APELO À MISÉRIA – de joão felinto neto / mossoró.rn

 

 

Quem me dera, miséria,

eu fosse parte

de um baluarte de sonho e de quimera.

Pela boca mantém-se assim o povo,

a lavagem é a comida que a si, dera.

Na vergonha de reconhecer-se porco,

ter o rosto metido na sujeira,

enlameado atrás de uma porteira

seu anseio é mantido na espera.

 

Quem me dera, miséria,

eu me calasse

e ocultasse o meu rosto na janela.

Meus princípios mantêm-me assim exposto.

Sou mau gosto travado na goela.

Quem engole as palavras que eu digo

traz de volta a vontade de lutar,

elas tocam a ferida no umbigo

que o conformismo já ia cicatrizar.

 

Quem me dera, miséria,

quem me dera,

que de ti eu pudesse me livrar.

 

 

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