Riocentro, 30 anos. A anistia cobre crime pós-anistia?

Um excelente trabalho de reportagem de Chico Otávio e Alessandra Duarte, em O Globo de hoje, revela a rede de terror em que estava envolvido o sargento Guilherme do Rosário que, ao lado do capitão Wilson Machado, planejavam o atentado do Riocentro e acabaram sendo surpreendidos pela explosão acidental da bomba que iam instalar num show repleto de jovens no primeiro de maio de 1981.

Rosário, que morreu na hora, e Machado eram integrantes de um grupo de militares e policiais que não aceitavam nem mesmo a distensão política de João Figueiredo. Os indícios são de que Rosário participou também do atentado à OAB, que matou Lyda Monteiro, ao abrir uma carta bomba.

A memória do episódio e as revelações dos contatos de Guilherme do Rosário reacendem uma pergunta: de quem partiu a ordem para a colocação da bomba?

E outra, que os ministros do Supremo Tribunal Federal, que proclamaram ano passado que  a Lei da Anistia, assinada em 1979, vale também para crimes cometidos quase dois anos depois de ela ter sido editada? É anistia futura, também?

Aí está um bom começo para o trabalho da Comissão da Verdade. A teia de monstruosidade que pode se abrir com a investigação deste caso pode colocar em xeque, perante a opinião pública e o Judiciário, a impunidade de quem matou e pretendia matar para produzir terror político.

do Brizola Neto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: