A PALAVRA – por paulo madeira / são paulo

“Da Bíblia (e de outras “escrituras sagradas”), todas ditas “de Deus”, mas com um indisfarçável sotaque de falas míticas e mágicas.   Revelações de Javéh a Abraão, a Moisés, de Alá a Maomé, do “Senhor Jesus” aos “mensageiros” que pontificam por aí, nas TVs e templos-hospitais-shopings, garantindo tudo curar e sempre atender a todos os exagerados desejos de enriquecer…  (Matematicamente, em detrimento dos que continuarem pobres).

É intrigante de se ver (embora a Psicologia explique) como tantas pessoas acreditam tratar-se mesmo de “palavras de Deus” e, não, apenas de sapiências oriundas dos repositórios culturais sedimentados ao longo dos tempos e lugares,  carregados de mitos e crenças, ambos advindos da imaginação.

Mas será que não há revelações divinas “autênticas”?   Bom, quem jura que a “Palavra” é autêntica é a própria Palavra…  Sendo isto tautológico, para os desconfiados, não vale…  Ainda assim, não negamos que muitas dessas palavras sejam portadoras de sabedorias (em meio a ingenuidades compreensíveis).   Estas, porém, não são os pontos a analisar aqui:  nem as sabedorias nem as ingenuidades. O ponto que não podemos deixar de considerar é a AUTENTICIDADE das ditas “Palavras de Deus”.

Mesmo com esta justa dúvida, as “Palavras” eram e são apresentadas como os pilares das doutrinas.   A rigor, isto é, filosoficamente, não poderiam ostentar o status de FUNDAMENTOS.   Pra começar, há divergências entre elas, o que sugere não serem oriundas de uma mesma e única “Fonte Divina”, como já aventamos.   Ainda assim, continuam eficazes como instrumentos de indução e submissão às fés.   Quaisquer fés, mesmo que notoriamente “psicológicas”, subjetivas.

E elas induzem a atitudes de que até Deus duvida, como ditaduras teocráticas, “guerras santas”, homens-bomba, imposições econômicas, de classe, racistas, de costumes, de preferências e outras.   Serão elas autenticamente divinas?   Que falta que Sócrates nos faz…   Ah, se as instituições religiosas tivessem a humildade que pregam aos fiéis e adotassem, contra si mesmas, sistemas socráticos, maiêuticos, de controle de qualidade.   Auditorias internas.   Teriam produzido menos fés e mais sabedorias  –  alicerçadas em verdades naturais, não nas ditas “palavras de Deus”, as quais, por serem assim acreditadas, ficam engessadas, mesmo quando se tornam incoerentes, impossíveis, absurdas, carregadas de preconceitos, intolerâncias etc.   No entanto, teria Moisés alguma chance sem afirmar que “Os Dez Mandamentos da Lei de Deus” foram ditados por Deus?   O que você acha?   Filósofos independentes, munidos com bons instrumentais racionais, são rejeitados para seremauditores fiscais externos dela, da Palavra…  Mas, pudera!   Que audácia!    Auditar e fazer controle externo sobre palavras  “de Deus”…?!

Não!   Não é isso!   Sobre as “de Deus”, se elas fossem Dele, claro que não.    Mas, sobre as palavras dos ditos “Livros Sagrados” e falas dos ditos “profetas iluminados”, sobre estas queandam por aí, em todos os púlpitos e auditórios, sim!    Você sabe como nascem os porta-vozes faladores…?   Aquelas “vocações”?   E quanto aos Livros Sagrados, você sabe como eles forameditados?   Bom, o chanceler alemão Bismark dizia que o povo ficaria muito preocupado se soubesse como são feitas as salsichas e as leis…  Dá para extrapolar essas preocupações para os Livros Sagrados e seus porta-vozes, com todo o respeito…   Mas os religiosos não dispõem de humildade para uma tal análise crítica, de jeito nenhum…”

do livro  Crenças Incríveis de Paulo Madeira.

Uma resposta

  1. Palavras bem colocadas de ( Paulo Madeira ) digo sempre leiam tambem
    os 03 volumes de ( Jhon Paul Meier )

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