POEMA I – de fernando monteiro / recife

“E para que ser poeta
em tempos de
penúria?”

Insepulta jaz a pergunta acima

e bem acima do motivo
supostamente íntimo

visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.

A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos.

Sabemos da penúria,

porém não queremos saber dela.

Plantamos a flor carnívora,

mas desviamos a vista

quando o jardim do pecado

castiga com isso:

indiferença, acídia, tédio mortal

no peito de avestruzes

(os do estômago forte

para literatura feita

com lixo).

Uma resposta

  1. Fernando Monteiro, eu leio sempre no “Rascunho”, todos os meses na BIblioteca Pública. Ele, para mim, é um alto poeta e escritor talvez para poucos (pois sua “praia” não é fazer gracinhas para o mercado, como, por exemplo, um Carpinejar)…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: