Arquivos Diários: 24 abril, 2011

Jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM informa sobre o atentado do RIO CENTRO

    Publicado em 24/04/2011

Chico Otávio desvenda o atentado do Riocentro. Viva o STF ! Viva a PGR !

Em primeiro plano, o “agente Wagner”, anistiado, in memoriam, pelo STF e a PGR

Saiu no Globo, na pág. 3:

“Linha direta com o terror”

“Agenda do sargento do Riocentro revela, após 30 anos, rede de conspiradores do período”

Reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte mostra que “deixar que a bomba explodisse em seu colo não foi o único erro do sargento Guilherme Pereira do Rosário na noite de 30 de abril de 1981, no Riocentro.”

“O ‘agente Wagner’ do Destacamento de Operações de Informações do Io. Exército (DOI I), principal centro de tortura do regime militar do Rio, também levava no bolso uma pequena agenda telefônica, contendo nomes reais e, não codinome, e respectivos telefones de militares e civis envolvidos com tortura e espionagem.”

A brilhante investigação dos repórteres do Globo permite elucidar, também, o atentado contra Lyda Monteiro, secretária da OAB, no Rio: “não existem duvidas sobre a atuação do sargento”.

O primeiro inquérito do Riocentro – contam Chico Otávio e Alessandra – , realizado em 1981 pelo Exército, foi uma fraude: tentou provar que os dois militares que foram detonar um show de musica popular brasileira – http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_do_Riocentro -, com milhares de pessoas na platéia, eram “vítimas”.

O autor da patranha, convém lembrar, o “investigador”, foi o coronel Job Lorena de Sant’Anna.

(O Chico Otávio, breve, crê este ansioso blogueiro, falará da participação do Capitão Wilson, que estava ao lado do “agente Wagner” no Puma e escapou da explosão; e do General Otávio Medeiros, Czar do SNI do Governo Figueiredo.)

“O segundo, de 1999, comprovou a culpa dos dois membros do DOI que estavam no carro, além de um oficial (Freddie Perdigão) e um civil (Hilário Corrales), mas ninguém foi levado a julgamento: o Superior Tribunal Militar entendeu que os autores estavam cobertos pela anistia”.

O brilhante trabalho de Chico Otávio e Alessandra Duarte permitiu identificar 54 nomes que estão na caderneta do terrorista morto.

O Supremo Tribunal Federal – com a deplorável ajuda do Procurador Geral da República – anistiou a Lei da Anistia – e, por extensão, os terroristas do regime militar, como, in memoriam, o “agente Wagner”.

O notável jurisconsulto Sepúlveda Pertence bem que tentou na Corte de Diretos Humanos da OEA, na Costa Rica, defender o indefensável: a anistia da Lei da Anistia e, por extensão, a anistia aos terroristas – como os cúmplices e chefes do “agente Wagner”.

Pertence foi lamentavelmente derrotado.

E o Supremo e Pertence têm um encontro marcado com a decisão da OEA, que tarda, mas não falha, como previu o emérito professor Fábio Comparato.

É por essas e outras que os projetos dos deputados Fonteles – colocar o Supremo de volta ao seu devido lugar – e Dino – acabar com a vitaliciedade do cargo de Ministro Supremo – tendem a ganhar ímpeto.

Se o PiG (*) se inspirasse no Chico Otávio e deixasse a luz do Sol entrar nos arquivos sinistros do regime militar com mais frequência e igual tenacidade, ajudaria a desmontar a “lógica” do STF e do Procurador Geral da República.

E tornaria uma página negra da Historia da Magistratura brasileira a relatoria de Eros Grau, o ministro do Supremo passou a mão na cabeça da Lei da Anistia – e, por extensão, nos chefes dos terroristas do Riocentro.

Viva o Brasil !

Por falar em Chico Otávio.

O Grande Ético do PMDB, o deputado Eduardo Cunha, aquele que integraria o Panteão da Ética do PMDB, ao lado de Wellington Moreira Franco, Henrique Alves e Michel Temer, Cunha quer interromper a carreira de Chico Otávio com processos na Justiça.

Porque o Chico Otávio costeou o alambrado de Furnas.

Viva o Brasil II !


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Riocentro, 30 anos. A anistia cobre crime pós-anistia?

Um excelente trabalho de reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte, em O Globo de hoje, revela a rede de terror em que estava envolvido o sargento Guilherme do Rosário que, ao lado do capitão Wilson Machado, planejavam o atentado do Riocentro e acabaram sendo surpreendidos pela explosão acidental da bomba que iam instalar num show repleto de jovens no primeiro de maio de 1981.

Rosário, que morreu na hora, e Machado eram integrantes de um grupo de militares e policiais que não aceitavam nem mesmo a distensão política de João Figueiredo. Os indícios são de que Rosário participou também do atentado à OAB, que matou Lyda Monteiro, ao abrir uma carta bomba.

A memória do episódio e as revelações dos contatos de Guilherme do Rosário reacendem uma pergunta: de quem partiu a ordem para a colocação da bomba?

E outra, que os ministros do Supremo Tribunal Federal, que proclamaram ano passado que  a Lei da Anistia, assinada em 1979, vale também para crimes cometidos quase dois anos depois de ela ter sido editada? É anistia futura, também?

Aí está um bom começo para o trabalho da Comissão da Verdade. A teia de monstruosidade que pode se abrir com a investigação deste caso pode colocar em xeque, perante a opinião pública e o Judiciário, a impunidade de quem matou e pretendia matar para produzir terror político.

do Brizola Neto.

McDonalds, do que são feitas essas batatas?

UM clique no centro do vídeo.

Pastor RICARDO GONDIM concede entrevista a Gerson Freitas da Carta Capital

“Deus nos livre de um Brasil evangélico”. Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir:


CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?

Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.

CC: Como o senhor define esse perfil?

RG: extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhes assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.

CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?

RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o Presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.

CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?

RG: O movimento brasileiro é filho do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portos de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?

CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.

RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, estão a minha mensagem está fragilizada.

CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?

RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez mais dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.

CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?

RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou com a heterossexualidade.

CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?

RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.

CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.

RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.

“Deus nos livre de um Brasil evangélico” (das igrejas protestantes) – por pastor ricardo gondim / são paulo


Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.
Soli Deo Gloria