Arquivos Mensais: maio \31\UTC 2011

Coluna semanal da Presidenta Dilma Rousseff

Conversa com a Presidenta

 

Maria José Bezerra, 57 anos, aposentada de Arcoverde (PE) – Que ações serão realizadas em parceria com as associações de bairro ou comunitárias para acabar com a fome e a pobreza?

Presidenta Dilma – Para o êxito dos nossos programas sociais, nós consideramos fundamental ampliar e fortalecer a parceria com estados, municípios e com a sociedade, o que inclui as entidades comunitárias. Desenvolvemos um programa de capacitação que está qualificando 21 mil conselheiros municipais de assistência social, entre os quais estão os representantes de associações das comunidades. Eles são fundamentais para o controle dos programas, garantindo que nossas ações cheguem de fato aos que mais precisam. Este ano, serão promovidas as conferências nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional e de Assistência Social, envolvendo cerca de 500 mil pessoas. Serão encontros importantes, que começam nos municípios, para que as comunidades possam participar. As associações comunitárias têm papel importante também na distribuição de alimentos. No ano passado, nós desembolsamos R$ 800 milhões com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e, com aumentos gradativos até 2014, vamos chegar ao gasto anual de R$ 2 bilhões, um aumento de 150%. Os alimentos são comprados pela Conab e encaminhados aos que vivem em situação de insegurança alimentar pelas associações comunitárias, entre outros canais. Com o aumento da aquisição de alimentos, as entidades terão à disposição muito mais produtos e vão poder atender um número muito maior de pessoas.

Edson Benedetto, 73 anos, agricultor de Caçador (SC) – Sua viagem à China trouxe boas novas para a região do meio-oeste catarinense, que é forte na suinocultura. Que setores agropecuários terão iguais boas novas, pela abertura de novos mercados no exterior?

 

Presidenta Dilma – Além da suinocultura, vários outros setores estão sendo beneficiados com a diversificação do nosso comércio exterior. Ampliamos o número de empresas exportadoras de carnes bovina e de frango para a China e conseguimos autorização para exportar gelatinas e produtos derivados do leite. No esforço para diversificar as exportações agropecuárias, já identificamos vários outros produtos com potencial de incremento das vendas por meio de promoção comercial. Alguns deles foram apresentados ao ministro do Comércio da China, Chen Deming, e sua comitiva, durante visita a Brasília este mês: milho, café torrado, cafés especiais, sucos, inclusive de laranja, carnes de aves, mel e vinhos. Outras negociações estão sendo feitas pelo Ministério da Agricultura com mercados importantes, como os da Coréia do Sul e dos Estados Unidos, para a exportação de carnes bovina e suína. Essas estratégias contribuíram para o nosso país alcançar um superávit comercial de US$ 5 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado: US$ 2,1 bilhões. É importante ressaltar que o Brasil tem hoje a maior agropecuária do mundo e é o único país que ainda pode dobrar sua produção e suas exportações sem alterar o meio ambiente e sem afetar o mercado interno.

Sidney Lima Neto, 22 anos, universitário de Vila Velha (ES) – Como a senhora pretende controlar a inflação, já que houve aumento abusivo no preço da gasolina e elevação nos valores dos produtos da cesta básica?

Presidenta Dilma – Sidney, posso assegurar a você que a inflação já começou a declinar mais fortemente. Esse recuo está acontecendo porque os preços no mercado internacional pararam de subir e porque adotamos as medidas corretas no Brasil. Tudo que fazemos é sempre com muito critério e equilíbrio, para controlar a inflação sem comprometer o crescimento econômico e a geração de empregos. Entre os mecanismos acionados, destaco o estímulo à agricultura. Para esta safra, a Conab prevê uma colheita recorde de 159,5 milhões de toneladas de grãos. Além disso, também estamos controlando o crescimento do consumo, com o corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União e medidas financeiras para moderar a expansão do crédito. Mais importante, estamos mantendo os estímulos aos investimentos, pois é o aumento da capacidade de produção de nosso país que garante o controle da inflação.  Todas estas medidas reduzirão a inflação sem comprometer o crescimento da economia.

Mais Informações

Secretaria de Imprensa da Presidência da República

Departamento de Relacionamento com a Mídia Regional

(61) 3411-1370/1601

CANÇÃO PARA ADÉLIA PRADO – de julio saraiva / são paulo

“O céu estrelado
vale a dor do mundo.”

– Adélia Prado –


Adélia, empresta-me um pouco
Teus olhos muito vivos
E teus cabelos brancos desgrenhados
Pra que eu me lave todo
Das cores dos meus pecados.

Adélia, empresta-me um poema,
Que eu aqui já me vou tão velho.
Me empresta um pouco da tua igreja,
Do contrário, no céu eu não entro.
Dá-me as tuas mãos,
Cheirando a verso e coentro.

Adélia, faz-me ouvir um toque de sinos,
Que ele venha na tua pureza de anjo.
Dá-me um gole da tua poesia.
Depois por mim mesmo eu me arranjo.

Empresta-me o fogo doido,
Que tira o pecado do mundo.
Empresta-me teus santos altares
Pra que eu volte à meninice,
Quando eu ainda cria nos santos.

(Briga comigo não, Dona Doida,
Que a vida não me dá mais encantos.
Não demora me leva em segundos,
Náufrago em meu mar de prantos.)

DOAR-SE de mônica caetano / curitiba


DOAR-SE EM ESSÊNCIA É INCOMENSURÁVEL .

DOAR-SE EM ESSÊNCIA É SER…

É DEIXAR-SE ENXERGAR…

E ENTREGAR-SE AO EXISTIR…

E DESSE DOAR-SE, ESTAR SEMPRE, A CADA MOMENTO VIVENDO -“SE”…

NA PRESENÇA…

NA EXISTÊNCIA…

NA DÚVIDA…

NA PALAVRA…

NO SILÊNCIO…

A ESSENCIA DE SER IMPEDE QUE O DOAR-SE LÁ NÃO ESTEJA PRESENTE…

SÃO UM EM SI…

NÃO HÁ COMO ENCONTRAR O LIMITE “ENTRE”…

MISTURAM-SE, E ESTAO PRESENTES…

SÃO PRAZER NA AÇÃO, NA CONDUÇÃO, NA REALIZAÇÃO.

DOAR-SE EM ESSÊNCIA, SOBREPÕE-SE À POSSIBILIDADE OU NECESSIDADE DE DEFINIÇÃO LÉXICA,

ESTÁ ALÉM DO CONTEXTO.

DOAR-SE EM ESSÊNCIA…… É SER.

RESULTA TÃO SOMENTE E, COMPLETAMENTE, DE UM ATO INFINITO: “E ASSIM SE FEZ.”

NO DOAR-SE, A BELEZA ESTÁEM QUE NÃO HÁPERDAS…,NÃO HÁ GANHOS….

E TUDO PERMITE CONTEMPLAR-SE EM ESSÊNCIA…

RBS E ZERO HORA SÃO CONDENADOS NA JUSTIÇA POR DIVULGAR NOTÍCIA MENTIROSA

SÁBADO, 14 DE MAIO DE 2011

 

O repórterGiovani Grizotti, a RBS TV (afiliada da Globo) e o tabloideZero Hora foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização ao Conselho Cultural e Artístico Pedras Brancas, do município de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre, e a seu dirigente Walter Luis Lopes por terem divulgado matérias mentirosassobre uma rádio comunitária. A sentença foi proferida no dia 4 de maio pelo juiz Giovanni Conti, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre.

Em 7 de janeiro de 2007, reporcagens do complexo mafiomidiático gaúcho informaram que o empreendimento Rádio Jovem Comunitária de Guaíba era uma “rádio pirata” e que “as atividades de Walter Luis Lopes teriam ligações com atividades criminosas.”
Tudo invenção e má-fé, como provaram em juízo os autores da ação.
O julgado aborda, no final, que a liberdade de imprensa quando exercida abusivamente, “haverá de ocasionar a necessidade de reparação no âmbito da responsabilidade civil”. A sentença também condena a emissora de TV e o tabloide “a retratarem os danos, no mesmo jornal ou periódico, no mesmo local, com os mesmos caracteres e sob a mesma epígrafe; ou na mesma estação emissora e no mesmo programa ou horário”.
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Esta notícia não será encontrada em nenhum dos veículos impressos ou eletrônicos da Famiglia Sirotsky, mas se você entrar no site do Tribunal de Justiça do RS e botar o número do processo – 10900419320 – poderá ler o caso e a sentença na íntegra. Pensando em seu conforto, já fizemos isso para você. Basta clicar aqui .

SEQUESTRADOR, TORTURADOR E AGORA COLUNISTA DA FOLHA: BRILHANTE USTRA, O HOMEM QUE COMANDOU O DOI-CODI NO AUGE DA DITADURA

Que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra é sequestrador e torturador não é uma opinião minha, é sentença do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, 9 de outubro de 2008. A notícia, que reproduzo em parte abaixo, mostra quem é o que fazia o coronel no período mais infame da ditadura (a tal ditabranda da Folha).Pois não é que a Folha abriu espaço em sua página 3 de sexta-feira para que Brilhante Ustra dê sua versão sobre acusações que sofre de outro que o acusa de tortura, o ex-presidente do BC no governo FHC Pérsio Arida?

Não foi à toa que a Folha procurou a ficha de Dilma durante a campanha. Se, durante a ditadura, com o empréstimo de seus veículos para que presos fossem transportados para serem torturados pela turma de Brilhante Ustra e com o editorial de Otávio Frias pai elogiando Médici, o jornal mostrava de que lado estava, agora, com a classificação da ditadura como ditabranda , com a infame (duas vezes a palavra “infame” numa mesma postagem, deve ser recorde – só a Folha…) publicação na primeira página da ficha falsa de Dilma e com a publicação da defesa de um sequestrador e torturador (não sou eu quem diz, mas a sentença de um juiz, até hoje válida), a Folha confirma sua posição – e se ela está ao lado de Médici, da ditabranda e de Ustra, o leitor fica no pau de arara da História.

Leia a notícia da condenação de Brilhante Ustra, conforme publicada na própria Folha em 2008:

Por decisão do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, de primeira instância, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado na Justiça brasileira em uma ação declaratória por sequestro e tortura durante o regime militar (1964-1985).

A sentença, publicada ontem, é uma resposta ao pedido de cinco pessoas da família Teles que acusaram Ustra, um dos mais destacados agentes dos órgãos de segurança dos anos 70, de sequestro e tortura em 1972 e 1973.

(…) Na decisão de ontem, o juiz Santini argumentou que a anistia refere-se só a crimes, e não a demandas de natureza civil, como é o caso da ação declaratória, que não prevê indenização nem punição, mas o reconhecimento da Justiça de que existe uma relação jurídica entre Ustra e os Teles, relação que nasceu da prática da tortura.

(…) As testemunhas, que estiveram presas junto com os Teles, disseram que Ustra comandava as sessões de tortura com espancamento, choques elétricos e tortura psicológica. Das celas, relatam que ouviam gritos e choros dos presos.

“Não é crível que os presos ouvissem os gritos dos torturados, mas não o réu [Ustra]. Se não o dolo, por condescendência criminosa, ficou caracterizada pelo menos a culpa, por omissão quanto à grave violação dos direitos humanos fundamentais dos autores”, afirmou o magistrado.[Fonte: Folha, para assinantes]

O artigo de Ustra na Folha você encontra lá e nos espaços que defendem os crimes praticados pelo estado sob a ditadura civil-militar, de 1964 a 1985.

Mas, repare como a Folha o apresenta a seus leitores:

CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, coronel reformado do Exército, foi comandante do DOI-Codi de 29.set.1970 a 23.jan.1974 e é autor dos livros “Rompendo o Silêncio” (1987) e “A Verdade Sufocada” (2006).

Sobre a sentença, nenhuma palavra.
Antonio Melo

“Época” deve ser processada pelos leitores por mentir, enganar, induzir ao erro e falsificar informação.


May Época não merece desmentido. Merece processo
Os médicos Antônio Carlos Onofre de Lira, diretor técnico, e Paulo Ayroza Galvão, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês, por solicitação da Presidenta Dilma Roussef, emitiram agora à tarde um longo e detalhado relatório sobre os atendimentos prestados a ela.

Tratam em detalhes e com absoluta transparência todo os diagnósticos e terapêuticas relativos a eles.

O assunto de interesse público – a saúde da Presidenta – foi tratado com uma transparência ímpar. Aliás, sempre foi, mesmo quando ainda candidata.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas não foi transparência o que fez a Época. Foi violação de documentos médicos privados – e cuja divulgação só pode ser feita por autorização do paciente, segundo resolução nº1605/2000, do Conselho Federal de Medicina.

A revista teria todo o direito de formular perguntas sobre a saúde da presidente a ele ou a seus médicos. Mas está confesso nas próprias páginas da revista que “Época teve acesso a exames, a relatos médicos e à lista de medicamentos usados pela presidente da República”. Não foi, repito, informação sobre assuntos ou políticas públicas. Nem mesmo um diagnóstico ou prognóstico que, por sério, pudesse ter interesse para a sociedade. Foram detalhes personalíssimos, que a ninguém dizem respeito.

Isso é crime, previsto no Art. 154 do Código Penal. Tanto quanto é crime a violação de um extrato bancário, de qualquer pessoa. Crime para quem viola o que está sob sua guarda, seja um profissional hospitalar ou um gerente de banco, quanto para quem o divulga, sabendo que foi obtido de forma ilícita.

Não havia um crime a denunciar, um perigo a prevenir, algum direito de pessoa ou da sociedade a proteger, com a divulgação.

A intenção, prevista na lei de “produzir dano a outrem” está marcada pela fotografia “fúnebre” da capa e pela reunião maliciosa entre o uso de remédios para uma infecção – a pneumonia – com outras situações que nada têm a ver com ela – o hipotireoidismo, por exemplo – e até substâncias de uso tópico para aftas, como o bicarbonato de sódio e o Oncilon.

Isso nada tem a ver com o dever de dar informações sobre a saúde de uma pessoa pública. Tanto que elas são e foram dadas sempre, nos boletins médicos.

A motivação foi política: gerar medo, intranquilidade e dúvida sobre sua capacidade de governar. O que se praticou foi um crime – e não apenas um violação ética, o que já é grave – e crimes devem merecer responsabilização.

Mas, aqui, no país onde o inimigo político é culpado até que prove sua inocência (e olhe lá), pretender que a imprensa aja dentro da lei é “perseguição”.

PS. Senti falta da nossa blogosfera progressista para falar deste absurdo e do assanhamento tucano em demolir o governo que o povo elegeu. Será o frio que está fazendo hoje? (Em tempo, o Azenha deu divulgação a esta maracutaia farmacêutica da Época)

jornalismo feito no chiqueiro por sicários de aluguel.

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FILÓSOFO DE BAR por sérgio da costa ramos / ilha de santa catarina

Não havia madrugada boêmia na Ilha sem o “Bauru” do Alvorada ou a linguiça frita com pirão branco do Universal.

Nunca se viu, na história dos botequins mais venerados da Ilha, um bar tão fiel ao próprio nome:Universal. Para o seu modesto salão confluíam bêbados de todas as classes sociais, dos intelectuais que chegavam do Cristal Lanches aos jovens famintos, plenos de testosterona, egressos das artes sexuais da Vila Palmira. Ou até os caçadores de “mariposas” tardias, que se valiam da baixa oferta para fechar o último programa da noite.
Entre brahmas e brumas, a “raça” aprofundava o debate rumo aos albores da manhã – que se produzia entre moscas, mariposas e mentes luminosas, derrubando governos ou, modestamente, preparando a gazeta da primeira aula de Direito Romano na faculdade. Não muito distante dali _ rua Esteves Júnior, fundos para a Tenente Silveira.
Foi numa noite de “máximas e mínimas”, quando todos já estavam “pra lá de Bagdá” – e os garçons arrastando os móveis para cerrar as portas – que o filósofo ilhéu José Hamilton Martinelli lavrou a frase imortal:
– Vamos pedir a saideira que é pra manter odesequilíbrio
O entardecer da sexta é o supremo momento da libertação, quando a última luz do poente se esconde por trás do biombo azul da Serra do Mar.
Basta raiar a aurora de uma sexta-feira e a sua exclusiva atmosfera começar a inocular no ser humano a “comichão” do bem-viver, que se irradia pela epiderme e que repercute nos lábios sedentos, prelibando o primeiro gole.
Os mais “descompromissados” começam bem cedo. Antes do meio-dia, já enforcam o serviço, suspendem as “obrigações de fazer” e estacionam em algum alambique amigo, na orla do mar ou no Mercado _ onde houver um “Santo” para receber uma xepa, o tradicional “golinho” lançado ao chão, para dar de beber aos mestres que já se foram.
Assim como há, na liturgia cristã, o momento certo de erguer o cálice, há na vida “paisana” o momento ideal para escolher a bebida certa.
Era o que também dizia o poeta Vinicius, só que a propósito de mulher:
– Bonitonas ou bonitinhas, todas têm a sua vez ao longo de 24 horas…
Bebida é igual. Fernando Sabino, o cronista e o romancista que marcou gerações com O Encontro Marcado, era um bebedor “etilicamente correto”. Cumpria um imaculado ritual de “tempo, lugar e líquido certo”, repugnando-se com qualquer quebra dessa etílica liturgia.
– Bebida tem muito a ver com a hora e com o dia. É como roupa de mulher. Cada drinque deve ser servido no copo adequado – e com gelo de máquina, prontinho para ser fotografado para alguma revista colorida, em impecável papel “couchê”.
O gim-tônica, por exemplo. É bebida de verão. E só se deve tomá-lo antes do almoço, e um só, de preferência de frente para o mar, “aos sábados, domingos e feriados”.
Gim não combina com qualquer forma de trabalho, nem mesmo o de renovar o gelo do copo, como se faz com o uísque, bebida “noturno-vespertina”, só palatável depois do “Angelus”.
Chope também tem hora e estação. É bebida para a primavera-verão – um “estupidamente-gelado” não combina com o inverno, diante do horror que causaria ao “rito” o cidadão ter que usar luvas para segurar o copo.
Conhaque só se deve tomar no Inverno – de lareira acesa, antes que nos enrosquemos com nossa “coberta de orelha”, naquele nunca assaz repetido exercício que gerou a humanidade.
As bebidas brancas, como o “poire” e as cachaças, têm lá a sua vez – embora prefira os uísques, saiotes de bom caráter e melhor cor – aquele “âmbar” ao “som” do chacoalhar do gelo.
E como hoje já é sexta, véspera da glória do sábado, quando o bar vira o lar, ergo um brinde aos caros leitores – e a todos os filósofos e apóstolos de bar, estes seres iluminados, que sabem enxergar com extrema lucidez os caminhos da embriaguez.

“Revista Época”, o lixo, quer matar Presidenta DILMA ROUSSEFF

Alertado por um leitor, fui ver a capa da Época, na qual uma foto da presidenta, de olhos fechados, é usada para ilustrar uma matéria sobre uma suposta gravidade de seus problemas de saúde.

É sordidamente mórbida.

Registra que os seus médicos dizem que ela “apresenta ótimo estado de saude”, mas a partir daí tece uma teia mal-intencionada e imunda sobre os problemas que ela apresentou e os outros que tem, normais para uma mulher da sua idade.

O hipotireoidismo, por exemplo, é problema comuníssimo entre as mulheres de mais idade. É por isso que todo médico pede a eles, sempre, o exame de TSH. E o hormônio T4 – Synthroid, Puran, Levoid, Euthyrox e outros – tomado em jejum, é a mais básica terapêutica, usada por anos e anos por milhões de mulheres do mundo inteiro.

A revista publica uma lista imbecil de “medicamentos” que a presidente tomava, em sua recuperação de uma pneumonia, listando tudo, até Novalgina, Fluimicil e Atrovent (usado em inalação até por crianças), e chegando ao cúmulo de citar “bicarbonato de sódio – contra aftas”.

Diz que o toldo que abrigou Dilma de uma chuva, em Salvador, ” lembrava uma bolha de plástico”.

Meu Deus, o que esperavam que fizessem com uma mulher que se recuperava de um princípio de pneumonia? Que lhe jogassem um balde de água gelada por cima?

Essa é a “ética” dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades.

Esses é que pretendem ser os “fiscais do poder”.

Que imundície!

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por Brizola Neto, no  Tijolaço

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 Boletim médico

Publicada em 28/05/2011 às 16h28m

Em resposta a reportagem, hospital diz que estado de saúde de Dilma é ‘ótimo’

SÃO PAULO – Relatório emitido pelo Hospital Sírio-Libanês neste sábado diz que “do ponto de vista médico, neste momento” a presidente Dilma Rousseff “apresenta ótimo estado de saúde”. O boletim acrescenta que não existem sinais de que o câncer linfático diagnosticado e tratado em 2009 tenha voltado. O relatório foi feito a pedido da Presidência da República e repassado à revista “Época”, que na edição que chegou às bancas hoje traz reportagem sobre a saúde de Dilma , com base em relatos médicos e exames.

LEIA MAISA íntegra do boletim emitido pelo Sírio-Libanês sobre Dilma Rousseff

G1

O poeta e editor J B VIDAL viajou para Curitiba “BABANDO”!

o editor viajou para encontrar com MARIA FERNANDA, sua neta, que acabou de chegar distribuindo muitas alegrias. 

GUSTAVO HENRIQUE VIDAL, o pai, FERNANDA BERTONCELLO, a mãe e MARIA FERNANDA BERTONCELLO VIDAL , a filha, nos primeiros instantes de seu nascimento.

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forte a mocinha! 3,510 kgm!

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GUSTAVO e MARIA FERNANDA  após o primeiro banho.

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MARIA FERNANDA,  A NETA de J B VIDAL, alguns dias após o nascimento.

Os vídeos do kit anti-homofobia incentivariam a homossexualidade? PARTICIPE:

Assista às produções e deixe a sua opinião sobre a polêmica

Vazados na internet, vídeos do kit anti-homofobia do Ministério da Educação (MEC) causam polêmica entre grupos conservadores e os defensores dos direitos dos homossexuais.
Antes de qualquer divulgação oficial, anonimamente, uma pessoa postou na rede os três vídeos, que contêm mensagens sobre transexualidade, bissexualidade, e homossexualidade. Assista às produções e deixe a sua opinião:

UM clique no centro do vídeo:

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a postagem acima foi realizada ao mesmo tempo em que era noticiada a retirada desse material do programa educacional do MEC por ordem da Presidenta DILMA ROUSSEFF, que quer discutir sobre o assunto.

O circuito de bancos que lava o dinheiro de ditadores – por eduardo febbro / argentina

O sociólogo e político Jean Ziegler, hoje vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, calcula que “dos 905 bilhões dos ativos estrangeiros na Suíça, 280 bilhões vêm dos países da Ásia, América Latina e África. Em cerca de 90% dos casos, trata-se de dinheiro roubado dos povos mais pobres do planeta”. As fortunas de diversos ditadores dormem nos bancos ocidentais o doce sono dos lucros enquanto dezenas de milhares de pessoas morrem de fome ou não tem recursos para pagar um tratamento contra a Aids. Tudo isso com a cumplicidade do sistema financeiro mundial. 

Um crime contra a humanidade. Silencioso, em violência aparente. Uma espantosa empresa de exploração dos recursos dos povos levada a cabo com a infindável cumplicidade do sistema bancário mundial. As fortunas dos ditadores dormem nos bancos ocidentais o doce sono dos lucros enquanto dezenas de milhares de pessoas morrem de fome ou não tem recursos para pagar um tratamento contra a Aids.

Jean Claude Duvalier, no Haiti, Ben Alí, na Tunísia, Hosni Mubarak, no Egito, Joseph Mobutu, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), Sanu Abacha, na Nigéria, Omar Bongo, no Gabão, Manuel Noriega, no Panamá, Mu-ssa Traoré, no Mali, Augusto Pinochet, no Chile, Muammar Kadafi, na Líbia, Ferdinando Marcos, nas Filipinas e Sassu N’Guesso, no Congo Brazaville – as fortunas destes tiranos diplomados depositadas nos bancos internacionais ou transformadas em fabulosos investimentos imobiliários em Londres, Paris, Nova York ou Dubai ultrapassam a imaginação.

Há alguns dias, a União Europeia decidiu congelar os bens do fundo soberano líbio, o Libyan Investment Authority (LIA), e do banco central líbio. Os dois depósitos representam 150 bilhões de dólares. Colossal. A revista de gestão de ativos My Private Banking calcula que 33% das fortunas da África e do Oriente Médio depositadas no estrangeiro estão nos bancos suíços, o que representa 74 bilhões de dólares. Cada ano, entre 20 e 40 bilhões de dólares saem ilegalmente dos países em via de desenvolvimento. Nos últimos 15 anos só 5 bilhões foram restituídos. A Suíça administra 30% dos bens offshore do mundo e Londres uma quarta parte.

interior do jato de Ferdinando Marcos

Os déspotas ou políticos corruptos que levam o dinheiro para o exterior têm um nome específico na linguagem bancária: Politically exposed individuals (indivíduos politicamente expostos). Isso não os impede, no entanto, de colocar seu dinheiro onde bem entender. E há alternativas de todas as cores. Os muito eficazes e discretos “shadow banking” (bancos da sombra) se encarregam de limpar o dinheiro manchado de sangue. A imprensa inglesa calculou que a fortuna do clã Mubarak chega a cerca de 70 bilhões de dólares. O ditador tunisiano foi muito mais modesto na exploração de seu povo, com uma fortuna de 5 bilhões de dólares, praticamente a metade do que foi roubado pelo déspota Ferdinando Marcos, nas Filipinas, durante o quarto de século no qual martirizou seu país. Diante deles, o ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, parece um pobretão com seus 200 milhões de dólares transferidos para a suíça. O pobre Augusto Pinochet e seus 20 milhões de dólares roubados assemelha-se a um triste mendigo de um bairro rico (dinheiro depositado no Riggs Bank, dos Estados Unidos, e daí, em paraísos fiscais).

O ex-presidente do Gabão, Omar Bongo, tem 39 propriedades na França, 70 contas bancárias e nove automóveis de luxo. Sassu N’Guesso conta com 18 propriedades e 112 contas bancárias abertas na França. Ao cabo de intermináveis processos judiciais, a Justiça francesa aceitou que abrisse uma investigação sobre esses “bens mal adquiridos”. O sociólogo e político Jean Ziegler, hoje vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, calcula que “dos 905 bilhões de ativos estrangeiros na Suíça, 280 bilhões vêm dos países da Ásia, América Latina e África. Em cerca de 90% dos casos, trata-se de dinheiro roubado dos povos mais pobres do planeta”.

Os inescrupulosos Joseph Mobutu, do Zaire, Sanu Abacha, da Nigéria, Omar Bongo, do Gabão, e Mussa Traoré, de Mali, são um exemplo ilustrado da análise de Jean Ziegler. Ao cabo de cinco anos de um poder despótico, o nigeriano Abacha desviou 2,2 bilhões dos caixas do Estado. Traoré tinha 2,4 bilhões de dólares na Suíça e em Mônaco. A Confederação Helvética identificou 3,4 bilhões de dólares pertencentes ao ex-presidente do Zaire, Joseph Mobutu – 34 anos no poder – e essa soma é apenas uma fração dos 10 bilhões que ele levou. Um informe do Banco Mundial calculou moderadamente que os fundos roubados cada ano por ditadores de seus povos oscilam ente 20 e 40 bilhões de dólares.

A sede desses assassinos de suas próprias sociedades com a cumplicidade do sistema bancário internacional não tem limites. A impunidade e a conivência do Ocidente são perfeitamente assimiláveis a crimes contra a humanidade quando se sabe que apenas 100 bilhões de dólares permitem tratar durante um ano a 600 mil pessoas doentes de Aids. No entanto, no seio do famoso e moralizador G-20, países como Alemanha e Japão ainda não ratificaram a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (CNUCC), a Convenção de Mérida, como fez a Argentina, em 2006.

As rotas dessa exploração são conhecidas por todos: Londres, Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Mônaco, as ilhas anglonormandas, as ilhas Caiman. O dispositivo Stolen Assets Recovery que a ONU e o Banco Mundial empregam para combater a corrupção choca-se frequentemente com as argúcias legais. O Stolen Assets Recovery colaborou com o Estado haitiano no procedimento legal para a restituição de 7 bilhões de dólares da família do ditador Jean-Claude Duvalier congelados na Suíça. O Estado suíço se dispôs a colaborar, mas, depois, a Corte Suprema helvética anulou a querela.

No entanto, para os atores da anticorrupção, as revoltas no mundo árabe e a posterior onda de bloqueio de contas e congelamento de fundos mudarão essa situação. Daniel Lebègue, presidente da Transparência Internacional França, destacou que se “percorreu em três semanas mais caminho que ao longo de 15 anos”. As atribulações político-financeiro-militares de Kadafi demonstram até o limite do absurdo como o sistema financeiro internacional, cujo coração está nas grandes democracias do ocidente, desempenha um papel chave na proteção dos fundos dos ditadores. Até 2003, a Líbia não participava do mercado mundial das finanças. A partir daquele ano, Kadafi se reconciliou com o Ocidente e a Líbia ficou livre de sanções internacionais. O Ocidente abriu as portas de suas capitais, de seus bancos, de suas empresas e da ONU. Em 2006, o regime de Trípoli copiou o modelo dos famosos fundos soberanos dos países do Golfo e criou o LIA, Libyan Investment Authority.

Esse fundo, cujos escritórios estão em Trípoli e Londres, move entre 65 e 75 bilhões de dólares. O Tesouro norteamericano bloqueou até hoje 32 bilhões. O LIA investiu seus capitais em grandes empresas italianas (bancos, a FIAT, Finmeccanica) e em empresas-fantasma na França, Inglaterra e outros países. De soberano este fundo não tem nada. Em vez de beneficiar o povo líbio, o LIA é controlado inteiramente por um dos filhos de Kadafi, Seif al Islam. O bloqueio das contas pessoais de Kadafi e de dez de seus parentes permitiu que Londres imobilizasse 1,5 bilhões de dólares do ditador e de cinco membros de sua família. Mas essa soma é uma “propina” ao lado da real fortuna escondida no exterior e calculada em 14 bilhões de dólares.

O obstáculo maior reside na identificação destes fundos. Tony Wincks, especialista em lavagem de dinheiro e diretor de Nice Actimize, uma empresa especializada em lutar contra a fraude, destaca que a transcrição dos nomes árabes é um dos grandes truques para evitar ser descoberto. “Na França, Estados Unidos ou Grã Bretanha o nome de Kadafi pode ser escrito como Gaddafi ou Qadafi. Calculamos que com o nome e o apelido completo de Muammar Kadafi podem se fazer 115 mil combinações possíveis”.

A ONG britânica Global Witness formulou duas perguntas pertinentes que envolvem a conduta ocidental frente aos ditadores: “Esses dinossauros assassinos teriam permanecido no poder sem a cumplicidade bancária das grandes democracias? Teria sido necessária uma intervenção militar na Líbia se os bancos ocidentais tivessem se recusado a trabalhar com o dinheiro de Kadafi?”. Sem dúvida, não teria sido igual. “Ao aceitar esse dinheiro, os bancos propiciaram esses regimes brutais e permitiram que eles pagassem seus amigos políticos, fraudassem eleições e aterrorizassem suas populações”, diz a Global Witness.

No que diz respeito à fabulosas fortunas guardadas no estrangeiro pelo egípcio Hosni Mubarak, pelo tunisiano Ben Alí ou pelo próprio Kadafi, Anthea Lawson, responsável pela campanha Cleptocracia em Global Witness, assinala que “os bancos nunca deveriam ter aceito esse dinheiro nem os governos deveriam ter permitido isso”. Mas o dinheiro não tem cheiro. Saia de um prostíbulo, de uma bucha de cocaína, dos circuitos engravatados e sujos do sistema financeiro internacional ou do sangue dos povos oprimidos pelos déspotas do mundo, o dinheiro sempre chega limpo ao mesmo lugar: os bancos.

Tradução: Katarina Peixoto

Dominique Strauss-Kahn FOI ELIMINADO POR AMEAÇAR o CLUBE BILDERBERG – reproduzido por vera lucia kalahari / portugal

A ACÇÃO DO CLUBE BILDERBERG foi eliminar Strauss-Kahn
(Foi fácil destruir quem se opôs à A ELITE FINANCEIRA MUNDIAL e suas tácticas financeiras)

.
Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao
mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes
grupos financeiros mundiais. As suas recentes declarações como a
necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções
financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza,
assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia/finança
mundial.
Não vale a pena pronunciar-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime
sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado. Os media já o
lincharam. De qualquer maneira este caso criminal parece demasiado bem
orquestrado para ser verdadeiro, as incongruências são muitas e é
difícil acreditar nesta história.

O que interessa aqui salientar é: quem beneficia com a saída de cena
de Strauss Kahn?

Convém lembrar que quando em 2007 ele foi designado para ser o patrão
do FMI, eleito pelo grupo do Clube Bilderberg, do qual faz parte como
membro convidado. Na altura, ele não representava qualquer “perigo”
para as elites económicas e financeiras mundiais com as quais
partilhava as mesmas ideias.

Em 2008, surge a crise financeira mundial e com ela, passados alguns
meses, as vozes criticas quanto à culpa da banca mundial e ao papel
permissivo e até colaborante do governo norte-americano. Pouco a
pouco, o director do FMI começou a demarcar-se da política seguida
pelos seus antecessores e do domínio que os judeus sionistas nos
Estados Unidos sempre tiveram no seio da organização.

Ainda no início deste mês, passou despercebido nos media o discurso de
Dominique Strauss Kahn. Ele estava agora bem longe do que sempre foi a
orientação do FMI. Progressivamente o FMI estava a abandonar parte das
suas grandes linhas de orientação: o controlo dos capitais e a
flexibilização do emprego. A liberalização das finanças, dos capitais
e dos mercados era cada vez mais, aos olhos de Strauss Kahn, a
responsável pela proliferação da crise “made in America”.

O patrão do FMI mostrava agora nos seus discursos uma via mais “suave”
de “ajuda” financeira aos países que dela necessitavam, permitia um
desemprego menor e um consumo sustentado, e que portanto não seria
necessário recorrer às privatizações desenfreadas que só atrasavam a
retoma económica. Claro que os banqueiros mundiais não viam com bons
olhos esta mudança, achavam que estava tudo bem como sempre tinha
estado, a saber : que a política seguida até então pelo FMI tinha tido
os resultados esperados, isto é, os lucros dos grandes grupos
financeiros estavam garantidos.

Esta reviravolta era bem-vinda para outros economistas como Joseph
Stiglitz que num recente discurso no Brooklings Institution, poderá
ter dado a sentença de morte ao elogiar o trabalho do seu amigo
Dominique Strauss Kahn. Nessa reunião Strauss Kahn concluiu dizendo:
“Afinal, o emprego e a justiça são as bases da estabilidade e da
prosperidade económica, de uma política de estabilidade e de paz. Isto
são as bases do mandato do FMI. Esta é a base do nosso programa”.

Era impensável o poder financeiro mundial aceitar um tal discurso, o
FMI não podia transformar-se numa organização distribuidora de
riqueza. Dominique Strauss Kahn tinha-se tornado num problema.

Recentemente tinha declarado: “Ainda só fizemos metade do caminho.
temos que reforçar o controlo dos mercados pelos Estados, as políticas
globais devem produzir uma melhor distribuição dos rendimentos, os
bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos
e dos preços imobiliários. Progressivamente deve existir um regresso
dos mercados ao estado”.

Na semana passada, Dominique Strauss Kahn, na George Washington
University, foi mais longe nas suas declarações: “A mundialização
conseguiu muitos resultados mas, ela também tem um lado sombrio: o
fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos que
criar uma nova forma de mundialização para impedir que a “mão
invisível” dos mercados se torne num “punho invisível””.

Dominique Strauss Kahn assinou aqui a sua sentença de morte, pisou a
linha vermelha, por isso foi armadilhado e esmagado.

=.=

Maioria dos franceses acredita que Strauss-Kahn é vítima de complô

Paris, 18 mai (EFE).- Para 57% dos franceses, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, preso em Nova York por acusação de abuso sexual a uma camareira no sábado passado, é vítima de complô, segundo os resultados de uma pesquisa publicada nesta quarta-feira.

Já 32% dos entrevistados nesta segunda-feira sobre a questão responderam, ao contrário, que Strauss-Kahn não é vítima de complô, e 11% não quiseram falar, indicou o instituto CSA, que fez o estudo para três órgãos de imprensa franceses.

Apesar de o escândalo afetar o que aparecia como candidato favorito dos socialistas para as eleições presidenciais francesas do próximo ano, 54% dos entrevistados ainda acreditam na vitória do Partido Socialista (PS) no pleito.

E isso apesar de 29% dos pesquisados acreditarem que o terremoto político gerado pelas acusações ao principal responsável do FMI beneficia na corrida presidencial o atual chefe do Estado e rival dos socialistas, Nicolas Sarkozy.

Para 16% dos entrevistados, o descarte de Strauss-Kahn beneficia a candidata da ultradireitista Frente Nacional, Marine Le Pen, e outros 16% o anterior chefe do PS, François Hollande, que ambiciona a candidatura de seu partido para a Presidência da França.

A atual “número 1” do PS, Martine Aubry, seria a beneficiária pelo escândalo com 10%.

De acordo com a pesquisa, se o candidato socialista fosse Hollande, ele conseguiria avançar ao segundo turno em primeira posição com 23% dos votos, na frente de Sarkozy (22%), com quem disputaria a chefia do Estado.

Se a candidata fosse Aubry, ela e Sarkozy passariam ao segundo turno com 23% dos votos cada um. E também neste caso, ficaria fora da batalha Le Pen.

O PS celebrou nesta terça-feira uma reunião de urgência com os dirigentes para passar uma imagem de unidade e garantir que mantém o programa das primárias do partido.

Além do relato dos fatos sobre a situação processual do diretor-gerente do FMI, o tratamento judicial que recebe pelas peculiaridades dos Estados Unidos é o alvo do interesse especial da imprensa francesa, em debate em particular pelas imagens de Strauss-Kahn algemado, consideradas por muitos uma condenação de fato dada sua posição.

Por trás dos debates está o fato de a legislação francesa a respeito da presunção de inocência impedir em termos gerais as imagens dos processos judiciais – autorizadas, no entanto, as caricaturas – e proíbe as dos algemados.

agência EFE.

Igreja Cristã dos EUA garante: HOJE é o fim do mundo / eua

Para os que acreditam, o sábado será o Dia do Julgamento; para os outros, será momento de festa

Agência Estado


Camping, de 89 anos, fundou igreja protestante e divulgou a ‘segunda vinda de Cristo’

RALEIGH – Um movimento cristão espalhou, a partir dos Estados Unidos, a mensagem de que o mundo acabará neste sábado, 21. Para alguns, será o Dia do Julgamento. Para outros, é momento de festa.

Segundo o grupo, Jesus Cristo retornará à Terra para reunir os fiéis e levá-los ao paraíso. Enquanto as principais correntes do cristianismo não compram a história, muitos céticos debocham dela.

Festas

Diversas celebrações foram convocadas no Facebook ao redor dos Estados Unidos, com os “descrentes” programando festas para o sábado e garantindo que o mundo não acabará. A profecia também foi debochada pela tira de quadrinhos “Doonesbury”.

Na cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte, a seção local da Associação Humanista Americana convocou uma festa de dois dias, com início na noite do sábado e continuação no domingo, quando ocorrerá um show de música. “Não queremos que ninguém se sinta insultado, todos podem vir, até os cristãos”, disse o organizador, Geri Weaver.


Família do Estado de Maryland acredita no apocalipse neste sábado.

Igreja independente

A profecia começou com Harold Camping, um engenheiro civil aposentado de 89 anos de Oakland (Califórnia), que fundou a Family Radio Worldwide, uma igreja protestante independente que propagou sua profecia ao redor dos EUA e em muitos lugares do mundo.

A “segunda vinda de Cristo”, uma crença de que Jesus voltará e levará os fiéis ao paraíso, após um período de tribulações na Terra que precederá o fim dos tempos, é uma noção relativamente nova no cristianismo e muitos ramos cristãos não acreditam nela. Mesmo os fiéis raramente tentam marcar uma data para o evento.

As profecias de Camping foram feitas a partir de cálculos numerológicos baseados na leitura que ele fez da Bíblia. Ele afirma que eventos mundiais, como a criação do Estado de Israel em 1948, confirmam suas previsões.


Nova-iorquino leva cartaz prevendo o fim do mundo. ‘A Bíblia garante’, diz

‘Idade da Igreja’

Camping já foi ridicularizado por uma profecia de que o mundo iria acabar em 1994, mas seus seguidores afirmam que ele se referia apenas ao final de uma “idade da Igreja”, uma época onde seres humanos poderiam ser salvos por igrejas organizadas. Agora, eles dizem, apenas os que estão fora das igrejas que eles consideram profundamente corruptas podem esperar ser levados aos céus.

“Sem sombra de dúvidas, 21 de maio será a data da segunda vinda e do Dia do Julgamento”, disse Camping em janeiro deste ano. Essas profecias não são novas, mas a teoria mais recente de Camping foi propagada com entusiástico vigor – não apenas a Family Radio, mas vários outros grupos aderiram a ela.

Eles usaram o rádio, a TV via satélite, websites, propagandas em metrôs e sermões religiosos não só nos EUA, como em dezenas de cidades da América Latina à Ásia. “A profecia foi propagada em quase todos os países”, afirma Chris McCann, que trabalha para o website eBible Fellowship, um dos grupos que propagam que o mundo acabará amanhã.

“Os únicos países onde não houve uma certa divulgação foram os da Ásia Central, os ‘tãos’: Afeganistão, Usbequistão”, disse.


Dia do Juízo contou até com carro para divulgação

Propagandas intensivas

“Eu decidi passar os últimos dias com minha família e colegas de fé”, disse Mary Exley, que deixou sua família no Colorado, no ano passado, para se juntar à Family Radio e passou a divulgar a mensagem do fim do mundo, inclusive em viagens ao Oriente Médio. Segundo ela, o grupo fez propagandas intensivas em Israel, Jordânia, Líbano e Iraque.

No Vietnã, a profecia levou a um tumulto que envolve milhares de membros da etnia Hmong, que se reuniram perto da fronteira com o Laos no começo deste mês, para esperar os eventos de 21 de maio. O governo, que possui uma longa história de desconfiança com minorias étnicas tribais, deteve um líder “extremista” dos Hmong e dispersou outros 5 mil que estavam reunidos.

Nos EUA vários grupos cristãos criticam a profecia. “É irresponsável entrar nesse tipo de especulações” disse o reverendo Daniel Akin, presidente do Seminário Batista em Wake Forest, Carolina do Norte. “Essa profecia pode prejudicar fiéis ingênuos e eles podem ser facilmente iludidos”, afirmou.

As informações são da Associated Press

“O GURI” na brilhante interpretação de CESAR PASSARINHO, acompanhado por BORGHETTINHO / porto alegre

UM clique no centro do vídeo:

EDU HOFFMANN e sua poesia III / curitiba

RENDAS

Que a sina do amor nos prenda

e que se renda a vida a nos ensinar

que se nos teça a tesa trama

no prazer do eterno namorar

Corvo

A vida é um doce bom demais

que nós gulosamente provamos

agora, que só nos resta um pouco

ai ai ai mamãe, eu quero mais !

tempo sábio, tempo murrinha

o qual joga areia nos meus olhos

com o mesmo vento que levanta

a saia esvoaçante da mocinha

o corpo já exige remédios: meus sais !

esqueça as farras das noites de longas horas

esqueça do fogo do corpo das senhoras

que o maldito corvo já grita: nunca mais !

DESCONSTRUÇÕES por martha medeiros / porto alegre

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela “vende” de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa “inventou” um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente “venda” mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé

QUINO, o cartunista argentino e a educação: / argentina

Quino, o cartunista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:
A genialidade do artista faz uma das melhores críticas sobre a criação de filhos (e educação) nos tempos atuais.

A TRIGÉSIMA MULHER de zuleika dos reis / são paulo


                                   

a morte

em cada xícara

a face sem face

da trigésima mulher

árvore ave canção

sussurro das coisas mortas

em vão

a trigésima mulher

a derradeira

estrelas que estalam

noite que se quebra

cai

fragmentos

de nós

a dançar

ao redor de nós

ao redor de nós

as palavras sonhadas

as palavras sagradas

a morte que te quer

esta rival

teu grito

em mim

meu grito

em ti

os tempos de nós

que tento segurar

as xícaras

a porcelana da tarde

a tarde

vaso a se partir

o meu amor

partido

em ti

em ti

em mim

cacos de nós

o primeiro homem

a trigésima mulher

BLOGUEIRO DO PARANÁ DRIBLA A CENSURA

O jornalista paranaense Esmael Morais está com o blog (http://esmaelmorais.com.br) censurado pela Justiça há quase dois meses, a pedido do governador Beto Richa (PSDB). Sem poder trabalhar desde então, ele decidiu lançar nesta segunda-feira (16) uma coluna diária que será distribuída pelas redes sociais.

A “Coluna do Esmael Morais” deverá ser publicada simultaneamente em vários blogs, jornais e portais do país. O Twitter, Facebook e o Orkut também serão utilizados para driblar a censura.


O blogueiro explica que disponibilizará a coluna para download alternando o link de origem para evitar perseguições e novas censuras.

“O link será gerado pelos diversos blogs que se interessarem em publicar a coluna, e será modificado a cada dia, visando prestigiar os blogs que constituem essa poderosa rede de solidariedade contra as trevas”, explica.

Segundo Esmael Morais, a coluna nascerá sob o signo da luta pela liberdade de expressão e contra a censura imposta à blogosfera em todo o país.

Quem quiser reproduzir a “Coluna do Esmael Morais” basta enviar um e-mail para: esmaelmorais@hotmail.com.

Endereços para contato:

Twitter: @esmaelmorais

Facebook: Esmael Morais

E-mail: esmaelmorais

Blog: http://esmaelmorais.com.br (censurado)

Blog do Miro.

GLORIA KIRINUS convida: / curitiba

Pedido o “impeachment” do Ministro Gilmar Mendes (STF) / brasilia

Advogado protocola no Senado Federal pedido de “impeachment” do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes   

Acompanhado de um robusto relatório, o pedido de “impeachment”, do Ministro do STF, Gilmar Mendes, foi apresentado pelo advogado Alberto de Oliveira Piovesan, no ultimo dia 12 de Maio na Presidência do Senado Federal, em Brasília.

Embora em torno do pedido tenha-se determinado “sigilo”, o assunto caiu como uma bomba na Casa legislativa, já debilitada perante a opinião pública nacional, devido os diversos escândalos envolvendo seus membros. Sem dizer que grande parte dos senadores encontra-se processados perante o Supremo Tribunal Federal.

Na petição, o comportamento do Ministro Gilmar Mendes é duramente questionado. Principalmente sua relação com o advogado Sergio Bermudês. Seu escritório de Advocacia, além de empregar a esposa de Gilmar Mendes, teria patrocinado diversas viagens do Ministro ao exterior.

Os fatos narrados são gravíssimos e demonstram o quanto o Poder Judiciário esta contaminado por práticas questionáveis. A relação dos “parentes” de membros do Poder Judiciário é trazida de maneira clara e comprovada.

A documentação, as provas e as testemunhas arroladas são de auto teor explosivo.

São testemunhas:

Deputado Federal Protogenes Queiroz

Desembargador Federal Fausto De Sancts

Jornalista Luiz Maklouf Carvalho- Revista Piauí.

Jornalista Moacyr Lopes Junior- Folha de São Paulo.

Jornalista Catia Seabra- Folha de São Paulo.

Jornalista Felipe Seligman- Folha de São Paulo.

Agente da Polícia Federal Jose Ricardo Neves.

Advogado Dalmo de Abreu Dallari-USP.

Nos termos da lei nº 1079, de 10 de Abril de 1950, depois de protocolado o pedido de “impeachment”, o presidente do Senado, deveria criar uma comissão processante. Formada por senadores que emitiram parecer sobre o pedido que seria submetido à aprovação do Plenário. Se aceito o pedido, abre-se o procedimento de “impeachment”.  A assessoria de imprensa da Presidência do Senado informou à reportagem de Novojornal, nesta segunda-feira (16), que o pedido foi encaminhado no mesmo dia, 12/05 para Assessoria Jurídica da Casa que deverá assessorar a presidência na tramitação da matéria.

Em procedimento semelhante e anterior, em relação ao ex-Procurador Geral Aristides Junqueira na década de 80, o presidente adotou o mesmo critério.

Cópia da petição acompanhada de toda a documentação foi entregue também na última quinta-feira 12/05, ao Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Dr. Ophir Filgueiras Cavalcante Junior.

do Novo Jornal.

Nada há além da Arte e do belo – por tonicato miranda / curitiba

Chega um momento na vida que nada mais importa. Não faz mais sentido conquistar o amor das pessoas. Muito menos conquistar territórios que jamais nos pertencerão mesmo, a Terra no tempo será dos vulcões e do Sol. Nada faz sentido além da Arte durante nossa permanência planetária. Mas alguns perguntariam, o que vem a ser exatamente Arte? Onde ela se apresenta em sua plenitude? Qual Arte importa construir ou buscar ao nos dedicarmos a alguma forma de representação da estética? Não tenho, tu não terás, ele ou ela não terá, nem todos os plurais terão respostas para tal indagação. Mas é certo de que cada um buscará alcançar alguma forma de Arte, mesmo sendo no empréstimo do olhar, na palavra pronunciada, ou no torcer de narizes.

A Política o que é se não a forma como os homens tentam impor seus conceitos próprios e suas formulações sobre a maneira como deva se dar a organização social dos povos, dos agrupamentos humanos, do gentio. Nos tempos atuais, em especial em países onde as classes populares e médias ainda não atingiram grau cultural medianamente aceitável, o povo ainda elege para se ocupar da Política indivíduos que apenas querem se locupletar das benesses ofertadas pelo poder. Poder este cujos cargos e remunerações os próprios políticos definiram para si. Por isto mesmo a Política foi diminuída ao longo do tempo pelas relações exclusivas do poder pelo poder, não mais pelas ideias e por sua intenção transformadora do coletivo e do indivíduo.

Mas se a Política não é o caminho, o que dizer da Filosofia? Ora, a Filosofia é a forma como o indivíduo se coloca no mundo e no sistema de organização social, refletindo sobre sua participação no seu interior. Ou seja, é a individualidade adaptada à formatação gestada pela política praticada pelos coletivos de todos agrupamentos. Portanto, não há Filosofia sem vinculação a um momento histórico. Embora possa se abster dos fatos históricos isoladamente, não pode prescindir do tempo no qual está inserida. Assim, a Filosofia estará sempre prisioneira da atualidade na qual se reflete, ainda que possa atravessar seus conceitos em tempos passados. Ela sempre será presente e passado, muito pouco a reflexão em direção ao futuro.

Então a História poderia ser a grande motivação humana? Não. Definitivamente, não. A História como a grande tábua das marcas do tempo, contendo a cronologia humana no planeta, prima irmã da Geografia e de outras ciências correlatas, estas capazes de explicar a História do passado da Terra, pouco pode explicar sobre nosso avanço em direção ao futuro. Nada se repete, assim como o tempo não se repete. O homem avança inexoravelmente ao desconhecido. A História, com seu foco para o retrovisor dos fatos, nem mesmo o presente consegue aprisionar. Isto porque passadas algumas décadas, logo parece faltar-lhe algum parafuso na engrenagem e na memória, principiando ela mesma a duvidar do que a alimenta. Assim, a História passa após algum tempo a ser a ciência da dúvida, ou se contenta com uma das versões mais fantasiosa.

Mas então, se não é a Política, nem a Filosofia, nem a História ou a Geografia, o que poderia impulsionar a Humanidade? A Ciência? Não, também não é ela aquela capaz de agrupar os sentimentos dos humanos, transformando-os em raptores ou pitonisas do futuro. Não, a Ciência ainda que cumpra papel de destaque na busca do conhecimento sobre o desconhecido, estaca-se quando visa a aplicabilidade da descoberta, dando ao descobrimento função prática imediata. A única vantagem que leva sobre a Religião é que se apresenta sempre como curiosa, com desconfiança permanente sobre aquilo ainda não revelado. Enquanto a Religião, formadora de dogmas e de conceitos não comprovados, coloca todos numa unidade coletiva emburrecedora, sem questionamentos, totalmente anuladora das virtudes para qual fomos gerados.

Mas depois de tudo isto o que nos sobra? Ora, diria com toda sonoridade das três ou quatro letras onde ela se abriga na maioria das línguas planetária: somente existe a Arte. A Arte é a única entre todas as formulações humanas que tende a perpetuar todos pensamentos e virtudes dos seres. Não fora ela, não haveriam os próprios mitos. Ou alguém duvida que foi graças a ela que as figuras míticas de todas as Religiões se propagaram em todos os cantos da Terra? Desde Buda a Jesus; desde o Vaticano até os templos Hindus no Vietnam, na Índia, no Japão. Pela força das obras de Miguel Ângelo, de Da Vinci, pela grandiosidade das esculturas dos elefantes deuses em Bangkoc; no gigantismo presente nas dezenas de cristos espalhados em muitas cidades mundiais; ou ainda, na força da obra de Dante Alighieri. A Arte sempre emprestou seus virtuoses e seu virtuosismo às causas da Religião. E jamais disto se arrependeu.

A Arte sempre foi a tentativa humana da busca da comparação com o criador. Mesmo nele não acreditando. Mesmo nada tendo para por no lugar de Deus. Mesmo duvidando da própria existência dele. Apesar de todas estas desconfianças, o artista sempre buscou criar imagem assemelhada com sua pretensa virtude. Sempre experimentou o poder de criar. Não é à toa que muitos mais homens há e houve na produção da Arte do que mulheres. Isto porque elas podem, e muitas já experimentaram criar um ser no seu próprio ventre. Assim, ao longo da História é pequena a contribuição da mulher na produção das Obras de Arte, em especial nas Artes Plásticas. Mas existem algumas de alta gramatura na lavra do ouro produzido.

A Arte é de fato a mola propulsora a embalar o desejo de permanência dos seres sobre a pele do planeta. Quando todas as outras motivações já foram experimentadas e não mais sobra entusiasmo para qualquer outra tarefa, eis que aparece a Arte para ser a grande incentivadora dos permanecidos. Está claro que também faz uso da palavra Arte um monte do lixo produzido por cabeças vazias, por pessoas desprovidas de habilidade, de técnica e de talento. E eles, os obtusos, são capazes de gestar experiências formais e não formais, muitas delas consumidas em grande escala na sociedade consumista dos tempos hodiernos.

Mas como toda produção humana, o lixo não sobrevive ao tempo. Este imenso lixo não chega aos museus, não resiste a duas gerações, sendo logo descartado, sobram as sobras dos instrumentos ou bases para a produção da arte besta, da arte menor, da arte um destarte. Assim ocorre com a música pobre, de rápido consumo popular; assim acontece com a literatura produzida na forma de folhetim, transformada a produção de tempos em tempos em papel reciclável no rumo do papelão; ou mesmo nas aquarelas amarelecidas pelo tempo, passando à condição de água em processo de envelhecimento.

A Arte da qual falo é aquela imorredoura enquanto durar a vida planetária e o homem nela. Ela é e sempre será a grande motivação humana. Falo da arte buscada nos museus; nos compêndios das bibliotecas; nas edições especiais das grandes músicas trazidas de tempos em tempos aos nossos ouvidos pelos grandes veículos editoriais; ou presente nos acervos especiais disponibilizados aos nossos sentidos de quando em quando por um grande produtor.

Mas se esta é uma Arte especialíssima, o que a move? Diria que a grande Arte é aquela que busca o belo. Sim, mas o que é o belo em sua concepção plena? O seu belo não é o belo de outro, nem será do seu vizinho, nem da diarista do seu imóvel, nem tampouco do gerente da sua conta bancária; ou do seu filho; do seu pai; e de quem mais quiser individualizar. É verdade. O belo é o intangível. Mas o belo é também o que medianamente fascina a maioria. Quem de pé diante das meninas de Renoir, no MASP,em São Paulo, não se encanta ou não irá ser encantado? Pode ser o mais underground dos sujeitos. Pode ser o mais roqueiro dos indivíduos, ou mesmo cantor de música sertaneja, vai se emocionar. Vai perceber pairando por ali, naquelas luzes e nos vestidos diáfanos, um quê de encantamento impossível de não levá-lo a contrair sua pele, abrir seus poros.

A Arte dita maior é capaz disto. Quem ouvindo Garota de Ipanema, Carinhoso, Samba de Verão, tocadas com flauta doce, não irá se emocionar? Ou quem ouvindo Bach, ou as Bachianas de Vila Lobos, não irá se aperceber de estar diante de uma Arte que transcende? Todas capazes de elevar o espírito. Será não entenderá a luta do artista em busca da sua própria divindade? Assim é a Arte. Assim espera-se seja ela: sublimando o belo. Não há e jamais haverá algo adiante do belo. O belo é assim como o alvo ao qual nosso dardo fura o tempo em busca da ancoragem para nele se cravar. Mas a cada aproximação percebemos faltam-nos mais espaços a percorrer. O alvo parece viajar na mesma velocidade da nossa ânsia em furar o imaginário muro onde ele está. Assim é também a constante insatisfação do artista com a sua própria arte, onde mais um retoque é sempre possível, menos uma palavra ou menos uma pincelada pode aproximá-lo do belo.

Não há saída para a Humanidade. Temos de continuar a buscar o belo. Pelo menos alguns devem continuar nesta corrida, infelizmente apenas a poucos com reta de chegada. Muitos certamente se verterão à Política, à Filosofia, à História, às Ciências e mesmo a arte pela arte. Mas aqueles capazes de se entregar ao belo, à busca da perfeição, depurando textos; pincelando telas; esculpindo um osso, uma madeira ou uma pedra; ou regravando vezes seguidas uma música; repaginando a letra de uma canção; poderá certamente beber da água da fonte do oásis, encontrar uma cacimba no meio do cerrado, ou voar qual Ícaro e Dédalo sem que o Sol queime suas asas. O belo deve ser a meta da Arte e do artista. Aquele que o procurar estará sempre acima de si mesmo, sem cair nas tentações de Santo Antonio ou nas tentações do capitalismo humano. Brincar de ser Deus muitos tentam, mas levar adiante a tarefa de com ele jogar uma partida inteira de damas, estes são poucos. E Deus sempre premia seus opositores. Que o digam os museus e a eternidade dos nossos olhares e ouvidos.

A PALAVRA – por paulo madeira / são paulo

“Da Bíblia (e de outras “escrituras sagradas”), todas ditas “de Deus”, mas com um indisfarçável sotaque de falas míticas e mágicas.   Revelações de Javéh a Abraão, a Moisés, de Alá a Maomé, do “Senhor Jesus” aos “mensageiros” que pontificam por aí, nas TVs e templos-hospitais-shopings, garantindo tudo curar e sempre atender a todos os exagerados desejos de enriquecer…  (Matematicamente, em detrimento dos que continuarem pobres).

É intrigante de se ver (embora a Psicologia explique) como tantas pessoas acreditam tratar-se mesmo de “palavras de Deus” e, não, apenas de sapiências oriundas dos repositórios culturais sedimentados ao longo dos tempos e lugares,  carregados de mitos e crenças, ambos advindos da imaginação.

Mas será que não há revelações divinas “autênticas”?   Bom, quem jura que a “Palavra” é autêntica é a própria Palavra…  Sendo isto tautológico, para os desconfiados, não vale…  Ainda assim, não negamos que muitas dessas palavras sejam portadoras de sabedorias (em meio a ingenuidades compreensíveis).   Estas, porém, não são os pontos a analisar aqui:  nem as sabedorias nem as ingenuidades. O ponto que não podemos deixar de considerar é a AUTENTICIDADE das ditas “Palavras de Deus”.

Mesmo com esta justa dúvida, as “Palavras” eram e são apresentadas como os pilares das doutrinas.   A rigor, isto é, filosoficamente, não poderiam ostentar o status de FUNDAMENTOS.   Pra começar, há divergências entre elas, o que sugere não serem oriundas de uma mesma e única “Fonte Divina”, como já aventamos.   Ainda assim, continuam eficazes como instrumentos de indução e submissão às fés.   Quaisquer fés, mesmo que notoriamente “psicológicas”, subjetivas.

E elas induzem a atitudes de que até Deus duvida, como ditaduras teocráticas, “guerras santas”, homens-bomba, imposições econômicas, de classe, racistas, de costumes, de preferências e outras.   Serão elas autenticamente divinas?   Que falta que Sócrates nos faz…   Ah, se as instituições religiosas tivessem a humildade que pregam aos fiéis e adotassem, contra si mesmas, sistemas socráticos, maiêuticos, de controle de qualidade.   Auditorias internas.   Teriam produzido menos fés e mais sabedorias  –  alicerçadas em verdades naturais, não nas ditas “palavras de Deus”, as quais, por serem assim acreditadas, ficam engessadas, mesmo quando se tornam incoerentes, impossíveis, absurdas, carregadas de preconceitos, intolerâncias etc.   No entanto, teria Moisés alguma chance sem afirmar que “Os Dez Mandamentos da Lei de Deus” foram ditados por Deus?   O que você acha?   Filósofos independentes, munidos com bons instrumentais racionais, são rejeitados para seremauditores fiscais externos dela, da Palavra…  Mas, pudera!   Que audácia!    Auditar e fazer controle externo sobre palavras  “de Deus”…?!

Não!   Não é isso!   Sobre as “de Deus”, se elas fossem Dele, claro que não.    Mas, sobre as palavras dos ditos “Livros Sagrados” e falas dos ditos “profetas iluminados”, sobre estas queandam por aí, em todos os púlpitos e auditórios, sim!    Você sabe como nascem os porta-vozes faladores…?   Aquelas “vocações”?   E quanto aos Livros Sagrados, você sabe como eles forameditados?   Bom, o chanceler alemão Bismark dizia que o povo ficaria muito preocupado se soubesse como são feitas as salsichas e as leis…  Dá para extrapolar essas preocupações para os Livros Sagrados e seus porta-vozes, com todo o respeito…   Mas os religiosos não dispõem de humildade para uma tal análise crítica, de jeito nenhum…”

do livro  Crenças Incríveis de Paulo Madeira.

‘Menino ímã’ é capaz de transportar até 25 kg de metais presos ao corpo / croacia

Segundo pais, Ivan Stoilikovic também teria poderes de cura.
Garoto passou por exames, mas resultados ainda são inconclusivos.

O croata Ivan Stoilikovic, de seis anos, que ganhou fama internacional por causa de seu talento extraordinário e capacidade de atrair objetos metálicos, é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. Segundo os pais do “menino ímã”, que mora em Heresin, perto de Koprivnica, cerca de 100 quilômetros da capital Zagreb, na Croácia, Ivan também teria poderes de cura. Ele passou por exames médicos, mas, até agora, os resultados são inconclusivos.

Ivan Stoilikovic é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Ivan Stoilikovic é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
Ivan Stoilikovic ganhou fama na Croácia por causa de seu talento para atrair objetos metálicos. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Ivan Stoilikovic ganhou fama na Croácia por causa de seu talento para atrair objetos metálicos. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
Segundo pais, menino também teria poderes de cura. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Segundo pais, menino também teria poderes de cura. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
G1.

EXPOSIÇÃO na CHINA apresenta pinturas em 4D / jilin

Pinóquio e leão surpreendem visitantes em mostra de arte contemporânea.

Evento aconteceu na província chinesa de Jilin, no sábado (14).

Mulher chinesa posa com uma pintura quadridimensional (4D) em uma exposição de arte contemporânea na província chinesa de Jilin, no sábado (14). A China ultrapassou a Grã-Bretanha como segundo maior mercado mundial de arte e antiguidades, em 2010, segundo relatório da Fine Art Fair Europeia (Tefaf). (Foto: AFP)Mulher chinesa posa com uma pintura quadridimensional (4D) que retrata Pinóquio e o Grilo Falante em uma exposição de arte contemporânea na província chinesa de Jilin, no sábado (14). A China ultrapassou a Grã-Bretanha como segundo maior mercado mundial de arte e antiguidades, em 2010, segundo relatório da Fine Art Fair Europeia (Tefaf). (Foto: AFP)
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Mulher interage com pintura exposta em mostra de arte contemporânea na província chinesa de Jilin, no sábado (14), que mostra o salto de um leão. (Foto: AFP)Mulher interage com pintura exposta em mostra de arte contemporânea na província chinesa de Jilin, no sábado (14). A figura recria o salto de um leão. (Foto: AFP)
Da AFP

SILPHIS, UM HÍBRIDO ENTRE NÓS – por jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

Híbrido, demiurgo, espacial… o ser viveu anos entre nós. Nunca deu pra conhece-lo completamente. Onde nasceu, viveu, cresceu, formou-se.  Sabia de pesca, caça, poesia, artesem geral. Em filosofia, avançava muito. Nós o tratávamos por Silphis, quase carinhosamente.

Não haviam trevas para ele, nós, enliados do tempo. Só desvelo, luz, clareanças do pensamento. As pedras silenciam, as águas cantam, os céus estalam sagrações novas.

Numa pescaria no rio Iguaçu. Noite alta. A luz por trás da mata, aureolada, previa chuva intensa. Meu amigo Sete. O sete varas (Sr. Orlando) pediu que Silphis cuidasse do acampamento, enquanto armávamos uns anzóis de galho pra pegar traíra. Silphis, subiu numa árvore e lá ficou horas a fio. Não quis falar nada, mas vi que uma luz tênue, contornava o rapazinho. A velha canafístula, balançava ao vento e ele lá trepado, como um macaco prego. Horas mortas. A urutu em que quase pisamos encima. A carpa grande que saltou sob os sarandis. O grito do urutago no pau podre. Urutago. Urutau. Preguiça. Mão da lua. Manda lua. Abijaí-guaçu… Alguns peixes pescados e o retorno ao acampamento. Silphis ainda pairava na meia altura da árvore centenária. Ao nos ver chegar ao barraco, desceu, esgueirando-se por entre os cipós. Não sei, se o Sr. Orlando via, mas eu nitidamente enxergava o contorno de luz no garoto esguio, de aproximadamente 13 anos. Nos deixaram mais de ano a criança, com a alegação de que seus pais foram trabalhar numa barragem ou parque de diversões em Goiás. Oguri. Limpava peixe, capinava, lavava cavalo, cortava lenha, ajudava matar e pelar porcos. Sempre solícito, não negava mando. Nunca procuramos saber de seus pais, mais do que o necessário a justificar sua estada entre nós. Um pouco lá em casa, outro tanto com meu companheirão Sete, o guri foi luzindo e vivendo entre nós. Por mais de ano, ou dois, ou três… Tudo se confunde em nossa mente quando lembramos de Silphis e seus mergulhos longos no Iguaçu. Nadava, entrava em toca de tateto, subia em árvores altas. Esculturava com cipós, as mais lindas mulheres. Tinha conhecimento profundo das coisas terrenas, muito além do que se podia esperar de um garoto de 13 anos. Fazia flautas de taquarinha do mato e chamava pássaros. O sobrevivente surucuá, era sua companhia predileta. No rio, mergulhava fundo entre os peixes maiores e custava emergir. No espaço, elevava-se a mais de quatro metros de altura, num simples pular de cerca. A gente via, aquilo, só nós (eu e o Sr. Orlando, o Sete) e ficávamos quietos, só pra nós. Abestalhados. Com o tempo algumas pessoas mais observadoras, notavam algo diferente no guri. Disfarçávamos, o talento da criança, com uma história de circo. De que era egresso dum circo que há tempos atrás o esqueceu com os pais em Guarapuava. Ea vida ia correndo e Silphis, conosco aventurando pescarias, cavalgadas, construções artísticas e pensamentos filosóficos. Certa vez me disse que o espaço é um só, a substância universal a mesma, o sonho, o mesmo terreno e de todas as tribos do Cosmo. Num grão de areia da beira do rio, via o transfinito. Sinalizava aos orbes, estrelas… e parece recebia respostas. Em cavalos, tanto os adorava, andava quase deitado em cima, em galopes cancha reta. A luz em noites, de longas andadas tomava todo o dorso do animal e elevava-se também um pouco acima da cabeça. Eu só ficava vendo aquilo, abduzido, no lombo do meu Tigre paint. Minhas crianças, observavam que o piá era esquisitinho, dormia em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite. Bastava, afastar-se um pouco das companhias e no encosto de um móvel, sobre um soalho, ou mesmo embaixo de uma cama, dormia. Uma noite o peguei, mentalizando algo, olhar fixo pela janela do sobrado de minha casa. A luz transpassava as árvores exóticas lá fora, e perdia-se no espaço. Percebi que havia um retorno de focos luminosos. Estabelecia-se ali comunicação entre seres de espaços diversos. Silphis jamais tocou no assunto de ter qualquer comunicação com o desconhecido. Seres cósmicos, ele mesmo podendo ser um híbrido, coisas assim… nunca fora sequer cogitado. Apenas eu e Sr. Orlando (o Sete) admitíamos, no nosso pobre entendimento dos transmundos a possibilidade do guri ser extraterreno, ou meio. Contava milhões de estrelas de cabeça, conjugava palavras novas, signos, símbolos. Eram vários guris num só. Várias cabeças pensantes. A gente via um e falava com outro, outro ser, outra psique na dialética cotidiana de horaem hora. Acostumamos assim na sadia relação. Aquela vez que trepou no jaracatiá, ficou três dias, no encosto com o monjoleiro vermelho. A boca amarela da polpa do fruto carnudo. Só desceu da árvore quando uma tempestade estalou madeira na mata.

Os cavalos quando Silphis chegava na Fazenda Poema relinchavam, abusivamente. Os cachorros latiam, os gansos, os patos, alariam. As ovelhas baliam. Uma égua prenha, o seguia pelos aramados por longas distâncias. Parece mantinha comunicação telepática com os bichos. Tinha alto poder de cura. Noutra vez em que um ferrão de mandiguaçu me acertou o peito do pé, num toque Silphis tirou a dor. Noutra, a inflamação na garganta passou, quando ele tocou-me o pescoço, com um ramo de gervão. Quando as abelhas africanas invadiram a casa na fazenda e todos puseram-se a correr, Silphis ergueu a mão (pude ver uma luz nas pontas dos dedos) e as pequenas asadas retornaram à colméia, sem ferir ninguém. Silphis fez muita falta quando partiu. Partiu, desapareceu, saiu pra comprar umas coisas na mercearia da esquina da Guajuvira com a Pinheirais na nossa Kedas do Iguaçu, e nunca mais retornou. Como não tinha família presente, sendo só nós os seus de vida e presença, nada aconteceu, além da imensa saudade que quase nos mata. Olho os céus detidamente, todas as noites. Estrelas sinalizam Silphis, em alguma via intergaláctica, mentalizando seus pobres amigos do Iguaçu. Cipós de pensamentos costuram tecidos de significação, sonhos, amizade. Uma vez Silphis acelerou minha mente, num processo telepático. Alguma coisa travou no desvelo de equações perigosas. Um caso de amor irresolvido!? Ou eram, sonhos sem finalização!? Sei que a solução ocorreu nathuralmente… Gostava de bifes de fígado e cáquis de sobremesa. Ensinou meus filhos a concentrar o tempo, atenção, mentalizar para o bem e o certo. Ensinou-os a expandir o conhecimento das coisas, em observando-as atentamente. Cresceu em nós como ser híbrido, espacial, deixando grandes lições. Há poucos dias um estranho homem, alto e forte, chegou em nossa casa e pediu pra mulher sobre Silphis. Disse que tinha uma mensagem de seus pais pro garoto. Em síntese: que era pro pequeno ir à Porto Alegre, perto de Praia de Belas, que seria encontrado pela família. Havia um brilho diferente nos olhos do homem. Um brilho, uma cor radiante na tez morena. A Mari, disfarçou que não sabia mais do garoto… que eu e o Sr. Orlando já o tínhamos encaminhado aos pais em Goiás… parece que a algum circo. Mal sabia ela, que Silphis partiu quando e como quis, sem nos dizer nada. É (sua passagem) uma fábula que se realizou, uma lenda em ser, que não tem fim e projeta aos tempos futuros. Silphis gostava de me ver escrevendo coisas. Ficava perdido, em noites altas, atento as minhas elaborações do pensamento. Poesia, arte, filosofia, direito, lógica, linguística, semiótica e misticismo. Tudo lhe chamava a atenção. Palavras não dizem tudo. Sentidos podem… mas nem sempre alcançam. Dizia. Senti, que nunca mais fui o mesmo como poeta e escritor, depois que Silphis se foi. Aquela luz, emanada do guri, o olhar atento, a sã comunicação interespacial que operava, deixaram em mim solitude, isolamento involuntário. A essa estrela nova que aqui passou consagro este texto de vento e brasa, saudade, conhecimento, além do terreno e do carnal. mvcxzn,mvn,mnv,mc1v euiondhSHdjjlkjdncxxvczzczcvzzsgzrk Expanda-se essa luz juvenil nos amplos espaços do Cosmo, vivendo e ensinando, o simples de pés no chão, que todos devemos ser. SIMPLES. Fui, sou, serei, à revelia do complexo. JARACATIÁ!

Comissão Nacional da Verdade: mais uma farsa?

Grupo Tortura Nunca Mais-RJ

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, mais uma vez, vem a público mostrar sua preocupação e, mesmo, indignação com as desinformações e manipulações que vêm ocorrendo em torno da instalação de uma Comissão Nacional da Verdade a ser votada em breve pelo Congresso Nacional. Importante lembrar que esta 2ª versão da Comissão da Verdade — contida nas reformulações conservadoras do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), em maio de 2010 — apresenta graves e comprometedoras mudanças que mutilam a 1ª versão, anunciada à Nação, em dezembro de 2009, em grande mis-em-scène midiática.

Já havíamos questionado o caráter antidemocrático daquela 1ª versão da Comissão Nacional da Verdade no que dizia respeito à criação de um grupo de trabalho para elaborar o projeto de lei que instituiria esta Comissão. Dentre os 06 membros que formariam este grupo de trabalho, 05 seriam autoridades governamentais e somente 01 “representante da sociedade civil”, escolhido por uma dessas autoridades.

Entretanto, há nesta 2ª versão mudanças muito sérias e graves que mostram um profundo desprezo por nossa história em nome da “conciliação nacional” e da governabilidade. São elas:

• retira-se qualquer tipo de responsabilização em relação àqueles que cometeram crimes contra a humanidade naquele período de terror.

• retiram-se as expressões “repressão ditatorial”, “regime de 1964-1985” e “resistência popular à repressão”, substituindo-as por “prática de violações de direitos humanos no período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da Constituição (1988).” Ou seja, retira-se da história do Brasil o período de ditadura civil-militar.

• acrescenta-se ao trabalho de “localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos’ a expressão “com base no acesso às informações”. Ou seja, o Estado brasileiro não se compromete nestas buscas e identificações a não ser que ocorram informações. E quem daria essas informações? Como sempre o Estado brasileiro, mandante e responsável por esses crimes, se omite e coloca o ônus das provas nas mãos de entidades de direitos humanos e dos familiares de desaparecidos, sendo que os arquivos ditos secretos da ditadura continuam inacessíveis.

Sabemos que a memória é um campo de lutas e que estas modificações no PNDH-3 com relação à Comissão da Verdade está fortalecendo uma certa história oficial: como se fosse a história única e verdadeira, possivelmente com o apoio das próprias forças que respaldaram o terror em nosso país.

Cabe, ainda, lembrar que este debate para implantação de uma Comissão Nacional da Verdade — mesmo que mutilada e somente “para inglês ver” como forma de aplacar os clamores nacionais e internacionais — fortalece-se logo após a sentença dada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA que condenou o Estado brasileiro em relação à Guerrilha do Araguaia. Por esta sentença, exarada em dezembro de 2010, o Brasil tem até o final do ano para remover todos os obstáculos práticos e jurídicos para a investigação dos crimes, esclarecimento da verdade e responsabilização dos envolvidos. Também, o Tribunal reafirmou o alcance geral de sua decisão, exigindo que as disposições da Lei de Anistia, que impedem as investigações penais, não possam representar um obstáculo a respeito de todos os outros casos de mortos e desaparecidos políticos no Brasil.

Por tudo isto, reafirmamos nosso repúdio a esta encenação de Comissão da Verdade. Continuamos nossa luta por:

• Uma outra Comissão Nacional da Verdade e Justiça.

• Pelo cumprimento integral da Sentença da OEA.

• Pela abertura ampla, geral e irrestrita de todos os arquivos da ditadura.

Rio de Janeiro, 03 de maio de 2011

Pela Vida, Pela Paz

Conversa com a Presidenta DILMA ROUSSEFF:

Coluna semanal da Presidenta Dilma Rousseff

 

 

Gentil Soares de Lima, 47 anos, professor de Umuarama (PR) – Quais projetos e programas serão efetivados em seu governo para fazer chegar de forma concreta o esporte ao ambiente escolar?

Presidenta Dilma – Nós já temos diversos programas em andamento e vamos ampliar ainda mais o acesso dos estudantes à prática esportiva. Com uma rotina de vida saudável, com regras de convivência, os jovens desenvolvem a autoestima, ficam distantes da criminalidade e entre eles podem despontar futuros competidores. Uma das principais iniciativas nesse campo é o Mais Educação, implementado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2010, o programa beneficiou 2,2 milhões de estudantes com várias atividades fora dos horários de aula, incluindo cultura, artes, educação científica e esportes. O braço esportivo do Mais Educação é uma parceria com o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Os estudantes podem praticar modalidades como vôlei, basquete, handebol, tênis de mesa, judô, caratê, taekwondo, yoga, natação, xadrez, atletismo, ciclismo e tênis. Para este ano, a meta é atender 15 mil escolas públicas e oferecer educação integral para 3 milhões de alunos. O Ministério do Esporte tem também o Bolsa Atleta, que financia alunos de escolas públicas ou particulares com potencial para se tornarem atletas olímpicos. E mais: o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, está financiando a construção, pelas prefeituras, de quadras poliesportivas cobertas. Desde janeiro, 249 prefeituras já foram autorizadas a construir 454 quadras, das 2.500 planejadas para este ano.

José Wilton de Melo, 55 anos, farmacêutico bioquímico de Iguatu (CE) – Qual a razão de o valor dos procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a exames clínicos laboratoriais se encontrarem congelados desde julho de 1994?

 

Presidenta Dilma – José Wilton, não existe congelamento. Somente nos últimos três anos, o Ministério da Saúde promoveu quatro grandes reajustes da tabela de procedimentos do SUS. Entre os procedimentos que tiveram reajustes, estavam os exames clínicos laboratoriais, incluindo os hormonais, neonatais, microbiológicos, bioquímicos, toxicológicos, sorológicos e imunológicos. Em 2008, foram reajustados em 11,12% os valores de 55 procedimentos relacionados a exames hormonais (HGH). É importante ressaltar que o Ministério da Saúde tem como objetivo levar o atendimento qualificado para mais perto da casa do brasileiro. Além de reajustar os valores da tabela, o governo federal também ampliou o acesso da população a esses exames. Em 2010, foram realizados na rede pública 471 mil exames laboratoriais, contra 383 mil exames em 2008, o que representou um crescimento de 23%.

Maria Aparecida Barros, 44 anos, apicultora de Belém (PA) – A senhora acredita na reforma agrária? O que o seu governo prevê para este tema?

Presidenta Dilma – Sim, Maria Aparecida, eu acredito na reforma agrária, que democratiza o acesso à terra, garante a produção de alimentos saudáveis e baratos e gera renda e bem-estar social no campo. Além do mais, ajuda no esforço pela erradicação da extrema pobreza e contribui para reduzir o inchaço das periferias das cidades. Todo o Brasil ganha com a reforma agrária, e não apenas os beneficiários diretos do programa. É por isso que nós avançamos como nunca no governo passado. Durante os 40 anos de existência do Incra, o número de famílias assentadas superou 1 milhão e mais da metade – 614 mil – recebeu terras entre 2003 e 2010. Dos 85,8 milhões de hectares utilizados para assentamentos, 56% foram nos últimos oito anos. E não nos limitamos a fornecer terra. Nós construímos ou recuperamos 53 mil km de estradas vicinais para o escoamento da produção, financiamos a construção ou reforma de 405 mil casas dos assentamentos, fornecemos assistência técnica e programas educacionais, entre vários outros benefícios. Também ampliamos o acesso dos assentados aos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Vamos continuar a investir no assentamento de milhares de novas famílias e a estimular o desenvolvimento de agroindústrias para aumentar a produção e agregar valor aos seus produtos. Queremos ampliar a assistência técnica, o acesso ao crédito e infraestrutura, como luz elétrica, mais estradas, abastecimento de água, entre outros incentivos. A efetividade do programa de reforma agrária é necessária para a construção de um país com justiça fundiária, segurança alimentar e paz no campo.

O britânico Alexander Mustard documentou um mergulho entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, que se afastam a cada ano. / londres

Mergulhador fotografa divisão entre placas tectônicas na Islândia

Da BBC

O fotógrafo britânico Alexander Mustard registrou o mergulho que ele e outros colegas fizeram na fenda entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia.

A aventura para conhecer a “fronteira” entre as duas placas ocorreu no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia. A paisagem submersa do parque é cheia de vales, falhas e fontes de lava, formados pelo afastamento gradual entre as duas placas, que se distanciam cerca de 2,5 centímetros uma da outra a cada ano.

Foto tectônica 2 (Foto: Alexander Mustard / Solent )Fotos foram tiradas nas imediações do Parque Nacional Thingvellir. (Foto: Alexander Mustard / Solent )

Os mergulhadores que participaram da expedição desceram cerca de 24 metros na fenda entre as placas, mas chegaram a até 60 metros de profundidade em cânions como o Silfra e o Nikulasargia.

Mustard, de 36 anos, diz que as imagens mostram ‘o mundo submarino único da Islândia, que, assim como a ilha, é formado por paisagens vulcânicas’.

A lava e o vapor quente na interseção entre as placas criou também a chaminé hidrotermal Arnarnes Strytur, visitada pelos mergulhadores. A água é expulsa da chaminé 80°C e forma uma coluna turva ao entrar em contato com a água do mar, que está a 4°C.

Alexander Mustard é especializado em imagens submarinas. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o registro fotográfico de destroços de navio no fundo do mar ao redor do mundo.

Foto tectônica 1 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Mergulhadores chegaram a atingir até 60 metros de profundidade. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

Placas tectônicas
A noção de placas tectônicas foi desenvolvida nos anos 1960 para explicar as localizações dos vulcões e outros eventos geológicos de grande escala.

De acordo com a teoria, a superfície da Terra é feita de uma “colcha de retalhos” de enormes placas rígidas, com espessura de 80 km, que flutuam devagar por cima do manto, uma região com magma nas profundezas da terra.

Foto tectônica 3 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Fenda entre duas placas tectônicas foi estudada. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

As placas mudam de tamanho e posição ao longo do tempo, movendo entre um e dez centímetros por ano – velocidade equivalente ao crescimento das unhas humanas.

O fundo do oceano está sendo constantemente modificado, com a criação de novas crostas feitas da lava expelida das profundezas da Terra e que se solidifica no contato com a água fria. Assim, as placas tectônicas se movem, gerando intensa atividade geológica em suas extremidades.

As atividades nestas zonas de divisa entre placas tectônicas são as mesmas que dão origem aos terremotos de grande magnitude.

Foto tectônica 4 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Alexander Mustard é especializado em fotografia no fundo do mar. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

QUIRERA COM POESIA de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr


O milho amareliz amarelizarino sempre presente na minha vida de poeta do mato. Ontem colhemos duas carroçadas. O milho fica agora no galpão em espiga até secar bem, pra só após alguns dias ser quirerado. O milho novo pode dar garrotilho nos cavalos e é bom evitar o trato equino, nesses dias. As espigas tombadas no interior do galpão, pálidas estruturas envolvidas em palha, parecem corpos de seres de outro mundo. Amareliz amarelizarino o milho. Visitantes alienígenas vez por outra comparecem pra conhecer re-conhecer o milho, provar do seu amarelíssimo amido, sentir a textura de seus grãos como pepitas de ouro enchendo baldes, cestos trançados de taquara, carroças e caminhões no granel. Vi alguns seres refestelados no milho em noites altas de inverno. A luz forte da navemãe alumbrava a paisagem no entorno do velho galpão de madeira, onde o milho fica estocado. Os olhos do dono do milharal deixam o milho mais bonito, hígido nos grãos, pujante nas espigas. Nas colheitas, chego a deitar no meio do milho. Sentir o tépido e áspero das espigas dispostas irregularmente em montículos pelo chão da terra fresca. O milho amareliz amarelizarino milhante felizino cálido. Lanço poemas novos de cabeça. Eclipsemas fáceis de se entender e arranjar significação. Fugi da escola, me desinteressei pela gramática. Um poeta livre é de tecer sua própria linguagem/linguagens, regras de bem dizer e assim fiz, faço. A multidão de vozes prometida de vir não veio, não vem. A multidão de interlocutores que iria conhecer o meu verbo, debater contemporâneo e futuro da arte que penso, acho domino. As espigas vão sendo tombadas da carroça para o piso de cimento do galpão. Os corpos rolam pelo chão, amontoam-se, em composições aleatórias. Os corpos pálidos na tez pálida da palha seca do milho recém colhido. Entro pra dentro dos grãos amarelizes amarelizarinos do milho e sinto o protéico de sua razão de ser-estar no mundo como alimento primordial. O milho escorre pelas canaletas, distribui-se no recinto. Seus grãos de ouro indo pra maquininha de quirerar, saltitantes, felizarinos, amarelizarinos. A máquina quirera os grãos chegantes, como manda a peneira, se fina ou grossa. A quirera fumaceia, pó de milho no ar. A quirera quentinha saída da máquina, fumaceando o pó do milho, solar, solaríssimo. Na enteléquia da proselitílica conheci você. Ainda não existia o milharal o milho milho moído cangicado moído farinhado em minha vida de poeta. Vagava por avenidas de grandes cidades. E muitas vias passei, estrelas, estrelários conquistei e perdi. Muitas viagens interplanetárias no meu destino de tricoteiro de nuvens. Nem só de milho se vive vivo poemeio eclipsemo. Podia ter feito um colar de milho na safra passada com aqueles grãos maiores. Perfurar grão por grão até atingir as cento e tantas contas/miçangas de um razoável colar. Poemas fiz mais de setenta e manuscritos com caneta Pilot. Meus Ergochãs Espaciais saíram assim correndo da toca, como roedores espantados por algum animal perigoso. Em garranchos fui colocando as formigas pra fora do formigueiro. As formigas vinham manchadas de sol e espaço sideral, crispadas de musgos e alentadas de terra. Sei que isso nada tem a ver com o milho. Sei. Não sei. Também traziam uma carapaça de luz espelhar dourada. Não precisa ninguém vituperar vituperino nas minhas obsessões. Gosto disso dos grãos caídos ao chão, rolando despenhadeiros. Os grãos amareliz amarelizarinos do milho. Como da sua carne fresca ainda no pé, milho verde, ou em casa, pamonhado, ou mais tarde de colhido e seco quirerado na panela de ferro. O pó do milho em polenta, em broa, sempre servido na minha vida, como consagração da vida rural que levamos. Certo dia pisei no farelo de milho e saí pelo chão escuro do pátio, em noite minguante, deixando marcas douradas pelo caminho. O milho, esquenta parece, a quem se aproxima, seja homem, criação, cobra, rato, cães e gatos. No meu galpão uma vez um gato foi achado preso dentro duma bolsa de juta, quase meia de milho. O gato amareliz amarelizarino sobreviveu no dourado de sua pele, olhos, boca, patas. Noutra vez uma urutu preta daquelas encardidas e fétidas, saiu do paiol amarelizarina de pó do ouro de minha terrinha. O milho aquece as criaturas. Escreva aí. O milho sacia a fome e rebate o frio da vida. Meus cavalos babam o ouro do milho que os alimenta. Meus cavalos famintos de grãos amareliz amarelizarinos. No choque contra os dentes, os grãos de milho transformam-se milagrosamente, em líquido dourado. Meus cavalos que reverentes ou nem tanto, escutam meus longos monólogos sobre semiótica, philosophia, esthética principalmente e poesia. Meus cavalos diante de um louco milharante milharino comendo potes de cangica e operariando construções abstratas. Um louco-bom atirado na poeira amarela do milho. O milho entra pelas narinas, amarela os cabelos, os pés, os olhos, o milho, e numa mijada qualquer comparece também no sexo, o pó finíssimo do seu esmerilado, o milho entrando pelos poros, sujando de amarelo amareliz amarelizarino os pelos do corpo. O milho. mIlHo milhAnTE milHaRiNO. O milho já vi isso não se mistura com sangue. Certa vez tivemos que sacrificar uma galinha preta presa nuns ferros dentro do galpão. O pobre bicho entre a vida e a morte sangrava sangrava num membro dilacerado. O sangue escorria pelo chão mas não maculava o milho milharino que alimentou aquele bicho por tanto tempo. O sangue escorria sobre a quirera e a farinha de milho mas não incrustava não colava não adstringia de vermelho o amarelo vivatriz vivalhino do milho. Aquele poema que fiz aquela vez prenunciava minha vivência no pó amarelo vegetal. Minha vivência de verdes e amarelos, manchados de terra. Minha vivência de mato, jaracatiás, uvaias e guavirovas, pés nos chão e olhos/sentidos nas estrelas, pensamento no criado, criante e incriado. Os pirilampos lembram do milho, voante brilharino, pisquepiscante em noites de verão. Cogito, terço, enveredo agora pra eclipsemas difíceis de se entender e arranjar significação. Assim foi que no simplório orei ao milho milharino milhoz milhante milhoardeluzerino:

ELOGIO DO MILHO

 

A primeira vez que te vi:

milho

ouro vegetal em espiga em grão

moído cangicado

moído farinhado

milho ouro vegetal

no prato nosso de cada dia

quirera

teus microgrãos triturados

de mão em mão

brilham na louça

ouro em pó

vegetal na palma de minha mão

um comedor de quirera

vivo na contramão

do tempo e da história

os bolsos cheios do pó dourado

de minhas roças

milho: triturados grãos

falso ouro dos que pedem

consolo dos desolados

na louça branca

na mesa improvisada

na cumbuca do bóia-fria

sob a lona do sem-terra

amo a nathura

onde vivo e trabalho

um comedor de quirera

nasce a cada minuto

:também nasci assim:

um comedor de quirera

minha voz entalou no muro

esse grão que se habilita

a matar todas as fomes

não tem pai nem sobrenome

é milho só em espiga em grão

moído cangicado

moído farinhado

crescido sempre na luta

das mãos que o semeam e colhem

:quirera: teus microgrãos

triturados de mão em mão

brilham na louça branca

ouro em pó

vegetal

na palma de minha mão.

 

Terminei o poema e vi a poeta quituteira que mais que ninguém escreveu sobre o milho o ouro vegetal: Cora Coralina. Estava em brancas vestes adornada de grãos de milho, amareliz amarelizarinos. Uma aura douratriz milhatriz milhante entornava-a. Assim como surgiu a imagem desapareceu, deixando odor de milho quente, passado em tacho, panela de ferro, feito cuizcuz, bijú, pamonha… Os ratos no canto do paiol roíam o resto de grãos que ficaram do transporte. Cora Coralina deixou uma cesta cheia de quitutes de milho encima da velha tulha de madeira de lei. Agradeci, dizendo como meu tio Nenê caboclinho de sepa do Riograndópolis do Sul, não carecia Dona Cora, não carecia. E me fartei dos quitudes amareliz amarelizarinos túmidos do amido de ouro. Evoquei kaingangues roçadas de milho no toco. Fogo e fumaça, naqueles fins de mundos. Verdes sobre verdes esmeraldados com clareiras plantadas de milho milharino. Evoquei tribos nômades transportando lavouras de milho dum lugar para outro. Tribos grandes. Curumins caras amarelas amarelizarinas do milho fresco comido em gula. Os cavalos corriam pensamentos bons pelos meus campos da Fazenda Poema, e furões e iraras adentraram nos montes de milho roendo a palha e os grãos. A terra joga pra fora as pequenas hastes verdes verdeforescentes do milho plantado a poucos dias. Mais tarde os pendões como pênis juvenis estiram-se pra fora do invólucro verde. O milho é valente e floresce, põe barbas de milho pra fora, avoluma-se na maturidade. Ficamos todos (homens e bichos) rondando o milharal anuviado de verdes, maturar o ouro do seu ser. E assim é, sempre será em nossa vida cabocla, quirera com poesia todo santo dia.

 

RELER de lucas paolo /são paulo

  RELER

[Imperativo Palindromático Infinito]

BRDE recebe gestores financeiros italianos / curitiba


Uma proposta de parceria para a viabilização de obras de infraestrutura foi apresentada por Mario Ciaccia, CEO do BIIS – Banca Infrastrutture Innovazzione e Svillupo (Banco de Infraestrutura, Inovação e Desenvolvimento), da Itália, em visita ao BRDE. Ele estava acompanhado da vereadora Renata Bueno (PPS), que propôs a visita. Ciaccia explicou as atividades e a visão do banco, que integra o grupo Intesa San Paolo. “Percebemos que a legislação brasileira permite que auxiliemos em obras de desenvolvimento sustentável e infraestrutura com base nas leis que versam sobre a realização das PPPs, as parcerias público-privadas”, afirmou o executivo italiano.

Mario Ciaccia conversou com a diretoria e a superintendência da agência sobre a possibilidade de uma parceria para atuar em conjunto no financiamento de projetos ou com o BRDE participando na estruturação dos projetos.

Suzan Fernanda Thome Speltz
Estagiária / Ascom_PR
Fone: 41 3219-8035
Fax:   41 3219-8020

www.brde.com.br

Menino e Cão – por jorge lescano / são paulo


In memoriam Dimitri Lescano

 

–    Pai, paiê, papaiê! Dimitri gritava e Pancho I latia e pulava em

torno  dele, a boca  procurando uma  bolacha na mãozinha que

que se abria e fechava no chamado.

Eu fingia não ouvir forçando minha atenção na leitura.

–    Papaiêêêêêêê!!!

–          O que é que você quer? – voz de baixo e carranca que  não

impressionavam  nem  o  cachorro  que  ladrava-pulava-latia e

pensava: é festa!

–          Vem  cá – disse  Dimitri  soltando  um  pontapé.  Pancho I

soube evitá-lo.

–          Estou ocupado – tinha a vã esperança de que me deixasse

em paz.

–          Vem cá, paiê!

Eu fui. Que outra coisa poderia fazer?

Dimitri colocou sua mãozinha dentro da minha. Com o dedo in-

dicador da mão livre  mostrou o céu  vermelho  de  crepúsculo.

Enquanto  Pancho I abanava  o rabinho  olhando para cima, Di-

mitri me encarou sorrindo e, maravilhado, disse:

– A lua, paiê.

Genoino é 1º combatente da ditadura a receber medalha das Forças Armadas / Brasilia

Pela primeira vez, um ex-integrante de grupos armados no Brasil foi condecorado com a Medalha da Vitória, na data em que se comemoram os 66 anos da atuação das Forças Aliadas que combateram na 2a Guerra Mundial, com a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), nos campos de batalha na Europa.
O condecorado com a Medalha da Vitória foi o ex-deputado federal petista José Genoino (SP), que recentemente foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa e participou da Guerrilha do Araguaia na década de 70.

Sobre a homenagem, Genoino disse que o Brasil amadureceu. “Eu acho que o Brasil tem que definir bem os projetos de defesa para o futuro. O direito à memória faz parte da nossa história democrática e isso não deve atrapalhar a agenda do futuro.”

Genoino ainda brincou com o fato de ter sido agraciado com a medalha entregue pelo Ministério da Defesa a 284 personalidades e instituições que contribuíram para difundir a atuação do Brasil na 2a Guerra Mundial. “Olha, já tem acontecido tanta coisa na minha vida e na história do Brasil que a gente só tem que acreditar no Brasil e no futuro, porque muita coisa surpreendente vem acontecendo positivamente.”

General Heleno volta a defender o golpe de 64 ao passar para a reserva / coment de jussara seixas

DE BRASÍLIA – Ao passar para a reserva ontem, em solenidade no Quartel-General do Exército, o general Augusto Heleno recorreu à memória do pai, que foi coronel e morreu quando ele era tenente, para defender a ação das Forças Armadas em 1964 “contra a comunização do país”.

VÁ PRA CASA GENERAL! 

Ninguém esperava uma atitude, um pensamento, um discurso diferente desse general. Alguns oficiais e outros tantos abestalhados da mídia do PIG sentem saudades da era de chumbo, da ditadura ensandecida, do poder que permitia e exigia torturas, da censura de idéias e opiniões. Para gente assim o AI-5 foi o clímax de uma era gloriosa. Gente assim gostava de torturar pessoas até a morte e depois esconder os corpos em cemitérios clandestinos. Gostavam de estuprar, ameaçar famílias, violar todos os direitos humanos com requintes de crueldade. Esqueça, general Heleno, esse tempo de ditadura e tortura, nunca mais.  Vá pra casa, vista o pijama, coloque chinelos e tente cuidar de flores, é uma ótima terapia. Agradeça a Deus, general Heleno, por ser brasileiro, porque na Argentina, Chile, Uruguai, você  não iria para casa cuidar de flores. Lá os golpistas, os assassinos e os torturadores saudosistas da ditadura vão para a cadeia, condenados à prisão perpétua.


NOAM CHOMSKI: “Minha reação diante da morte de Osama” / eua

Noam Chomsky

Fica cada vez mais evidente que a operação foi um assassinato planejado, violando de múltiplas maneiras normas elementares de direito internacional. Aparentemente não fizeram nenhuma tentativa de aprisionar a vítima desarmada, o que presumivelmente 80 soldados poderiam ter feito sem trabalho, já que virtualmente não enfrentaram nenhuma oposição, exceto, como afirmara, a da esposa de Osama bin Laden, que se atirou contra eles.

Em sociedades que professam um certo respeito pela lei, os suspeitos são detidos e passam por um processo justo. Sublinho a palavra “suspeitos”. Em abril de 2002, o chefe do FBI, Robert Mueller, informou à mídia que, depois da investigação mais intensiva da história, o FBI só podia dizer que “acreditava” que a conspiração foi tramada no Afeganistão, embora tenha sido implementada nos Emirados Árabes Unidos e na Alemanha.

O que apenas acreditavam em abril de 2002, obviamente sabiam 8 meses antes, quando Washington desdenhou ofertas tentadoras dos talibãs (não sabemos a que ponto eram sérias, pois foram descartadas instantâneamente) de extraditar a Bin Laden se lhes mostrassem alguma prova, que, como logo soubemos, Washington não tinha. Portanto, Obama simplesmente mentiu quando disse na sua declaração da Casa Branca, que “rapidamente soubemos que os ataques de 11 de setembro de 2001 foram realizados pela al-Qaeda”.

Desde então não revelaram mais nada sério. Falaram muito da “confissão” de Bin Laden, mas isso soa mais como se eu confessasse que venci a Maratona de Boston. Bin Laden alardeou um feito que considerava uma grande vitória.

Também há muita discussão sobre a cólera de Washington contra o Paquistão, por este não ter entregue Bin Laden, embora seguramente elementos das forças militares e de segurança estavam informados de sua presença em Abbottabad. Fala-se menos da cólera do Paquistão por ter tido seu território invadido pelos Estados Unidos para realizarem um assassinato político.

O fervor antiestadunidense já é muito forte no Paquistão, e esse evento certamente o exarcebaria. A decisão de lançar o corpo ao mar já provoca, previsivelmente, cólera e ceticismo em grande parte do mundo muçulmano.

Poderiamos perguntar como reagiriamos se uns comandos iraquianos aterrizassem na mansão de George W. Bush, o assassinassem e lançassem seu corpo no Atlântico. Sem deixar dúvidas, seus crimes excederam em muito os que Bin Laden cometeu, e não é um “suspeito”, mas sim, indiscutivelmente, o sujeito que “tomou as decisões”, quem deu as ordens de cometer o “supremo crime internacional, que difere só de outros crimes de guerra porque contém em si o mal acumulado do conjunto” (citando o Tribunal de Nuremberg), pelo qual foram enforcados os criminosos nazistas: os centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, destruição de grande parte do país, o encarniçado conflito sectário que agora se propagou pelo resto da região.

Há também mais coisas a dizer sobre Bosch (Orlando Bosch, o terrorista que explodiu um avião cubano), que acaba de morrer pacificamente na Flórida, e sobre a “doutrina Bush”, de que as sociedades que recebem e protegem terroristas são tão culpadas como os próprios terroristas, e que é preciso tratá-las da mesma maneira. Parece que ninguém se deu conta de que Bush estava, ao pronunciar aquilo, conclamando a invadirem, destruirem os Estados Unidos e assassinarem seu presidente criminoso.

O mesmo passa com o nome: Operação Gerônimo. A mentalidade imperial está tão arraigada, em toda a sociedade ocidental, que parece que ninguém percebe que estão glorificando Bin Laden, ao identificá-lo com a valorosa resistência frente aos invasores genocidas.

É como batizar nossas armas assassinas com os nomes das vítimas de nossos crimes: Apache, Tomahawk (nomes de tribos indígenas dos Estados Unidos). Seria algo parecido à Luftwaffe dar nomes a seus caças como “Judeu”, ou “Cigano”.

Há muito mais a dizer, mas os fatos mais óbvios e elementares, inclusive, deveriam nos dar mais o que pensar.

(*) Noam Chomsky é professor emérito do Departamento de Linguística e Filosofía del MIT. É autor de numerosas obras políticas. Seus últimos livros são uma nova edição de “Power and Terror”, “The Essential Chomsky” (editado por Anthony Arnove), uma coletânea de seus trabalhos sobre política e linguagem, desde os anos 1950 até hoje, “Gaza in Crisis”, com Ilan Pappé, e “Hopes and Prospects”, também disponível em áudio.

O RASTRO DUMA ESTRELA – de vera lucia kalahari / portugal

Como as ondas que nunca param,

Como as flores que sempre nascem,

Os anos rolaram, passaram e mataram

Esses dias, essas horas da minha infância.

Meu cavalinho de pau que voava rasgando os céus

Entre rosas e açucenas, onde estás?

Já não vejo as tuas crinas, revoltas,

Voando o vento.

Meus cabelos soltos, como nuvens esvoaçantes,

Que vos fizeram?

Porque cortaram os meus cabelos?

Porque cortaram as minhas asas

E não deixaram a menina, continuar a ser menina?

Despiram minhas vestes rotas, sujas de menina,

E envolveram-me em roupas de senhora.

Deceparam minhas asas que me levavam para o Além

E deixaram-me de rastos, como tantos vermes.

Já não sou eu mesma…

Eu fiquei no jardim ensolarado com buganvílias  de sangue.

Eu, fiquei nas margens do rio,

Na Ilha do Tesouru,

Na Terra da Fada Bela,

Na cozinha da Cinderela.

Esta que por aqui erra, amortalhada

Em vestes enriquecidas,

É a sombra daquela que lá ficou.

Era pura como a rola que cantava no alto das  romanzeiras…

Era livre como o rio que corria no mangueiral verdejante

Minhas tranças negras saltavam, saltavam mais…

E eu pulava ao sol ardente nesses dias quentes d’estio selvagem.

-‘’Abram alas, a mim. Eu quero espaço… Espaço…’’

E corria como uma flecha a subir ao céu, rasgando um traço.

E um pássaro na romanzeira:-‘’Voa, menina, voa mais alto que hás-de cair…’’

Mas eu corria, voava mais, sem o auxílio de nenhum braço,

Rompendo o azul dos espaços, os pés descalços brilhando…

-Que triste é esta chuva caindo no telhado…-

Ah…Não. Não queiram que eu deixe de ser Eu…

Não queiram roubar-me ao mundo do meu passado.

A estrada é só uma, cheia de escombros e ruínas.

O princípio, já não se avista.

O fim? É mais além, para lá…

Mas seja qual for a magia, seja qual for a beleza,

Deste dia do presente, eu volto sempre ao princípio,

Ao dia do meu passado.

E por muito que rebusque, por muita força que faça,

Não consigo esquecer o mundo dos dias d’ontem.

Lá, há oásis verdejantes onde eu tinha a minha casa.

Era um palácio divino com amor por todo o lado

E estrelas a cintilar.

O vento trazia odores de rosas e maresia.

Os criados eram gnomos e as cortinas de luar.

Que horas de fantasia em noites de lua cheia…

Do palácio encantado que em sonhos construí

Fiz uma linda guarida para os sonhos que teci.

– E esta chuva tão triste a gotejar do telhado-

Mar imenso rugindo ao longe, risos de crianças em correria louca…

E no meio de verdes ondas, a Ilha maravilhosa do Tesouro.

Um tesouro de ouro e prata que procurei e nunca achei.

-Nele me falara a velha Jaja numa noite de lua cheia-.

Tesouro que povoou as minhas noites com sonhos de grandeza e majestade…

Um tesouro…Muito ouro…Muita prata…Que bom, Deus, será achá-lo.

Daria um barco pesqueiro, uma rede resistente, ao velho Manuel do Forte.

E uma blusa de chita, à Maria, que era doida,

E que toda a garotada  afugentava à pedrada.

À minha avó, coitadinha, dava-lhe um lindo rosário,

Com contas lindas de prata e uma cruz de marfim.

E àquele menino pobre que chorava pelas ruas

Dava-lhe um carro de corda e um soberbo pião.

À Joana a pobre noiva que perdera o seu amor,

Um valente pescador, dava-lhe um vestido de renda,

Alvo como a espuma do mar.

A Ilha do Tesouro… Até hoje, nunca a achei.

Vieram noites amenas, noites de estrelas e luar,

Em que o mar era sereno e o deserto crescia em flor.

Mas a minha ilha que havia de encontrar

Em alvorada radiosa, feita de todos os anseios,

Plena de toda a beleza, magnífica,  resplendorosa

Perdeu-se na imensidão do presente e do futuro.

-A chuva continua, chove lá fora-

A minha casa era o mundo, minha família era o mundo,

Todas as estrelas eram minhas e eu morava em cada rua.

Corria por todos os campos, banhava-me em todos os rios,

Sorria à noite p’ra lua, que um dia seria minha.

Cresci e nada tenho…Não tenho casa nem ruas,

Nem campos, rios ou sebes.

Sou irmã de todo o mundo e não sou irmã de ninguém…

Cansada de vaguear, agitada pela vida, sacudida por vendavais,

Quero voltar outra vez, a ser menina, a ser crente.

Deitei às ondas do mar a caravela dos sonhos…

Sem nunca achar o seu porto, perdeu-se no mar revolto.

Mas já voguei num barco negro, dum velho pirata,

Que me levava refém, para a praia da Rocha Verde.

Espada de pau de caixote, chapéu dum velho jornal,

E o meu primo Jajão, um terrível capitão,

Lá partia à disparada, em heróica cavalgada, p’ra salvar à paulada

A princesa Magalona…

E era ver a chegada , estóica e triunfal, entre risos e gritaria,

Numa carroça bizarra em tremenda algazarra.

Que belo calor me prende, nestas asas dum sonho vão…

Que lentas asas me levam p’ra longe, p’rá solidão…

Algemas de medo prendem-me as mãos.

Porque eu quero ser eu… Quero marchar para a vida

E deixar a ilha dos sonhos perdidos…

Quero que as minhas mãos não sejam mais,

Mãos de estrelas mortas, sem terem jamais uma chama de luz…

Quero ser Povo…Quero ser mundo e não mais ser poeta,

Vagando apenas nas nuvens…

Com o choro do meu Povo, construirei a minha lira…

Com a dor e com a fome, cantarei os versos que trago dentro de mim.

Porque da minha infância, não posso, nem poderei fazer um só poema.

Não poderei desvendar tantos sonhos, sem enganar tanta beleza ,tanta imensidão.

Não…Não poderei falar da menina de sacola , de sorriso ingénuo e confiante,

Seguindo para a escola…O seu livro era a Esperança, e o seu sonho, a Felicidade.

Na volta à tardinha, embora suja e rota, pisava as pedras cantando,

Sem pensar por um momento que o Mundo era mais além.

-E esta chuva tão triste que continua a cair-

Eu era rosa resplendorosa, coberta toda de orvalho…

Chorava sempre à vontade e sempre o sol da saudade vinha o orvalho secar…

Tocaram, sem pejo, na rosa e a flor se desfolhou, sangrando o chão de vermelho…

Triste coração duma rosa, desfolhada ao sol do tempo…

Levantava-me com o dia, brilhando como os brilhantes,

Cheirando como os junquilhos, como as flores de laranjeira…

Hortênsias e margaridas eram as minhas companheiras.

O meu mais lindo chapéu era a papoila encarnada.

E sentada ao pé da estrada, esperava a bela fada que me traria de presente,

Felicidade e Bondade…

Triste menina louca, alegre por ser menina,

Com alma toda florida pelos caminhos da vida…

Certa vez, ao despontar do sol, o meu primo Jajão companheiro das folias,

Acordou-me me mansinho: ‘’Anda, vem ver o que vi…Imagina tu, um ninho’’…

Eu era nesse tempo, uma simples garotinha…E vi:

Na bela romanzeira, em botão, toda florida, lá estava pendurado,

Um ninho de sabiás…

-‘’Levamo-los e trancamo-los na minha gaiola nova’’…

E eu, sem ter compaixão, ajudei-o na brincadeira.

Mas um dia, com piedade, vi que os meigos sabiás,

Ansiosos, a revoar, atiravam-se contra as grades

Tristonhos, dolorosos, para achar a liberdade…

Abri a porta e ei-los voando, contentes, rumo ao céu…

-Que grande tareia me deu o Jajão-

Alma sem alma, irrequieta, assim estou eu agora,

Numa gaiola dourada, a envelhecer, envelhecer…

A Primavera chegava… E a menina em botão,

Crescia, desabrochava, no olhar brilhante os mil anseios de jovem…

Como louca andorinha, girava no turbilhão de róseas visões.

-Tão longe ficou  a saia de chita-

Sob vestes faustosas de fina seda, passava para o mundo,

Rica, formosa, invejada porém mendiga d’amor…

Depois lá vieram os sonhos, as ilusões, o vestido de branca renda,

A capelinha singela…

Quero olhar para trás… Numa curva do caminho, uma casa abandonada,

Pedras, ruínas, tristeza, e uma saudade sem fim.

Mais perto a encruzilhada, que leva ao bem e ao mal…

P’ró mal, estrada florida,  p’ró bem, espinhos e dor.

Agora, mais para a frente, o trilho nunca pisado.

Quando o sino da minha terra tocar às Ave Marias

As seis notas mensageiras da noite que vai chegar,

A rosa já desfolhada virá reverdecer  a terra,

Nascerão novos botões.

As aves cantarão, os campos florescerão…

E o sol espalhará luz por toda a terra.

A morte é vida…

Se o fruto tombou amadurecido,

Dele virão sementes que em breve, serão flores.

Ah…Não…Mil vezes não…

Não creio que a morte será o fim…

E se desta mulher quebrada o Inverno secou as folhas,

A seiva florescerá em botões….

E a alma da menina reencarnará novamente

Noutra menina traquina, que crê ainda em fadas,

Que encerra o mundo nas mãos

E que será muito mais pura

Que a menina que já cresceu.

FAMILIAS de omar de la roca / são paulo

Ele cresceu cercado de tias velhas. Na verdade quando era pequeno, não eram tão velhas. Mas os valores  da época o faziam acreditar. Elas queriam ser a favorita dele. E se esmeravam. Ele, dividido, ora pendia para cá ora para lá. Ele ainda se recorda de um dia, em torno dos oito anos quando estavam todos voltando de um passeio a noitinha.Estava frio. E uma delas perguntou, depois de um agrado, de qual delas ele gostava mais. Ele ficou quieto e uma outra respondeu por ele, “ de quem o colocar num taxi quentinho e o levar pra casa”. Ao que ele teve que concordar. Na época as três eram solteiras.Uma delas trabalhava em um hospital e sempre dava a ele alguma coisa,até se casar e ter filhos. Ela tinha feito bastante coisa a ele, mas a mãe dele também tinha feito muita coisa por ela. Quando engravidara ela coava a sopa,para que a não tivesse fibras e a tia não perdesse o filho, e o marido dizia que na terra dele as mulheres grávidas carregavam potes de água na cabeça. A mais velha também trabalhava num consultório médico. Ela preparava um rocambole recheado com creme que era irretocável. Infelizmente havia carregado a receita com ela, após uma longa doença que foi paralizando seu corpo aos poucos, mas não seu cérebro, que usava os olhos para perscrutar tudo, até a total imobilidade. A outra trabalhava como secretária. Esta sim o levava para todos os lugares. E ele gostava mesmo dela. Costumavam conversar.E ela havia inclusive dado a ele seu primeiro kit de pintura. Até que alguns incidentes aconteceram e o tempo achou melhor que se separassem. Ainda se lembra que quando pequeno, havia pouco para comer. Quase sempre feijão com farinha. E ele acabava sempre colocando farinha demais, apesar dos conselhos, e o feijão ficava duro e ele não conseguia comer. A noite, com freqüência, a tia vinha e trazia um doce. Uma tortinha de morango com creme. Ou uma barrinha de chocolate. Anos depois numa visita, ele havia levado as mesmas tortinhas para a tia. Só queria dizer que se lembrava. Apesar de tudo. Há poucos meses, sua mãe partiu. E esta mesma tia, veio falar com ele.  “ Preciso te contar uma coisa “ ela disse. “ Pode falar “. “ Há muitos anos atrás, seus pais se conheceram num teatro.” . “ Sim, me contaram “. “ Mas o que  você não sabe, é que ela estava no palco, e ele na platéia.”” Ah é ?”. “ Sim, ela era vedete e estava meio despida para o show.” “ Entendi.” “ E a reputação dela não era nada boa. Diziam até que…” “ Era isso ? “ ele disse com um sorriso. “ Sim, mas não quero te ofender.” “ Bom, semanas atrás, minha mãe disse que eu deveria te perdoar,caso  você me contasse, já que você prometeu guardar segredo.Ela me contou tudo e muito mais.” “ O que ? “ “ E é só por isso que te perdôo.Porque ela me pediu.Ela sabia que você ia querer se chegar. E desde que eu era criança ( se alguma vez o fui ) ela  tinha medo cada vez que você chegava perto de mim. Foram anos de agonia.

” Pelo menos, mesmo tendo falhado com ela, pedi que tocassem a musica clássica favorita dela na cerimônia fúnebre.” Viu mãe, não me esqueci de sua ária de Bach.Mesmo sem ter certeza de que você estava ouvindo.”

Se você tem filhos, nunca se esqueça de que eles estão sempre prestando atenção. Sempre ouvindo. Na verdade ela nunca me disse nada.E eu deixei que ela pensasse que eu não sabia. Mas eu cresci ao lado dela e  de muita coisa ainda me lembro. Embora preferisse esquecer. Como aquele episódio de sexo oral, a que fui forçado pelo primo “querido”  e que só voltou a tona quando completei  cinquenta anos. E ainda ouvia em casa : “ Esquece,esquece, nada aconteceu, esquece.”E só então entendeu porque o tal primo sempre que o visitava, punha algum dinheiro na mão dele e até o ajudara a conseguir emprego. Culpa ? Tudo que ele fizera depois havia compensado aquele momento sexual, que completei na mais absoluta inocência do que fazia ? Tias, primos. Ele também já se foi. Sem me dar a chance de chama-lo de traste,pelo menos. Mas sempre me refiro a ele assim, no alem.Também se foram pai e mãe. E uma filhinha abortada . Meus mortos. Descansem em paz. Me permitam esquecer e descansar também. Eu ainda tenho o choro preso por não conseguir chorar por vocês. Por quase todos pelo menos.Quase.Quase todos.

DESPEJO de julio saraiva / são paulo

fogão    fogareiro
geladeira   colchão
papagaio
gaiola    galinha
cachorro    criança
madeira no chão

foto de casamento
lembrança de aparecida
dia santo   folhinha
prato   panela
penico
piolho    piorra
madeira no chão

um poster do time
uma faca sem crime
a ferrugem nos olhos
uma rosa de pano
vela de 7 dias
madeira no chão

uma lata   um luto
uma lua de lama
relógio parado
carrinho de mão
madeira no chão

madeira   madeira
madeira   madeira
madeira   madeira
madeira
no
chão

madeira   madeira
conflito   confronto
comando   comício
polícia    polícia
madeira   madeira
madeira   caixote
caixote    caixão

um rosário  uma reza
vinte salve-rainhas
slve-se-quem-puder
um tiro   outro tiro
cem tiros talvez

um soluço    um silêncio
cinco corpos no chão

chão

CORPOREIDADE SEDENTA – de joão batista do lago / curitiba

Sobre a cidade

E sobre os cálidos dias

Vê-se, hoje, apenas

Nuvens de névoas.

A brisa é fria!

E, a garoa bate gelada

No meu corpo;

Sangrando de agonia

Pelos teus cálidos

Argumentos de amor

Na partitura de uma sinfonia

Eufórica e deslumbrante,

Que me vai desfolhando

Numa prece de primavera.

Mãe portadora de síndrome de down revela detalhes de seu dia a dia

Três anos após dar à luz, mãe portadora de síndrome de down revela detalhes de seu dia a dia

Tatiane Moreno

Fábio e Gabriela oficializaram a união em 2009 e a filha do casal foi a dama de honra

Foto: Arquivo PessoalAmpliar +

“Calma gente, não está doendo, está tudo bem”. Era dessa forma que Maria Gabriela Andrade Demate, portadora de síndrome de down, tentava acalmar os pais e os dois irmãos ao seguir para uma maternidade em Campinas, no interior de São Paulo, onde daria à luz sua primeira filha.

Com 27 anos, ela engravidou do marido, o estudante Fábio Marchete de Moraes, com quem já mantinha um relacionamento há 3 anos e meio.

Os dois se conheceram na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), por volta dos 7 anos de idade, mas logo Fábio, que tem retardo intelectual devido a um acidente vascular pós-parto, saiu da escola. Anos depois, quando retornou, Gabriela já namorava outro rapaz que também tinha síndrome de down, porém ela se lembrou dos presentinhos que ganhava do colega de infância e ficou balançada. “Ele me dava caixa de bombom, correntinha, dava tudo”, relembra Gabriela.

Durante algum tempo, a estudante se viu em um triângulo amoroso, mas logo que se deu conta da situação a comerciante Laurinda Ferreira de Andrade, de 55 anos, disse que a filha precisava se decidir com quem realmente queria manter um relacionamento. ”Ela ficou levando o Erick e o Fábio no banho-maria, mas chegou uma hora que falei: você pode até namorar, mas só um, porque desse jeito você já está exagerando. Foi aí que ela optou pelo Fábio, com quem está até hoje”, revela a mãe da moça.

A decisão não foi muito difícil, já que a aluna cobiçada usou um critério muito simples que não deixou qualquer dúvida na hora da escolha. “O Fábio saía à noite para comer lanche, ia na praça, fazia tudo, e o outro não”, conta Gabriela.

Com o apoio dos pais, o casal reatou o romance e, passado algum tempo, não conseguia mais se desgrudar.

“Quando começaram a namorar os dois não queriam mais se separar, ficavam juntos o tempo todo. Com seis meses de namoro ninguém segurava mais. Foi ai que resolvemos colocar uma cama na minha casa e uma cama na casa da sogra dela e os dois passavam um tempo em cada lugar até que não se desgrudaram mesmo. Como o Fábio tem mais dificuldade de largar a mãe dele, os dois mudaram para lá”, diz Laurinda.

Como qualquer outro casal, Fábio e Gabriela mantinham relações sexuais frequentes, porém não imaginavam que poderiam gerar um filho. Na época em que descobriu a gravidez, a jovem já tinha passado por pelo menos três médicos que garantiram que ela não tinha chances de ter um bebê. Porém, um geneticista alertou que isso poderia ocorrer, sim, sem esperar que ela já estivesse grávida.

“Lembro que fiquei encantada com a ideia, mas a Gabriela foi categórica ao dizer que não queria ser mãe porque filho dava muito trabalho. Como ela tomava anticoncepcional e começou a sentir umas dores de estômago, a levei ao médico para colocar um método contraceptivo intra-pele e nesse ir e voltar ela já estava grávida”, afirma a comerciante.

A surpresa da gravidez

Laurinda, mãe de Gabriela, percebeu que a filha estava mais “cheinha”, mas nunca imaginou que ela pudesse estar esperando um filho. “Eu sempre chamava a atenção dela por estar comendo muito e achei estranho o tamanho da barriga, porém não liguei muito. Foi quando o Fábio contou para um amigo que a barriga dela estava dando socos. Ao levá-la ao médico descobrimos que a Gabriela estava de seis meses. A Valentina nasceu com oito meses e alguns dias, o que quer dizer que eu soube da gravidez e exatamente dois meses depois minha neta já tinha nascido”, recorda.

A maior preocupação dos familiares foi em relação ao fato da estudante não ter feito o pré-natal e não ter acompanhado a gestação. “Durante a gravidez ela fez natação, equitação, musculação e estava fazendo balé, então era um ritmo de exercício físico imenso”, afirma Laurinda.

Porém, enquanto a mãe se descabelava, Gabriela mantinha a calma e o otimismo. “Ela nunca teve medo de nada porque sempre foi muito conversado esse tipo de coisa em casa. Só ficou um pouco com receio da cesárea porque queria tentar o parto normal, mas expliquei que era muito mais difícil e ela aceitou numa boa”.

Laurinda acabou dando todo o apoio que ela mesma não teve quando a filha nasceu. Há 30 anos, não se tinha nenhuma informação sobre o que era a síndrome de down. “O meu sonho era ter uma menina, porque eu já tinha um menino de quatro anos, e você espera sair de um parto com um filho lindo, maravilhoso e perfeito, de preferência o mais lindo da maternidade. Foi um choque quando um dos médicos disse que ela iria andar, falar, teria problemas cardíacos e iria morrer”, relata.

A notícia caiu como uma bomba. Desorientada, a comerciante procurou um geneticista para saber detalhes da enfermidade e chegou a passar dias trancada dentro de casa, chorando, sem querer mostrar a filha para ninguém. “Um dia uma amiga minha chegou e falou: não tem o que fazer, é para sempre. Não é uma coisa que tenha cura, mas se você estiver mal e quiser ficar trancada dentro de casa será uma opção de vida sua. Agora, se você quiser sair com ela e enfrentar o povo, que com certeza vai ‘cair matando’, é outra opção sua. Nisso me deu um estalo, me questionei por quanto tempo ia ficar ali chorando e decidi encarar o mundo. Vesti minha filha com a melhor roupa, a embonequei mesmo, e fui para a rua”, lembra.

A chegada de Valentina

Laurinda lembra que durante a gravidez de Gabriela ficou bastante perdida por conta da rapidez em que os fatos aconteceram. ”Costumo dizer que fiquei cega, surda e muda neste período. No dia em que a bolsa estourou, eu estava na maior correria, com pedreiros em casa construindo o quarto que seria da Valentina, e não percebi que ela estava prestes a ter a criança. Por volta das 7h da manhã, a Gabriela me disse que tinha feito xixi na cama, mas só na hora do almoço é que eu fui descobrir que na verdade a bolsa tinha rompido, mesmo porque ainda não estava no tempo do parto. Foi uma loucura, fomos voando para Campinas e ela tranquilizando a gente. Eu quase morri”, diverte-se.

Valentina chegou ao mundo um mês antes do previsto sem herdar a síndrome de down da mãe e a deficiência intelectual do pai. “Minha neta é uma verdadeira benção, linda, maravilhosa, inteligente e meiga. É a consequência da vida que a Gabriela sempre levou. Eu fiz questão de que ela tivesse uma vida normal, que conseguisse o máximo que quisesse na vida e sempre procurei realizar todos os seus sonhos na medida do possível. As pessoas acham que os deficientes não têm sonhos, só precisam de cuidados, mas isso não é verdade. Eles têm muitos sonhos”, alerta.

Papeis invertidos

Embora não more com a filha, que hoje tem 3 anos, Gabriela orgulha-se ao falar de Valentina e lamenta quando sua mãe, que é quem cria a menina, precisa dar algumas broncas. “Ela passa mal sempre que vê a gente chamando a atenção da Valentina e diz que não gosta porque sente um aperto no peito. É o instinto materno mesmo”, afirma Laurinda.

Valentina foi registrada pelos pais biológicos após a avó enfrentar algumas dificuldades no Cartório de Registro Civil da cidade de Socorro, onde moram. “Eu não tinha dúvidas de que isso seria possível, só gostaria que tivesse sido com mais respeito”, conta ela que passou cerca de dois meses lutando para que o local aceitasse o pedido depois de alegarem que Fábio não conseguia declarar a paternidade, nem dizer seu endereço residencial.

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No dia a dia, Gabriela costuma levar a filha à escola com a mãe e adora brincar com a menina. “Ela me chama de mãe, a gente pula na cama elástica, assiste televisão. Ela é bem boazinha comigo”, diz a jovem que também não poupa elogios à mãe. “Ela [Laurinda] me leva até café na cama e eu ajudo a arrumar a cozinha”, ressalta.

Segundo a avó, Valentina é bastante apegada à mãe. “Ela é completamente apaixonada pela Gabriela e a chama de minha mamãe gorducha (risos). Quando ela chega, a Valentina já fica cheia de manha, faz birra. Acabei meio que assumindo o papel de mãe e ela o de avó, que deixa fazer tudo”, confessa.

Ao ser questionada pelo eBand se gostaria de ter outro filho, Gabriela é categórica. “Não, eu operei, um já está bom”.

Enfim, casados

Um ano após o nascimento de Valentina, Gabriela e Fábio oficializaram a união com direito a uma festança que movimentou a pacata cidade de Socorro. “Fizemos uma cerimônia religiosa no melhor clube no dia 19 de março de 2009, quando minha neta completou 1 ano. A Gabriela casou de branco e a Valentina entrou de daminha”, conta a avó.

Gabriela também lembra a data com carinho. “Foi muita gente, estava tudo lotado, minhas tias, meus tios, meu pai”.

Durante a entrevista, ela estava passando alguns dias na casa da mãe, perto da filha e longe do marido. “Eu estou doentinha e a Valentina também. O Fábio está lá na nossa casa, cuidando, mas ele liga todo dia porque está com saudade”, diz envaidecida.

eband.

CÂMARA APROVA PLEBISCITO SOBRE CRIAÇÃO DE DOIS NOVOS ESTADOS NO BRASIL

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (5) um plebiscito para a população decidir se concorda com a criação de dois novos Estados no Brasil: o Estado do Carajás e o do Tapajós, ambos como desmembramento do Pará.

Conforme o texto, Carajás terá 39 municípios, no Sul e Sudeste do Pará, com área equivalente a 25% do território atual do Estado e Tapajós terá 27 cidades e ficará localizado a oeste do Estado, ocupando 58% de sua área atual.

As duas propostas voltam agora para o Senado, onde também precisam ser aprovados para que o plebiscito seja realizado.

A Constituição determina que a criação de novos Estados só aconteça depois de um plebiscito em que a população diretamente interessada participe.

Em seguida, um projeto de lei complementar é enviado ao Congresso que, depois de aprovado e assinado pela presidente, permite a criação do novo Estado.

O Gruyère suíço: Como é feito o melhor queijo do mundo / por haroldo de castro / são paulo

A panela de esmalte vermelho apareceu sob ovações. Dentro, uma massa de queijo derretido exalava um aroma embriagante. Como a receita da fondue inclui vinho branco e como eu era um pirralho de sete anos, só tive autorização para comer dois pedacinhos de pão banhados nessa mistura mágica. Foi durante esse jantar nos Alpes que escutei a palavra Gruyère pela primeira vez. A partir daquele noite, para mim, passaram a existir muitos queijos, mas apenas um seria o soberano: o meu Gruyère.

O ancestral do Gruyère tem provavelmente 900 anos. A primeira menção de sua preparação na região data de 1115, quando Guilherme, o primeiro Conde de Gruyères (o nome do vilarejo leva um “s” no final), fundou um monastério em Rougemont para apoiar os camponeses na fabricação do produto local.

Vaca leiteira no pasto natural, ao pé do castelo de Gruyères e da torre da igreja.

Mas por que preparar queijo? Em uma época sem geladeiras, conservantes e Tetra Paks, como faziam os antigos europeus para que um alimento tão nutritivo como o leite pudesse ter uma vida mais longa? As frutas estão para a compota, assim como o leite está para o queijo. O queijo foi criado como uma “conserva” do leite, para evitar o desperdício de seus sais minerais e proteínas.

Com suas tradicionais bochechas rosadas, Joseph Doutaz parece ter bem menos de 80 anos de idade.Forte e bem disposto, ele aprendeu a fabricar esse manjar aos 16 anos, quando passou o verão em um chalé nas montanhas, ajudando o pai com seu rebanho. Isolados nas alturas e sem comercializar o leite diariamente, produziram dezenas de peças do Gruyère chamado Alpage.

Ele revelou alguns de seus segredos. “Para fazer um bom queijo, preciso de um leite de excelente qualidade, sem impurezas. As vacas devem comer bem – 120 quilos de pasto por dia – e beber 100 litros de água”, explicou Joseph. “Bem alimentado, cada animal pode produzir 25 litros de leite”.

Depois de fermentado, coalhado, cortado e elevado a uma temperatura de 56 graus C, cada 11,5 litros de leite se transforma em um quilo de Gruyère. “É o próprio queijo que decide quando ele está no ponto. O queijeiro precisa saber ouvir”, confessou Joseph, que nunca se distrai durante a preparação. “Podemos perder centenas de litros de leite por um instante de desatenção”.

O processo de fabricação do queijo na Casa do Gruyère é moderno e impecável. Quatro caldeirões de cobre, de 4.800 litros cada, geram diariamente centenas de peças redondas que poderão ser batizadas como Gruyère. Cada uma pesa 35 quilos. Os queijos passam seus primeiros três meses em um quarto a 14 graus C de temperatura. A cava de maturação da Casa do Gruyère pode albergar mais de 7.000 itens, cuidados por um robô. A máquina retira a peça, passa água salgada na crosta e a devolve à prateleira.

Em um dos quatro caldeirões de cobre da “Casa do Gruyère”, 4.800 litros de leite são transformados em centenas de queijos de 35 quilos. Apesar da alta tecnologia, os queijeiros sempre estão atentos ao ponto da massa.

Joseph Doutaz fez questão que eu entrasse com ele na câmara de maturação. Quando abriu a porta, um odor ácido – parecido com uma mistura de amoníaco e coalhada – penetrou pelas narinas. Ele riu da minha reação e foi direto às prateleiras onde os queijos atravessam o período de maturação. “Um Gruyère só é digno do nome quando passa por um mínimo de cinco meses de cura”, esclareceu o queijeiro. “Mas com mais de um ano de idade, seu sabor é ainda mais pronunciado”.

Encontramos nas prateleiras dezenas de Gruyère Alpage. “Eles são produzidos nas montanhas. No verão, quando o rebanho está nas pastagens de altura, ordenhamos as vacas e fazemos o queijo lá mesmo”, revelou Joseph. “O leite tem outro sabor, pois o gado consome grande quantidade de flores e ervas. Os perfumes de violetas, margaridas, trevos, castanhas ou nozes passam para o produto”. Como as peças devem ser transportadas a pé, elas são menores. “Pesam 20 quilos. Utilizamos um pássaro para transportá-los até o vilarejo mais próximo”, explicou Joseph.

Um pássaro? Imediatamente imaginei uma águia amestrada levando em suas garras as peças cilíndricas através dos céus alpinos. Joseph notou minha perplexidade e ignorância. “O pássaro é uma armação de madeira colocada nos ombros. Ela inclui uma plataforma redonda, apoiada sobre a cabeça, onde se empilha os queijos. Quando eu era jovem, conseguia descer das montanhas com quatro”.

O mestre queijeiro Joseph Doutaz, vestido com seu tradicional Bredzon, mostra a utilização do “pássaro”, utensílio de madeira para facilitar o transporte das peças de queijo desde as montanhas até o vilarejo abaixo.

Ao sair da cava de maturação, fomos direto à loja da Casa do Gruyère. Encantado, fui convidado a provar pedacinhos de queijos de diferentes idades. Todos deliciosos, mas quando degustei o Alpage, subi aos céus. Fechei os olhos e pude sentir as flores silvestres e o gostinho de fumaça dentro do chalé. Se eu comesse um pouco mais desta delícia, começaria a ouvir o barulho dos sinos que as vacas suíças levam ao pescoço. 

Na Suíça, para usar uma etiqueta com o nome Gruyère, existe um incorruptível processo de pontuação. 
A organização responsável é a Interprofession du Gruyère e Jean-Louis Andrey é seu mestre queijeiro. Ele avalia uma mostra representativa de toda a produção suíça de queijos Gruyère. “Já provei meio milhão de peças durante os últimos anos. É um trabalho de responsabilidade, pois decidimos quais serão os queijos vendidos ao consumidor e os que serão vetados”, esclareceu Jean-Louis.

E, afinal, o Gruyère possui buracos ou não? Jean-Louis Andrey foi categórico. “Os queijos com orifícios, mesmo se pequenos, são desqualificados. Para ser autêntico, ele não pode apresentar nenhuma abertura”. Traduzindo, o Gruyère suíço não tem buracos! O resto é pura imitação.

Uma das cavas de maturação da “Casa do Gruyère”, onde os queijos passam seus primeiros três meses. Um robô retira a peça, passa água salgada na crosta e devolve o queijo à prateleira.

Silvio Santos e a novela do SBT – por izaías almada / são paulo

Quando ouvi dizer que o canal de televisão do senhor Sílvio Santos iria produzir uma telenovela sobre o golpe de 1964, fiquei logo curioso. O SBT?!!! Seria contra ou a favor do golpe? Ou, antes, pelo contrário? A ideia era interessante, mas conhecendo a televisão brasileira… Tinha eu que vencer o preconceito. Afinal, pensei, na pior das hipóteses existiria a possibilidade das novas gerações conhecerem um pouco sobre a nossa ditadura mais recente.

Veio a divulgação, a expectativa da estreia, as entrevistas sobre pesquisas, investigações históricas, depoimentos de militares e ex-presos políticos, enfim todo o pano de fundo necessário para, quem sabe, tirar alguns pontinhos do Ibope das emissoras concorrentes. E, claro, justificar a escolha de tema tão delicado e polêmico, mas aliciante para um gênero dramatúrgico de grande empatia no Brasil.

Contudo, pensei, o empresário Sílvio Santos, com seu eterno e enigmático sorriso, não é diferente de outros empresários na área da comunicação social, quer em jornais, revistas, rádio, televisão e a atual coqueluche mundial: a internet e sua rede social. À exceção de alguns sites e blogs dessa última forma de comunicação, todas as outras mencionadas, quer no Brasil e mesmo no mundo, na sua maioria pertencem a grupos que têm dado provas mais do que evidentes de serem apenas porta vozes de interesses corporativos próprios ou de seus principais anunciantes. Até aí, nenhuma novidade, pois essa é a chamada regra do jogo. E para aqui a ética não foi chamada, ou melhor, foi abandonada.

É sabido que no Brasil o grande mercado televisivo se alimenta dos horários distribuídos entre as telenovelas, os jogos de futebol, os telejornais e os programas de auditório, onde se despejam as grandes verbas publicitárias. Como jogos de futebol e programas de auditórios se nivelam pelas paixões mais comezinhas e deixam a desejar quanto a formar a opinião política dos cidadãos, é na área do telejornalismo e da telenovela que a porca torce o rabo, como diria meu velho pai… Aqui, sim, não dá para tapar o sol com a peneira.

No jornalismo, apesar de tudo, ainda se encontram alguns bolsões de dignidade e de profissionais que se mantêm dentro da prática de um jornalismo investigativo de qualidade, com a apresentação de questões relevantes nas ciências, nas artes, na política, ou que apresentam denúncias baseadas em fatos que as comprovam, na tentativa de ouvir os dois lados de uma questão, na busca do contraditório, etc. Não muitos, como seria desejável, mas existem. E quanto às telenovelas?

“Amor e Revolução” é uma novela maquiada de imparcialidade para falar de um período bastante difícil e controverso da política contemporânea brasileira. Caricata e mal feita, quer à direita e à esquerda do espectro político. De repente, a tal geração, para a qual a novela procuraria mostrar o que foram os “anos de chumbo”, desinformada que é, e pelo que se viu até agora, ficará dividida mais uma vez entre “torcer” para os bons contra os maus. Mas para muitos personagens, como o general Lobo Guerra e os policiais torturadores, ou mesmo alguns dos depoentes finais, os maus são os comunistas, que queriam transformar o Brasil numa China, União Soviética ou Cuba… E agora?

Qual o sistema econômico ideal, o regime político ideal? Já que se criou ao longo dos tempos a falsa dicotomia que identifica ditadura com fascismo e/ou comunismo e democracia com capitalismo, a resposta – para muitos, óbvia – será democracia e capitalismo. Mas qual democracia? A democracia do poder econômico? A democracia onde a justiça é realmente cega? A democracia que favorece a especulação financeira no lugar da produção? A democracia que ignora a justiça social? A democracia que tolera a impunidade e a corrupção?

Acabei, por fim, decifrando o enigma. No seu programa dominical do dia 24 de abril, o senhor Sílvio Santos – contando com a presença de uma atriz mirim da novela – expressou a sua opinião como cidadão, artista e empresário. Considerou ele que a novela deveria ter mais amor e menos revolução, isto é, mais beijos e menos cenas de tortura. Dirigindo-se à pequena atriz que participava do programa, SS arrematou: “Se você vivesse no comunismo, hoje teria que dividir o seu apartamento com mais de 20 pessoas”.

Agora entendi a novela do SBT: se não fossem os militares à maneira do general Lobo Guerra e os policiais à imagem dos personagens Fritz e do delegado Aranha livrarem o Brasil do comunismo à custa de torturas, prisões, desaparecimentos, cassações de mandatos, fechamento de sindicatos e entidades estudantis, censura à imprensa, tudo isso com o apoio de empresários brasileiros e da embaixada norte-americana no Brasil, nós hoje seríamos um país onde o próprio Sílvio Santos teria que dividir sua mansão no Morumbi provavelmente com 20 desses miseráveis da periferia. Pasmem.

E com certeza, muitos desses miseráveis compraram carnês do Baú da Felicidade.

WONKA BAR e VOX URBE apresentam: / curitiba

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UMA DÚZIA DE FRASES-SÍNTESE, NÃO MUITO OTIMISTAS, SOBRE A CONDIÇÃO DE SER – por zuleika dos reis / são paulo

           

  • Quanto mais alto o sonho, maior a extensão da fratura exposta ao se cair no real.
  • Quase sempre o que o ser grita, no silêncio das quatro paredes, não pode ser ouvido por ninguém, muito menos por ele mesmo.
  • Em um mundo em que a maioria se escuda nas suas verdades absolutas, inquestionáveis, há os que não têm sequer a certeza de que existam de verdade, fernandos pessoas avulsos, ao longo das Idades e dos mundos.
  • A vida é sonho, quase sempre pesadelo.
  • Já que não é possível se saber, com certeza, quase coisa nenhuma de si, nem do outro, nem do mundo, o melhor negócio, o mais conveniente, é adaptar-se à própria ignorância, que sobrevivência é privilégio dos que se adaptam.
  • Querer que alguém realmente nos saiba é o mesmo que se apostar na loteria, em prêmio acumulado há milênios, prêmio que não teve, jamais, nenhum ganhador.
  • A esperança é um ser que, quando hiberna, às vezes é preciso esperar o término de muitos invernos até que ela, esperança, apresente, de novo, algum sinal de vida.
  • Somos todos poliglotas, necessariamente, muitos sem o saber, porque com cada outro ser urge falar uma língua diferente, se se quer manter a possibilidade de alguma mínima mútua compreensão.
  • No desgoverno do mundo, o desgoverno do ser.  Que bela dupla! Que dupla imbatível!
  • Solidão não é escolha. Solidão é alfa-ômega, começo e fim, a presença que nos permanece fiel quando todas as outras, inclusiva a nossa própria, já nos traíram e nos abandonaram.
  • Há amores que são eternos: nunca mais acabam de morrer dentro de nós.
  • Para encerrar em outra tônica: Em toda escuridão sempre permanece a possibilidade de repentino ponto, ou de repentino clarão de luz que podem, um ou outro, vir das notas saídas de um violino… da imagem de um quadro… do olhar de uma pessoa desconhecida… de um sorriso de bebê… de uma lágrima a cair…  da palavra ou do silêncio  invisível de algum deus que esteja a passar…

Na noite de 29 de abril de 2011.

Facebook, a mais apavorante máquina de espionagem já inventada, quem afirma é ASSANGE, do WikiLeaks

Assange chama Facebook de ‘máquina de espionagem’

Publicada em 03/05/2011 às 14h04m

O Globo

RIO – Em entrevista ao programa de TV Russia Today, Julian Assange, a face pública do WikiLeaks, classificou o Facebook de “a mais apavorante máquina de espionagem já inventada.”

– (Em sites como o Facebook) nós temos o banco de dados mais abrangente sobre as pessoas, seus relacionamentos, nomes, endereços, localização e as conversas entre elas, seus parentes, tudo à disposição dos serviços de inteligência americanos – afirmou Assange, que aguarda extradição para Suécia. – Quando as pessoas adicionam seus amigos no Facebook, eles estão trabalhando de graça para as agências dos Estados Unidos.

Assange cita ainda Google e Yahoo como exemplos de páginas que ajudam os EUA a espionar os cidadãos. Ele não chegou a dizer que os sites são gerenciados pelo governo – como críticos radicais das redes sociais e afins já disseram -, mas disse que as agências podem pressionar legal e politicamente as empresas de internet.

A Ponte, claro, precisa ser demolida – por amilcar neves / ilha de santa catarina

É evidente que, ao falar em Ponte com inicial maiúscula, todo mundo sabe do que se trata. Ponte com maiúscula só existe uma: a Hercílio Luz, nome cedido pelo

governador que iniciou sua construção em 1922, o mesmo homem que decretou a mudança do nome da cidade, em 1894, de Nossa Senhora do Desterro (a fuga da sagrada família para o Egito, lembram?) para Florianópolis (o ditador da época, Marechal Floriano Peixoto, sacam?), quando também governava o Estado.

Há incontáveis razões para demolir a Ponte. Tantas que, se enumeradas numa lista sem os detalhes e fundamentos de cada razão, este espaço já será amplamente insuficiente.

Lógico que, se for o caso de o Redentor sofrer gravíssimo estiramento na coxa com ruptura de estruturas musculares ou violenta torção que rompa os ligamentos do joelho, a solução sempre será o uso de muletas, andadores e muito repouso até que o Cristo do Corcovado recupere plenamente sua forma física para retomar a rotina incansável das suas tarefas, que são da mais elevada importância para a cidade do Rio de Janeiro e, por que não dizer? (sempre quis usar essa expressão tão do gosto dos nossos letrados políticos), para todo o Brasil.

A demolição da Ponte permitirá a construção de outra, mais moderna e funcional, rente ao mar e com oito pistas de rolamento, duas para sair da Ilha e seis para nela entrar, num convite explícito a turistas e seus carros. E também a forasteiros de toda espécie, intenção e bandeira. A novíssima ponte aproveitará com escassas adaptações boa parte das fundações da velha Ponte. Antes de fechado o derradeiro vão da nova travessia, e porque a ponte será muito baixa por pragmatismo e economia, serão convocados todos os barcos, iates, escunas e veleiros para que decidam de que lado, afinal, desejam viver o resto de suas vidas, se na Baía Norte ou na Baía Sul.

Óbvio que o ideal seria um vigoroso aterro que suprimisse aquela estreita língua de mar que insiste em separar a Ilha do resto do mundo, mas isso é bastante difícil de construir com a tecnologia hoje disponível devido à profundidade insana do canal e às violentas e traiçoeiras correntes marinhas que por ali teimam em circular.

Às favas, pois, em nome do bom senso, o argumento romântico, pueril e saudosista de poetas, prosadores, artistas e encrenqueiros de todos os naipes que afirma ser a Ponte a ligação simbólica e literal entre todos os catarinenses. Isso já não encontra espaço saudável nos dias de hoje!

Demolida e substituída a Ponte para o bem geral, o próximo passo será transformar Avaí e Figueirense em franquias de times de futebol do Rio, São Paulo ou Rio Grande do Sul. Em seguida, antes da ocupação plena dos espaços correspondentes, será contratada a ONG www.oldcatcult.org (A Velha Cultura Catarinense) para a elaboração de esculturas de grupos de pescadores artesanais e rendeiras de bilro, a serem espalhadas por diversos pontos do litoral do Estado em homenagem às extintas atividades artesanais que existiram onde então estarão aterros, avenidas e arranha-céus; para a criação de estátuas de araucárias, em tamanho natural, a serem plantadas nos locais de onde subsidiárias ou sucessoras da grande Lumber Co. terão erradicado os derradeiros pinheiros, símbolos privativos do Paraná, que se tornará o habitat único da espécie; e para escrever, cantar e pintar o gato como símbolo do Estado, que terá suas cores e bandeira escolhidas em plebiscito exclusivo para turistas e forasteiros.


Conversa com a Presidenta Dilma Rousseff / coluna semanal – Brasilia

A Presidenta da República responde, todas as terças-feiras, perguntas de leitores enviadas pelos meios de comunicação cadastrados

Coluna semanal da Presidenta 

Paulo Laurez, 48 anos, dentista de Curitiba (PR) – A senhora não acha que é importante o governo fazer uma campanha para aumentar o número de doadores de órgãos?

Presidenta Dilma – Concordo com você. Tanto que, todos os anos, nós realizamos campanhas para conscientizar a sociedade sobre a importância da doação, gesto que salva vidas. A população tem respondido a essas campanhas com a sua solidariedade, mesmo em situações extremamente difíceis como a perda de um ente querido. De 2003 a 2010, o número de procedimentos cresceu 65%, passando de 12.722 para 21.040. De 2009 para 2010, tivemos 10,7% de crescimento só dos transplantes de medula. A expansão constante é resultado do registro brasileiro de doadores voluntários de medula, hoje o terceiro maior banco deste tipo no mundo, com dois milhões de cadastrados. Além das campanhas, o governo tem tomado outras medidas, como a capacitação e valorização dos profissionais do setor. Desde 2002, os investimentos no Sistema Nacional de Transplantes mais do que triplicaram, passando de R$ 327,8 milhões para R$ 1,19 bilhão, em 2010. Com isso, nosso sistema de transplantes é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, sendo que lá a maioria dos procedimentos é feita na rede privada. Embora o nosso desempenho já seja muito bom, não podemos esmorecer. Iniciamos neste ano um novo programa de desenvolvimento de equipes de captação de órgãos, com foco nos 16 estados onde não havia unidades regulares de captação. E vamos continuar intensificando as campanhas, reforçando o Sistema Nacional de Transplantes e contando com a participação ativa da sociedade.

 

Geraldo Ferreira da Silva, 41 anos, técnico de informática de São Paulo (SP) – Sou deficiente físico e gostaria de saber quando é que vai haver uma política melhor para deficientes em relação à aposentadoria. Não podemos ser comparados a pessoas normais, pois temos muita dificuldade de locomoção e necessitamos de muitos remédios para compensar as nossas deficiências.

 

Presidenta Dilma – Geraldo, nosso governo está atento a essa questão, uma vez que a situação dos portadores de deficiência é realmente diferenciada. A Emenda Constitucional nº 47, promulgada em 2005 pelo Congresso Nacional, vedou a adoção de requisitos e critérios distintos para a concessão de aposentadoria. Essa mesma Emenda, no entanto, deixou a porta aberta para uma exceção, que é a de os portadores de deficiência contarem com critérios especiais. Mas, para a efetivação desse direito, é necessária a regulamentação, o que está sendo feito por meio da Lei Complementar nº 40, em tramitação no Congresso. Estamos discutindo com os parlamentares essa regulamentação, que é bastante complexa. O texto resultante desses entendimentos deverá definir, por exemplo, como se dará a aposentadoria especial a partir do grau de deficiência. Em princípio, quanto maior o grau de deficiência, menores serão as exigências para a aposentadoria.

Paulo dos Santos, 27 anos, construtor de Rio Largo (AL) – Muitos pequenos construtores estão preocupados com as alterações impostas pela Caixa Econômica, que só vai financiar com recursos do FGTS o Minha Casa Minha Vida, se o acesso ao imóvel for pavimentado. Meu pedido é que se dê um prazo para que possamos terminar as construções.

 

Presidenta Dilma – Paulo, o contrato para o financiamento de moradias pela Caixa Econômica, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, pode ser feito por pessoa jurídica, isto é, por construtora, ou diretamente por pessoa física, individualmente. No primeiro caso, para o financiamento, sempre houve a exigência de que a rua, ou via de acesso à unidade habitacional, seja pavimentada. A única mudança nas regras foi em relação às propostas feitas por pessoas físicas, que antes não exigiam rua pavimentada e agora também incluem essa exigência. Mas, veja bem, o programa está passando por um período de transição: do dia 28/2 ao dia 30/6/2011, estão sendo aceitas propostas de financiamento de moradias localizadas em vias não pavimentadas para propostas de pessoa física. Basta que sejam atendidas as demais condições de contratação da operação de crédito. O número de contratos assinados do Minha Casa Minha Vida, até o final do ano passado, ultrapassou um milhão. Desse total, 71% dos contratos foram propostos por pessoas jurídicas e 22% por pessoas físicas. O restante foi proposto por outros agentes, como o Ministério das Cidades e o Banco do Brasil.

ilustração do site. foto de Stuckert Filho.

O Poeta MANOEL de ANDRADE comenta no post: “OSAMA BIN LADEN ESTÁ MORTO” / curitiba

Comentário:
Este não é um momento nem alegre nem triste para um poeta. Essa insensata euforia ante a morte de alguém deveria ser um momento profundamente crítico ante este e tantos outros fatos que marcam o desencanto do mundo. Ante esta consciência crítica alguns poderão opinar, com algumas razões, que essa é uma guerra de bandidos contra bandidos. Contudo alguns, historicamente mais analíticos, podem justificar que essa é uma guerra de opressores contra oprimidos, de orgulhosos contra humilhados, de potentados contra miseráveis. Longe de mim justificar os equívocos criminosos da Al-Qaeda e seu sinistro e sangrento fundamentalismo. Mas este não é o momento de comemorar nada porque os verdadeiros criminosos continuam vivos.

Preferimos, compreensivelmente, creditar aos legítimos e dolorosos sentimentos de orfandade e viuvez  do “11 de setembro” a satisfação pessoal ante este estranho sepultamento no Mar da Arábia, contudo há muitos crimes a debitar ante o alienante “The american way of life”. O mundo nunca esquecerá Hiroshima e Nagasaki e nem das bombas de napalm torrando velhos, mulheres e crianças no Vietnam. É preciso também relembrar os crimes justificados pela Doutrina Monroe no continente (“América para os americanos”) e o que esteve por traz da queda de Arbenz, na Guatemala de 1954, da invasão da Baia dos Porcos, na Cuba em 1961, da invasão da República Dominicana em 1965, da invasão de Granada em 1983, bem como a intervenção no Iraque e no Afeganistão e por aí vai este rastro prepotente. É preciso não esquecer os nomes de Lincoln Gordon e Vernon Walters, e das sinistras intenções norte-americanas na história secreta no golpe de 1964 no Brasil, no apoio de
Pinochet no Chile de 1973 e na cumplicidade com agentes da DINA no assassinato de Orlando Letelier em setembro de 1976, em Washington. É preciso não esquecer da United States Army School of the Americas, ou a Escola das Américas, no Pananá, onde os oficiais das ditaduras latino-americanos aprenderam as técnicas mais cruéis para torturar seus concidadãos e do grande mestre Daniel Mitrione que partilhou sua “sabedoria” com os torturadores brasileiros. É preciso também não esquecer das últimas revelações sobre Guantânamo.

Como se vê este dossiê é muito longo para um simples comentário. Reitero  que em acontecimentos mundialmente tão notórios como este, onde a morte de alguém é hasteada como uma vitória do bem contra o mal,  é preciso manter a reflexão e o espírito crítico, para sabermos que neste caso não há herois, mas historicamente só algozes e vítimas.  Vivemos numa cultura de poder globalizado onde se desencoraja a discussão e se impõe, subliminarmente,  a aceitação passiva dos fatos. È facil verificar que nestes dias a midia ocidental destila o fato identificando a face estratégica dos interesses e dos salvadores do mundo. Quanto ao que nos toca,  sabemos que o questionamento não é uma virtude do povo brasileiro. Aqui popularmente pouco de debate e oficialmente tudo se eufemiza. Somos muitos “caridosos” com os corruptos e nos fazem esquecer muito rapidamente os nossos escândalos.

Quero terminar dizendo que surgem novas forças democráticas no Norte da África e no Oriente Médio e que as dinastias opressoras  — algumas aliadas do Ocidente  — terão que descer do trono. Esperamos que nesse impasse também o terror seja desterrado. É preciso manter a esperança mas sem nos iludir, porque infelizmente ainda não há humanismo nesta lamentável trincheira de lutas.

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veja a matéria comentada AQUI

Júlio de Sá Bierrenbach, ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, afirma que atentado ao Riocentro deixou de ser investigado para proteger altos oficiais

entrevista a Jailton de Carvalho

O ministro aposentado do STM, Julio Bierrenbach/Foto de Paulo NicolellaEx-Ministro do SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR   Júlio de Sá Bierrenbach – foto de Pablo Nicolella.

BRASÍLIA – Trinta anos depois do atentado do Riocentro, um dos casos mais emblemáticos da fase final da ditadura militar, o ministro aposentado do Superior Tribunal Militar (STM) Júlio de Sá Bierrenbach sustenta que a investigação foi abafada para inocentar altos oficiais vinculados ao crime. O ministro aponta o dedo para o general Octávio Medeiros, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) e até para o ex-presidente João Baptista de Figueiredo, já falecido. “Figueiredo, na ocasião, declarou que (os militares envolvidos no atentado) não estavam subordinados a ele. Estavam subordinados ao ministro do Exército. Mas aí faço uma pergunta: o Iº Exército não estava subordinado ao presidente da República?” O atentado ocorreu em 30 de abril de 1981. Reportagens publicadas pelo GLOBO na semana passada mostram que a agenda do sargento Guilherme Pereira do Rosário – um dos autores do ataque, morto na explosão – revela a rede de terror envolvida no episódio, mas jamais foi usada nas investigações.

ELE VIU : Após 30 anos do caso Riocentro, surge nova testemunha

ARAPONGAS : Agenda do sargento Rosário traz nomes da atual comunidade de informações

O caso Riocentro completou 30 anos. O senhor acha que falta muita coisa ainda para ser esclarecida? O que faltou apurar?

JÚLIO BIERRENBACH: Deram um jeito no espaço e no tempo. Primeiro, ao insistir em que a bomba não estava no colo do sargento. Era um absurdo. Depois deram um jeitinho no tempo com a emenda constitucional de 1985. Deixaram de botar o parágrafo segundo da emenda, que limitava a coisa ao período da Anistia concedida pelo (presidente João) Figueiredo até 1979. Quando o Hélio Bicudo era presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, me convidou para ir a Brasília prestar declarações. Tinha 12 representantes lá, e tudo isso veio à baila. É desagradável. A decisão do meu tribunal no segundo inquérito foi completamente errada, um absurdo (o STM incluiu o atentado entre os casos protegidos pela Lei de Anistia).

Por que era absurdo?

BIERRENBACH: A segunda vez em que o caso foi julgado, baseado na emenda votada pelo Congresso em 1985. O período era o mesmo, até 1979. E o Riocentro foi depois de 79.

Ou seja, o caso Riocentro não foi alcançado por essa emenda?

BIERRENBACH: Não, absolutamente, a emenda não protegia (os responsáveis) pelo caso do Riocentro.

Então o senhor acha que deveria haver punição?

BIERRENBACH: Deviam julgar, deviam apurar. Ninguém apurou nada. Não apuraram porque não quiseram apurar. É pena você não ter em mãos o meu livro (“Riocentro: quais os responsáveis pela impunidade?”). Eu cito as declarações do Figueiredo).

Tudo indica que os dois militares estavam no Riocentro cumprindo ordens superiores. Por que essas pessoas não foram chamadas, não foram investigadas e não foram punidas?

BIERRENBACH: Que pessoas?

Tudo indica que o crime foi planejado por um grupo maior e não apenas por dois.

BIERRENBACH: Um morreu e outro nunca foi ouvido. Até comento no meu livro que o Ministério Público Militar ficaria desacreditado se o capitão que foi ferido não comparecesse à auditoria para prestar declaração. Ele nunca declarou nada. É cheia de falhas a coisa.

O então capitão Wilson Machado nunca foi chamado para depor?

BIERRENBACH: Ele nunca depôs. Evitaram de todo jeito que ele depusesse.

Quem estava acima desses dois militares, o capitão Wilson Machado e o sargento Rosário?

BIERRENBACH: Figueiredo, na ocasião, declarou que não estavam subordinados a ele. Estavam subordinados ao Iº Exército, ao ministro do Exército. Isso era o Figueiredo livrando o pessoal do SNI (Serviço Nacional de Informações). Mas aí faço uma pergunta: o Iº Exército não estava subordinado ao presidente da República? Eles não apuraram porque não quiseram, porque não convinha. E o negócio todo foi feito para liberar o chefe do SNI.

Estavam protegendo o chefe do SNI por quê?

BIERRENBACH: Porque o general (Octávio) Medeiros era um possível candidato a substituir Figueiredo. De modo que Figueiredo fez tudo dizendo que aquilo foi coisa de tenentinho, capitão. Tirado tudo de cima, como se eles não fossem subordinados ao presidente da República.

Então o senhor acha que houve envolvimento do presidente da República também?

BIERRENBACH: Omissões, omissões. Deviam ter tomado outras providências. Era omissão de todos os lados. Eu tive luta no Superior Tribunal Militar com alguns ministros. Queriam reunião secreta. Mas depois, Cabral Ribeiro prestou declarações em sessão aberta e deu (entrevista) à imprensa. Aí eu respondi em nota à imprensa.

E essa falha na investigação e no processo, o senhor acha que desacreditou a Justiça Militar?

BIERRENBACH: A Justiça Militar não, mas alguns ministros saíram desacreditados. Disso não há dúvida nenhuma. Por exemplo, ninguém viu como é que foi sorteado o relator. Eu digo abertamente no livro. Se eu tivesse mentindo, podiam vir para cima de mim. O relator foi escolhido, a imprensa esperou até o fim do expediente e ficou para o dia seguinte. No dia seguinte, os jornais já publicavam o nome do relator escolhido pelo presidente do tribunal.

Houve manipulação?

BIERRENBACH: Houve manipulação, não tenho dúvida nenhuma. Agora, a esta altura, estou eu criticando atos do meu tribunal. Como é que vou me defender? Sou aposentado, tenho 92 anos, vão dizer que estou gagá. O negócio é esse.

Quando o senhor era ministro do STM, foi pressionado por alguém do governo, do Exército?

BIERRENBACH: De jeito nenhum. Se viessem me pressionar eu botava a boca no mundo. Eu tinha bom contato com a imprensa. O meu voto, que foi longo, os principais jornais publicaram a íntegra.

LUCIANA CAÑETE e Editora Positivo convidam: curitiba

TORRE DE BABEL – de joão felinto neto / mossoró.rn

O juiz do supremo,

Jeová,

se irrita e sai do sério,

quando seu filho Jesus

vai à noite, ao cemitério.

No boteco do Davi,

onde quem manda

é o Golias,

não há funda,

quem afunda

na cachaça, é o Isaías.

No salão do senhor Sansão,

quem faz o cabelo

é sua mulher Dalila.

As mulheres de Salomão,

o cafetão lá da vila,

choram e sentem solidão

quando estão de barriga.

Lúcifer anda arrasado,

o seu mundo virou trevas,

por ter visto abraçados,

Adão e a senhora Eva.

Noé, o velho barqueiro,

não gosta de animais.

No entanto, adora um peixe-frito

no barzinho lá do cais.

Essa torre de Babel

é o mundo em que vivemos,

onde não há inocência.

Se algum nome ou fato ofender,

é mera coincidência.

OSAMA BIN LADEN ESTÁ MORTO!

Odeio Prepotência – por paloma jorge amado / rio de janeiro

Era 1998, estavamos em Paris, papai já bem doente, participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz. De repente, uma imensa crise de saude se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o aviao da Varig (que saudades) para Salvador.

Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas. Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe. Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um politico do Sul (nao lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois, que fica dificil lembrar). A mulher parecia uma arvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo. Me armei de paciência e respondi: Sim, senhora, eu sei. Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas nao disse. Ficou por isso. De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos. Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais.

Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo, educadamente disse não. Hoje, quando vi na tv o Senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito retada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei. Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada…

 

Paloma Jorge Amado é psicóloga.
Define a sua preferência política desta forma. “Sou livre pensadora. Odeio tudo que é contra o povo, reacionário, retrógrado, preconceituoso. Se tivesse que escolher uma ala, escolheria a das Baianas.”

por email.

PRIMEIRO DE MAIO: Operário em construção – de vinícius de morais / rio de janeiro

foto livre.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia

Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração

E como tudo que cresce
Ele nâo cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:

O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia “sim”
Começou a dizer “não”

E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
“Convençam-no” do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:
Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia

Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão!

Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido.
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção