Slow Food ? Slow Life ? – por omar de la roca / são paulo

In every colour there’s the light.

In every stone sleeps a crystal.

Remember the Shaman, when he used to say:

“Man is the dream of the dolphin” .

Existe luz em cada cor.

Em cada pedra existe um cristal adormecido.

Lembrem-se das palavras do Shaman que dizia :

“ O homem é o sonho do golfinho” .

Li a poesia acima ontem em um CD. Só a poesia já valeu. E ai pensei, pobre golfinho, só nos conhece de passagem ao brincar conosco nas praias distantes. Se pudesse nos conhecer melhor,certamente mudaria de idéia. Hoje em dia estamos tão acostumados com as facilidades, que passaram a fazer parte de nosso corpo . Alguém ainda se lembra de nossa vida sem o celular ? Tudo bem. É uma invenção recente. E do telefone fixo. Alguém ainda se dá conta da importância que foi o seu surgimento nos idos de … , bom deixa pra lá. Acho que estamos nos esquecendo de valorizar as pequenas coisas do dia a dia. Hoje é tudo cada vez mais rápido . São os Blue Rays,Androids, Facebooks, I-Pads e Pods , Terabites e Gingabites ( como diz a mãe de uma amiga). Nada contra tudo isso.É o caminho da evolução mesmo.Mas não podemos nos esquecer do básico. Hoje em dia cometemos gentilezas. Isso mesmo, num movimento reverso de valores distorcidos as gentilezas são cometidas. Não queria falar de novo sobre o metro de SP,mas lá vai. Já reparou que as pessoas que estão atrás da outras,querem sair ( ou entrar )no vagão antes de quem esta na frente? Cada um só quer saber de si. Poucos cedem o lugar.E alguns só porque viram a briga na televisão. É um tal de pisar nos pés, empurrar, passar a perna e por ai vai. Li que há ordem no caos. Então não podemos chamar isto que acontece de caos. Hoje vim me preparando no ônibus. Coloquei o Canon e vim, com o sol nos olhos, relaxando. Mas por mais preparados que estejamos, relaxados, as situações quase sempre nos tiram do sério.Nos fazem balançar e nos juntar a turba ( que palavrão! ).  Acabamos por ceder e entrar no remoinho. Fazendo o que todo o mundo faz.Mas tudo bem.É o caminho da evolução.Recebi um e mail sobre Slow Food.Acho que ainda não é para nós.O que queremos é a ultramegahiperblastersupersonicspeed food. And life too( e vida também ).Trabalho ao lado do “ponto” dos médicos sem fronteiras. E todos os dias me abordam,Tem um minuto ? E acabo parando e explicando que trabalho no edifício ao lado e que já ouvi a proposta deles semanas atrás  ( mentira,nunca parei). Ontem, após remar por entre eles, vi um rapaz que vinha com uma câmera fotográfica na mão.Uma Canon de 14 Megapixels. Num relance, ao chegar mais perto, apontou-a para mim, que ensaiei uma sida pela lateral esquerda, e só vi o flash me cegando. Olhei para ele sem entender, e ele já apontava de novo .O flash era de mão e demorou para carregar.Consegui passar sem que um segundo projétil de luz me atingisse.E só ouvi os comentário atrás de mim : O que é isso ? Alguém pensando que eu era uma celebridade.Tudo bem que eu parecia mais um mafioso italiano, com um terno azul noite, uma camisa listrada azul noite escura sem estrelas e uma gravata também listrada de azul meia luz.  ( Desculpe me Yeats mas não resisti a colocar aqui idéias de sua poesia  He wished for the cloths of heavens – algo como – Ele deseja os tecidos  dos céus  que incluo abaixo,com perdão pela tradução,que foge um pouco a idéia original ). Lembrei me do rapaz atingido pela lâmpada fluorescente,bem perto daqui.Deve ter sentido alguma coisa parecida.Segui até o metro sem olhar para trás. Não ia parar e discutir com ele e exigir que deletasse a foto. Agarrá-lo pelo colarinho ( perdão ele estava de camiseta ) e perguntar o por que ? Nem pensar. Dar maior atenção a ele ? Mais do que ele merece? Lembrei me do golfinho saltando .Não seria da natureza e ingenuidade dele  agradar aos homens ? E se chegar bem próximo,para que o acariciemos ? Quem ganha mais com aquele contato,nós ou eles? Só podemos mesmo ser  o sonho deles. O mais certo seria dizer, o pesadelo deles. Alguém que se aproxima querendo brincar, mas que com a outra mão é capaz de agredir, esfolar, matar. Apenas para servir ao seu propósito. Seja ele qual for. Acho que preciso fazer mais dias de abraço grátis aqui no escritório.Quem sabe a idéia de propaga e valorizemos mais o contato humano como forma de prazer não obrigatóriamente orgástico. Mas sim ainda bastante satisfatório nos breves segundos que dura.

He wishes for the cloths of heavens

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

Ele deseja os tecidos dos céus

Se eu tivesse os tecidos bordados dos céus,
Entremeados com luz dourada e  prateada,
O azul dos tecidos suaves e escuros
Da noite, e da luz e da meia-luz,
Eu espalharia os tecidos aos teus pés:
Mas eu, sendo pobre, tenho somente os meus sonhos;
E espalhei os meus sonhos aos teus pés;
Pisa com cuidado,pois pisas em meus sonhos.

3 Respostas

  1. Ai, Omar, não fui. Devo confessar que não me lembrei,mas, mesmo que me tivesse lembrado não poderia ter ido, estava de gesso, em recuperação de uma terrível fratura ocorrida em 26 de dezembro de 1999,que rendeu uma cirurgia e cerca de um ano para plena recuperação. Você foi? Ai, se você foi, me perdoe, não pela minha fratura, é claro,mas pelo meu esquecimento. Que memória você tem, menino!!! Nunca se esquece de nada?
    Beijo da amiga
    Zu.

  2. Tirou as palavras de minha boca ( e do texto ) a fita cassete foi uma sensação na época,se lembra?A musica saia de casa e se podia leva-la a qualquer lugar. E um curso de datilografia valorizava qualquer curriculo. O telefone fixo então era um verdadeiro tesouro. Cartas eram ansiosamente esperadas as vezes por semanas…Tinhamos que penar até a biblioteca para fazer pesquisas escolares.Hoje basta apertar um botão. Será que hoje é tudo mais fácil? Ou será que era difícil naquela época . Ah, le,mbrei me que voce me convidou para um encontro na USP,na praça do relogio,quando virasse o ano 2000.Voce foi ?

  3. Essas crônicas ao longo da megalópe, por um pobre p0eta do tempo das fitas cassete ( será que alguém “de hoje” sabe o que foi isso?), das máquinas de datilografia, idem, das cartas pelos correio , ibidem… têm, essas tuas crônicas um sabor especial, meu caro Omar.

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