Arquivos Diários: 11 abril, 2011

Aos Poetas Clássicos – de patativa do assaré / assaré.ce


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

 

“CONVERSAS AO PÉ DA PÁGINA”: programação para 2011 / são paulo

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Penélope e Ulisses – de zênite / portugal


muito cedo anoiteceu aquele dia.
era inverno em ítaca, e todavia
eram incêndios as suas bocas.
dir-se-ia que a febre os consumia
e no entanto
era um amor de mil sóis
que enfebrecia
por entre o azul da noite
e a alvura dos lençóis.

e de tal maneira a paixão
tal como dantes
tanto e tanto escandecia
que acendia de brilhos a escuridão
na silente geometria do seu manto.
entretanto, por decisão de eros e afrodite,
muito tarde raiou a manhã do novo dia.

[num tempo inteiro de espera e de silêncio
sob os pórticos de um palácio envelhecido,
jamais da longa ausência o desleal olvido.
mais do que um manto
era o fogo do amor que entretecias;
mais do que flecha
era a chama da paixão que arremetia.

 

 

ARROZ de CARRETEIRO – de iberê machado / porto alegre

Prato simples que sustenta,
O arroz de carreteiro
É rude manjar campeiro
Com sabor tradicional.
Esta iguaria bagual,
Dos tempos de antigamente,
Ganhou fama e, de repente,
É prato tradicional.

Arroz gaúcho, amarelo.
Charque gordinho, cebola
Daquela roxa, crioula
E o verde é salsa picada.
Panela preta areiada,
Água quente na cabona,
Colher de pau, mangerona,
Parece não faltar nada.

Charque picado a capricho
Tem que ser bem escaldado,
Escorrido e colocado
Na panela novamente.
Quando corar, simplesmente
Bote a cebola picada,
Quando esta ficar dourada
Ponha um pouco de água quente.

Baixe o fogo e bote a tampa
Enquanto o charque cozinha.
De vez em quando, uma agüinha
Pra que não fique queimado.
Aí, o arroz é lavado
E a mangerona tem vez.
Mais uma agüinha, talvez,
Garantindo o cozinhado.

Estando o charque macio,
Bote o arroz pra que se aquente.
Revive continuamente
Com calma e muita paciência.
Baixe o fogo, por prudência.
Bote água da cambona,
Prove o sal e a manjerona
Que são, do gosto, a essência.

Quando o arroz ficar cozido
E ainda estiver molhado,
Tire a panela de lado,
Ponha a salsa e deixe estar.
Chame a turma pra almoçar
E sirva até o bem do fundo
Pra contentar todo mundo
Com delicioso manjar.

 

 

BRDE e CORECON-PR lançam prêmios para economistas e estudantes / paraná

Com uma palestra do economista Magno Andrioli Bittencourt sobre “O Brasil no contexto mundial”, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE e o CORECON-PR lançaram nesta sexta-feira a noite (08) na Unioeste, em Francisco Beltrão, o 6º Prêmio BRDE de Desenvolvimento e o 21º Prêmio Paraná de Economia. O Prêmio Paraná de Economia tem como objetivo estimular e valorizar a produção científica, na categoria Monografia de Conclusão de Curso de Graduação em Ciências Econômicas.

O Diretor de Acompanhamento e Recuperação de Créditos do BRDE, Nivaldo Assis Pagliari comentou a escolha do tema desta edição do Prêmio BRDE de Desenvolvimento. ”O banco tem uma ligação histórica com as cooperativas e o tema ‘A Contribuição do Cooperativismo para o Desenvolvimento da Economia Paranaense’ é uma homenagem a esta parceria no ano em que o BRDE completa 50 anos”, comentou. Ao falar para o público formado por professores e estudantes da Unioeste, Nivaldo Assis Pagliari comentou a sua experiência como professor de contabilidade em Pato Branco e incentivou a participação dos estudantes. “Além de auxiliar o Banco no seu processo de análise e concessão de crédito e no planejamento de suas atividades, a pesquisa  traz um impacto muito positivo na carreira profissional dos estudantes”, comentou. Nivaldo Pagliari lembrou também da importância do lançamento e premiação ocorrerem a cada ano em uma cidade diferente como forma de incentivar a participação de profissionais e estudantes de todas as regiões do Paraná.

 

Os prêmios para a edição deste ano do Prêmio BRDE de Desenvolvimento somam R$ 10.000,00, conforme a classificação:

– 1º colocado ………………… R$ 5.000,00

– 2º colocado ………………… R$ 3.000,00

– 3º colocado ………………… R$ 2.000,00

 

Informações: (41) 3336-0701

 

O regulamento completo estará nos sites:

www.brde.com.br

www.corecon-pr.org.br

 

 

 

Suzan Fernanda Thome Speltz
Estagiária / Ascom_PR
Fone: 41 3219-8035
Fax:   41 3219-8020

www.brde.com.br

 

A DESTRUIÇÃO DA ESFERA PÚBLICA PELA METÁSTASE DA INTIMIDADE – por zygmunt bauman

‘na Coreia do Sul, por exemplo, onde a maior parte da vida social já é habitualmente mediada por aparelhos eletrônicos (ou, ao contrário, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou em cibervida, e onde a “vida social”, em boa parte, transcorre principalmente na companhia de um computador, de um iPod ou de um celular e só secundariamente na companhia de outros seres de carne e osso), é totalmente evidente aos jovens que eles não têm nem uma migalha de escolha: lá onde vivem, viver a vida social pela via eletrônica não é mais uma escolha, mas sim uma necessidade, um “pegar ou largar”. A “morte social” espera aqueles poucos que ainda não se conectaram (…) os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis nada mais são do que aprendizes em formação e formados na arte de viver em uma sociedade-confessionário, uma sociedade notória por ter apagado o limite que tempos atrás separava público e privado, por ter feito da exposição pública do privado uma virtude pública e um dever, e por ter retirado da comunicação pública qualquer coisa que resista a se deixar reduzir a confidências privadas, junto com aqueles que se recusam a fazer isso…” (Zygmunt Bauman, La República/IHU).

C.Maior.

ARTE FOTOGRÁFICA, diversos autores – editoria

 

foto-arte de A. BRITO.

veja mais ARTE FOTOGRÁFICA: neste ambiente

SEM TITULO – de omar de la roca /são paulo

Nesse mundo de desesperança
de desilusão,mágoa,tristeza
tudo fere,matrata e cansa
palavras tortas,mortas,frieza

tudo enjoa,cansa,maltrata
ate o mar,que joga, sacode
tempestade,calmaria retrata
escondendo,que furia não pode.

até o dia em que possa tudo
derrubar o que estiver a frente
espumar ate ficar fervente
afogar,o torpe atual conteudo.

até o dia em que possa
a luz do sol da tarde
mansamente espraiar a aguas
na praia que ainda não existe
podendo sorrir sem chiste
levando embora toda mágoa
que a todos encharque
com uma salobra poça.

e só então sorrindo
possa voltar ao leito
num murmurar infindo
no infinito peito.