OSAMA BIN LADEN ESTÁ MORTO!

3 Respostas

  1. Mais uma vez, o poeta Manoel Andrade dá o testemunho dum homem
    verdadeiramente lúcido e, principalmente, com uma visão ímpar de justiça que deve ou deveria servir de exemplo. Concordo inteiramente com ele, porque só quem conhece de perto as atrocidades que têm sido
    cometidas no mundo árabe, pode compreender como tal sistema, caracterizado pela opressão desumana sobre aqueles povos, por aqueles que se acham com o direito de se regerem por leis feitas a seu bel-prazer, baseadas em mentiras infames, que tal sistema, dizia eu, não pode ter como resposta outra coisa que não seja a violência exercida com as únicas armas a que têm acesso: o terrorismo. Seja esta uma forma condenável , que até é, eles limitam-se a actuar baseados no princípio de defesa dos mais fracos, a lei bárbara de ”olho por olho”…
    Parabéns, meu amigo, pela sua lucidez e, principalmente, por nunca perder o seu espírito de luta a favor dos mais fracos.

  2. Permita-me, Manoel de Andrade, cumprimentá-lo pela extrema lucidez do comentário, particularmente importante nos tempos que atravessamos, com sua tendência cada vez mais forte em direção à glorificação das posturas acríticas, dos “fundamentalismos” ( uso o termo sem nenhuma conotação anti-islâmica, como vem ocorrendo) nas colocações, de um maniqueísmo muitíssimo perigoso. Certamente, as bases do Humanismo estão com seus alicerces em perigo, em múltiplas trincheiras. Parece-me,mesmo, que todos os lugares estão virando campo de guerra,campos de guerra onde os princípios do Esclarecimento e do esclarecimento estão sendo sepultados, impiedosamente, sem que disso, muitas vezes, estejamos nos dando conta. Tomara que ainda haja caminhos para nos defendermos e defendermos a História, do modo como cada um consiga, do domínio dos irracionalismos a se imporem com força progressiva, avassaladora.

  3. Este não é um momento nem alegre nem triste para um poeta. Essa insensata euforia ante a morte de alguém deveria ser um momento profundamente crítico ante este e tantos outros fatos que marcam o desencanto do mundo. Ante esta consciência crítica alguns poderão opinar, com algumas razões, que essa é uma guerra de bandidos contra bandidos. Contudo alguns, historicamente mais analíticos, podem justificar que essa é uma guerra de opressores contra oprimidos, de orgulhosos contra humilhados, de potentados contra miseráveis. Longe de mim justificar os equívocos criminosos da Al-Qaeda e seu sinistro e sangrento fundamentalismo. Mas este não é o momento de comemorar nada porque os verdadeiros criminosos continuam vivos.

    Preferimos, compreensivelmente, creditar aos legítimos e dolorosos sentimentos de orfandade e viuvez do “11 de setembro” a satisfação pessoal ante este estranho sepultamento no Mar da Arábia, contudo há muitos crimes a debitar ante o alienante “The american way of life”. O mundo nunca esquecerá Hiroshima e Nagasaki e nem das bombas de napalm torrando velhos, mulheres e crianças no Vietnam. É preciso também relembrar os crimes justificados pela Doutrina Monroe no continente (“América para os americanos”) e o que esteve por traz da queda de Arbenz, na Guatemala de 1954, da invasão da Baia dos Porcos, na Cuba em 1961, da invasão da República Dominicana em 1965, da invasão de Granada em 1983, bem como a intervenção no Iraque e no Afeganistão e por aí vai este rastro prepotente. É preciso não esquecer os nomes de Lincoln Gordon e Vernon Walters, e das sinistras intenções norte-americanas na história secreta no golpe de 1964 no Brasil, no apoio de Pinochet no Chile de 1973 e na cumplicidade com agentes da DINA no assassinato de Orlando Letelier em setembro de 1976, em Washington. É preciso não esquecer da United States Army School of the Americas, ou a Escola das Américas, no Pananá, onde os oficiais das ditaduras latino-americanos aprenderam as técnicas mais cruéis para torturar seus concidadãos e do grande mestre Daniel Mitrione que partilhou sua “sabedoria” com os torturadores brasileiros. É preciso também não esquecer das últimas revelações sobre Guantânamo.

    Como se vê este dossiê é muito longo para um simples comentário. Reitero que em acontecimentos mundialmente tão notórios como este, onde a morte de alguém é hasteada como uma vitória do bem contra o mal, é preciso manter a reflexão e o espírito crítico, para sabermos que neste caso não há herois, mas historicamente só algozes e vítimas. Vivemos numa cultura de poder globalizado onde se desencoraja a discussão e se impõe, subliminarmente, a aceitação passiva dos fatos. È facil verificar que nestes dias a midia ocidental destila o fato identificando a face estratégica dos interesses e dos salvadores do mundo. Quanto ao que nos toca, sabemos que o questionamento não é uma virtude do povo brasileiro. Aqui popularmente pouco de debate e oficialmente tudo se eufemiza. Somos muitos “caridosos” com os corruptos e nos fazem esquecer muito rapidamente os nossos escândalos.

    Quero terminar dizendo que surgem novas forças democráticas no Norte da África e no Oriente Médio e que as dinastias opressoras — algumas aliadas do Ocidente — terão que descer do trono. Esperamos que nesse impasse também o terror seja desterrado. É preciso manter a esperança mas sem nos iludir, porque infelizmente ainda não há humanismo nesta lamentável trincheira de lutas.

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