga no centauro Gerridae

pelos sete mares.

No grifo Actias Luna

que voou em torno do sol

até morrer.

 

Minha alma viu

o caçador levar a anta abatida

nas costas até o shopping center,

estaquear e a carnear e comer.

 

 

Minha alma sentiu

e gritou:

Beethoven, Beethoven!

como deve ter sido difícil

e pesado levar dentro

do peito a nona sinfonia,

deve ser como ter uma tempestade no peito

se debatendo dentro do útero,

chutando a barriga.

Que alivio quando finalmente nasceu.

 

Os olhos de minha alma.

Os olhos de minha alma.

Grudam nos livros,

tromba de pernilongo

sugando, sugando o sangue dos livros.

Mãos de carrapato grudam na capa dos livros e não querem mais soltar.

Hematófago,

o vampiro Desmundos lambe livros com sua anti-coagulante secreção,

suga, suga a essência dos livros,

seus eflúvios,

seu ectoplasma,

minha alma se alimenta dos livros

e passa para eles doenças sexualmente transmissíveis.

 

E os olhos de minha alma engolem

programas de televisão

revistas, viagens, seios,

e transformam tudo em poesia.

 

 

 

Minha alma tem sede de poder,

quer tudo o que é belo,

quer demarcar meu território com urina

em qualquer arvore bonita,

qualquer montanha elegante,

ou por de sol cor de rosa.

 

Minha alma sabe

de um boi que caçava galinhas.

Se uma galinha

passava perto dele

virava pasto.

 

E que o ditador Somoza

comprou uma estatua eqüestre de Mussolini,

em promoção depois da deposição do Duce.

retirou a cabeça de Mussolini da estátua

e colocou uma sua.

E acha que radiografia é pop

porque já olhou para radiografias

com garrafas de Coca-cola no reto,

com souvenir da torre Eiffel

e da torre de Dubai,

com casulos de cocaína,

com réplicas da Apolo 11,

e miniaturas de mísseis nucleares enfiados no intestino.

 

Minha alma sonha

que no Amazonas caçadores perseguem

onças e sucuris

com uma matilha de carrancas.

 

Minha alma inventa

um isqueiro com um dispositivo

que segure a chama e possa ser usado como vela.

 

E diz

que muitos problemas emocionais

acontecem  quando se tenta domar

a emoção pela brutalidade

e pela obediência cega a razão.

Às vezes temos que levar a emoção para passear

alimenta-lá bem, dar carinho.

Se a emoção ficar presa,

se você bater nela

e a deixar com sede de sexo,

sua emoção vai morder sua mão,

e morder seu cérebro macio,

arranhar seu coração

como um gato angustiado o sofá.

 

Minha alma pensa

em jazz enquanto como gabirova,

pensa em jaz enquanto chupo cana

e também consegue pensar em assobio

enquanto chupa cama

e afirma que lavagem intestinal cura disenteria.

 

Minha alma,

minha alma,

encosta o ouvido num cabo de aço que segurava um poste

e toca a corda como quem toca um contrabaixo

e escuta um som que parece um lazer

dos filmes ficção científica.

 

 

Minha alma gosta

de andar pelas ruas tocando harpa nas grades das casas

prrrrrrprrrrprrrrrrrrr pla pla pla pla.

 

Cada grade tem uma música diferente.

E também de

lamber pedaços de madeira.

Quer saber que gosto tem as árvores e não só os frutos.

sabe que o pinheiro tem gosto de resina,

guabriuva é amarga,

que cedro e marfim lembram palmito.

 

 

E o cheiro da folha de figo

e parecido com o gosto da fruta.

 

E flor de mamão tem um refinado perfume

cheiro de fruta e de flor juntos.

 

E acha

que joaninhas verdes metálicas

ficariam ótimos como brincos.

 

De repente minha alma

que estava pensando em joaninhas,

cria sabores de refrigerantes,

refrigerante sabor de folha de bergamotas,

refrigerante de pitanga,

refrigerante de guabiroba e araçá,

refrigerante de cidreira,

refrigerante de pequi,

de caraguatá,

 

E vai para qualquer

descaminho,

com as pernas na terra,

mas braços

sempre tentando alçar vôo

sem conseguir.

Porém os olhos,

sempre,

os olhos,

gostam de seguir aviões.

 

 

Minha alma,

minha alma,

quer fazer

um teatro em preto e branco

ou um filme colorido

onde o cenário, as pessoas, o figurino.

tudo

tudo

é preto e branco.

E ver

uma baleia azul cruzar a cidade

voando e cantando,

lenta como um zepelim.

 

Minha alma me pergunta

será?

será?

Se conseguirmos por uma cabeça de um velho

no corpo de um jovem,

será que o corpo vai envelhecer?

ou a cabeça vai rejuvenescer?

ou ambos vão continuar distintos?

 

Minha alma quer fazer parques temáticos.

 

A cidade de Pedrok, dos Jetsons, do Asterix.

A cidade dos super-heróis da Marvel, da DC Comics.

com vilões e heróis lutando nas ruas.

Cidade dos gangsteres, com bares de jazz

e um escritor beat escrevendo sem parar,

tocando sua maquina de escrever

como se fosse um piano.

Cidades romanas, com hotéis e bordeis, e luta de gladiadores.

Uma cidade submersa imitando uma quadra de Nova Iorque,

onde só se pode entrar com submarinos ou trajes de mergulho.

 

 

Nada de partenogênese hoje.

 

A alma quieta,

quieta,

nada, nada.

Fumo um cigarro e nada, nada.

partenogênese me vem esta palavra,

procuro metáforas e nada, nada.

saio, vejo o Beto, pensei em fazer poesia sobre o Beto,

mas não da,

Porque o Beto viu disco voador, mas não foi abduzido,

e ainda tenho que ir ao banco.

O Beto

parece um desses imitadores de Jesus.

Nada, nada,

poema sobre o Beto não da,

Beto é um nome que não cai bem para um poema.

Um gole de água,

sem sede, nada, nada.

Penso em cavalos, ventos, brincos, no Beto.

Nada,

nada,

estou seco, sem alma,

a alma deve ter ido brincar em alguma chuva distante.

A mão batuca a mesa,

cavalgo com os dedos,

Vou ao banheiro,

Sento novamente,

sinto dores na nuca, coceiras.

Nada,

nada,

o pensamento esta imerso na escuridão.

Coço as costas, acaricio a fronte,

mais um gole de água, ginástica facial,

Vou pegar um outro cigarro,

parece insônia

debato-me,

e nada, nada como falta de sono

nada se idéias,

nada de tema

nada

penso em avião, no Beto, não no Beto não adianta não dá poema.

O telefone toca,

O subconsciente não está para

peixes bioluminescentes.

Esta tedioso,

o milagre da multiplicação dos peixes profundos

não acontece,

raiva,

soco na mesa, coceira, dores,

Nada disso acontece quando

quando consigo escrever.

Sem alma

sinto-me um ídolo de pedra

e ninguém devia ler

o que um ídolo de pedra escreve,

seria idolatria.

Olho meu sapato,

preciso comprar outro

o tempo passou hora do almoço,

outro dia, minha alma foi passear sem mim.

Vi meus e-mails,

Estou perdido,

cérebro sem pensamentos

é um celebro com cegueira, é tudo escuro.

Acendo um cigarro,

sinais de fumaça para minha alma me localizar,

 

 

nada de idéias,

nada,

nada,

 

A minha garrafa ou mar foi engolida por uma baleia.

Jonas, Jonas volte para tua caverna estomacal

e leia esta mensagem.

 

O telefone grita como gato esfaqueado,

bebe com fome

e quer ser atendido,

procura as glândulas mamarias de minha orelha.

 

Minha alma voltou,

minhaalma voltou,

estou fluindo e vindo.

Minha alma me leva,

alimenta-me de estrelas,

de flores com néctar.

 

E me conta

Que a criação sempre surge antes da realização

portanto a criação esta sempre um passo a frente do real.

A criação é o objetivo do real.

E que as fantasias sexuais que um casal tem quando fazem sexo

é uma evolução da masturbação.

E posições sexuais acrobáticas são para casais sem imaginação

é que seu melhor parceiro sexual

e aquele que você pode partilhar todas suas fantasias.

 

Minha alma assiste televisão

a lutas,

corridas,

feras,

panis et circus televisivos

 

Minha alma me diz enquanto vou comprar pão:

 

Não tenho medo de alturas,

temo é minha vontade de me jogar,

pareço estar sendo puxado por algo magnético,

sempre que fico perto de uma platibanda ou sacada.

 

 

 

 

Se temos o mesmo antecedente primata dos chipanzés

e os chipanzés têm apenas os pelos negros,

mas as peles deles não são apenas pretas,

pois há muitos chipanzés de pele branca,

então, teoricamente os primeiros homens africanos

também poderiam ser pretos e brancos e não só negros.

 

Minha alma pensa enquanto

olha as lajotas hexagonais,

lajotas quebradas por uma raiz de arvore,

cigarros mortos no caminho,

Minha alma se lembrou quando estava na praia

e fui a uma padaria.

Entra

e olho para os pães de queijo murcho como uma teta velha,

achar de asco,

pede 10 pães franceses,

troco em chicletes Plets tutti-frutti,

e volta olhando as lajotas hexagonais.

 

Minha alma pensa

 

em um tiro no coração que explode como um vaso com rosas.

 

Minha alma gosta

de ver atrás dos quadros,

olhar a armação da tela,

as madeiras, os pregos,

gosta de ver as costas dos quadros.

 

Quer fazer um a exposição com telas viradas.

pintar telas viradas.

E diz,

Louvre

já cansei de ver a cara de Rembrandt,

virem à tela de costas,

coloquem a Monalisa em decúbito ventral.

 

 

O olho cheio de alma

chega antes.

 

O Hubble,

olho da humanidade,

chegou antes em Andrômeda.

O olho passeou por super novas.

O olho, já viu galáxias.

O olho pode ver o centro do sol sem se queimar.

O olho pode rondar sobre um buraco negro.

Que os outros sentidos

morram de inveja.

E por causa dos oceanos e da terra

o nosso planeta deve ter

gosto de uma lágrima

de lavrador.

 

 

Minha alma,

minha alma,

sonha

dar movimentos a fotografia

e parar filmes,

pintar estátuas,

esculpir quadros e músicas.

Sim, minha alma já experimentou muita coisa,

entalhou ventos e mares,

moldou um raio de sol,

um canto de canário

e um grito de dor,

nadou no aço

e pescou peixes fossilizados dentro de pedras.

 

E descobriu

que todas as estátuas de santos

que choram e sangram

foram feitos de madeira

retirada

dos instrumentos da inquisição.

 

Então

tirou um galho de uma coroa de espinhos

e fez

uma caneta

com a qual escrevo todos os poemas

que me dita.

Sou o escriba

de minha alma.

 

 

 

 

 

Com minha alma

 

cavalguei em um casal de libélulas azuis

enquanto acasalavam.

 

Cavalguei

em um garanhão

enquanto montava uma égua.

 

Minha alma me mostrou

leões caçando

atuns em um recife de corais.

 

Tubarão branco matando

uma zebra na savana africana.

 

Golfinhos se alimentam

bandos de estorninhos em evolução.

 

Com minha alma sonhei

que meus dedos se multiplicavam e viravam teclas

de marfim,

e vísceras cordas e ossos engrenagem,

e meu corpo e corpo do piano.

Que reencarnei como um piano,

desses que ficam no canto de uma sala

sem serem tocados.

 

Minha alma

é livre e afaga cães

e diz o que pensa.

 

Poetas discutem nomes

numa guerra inútil de conhecimentos.

A criatividade é a espada do poeta,

não o conhecimento,

o conhecimento é sua faca.

E

O artista louco ganhou respeito

desde Van Gogh, Artaud.

O poeta que não deciframos,

a tela que não compreendemos

deixa-nos ansioso,

em duvida,

todos ficam sem saber se o que vem

é loucura ou genialidade.

Mas o artista louco é muitas vezes só um louco,

não um gênio louco.

O louco

também pode ser apenas um idiota

 

 

Vento, vento, vento,

minha alma quer ir com o vento,

o seguro com um cordão umbilical.

 

e com um óculo escuro

entardece o meio dia.

 

Minha alma

 

flutuando

gosta de ler                   pelo escritório.

E grita:

Ler um poeta e incorporar sua alma.

Vejo Minas com as mesmas retinas de Carlos

e recife com a mesma exatidão de Cabral.

 

Canta Patativa, canta,

que depois que te li, teu sertão é também o meu.

 

Quero quando me ler,

que as guaxunbas,

as gabirobas,

as casas azuis,

que as pingas com cidreiras nas bodegas,

as pingas com milome

sejam minhas.

E quando

cavalgar numa pedra de avalanche,

cavalgar num tsunami,

lembrem de mim.

 

 

Minha alma

notou

aquele que só consegue ser ele mesmo

disfarçado e com nome falso.

 

E como está cansada

inveja até

cobra morta que parece descansar

enrodilhada

dentro de um vidro de formol.

 

 

Minha alma

delfim gosta

de brincar na chuva,

se lambuzar de água-doce,

ver a cidade incrustada

e as ruas espelhando céus.

 

Minha alma gosta

de nadar entre os arabescos dourados das músicas de Bach.

 

Entre os corais na primavera

e depois fumar uma nebulosa.

 

Minha alma

mesclou-se com o vento

e brincou com uma folha no outono.

 

Contorceu-se em redemoinhos

atravessando um cemitério abandonado.

 

Em viagem astral

minha alma,

minha alma,

já foi pintar desertos americanos,

os creosotes e cactus

e ao fundo a parte de traz dos de motéis,

e depósitos com pneus velhos,

lanchonetes, postos de gasolina.

Pintava ouvindo os automóveis passar

e bebia sua areia com gelo

e sobrevoou com abutres a procura

de carniça no asfalto quente.

Morou em trailers prateados

escrevendo poemas tristes,

esvaziou uísque e jogou

as garrafas com mensagens

ao céu.

Tinha a geladeira cheia de cascavéis e enlatados

dormia sobre um sofá rasgado em

frente a uma TV preto e branco,

ouvindo apenas os pulsares.

De madrugada discos voadores

perturbam seu sono.

Andava pela noite ouvindo

o coração e dissecando

cada pedra do Mojave

e voltava pela manhã apenas música.

 

 

Viagem astral,

viagem astral,

minha alma,

minha alma passa

por distritos industriais com cheiro de cinzeiros,

com imensas catedrais de aço

ligadas por tobogãs com feridas de ferrugem.

Motores e máquinas que parecem

tubulações intestinais,

é possível ler a sorte

em suas vísceras expostas.

Alguns corvos sentam

em seus galhos metálicos.

Há apenas algumas árvores empoeiradas

como artefatos em uma tumba.

Sirenes uivam, gemidos

e ranger de dentes,

o choro das engrenagens, caldeiras e seus guizos.

Containeres como legos nos pátios.

Abutres que comem ferro podre

rondam a putrefação bio mecânica.

Telas eletrificadas como

velhas como meia-calças desfiadas,

como redes de pescas velhas e rasgadas.

 

 

Minha alma

continua,

minha alma não para.

 

Minha alma,

minha alma

joga uma pedra no ar

e a pedra se transformou em pomba

que continuou a voar

e fez ninho,acasalou,ensinou seus filhos a voar.

A pedra-pomba procurou frutas,

comeu milho nas praças

e restos de pipoca.

Minha pedra pousou nas platibandas

e num entardecer, caiu e morreu.

Sua carne e penas foram reaproveitadas

mas os ossinhos lindos ficaram em um canto da praça,

delicados em uma posição elegante de fossilizados,

Quem diria que uma pedra ia acabar assim,

porque geralmente uma pedra já nasce morta,

mas esta não, esta viveu e morreu.

 

 

Minha alma,

minha alma

procura os cantos,

olha cada canto da cidade

como quem procura,

um quadro bonito em uma galeria.

 

Minha alma

encantou-se com um pedacinho de mato

que cresceu sobre pedra brita

encostado em um muro velho de um estacionamento.

Cresceu silencioso, sem gritar flores,

certamente já gemeu algumas florzinhas

minúsculas em alguma primavera,

mas agora acho que não consegue mais florir.

Agora só tem algumas folhas envelhecidas,

empoeiradas

e alguns galhinhos ressequidos,

descarnados, ossinhos pretos e sem carne,

esqueletinhos secos de planta.

Nem insetos parecem se interessar por seus

galhinho.

Vejo formigas passarem displicentes.

Pode ate ter milhões de micróbios, mas

aparentemente não tem nada.

Tão lindo este cantinho de mato

enfeitado com embalagens de chicletes

e bitucas de cigarros.

Um lugarzinho belamente feio,

uma feiúra que causa comoção

de tão singela, feiúra que não pede atenção,

uma feiúra discreta,

que nem se percebe, escondida num canto,

tanto que o dono do estacionamento

nem a tira, nem a nota.

como certamente faria com uma feiúra vistosa.

Só minha alma perigosamente a notou

e as plantinhas pareceram amedrontadas

com os olhos de minha alma.

Este pedaçinho de mato

sempre esteve escondido dentro da discrição,

descrição era sua toca.

Parece que nunca tiveram

a atenção de um olhar,

por isto aterrorizo este pobre matinho

e ele se sente pela primeira vez

frente a frente com o perigo.

Tento o acalmar afagando suas folhas secas,

mas é melhor eu e minha alma irmos,

para não chamar a atenção do dono e sua enxada.

 

 

Minha alma

gosta de digressões.

 

A magia tem milênios e só muda de roupa e língua.

A magia sempre foi ligada a uma religião

e todas as religiões querem realizar prodígios

como prova de sua verdade.

Milagre é outro nome dado à magia.

Os magos modernos

pegam seu livro milenar

a Bíblia

e recitam seus encantamentos,

conclamam poderes superiores

e com gestos e palavras mágicas

chamados de oração

tentam curar doenças,

fazer paralíticos andar sobre as águas

 

 

 

A arte é uma invenção da religiosidade.

A arte esqueceu que nasceu como oferenda

para caçar mamutes.

Sim, sim sua origem é singela

e Michelangelo foi coveiro do Papa Julio II.

 

A arte faz

uma haste de ferro

florescer rosas vermelhas,

consegue fazer uma maçã

que não e uma maçã.

 

 

E o que é um poema?

 

O que é um poema?

 

A melhor definição de algo é sempre sua palavra,

fora a palavra toda a definição é incompleta.

 

Pode se dizer que um homem

é um bípede,

mas se alguém não anda

ele continua sendo humano.

Que são racionais

mas se alguém nasce sem cérebro

ele continua sendo humano,

Portanto bípede e racionais são em si conceitos falhos

que não servem para todos os humanos,

então a melhor definição para o que é homem

é a palavra homem.

 

Como a melhor definição para a poesia

é a palavra poesia.

E a melhor definição da uma árvore

é a palavra árvore,

e a melhor definição da palavra

pedra é a palavra pedra.

 

E uma pedra tem alma

e uma árvore também tem alma,

tudo tem alma,

porque, se olhássemos

as pedras

apenas como pedras

e as árvores

apenas como árvores

nos é que não teríamos alma.

Porque uma pedra

não olha a alma de outra pedra

nem uma árvore

olha para alma de outra árvore.

Apenas quem tem alma

consegue ver almas em coisas

inanimadas.

 

Minha alma,

Minha alma

curiosa,

curiosa

gosta de entrar em casas vazias.

Com jeito de arqueólogo,

de ladrão de tumbas,

entra nas casas a beira do asfalto

que vemos quando viajamos de carros.

Em casas que parecem casamatas.

Em casinhas azuis com portas abertas.

Minha alma

abre as geladeiras,

mexe em gavetas,

nos guarda-roupas, nos perfumes

vejo se usam xampu pra cabelos secos ou não.

Experimento todos os perfumes,

os sabores dos alimentos,

tomo os remédios,vejo as plantas,

leio as revistas e livros.

 

Minha alma

vai para a ilha de Utopia

e  lá fazem sexo como bonobos

e em toda a praça tem

uma estatua da Liza Simpson.

 

 

Minha alma explica

o porquê do homossexualismo entre os animais:

É porque o sexo é feito para o prazer e não para procriar.

Se o sexo não fosse delicioso, faríamos sexo apenas para procriar

como um sacrifício para a continuidade da espécie.

O prazer é uma isca atraente demais para ser evitada e a procriação a usa, então o homossexualismo existe entre os animais

porque o sexo existe para ser prazer.

Comer também é um prazer e se um alimento

não tem nenhum valor nutritivo,

mas é muito saboroso como o sal,

será consumido com avidez.

 

Minha alma vai fluindo indo,

sem lenço ou documento,

leve, leve descompromissada e diz o que quer.

E minha alma quer uma máquina que retrate cheiros,

que ao achar uma flor, possa levar seu perfume para casa.

Uma máquina para que eu possa me perfumar

com o cheiro da maçã,

com o cheiro de uma

manhã orvalhada.

Minha alma

quer uma máquina que retrate o sabor.

Telescópios que nos permitam lamber estrelas,

sentir o gosto de uma nebulosa,

Quero saber que gosto tem os confins do universo,

telescópios que nos permitam lamber estrelas,

sentir como seria fumar uma nebulosa.

Quero que seja possível

procurar no google um sabor e um cheiro.

 

 

 

Minha alma me diz:

 

Não se preocupe quando o inferno estiver cheio

os demônios podem colonizar

o sol,

este inferno que nos aquece no inverno.

 

Minha alma fala

que  dobras espaciais,

universos paralelos.

viagens no tempo

são besteiras.

Einstein foi o gênio

que atrai uma legião de seguidores estúpidos,

como Leonardo da Vinci

atraem ocultistas.

e Duchamp  artistas idiotas,

Minha alma brinca

com fogo

e sopro de dragão não apaga velas.

 

 

Minha alma vai para onde quer,

vai para onde,

vai parar aonde?

 

Sentado em uma pedra com as mãos no queixo

pensa em  pavões cor de rosa,

agulhas para suturar líquidos,

cigarros feitos com água de mar,

 

Minha alma gosta de fumar um cigarro,

quando chega a uma  praia,a uma cidade,

gosta de sobrar sua fumaça  xamânica

em todo lugar bonito,

Gosta de passear

soltando pela boca a cada tragada

um ectoplasma

que me mescla

com as casas, rios,

une-me em ligação sensual com o todo.

 

Minha alma,

Minha alma

vendo uma imensidão

gritou do cume:

 

Eu sou tudo que minha visão alcança, sou enorme

sou ate aonde vai meu olhar.

Com meus olhos toco as nuvens e o céu,

com meus olhos sinto os pássaros,

com meus olhos apanho as frutas mais altas.

Sou uma redoma de olhar,

imenso,moldável,

em mim cabe uma parte de rua

com seus carros,

mas a massa de meu olhar para nos prédios.

Se num quarto,

acabo em suas paredes,

e em uma janela para a amplidão

sou até a linha do horizonte,

se vejo a noite vou até as estrelas.

A carne do meu olhar tem tato,

e sente os ventos.

A carne do meu olhar sente gosto,

com ele lambo a prateada lua,

A carne do meu olhar tem olfato

e cheira a primeira flor de

Andrômeda.

Meu olhar e tentáculo

vai ao longínquo,

e toca o fim visível do cosmos,

Meu olhar e língua de camaleão

e engole estrelas.

Por isto gosto de imensidões onde meu olhar cresce

e me estendo até o Máximo,

sem meu olhar me reduzo,

fico apenas do tamanho me meu tato,

do tamanho de meu gosto.

Só meu pensamento é ainda maior

que meu olhar

e vai ainda mais longe,

Meu pensamento é o olhar do meu olhar

e chega ate depois da linha do horizonte

e chega ao depois do Cosmos,

mas o pensamento

também tem seu final.

 

Minha alma

estava nas profundezas do oceano

assando um peixe bioluminescente,

olha para cima e vê um sol,

duas luas e um planeta anelado,

e grita:

Espero

que no próximo estado evolutivo

da humanidade os músculos

responsáveis pelas gargalhada se tornem mais fortes,

e os falos sejam mais sensíveis e as vulvas mais

receptivas.

Sim,sim e acredito no improvável,

porque se o aço levita,

se o aço flutua,

então posso ser ascendente, sempre ascendente,

pólen pronto para fecundar

e quero

um poema forte como uma oração,

um poema milagroso

que ao ser entoado faça

minha carne flutuar

quero cuspir tempestades,

inundar, irromper ,erupção

libertar sinfonias,

rasgar o peito e gritar mais forte ainda:

Voa meu coração com azas

está livre destas grades de ossos,

e gemer um gozo,

um êxtase eterno

que irá arrancar de mim

cachos de notas floridas perfumadas,

notas soltas com dente de leão ao ar.

Arrancar de mim

e rodar uma valsa do tornado

e vou

escrever na pele de meu amor uma ode a seu seio pequenino,

aranhando suas costas brancas uma ode a borboleta

pousada perto de seu ombro.

e na sua face um poema sobre seu olhar.

 

Minha alma,

minha alma

é onívora

e come todos os estilos de poemas,

alimenta-se de todas as músicas.

Mas colhe solitária

os cabelos da estátua de Davi

que estavam no meu travesseiro

pela manhã.

 

Minha alma,

minha alma

marcou a ferro quente o vento

e a primavera

marcou a ferro a poesia.

 

Minha alma

arrancou um pedaço de minha própria carne

e alimentou uma águia

para que pelo menos uma parte de mim seja livre.

Que parte de mim voe.

Que parte de mim saiba o que e ser águia.

 

E quer ser

Como certos pássaros quando se esquecem  que são pássaros e se  pensam vento.

Como certos pássaros se esquecem que são pássaros e vivem

como peixes.

Como certos pássaros se esquecem que são pássaros

e se deixam frutificar.

Como certos peixes quando se esquecem que são peixes

e se pensam oceano.

 

Minha alma diz:

Para rever a beleza de algo a tire do normal.

Se uma noite comum,

a mesma noite de sempre,

com as mesmas estrelas,

com a mesma lua.

Apenas florescesse em pleno meio dia,

todos olhariam novamente para a noite

com encantamento.

O olhar novo sempre rompe o hímem

que nasce entre a beleza e o cotidiano.

 

 

 

Minha alma

é entranhada com minha carne,

minha alma perde cabelo,

se me corto a minha alma também levará a cicatriz.

 

Minha alma grita:

Serei o que me falta?

o que não sou,

serei o que almejo?

Serei eu, a parte que não sou?

Serei eu, as azas que não tenho?

Serei eu as barbatanas que me foram amputadas

ou as guelras que não tive?

 

Sou o que desejo ou o que sou?

O que desejo ou o que faço?

Será este sonho eu,

Ou sou o que possuo,

meus braços e minhas pernas e o que tenho como meu,

Serei eu?

Serei eu insatisfação

e falta ou o excesso?

Então me falto ou me sobro?

Será que sou o terceiro olho que não tenho?

Será que ser é uma essência alimentada

pelo que não existe,

enraizada no nada e quando este nada

vai se transformando aos poucos

em substância,

a essência morre,

porque a essência  bebe seu néctar

nas inflorescências do nada.

 

Minha alma

não quer mais pensar.

Minha alma quer descansar,

voar no colo de

uma pomba sem cabeça.

 

POEMA I – de fernando monteiro / recife

“E para que ser poeta
em tempos de
penúria?”

Insepulta jaz a pergunta acima

e bem acima do motivo
supostamente íntimo

visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.

A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos.

Sabemos da penúria,

porém não queremos saber dela.

Plantamos a flor carnívora,

mas desviamos a vista

quando o jardim do pecado

castiga com isso:

indiferença, acídia, tédio mortal

no peito de avestruzes

(os do estômago forte

para literatura feita

com lixo).

FARINHA DO MESMO SACO – de edu hoffmann – curitiba

Eu que andava desse mundo

mais cheio que prato de caminhoneiro

sem rumo sem amor e sem dinheiro

 

talvez por ir com muita sede ao pote

comia o pão que o diabo amassou

pagava mico pagava o pato

até o meu retrato a outra queimou

 

andava mais quebrado

que arroz de terceira

amor, você me tirou da dieta

você é minha feijoada completa

 

agora choro de barriga cheia

você me lambuzou, você se regalou

você meu ante-pasto, minha ceia

 

nesse bolo todo você é a cereja

que fica comigo à esmo

tomando cerveja

comendo torresmo

 

 

Bolsonaro: a cepa de 1964 segue viva em 2011 – por saul leblon / são paulo

Bolsonaro tem sido tratado pela mídia conservadora como uma excrescência. Um ponto fora da curva. Um excesso. Um palavrão deselegante na narrativa garbosa do conservadorismo nativo em nosso tempo. De fato, o deputado professa de forma desabrida e truculenta um relicário de anticomunismo, racismo, elitismo, defesa da
tortura (hoje em interrogatório de presos comuns…) e mesmo da pena de morte. Ademais, vocaliza alinhamentos nada exóticos em relação a outros temas, quando recebe menos espaço na mídia, mas cumpre igual papel de perfilar entre os que erguem pontes de atualização do programa e dos interesses que produziram 1964.

Não deve ser negligenciada a coincidência entre o aniversário dos 47 anos do golpe militar de 1964 e o vomitório homofóbico-racista despejado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP), nas últimas semanas.

Em entrevistas e declarações a diferentes veículos, ele adicionou mais algumas pérolas a sua robusta coleção de ataques aos direitos humanos, cujo usufruto, na visão sombria de mundo desse ex-capitão reformado do Exército brasileiro, deveria ser vetado aos negros, aos homossexuais, os índios, os comunistas, socialistas, os pobres e, possivelmente, também, aos deficientes físicos.

Bolsonaro tinha apenas 12 anos de idade quando ocorreu o golpe que instaurou a ditadura militar de 1964. Mas sua formação na Academia de Agulhas Negras ocorreu exatamente durante os anos de chumbo, tendo deixado a carreira em 1988 (fim do regime) para se transformar no único parlamentar brasileiro que defende abertamente o golpe de abril de 1964.

Bolsonaro tem sido tratado pela mídia conservadora como uma excrescência. Um ponto fora da curva. Um excesso. Um palavrão deselegante na narrativa
garbosa do conservadorismo nativo em nosso tempo. De fato, o deputado professa de forma desabrida e truculenta um relicário de anticomunismo, racismo, elitismo, defesa da tortura (hoje em interrogatório de presos comuns…) e mesmo da pena de morte.

Assim apresentado, parece mais uma caricatura inofensiva do folclore político nacional. Um Tiririca da Tortura. Será?

Em primeiro lugar, cumpre reconhecer que o ex-capitão exerce o seu 6º mandato. Logo, tem adeptos fiéis. Conta com financiadores perseverantes. Ademais, vocaliza alinhamentos nada exóticos em relação a outros temas, quando recebe menos espaço na mídia, mas cumpre igual papel de perfilar entre os que erguem pontes de atualização do programa e dos interesses que produziram 1964.

Vejamos. Bolsonaro, a exemplo de próceres da coalizão demotucana (caso do senador Agripino Maia, hoje presidente dos Demos e de Artur Virgílio, ex-lider do PSDB) é esfericamentre contra o programa Bolsa Família, que garante uma transferencia de renda a 50 milhões de brasileiros mais pobres.

No seu entender, trata-se, aspas para o capitão: “um projeto assistencialista, de dinheiro de quem trabalha, de quem tem vergonha na cara, para quem está acostumado à ociosidade”. Vamos falar sério. O linguajar pedestre condensa para o nível da caserna aquilo que sofisticados economistas e ‘consultores’ dos mercados financeiros apregoam diariamente como plataforma para a racionalização do capitalismo tupiniquim. Como tal são incensados pelos colunistas, editorialistas e ventríloquos instalados na mídia conservadora que cumprem assim a função de trazer para o ambiente do século XXI aquilo que foi cimentado pelo udenismo, pela repressão e pela censura nos anos de chumbo, aqui e alhures.

Na campanha presidencial de 2010, certos alinhamentos ganharam vertiginosa transparência como acontece sempre que se decide o passo seguinte da história.

Enquanto o jornal Folha de São Paulo e o candidato Serra tentavam sedimentar uma imagem de terrorista e abortista para a então candidata Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro, com a rude transparência daqueles a quem é reservado o trabalho dos porões, foi aos finalmentes.

Num comício de Dilma no Rio, o parlamentar pendurou três faixas em postes da Cinelândia. “Dilma, ficha suja de sangue”; “Dilma, cadê os 2,5 milhões de dólares roubados do cofre do Adhemar” e “Lula, vá para o Mobral. Dilma, para o Bangu Um”.

Na verdade, o homofóbico deputado apenas fazia uma suíte, a seu modo, da ficha falsa de Dilma construída pela Folha de SP em mais uma demonstração do jornalismo isento…(e que até hoje não se retratou).

Dava incômodos decibéis, igualmente, ao empenho da esposa do tucano José Serra, a bailarina Mônica Serra, que em corpo-acorpo na Baixada Fluminense, em 14 de novembro de 2010, vociferou autoritariamente ao vendedor ambulante Edgar da Silva, de 73 anos: “Ela é a favor de matar as criancinhas”, insinuando o apoio de Dilma à legalização do aborto. Seria cansativo rememorar outros alinhamentos do período expressos, por exemplo, por setores de extrema direita da Igreja Católica e por ‘jovens’ revelações dessa mesma cepa ideológica, como o candidato a vice de José Serra, Índio da Costa, um bolsanarinho versão ‘mauricinho carioca’.

Bolsonaros, Fleurys, Erasmos Dias, Curiós, Virgílios, Agripinos, Rodrigos Maia, ACMs netos, Índios da Costa e Carlos Lacerdas nunca prosperam num vazio de conteúdo histórico. Em certos momentos, como agora, incomodam à elite conservadora ao personificarem com alarido e crueza as linhas de passagem que promovem o aggiornamento, para os dias atuais, dos interesses e valores que fizeram o golpe de 32 em SP; o golpismo que levou Getúlio ao suicídio em 54, a tentativa de impedir a posse de JK em 56, a quartelada contra a posse de Jango em 62, a ditadura 64 e a tentativa de impeachment de Lula em 2005.

Mas assim como as tardes quentes do turfe requisitam chapéus esvoaçantes e blazers de linho delicado, também é forçoso cevar e tolerar os relinchos dos potros selvagens nas estrebarias. É dessa cepa que sairão as manadas decisivas para limpar e ocupar o terreno quando for a hora, de novo.

MAZIAR BAHARI: ‘Somos a voz que não pode ser ouvida do Irã’, diz cineasta

Jornalista detido e torturado por 4 meses fala ao G1 sobre situação no país.

Autor de filmes sobre o regime iraniano será jurado do “É Tudo Verdade”.


O jornalista e cineasta Maziar Bahari, que vem ao Brasil como jurado do festival É Tudo Verdade (Foto: Divulgação)
O jornalista e cineasta iraniano Maziar Bahari, que
vem ao Brasil como jurado internacional do festival
É Tudo Verdade (Foto: Divulgação)

Em 21 de junho de 2009, o jornalista e cineasta iraniano Maziar Bahari foi acordado por policiais na casa de sua mãe, em Teerã, e levado sem explicações para o temido presídio Evin, que durante décadas serviu para recolher e torturar inimigos do regime no Irã. Dias e inúmeros interrogatórios depois, descobriu a acusação que pesava contra ele: trabalhar como “espião para a CIA, o MI6, o Mossad e… a ‘Newsweek'”.

Correspondente desde 1998 no país para a revista norte-americana, colocada por seus interrogadores no mesmo balaio que os serviços de inteligência dos EUA, Reino Unido e Israel, Bahari tinha ainda contra si uma prova irrefutável de sua colaboração com os agentes secretos ocidentais. Aparecia em um vídeo conversando em um café com um homem que usava óculos escuros e lenços palestinos, “vestido como um espião”, concluíram as autoridades iranianas. Mas a gravação em questão era parte de uma reportagem que o programa humorístico do apresentador americano Jon Stewart gravou em Teerã semanas antes das controversas eleições de 2009.

– Ele está fingindo que é um espião. É parte de um programa de comédia, respondeu Bahari aos interrogadores após ser confrontado com o vídeo.

– Diga a verdade!, rebateu um deles. O que é tão engraçado em sentar-se em uma cafeteria usando um lenço e óculos de sol?

– É só uma piada. Nada sério. Só bobagem. Espero que não esteja sugerindo que ele seja um espião de verdade…

Sim, estava. E justamente por isso, Bahari acabou preso e torturado, durante “118 dias, 12 horas e 54 minutos” – título da reportagem que escreveu depois para a “Newsweek”, da qual o diálogo acima foi extraído. Convidado para integrar o júri internacional da 16ª edição do festival de documentários É Tudo Verdade, que abre para o público nesta sexta (1º) em São Paulo e no sábado no Rio, Maziar Bahari, hoje com 43 anos, reconhece por que pode ter sido considerado uma pedra no sapato do regime de Mahmoud Ahmadinejad.

Cena de 'Uma odisseia iraniana' mostra grupo de lutadores transformados em milícias que ajudaram no golpe de 1953 orquestrado pela CIA (Foto: Divulgação)Cena de ‘Uma odisseia iraniana’ mostra grupo de
lutadores transformados em milícias que ajudaram
no golpe de 1953 armado pela CIA (Foto: Divulgação)

“O fato é que eu era um repórter, tinha feito filmes, era correspondente da revista ‘Newsweek’, e era bem conhecido entre os documentaristas iranianos e os jornalistas”, diz em entrevista por telefone ao G1, de Londres, onde passou a viver depois de deixar o Irã aos 19 anos e estudar jornalismo no Canadá. “Pelo que me foi dito, por fontes diferentes, eles só queriam dar uma lição e mandar um recado a diversas pessoas: se você fizer isso, é isso o que faremos com você. Eles queriam incriminar políticos reformistas e pessoas que já estiveram no governo mas que mudaram suas ideiais, e queriam incriminá-los através de mim, forçando-me a dizer que fui eu quem os coloquei em contato com agentes internacionais”, explica.

Considerado por muitos como uma voz equilibrada nas questões relativas ao Oriente Médio, Bahari tem em seu currículo uma dezena de documentários que vão desde retratos sobre diversos líderes e episódios da história iraniana, passando por reportagens sobre Aids na África até um filme sobre o drama de um grupo de judeus que deixou a Alemanha nazista na década de 30 e teve o desembarque negado em diversos países do contintente americano.

“Cresci em uma família muito politizada. Meu pai era comunista e todo mundo na minha família tinha envolvimento em movimentos libertários. Por isso acabei crescendo com uma conscientização política e sempre tentei ficar do lado dos fracos, das pessoas que não têm uma voz, e acho que, ao explorar diferentes temas ao redor do mundo, estou tentando dar voz a essas pessoas cujas histórias ainda não foram ouvidas”, defende.

Algumas pessoas ficaram um pouco confusas [com seus filmes]. Lá, você geralmente tem só um
ou outro lado da história: o do governo ou dos apoiadores do xá. Elas não entendiam por que o filme era tão neutro.”
Maziar Bahari

Mais do que dar voz aos excluídos, no entanto, seus dois documentários mais recentes – que têm suas primeiras sessões já neste final de semana no É Tudo Verdade – tentam jogar luz sobre um passado recente ao qual iranianos e mesmo espectadores do lado de cá do planeta nem sempre têm acesso. Ou, ao menos, acesso a todos os lados da história.

É sobre eles – e também sobre a situação atual no Irã e seu reflexo nas revoltas árabes que têm pipocado em países como Egito, Líbia, Tunísia, Síria e Bahrein – que Bahari falou na entrevista reproduzida a seguir.

G1 – Você está trazendo ao Brasil dois de seus filmes mais recentes – “A queda de um xá” e “Uma odisseia iraniana”. Como acha que eles podem ajudar a entender o ambiente político e social atual no Irã?
Maziar Bahari – Dizem que a história se repete, às vezes como tragédia, às vezes como comédia. Em países como o Irã, onde as pessoas têm uma memória muito longa de distúrbios, acho que saber o que ocorreu no passado pode realmente ajudar a entender o que está acontecendo agora. Pensando na relação entre o Irã e o Ocidente, entre as pessoas que comandaram o Irã no passado e o Ocidente, e o modo como os países ocidentais e a Rússia interferiram no Irã, você pode entender os ressentimentos genuínos do povo iraniano, mas ao mesmo tempo pode entender o modo como este governo manipula esses ressentimentos.

Por exemplo, no meu filme sobre o golpe de 1953 apoiado pela CIA, “Uma odisseia iraniana”, nós falamos sobre a oposição americana e britânica à nacionalização do petróleo iraniano. Isso foi liderado pelo [então primeiro-ministro] Mohammad Mossaddegh, um político nacionalista secular, que naquela época foi criticado pelas autoridades religiosas, incluindo gente como o Aiatolá Khomeini, que era então um jovem clérigo.

Mas 60 anos depois, pessoas como Ahmadinejad e este governo estão usando os ressentimentos genuínos que os iranianos têm contra a interferência ocidental no país para promover seu programa nuclear. Eles não estão dizendo aos iranianos que querem desenvolver um programa nuclear por hegemonia regional, eles dizem que querem promover avanços científicos e que o Ocidente, como em 1953, é contra nossos avanços.

Acho que você pode aprender muito sobre a psiquê do iraniano e também sobre o que aconteceu no passado ao assistir a esses filmes.

O xá Mohammad Reza Pahlavi com sua segunda esposa, Soraya, em cena de 'A queda de um xá'. Segundo diretor, documentário 'neutro' deixou iranianos confusos (Foto: Divulgação)O xá Mohammad Reza Pahlavi com sua 2ª esposa,
Soraya, em cena de ‘A queda de um xá’. Segundo
diretor, documentário ‘neutro’ deixou iranianos
confusos (Foto: Divulgação)

G1 – Os créditos dos dois filmes trazem 2009 e 2010 como anos de produção ou de lançamento. Mas, desde outubro de 2009,  quando foi libertado da prisão de Evin, você não pode voltar ao Irã. Como conseguiu realizar esses projetos sem estar fisicamente no país? Eles já foram exibidos em TVs iranianas ou árabes?
Bahari – Gravei as entrevistas dos dois filmes em 2008 e editei no final de 2008, início de 2009. “A queda de um xá” foi exibido na BBC, em 2009, perto do aniversário de 30 anos da Revolução Iraniana, e “Uma odisseia iraniana” deveria ter sido mostrado em agosto de 2009. Eu planejava ir ao Irã para gravar as eleições [em junho] e depois voltar para finalizar o filme, o que, como você sabe, não foi possível porque eu fui preso. Então, o filme foi finalizado em 2010 quando consegui voltar para Londres e depois exibido na BBC em agosto daquele ano.

Os dois foram exibidos na BBC Persa e vistos por milhões de pessoas, até onde eu sei, porque recebi muitos comentários de gente de dentro do Irã. Sei também que há cópias ilegais circulando por lá e também no YouTube, por pessoas que gravaram da TV e postaram no site.

G1 – E que tipo de reações eles provocaram no Irã?
Bahari –
Não recebi nenhuma reação realmente negativa sobre o filme. De certo modo, algumas pessoas ficaram um pouco confusas, porque lá você geralmente tem só um ou outro lado da história: seja o lado do governo, que mostra o Aiatolá Khomeini como um herói e culpa o xá por tudo, ou, do outro lado, há filmes feitos pelos apoiadores do xá que o mostram como um homem sem falhas e defendem que não havia problemas no país naquela época. Então, as pessoas não entendiam por que o filme era tão neutro. Mas a maioria das reações foi positiva, especialmente das pessoas mais jovens, que são de verdade o meu público alvo.

G1 – Você foi preso sob a acusação de ser um “espião para a CIA, o MI6, o Mossad e a ‘Newsweek'” e por colaborar no que foi chamado de a “revolução de veludo”. O que exatamente você estava fazendo que o colocou em apuros com as autoridades?
Bahari – O fato é que eu era um repórter, tinha feito inúmeros filmes, era correspondente da revista ‘Newsweek’, e era bem conhecido entre os documentaristas iranianos e os jornalistas. Pelo que me foi dito, por fontes diferentes, eles só queriam dar uma lição e mandar um recado a diversas pessoas: se você fizer isso, é isso o que faremos com você. Eles queriam incriminar políticos reformistas e pessoas que já estiveram no governo mas que mudaram suas ideiais, e queriam incriminá-los através de mim, forçando-me a dizer que fui eu quem os coloquei em contato com agentes internacionais.

Os livros do Paulo Coelho são café-com-leite. Dizer que [ele] é uma ameaça a qualquer um é tão ridículo quanto dizer que George Michael é um agente de Israel.”
Maziar Bahari

G1 – Você certamente não é o único nem o primeiro jornalista, cineasta ou artista a ser preso ou acusado de traição pelo regime iraniano atual. Um exemplo que vem imediatamente à cabeça é o do cineasta Jafar Panahi
Bahari – Há muitos, muitos outros. Quase 200 jornalistas foram presos e soltos, alguns ainda estão na prisão no Irã, e essas são as pessoas que escrevem em persa e não eram conhecidas pela comunidade internacional. Elas são as vítimas de verdade.

Jafar é um cineasta famoso, seu nome foi mencionado por Juliette Binoche no Festival de Cannes, houve protestos internacionais por ele. Eu sou um jornalista conhecido, tive campanhas de gente da “Newsweek” e da mídia internacional. Mas a maioria dos outros jornalistas não tem a chance que nós tivemos, e por isso estão sofrendo muito mais do que nós.

G1 – O que você soube sobre a proibição – negada pela embaixada do país no Brasil – dos livros do escritor brasileiro Paulo Coelho no Irã?
Bahari – Isso aconteceu só depois que eu saí [de Teerã]. Porque o editor dos livros do Paulo é o médico que testemunhou o assassinato de Neda Soltan [jovem ativista morta durante os protestos contra as eleições de junho de 2009] no Irã. Ele vive aqui em Londres. Eles também estavam dizendo que Paulo Coelho é um agente dos sionistas (risos). Na verdade, eu conheci o Paulo quando ele veio ao Irã. É um sujeito muito legal. Mas não sou grande fã de seus livros…

G1 – Existe algo nos livros de Paulo Coelho que você acredite que possa ser visto como uma ameaça ao Irã e seus valores?
Bahari – Eu acho que dizer que os livros de Paulo Coelho são uma ameaça a qualquer coisa é o mesmo que dizer que música de elevador também é ameaça a qualquer coisa. Os livros do Paulo Coelho são café-com-leite, como refrigerante, são apenas para o consumo de massa, uma maneira de algumas pessoas se sentirem melhor. Dizer que Paulo Coelho é uma ameaça a qualquer um é tão ridículo quanto dizer que George Michael é um agente de Israel… ou que um comediante da TV é, na verdade, um espião.

G1 – Paralelamente ao endurecimento do regime, têm surgido projetos como“Persépolis”, de Marjane Satrapi, “Ninguém sabe dos gatos persas”, de Bahman Ghobadi, e mais recentemente “A onda verde”, de Ali Samadi Ahadi, que também será exibido no É Tudo Verdade, no Brasil. Qual é a importância dessas iniciativas para revelar o que se passa no país e ajudar a trazer a democracia ao Irã?
Bahari – “Persépolis” e “A onda verde” são filmes que foram feitos por iranianos fora do país, por pessoas que não podem voltar ao Irã por diferentes motivos, e sinto empatia por eles. Nós temos de ser a voz das pessoas cuja voz não pode ser ouvida do Irã. É difícil, para nós, que não podemos voltar ao país ou fazer filmes lá, mas em ambos você está ouvindo uma voz que existe dentro do Irã, mas que não pode ser verbalizada a partir de lá.

Quanto ao filme de Bahman, “Ninguém sabe dos gatos persas”, é uma situação diferente. Bahman filmou dentro do Irã e nós vimos ali, talvez, os últimos lampejos de tolerância no Irã com a contracultura. Por isso, acho que o filme do Bahman é um documento histórico que mostra algo muito importante na história iraniana. Mas infelizmente Bahman se juntou recentemente ao grupo de pessoas que não podem voltar mais ao Irã e está fazendo seu filme na Turquia agora.

G1 – Durante as semanas e dias que antecedaram as eleições presidenciais de 2009 no Irã era possível perceber um clima de esperança nas ruas de que as coisas finalmente iriam mudar para o bem. Mas a derrota do candidato reformista Mir-Houssein Mossauvi e o contra-ataque das milícias políticas e religiosas pró-Ahmadinejad trouxeram uma nova onda de frustração e desapontamento. Quanto tempo acha que vai levar até que os iranianos comecem a reagir e tentar novamente trazer a mudança política ao país?
Bahari –
É muito difícil saber o que vai mudar, como vai mudar e quando vai mudar no Irã. Os iranianos são um povo muito imprevisível. Mas de uma coisa a gente pode ter certeza: que esta situação no Irã é insustentável. Isso vai mudar. Se será neste ano, como disse George Soros, se será nesta década, como dizem outros, ou se em 20 ou 30 anos, eu não sei.

Muitos dos elementos de regimes corruptos que existem na Tunísia, no Egito, no Bahrein e na Líbia existem no Irã também: o desemprego, as historicamente elevadas taxas de inflação, um regime autocrático no poder, uma geração mais jovem que não está feliz com a situação e vai se rebelar contra o sistema… Mas há diferenças também. Na Tunísia e no Egito, o governante era apoiado pelo Ocidente. No Irã, essa situação não existe. O governo iraniano é menos confiável para a comunidade ocidental do que o Egito ou a Tunísia.

Cena do filme 'A queda de um xá', que foca a trajetória de Mohammad Reza Pahlavi, monarca que governou o Irã do golpe de 1953 até a Revolução de 1979 (Foto: Divulgação)Cena do filme ‘A queda de um xá’, que narra trajetória
de Mohammad Reza Pahlavi (à direita), monarca
que governou o Irã do golpe de 1953 até a Revolução
Islâmica de 1979 (Foto: Divulgação)

E os iranianos têm a memória coletiva da Revolução de 1979, que resultou num desastre e num governo desastroso. As pessoas estão mais relutantes em partir para a ação sem saber exatamente quais serão os resultados. É por isso que vemos essa hesitação entre a população iraniana que não vemos, por exemplo, no Egito, na Tunísia, na Líbia, no Bahrein ou na Síria. Mas não é uma situação sustentável, e nós vamos mudar, de um jeito ou de outro.

G1 – Não vê um risco de que as revoltas árabes de agora possam acabar trazendo não democracia mas novos governos comandados por radicais religiosos a esses países?
Bahari – Não acho. Eu vou para a África do Norte assim que voltar do Brasil e vou poder tirar minhas próprias conclusões, mas o que tenho ouvido de colegas jornalistas é que as pessoas não desejam estabelecer um governo islâmico nesses países. E um dos motivos para eles não quererem um governo islâmico é que a experiência no Irã fracassou. Khomeini subiu ao poder prometendo distribuir riqueza, limpar e criar uma sociedade justa. E nós vemos o oposto: há um grande vácuo entre ricos e pobres no Irã, o povo sofre com pobreza, vício em drogas, prostituição. Em termos de prestígio internacional o Irã não tem nada do que se gabar. Acho que o governo iraniano sairá como perdedor nessa mudança democrática no Oriente Médio.

G1 – A posição oficial do Brasil com relação ao regime iraniano tem sido controversa nos últimos anos. O governo Lula apoiou o direito do Irã de pesquisar energia nuclear, mas ao mesmo tempo se opôs à pena de morte por apedrejamento de Sakineh Ashtiani. Lula foi bastante criticado por tentar tratar Ahmadinejad como um parceiro político no Oriente Médio, enquanto que a presidente Dilma Rousseff acabou de receber elogios por condenar violações dos direitos humanos noa país. O que pensa disso – acha que as duas posições podem coexistir?
Bahari – Essa situação da Turquia e do Brasil com o Irã tem a ver com o fato de se tratarem de potências emergentes. O caso do Brasil é ainda mais especial por ser uma potência latino-americana que foi dominada por ditadores pró-Ocidente por muito, muito tempo. Acho que os enganos que foram cometidos na América Latina e no Brasil pelos Estados Unidos criaram uma aversão contra as políticas norte-americanas na região e no mundo.

Acho que depois que Lula se encontrou com Ahmadinejad [ele percebeu] que esse não é um governo confiável. Um povo que brutaliza seu próprio povo não pode ser confiado. O governo iraniano se coloca contra Abu Ghraib ou Guantánamo, mas há   prisões no Irã onde as atrocidades são bem piores do que essas.”
Maziar Bahari

Mas acho que depois que Lula se encontrou com Ahmadinejad e o governo brasileiro lidou com oficiais de Ahmadinejad eles perceberam que esse não é um governo confiável e que seu antiamericanismo não é confiável. Um povo que brutaliza seu próprio povo não pode ser confiado. Quando o governo iraniano se coloca contra Abu Ghraib ou Guantánamo há muitas outras prisões no Irã onde as atrocidades são bem piores do que essas.

E é por isso que em uma entrevista em Lisboa nesta semana, Lula apoiou o envio de um relator de direitos humanos ao Irã. Acho que é uma lição que o governo brasileiro aprendeu lidando com o Irã.

E quanto a Dilma Rousseff, com o histórico de vida dela, acho que seria muita controvérsia, um errp, apoiar um regime  composto por preceitos religiosos que não têm respeito pelos direitos humanos ou pelas mulheres.

G1 – Por fim, sabe-se que o Irã não é o único tema de seus filmes. Você já fez documentários sobre a epidemia de Aids na África do Sul e também “The voyage of Saint Louis”, que resgata o drama de judeus expatriados tentando fugir da Alemanha nazista. Que elementos comuns existem nessas histórias que, de certa maneira, permeiam todo o seu trabalho como jornalista e cineasta?
Bahari – Cresci em uma família muito politizada. Meu pai era comunista e todo mundo na minha família tinha envolvimento com movimentos libertários. Por isso acabei crescendo com uma conscientização política e sempre tentei ficar do lado dos fracos, das pessoas que não têm uma voz, e acho que, ao explorar diferentes temas ao redor do mundo, estou tentando dar voz a essas pessoas cujas histórias ainda não foram ouvidas. Podem ser alguns judeus na Alemanha, vítimas de genocídio no Burundi ou Ruanda ou da Aids na África do Sul.


16º Festival É Tudo Verdade

“Uma odisseia iraniana”, de Maziar Bahari (2010)
São Paulo:
Cine Livraria Cultura (Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073), nesta sexta-feira (1º), às 15h, e no dia 6 de abril, às 17h
Rio de Janeiro: Unibanco Arteplex (Praia de Botafogo, 316), no dia 4 de abril, às 19h; Espaço Museu da República (Rua do Catete, 153), no dia 8, às 14h

“A queda de um xá”, de Maziar Bahari (2009)
São Paulo:
Cine Livraria Cultura (Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073), nesta sexta-feira (1º), às 17h, e no dia 6 de abril, às 19h
Rio de Janeiro: Unibanco Arteplex (Praia de Botafogo, 316), neste sábado (2), às 13h; Espaço Museu da República (Rua do Catete, 153), neste domingo (3), às 16h

Todas as sessões têm entrada franca. Veja aqui a programação completa do festival.

Diego AssisDo G1, em São Paulo

Quase-quase – por sérgio da costa ramos – ilha de santa catarina

Houve uma terra, na ficção do realismo fantástico de Gabriel García Márquez, que era quase-tudo. Os homens eram quase honestos, as mulheres quase virgens e os padres quase santos.

Florianópolis não é apenas a “Terra-do-Já-Teve”. É também a do “Quase-Teve”. Ou, como diria um manecrata de raiz, a “terra do quash-quash”.

Quase tivemos três pontes em 20 anos. A Colombo Salles seria dupla, em 1974. A Pedro Ivo, em 1989, seria a terceira.

O governo “quase” reformou a Ponte Hercílio Luz. Falta consertar o principal – os tirantes que sustentam as pistas sobre o vão livre de 340 metros.

Quase tivemos o Grande Hotel da Ponta do Coral. Essa ponta da Ilha continua lá, entregue ao lixo, enquanto o projeto dorme numa gaveta da Câmara Municipal.

Quase tivemos a ligação Ilha-Continente, ao Sul, do Pântano do Sul a Paulo Lopes. E arrisco dizer: quase teremos uma ponte entre a Beira-Mar Norte e a Ponta do Leal.

Quase tivemos vários “Quase”. Como a moderníssima Arena Florianópolis, estádio para 60 mil pessoas, concebido para a nossa quase-participação na Copa do Mundo de 2014.

A Ilha “Quase-Teve”, em outubro de 1994, um transporte coletivo marítimo, embora o seu principal instrumento se revelasse inadequado: os barcos selecionados eram “catamarãs” – e não ferries.

Os terminais que seriam servidos pelas novas linhas – nas baías Sul e Norte, Ponta do Leal e São José – não foram construídos, a não ser um atracadouro “experimental”, às margens do aterro da Prainha, fundos do atual centro de convenções. Tratado com amadorismo, o projeto não “navegou” para fora do papel, revelando-se mais um “factoide”. Ou seja: um quase-terminal, uma quase-linha marítima, uma quase-experiência.

No início do século 20, pré-Ponte Hercílio Luz, as lanchas venciam a distância entre o Miramar e o trapiche da Florestal em 12 minutos, desde que o mar estivesse calmo. Do Estreito para a Ilha, em dias de vento sul, a navegação se baldeava para a Baía Norte, nas enseadas abrigadas do velho vento de Cruz e Sousa.

Os “lanchões” viveram os seus dias de glória em plena belle-époque, de 1878 até a inauguração da ponte, em 13 de maio de 1926, às 13h, quando o governador em exercício, Antônio Vicente Bulcão Vianna, descerrou a fita da grande obra de Hercílio Luz.

O serviço de “travessia” do canal funcionava das sete da manhã até as oito horas da noite durante o inverno. No verão, a última lancha zarpava às nove da noite. Havia um “quê” de romantismo nesse “último ônibus das 9”, os casais iluminados pela luz bruxuleante dos candeeiros da lancha “Zury”, refletindo seu lume nas marolas do Miramar.

O transporte pelo mar, numa época de engarrafamentos selvagens, merece o estudo sério e o empenho dos governantes, à margem dos habituais “tubos de ensaio” pré-eleitoreiros.

Não há cidade marítima que despreze a líquida estrada que o Senhor espalhou pelos sete cantos do mundo. Além de ser belo, o mar é econômico, ajuda a desafogar o trânsito em terra firme – e, o melhor de tudo – não enriquece as empreiteiras de sempre.

Pois é: quase tivemos um transporte marítimo. Quase tivemos uma boa ideia, quase vivemos o sonho de ter vencido o Minotauro dentro do seu labirinto.