Arquivos Diários: 21 abril, 2011

PÁSCOA – por emanuel medeiros vieira / salvador

Em memória dos meus pais.

Como observou Mauro Santayana, o Cristianismo é uma ideia que sai dos limites dos dogmas estabelecidos e ultrapassa o limite das igrejas que o adotam.

Ele está enraizado no coração dos homens.

Um dia, um repórter falou ao cineasta Federico Fellini (1920-1993), sobre o seu filme “Satiricon”:

“Sua obra é pré-cristã, pagã, mas nela percebe-se a presença do Cristianismo.”

E ele respondeu de bate-pronto:   “Tenho dois mil  anos  de Cristianismo.”

Quando digo que ele está “enraizado” no coração humano, não estou afirmando que todos os seres nele acreditam em suas crenças, mas que ele permanece no nosso inconsciente e no nosso imaginário, além de nossas convicções.

A Encarnação em Cristo, para muitos pensadores, é a assunção da grandeza do homem enquanto homem.

Ele sobrevive, porque é o sumo da consciência humana, o compromisso da vida consigo mesma.

O jovem Cristo, na interpretação de muitos humanistas, foi um dos muitos judeus daquele tempo que,  inquietos com a situação política de seu povo, procuraram uma saída para a liberdade.

A Palestina estava sob o domínio do Império Romano e era tempo de Tibério, representado ali por Pilatos.

Os homens têm necessidade de transcendência – somos pós e voltaremos ao pó –, e necessitam  de algo que ultrapasse as misérias do cotidiano.

Alienação? Não creio. Mas sim, a busca de inserção numa vida mais plena, generosa, menos individualista, que respeite o próximo, e que tenha sede de Justiça.

A Ele se atribui origem divina.

“Era necessária a reafirmação da antiga aliança, com a Encarnação, a renovação da promessa mediante um homem de carne e osso, enviado do Absoluto para pregar o amor – ou seja, a solidariedade essencial entre os homens como pressuposto de sua salvação.”

Cristo era um homem, como lembra Santayana, capaz de amar, de se irritar, como no episódio dos mercadores do templo.

Segundo o articulista, muitas igrejas tentam reduzir a condição humana de Cristo, ao exaltar a ideia de que Ele é o Unigênito de Deus.

Mas, na visão de alguns teólogos, Ele é tão maior e mais necessário quando se reconhece a sua condição humana.

Não, não se está reduzindo a sua condição de Absoluto, mas buscando que se aproxime ainda mais do coração humano.

Como alguém salientou, Ele é tanto mais o filho de Deus quanto é irmão e amigo de todos os homens.

“O irmão e amigo a que recorremos nos rincões de nossa alma, onde se recolhe o sofrimento,  porque n’Ele – que é parte de nós mesmos – podemos confessar as humilhações  sofridas, o nosso desespero, nossa desesperança do futuro, e contar com o seu consolo e perdão.”

Sim: consolo e perdão.

E em quantas situações da vida, não precisamos de consolo?

E em quantas, não pedimos para ser perdoados?

“Aquele que não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não vos dará também com Ele todas as coisas?” (Rm, 8/32).

Sim, a Igreja cometeu erros desde Constantino.

Mas, hoje, quando celebramos a Páscoa (Ressurreição), não preciso falar sobre isso.

E como salientou o jornalista citado, neste momento também não quero lembrar que dirigentes de outras confissões religiosas que se dizem  cristãs explorem impiedosamente a credulidade pública, arrecadando bilhões  e construindo vastos impérios econômicos.

É Páscoa.

Repito: é Páscoa.

Que o sentimento de Ressurreição permanecesse em nossos corações: era a minha aspiração que eu desejava.

(Um anseio que vai do menino ao homem sessentão. E que seguirá comigo.)

Não tenho ilusões: os tempos são ásperos, de exploração, de matança, do império do tráfico,  um mundo no qual o homem vale pelo número do seu cartão de crédito.

Quer dizer: vale pelo que tem e não pelo que é.

Tempo de desagregação de um valor maior (a família).

Mas poderemos ser maiores que isso.

Nós podemos contar com Cristo em qualquer capelinha de estrada, em todos os corações que sofrem.

(Dedico este texto – além de Alfredo e Nenê, meus pais – a todos os amigos, ex-amigos, aos que padecem de enfermidades físicas e mentais, aos que aqui permanecem e àqueles que já partiram: não estão mais onde estamos, mas estarão sempre onde estivermos).

(Salvador, Semana da Páscoa – abril de 2011)

MOTIVO – de cecilia meireles / rio de janeiro



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

DILMA é eleita pela revista ‘Time’ uma das 100 pessoas mais influentes

Perfil de Dilma foi escrito por Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

No texto, ela diz que presidente brasileira tem ‘sabedoria’ e ‘convicção’.

Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time" (Foto: Reprodução/Divulgação)
Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas
mais influentes do mundo pela revista “Time”
(Foto: Reprodução/Divulgação)

A presidente Dilma Rousseff foi escolhida pela revista norte-americana “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2011. A lista inclui artistas, políticos, ativistas, cientistas e empresários.

A próxima edição da revista vai às bancas nesta sexta-feira (22), com um perfil das 100 personalidades. A descrição de Dilma foi feita pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, atual diretora da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mulheres.

No texto, Bachelet destaca as dificuldades de ser a primeira mulher a governar um país. “Apesar da honra que isso representa, ainda há preconceitos e estereótipos para enfrentar. Não é fácil governar uma nação emergente”, diz a ex-presidente chilena.

Ela explica que um governante de um país desenvolvimento vivencia otimismo e entusiasmo por parte da sociedade, mas também enfrenta “desafios mais complexos e cidadãos mais exigentes”.
Segundo Bachelet, o Brasil vive um “momento único”, de grandes oportunidades e que exige um líder com “sólida experiência e ideais firmes”.


“Dilma oferece essa virtuosa combinação de sabedoria e convicção que o país dela precisa”, diz a chilena. De acordo com Bachelet, a presidente brasileira é uma “lutadora corajosa, que enfrentou a ditadura militar e dedicou a vida a construir uma alternativa democrática para o desenvolvimento, a igualdade social e o direito das mulheres.

A lista
A lista dos 100 mais influentes é publicada pela revista “Time” desde 2004. A deste ano inclui, além de Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a mulher dele, Michelle, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o príncipe William e a noiva, Kate Middleton, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, entre outras autoridades.

A lista conta ainda com empresários de sucesso, como o fundador da rede social Facebook, Mark Zukerberg. Entre os artistas escolhidos, está o ator britânico Colin Firth, ganhador do Oscar deste ano. O cantor de 17 anos Justin Bierber também foi eleito um dos mais influentes.
Do G1, em Brasília

FHC e as oposições – por joão batista do lago / curitiba

Não tenhamos quaisquer dúvidas: o “papel da oposição” é Oposição. Se isto não se der como fato idiossincrático o que se percebe ou o que se assiste é, tão-somente, uma tipologia de não-Oposição. Contudo, desde logo, vale destacar que isto não invalida quaisquer processos de “Diálogo” entre os atores ou agentes de uma determinada oposição. Neste sentido podemos afirmar que um dos atributos essenciais de uma oposição – de fato e de direito – é a “Dialética”, isto é, processo e arte de se buscar a verdade pelo diálogo e pela discussão.

Penso que o principal papel da oposição seja, de fato, a busca da Verdade como significante e significado absolutos e com conceitos cristalinamente bem definidos, no sentido de ocupar espaço (ou espaços) onde a “opinião” governante ou da maioria se imponham, arbitrariamente, como verdade absoluta, ou seja, como realidade última que abrange a totalidade do real e que fundamenta tanto sua constituição quanto sua explicação; como um axioma.

Penso que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugeriu em seu artigo debater “O Papel da Oposição”, a partir do conceito de valor, tal qual sinalizei no parágrafo anterior. Após leitura crítica, o texto deu – para eu, e tão-somente para eu – a impressão de querer introjetar no inconsciente coletivo da política nacional, sobretudo daquela que se encontra no campo oposicionista, um processo de criticidade imanente, ou seja, constante e perdurável. Aos meus olhos, o artigo do ex-presidente é muito mais didático (do ponto de vista da sociologia política) que, propriamente, político-partidário.

Ouso inferir que, no Brasil, não temos Oposição. O que vejo é, quando muito, o exercício de correntes políticas com um determinado grau de antagonismo figurado, isto é, simplória rivalidade entre pessoas ou instituições. E isto vale (até mesmo) para o professor FHC, que muitas vezes utilizara-se dessa metástase. Porém, isto não invalida a sua retórica no que concerne ao papel da oposição segundo os preceitos da Ciência Política que, per se, reconhece a dificuldade em definir o “papel que os grupos ou indivíduos assumem e desempenham no contexto da sociedade (…) que objetivam fins contrastantes com fins identificados e visados pelo grupo ou grupos detentores do poder econômico ou político”[1].

Percebo, ainda que empiricamente, que esse papel não se dá nem no todo nem em parte da oposição brasileira. Percebo, também, que, no Brasil, e nas três partes da Federação (União, Estados e Municípios), isto é, nas instâncias de poder político, acontece a geração do “Sujeito Fisiológico”, ou seja, o País é useiro e vezeiro da prática que se caracteriza pela busca de vantagens pessoais em detrimento do interesse público. Percebo, mais uma vez, no campo da oposição brasileira e segundo Robert A. Dahl (Political opositions in western democracies; 1966), a ausência de elementos, ou de atributos, tais como: 1) coesão orgânica ou concentração dos opositores; 2) caráter competitivo da Oposição; 3) pontos-chaves de desenvolvimento da competitividade entre a oposição e a maioria; 4) caráter distintivo e identificável da oposição; 5) objetivos da Oposição; 6) sua estratégia.

Ora, nesse contexto, a Oposição não se percebe e não se entende e tampouco se compreende cheia do “espírito santo”, em outras palavras: transbordante em si-mesma do papel limitador e do controle crítico do poder da maioria que é exercido, no plano formal, mediante o exame da legitimidade da atividade legislativa desenvolvida pela maioria , e, no plano essencial, mediante a defesa dos direitos das minorias dissidentes e a alternativa política do poder.

Portanto, e de maneira constrangida, encerro este artigo-editorial salientando o caráter mesquinho, tolo e mesmo chulo, da oposição brasileira que, nem por um instante, sequer, ousou perquirir-se a respeito de-si como sujeito político capaz de responder aos anseios de toda uma população que explode em demandas sociais, econômicas, políticas, culturais… etc. Antes, preferiu a logorreia dissonante dos arautos ou pregoeiros patrocinadores ou, então, mecenas da cultura política de corpo, alma e espírito vagabunda.


[1] Dicionário de Política / Norberto Bobbio, Nicola Matteuci e Gianfranco Pasquino; p. 846.

CAIADO ataca BORNHAUSEN, irmãos gêmeos / brasilia

DEU NO TWITER:
Ronaldo Caiado
@deputadocaiado Ronaldo Caiado
Jorge Bornhausen e Saulo Queiroz mudaram o nome e os rumos do PFL, fracassaram, tentaram covardemente jogar a culpa em outros e saíram.
21 hours ago via Echofon
.
Ronaldo Caiado

@deputadocaiadoRonaldo Caiado
Agora, Jorge Bornhausen, que sempre foi de se acomodar à sombra do poder, trabalha para entrar no governo do PT.
21 hours ago via Echofon
.
O deputado dá de barato que Bornhausen seguirá o mesmo rumo de Saulo. Escreve que ambos já “saíram”:

“Jorge Bornhausen e Saulo Queiroz mudaram o nome e os rumos do PFL, fracassaram, tentaram covardemente jogar a culpa em outros e saíram”.

Realça no ex-correligionário a vocação governista: “Jorge Bornhausen, que sempre foi de se acomodar à sombra do poder, trabalha para entrar no governo do PT”.

Recorda uma passagem da eleição de 2010: o comício em que Lula atacou, na Santa Catarina de Bornhausem, o DEM:

Jorge Bornhausen ajuda Lula, que disse, em SC, tentar exterminar o DEM! A que ponto chegamos. Também faz a ponte entre governo-PSD”.

Trata Bornhausen como um silvério: “A atuação da quinta coluna no DEM foi lamentável e já entrou para a história”.

Devagarzinho, a conflagração que corrói as entranhas do DEM vai transbordando. Caiado lavou a roupa suja dos gabinetes fechados para a mais moderna das praças públicas: a internet.

JS.

“OUTRO LUGAR”, “CAÇADOR de MIM” e “AMIGO” (Canção da América) de milton nascimento / Brasil

UM clique no centro do vídeo.

.

.