Arquivos Diários: 4 maio, 2011

UMA DÚZIA DE FRASES-SÍNTESE, NÃO MUITO OTIMISTAS, SOBRE A CONDIÇÃO DE SER – por zuleika dos reis / são paulo

           

  • Quanto mais alto o sonho, maior a extensão da fratura exposta ao se cair no real.
  • Quase sempre o que o ser grita, no silêncio das quatro paredes, não pode ser ouvido por ninguém, muito menos por ele mesmo.
  • Em um mundo em que a maioria se escuda nas suas verdades absolutas, inquestionáveis, há os que não têm sequer a certeza de que existam de verdade, fernandos pessoas avulsos, ao longo das Idades e dos mundos.
  • A vida é sonho, quase sempre pesadelo.
  • Já que não é possível se saber, com certeza, quase coisa nenhuma de si, nem do outro, nem do mundo, o melhor negócio, o mais conveniente, é adaptar-se à própria ignorância, que sobrevivência é privilégio dos que se adaptam.
  • Querer que alguém realmente nos saiba é o mesmo que se apostar na loteria, em prêmio acumulado há milênios, prêmio que não teve, jamais, nenhum ganhador.
  • A esperança é um ser que, quando hiberna, às vezes é preciso esperar o término de muitos invernos até que ela, esperança, apresente, de novo, algum sinal de vida.
  • Somos todos poliglotas, necessariamente, muitos sem o saber, porque com cada outro ser urge falar uma língua diferente, se se quer manter a possibilidade de alguma mínima mútua compreensão.
  • No desgoverno do mundo, o desgoverno do ser.  Que bela dupla! Que dupla imbatível!
  • Solidão não é escolha. Solidão é alfa-ômega, começo e fim, a presença que nos permanece fiel quando todas as outras, inclusiva a nossa própria, já nos traíram e nos abandonaram.
  • Há amores que são eternos: nunca mais acabam de morrer dentro de nós.
  • Para encerrar em outra tônica: Em toda escuridão sempre permanece a possibilidade de repentino ponto, ou de repentino clarão de luz que podem, um ou outro, vir das notas saídas de um violino… da imagem de um quadro… do olhar de uma pessoa desconhecida… de um sorriso de bebê… de uma lágrima a cair…  da palavra ou do silêncio  invisível de algum deus que esteja a passar…

Na noite de 29 de abril de 2011.

Facebook, a mais apavorante máquina de espionagem já inventada, quem afirma é ASSANGE, do WikiLeaks

Assange chama Facebook de ‘máquina de espionagem’

Publicada em 03/05/2011 às 14h04m

O Globo

RIO – Em entrevista ao programa de TV Russia Today, Julian Assange, a face pública do WikiLeaks, classificou o Facebook de “a mais apavorante máquina de espionagem já inventada.”

– (Em sites como o Facebook) nós temos o banco de dados mais abrangente sobre as pessoas, seus relacionamentos, nomes, endereços, localização e as conversas entre elas, seus parentes, tudo à disposição dos serviços de inteligência americanos – afirmou Assange, que aguarda extradição para Suécia. – Quando as pessoas adicionam seus amigos no Facebook, eles estão trabalhando de graça para as agências dos Estados Unidos.

Assange cita ainda Google e Yahoo como exemplos de páginas que ajudam os EUA a espionar os cidadãos. Ele não chegou a dizer que os sites são gerenciados pelo governo – como críticos radicais das redes sociais e afins já disseram -, mas disse que as agências podem pressionar legal e politicamente as empresas de internet.

A Ponte, claro, precisa ser demolida – por amilcar neves / ilha de santa catarina

É evidente que, ao falar em Ponte com inicial maiúscula, todo mundo sabe do que se trata. Ponte com maiúscula só existe uma: a Hercílio Luz, nome cedido pelo

governador que iniciou sua construção em 1922, o mesmo homem que decretou a mudança do nome da cidade, em 1894, de Nossa Senhora do Desterro (a fuga da sagrada família para o Egito, lembram?) para Florianópolis (o ditador da época, Marechal Floriano Peixoto, sacam?), quando também governava o Estado.

Há incontáveis razões para demolir a Ponte. Tantas que, se enumeradas numa lista sem os detalhes e fundamentos de cada razão, este espaço já será amplamente insuficiente.

Lógico que, se for o caso de o Redentor sofrer gravíssimo estiramento na coxa com ruptura de estruturas musculares ou violenta torção que rompa os ligamentos do joelho, a solução sempre será o uso de muletas, andadores e muito repouso até que o Cristo do Corcovado recupere plenamente sua forma física para retomar a rotina incansável das suas tarefas, que são da mais elevada importância para a cidade do Rio de Janeiro e, por que não dizer? (sempre quis usar essa expressão tão do gosto dos nossos letrados políticos), para todo o Brasil.

A demolição da Ponte permitirá a construção de outra, mais moderna e funcional, rente ao mar e com oito pistas de rolamento, duas para sair da Ilha e seis para nela entrar, num convite explícito a turistas e seus carros. E também a forasteiros de toda espécie, intenção e bandeira. A novíssima ponte aproveitará com escassas adaptações boa parte das fundações da velha Ponte. Antes de fechado o derradeiro vão da nova travessia, e porque a ponte será muito baixa por pragmatismo e economia, serão convocados todos os barcos, iates, escunas e veleiros para que decidam de que lado, afinal, desejam viver o resto de suas vidas, se na Baía Norte ou na Baía Sul.

Óbvio que o ideal seria um vigoroso aterro que suprimisse aquela estreita língua de mar que insiste em separar a Ilha do resto do mundo, mas isso é bastante difícil de construir com a tecnologia hoje disponível devido à profundidade insana do canal e às violentas e traiçoeiras correntes marinhas que por ali teimam em circular.

Às favas, pois, em nome do bom senso, o argumento romântico, pueril e saudosista de poetas, prosadores, artistas e encrenqueiros de todos os naipes que afirma ser a Ponte a ligação simbólica e literal entre todos os catarinenses. Isso já não encontra espaço saudável nos dias de hoje!

Demolida e substituída a Ponte para o bem geral, o próximo passo será transformar Avaí e Figueirense em franquias de times de futebol do Rio, São Paulo ou Rio Grande do Sul. Em seguida, antes da ocupação plena dos espaços correspondentes, será contratada a ONG www.oldcatcult.org (A Velha Cultura Catarinense) para a elaboração de esculturas de grupos de pescadores artesanais e rendeiras de bilro, a serem espalhadas por diversos pontos do litoral do Estado em homenagem às extintas atividades artesanais que existiram onde então estarão aterros, avenidas e arranha-céus; para a criação de estátuas de araucárias, em tamanho natural, a serem plantadas nos locais de onde subsidiárias ou sucessoras da grande Lumber Co. terão erradicado os derradeiros pinheiros, símbolos privativos do Paraná, que se tornará o habitat único da espécie; e para escrever, cantar e pintar o gato como símbolo do Estado, que terá suas cores e bandeira escolhidas em plebiscito exclusivo para turistas e forasteiros.