Penélope e Ulisses – de zênite / portugal


muito cedo anoiteceu aquele dia.
era inverno em ítaca, e todavia
eram incêndios as suas bocas.
dir-se-ia que a febre os consumia
e no entanto
era um amor de mil sóis
que enfebrecia
por entre o azul da noite
e a alvura dos lençóis.

e de tal maneira a paixão
tal como dantes
tanto e tanto escandecia
que acendia de brilhos a escuridão
na silente geometria do seu manto.
entretanto, por decisão de eros e afrodite,
muito tarde raiou a manhã do novo dia.

[num tempo inteiro de espera e de silêncio
sob os pórticos de um palácio envelhecido,
jamais da longa ausência o desleal olvido.
mais do que um manto
era o fogo do amor que entretecias;
mais do que flecha
era a chama da paixão que arremetia.

 

 

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