A burrice nossa de cada dia e a busca da cura instantânea – por alceu sperança / cascavel.pr

Não são os humanos, como se diz por aí, que destroem a natureza. Os que destroem, na verdade, são desumanos. A destruição é causada, sempre, por uma estrutura política e social cruel e injusta.

Sem qualquer dúvida, a humanidade tem evoluído com o tempo.

Mas há coisas que nos fazem duvidar disso.

O cientista americano David Orr fez um estudo mostrando que na antiguidade um camponês gastava uma caloria para produzir 50 calorias de alimentos.

Algo como gastar um real e ganhar 50 de compensação.

Hoje, gastamos 17 calorias para produzir uma caloria de comida.

Se a gente pensar bem é como você gastar 17 reais para ganhar um só real. Muita burrice, não é mesmo?

Por que esse tamanho desperdício acontece?

Porque no passado a comida era produzida no mesmo local em que era consumida. Hoje, ela viaja em média dois mil e quinhentos quilômetros antes de ser consumida.

O engenheiro Miguel Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observa que o tomate que o gaúcho come é produzido em Santa Catarina, mas antes vai passear em São Paulo.

Volta a atravessar todo o Estado do Paraná e o de Santa Catarina para só então chegar à mesa dos gaúchos.

Claro que uns e outros vão ganhando dinheiro nesse passeio.

Mas a maior parte dessa grana não chega ao bolso do produtor, embora saia sempre do bolso do consumidor.

Com isso, para sair da terra e chegar ao consumidor, o produto vai acumular um enorme gasto de energia.

Não é inteligente, não é sábio, mas é assim que as regras do jogo do mercado capitalista funcionam: dando lucro, está valendo.

Há também um enorme gasto de energia aplicada na produção de soja, destinada a alimentar o gado europeu, lá do outro lado do oceano.

Estes são apenas dois casos de gastos errôneos de energia.

Mas enquanto alguém ganhar dinheiro com alguma coisa, mesmo sendo errada, a farra continua.

Por isso precisamos estar sempre refletindo sobre os nossos atos.

Eles são corretos, ou os cometemos porque é costume encalacrado, mesmo que nos custe a paz, a segurança e a saúde?

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No impressionante filme 2035, uma pessoa ferida recebe sobre a machucadura um adesivo, que é aplicado e retirado imediatamente, um segundo depois.

Quando o adesivo sai, o machucado já desapareceu.

Coisa de cinema, não é mesmo?

É certo que os band-aids da atualidade no máximo protegem os ferimentos de mais danos.

São insatisfatórios como curativos e a humanidade está sempre em busca de algo melhor.

Mas a verdade é que a ideia de um adesivo que possa curar mais do que os atuais band-aids não é tanta fantasia assim.

A Universidade de Campinas patenteou recentemente um processo de aprimoramento do adesivo cirúrgico, muito utilizado em suturas cirúrgicas.

O novo processo acelera a cicatrização e contribui para reduzir processos inflamatórios e infecciosos depois das cirurgias, principalmente em suturas que envolvam veias e artérias.

Também não é coisa de cinema informar que a inovação foi criada por uma aluna do Instituto de Química da universidade – Fernanda Ibañez Simplício.

Claro, imediatamente os professores apoiaram e ela recebeu uma bolsa do Instituto do Coração de São Paulo para continuar as pesquisas.

Também é claro que as indústrias já estão pensando em lançar comercialmente o adesivo de cinema criado pela jovem estudante brasileira.

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A humanidade está evoluindo, a cada descoberta, a cada nova invenção. O ser humano tem jeito, sim!

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