A DESTRUIÇÃO DA ESFERA PÚBLICA PELA METÁSTASE DA INTIMIDADE – por zygmunt bauman

‘na Coreia do Sul, por exemplo, onde a maior parte da vida social já é habitualmente mediada por aparelhos eletrônicos (ou, ao contrário, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou em cibervida, e onde a “vida social”, em boa parte, transcorre principalmente na companhia de um computador, de um iPod ou de um celular e só secundariamente na companhia de outros seres de carne e osso), é totalmente evidente aos jovens que eles não têm nem uma migalha de escolha: lá onde vivem, viver a vida social pela via eletrônica não é mais uma escolha, mas sim uma necessidade, um “pegar ou largar”. A “morte social” espera aqueles poucos que ainda não se conectaram (…) os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis nada mais são do que aprendizes em formação e formados na arte de viver em uma sociedade-confessionário, uma sociedade notória por ter apagado o limite que tempos atrás separava público e privado, por ter feito da exposição pública do privado uma virtude pública e um dever, e por ter retirado da comunicação pública qualquer coisa que resista a se deixar reduzir a confidências privadas, junto com aqueles que se recusam a fazer isso…” (Zygmunt Bauman, La República/IHU).

C.Maior.

2 Respostas

  1. Gostei muito, mas acho que não é só isso.Eu sinto receio de ser consumiga. Mas o que vc pode fazer com a tecnologia é fantástica.
    Eu trabalho com arte e hoje a forma mais democrática de divulgar um trabalho é através dela.

  2. Em outubro de 2008 publiquei neste site o longo poema “DISTOPIA”, prenunciando, — entre tantas inquietantes perplexidades, em marcha para o mundo do amanhã — que a vida social poderia transformar-se em vida eletrônica, ou “cibervida” como bem coloca, neste fragmento, o premiado sociológo polonês Zygmunt Bauman:

    (…) Como será teu amanhã!?
    um teclado de emoções?
    um híbrido palpitar?
    Com que apetite digitarás as tuas ânsias
    degustando essa cultura cibernética?
    digerido pelos circuitos virtuais,
    pelo marketing neurológico das partículas,
    por esse “chip” instalado no teu cérebro,
    processando uma ordem dogmática: conecte, “navegue”, consuma…
    Com que senha abrirás teu coração?
    haverá um ícone para a solidariedade?
    um link para a compaixão?
    Qual a fronteira entre tu mesmo e a máquina?
    quem são essas moléculas engenhosas?
    esses átomos amestrados
    a devassar teu íntimo recanto de criatura? (…)

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